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O quarto volume da tetralogia introspectiva de Beck

Como prevíamos, lá vem mais um disco introspectivo de Beck, desta vez anunciado com título e data de lançamento, depois das duas versões que lançou do single “Ride Lonesome”, faixa que batiza o novo álbum, previsto para o dia 18 de setembro (e já em pré-venda). A novidade é que Beck inclui o disco que gravou em 1998 (Mutations) como parte desta série que muitos começaram a contar a partir de Sea Change, de 2002. “Os músicos da minha primeira banda, com quem eu gravei Sea Change, Morning Phase e Mutations – Smokey Hormel, Joey Waronker, Justin Meldal-Johnsen, Roger Joseph Manning Jr. e Jason Falkner – se reuniram mais uma vez comigo no meu estúdio favorito, a Sala B do United Studios em Hollywood”, escreveu o compositor ao apresentar o novo álbum, “e também contei com o Nigel Godrich, que trabalhou em Sea Change e Mutations, fazendo a mixagem das músicas”. Ele também comentou que, mais de dez anos depois da gravação do disco mais recente desta leva, Morning Phase, a forma de tocar e a química entre os músicos evoluiu e se aprofundou, como “um som que veio depois de décadas tocando juntos”. Para encorpar o anúncio, ele também lançou mais um single, a igualmente introspectiva – embora mais densa e pesada – “In the Night”.

Assista ao clipe e veja o nome das músicas do novo disco abaixo:  

A força e a poética do norte do Brasil

“Viva o povo tucuju!”, gritou alguém do público no meio da primeira apresentação da temporada Planeta Arrepiado que Patrícia Bastos começou nesta segunda-feira no Centro da Terra, reforçando a presença da cultura do norte brasileiro naquela noite. Transitando no epicentro das três raças que fundaram o país, a cantora amapaense trouxe canções que sintetizam diferentes tradições musicais de sua região, como marambiré, cacicó, batuque e marabaixo, cantadas tanto em português (como “Rodopiado”, cujo primeiro verso – “veneno, veneno, veneno pinga da boca daquela cobra” – já deixa o público aceso), como no português de corruptela de seu estado, em que as pessoas falam rapidamente engolindo sílabas e encurtando palavras mais pela fonética do que pelo sentido. Sempre acompanhada por Dante Ozzetti ao violão, que é seu produtor, arranjador e diretor musical há três discos, como, ela ainda trouxe a comadre Ná Ozzetti para dividir vários momentos no palco, muitas vezes ficando à distância para mostrar que a estrela da noite era Patrícia, além de ter um convidado surpresa com a presença de Mario Manga, que alternava entre a guitarra e o violoncelo, encorpando ou diluindo com precisão o violão minucioso de Dante. Tudo isso só reforçando a voz e presença de palco da cantora do Amapá, que ainda contou histórias e chamou duas amigas da plateia para cantar uma outra música com ela e começou lindamente esta série de apresentações no teatro.

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Patrícia Bastos: Planeta Arrepiado

Imensa satisfação em receber pela primeira vez no palco do Centro da Terra a cantora amapaense Patrícia Bastos, que apresenta sua temporada Planeta Arrepiado nas segundas de julho. Ao lado do compadre e diretor musical Dante Ozzetti, ela atravessa três segundas diferentes fazendo releituras únicas de seu repertório autoral, cada uma delas com sua formação de músicos. Nesta primeira apresentação, dia 13, ela divide vozes com a gigantesca Ná Ozzetti. Na próxima segunda, dia 20, ela recebe os músicos Marcelo Cabral e Guilherme Held para crescer ainda mais sem som e encerra a safra de shows na última segunda do mês, dia 27, quando recebe os congoleses Leo Matumona e Hidras Tuala, a percussionista Thata Ozzetti e o cantor e guitarrista Skipp. Serão noites maravilhosas! Os espetáculos começam pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Dylan regravando os próprios clássicos em altíssima fidelidade – e, até então, para poucos

Em 2022, o guitarrista norte-americano T Bone Burnett revelou um experimento em áudio que vinha fazendo desde o ano anterior, quando criou uma plataforma de áudio que captasse o som de forma mais fiel possível ao mesmo tempo em que resumisse sua gravação a uma cópia única daquele registro, tirando a música gravada do mercado de massas e colocando-a no mesmo patamar das artes plásticas, em que a reprodução não tem o mesmo valor da obra original: “Não é o equivalente a uma pintura, é uma pintura: a resina laca é pintada em espiral num disco de alumínio”, explicava o texto de apresentação da nova mídia, que ele chamou de Ionic Original. Para começar estes trabalhos, chamou o velho camarada Bob Dylan para regravar alguns de seus clássicos, que foram depois leiloados logicamente custando muito caro. As músicas escolhidas para a regravação foram “Masters Of War”, “Gotta Serve Somebody”, “Simple Twist Of Fate”, “The Times They Are A-Changin'” e “Blowin’ In The Wind”, que ele gravou com o próprio Burnett na guitarra, Greg Leisz no bandolim, Stuart Duncan no violino, Dennis Crouch e Don Was nos baixos. Destas gravações, apenas “Blowin’ In The Wind” havia surgido online e a lenda dizia que alguém que foi ao leilão conseguiu gravar escondido na cabine de audição que havia disponível para quem quisesse fazer seus lances. Acontece que há cerca de um mês outras faixas – e talvez outras ainda possam surgir – começaram a aparecer online e há quem diga que estão sendo disponibilizadas pelo próprio comprador. E é bom demais, como tudo que Dylan tem feito desde que completou 80 anos, do maravilhoso Rough and Rowdy Ways (lançado em 2020) ao show online Shadow Kingdom (2021), passando pelos registros obscuros dos shows recentes, em que ele proíbe celulares, mas os fãs sempre dão um jeito de gravá-lo, mesmo que se esconda de capuz atrás do piano. O cara é foda.

Ouça as músicas abaixo:  

Um show sobre Wes Anderson

Um dos aspectos mais importantes dos filmes de Wes Anderson – tão protagonista quanto sua direção de arte e sua escolha de elenco – são as músicas que ele escolhe para compor a trilha sonora, criando verdadeiras cápsulas de sentimento inclusive em cima de canções já conhecidas do grande público, o que é um feito e tanto. Este lado de sua filmografia foi celebrado neste fim de semana no lendário Hollywood Bowl, em Los Angeles, nos EUA, quando o diretor reuniu a orquestra filarmônica da cidade (apelidada de L.A. Phil) com uma banda liderada por Beck com convidados de peso como Karen O dos Yeah Yeah Yeahs, Jackson Browne, Jenny Lewis, Karen Elson, Rufus Wainwright, Jean‐Yves Thibaudet, o grupo Devo e os atores Jason Schwartzman, Jeff Goldblum e Bill Murray, este último como mestre de cerimônias, entre outros. No repertório, o Devo tocou “Gut Feeling” que tensiona A Vida Marinha com Steve Zissou, Beck atravessou a dolorida “Needle in the Hay” de Elliot Smith, usada em Os Royal Tenenbaums, filme que também tem a versão clássica que Nico fez para a música que Jackson Browne compôs quando tinha apenas 17 anos, “These Days”, cantada por seu autor. Karen O trouxe dois momentos britânicos, primeiro cantando “Play With Fire” dos Stones (no filme Viagem a Darjeeling) e depois visitando “Making Time”, do grupo Creation, do filme Rushmore. Beck e Browne se reuniram para cantar a linda “Alone Again Or” do Love (do primeiro filme de Wes, Bottle Rocket) e depois “Le Temps De L’Amour” eternizada por Françoise Hardy (e presente em Moonrise Kingdom) veio na voz de Karen Elson. Um dos momentos mais bonitos aconteceu quando, em uma das noites, Schwartzman lembrou que Wes Anderson lhe convenceu a fazer o primeiro filme dos dois (Bottle Rocket, de 1996) depois de dar uma volta de carro ouvindo as músicas que fariam parte da trilha sonora na ordem – e mostrou a fita que havia encontrado meses antes daquele show, arremessando-a para a plateia. Que momento!

Assista a trechos do show abaixo:  

Cure em família

Um dos integrantes mais constantes em toda a história do Cure, o baixista Simon Gallup teve um problema de saúde neste fim de semana e não pode tocar com a banda em duas das três apresentações que o grupo fez no anfiteatro ao ar livre Parkbühne Wuhlheide, em Berlim, na Alemanha, mas Robert Smith conseguiu um substituto à altura para o histórico baixista quando o próprio filho de Simon, Eden Gallup, de 36 anos, assumiu o cargo do pai nas duas apresentações finais da banda na cidade, sexta e sábado. Não há notícias sobre o que teria acontecido com o baixista original nem se ele poderá retornar às funções no grupo em breve – o próprio Smith, com seu clássico estilo de escrever em caixa alta nas redes sociais da banda, disse que Simon foi “LEVADO DOENTE” e que ele não está “BEM O SUFICIENTE PARA TOCAR”. Tomara que fique bem e volte logo para o seu lugar.

Assista a uma das músicas que Eden tocou com o Cure abaixo:  

Outro guitarrista na banda de Bob Dylan

Segue a dança das cadeiras nas guitarras da atual turnê de Bob Dylan. Depois que o jazzista Julian Lage entrou no lugar de Doug Lancio no mês passado, outro jovem, Joel Patterson, entrou na banda após a saída do segundo veterano do instrumento, Bob Britt. Lage tinha outros shows solo marcados neste período, o que deixou Dylan apenas com Patterson no instrumento, mas nesta sexta-feira, no show que fez no PNC Pavillion, em Cincinatti, outro novo músico juntou-se ao grupo, quando Dylan apresentou o 36º guitarrista a tocar com ele em shows, Jad Tariq, de apenas 29 anos. Ainda não sabemos se ele continua na banda ou só substitui a saída temporária de Lage, mas, pelo andar da carruagem, nem o próprio Bob Dylan sabe…

Ouça músicas desta apresentação abaixo:  

Jack White, pai coruja

Pela segunda vez, Jack White traz sua filha Scarlett White para dividir o palco com ele, tocando baixo. A primeira vez foi em fevereiro do ano passado, quando a jovem de 19 anos subiu para tocar com o pai no Irving Plaza, em Nova York. Neste sábado, mais uma vez na mesma cidade em que ela reside, o guitarrista chamou-a para dividir três canções (“Cannon”, “John the Revelator” e “Black Math”) em sua apresentação no Brooklyn Paramount. Scarlett já tinha inclusive participado de duas faixas do disco que White lançou em 2024, No Name. Resta saber quando ouviremos as próprias músicas da filha do fundador dos White Stripes, mas isso é questão de tempo…

Assista abaixo:  

Music Fashion Film pela primeira vez ao vivo

Pode ter sido só para esse show-relâmpago que Charli XCX puxou de surpresa nesta sexta-feira e que quando ela levar seu Music Fashion Film para palcos maiores tudo mude de figura. Mas ao mostrar pela primeira vez as novas canções ao vivo no Music Hall do Brooklyn, em Nova York (um lugar um pouco maior do que o La Iglesia, em Pinheiros, e menor que o Fabrique, na Barra Funda), ela preferiu manter o clima intimista com o volume no talo – e com guitarras em primeiro plano, dando a tônica de como deverão ser seus próximos shows. Com figurino escuro e visuais espartanos (luzes brancas e muita sombra) como na capa do novo álbum, a apresentação com cara de sala de estar (sofás, poltronas e tapetes – além de convidados espalhados pelo palco) e ótimas participações surpresa, que ela já tinha soltado o spoiler em suas redes sociais – e, aos poucos, foi chamando-as ao palco. Primeiro Underscores, que vai abrir sua próxima turnê, dividindo sua “Music” com a dona da festa, seguida de Kim Petras, com quem Charli cantou sua “Jeep”, e concluindo com a aparição da nossa querida Clairo, dividindo sua “Sofia”. No resto do repertório, apenas uma música do disco Brat (“Apple”) e vários do novo álbum, incluindo alguns lados B dos primeiros singles, marcando a estreia ao vivo “Playboy Bunny”, “SS26”, “Camera” (que provavelmente é o próximo single e pode ser ouvida pela primeira vez na íntegra), “Wink Wink” e “Rock Music”, além da inédita “Take Away the Music”, que, como não está na ordem das faixas do disco original, deve ser o lado B de “Camera”, que deve surgir em breve. Além destas, ela abriu espaço para um disco que torna-se cada vez mais importante em sua carreira, o pandêmico How I’m Feeling Now, que veio representado por “Anthems”, “Pink Diamond” e “Party 4 U”, cimentando ainda mais a base desta sua nova década. Eu bem que fiquei esperando uma aparição do Cronenberg, mas acho que ela deve guardar um momento específico para esta surpresa, afinal de contas… é o Cronenberg. Na próxima terça, ela repete o show pequeno no Scala de Londres, último show antes de ela encarar a série de quatro festivais com os quais abre sua nova turnê: primeiro nos EUA, tocando primeiro no Lollapalooza de Chicago e depois no Outside Lands de São Francisco, para depois ir para seu país, quando toca nos festivais ingleses de Reading e Leeds em agosto, antes de começar efetivamente a turnê de seu disco novo em setembro. Temos muita Charli ainda esse ano…

Assista abaixo:  

Rod Stewart ♥ Bonnie Tyler

Dói o coração! Rod Stewart, acompanhado do maestro pop Jools Holland, celebrou a memória da musa galesa Bonnie Tyler em um evento fechado que realizado na quinta passada num hotel de luxo na cidade de Auchterarder, na Escócia, ao lembrá-la cantando um de seus maiores hits, “It’s A Heartache”. Ela partiu cedo demais💔…

Assista abaixo: