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Triste e certo

Bem bonita a primeira apresentação do duo Triste, criado pelo casal Rafael Brasil e Brenda Mayer como um passatempo caseiro mas que aos poucos ganhou forma e força, começando por singles lançados esporadicamente nas redes e tornando-se um projeto musical com formação de banda, convidados especiais e um forte espetáculo ao vivo. O som intimista e delicado do casal ganha corpo e presença com os graves eletrônicos disparados pelo produtor e baterista Bruno Pelloni, além do belíssimo vocal de Brenda ganhar uma camada de profundidade com os vocais de apoio da baixista Luísa Phoenix, discreta e precisa. A guitarra de Raffa ganha texturas detalhistas mais palpáveis ao vivo do que em disco e tanto as versões de autores alheios escolhidas para a noite (“Ceilings” de Lizzy McAlpine e a minha favorita das Spice Girls, “2 Becomes 1”) e as participações especiais abriram ainda mais os horizontes do grupo, que escolheu o título De Perto para a apresentação como se quisesse mostrar o quão amplo eles podem ser sonoramente, mesmo soando frágeis e melancólicos: primeiro veio o multiinstrumentista Tereu tocar uma música novíssima com eles ao piano e depois o vocalista dos Menores Atos, Cyro Sampaio, dividiu sua canção solo “Viu?” com o grupo, antes de cantar “Secret Intentions”, uma das primeiras faixas da dupla, lançada ainda quando se chamavam Tigres Tristes (e o travalíngua os obrigou a reduzir o nome da banda). Ameaçando o lançamento iminente tanto de um clipe quanto do primeiro álbum (mas sem confirmar datas), eles encerraram a apresentação com a música que consideram seu principal trunfo, “Falta”, que Brenda não teve modéstia (e precisa?) para reconhecer que “no meu universo, essa música é um hit pra todo o sempre”, antes de resumirem a própria sonoridade com guitarras pós-punk, groove eletrônico, alma de trip hop e vocais pop. Começaram – e terminaram – bem.

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Triste: De Perto

É um prazer receber no Centro da Terra e estreia da dupla Triste, que, depois de lançar uns singles online, prepara-se para o lançamento de seu primeiro álbum. Mas sem grandiloquência, afinal a sonoridade do casal formado por Rafael Brasil (da banda Far From Alaska) e Brenda Mayer (da banda Call Me Lolla) busca intimismo e delicadeza como se os dois convidassem o público para ouvir músicas na sala de estar de sua casa. Em canções indie pop adocicadas e delicadas misturando letras em inglês e português, a dupla vem para o teatro como a apresentação batizada de De Perto, quando pretendem desacelerar o tempo com suas composições, subindo ao palco acompanhados pela baixista Luísa Phoenix e pelo produtor e baterista Bruno Pelloni, além de terem participações do músico Tereu e do guitarrista Cyro Sampaio, do grupo Menores Atos. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda pelo site do Centro da Terra.

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Mergulho na poesia

Era o dia do aniversário de Gustavo Galo, mas quem ganhou o presente foi o público, quando ele reuniu sua nova banda Tudo a Ver – formada por quatro autores solo: Juliana Perdigão, Bruna Lucchesi, Vitor Wutzki e o próprio Galo – como segunda noite de sua temporada Um Bis no Abismo, que está fazendo nas segundas de junho no Centro da Terra. O grupo foi criado para aproximar os dois universos que seus integrantes habitam – o musical e o poético – e na apresentação desta segunda, convidou outros poetas para subir ao palco e ver seus poemas virar canções. Apesar de ser uma banda, a Tudo a Ver restringe-se a quatro guitarristas que também cantam, abrindo mão de linhas de baixo e de instrumentos percussivos. As únicas variações são o instrumento de Bruna que em vez da guitarra vai de violão elétrico e o fato de Juliana por vezes puxar seu clarinete em algumas canções, mas a formação simples também permite que os quatro trabalhem diferentes formatos como grupo, podendo seus autores mostrarem-se solo, em duetos, trios, quartetos e, finalmente, quintetos, ao chamar cada um dos convidados da noite por vez, para que cantar suas contribuições. E assim foram perambulando entre poemas de autores tão diferentes quanto Ledusha, Alice Ruiz, Rainer Maria Rilke e Renato Negrão e dos respectivos convidados, Marcelo Ariel, Angélica Freitas, Dimitri BR e Fabricio Corsaletti, cada um deles entrando por vez. A participação de Fabrício seria o encerramento do show, mas o início do público puxando bis transformou-se em um “Parabéns a Você” que obrigou Galo a improvisar um novo número, emendando dois hai-kais de Alice Ruiz como encerramento da noite.

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Pressão criativa

“Eu fui meio doida, marquei o show e tinha que compor as músicas”, explicou Luna França logo no início de sua apresentação Juntos, que fez nesta terça-feira no Centro da Terra. Acompanhada de seu teclado, do companheiro e baterista Arquétipo Rafa – que dispensa a mão esquerda para tocar bateria para segurar as linhas de baixo num synthbass – e da multiinstrumentista Lê Veras, que foi da guitarra para o piano e depois para o teclado, Luna mostrou músicas que fez a toque de caixa para sua apresentação, usando o prazo da apresentação como motivação para finalmente mexer nas próximas composições de seu segundo disco, a partir de anotações e gravações que vinha fazendo desde que lançou seu disco de estreia. E ao contrário do que a pressa pode parecer, a composição com a pressão do prazo iminente fez ela arredondar canções pop que poderiam estar tocando no rádio – e sempre com parceiros que chamou para compor juntos, daí o título da noite. E além de músicas com Ana Passarinho e Heloá Holanda (que subiram no palco para dividir suas composições), ainda mostrou outras compostas com a cantora Malu Magri, a escritora Rita de Podestá e com o próprio Rafa, além de “Coisas da Vida”, da Rita Lee. Encerraram o show com um bis improvisado que contou com a participação das duas convidados repetindo uma das músicas que abriram o show – a irresistível “Nada”, composta com Rita, e terminando a noite com o astral lá em cima.

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Luna França: Junto

Imensa satisfação de receber Luna França nesta terça-feira no Centro da Terra, quando apresenta seu espetáculo Junto, que norteia seu novo horizonte artístico, quando começa a pensar na realização de seu segundo álbum. Depois do disco de estreia, chamado de Um e feito de forma solitária, ela parte da colaboração com outros artistas como ponto de partida para este novo trabalho, que começa a colocar em prática a partir desta primeira apresentação no teatro, e além da banda que montou, formada por Arquétipo Rafa (bateria e synth bass) e Lê Veras (teclado e guitarra), ela também troca com as cantoras que convidou para esta noite, Ana Passarinho e Heloá Holanda, transformando o palco em um espaço de encontro e troca. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Sem tempo a perder

Galo invocou o nosferatu tropicalista para tomar conta da primeira noite de sua temporada Um Bis no Abismo no Centro da Terra e fez todos mergulhar na poesia inquieta de Torquato Neto, mostrando como, mesmo com uma vida e obra encurtadas pela morte precoce, sua importância e influência segue tanto intacta quanto presente – e o vocalista da Trupe Chá de Boldo editou uma bela compilação dos melhores momentos do poeta e jornalista piauiense, puxando tanto parcerias quanto homenagens. Ladeado por dois guitarristas – o velho cúmplice de Trupe Gustavo Cabelo, maestro desta apresentação, e o novo camarada Vitor Wutzki -, Galo abriu com quatro hits do poeta e parcerias com sumidades do nosso cancioneiro: “Let’s Play That” com Jards Macalé, “Mamãe Coragem” e “Deus Vos Salve Esta Casa Santa” com Caetano Veloso e a cortante “Pra Dizer Adeus” com Edu Lobo. Depois chamou Soledad para o palco, enviesando a apresentação para Gal Costa, quando primeiro dividiram “Três da Madrugada” (parceria com Carlos Pinto), depois a cantora cearense leu o trecho da coluna Geleia Geral em que Torquato incensava o show Fatal, para fechar cantando “Viver é Fatal”, música que Galo compôs no dia em que soube da morte de Gal, o 9 de novembro que também é aniversário do piauiense. Depois visitou a música que Sergio Sampaio celebra Torquato (“Que Loucura”) e dois poemas musicados por Gilberto Gil (“Marginália II” e “Todo dia é dia D”), quando recebeu o segundo convidado da noite, o cantor Zé Ed, que recitou a coluna “Pessoal Intransferível” e depois chamou Soledad mais uma vez para dividir a parceria do poeta com Geraldo Azevedo, “O Nome do Mistério”. E depois de fazer o público cantar a homenagem póstuma que Caetano fez ao amigo (na imortal “Cajuína”), vestiu a capa de vampiro brasileiro (“pf”, cuspiria Bento Carneiro) de Torquato, para terminar a noite musicando o poema “Cogito”: Eu sou como eu sou, vidente/ E vivo tranqüilamente/ Todas as horas do fim”. Um começo de temporada sem firulas e sem bis, pois não temos tempo a perder.

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Galo: Um Bis no Abismo

Enorme satisfação ao receber Gustavo Galo para tomar conta da temporada de junho no Centro da Terra, quando junta três segundas e uma quarta-feira (porque é mês de Copa do Mundo) para fazer seu Um Bis no Abismo. A primeira noite acontece neste dia 8, quando celebra o poeta Torquato Neto com a apresentação Subterrânia, escrito com “i” mesmo, como Hélio Oiticica abrasileirou o termo em inglês “underground” para o Brasil nos anos 60, quando reúne Vitor Wutzki, seu companheiro de Trupe Chá de Boldo Gustavo Cabelo, Zé Ed e Soledad para celebrar o tropicalista do Piauí. Nas segunda seguinte, dia 15, ele traz sua nova banda Tudo a Ver (com Juliana Perdigão, Bruna Lucchesi e Vitor Wutzki) e convidados como Angélica Freitas, Fabricio Corsaletti, Dimitri Br e Marcelo Ariel. No dia 22 apresenta suas subversões com Peri Pane, quando verte para o português canções de Lou Reed, Patti Smith e Leonard Cohen e recebe André Mourão e Péricles Cavalcanti. E como a última segunda do mês cai num possível dia de jogo da Copa, o encerramento da temporada acontece no primeiro dia do mês que vem, numa quarta, quando ele mostra suas novas composições ao lado de Pedro Gongon, Otávio Carvalho, Lucas Gonçalves e Tomás Gleiser. As apresentações começam sempre pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda pelo site do Centro da Terra.

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Mudando de fase

Em transição do primeiro álbum para o próximo, mais intimista, que deve lançar no ano que vem, o multiinstrumentista e compositor Leal mostrou os rumos que deve perseguir no novo trabalho e as influências externas que tem recebido no espetáculo Circulando, que trouxe nesta terça-feira ao palco do Centro da Terra, quando tocou ao lado de Reyviton Lima (trombone), Rafael dos Santos (bateria) e Fernanda Horvath (baixo). Ele passou por diferentes formações entre os músicos e instrumentos – passando do violão para o tambor onça, da rabeca ao piano e finalmente para a guitarra -, visitando o repertório de seu disco de estreia com novas formações, músicas ainda inéditas em formato acústico e versões para artistas tão diferentes quanto João do Vale e Cidade Negra (da fase inicial, com Ras Bernardo nos vocais) enquanto passeava por diferentes formatos de canção brasileira que investiga em suas composições.

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Leal: Circulando

Nesta segunda terça-feira do mês, temos o prazer de receber o espetáculo Circulando, do músico, cantor e compositor Leal, em que leva seu homônimo disco de estreia para um território mais intimista, em que pode explorar de forma ainda mais detalhista instrumentos tradicionais da música popular brasileira como a onça, a viola e a rabeca, soando tanto experimental quanto minimal. Na apresentação inédita, ele vem acompanhado dos músicos Reyviton Lima (trombone), Rafael dos Santos (bateria) e Fernanda Horvath (baixo). O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda através do site do Centro da Terra.

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Entrosamento e sensibilidade

Maravilhosa apresentação do quinteto Lumia nesta segunda-feira no Centro da Terra que, apesar de tocar nesta formação que inclusive batizava sua apresentação, não pode contar com a baterista Amanda Barbosa no palco, que teve problemas de deslocamento para chegar em São Paulo a tempo. Com o baixista Bruno Migotto fazendo as vezes (e bem!) de baterista, as integrantes do grupo não tiveram dificuldade em mostrar seu repertório autoral e uma química latente entre elas que transparecia na troca de olhares e sorrisos que atravessou a apresentação feita por Marina Marchi (voz), Júlia Toledo (piano), Laryssa Alves (contrabaixo) e Miriam Momesso (guitarra). O entrosamento e sensibilidade dos músicos equilibra-se na delicadeza do jazz à brasileira com pitadas de música estrangeira, como quando fizeram uma composição do músico isralense Shai Maestro e uma composição tradicional da Estônia “Kiik Tahab Kindaid” na versão feita pela vocalista estoniana Karmen Rõivassepp, mas com arranjo próprio. Noite linda.

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