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A volta dos Faces?!

Rod Stewart e Ronnie Wood voltaram às notícias este mês. Enquanto o guitarrista dos Rolling Stones ressurgiu junto com a dupla fundadora sua banda para anunciar mais um novo disco do grupo, o velho vocalista inglês foi parar na editoria de política ao cumprimentar o Rei Charles por ter colocado aquele pulha (“ratbag”, em inglês grosseiro mesmo) em seu devido lugar, ao referir-se ao presidente dos EUA, Donald Trump, arrancando um sorrisinho de canto da alteza deles. Acontece que esse encontro de Rod com o rei da Inglaterra aconteceu nesta segunda-feira no show de 50 anos do King’s Trust, um fundo de caridade da realeza britânica criado em 1976 e que a partir de 1982 começou a fazer shows para arrecadar dinheiro, o primeiro deles reunindo Pete Townshend, Kate Bush, Phil Collins, Robert Plant e o grupo Madness, sempre no tradicional Royal Albert Hall. Uma das atrações musicais deste ano foi justamente o encontro de Rod e Ronnie no palco, voltando às suas raízes musicais como Faces, quando tocaram “Ohh La La” e sua versão para o clássico imortalizado por Elvis “Good Rockin’ Tonight”. Criado após a saída do guitarrista Steve Marriott do grupo Small Faces em 1969, o Faces surgiu quando os integrantes remanescentes do conjunto original – o baixista Ronnie Lane (que morreu em 1997), o baterista Kenney Jones e o tecladista Ian McLagan (morto em 2014) – convocaram Ronnie e Rod, que tocavam no Jeff Beck Group, para fazer uma nova versão da banda, o que consolidou a carreira dos dois no mundo da música ainda no final dos anos 60. Há uma longa especulação sobre uma volta do grupo, algo que foi confirmado ano passado pelo próprio Kenney Jones, que disse numa entrevista que eles já tem inclusive material para lançar um novo disco, e essa apresentação na segunda passada parece ter sido a primeira faísca pra que isso aconteça.

Assista abaixo:  

A turnê “quase global” do Test

Absurda essa turnê que o nosso Test começou na semana passada, passeando por continentes que o War das bandas independentes brasileiras sequer cogitam. São 38 datas que incluem treze no Japão, dez na Nova Zelândia, além de passar pela China, Austrália, Singapura e Taiwan, além de dar uma passada no Chile na volta. É a 22ª turnê internacional da dupla e, como sempre, tudo feito na unha, sem patrocínio nem edital. Na raça.

Veja as datas abaixo:  

Mais uma dos Strokes

Logo após confirmar mais uma vinda ao Brasil (quando se apresentam no fim do ano no Primavera de São Paulo), os Strokes lançam mais uma música de seu próximo álbum, Reality Awaits. “Falling Out of Love” é o tipo de balada que esperamos de uma banda de rock, mas esse excesso de autotune no vocal de Julian Casablancas ultrapassa o limite do suportável. Ao menos sabemos que ao vivo ele não usa essas coisas…

Ouça abaixo:  

Fagogo solto

Gibaa surpreendeu nesta terça-feira ao apresentar não apenas músicas de seu próximo álbum, Fagogo, que não irá para as plataformas de áudio e só poderá ser ouvido no próprio player digital revelado durante a apresentação que tem o mesmo nome do disco. A surpresa veio ao por revisitar não apenas suas próprias canções antigas e outras de outros autores que lhe influenciaram num novo formato, mas justamente pelo próprio formato escolhido para a apresentação. Chamou o baixista Antonio Andrade e o pianista Enrico Machado para, apenas à guitarra, cantar canções sem instrumento rítmico: nada de percussões nem bateria seja acústica ou eletrônica, o que ressaltava a beleza de suas canções, acamadas na microfonia shoegaze de seu instrumento e na doçura do vocal, por horas frágil de propósito (batendo na vertente Daniel Johnston do indie rock), por outras com a força e precisão exata. E além de músicas próprias (incluindo de projetos antigos, como a banda This Man e os Sem Cuecas, e futuros, como os Minikids), cantou canções de Manu Julian, da Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo e do Lauiz, que inclusive fez uma das participações da noite, que ainda contou com o baixo de Helena Cruz em uma canção e os integrantes do Minikids no final. Vai Gibaa!

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Gibaa: Fagogo

Gibaa antecipa seu segundo álbum nesta terça-feira no Centro da Terra e o conceito de Fagogo vai para além do disco, pois também é um player de música digital. Na ativa desde antes da pandemia, Gibaa lançou seu primeiro disco, Poça Platônica, em 2024 e desde então vem trabalhando no conceito de Fagogo, um disco que não está nas plataformas de áudio e só pode ser ouvido num player de áudio digital open-source que leva o mesmo nome do disco – ou ao vivo, como é o caso desta primeira apresentação que fará no teatro. O espetáculo começa pontualmente a partir das 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Todos os lados B dos Pixies em vinil!

Um quarto de século depois do lançamento oficial de sua coletânea de lados B, os Pixies anunciam a versão a primeira em vinil deste mesmo disco como parte comemorativa de seus 40 anos, completos neste 2026. São 19 faixas que surgiram como extras de compactos que eles lançaram em sua fase clássica, entre 1988 e 1991, quando a banda encerrou suas atividades pela primeira vez. E não são músicas menores, há pérolas imortais da banda neste conjunto, como a versão UK Surf para “Wave of Mutilation”, uma versão ao vivo para “In Heaven”, a maravilhosa versão que fizeram para “Winterlong” de Neil Young e a perfeita “Into the White”, com vocais de Kim Deal, entre outras. Complete B Sides: 1988-97 já está em pré-venda e chega ao público no final do próximo mês, e inclui também outros lados B lançados após o fim da banda, como o maxi-EP Alec Eiffel (lançado em 1992) e a demo de “Debaser” (lançada em 1997).

Theodora + Oklou ♥ Beatles

Mais uma vez o Festival de Cinema de Cannes começa com música. Depois de Zaho de Sagazan requentar bem “Modern Love” de David Bowie na edição de 2024 e de Mylène Farmer celebrar David Lynch em 2025, na edição deste ano as cantoras francesas Oklou e Theodora saudaram o festival, o diretor neozelandês Peter Jackson (que recebeu uma Palma de Ouro honorária por ter “transformado” o cinema) e os Beatles ao trazer, sozinhas no palco, uma versão para “Get Back”, que também batiza a série que Jackson dirigiu sobre os quatro de Liverpool. Assista abaixo:  

Mike D para além dos EUA!

Mal acabou de fazer seus primeiros dois shows solo nos Estados Unidos e o beastie boy Mike D mostra disposição para ir além de seu próprio território ao anunciar sua primeira turnê europeia já no mês que vem, passando pela Inglaterra, Alemanha, Portugal, Espanha, França e Bélgica. Mais um pouquinho e ele cola por aqui. Alô Primavera São Paulo, como é aquele papo de “e mais…” no final do vídeo de anúncio do elenco da edição deste ano publicado nesta segunda? Alô Mike D, please come to Brasil!

Veja as datas abaixo:  

O buraco do fim do mundo

“Esse sentimento de que o mundo tá indo pro buraco”, a sensação de desesperança transmitida pela segunda apresentação da temporada Acontecimento que o trio Crizin da Z.O. está fazendo no Centro da Terra poderia ser resumido a um questionamento ainda maior, posto logo já no primeiro movimento, quando o próprio Crizin arrematava: “Será que nesse buraco cabe o mundo?”. Recebendo a dupla Deafkids nesta segunda-feira, mais uma vez o grupo de funk apocalíptico transformou o palco do teatro em um alarme estridente sobre o fim do mundo iminente que toma conta do nosso dia-a-dia. Como na primeira apresentação da temporada (quando o grupo apresentou-se ao lado de Kiko Dinucci), esta nova noite viu o casamento das duas guitarras presentes criar uma parede de microfonia grossa que espremia o público contra a parede mental dos próprios cérebros, mas como tanto Douglas Leal quanto Mariano Sarine desdobram-se na percussão (elemento também crucial para o grupo do Rio de Janeiro), esta névoa elétrica sempre vinha aterrada de atabaques e tambores prontos para deixar todos em alerta. Pesado e aterrador como sempre, mas sem perder a seriedade ou o senso de emergência.

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O segundo disco de casal de Joyce e Tutty Moreno

O músico e produtor estadunidense Adrian Younge anuncia mais um disco da sua coleção Jazz is Dead em que embrenha-se na história da música brasileira, desta vez antecipando em um ano as bodas de ouro de um dos melhores casais da música brasileira, ao convidar Joyce e Tutty Moreno para gravar o 27º disco de sua série. Previsto para agosto (como antecipou o jornalista Mauro Ferreira), o disco contará com as participações do pianista Bryan Velasco, do percussionista Gibi dos Santos e, claro, do próprio Younge, que também produz o disco. É o segundo disco que o casal assina junto, após Samba-Jazz & Outras Bossas, lançado em 2007, quando seu casamento completou 30 anos.