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Fagogo solto

Gibaa surpreendeu nesta terça-feira ao apresentar não apenas músicas de seu próximo álbum, Fagogo, que não irá para as plataformas de áudio e só poderá ser ouvido no próprio player digital revelado durante a apresentação que tem o mesmo nome do disco. A surpresa veio ao por revisitar não apenas suas próprias canções antigas e outras de outros autores que lhe influenciaram num novo formato, mas justamente pelo próprio formato escolhido para a apresentação. Chamou o baixista Antonio Andrade e o pianista Enrico Machado para, apenas à guitarra, cantar canções sem instrumento rítmico: nada de percussões nem bateria seja acústica ou eletrônica, o que ressaltava a beleza de suas canções, acamadas na microfonia shoegaze de seu instrumento e na doçura do vocal, por horas frágil de propósito (batendo na vertente Daniel Johnston do indie rock), por outras com a força e precisão exata. E além de músicas próprias (incluindo de projetos antigos, como a banda This Man e os Sem Cuecas, e futuros, como os Minikids), cantou canções de Manu Julian, da Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo e do Lauiz, que inclusive fez uma das participações da noite, que ainda contou com o baixo de Helena Cruz em uma canção e os integrantes do Minikids no final. Vai Gibaa!

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Gibaa: Fagogo

Gibaa antecipa seu segundo álbum nesta terça-feira no Centro da Terra e o conceito de Fagogo vai para além do disco, pois também é um player de música digital. Na ativa desde antes da pandemia, Gibaa lançou seu primeiro disco, Poça Platônica, em 2024 e desde então vem trabalhando no conceito de Fagogo, um disco que não está nas plataformas de áudio e só pode ser ouvido num player de áudio digital open-source que leva o mesmo nome do disco – ou ao vivo, como é o caso desta primeira apresentação que fará no teatro. O espetáculo começa pontualmente a partir das 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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O buraco do fim do mundo

“Esse sentimento de que o mundo tá indo pro buraco”, a sensação de desesperança transmitida pela segunda apresentação da temporada Acontecimento que o trio Crizin da Z.O. está fazendo no Centro da Terra poderia ser resumido a um questionamento ainda maior, posto logo já no primeiro movimento, quando o próprio Crizin arrematava: “Será que nesse buraco cabe o mundo?”. Recebendo a dupla Deafkids nesta segunda-feira, mais uma vez o grupo de funk apocalíptico transformou o palco do teatro em um alarme estridente sobre o fim do mundo iminente que toma conta do nosso dia-a-dia. Como na primeira apresentação da temporada (quando o grupo apresentou-se ao lado de Kiko Dinucci), esta nova noite viu o casamento das duas guitarras presentes criar uma parede de microfonia grossa que espremia o público contra a parede mental dos próprios cérebros, mas como tanto Douglas Leal quanto Mariano Sarine desdobram-se na percussão (elemento também crucial para o grupo do Rio de Janeiro), esta névoa elétrica sempre vinha aterrada de atabaques e tambores prontos para deixar todos em alerta. Pesado e aterrador como sempre, mas sem perder a seriedade ou o senso de emergência.

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Percurso sinuoso e fluido

O coletivo Enchante fez sua estreia no Centro da Terra nesta terça-feira, abrindo a noite batizada de Sombras N’Água com uma enxurrada de ruídos em que Sue, Anna Vis, Mari Crestani e Gylez – e a convidada Valentina Facury – já chocaram o público de saída, para depois entrar num percurso mais sinuoso e fluido, deixando o improviso dos instrumentos estabelecer o ritmo do resto da noite, depois do apavoro inicial. A partir dali, samples e efeitos eletrônicos, voz, guitarra, sax, percussão e viola seguiram caminhos próximos mas com interferência mínima e pontual, naqueles belos momentos do improviso em que a escuta é tão importante quanto a ação, trabalhando com espaços vazios e momentos de tensão sonora que eram tão volumosos quanto expansivos.

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Enchante: Sombras N’Água

O recém–formado coletivo Enchante, formado por artistas queer da cena paulistana que trabalham com a improvisação livre, sobe ao palco do Centro da Terra pela primeira nesta terça-feira, quando apresentam o espetáculo Sombras N’Água. Formado por Sue (guitarra e sampler), Anna Vis (voz e sampler), Mari Crestani (sax alto e contrabaixo) e Gylez (viola elétrica), o grupo trabalha com o risco da performance ao vivo e para esta apresentação convida a percussionista Valentina Facury. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Os pés no abismo

A temporada Acontecimento, que o trio fluminense Crizin da Z.O. começou nesta segunda-feira no Centro da Terra, desceu os primeiros degraus em direção a um desconhecido sônico em que novos experimentos sonoros, citações de faixas de seu disco Acelero (de 2024) e porções musicais trazidas pelos convidados formam uma nova realidade. Quem abriu o caminho da temporada foi Kiko Dinucci que mais uma vez trouxe sua guitarra elétrica para ser desconstruída naquele palco, acompanhando movimento semelhante ao que fez o guitarrista do trio, Marcelo Fiedler. Só que cada um vinha de um rumo: Kiko do punk e Marcelo do metal, aos poucos amalgamando seus ruídos elétricos em uma parede de microfonia e distorção em que o MC Cris Onofre soltava seus impropérios apocalípticos enquanto distorcia a própria voz e disparava bases e o percussionista Danilo Machado vinha com o molho mínimo e convincente pra abrasileirar ainda mais aquele barulho todo, seja nas congas ou apenas no pandeiro. Em dois momentos, Kiko puxou duas de suas armas mais pesadas: “Veneno”, arrebatamento em forma de briga de rua que compôs com Ogi e fez Crizin decorar toda a letra, e um de seus hinos, a hipnótica “Crack pra Ninar”, que embalou o final dessa primeira noite, deixando o grupo pronto para o salto, com os pés pendurados à beira de um abismo.

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Crizin da Z.O.: Acontecimento

Enorme satisfação em receber mais uma vez no Centro da Terra o trio fluminense Crizin da Z.O., que ocupa as segundas-feiras de maio com temporada Acontecimento, em que utiliza o palco do teatro como um espaço-tempo imprevisível. E assim Cris Onofre, Marcelo Fiedler e Danilo Machado convidam diferentes artistas para criar nestes instantes e a cada segunda-feira recebem novos parceiros. A primeira,a dia 4, vem com Kiko Dinucci abrindo caminhos. Depois, dia 11, recebem a dupla Deaf Kids. No dia 18 é a vez de receberem os produtores MNTH, Lcuas Pires e Mbé e encerram estes acontecimentos com a presença de Juçara Marçal no dia 25, sempre misturando funk carioca com elementos de vanguarda, noise e eletrônica. As apresentações começam pontualmente a partir das 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Enfim, palco

Fez-se palco! Heloiza Abdalla finalmente materializou seu livro de poemas Ana Flor da Água da Terra em espetáculo nesta terça-feira, no Centro da Terra, quando completou 20 anos desde que começou a escrevê-lo e dez de sua publicação. Com o auxílio luxuoso – e discreto – de bons camaradas como Sandra-X (voz e efeitos), Breno Kruse (violão e guitarra), Romulo Alexis (trompete), Chicão (piano) e Diogo Cardoso (luz), ela fundiu poesia, música, dança e cinema numa apresentação que ganhou seu próprio corpo – e ainda deixou uma palhinha de seu próximo livro ao improvisar um bis com o sexto poema de Sala Azul Vermelha.

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Heloiza Abdalla: Ana Flor da Água da Terra

Imensa satisfação proporcionar à Heloiza Abdalla a transformação de seu livro Ana Flor da Água da Terra em espetáculo musical no aniversário de dez anos de sua publicação. Ela transforma os poemas desta obra em um improviso livre contínuo que conta com as participações de Sandra-X (voz e efeitos), Breno Kruse (violão e guitarra), Romulo Alexis (trompete) e Chicão (piano), além de iluminação feita pelo poeta Diogo Cardoso. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda pelo site do Centro da Terra.

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Fecho clássico

O encerramento da temporada Abriu o Fuzz que Guilherme Held fez na última segunda-feira de abril no Centro da Terra, como nas segundas anteriores, foi completamente imprevisível, mas de uma forma muito particular. Ao receber Edgard Scandurra (que trouxe sua guitarra da Casio como arma secreta), a nova dupla preferiu trabalhar com trechos específicos de improvisos pautados por alguma regra do que simplesmente tornar a noite num extenso fluxo de consciência elétrica sem intervalo. A formalidade do maior guitar hero paulistano – ele mesmo um cátedro da história da música gravada na segunda metade do século passado – fez Held segurar os ímpetos e voar em céus pré-estabelecidos, mostrando que audição, disciplina e contenção são partes tão importantes na música improvisada quanto sair tocando como se não houvesse amanhã. Combinando algumas regrinhas nos intervalos (“blues…” ou “em si”, murmurava Ed, dando pistas dos rumos a seguir), os dois encerraram a noite improvisando sobre dois temas clássicos, um deles puxado pelo público, que exigiu o único bis da temporada, que encerrou com os dois circulando ao redor do andamento de “The Burn of the Midnight Lamp” de Jimi Hendrix e voltando ao palco para caminhar pelo deserto inóspito que Link Wray desenhou com a sequência de acordes de sua imortal “Rumble”. Um encerramento clássico para uma temporada de celebração a um instrumento clássico, que mais uma vez contou com o laser de Paulinho Fluxuz, mais geométrico que das outras noites.

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