Por Alexandre Matias - Jornalismo arte desde 1995.

Vida Fodona #761: Minha atual obsessão

Essa sexta-feira 13 e esse frio fora de época…

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Nicolas Cage ensina a rir de si mesmo

Mesmo que você não goste de Nicolas Cage (como assim?), vale muito ver O Peso do Talento (tradução branda para o título original, que deveria ser O Peso Insuportável do Talento Massivo), que acabou de estrear nos cinemas. É um filme sobre a carreira de um dos atores mais singulares do cinema norte-americano que explora todos os clichês relacionados ao ator, que vive ele mesmo lidando com o possível dilema de ter chegado ao fim de sua carreira. Assim, ele topa participar da festa de um bilionário que é seu fã (Pedro Pascal) e que não mede esforços para agradá-lo. O filme estica a corda do ridículo ao extremo e coloca Cage em situações constrangedoras, risíveis e inusitadas -e ele sempre se sai bem. Mas apesar da metalinguagem, não é um filme que pretende-se sério – muito pelo contrário, escancara com gosto as porteiras do cinema de ação mais fuleiro, mas faz isso pra render altas gargalhadas.

Betina dá o próximo passo com os Boogarins

A cantora curitibana Betina começa a mostrar como será seu terceiro álbum a partir de uma música que fez com os Boogarins em plena fase vermelha da pandemia, no ano passado – e “Polaroids”, que você pode ouvir abaixo, estreia com vídeo dirigido pela própria cantora, com a participação de três quartos do grupo goiano (Dinho, que produzirá o disco, tocando guitarra, Fefel tocando synth e Ynaiã fazendo o beat), além de Bonifrate no baixo e Jojo Augusto da Silva (que toca com Filipe Catto) na outra guitarra. “Demos início a esse processo depois que desenvolvi alguns beats num laboratório meu que já andava fazendo sozinha e dividindo as letras com o Dinho, enquanto Diogo (Valentino, ex-Supercordas, que também produz o disco) botava sempre ordem nas ideias para soar bonito e coeso”, lembra a cantora. “Nesse processo percebemos que uma música que já havia sido iniciada com Lucas Moura, da Glue Trip, teria espaço nesse disco, então ele é um dos convidados. ‘Polaroids’ dentre as músicas do álbum é anterior a tudo isso, mas faz muito sentido ser a primeira por ter sido de fato aquela que amarrou essa construção de mãos para disco, que dá o tom da soma que tivemos”. O disco ainda não tem previsão de quando será lançado, mas outra convidada do álbum é a cantora Luiza Lian.

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Sessa e a música que cura


(Foto Helena Wolfenson/Divulgação)

Fazer música como um processo de cura. Embora a ideia de “Canção de Cura”, segundo single que Sessa lança antes de seu segundo disco solo, Estrela Acesa, que será lançado no mês que vem, esteja ligada ao processo de cura dentro da paixão, acenando inclusive para um clássico de Drummond, a faixa também está ligada à produção cultural no momento drástico que o Brasil atravessa. A faixa está sendo lançada nesta quarta-feira e fecha uma trilogia de clipes que Sessa fez com Gabriel Rolim, que pode ser assistido abaixo.  

Marina Melo em processo de desconstrução

Ao propor desconstruir o Centro da Terra em sua apresentação Quando a Tua Tela Quebra, Marina Melo colocou o público no palco e o transformou em uma roda de conversa, explorando diferentes ângulos do teatro como uma forma de desafiar as convenções.

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Marina Melo: Quando a tua tela quebra

Nesta terça quem toma conta do Centro da Terra é a cantora e compositora paulistana Marina Melo, que começa a mover seu próximo trabalho – Canções de Amor para Itens Descartáveis – em uma apresentação única, Quando a Tua Tela Quebra, em que ela questiona a onipresença destes dispositivos em nossas rotinas propondo um ritual no palco do teatro do Sumaré. Os ingressos para esta apresentação, que começa pontualmente às 20h, já estão esgotados.

Kiko Dinucci e um tributo à antiguitarra

Alguém anotou a placa do avião? Na primeira segunda-feira de sua temporada Pocas no Centro da Terra, Kiko Dinucci reuniu-se com Lello Bezerra e Guilherme Held para um encontro de antiguitarras, trabalhando seus instrumentos para muito além dos limites da melodia, da harmonia e do ritmo, explorando espaços sonoros com timbres elétricos quase sempre indomáveis, tudo assistido visualmente pelas intensas tintas de Gina Dinucci. E pensar que isso é só o começo…

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Kiko Dinucci: Pocas

Quem toma conta das segundas-feiras de maio no Centro da Terra é o compadre Kiko Dinucci, que vem com a temporada Pocas experimentar possibilidades que nunca havia cogitado. Na primeira delas, dia 9, ele convida Guilherme Held e Lelo Bezerra para uma noite só com guitarras, com a parte visual a cargo de sua irmã, Gina Dinucci. Na semana que vem seu comparsa é Gustavo Infante, que vai fazer loops analógicos a partir de trechos de violão tocados na hora por Kiko, enquanto Maria Cau Levy cuida das projeções. Na terceira segunda-feira, dia 23, ele tira o dia para cantar samba, sem tocar nada, deixando os instrumentos com Alfredo Castro, Xeina Barros e Henrique Araújo, além das intervenções de Bruno Buarque. E, na última segunda de maio, ele chama o Test e Negravat pra uma noite que promete muito barulho. As apresentações começam pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados aqui.

Don L é um conceito

Don L @ Casa Natura Musical (7.5.2022)

É impressionante a força de Don L, que se apresentou neste sábado na Casa Natura Musical – e não estou falando só do indivíduo, do rapper, do poeta, do artista. Don L já é um conceito que transcende a estética e a arte e parte para a política e para a ação direta, sem esquecer as duas primeiras constantes. É um conceito tão preciso e potente que todos rimam tudo junto, repetindo suas frases como versos de um hino. E é importante frisar isso: apesar do clima de celebração, a apresentação de L nunca cede à metáfora divina e por mais que possa lê-la de uma forma mística e até religiosa, pela forma como ele prende seu público apenas com as palavras, ele reforça o papel político, cidadão e humano, enfileirando hinos pátrios de um país em construção. Praticamente sem dirigir-se ao público fora de suas canções (o que ele precisa dizer está em suas letras), ele magnetiza a pequena massa sem precisar subir o tom e ela está entregue à sua presença – tanto que puxa o coro de “lutar, criar, poder popular” sem que ele precise lembrá-los. Bem-vindos à Élewood…

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Aparelho: Essas coisas que ultrapassam a lógica humana

Abrir uma sessão do Aparelho é tirar o freio de mão em uma ladeira e assim eu, Vlad e Tomate disparamos a falar sobre todos os assuntos possíveis que nos vêm à cabeça, desde como o NFT dos centavos da gasolina vai criar uma indústria de coquetéis molotov à precaridade vendida como superação pelo jornalismo charlinho, passando por um flashmob de abraçaços à polícia militar e o Predador cantando o hino nacional nas passeatas bolsonaristas. É difícil, mas assim vamos.

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