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Sofia Freire: Traquitanas

Imenso prazer em receber pela primeira vez no palco do Centro da Terra a pernambucana Sofia Freire, que apresenta um espetáculo solo ao lado dos instrumentos eletrônicos que comanda e que batizam esta apresentação. Traquitanas é um show em que a cantora, compositora, musicista e produtora mostra o repertório de seus mais de dez anos de carreira experimentando um formato com o qual irá passear mais uma vez pela Europa, dessa vez sem o acompanhamento de outros músicos. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Vôo solo

João Denovaro colocou suas próprias canções para além de sua terra no início da programação de música de agosto no Centro da Terra, quando abriu o mês nesta segunda mostrando seu espetáculo Circunstâncias Inacreditáveis. Ele começou a noite sozinho no palco, alternando entre o violão e a guitarra, e aos poucos convidando diferentes amigos que tornaram menos autocentrado seu vôo solo para além dos palcos soteropolitanos. O baixista do Tangolo Mangos contou com a presença de dois compadres de banda – o percussionista Bruno Fechine, que neste show tocou violão, e o guitarrista Felipe Vaqueiro – que vieram em momentos diferentes da noite para voltar no tempo e no início de suas amizades, tocando canções com mais de dez anos de existência (ou mais ainda, ao evocar a jovemguardística “Diana”), além de músicas de seu próprio conjunto. As participações da noite foram encerradas com a presença da vocalista dos Pelados Manu Julian, que foi acompanhada por Deno em sua própria “E Aí, Beleza?”. Mas quando estava sozinho no palco é que o músico encontrava sua essência para além dos Tangolo Mangos, seja fazendo o público repetir como um coral um refrão que não conhecia ou transformando uma URL de internet em base rítmica para desdobrar uma questão afetiva sobre venda de merchandising de artista (em uma espécie de mutação século 21 para o “Jingle do Disco” do conterrâneo Tom Zé), sempre usando seu instrumento como arma e escudo ao mesmo tempo, seja em riffs frenéticos, em solos assertivos ou em harmonias precisas.

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João Denovaro: Circunstâncias Inacreditáveis

Imensa satisfação em receber em São Paulo pela primeira vez o espetáculo solo do baiano João Denovaro no palco do Centro da Terra. O baixista e vocalista dos Tangolo Mangos apresentou-se sozinho apenas duas vezes em sua cidade-natal e agora vem para o palco paulistano apresentar o espetáculo intimista Circunstâncias Inacreditáveis, quando convida seu colegas de banda Felipe Vaqueiro e Bruno Fechine para participações na apresentação. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Tom Waits e a mosca

Três meses depois de seu lançamento físico, o poema “The Fly” de Tom Waits que foi parar no lado B de sua intensa colaboração com o Massive Attack (“Boots to the Ground”, primeira música inédita de Waits desde 2011), chega às plataformas de streaming. Poema declamado com a inconfundível voz de Waits, versa sobre a onipresença da mosca em nossas vidas a ponto de fazer nos comparar ambas, a música está disponível inclusive no Spotify, onde o Massive Attack não publicou a parceria com Waits como forma de protesto contra a plataforma. E junto com o lançamento digital da música, veio também um clipe meio lyric-video feito por Casey X. Waits, filho de Tom.

Assista ao clipe abaixo:  

King Gizzard & the Lizard Wizard em modo rave

Mais um gostinho do próximo disco do King Gizzard & the Lizard Wizard, em que o grupo psicodélico mergulha de cabeça na eletrônica de pista de dança. Depois de mostrar a sinistra “Level 5”, agora é a vez de mostrar a faixa-título do próximo disco – e “Alien Metal” soa tão alienígena e pesada – embora não pros lados do gênero heavy metal e sim dos metais pesados da química – quanto seu título faz parecer.

Ouça abaixo:  

Gui Amabis: 20 anos de carreira

Depois da bem-sucedida temporada que fez com Sophia Chablau e Felipe Vaqueiro, Marcelo Fagge, do Mamãe, propõe uma segunda leva de shows de um mesmo artista agora no mês de agosto, quando recebe Gui Amabis todas as quintas-feiras para celebrar seus 20 de carreira, começada quando o projeto Sonantes – que contava com Céu e o grupo 3 Na Massa na formação – lançou sua primeira composição, chamada “Miopia”. Para comemorar a efeméride, Gui recebe novos e velhos parceiros em ordem aleatória nos dias 6, 13, 20 e 27 deste mês, com luz assinada pela impressionante Mau Schramm e cenografia feita por Keila Alaver. Entre os convidados da temporada, que serão apresentados a cada dia como surpresa, estão nomes como Juçara Marçal, Giovani Cidreira, Thiago França, Regis Damasceno, Manuela Julian, Matheus Fazendo Rock e Zé Ruivo. Durante a temporada, Gui mostrará algumas músicas de seu próximo álbum.

Uma tradição erudita que torna-se popular

Quando Vítor Araújo dirigiu-se ao público do Sesc Pinheiros no segundo dia da temporada que fez de seu disco Toró neste fim de semana, mostrou-se emocionado ao lotar o teatro Paulo Autran por três noites seguidas e comparou a emoção com a de encher um estádio de futebol. Ao materializar seu disco (originalmente gravado com a Metropole Orkest holandesa em Amsterdã) ao lado da Orquestra de Câmara da ECA-USP neste fim de semana, Vítor subiu o sarrafo de uma tradição secular brasileira – que une a dita música clássica à canção popular brasileira num cânone que reúne compositores como Heitor Villa-Lobos, Antônio Carlos Jobim, Moacir Santos, Eumir Deodato, Arthur Verocai e Rogério Duprat. Ainda não chegou à estatura destes mestres, mas atingiu um feito que, antes de completar 40 anos, atinge um público cada vez maior. Enquanto seus antecessores azeitavam a própria mistura com elementos sinfônicos, jazzísticos, pontos de macumba ou vanguardas eruditas, Vítor deixa evidente a influência do Radiohead, seja ao cantarolar vocalises em falsete, seja nas texturas eletrônicas que surgem vez por outra – referência coerente com sua primeira aparição como prodígio da música de concerto tocando “Paranoid Android” ao piano ainda adolescente, há quase 20 anos. Conta com a percussão pernambucana como arma secreta de seu concerto, a cargo dos compadres Homero Basílio e Amendoim, e nesta apresentação, a participação ilustre do baiano Luizinho do Jêje. Completam sua banda o guitarrista da banda Baleia Felipe Pacheco Ventura e o conterrâneo baterista Arquétipo Rafa. No meio da noite puxou a delicada “Toque nº 4”, feita para sua mãe, à presença da própria, em outro momento emocionante, emendando-a com a forte “Toque nº 6”, que mostra que o Sesc Pinheiros não é o estádio que ele pode lotar (antes disso temos vários Teatros Municipais clássicos pelo Brasil), mas que já planta a semente para, quem sabe um dia, levar sua música a multidões ainda maiores. Ele já tem o que precisa para isso, é só dar tempo ao tempo.

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A volta do Elastica!?

“Tão com saudade?”, perguntou ninguém menos que o Elastica, donas do meu disco favorito do britpop, num post inesperado nesta sexta-feira, anunciando sua volta 25 anos depois de terem pendurado as chuteiras. “Estávamos ocupadas trabalhando nos bastidores, mas estamos de volta. Mantenham os olhos abertos, temos coisas empolgantes sendo trabalhadas.” Só vem!

Olivia Rodrigo ♥ Smashing Pumpkins

Além da Charli XCX, os Smashing Pumpkins eram o outro grande nome desta sexta-feira no Lollapalooza de Chicago, nos EUA, que aproveitaram a oportunidade para trazer novos convidados para o palco. Entre veteranos como a ex-baixista da banda Melissa Auf Der Maur (que encerrou a apresentação da banda, tocando “The Everlasting Gaze”) e novatos como o jovem inglês Yungblud (que dividiu os vocais de “Luna”, do primeiro disco da banda), a grande surpresa da apresentação ficou por conta da sensação Olivia Rodrigo, que o líder dos Pumpkins Billy Corgan chamou para o palco para dividir uma versão acústica de “Thirty-Three”. E assim os Pumpkins entram para o panteão pessoal de ícones do rock alternativo com quem a jovem já dividiu o palco, ao lado de Robert Smith, David Byrne e do Weezer. Nada mal, senhorita Olivia…

Assista abaixo:  

Todo o show: Charli XCX no Lollapalooza, em Chicago (31.7.2026)

“Esquecimento é liberdade”: assim Charli XCX começou o primeiro grande show de seu disco Music Fashion Film, repetindo a única frase do monólogo de David Cronenberg que encerra o disco antes de atacar o público com uma versão ainda mais crua e pesada de “Rock Music” ao encerrar a noite de sexta-feira do Lollapalooza em Chicago, nos EUA. Depois de três shows de pequeno porte e curta duração e uma aparição-surpresa do show de Lorde no mesmo festival no dia anterior, Charli mostrou que tem fôlego para dominar um segundo verão no hemisfério norte em uma escala ainda maior – e sem renegar seu passado. Enquanto nos shows anteriores, ela deixou apenas “Apple” do disco-fenômeno Brat, no novo show ela dedica toda uma sessão a seu disco de 2024 (e com escolhas acertadas e improváveis, como “Sympathy is a Knife” e “Club Classics”), além de puxar músicas de vários discos anteriores (com “Party 4 U” e “Pink Diamond” do How I’m Feeling Now, “Track 10” do Pop 2 e duas da trilha sonora da versão deste ano do Morro dos Ventos Uivantes, que ela fez a trilha). Mas o disco novo dá não só a tônica da noite toda (com dez faixas, inclusive os lados B “Playboy Bunny” e a fantástica “If You Take Away the Music Then What Has She Got?”) como pautam inclusive a estética monocromática e com exageros típicos de um show de rock (com fogos e dançarinas). Charli está cada vez mais confiante no palco (cancha que ela dominou na turnê de Brat e agora leva a outro patamar) e tudo indica que vai crescer ainda mais para consolidar-se no primeiro escalão do pop mundial. Muito foda.

Assista abaixo: