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Robyn ♥ Erasure

Ainda na divulgação do bom Sexistential que lançou no começo do ano, Robyn passou pela Inglaterra e deu aquele pulinho estratégico na rádio BBC 2 e, além de cantar músicas do novo disco (“Dopamine”, “Sucker For Love” e “Talk To Me”), ainda puxou uma versão para a balada “Always” que o Erasure lançou em 1994.

Assista a todas as músicas abaixo:  

“Eu não tenho previsão…”

Há tempos sem fazer show de seu segundo disco Delta Estácio Blues (o bom e velho DEB para os íntimos), Juçara Marçal voltou ao assunto nesta quarta-feira no Porão da Casa de Francisca, mas não foi só uma mera despedida de álbum, como veríamos no decorrer da noite. Unindo-se mais uma vez com seus comparsas Kiko Dinucci, Marcelo Cabral e Alana Ananias (como sempre todos entre seus instrumentos – respectivamente guitarra, baixo e bateria – e synths posicionados logo a frente de cada um deles, inclusive de Juçara), ela montou o palco de forma circular, todos os músicos olhando entre si e a bateria de Alana de costas para o público e abriu novas frentes para o álbum, não apenas corroendo ainda mais os arranjos originais (Kiko tocando sua guita com arco em várias músicas, por exemplo) como trazendo algumas novidades. A principal delas foi a inclusão de músicas novas – sim, no plural -, consolidando inclusive verbalmente algo que já vinha sendo cogitado há tempos, que seria uma continuação do primeiro disco (naturalmente referido como DEB 2) só que partindo desta formação musical, que foi montada originalmente após a concepção do DEB original, composto e gravado apenas por Juçara e Kiko usando pedaços de música em vez de instrumentistas (a base deste disco é uma imensa colagem sonora, repare). E a primeira inédita que veio a público foi uma pedrada composta em parceria com Sophia Chablau (que estava sorrindo feliz no canto do Porão) chamada “Quando a Guerra Vai Ter Fim”, com riff ecoando “Brianstorm” dos Arctic Monkeys (com uma pitada de Gang of Four), mas que mantém a tensão original do riff embalando o público sem dar trégua, conduzido pelo vocal implacável da dona da noite. Mais tarde ela tocou outra inédita (também parceria com Sophia, embora não tenha mencionado) e deixou todos eletrizados à espera do que já é um dos discos mais esperados do ano – se é que sai em 2026… Afinal ela já canta na música nova: “Não venha me perguntar…”

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Quando Bowie era Davy Jones…

Uma coletânea recém-anunciada trará a mais completa coleção de faixas do tempo em que David Bowie ainda assinava como Davy (às vezes Davie) Jones, incluindo dez músicas nunca ouvidas antes. David Bowie: The Shel Talmy Recordings será lançada no dia 18 de setembro e traz as gravações que Bowie fez quando ainda era um jovem mod londrino, em 1965, gravando com o ícone da produção do gênero que estampa seu nome no título do novo disco: Shel Talmy produziu apenas “My Generation” do Who e “You Really Got Me” dos Kinks. As novas gravações ainda trazem colaborações de Bowie com outras suas encarnações artísticas, como quando tocava à frente da banda The Lower Third ou quando integrava o grupo Manish Boys, e ainda contam com conhecidos músicos ingleses de estúdio dos anos 60, como um Jimmy Page que ainda não havia entrado nos Yardbirds (que dizer de inventar o Led Zeppelin) e Nicky Hopkins que tocou piano com os Rolling Stones, os Beatles, Who e Jeff Beck. Entre as faixas inéditas há títulos como “You’ve Got a Habit of Leaving”, “Baby Loves That Way”. “Cupid”, “Leave Her to Me”, “You Gotta Tell Her”, “Certain Woman”, “Today”, “I Live in Dreams” “Do Believe I Love You” e “I Want Your Love” – esta última revelada nesta quarta, num single.

Ouça abaixo:  

Dave Kendall (1963-2026)

Embora quase virtualmente desconhecido no Brasil, o VJ inglês da MTV norte-americana Dave Kendall, que morreu nesta terça-feira, tem uma importância que vai para além de sua fama. Ele começou escrevendo para o tabloide inglês NME e depois passou a ser correspondente da revista americana Spin, antes de mudar-se para os Estados Unidos e começar a trabalhar na MTV, onde, no primeiro ano de trabalho, em 1986, criou o programa 120 Minutes. Programa semanal de duas horas de duração (como o título deixava claro), o 120 Minutes ia ao ar nos domingos à noite e aos poucos foi apresentando para o público da emissoras artistas que passavam longe das paradas de sucesso das rádios e dos discos mais vendidos no país, caçando novidades no incipiente mercado independente dos EUA e da Inglaterra e aos poucos ir pavimentando o terreno para o que depois conheceríamos como rock alternativo. Além de produtor e criador, ele foi apresentador do programa entre 1988 e 1991, quando estreou o clipe de “Smells Like Teen Spirit” do Nirvana pela primeira vez. Neste mesmo ano deixou a MTV e seguiu carreira trabalhando em outros veículos impressos, online, rádio e TV, além de atuar como DJ até se mudar para a Tailândia, onde estabeleceu-se no jornal Bangkok News, em que trabalhava até esse ano. A causa de sua morte não foi divulgada. E não custa lembrar que o 120 Minutes (que durou até 2003), sua grande contribuição para a história da música, também é o programa que inspirou o brasileiro Lado B, que foi apresentado por Luiz Thunderbird, Fabio Massari, Kid Vinil e Sônia Francine e, como o programa gringo, também formou algumas gerações de ouvintes de rock alternativo no Brasil.

O quarto volume da tetralogia introspectiva de Beck

Como prevíamos, lá vem mais um disco introspectivo de Beck, desta vez anunciado com título e data de lançamento, depois das duas versões que lançou do single “Ride Lonesome”, faixa que batiza o novo álbum, previsto para o dia 18 de setembro (e já em pré-venda). A novidade é que Beck inclui o disco que gravou em 1998 (Mutations) como parte desta série que muitos começaram a contar a partir de Sea Change, de 2002. “Os músicos da minha primeira banda, com quem eu gravei Sea Change, Morning Phase e Mutations – Smokey Hormel, Joey Waronker, Justin Meldal-Johnsen, Roger Joseph Manning Jr. e Jason Falkner – se reuniram mais uma vez comigo no meu estúdio favorito, a Sala B do United Studios em Hollywood”, escreveu o compositor ao apresentar o novo álbum, “e também contei com o Nigel Godrich, que trabalhou em Sea Change e Mutations, fazendo a mixagem das músicas”. Ele também comentou que, mais de dez anos depois da gravação do disco mais recente desta leva, Morning Phase, a forma de tocar e a química entre os músicos evoluiu e se aprofundou, como “um som que veio depois de décadas tocando juntos”. Para encorpar o anúncio, ele também lançou mais um single, a igualmente introspectiva – embora mais densa e pesada – “In the Night”.

Assista ao clipe e veja o nome das músicas do novo disco abaixo:  

Música nova da Fiona Apple!

Fiona Apple desabafou há poucos dias que está tendo dificuldades para compor devido à época bizarra que atravessamos, mas ela não para! Embora não dê nenhuma notícia sobre disco novo (e da última vez, em 2020, ela não avisou a ninguém e simplesmente jogou Fetch the Bolt Cutters no colo de todo mundo no meio da pandemia), ela segue gravando faixas para diferentes projetos, para manter-se ativa, e acaba de mostrar a música-tema que compôs para uma nova série da Apple, Lucky, com Anya Taylor-Joy e Annette Bening, que acaba de estrear com dois episódios ao mesmo tempo, “Horns of a Bull”, a nova música da Fiona, é a música de abertura do seriado, em que ela deixa sua marca musical bem distinta, mostrando que ela segue firme.

Ouça abaixo:  

Jack White ♥ Ian McKaye

Jack White visitou a gravadora Dischord e pode estar com o ídolo hardcore Ian MacKaye, o sujeito que, além da gravadora, é fundador de duas das maiores instituições independentes de seu país, os grupos Minor Threat e Fugazi. White ficou tão feliz com a visita que publicou a foto do encontro – em que ele levou o próprio filho, Henry Lee – em sua conta no Instagram. Será que foi só uma visita ou tem alguma coisa entre os dois vindo aí? Porque não custa lembrar que um encontro recente entre o próprio MacKaye e Henry Rollins (outro monstro sagrado desta mesma cena) deu origem ao início do trabalho de arquivo dos Cramps. Aí tem…

A força e a poética do norte do Brasil

“Viva o povo tucuju!”, gritou alguém do público no meio da primeira apresentação da temporada Planeta Arrepiado que Patrícia Bastos começou nesta segunda-feira no Centro da Terra, reforçando a presença da cultura do norte brasileiro naquela noite. Transitando no epicentro das três raças que fundaram o país, a cantora amapaense trouxe canções que sintetizam diferentes tradições musicais de sua região, como marambiré, cacicó, batuque e marabaixo, cantadas tanto em português (como “Rodopiado”, cujo primeiro verso – “veneno, veneno, veneno pinga da boca daquela cobra” – já deixa o público aceso), como no português de corruptela de seu estado, em que as pessoas falam rapidamente engolindo sílabas e encurtando palavras mais pela fonética do que pelo sentido. Sempre acompanhada por Dante Ozzetti ao violão, que é seu produtor, arranjador e diretor musical há três discos, como, ela ainda trouxe a comadre Ná Ozzetti para dividir vários momentos no palco, muitas vezes ficando à distância para mostrar que a estrela da noite era Patrícia, além de ter um convidado surpresa com a presença de Mario Manga, que alternava entre a guitarra e o violoncelo, encorpando ou diluindo com precisão o violão minucioso de Dante. Tudo isso só reforçando a voz e presença de palco da cantora do Amapá, que ainda contou histórias e chamou duas amigas da plateia para cantar uma outra música com ela e começou lindamente esta série de apresentações no teatro.

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Patrícia Bastos: Planeta Arrepiado

Imensa satisfação em receber pela primeira vez no palco do Centro da Terra a cantora amapaense Patrícia Bastos, que apresenta sua temporada Planeta Arrepiado nas segundas de julho. Ao lado do compadre e diretor musical Dante Ozzetti, ela atravessa três segundas diferentes fazendo releituras únicas de seu repertório autoral, cada uma delas com sua formação de músicos. Nesta primeira apresentação, dia 13, ela divide vozes com a gigantesca Ná Ozzetti. Na próxima segunda, dia 20, ela recebe os músicos Marcelo Cabral e Guilherme Held para crescer ainda mais sem som e encerra a safra de shows na última segunda do mês, dia 27, quando recebe os congoleses Leo Matumona e Hidras Tuala, a percussionista Thata Ozzetti e o cantor e guitarrista Skipp. Serão noites maravilhosas! Os espetáculos começam pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Dylan regravando os próprios clássicos em altíssima fidelidade – e, até então, para poucos

Em 2022, o guitarrista norte-americano T Bone Burnett revelou um experimento em áudio que vinha fazendo desde o ano anterior, quando criou uma plataforma de áudio que captasse o som de forma mais fiel possível ao mesmo tempo em que resumisse sua gravação a uma cópia única daquele registro, tirando a música gravada do mercado de massas e colocando-a no mesmo patamar das artes plásticas, em que a reprodução não tem o mesmo valor da obra original: “Não é o equivalente a uma pintura, é uma pintura: a resina laca é pintada em espiral num disco de alumínio”, explicava o texto de apresentação da nova mídia, que ele chamou de Ionic Original. Para começar estes trabalhos, chamou o velho camarada Bob Dylan para regravar alguns de seus clássicos, que foram depois leiloados logicamente custando muito caro. As músicas escolhidas para a regravação foram “Masters Of War”, “Gotta Serve Somebody”, “Simple Twist Of Fate”, “The Times They Are A-Changin'” e “Blowin’ In The Wind”, que ele gravou com o próprio Burnett na guitarra, Greg Leisz no bandolim, Stuart Duncan no violino, Dennis Crouch e Don Was nos baixos. Destas gravações, apenas “Blowin’ In The Wind” havia surgido online e a lenda dizia que alguém que foi ao leilão conseguiu gravar escondido na cabine de audição que havia disponível para quem quisesse fazer seus lances. Acontece que há cerca de um mês outras faixas – e talvez outras ainda possam surgir – começaram a aparecer online e há quem diga que estão sendo disponibilizadas pelo próprio comprador. E é bom demais, como tudo que Dylan tem feito desde que completou 80 anos, do maravilhoso Rough and Rowdy Ways (lançado em 2020) ao show online Shadow Kingdom (2021), passando pelos registros obscuros dos shows recentes, em que ele proíbe celulares, mas os fãs sempre dão um jeito de gravá-lo, mesmo que se esconda de capuz atrás do piano. O cara é foda.

Ouça as músicas abaixo: