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Um Colinho ainda maior

Casa cheia para assistir ao Colinho de Maria Beraldo ao vivo pela primeira vez no teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros, quase dois anos após o lançamento do segundo disco da cantora e compositora catarinense, que, para fazer jus às dimensões do teatro, chamou dois velhos compadres para agigantar a noite, ao convocar Tulipa Ruiz e Negro Leo para momentos específicos de sua apresentação. Esta continua intacta, tal como fez desde o show de lançamento, no palco do teatro do Sesc Pompeia em janeiro de 2024, à exceção da troca de um dos dois músicos que a acompanham – o baterista Sergio Machado segue junto, mas o baixista e tecladista Fábio Sá saiu para a entrada de Danilo Penteado, sem que isso tirasse a precisão da execução do show, mantendo o mesmo clima chiaroscuro estabelecido pelas luzes então espartanas e monocromáticas de Olivia Munhoz, seguido da comunicação mínima de Maria com o público. Como de praxe, o show começou às escuras, com a forte versão a capella que encerra o disco, com Maria cantando “Minha Missão’ de Clara Nunes, antes de cair no Colinho a partir do início, quase seguindo a ordem das músicas, que só mudou após o primeiro terço do show, quando ela recebeu Negro Leo para dividir uma música de seu primeiro álbum, Cavala, “Amor Verdade”. Depois foi a vez de Tulipa Ruiz entrar dançando ao som de uma versão de sua ‘Físico” e também puxou uma do Cavala (“Tenso”) para dividir os vocais com Maria. Mas quando os convidados não estavam no palco, a tensão e precisão do trio abria espaço para Maria tocar vários instrumentos (do seu clarone ao violão, passando pelo piano de cauda), enquanto Danilo alternava entre o piano, o baixo elétrico e o acústico e Sérgio segurava todos com sua percussão milimétrica. Leo voltou mais perto do fim para cantar a “Quem Sou Eu” que compôs junto com Beraldo e seguiu com sua “Jovem Tirano Príncipe Besta”, das primeiras composições que projetaram Leo para além do Rio de Janeiro. A noite ainda trouxe a versão para “Nobreza” de Djavan, antes que Maria chamasse os dois convidados para voltar ao palco e dividir sua “Truco”. Encerrou a noite, também como de praxe, invocando “Ivy” do Frank Ocean debaixo de um único ponto de luz e, pela primeira vez desde que lançou o disco ao vivo, abriu exceção para um bis, quando, novamente ao lado de Leo e Tulipa, fez todos entrarem no clima de sua “Da Maior Importância”. Fino demais.

#mariaberaldo #sescpinheiros #trabalhosujo2026shows 172

Raquel Dimantas está vindo…

A carioca Raquel Dimantas abriu os trabalhos para seu segundo álbum (Cosmo Dorme, que será lançado no fim deste mês) com a fofa “Meu Bebê”, que fez ao lado dos compadres Guilherme Lirio, Marcelo Callado e Jonas Sá. Mas essa versão que ela publicou em seu Instagram transformando a vibe jovem guarda da canção numa balada ao violão ao redor de uma fogueira ao lado de sua irmã Tontom (saudades, Tontom!) ficou linda!

Confere aí:  

Green Day ♥ Bruce Dickinson

Imagine você estar num show de uma banda paralela do vocalista do Green Day e ele chama o vocalista do Iron Maiden para cantar uma música de David Bowie… Foi isso que aconteceu nesta quinta-feira, quando a banda que Billie Joe Armstrong inventou em 2018 para tocar suas músicas favoritas (os Coverups) passou pelo Hard Rock Hotel em San Diego, na Califórnia, e, entre versões para músicas dos Ramones, Clash, Soul Asylum, Pretenders, Buzzcocks, Go-Go’s, Strokes, Nirvana e Bryan Adams, convocou o improvável convidado Bruce Dickinson para cantar uma versão para o hino glam “All the Young Dudes”. E ficou bem bom, diz ai…

Assista abaixo:  

Music Fashion Film – o filme

Antes de lançar seu Music Fashion Film nesta sexta-feira, Charli XCX realizou duas rodadas de sessões de audição para seu novo álbum que fugiram da fórmula convencional do formato, ao transformar o filme em um vídeo-álbum que, ao mesmo tempo dava a possibilidade de seus fãs ouvirem o disco antes do lançamento com imagens registradas por amigos da cantora inglesa e posteriormente montado e dirigido por ela, também trazia uma introdução para o vídeo de cada nova canção, dando um mínimo de contexto para cada uma das 11 faixas. E no mesmo dia em que ela lança o álbum, ela coloca esse mesmo filme que foi exibido apenas em sessões com público contado na íntegra no YouTube. Assista abaixo:  

Tom Zé vem aí!

Outro dia Marcelo Segreto publicou uma foto em seu Instagram em que atravessava a rua ao lado de Tom Zé, da cantora Loretta e da fotógrafa Sofia Colucci (numa foto tirada pela Laura Pina) e neste sábado a intenção da foto foi revelada, quando a coluna da Mônica Bergamo na Folha de São Paulo, trouxe a notícia que o quase nonagenário cientista musical baiano irá lançar um single chamado “Futuro Fruto” (daí as frutas da foto) ao lado de Segreto e Loretta no próximo dia 20 de agosto. Mas será só um single ou tem disco vindo aí?

Um papo com a Fernanda Abreu

Quando Fernanda Abreu mostrou seu documentário sobre o seu disco Da Lata, que comemorou 30 anos no ano passado, na edição 2026 do festival In Edit, aproveitei a oportunidade pra bater um papo com ela em mais uma colaboração com o Toca UOL sobre o filme que acabou indo para outros lugares, quando falamos sobre a situação do Brasil nos últimos 30 anos, como ela gere a própria carreira, seu próprio legado fonográfico e uma curiosidade em relação a como usar inteligência artificial ao produzir música nova. A captação da entrevista foi feita pela Rafa Fernán, em mais uma parceria comigo. íntegra do papo segue abaixo:  

Jack White ♥ Black Crowes

Jack White está em plena turnê de lançamento de seu recém-lançado Frozen Charlotte e ao passar por Chicago, nos EUA, na mesma época em que os Black Crowes tocavam na região, convidou o vocalista do grupo Chris Robinson para participar de seu show, quando dividiram, classicamente, a ótima “I’m a Mover”, que o grupo inglês Free gravou em seu disco Tons of Sobs, lançado em 1968. E é impressionante como os dois, mesmo com dez anos de diferença e pertencentes a gerações distintas do rock de seu país, parecem ter saído da cena inglesa da virada dos anos 60 para os 70. E se você lembrar que em sua turnê atual os Black Crowes vêm temperando seu setlist com clássicos deste período – como “Oh! Sweet Nuthin'” (do Velvet Underground), Everybody Knows This Is Nowhere” (do Neil Young), “Three Button Hand Me Down” (dos Faces), “She” (do Gram Parsons), “Feelin’ Alright?” (do Traffic), “Hard to Handle” (do Otis Redding), “Torn and Frayed”, “Bitch”, “Dancing With Mr. D” e “You Got the Silver” (todas estas dos Stones), entre outras – dá até vontade de imaginar uma turnê do grupo com Jack White como guitarrista convidado para tocar clássicos do rock, na mesma medida – só que apontando para outra geração – que os próprios Crowes fizeram com Jimmy Page em outubro de 1999. Só imagina…

Assista abaixo:  

Eles dizem rock troncho, mas é o bom e velho prog

Não dá pra discutir: um dos principais artistas brasileiros na atualidade é uma banda de rock paraibana cujos músicos começaram no metal e aos poucos foram descobrindo novos horizontes artísticos tanto nas desventuras instrumentais intermináveis do rock progressivo quanto na genealogia musical nordestina, desde seus inúmeros e ancestrais gêneros musicais às variações psicodélicas que surgiram na região depois da invenção do ácido lisérgico. A Papangu, que apresentou-se nesta quinta-feira no Sesc 14 Bis, está às vésperas de mais uma turnê internacional e do lançamento do terceiro álbum, batizado de Celestial e previsto para o próximo mês e cada vez mais depura seu som rumo a um novo patamar de maturidade musical que a aproxima mais do jazz e do fusion ao mesmo tempo que se distancia da formação metal de seus integrantes, cujo principal vestígio encontra-se no timbre gutural de um dos vocalistas. Tocando no formato de quarteto nesta apresentação (com o multiinstrumentista Pedro Francisco assumindo o baixo no lugar de Marco Mayer), o grupo passou por músicas de seu ótimo Lampião Rei (lançado em 2024) e algumas do próximo álbum, que mostram sua evolução natural em canções gigantescas divididas em partes distintas, sempre com momentos para solos de seus integrantes – seja a tecladeira do vocalista Rodolfo Salgueiro, os solos de Hector Ruslan, os grooves de baixo e os vocalises de Pedro (além de seu solo com brinquedos que fazem som, inspirados pelo saudoso Hermeto Pascoal) ou a bateria entre a quebradeira nordestina e o groove jazzy do novato George Alexandria. Mas a austeridade característica do rock progressivo cai por terra tanto no encontro com as raízes locais do grupo, quanto pelo humor escrachado que optam ao falar com o público entre as músicas, reforçando que o som que fazem chama-se apenas de “rock troncho”, mas sabemos que o que eles fazem é o bom e velho prog. Como poucos estão fazendo no Brasil atualmente, diga-se de passagem.

#papangu #sesc14bis #trabalhosujo2026shows 171

Anitta ♥ Alessandra Leão

Anitta mergulhou fundo no Brasil em seu novo disco Equilibrivm – e mais fundo ainda na segunda parte do disco, que ela lançou essa semana. E se no primeiro volume, ela primou por inúmeras participações especiais com novos nomes da música brasileira (de Ebony a Luedji Luna, passando por Liniker, Os Garotin, Marina Sena, Rincon Sapiência, Melly, entre outros), na segunda parte ela engrossou ainda mais o caldo com convidados de peso como Maria Bethânia e Alceu Valença e outros novos nomes como Letícia Fialho e MC Tha. E pra encerrar o disco, ela sampleia nada menos nossa querida Alessandra Leão, colocando sua “Cabocla de Pena” na abertura da última faixa do disco, “Oke”, que ainda conta com a participação de artistas indígenas como o grupo Brô Mc’s e a cantora Katú Mirim, Um bom epílogo para um dos projetos mais ousados – e bem feitos – de uma das maiores artistas do Brasil.

Ouça abaixo:  

O Pulp só vem pro Brasil agora se for por streaming?

O Pulp passou pela América do Sul no mês passado sem dar a menor bola para o Brasil, mas ao divulgar o lançamento de seu novo documentário Pulp: What Do You Do for an Encore? pelo canal de streaming Mubi, logo lançou o trailer com legendas feitas pra gente ler. Sem anunciar data de lançamento, o documentário feito pelo velho colaborador da banda Garth Jennings estreia no dia 18 de setembro no Reino Unido, no dia 23 no Canadá e no dia 24 nos EUA. Por aqui, o título do filme foi (mal) traduzido como Pulp: Até Onde Você Vai Por um Bis?, o que levou fãs a responderem à pergunta da tradução mencionando que não é para o Brasil…

Assista abaixo: