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Caio Colasante + Carol Maia: Estrela Vulgar a Vagar

Imenso prazer em receber o espetáculo Estrela Vulgar a Vagar nesta terça-feira no Centro da Terra, quando seus idealizadores – o paulistano Caio Colasante e a carioca Carol Maia – se reúnem para celebrar a obra de Jards Macalé, criando um diálogo entre o repertório de Macau e sua influência em suas próprias composições. Ambos começando suas carreiras solo, saltam neste universo pela primeira vez só com suas vozes e violões. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.

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Olha a Glue Trip vindo aí…

A Glue Trip já está na Europa e começa mais uma turnê pelo velho continente no mesmo dia em que lançam o primeiro single de seu quarto álbum, previsto pra novembro. A pesada, bucólica e cheia de diferentes ambiências “Psychedelic Friend” abre alas para o lançamento de Anemoia e chega às plataformas de áudio nesta quarta-feira, mas a banda antecipou em primeira mão o single para o Trabalho Sujo. “Em julho do ano passado passamos duas semanas imersos no estúdio Buena Família em São Paulo para criar e gravar esse disco, que tem nome estranho, meio difícil de falar, mas que é sua síntese”, explica o líder da banda, o guitarrista, vocalista e principal compositor Lucas Moura. “Venho enxergando esse disco como uma quebra na discografia da Glue Trip e começar a conversa por ‘Psychedelic Friend’ é como começar com o pé na porta”, conclui, antes de iniciar a turnê que começa nesta quarta em Madri e vê a banda fazer outros treze shows até o dia 6 de outubro, com passagens por Portugal, França, Holanda, Alemanha, Suíça e República Tcheca, além de outras cidades da Espanha.

Ouça abaixo:  

Poetas ao piano

Na segunda noite da temporada Coexistência que Sandra X está fazendo no Centro da Terra, ela pôs em prática uma obra em parceria com o velho camarada pianista Lincoln Antonio quando, na apresentação batizada de Sol à Beça, visitou obras de Mário de Andrade, Pagu, João Cabral de Mello Neto, dos irmãos Campos e Oswald de Andrade sempre em dupla com o amigo, dividindo vocais enquanto ele conduzia a musicalidade de cada novo poema às teclas. A noite ainda contou com a participação de Priscila Brigante, com quem Sandra havia dividido a noite anterior, que assumiu sua percuteria para acompanhar a dupla em dois momentos diferentes da noite.

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Duas músicas novas da Weyes Blood

Não sabemos muito sobre o próximo disco de Weyes Blood, fora o fato de que ele já está pronto e que encerra uma trilogia inaugurada com o deslumbrante Titanic Rising (de 2019) e que seguiu com o calor emocional de And in the Darkness, Hearts Aglow (de 2022). Não sabemos de título, se há participações, data de lançamento, se sairá este ano ou no próximo, mas a própria Natalie Mering adiantou duas pistas gigantes ao apresentar-se no festival de música erudita inglês BBC Proms ao lado da orquestra de Jules Buckley no célebre Royal Albert Hall e mostrou duas músicas novíssimas: a balada folk “Good Lovers” e “Modern Dreams”, que apesar de começar triunfante, torna-se melancólica do meio para o fim, Ambas são da mesma natureza romântica das canções dos dois discos anteriores de Mering, embora cada uma carregue seu próprio universo musical – e estas versões, que podem ser ouvidas abaixo, foram gravadas com a orquestra com quem ela tocou na semana passada e não necessariamente vão soar assim no disco.

Ouça as duas abaixo:  

Uma das primeiras versões de “Norwegian Wood”

Em mais um aperitivo da caixa do Rubber Soul que está vindo aí, os Beatles acabam de compartilhar mais um rascunho de um clássico, quando gravaram, pela segunda vez, “Norwegian Wood (This Bird Has Flown)”, uma das primeiras composições de John Lennon a falar de amor sem precisar ser romântica. Mas o foco desta versão vai para a cítara tocada por George Harrison, que entrou para a história da música pop na versão definitiva da música e que nesta versão recém-lançada o mostra ainda pegando o jeito do instrumento indiano que conheceu nas gravações do filme Help! naquele mesmo 1965. Mais uma joia.

Ouça abaixo:  

Como se fosse feito pra hoje

Corre pro estádio do Palmeiras que o Jamiroquai voltou pro Brasil depois de quinze anos sem pisar por aqui – e como nunca tinha visto um show dos caras, lá estava debaixo da chuva vê-los puxar um bailão daqueles que, mesmo com o mesmíssimo repertório de todos os shows (incluindo apenas “High Times”, que não tocavam desde 2018), não deixou ninguém parado. A empolgação da banda segue precisa, com músicos esmerilhando seus instrumentos (em especial o tecladista Matt Johnson e o baixista Paul Turner, todos da segunda fase da banda, além do percussionista brasileiro Fabio de Oliveira, que entrou no ano passado e teve seu momento “terrinha” por sugestão dos companheiros de grupo) e esticando cada música vários minutos além da duração original, mas o holofote obviamente cai sobre o vocalista Jay Kay que conta com os mesmos pique, disposição e elasticidade do início de carreira – além da voz intacta, trocas de figurino e dancinhas que contagiavam o público, ele ainda autografou várias capas de discos entregue pelos fãs (inclusive enquanto cantava!). O foco da banda ficou em seu disco de 1996 (Traveling Without Moving), passando por números dos discos de 2001 (A Funk Odyssey) e 2005 (Dynamite), além de passagens por músicas únicas do disco Synkronized e The Return of the Space Cowboy. Antes de encerrar o show – sem bis – com um versão mais sossegada de “Virtual Insanity”, o vocalista aproveitou o momento para falar sobre a crise política que o mundo atravessa hoje, comentando sobre como a canção parece ser mais sobre os dias atuais do que sobre a época em que foi escrita, no meio dos anos 90. Mas o mesmo pode ser dito sobre a própria banda, que fez todo mundo se esbaldar de dançar e, mesmo que o estádio estivesse longe de estar cheio, a empolgação era a regra.

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Não existe ninguém como Tom Zé

Tom Zé é patrimônio nacional. Não importa que o gênio quase nonagenário esqueça trechos das próprias letras, confunda a própria banda, arraste-se em longos devaneios sem rumo, esqueça-se onde está ou queira ir embora pra casa antes da hora. Seu valor pra nossa cultura é inestimável justamente por isso: ele nunca se conformou, nunca se ajoelhou pra quem paga a conta, nunca fez concessões, nem se autocensurou por motivo algum. Sempre fez o que e como quis e, como todos que embarcam nessa aventura no Brasil, pagou um preço por isso. Mas mesmo assim sua energia vital é emblemática e está no palco, um de seus principais lares e centro de comunhão com o público. E assim ele esteve em sua apresentação no Auditório Simon Bolívar do Memorial da América Latina neste domingo, dentro do palco paralelo do festival Coala, que acontecia lá fora e, justamente por isso, demorou para encher, com o público entrando até a metade do show. Acompanhado da banda que o segue desde a volta da pandemia (o guitarrista Daniel Maia, a tecladista e vocalista Cristina Carneiro, o baixista Felipe Alves, o baterista Fábio Alves e a vocalista Andreia Dias), ele seguiu o roteiro até o que seria a metade do show, quando anunciou que iria embora e retornou algumas vezes à pitoresca canção que compôs em homenagem ao marsupial que batiza o evento de MPB (diferente da música que fez recentemente sobre a Casa de Francisca, que celebra o local), antes de passar por seus inevitáveis hits – “Tô”, “Hein”, “Menina Amanhã de Manhã” e “Augusta, Angélica e Consolação” – e desandar a conversar sobre qualquer coisa com os dois lados da plateia do auditório. E o público foi entregue ao Tom Zé bruto, sem filtros, intenso e autêntico como poucos artistas brasileiros conseguem ser – e é um privilégio gigantesco poder vê-lo assim, às vésperas de completar 90 anos. Não existe ninguém como Tom Zé.

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Um livro sobre o primeiro disco dos Beastie Boys

Em comemoração aos 40 anos do primeiro disco dos Beastie Boys, Licensed to Ill, o jornalista norte-americano Ben Merlis, lança o livro Beastie Boys: Licensed to Ill – 40 Years em que detalha a história do surgimento deste álbum, um marco na história da música pop. É um livro de capa dura e páginas coloridas com quase 200 páginas, que reúnem mais de 200 fotos do trio durante este período, além de entrevistas com os próprios Beastie Boys e integrantes de sua turma naquela época, análise detalhada de cada faixa do disco e prefácio escrito por Prince Paul. O livro será lançado em novembro e já está em pré-venda.

Veja algumas páginas abaixo:  

Uma banda única na história do rock progressivo

O Violeta de Outono voltou mais uma vez ao palco do Sesc Pompeia e a seu disco de estreia ao mesmo tempo, quando, neste sábado, o trio revisitou, com sua formação clássica, o disco homônimo desta banda única na história do rock progressivo. Nascido numa época em que o gênero estava fora de moda, o grupo liderado pelo guitarrista e vocalista Fabio Golfetti absorvia influências do pós-punk dos anos 80 e da psicodelia dos anos 60 numa época em que o gênero musical mais ouvido no Brasil era docilmente chamado de pop rock. O Violeta surgiu quando a cena musical paulistana começou a responder ao rock ensolarado, adolescente, risonho e praiano que começou a ser feito no Rio de Janeiro no início dos anos 80. O trio – cuja formação no show era a clássica com o baixista Angelo Pastorello e o baterista Claudio Souza, além de contar com o filho de Fabio, Gabriel Golfetti nos teclados e vocais em algumas músicas – surgiu ao mesmo tempo em que bandas como RPM, Titãs, Ira!, Ultraje a Rigor e toda a geração que nasceu em discos da Baratos Afins e trouxe elementos inexistentes no rock daquele período, como o pessimismo, a sensação de fim de mundo, o ar noturno e guitarras pesadas, ecoando artistas ingleses da mesma época. E assim o Violeta trouxe mais uma vez para o palco do Sesc Pompeia sua psicodelia melancólica, com solos de guitarra melífluos e dramáticos, letras introspectivas e existencialistas, baixos cavalgados e bateria metronômica. Para expandir a duração do show para além da meia hora do disco original, o grupo de Golfetti optou por versões de músicas alheias, tocando pela primeira vez ao vivo a versão que fizeram para a música “Jesus Come Back to Earth” de Arnaldo Baptista e duas músicas do primeiro disco do Pink Floyd, “Chapter 24” (que entrará em um disco inglês feito em tributo ao fundador do grupo, Syd Barrett) e “Astronome Domine”, que encerrou a apresentação no final do bis – além de tocar sua já clássica versão para “Tomorrow Never Knows”, dos Beatles, que encerra o álbum e encerrou a primeira parte do show. Que banda!

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Lemonheads ♥ Almir Sater

Alguém poderia imaginar uma colaboração entre os Lemonheads de Evan Dando e Almir Sater? Pois é justamente esta parceria entre a banda de Boston nos EUA e o violeiro do pantanal brasileiro que abre os trabalhos do próximo disco do grupo, Townesville, um disco dedicado à obra de Townes Van Zandt, ídolo country do roqueiro dos EUA que veio morar no Brasil, e que será lançado no aniversário de quarenta anos de sua morte, que aconteceu no primeiro dia do ano de 1997. A faixa “Rake” é uma balada country crua, quase um folk acústico pesado, que ganha uma sutileza e uma carga histórica com o brasileiro trazendo o detalhismo de seu instrumento para a canção. A conexão de Dando com a música brasileira vem de sua esposa Antonia Teixeira, filha do músico Renato Teixeira, que também foi casada com o irmão caçula de Almir, Rodrigo Sater, e apresentou a clássica música caipira ao roqueiro gringo. E pelo jeito tem clipe vindo aí…

Ouça abaixo: