Nossa querida musa desta década anuncia disco novo para o início de outubro (já em pré-venda) e começa a nova fase mostrando a irretocável faixa-título: “All Mirrors” é densa, épica, dramática, mágica.
Que canção. Que artista. Que bom tê-la de volta.
“Eu fui jurado de um concurso musical em que o Supercordas concorria, quando ouvi a banda pela primeira vez. O prêmio era uma ajuda pra gravar um disco e acho que acabei ajudando a lançar alguma coisa deles por ter votado neles”, lembra Gabriel Thomaz, líder dos Autoramas, que usa o saudoso grupo psicodélico fluminense para lançar o primeiro registro de seu trio instrumental, Gabriel Thomaz Trio. O grupo começa a mostrar o disco de estreia, batizado de Babababa, que será lançado no dia 6 de setembro, com uma versão sem vocal para o hit indie “Ruradélica”, que na versão surf do trio de Gabriel vai à praia só até a beirinha pra ficar curtindo a brisa e o barulho das ondas.
“A melodia de ‘Ruradélica’ me pegou de jeito e assoviei essa música por anos e anos”, continua Gabriel. “Sempre a achei extremamente pop – e pop pra mim é um dos maiores elogios. Com essa versão tiramos ela do mato e trouxemos pra morar aqui com a gente na decoração space age”, diverte-se o guitarrista, que lidera o trio ao lado de Jairo Fajer (baixo) e Bruno Peras (bateria). Babababa será lançado no dia 6 de setembro.
Encontrei a Rita Oliva, dona do projeto Papisa, dia desses, retomando uma conversa que paramos lá no início de 2018, quando ela apresentou a segunda versão de seu Tempo Espaço Ritual numa das primeiras terças-feiras no Centro da Terra. De lá pra cá, ela abriu o processo de criação e gravação de seu novo disco com o público e vem amadurecendo o que se tornaria o disco Fenda, que ela anuncia para o início de agosto. Depois de lançar a faixa “A Velha” no início do ano, ela traz um contraponto, “Roda”, que chega às plataformas digitais nesta sexta-feira mas pode ser ouvido em primeira mão aqui no Trabalho Sujo.
“‘Roda’ fala da sensação de estar no meio das mudanças”, explica a cantora e compositora paulista. “e ela traz uma certa leveza, mais humana, da emoção, da nostalgia, de encarar o tempo é como uma espiral”. A faixa é um contraponto leve de um disco que ela mesma encara como mais denso, ao ser temático sobre a morte. “É um disco que fala da morte em várias perspectivas, como parte de um ciclo, literal ou figurado”, continua, lembrando que viveu algumas mortes próximas que funcionaram como gatilho para o disco, batizado justamente a partir desta sensação de transição que sentimos atravessar. “A fenda é um símbolo de uma entrefase, de um momento em que uma coisa acabou e outra não começou. Tem essa suspensão, no tempo e espaço.” O disco deve sair no dia 2 de agosto e estas são as faixas.
“Moiras”
“A Velha”
“Terra”
“Fenda”
“Retrato Infinito”
“Nigredo”
“Semente”
“Roda”
“Espelho”
Fabiana Lian e Vladimir Safatle tinham personalidades públicas muito diferentes quando se encontraram nos anos 90 para registrar o disco que lançam agora, 25 anos depois, chamado Músicas de Superfície. Ela cantava em projetos de música eletrônica e integrava o grupo Mawaca, enquanto ele era estudante de filosofia na USP. De lá pra cá, ela estabeleceu-se como produtora musical, trabalhando em shows de artistas internacionais que vinham ao Brasil, nomes tão diferentes quanto Metallica, Madonna, Television e Jon Spencer Blues Explosion, e criou a escola de negócios de música On Stage Lab (além de ser mãe de Luiza Lian). Ele estabeleceu-se como acadêmico, tornando-se um dos grandes nomes da filosofia brasileira e um dos principais pensadores de esquerda do país. Os dois se reencontraram musicalmente no início do ano e resolveram resgatar as gravações que fizeram entre 1994 e 1998, voltando a fazer shows e finalmente preparando o lançamento do disco de décadas passadas. Entre a música erudita e a canção lírica, os dois encontram-se num lugar muito específico e quase não-pop, embora conquiste pelas camadas densas de romantismo e introspecção. Uma primeira amostra está sendo lançada aqui no Trabalho Sujo, quando os dois mostram o primeiro single, “Sangue e Geometria”. Logo depois os dois contam a história destas Músicas de Superfície (que chega às plataformas digitais na próxima sexta e tem show de lançamento no Blue Note no dia 3 de julho) e falam dos próximos passos.
O rapper Emicida lança o primeiro single de seu próximo disco, Permita Que Eu Fale: “Eminência Parda”, produzido pelo Nave e com participações de Jé Santiago, Dona Onete e Papillon, dá o tom do novo álbum, uma resposta evidente ao caos institucional que o atual desgoverno tem implementado no país.
O grupo inglês Hot Chip nunca decepciona – e ao anunciar seu sétimo álbum, A Bath Full of Ecstasy, o fazem com uma ótima música, “Hungry Child”, que vem acompanhada de um clipe engraçadinho estrelado por Martin Starr e Milana Vayntrub, abaixo:
O disco marca a primeira vez que o grupo trabalha com produtores de fora, quando reuniu o francês Philippe Zdar (que já produziu Phoenix e Cassius) com o escocês Rodaidh McDonald (que já trabalhou com The XX e David Byrne), e será lançado no mês de junho. Abaixo, a capa feiosa e a relação das faixas do álbum.
“Melody of Love”
“Spell”
“Bath Full of Ecstasy”
“Echo”
“Hungry Child”
“Positive”
“Why Does My Mind”
“Clear Blue Skies”
“No God”
O disco já está em pré-venda
O grupo carioca Los Hermanos lançou “Corre Corre”, escrita por Marcelo Camelo, no primeiro de abril mas não é mentira – será que vem disco novo com a nova turnê? Aí sim!
“Rodei o mundo até
você se distrair
não tinha culpa ou direção
ou olhos pra guiar
Eu acho graça
que a vida passa
e a solidão é mais
Desculpa se não tive fé ou força pra lutar
Ah, fico à vontade mas você não vem
Espero tanto teus sinais
Ah, é madrugada mas não vem ninguém
de longe eu vejo o temporal
Corre, corre, corre
Doce é o vento que te leva
Eu não tenho mais a pressa
ou horas pra contar
Pela vida solta
todo o meu amor com ela
que esse azul do céu espera
Coragem pra mudar
Ah, fico à vontade mas você não vem
Espero tanto teus sinais
Ah, é madrugada mas não vem ninguém
de longe eu vejo o temporal
Corre, corre, corre
Doce é o vento que te leva
Eu não tenho mais a pressa
ou horas pra contar
Pela vida solta
todo o meu amor com ela
que esse azul do céu espera
Coragem pra mudar”
Prestes a lançar mais um disco de protesto – Hibernar na Casa das Moças Ouvindo Rádio -, o “Bob Dylan da Central do Brasil” chamou Raquel Virgínia e Assucena Assucena das Bahia e a Cozinha Mineira para um dueto em “Chumbo Grosso”, primeiro single que ele antecipou para a minha coluna no Reverb, Tudo Tanto
– confere lá.
O cantor e compositor paulistano Thiago Pethit lança o single “Noite Vazia” para anunciar o lançamento do novo disco, Mal dos Trópicos, produzido por Diogo Strausz. Bati um papo com ele sobre o que esperar do novo disco e ele, mesmo escondendo o jogo, falou deste disco, que considera “um disco escuro”. Leia lá na minha coluna Tudo Tanto, no Reverb.
Meu compadre Fabio Bianchini lança “Notícias Tuas”, um esporro elétrico triste e raivoso cantado em português por sua banda bissexta Gambitos para sublinhar a tenebrosa importância do momento histórico que vivemos às vésperas desta dura eleição. Ele diz que está entrando “aos 49 do segundo tempo de uma partida que a gente tá perdendo e em que tá apanhando, mas a bola ainda não parou de rolar. Talvez seja atrasado. Na verdade, a vontade de escrever sobre o momento histórico já vinha de algum tempo; pelo menos desde o golpe de 2016 e seus desdobramentos. Mas sempre ficava algo entre uma explicação do que todos víamos e uma imagética ao mesmo tempo cafona e que não falava de verdade do que se queria falar. O fortalecimento do bolsonarismo, principalmente para quem mora em Santa Catarina, criou um viés diferente, e bem mais pessoal, que, portanto, faz mais sentido explorar. É a frustração de ver pessoas amadas endossando ideias truculentas de combate às mais básicas noções de liberdade pessoal, dignidade, respeito mútuo, civilização e humanidade. É inevitável sentir decepção, descaso, até desamor mesmo e, a partir daí, algum ressentimento ao perceber são negligenciados os avisos de que isso coloca ameaças sérias à nossa liberdade, nossa integridade física e até nossa existência.”
Palavras duras que precisam ser ouvidas. Abaixo, a letra da música, para ficar bem claro o recado:
Quero muito que estejam vivos, com saúde e lucidez pra lembrar
qual foi a atitude quando ele disse que o correto é me exterminarQuando disseram que gay tem que tomar um couro
Que deviam ter matado mais
Quando rasgaram a placa da Marielle
Quando disseram pra acabar os ativismosQuero que tu esteja lá
sabendo bem de que lado ficou
Mas se não eu vou lembrar o teu lugar nesse horrorQuando sabiam que espalhavam mentira, pouco ligando se é verdade ou não
Não se importando com as consequências
Pra poder pensar que até tem razãoQuando mediram quilombola em arroba
Diz que não estupra porque não merece
Quando negaram qualquer terra pros índios
Quando mataram Mestre MoaQuero que tu esteja lá
sabendo bem de que lado ficou
Mas se não eu vou lembrar o teu lugar nesse horrorE muita gente vai sumir e morrer
Antes de ser a minha vez
Mas quando eu não estiver mais aqui
Quem vai lembrar vai ser vocêsO medo nos sufoca
O choro nos afoga
Não tenho mais o que perderMeu pai nem pediu desculpas por me botar nessa catapulta
que nos lançou na escuridãoEu tenho tanto pra dizer
Eu tenho medo de viver
Não tenho medo de morrer por nós











