Por Alexandre Matias - Jornalismo arte desde 1995.

Carabobina: Terranoite

Maior prazer em receber a dupla Carabobina, formada pelo baixista dos Boogarins Raphael Vaz e pela produtora Alejandra Luciani, para duas datas de uma breve residência no Centro da Terra, quando apresentam-se pela primeira vez ao vivo em São Paulo. Terranoite, minitemporada batizada com o nome da faixa que lançaram na semana passada, acontece nesta terça-feira, dia 28 de junho, e na próxima segunda, dia 4, quando os dois recebem dois velhos companheiros para criar diferentes climas em cada apresentação. Na primeira, o convidado é Gabriel Rolim, que faz suas projeções analógicas enquanto os dois estiverem no palco. E na semana que vem, a cenografia fica por conta da Anne Santoro. Os ingressos para as duas apresentações, que começam pontualmente às 20h, já estão à venda neste link.

Cinco anos depois do inacreditável Episódio 8 da terceira temporada de Twin Peaks

Lembro-me como se fosse hoje: há cinco anos eu chegava do show das Rakta no festival PikNik, em Brasília (que inclusive acontece neste fim de semana), e sintonizava, como toda madrugada de segunda, no oitavo episódio de Twin Peaks. Ninguém estava preparado para o que David Lynch mostrou naquele 25 de junho de 2017. Depois de puxar um fio da meada em que a versão do mal do Agente Cooper passa por outra transformação – e por uma música gigantesca do Nine Inch Nails ao vivo -, o cineasta joga a história do entretenimento para junto da vídeo-arte, quebrando de vez a fronteira entre a televisão e a pós-modernidade. Fiquei tão impactado que assisti ao mesmo episódio pela segunda vez e escrevi um texto no blog que tinha no UOL na época ainda na madrugada, texto que reproduzo abaixo.  

Conversando sobre o Dinosaur Jr.

O já clássico festival de documentários sobre música In Edit Brasil já começou há uma semana e participo desta edição apresentando Freak Scene, dirigido por Philipp Reichenheim, que conta a história de uma das principais bandas da cena independente norte-americano, o Dinosaur Jr., liderado pelo maior guitar hero dos anos 80, J Mascis. O filme tem entrevistas com J e os outros dois integrantes da banda, o querido Lou Barlow, que depois fundou o Sebadoh, e o carismático Murph, além de papos com grandes nomes da época sobre a importância e história da banda, como Kim Gordon, Thurston Moore, Bob Mould e Henry Rollins. Faço uma introdução de 15 minutos e depois da exibição do filme, que começa às 16h, na Cinemateca, bato um papo sobre o documentário. Mais informações aqui.

O mantra solar do Carabobina

A dupla Carabobina, formada pelo boogarin Raphael Vaz e pela produtora Alejandra Luciani, faz duas apresentações no Centro da Terra nas próximas semanas e batizaram suas duas sessões com o título do single cujo clipe eles lançam em primeira mão aqui no Trabalho Sujo, “Terranoite”. “Foi a primeira música sem beat que fizemos, bem diferente do que toca no nosso primeiro álbum”, explica Fefel. “Acho que nos inspiramos um pouco no disco Sung Tongs, do Animal Collective, onde tem aqueles mantras acústicos de poucos acordes e vários minutos. Usamos o cuatro venezuelano e sintetizadores pra criar uma paisagem variável. Na ideia, essa música é gigantesca e no show pode até ser isso que aconteça ao vivo.” Assista abaixo.  

Trabalho Sujo apresenta: Estado de Suspensão

Quase sempre a música nos leva para outras dimensões, mas em alguns casos ela apenas nos suspende a realidade para que consigamos ver o mundo a partir de novos pontos de vista. Em Estado de Suspensão, minha primeira parceria com a Casa Natura Musical, proponho o encontro de quatro artistas que expandem nossas consciências a partir de desdobramentos musicais em quatro apresentações distintas, que também se conectam entre si. O encontro acontece num domingo, dia 3 de julho, a partir das 16h20. São quatro artistas que buscam diferentes searas estéticas, mas que contam com pontos em comum – incluindo integrantes de suas formações. Cada um deles nos abre uma janela sensorial diferente a partir de suas assinaturas musicais e estão em momentos de transição, tateando novos repertórios a partir deste momento que estamos atravessando atualmente. O baixista, produtor e arranjador Marcelo Cabral, o guitarrista e produtor Guilherme Held, a produtora, musicisita, cantora e compositora Maria Beraldo e o cantor e compositor Negro Leo mostram diferentes facetas de seus trabalhos. Cabral busca os limites entre seus dois discos solo, Motor e Naunyn, Held coloca seu primeiro disco solo Corpo Nós em movimento pela primeira vez em São Paulo, Beraldo burila o sucessor de seu festejado Cavala enquanto Leo passeia por seus diferentes discos solo. Os shows ainda terão participações de alguns dos principais músicos em atividade atualmente, como Sérgio Machado, Chicão Montorfano, Dustan Gallas, Gabriel Balleste, Pedro Dantas e Iara Rennó, que participarão em diferentes momentos destas quatro apresentações, que serão costuradas pela discotecagem da socióloga e jornalista Pérola Mathias, do site Poro Aberto. A arte do poster é da Aline Paes e os ingressos já estão à venda neste link.

Olympyc: Submerso

Nesta terça-feira, quem estabelece as regras do Centro da Terra é o trio eletrônico Olympyc, que traz sua vibe dançante em linguagem digital para o palco do teatro do Sumaré em seu espetáculo Submerso. O trio, formado por Marcelle (vocais), Fabiano Boldo (guitarra, synth e vocais) e Samuel Fraga (bateria, programação e synths), volta aos palcos com uma apresentação Submerso, iluminados por Camille Laurent que instiga a plateia para um encontro apaixonado com a música. Os ingressos estão sendo vendidos neste link.

O rock brasileiro dos anos 80 em uma cápsula do tempo

Em mais uma incursão pelo meio impresso, colaboro com uma edição especial da Rolling Stone Brasil que chega às bancas nesta semana celebrando os 40 anos do rock brasileiro dos anos 80, editada pelo compadre Pablo Miyazawa. Além de voltar ao verão de 1982, quando tudo começou no Rio de Janeiro, conversando com Evandro Mesquita, Perfeito Fortuna, Leoni, João Barone e Leo Jaime sobre o período em que o Circo Voador foi criado, a Rádio Fluminense tornou-se a primeira rádio rock do Brasil e o filme Menino do Rio espalhava a novidade carioca para o resto do Brasil, também fiz uma lista com os 80 discos mais importantes daquele período, dissecando-os um a um – além de reunir os principais hits do período em uma playlist feita para a revista. Parte do conteúdo já está online, como a reportagem sobre o verão de 1982 e a resenha sobre o primeiro disco da Blitz, mas a maioria dos textos só dá pra ler na versão impressa.

Vida Fodona #762: Dois shows do Pavement

Doctor’s leaving for the holiday season…

Ouça aqui.  

Muito mais Delta Estácio Blues

O grande disco de 2021, Delta Estácio Blues, não encerra-se nas onze faixas que o compõe e sua autora Juçara Marçal expande-o a partir desta quinta-feira, quando revela EPDEB, que ela antecipa a capa em primeira mão para o Trabalho Sujo. Seguindo a lógica visual do primeiro, a capa também parte de fotos de Aline Belfort com intervenções de Manuela Eichner, e o disco conta com quatro faixas que foram compostas e gravadas nas mesmas sessões de seu segundo disco solo, mas que ficaram de fora por ir além da narrativa pensada para o álbum. “Todas elas foram concebidas no mesmo processo, mas na hora da escolha de repertório, sentimos que eram faixas que, de alguma forma, já contavam uma outra história”, me explica a própria Juçara. “É claro que é muito subjetivo isso que estou falando. Funciona muito assim pra mim: o repertório, assim como a da ordem das músicas, é um jeito de contar uma história. E as decisões do que entra e do que sai é um processo de escuta muito dedicado e delicado.”

As quatro faixas incluem “Um Choro”, composta em parceria com Jadsa (que também toca guitarra na canção), que é “uma composição dela que encaixou direto na base que a gente mandou”, como lembra Ju; “Odumbiodé” que tem música de Kiko Dinucci e letra de Juçara e Rodrigo Campos; “Criei um Pé de Ipê”, minha favorita, composta por Alzira E sobre a base que ela e Kiko mandaram e “Não Reparem” parceria de Juçara com Clima – ele fez a letra, ela a música. E se você achava que Delta Estácio Blues era demais, se prepara…

Sessa: Entre Álbuns

Às vésperas de lançar seu segundo álbum solo, o cantor e compositor paulistano Sessa faz a transição entre seu disco de estreia Grandeza e o novo álbum, Estrela Acesa, que será lançado no fim deste mês, em mais uma apresentação no Centro da Terra. Desta vez ele sobe no palco do teatro do Sumaré sozinho com seu violão e antecipa as canções do novo disco no espetáculo Entre Álbuns, em que inevitavelmente também toca músicas do álbum anterior. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão esgotados.