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Oruã: 10 Anos!

Encerrando a programação de música em setembro no Centro da Terra, o heróico quarteto indie do Rio de Janeiro Oruã celebra sua primeira década de carreira com uma série de atividades que começam com o espetáculo desta terça-feira chamado didaticamente de 10 Anos! Formado por Lê Almeida, Bigú Medine, João Casaes e Ana Zumpano, o grupo ainda recebe as participações especiais de Laura Lavieri, Ämarcel e Grisa, com direito a projeções de Danilo Sansão. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.

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Geese ♥ Bob Dylan

Na atual turnê do Geese, Cameron Winter já definiu que a banda não toca mais música dos outros no intervalo de “2122” – ou tocam fragmentos de músicas mais conhecidas ou ele simplesmente tira o celular do bolso e coloca uma música escolhida pra ser ouvida pelo captador de sua guitarra. Foi o que ele fez no show desta segunda em Nashville, quando apertou o play em “Girl from the North Country” de Bob Dylan na clássica cidade da música country de seu país.

Assista abaixo:  

Palavra em movimento

O último capítulo da temporada Coexistência, que Sandra X fez às segundas de setembro no Centro da Terra, veio com a transcendência da música para a palavra, quando ela assumiu a ambiência sonora da noite ao lado de Jovem Palerosi para receber Heloísa Abdalla, Eveline Sin, Daniel Minchoni, Angela Quinto e Diogo Cardoso, que entraram no palco primeiro cada um por vez para depois virem todos juntos ao final da primeira parte desta apresentação, chamada de Nua e Crua. Na segunda parte, Fredyson Cunha – que passou a primeira parte inteira bordando no canto do palco e expunha obras à entrada do teatro – veio para o centro ao lado da dançarina Janette Santiago, misturando diferentes disciplinas – incluindo o bordado – numa mesma performance.

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Mais uma música nova do Olivia Tremor Control!

Eis “Timewaster”, a quarta música do terceiro disco do Olivia Tremor Control, que está quase entre nós. O disco duplo The Same Place chega no próximo dia 23 (já em pré-venda), encerrando uma espera de 27 anos pelo último – agora em definitivo, pois seus fundadores Bill Doss e Will Cullen Hart morreram em 2012 e 2024, respectivamente – álbum de uma das principais bandas psicodélicas da história. Depois da faixa-título, de “Garden Of Light” (estas duas reveladas no dia da morte de Hart, há dois anos) e “Advice From The Oceans”, a nova faixa segue o clima onírico característico dos melhores momentos do grupo, com bateria a cargo de Jeff Mangum, do Neutral Milk Hotel, a outra banda icônica da cena que girava ao redor do coletivo Elephant 6, em Athens, nos EUA, nos anos 90. “Nós nos dissolvemos em uma luta sem fim, a beleza se esvai na simetria perfeita”, canta a dupla, acompanhada por sopros e guitarras pesadas, naquele equilíbrio clássico entre devaneio e delírio que só eles conseguem. Ouça abaixo:  

Shoegaze eletrônico

Saí correndo do show do Kiko Dinucci pra pegar o finzinho do último dia do festival da Balaclava e consegui pegar a parte final do bom show do Beach Fossils e a apresentação da Sudan Archives, nome artístico da violinista americana Brittney Denise Parks, que transformou o segundo palco do Tokio Marine Hall (que, felizmente, estava com um som ótimo) numa pequena rave com um pezinho no erudito. Mas o festival foi coroado com uma apresentação fantástica dos nova-iorquinos DIIV, possivelmente a melhor banda de shoegaze atual, que, em mais uma apresentação no Brasil, honraram o título com um show hipnotizante e avassalador. O vocal soterrado do líder Zachary Cole Smith conduzia as canções sobre um volume cada vez mais pesado de microfonia, cortesia de seu instrumento e do segundo guitarrista, Andrew Bailey, que não para no palco, enquanto a cozinha formada pelo baixista Colin Caulfield e pelo baterista Ben Newman mantém o terreno firme para o grupo expandir fronteiras sônicas. A novidade deste novo show é que, prestes a lançar seu próximo disco, chamado de Zirp! e produzido pelo mesmo A.G. Cook que acompanha Charli XCX, o quarteto pode mostrar, pela primeira vez, não apenas as duas músicas que lançaram para antecipar o novo álbum, os singles “The Fountain” e “Kid”, como músicas que o público nunca ouviu, como “The Crash”, “Dare Me”, “My Star” e ‘Trillions”, mostrando interferências eletrônicas e ruídos digitais sobre o barulho macio tradicional do grupo, que também tocou uma versão ainda mais acelerada de “Playboy Bunny” da própria Charli, em mais uma amostra da influência do novo produtor no disco. Sempre tocando abaixo de uma estrela torta tirada da capa do novo disco (que desconstrói a bandeira dos EUA), o grupo ouviu o público cantando riffs e refrões inteiros, numa nítida devoção à banda, que fez por merecer. Bom demais.

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Melancolia palpável

“Exugaze” é um bom rótulo e funciona para explicar os rumos tomados por Kiko Dinucci em seu recém-lançado Medusa, disco em que faz as pazes com a guitarra elétrica. Mas resumir seu terceiro disco solo a esse trocadilho diminui toda a densidade da sombra quebrada e melancólica que o guitarrista acaba de parir. Esta ganha peso, volume e força ao ser executada com quatro amplificadores para uma única guitarra, postos no meio do palco como o monolito de 2001 – enigmático, impassível, inescapável. Ladeando-os estavama Kiko e Podeserdesligado, cúmplice na materialização do disco em show, que, com seus eletrônicos, fazia crescer a nuvem preta invisível que o guitarrista despejava sobre a plateia como uma maldição triste. Nunca um show naquele teatro soou tão alto e Kiko sabia o que estava fazendo, tanto que citou a importância daquele palco para ele e para a cidade, mencionando shows históricos inclusive em que foi protagonista, como o lançamento de seu Rastilho um mês antes da pandemia, uma apresentação sem público do Metá Metá durante a quarentena eterna daquele 2020 e os últimos shows de Jards Macalé em São Paulo, quando o mestre carioca dividiu a noite com o próprio Kiko. Além da força estática dos ruídos elétricos (a cargo do Pedro Silva, que cuidava do som do teatro como se segurasse os portões do inferno), Medusa ao vivo ganha ainda mais um outro nível graças à luz sobrenatural de Olívia Munhoz, cada vez mais afiada. Motor de toda essa energia, Kiko não soa nem agressivo nem incisivo, regendo solidão e ceticismo enquanto conecta o recém-aprofundado shoegaze às canções que tocam nas rádios do Brasil. Assim, invoca, além de Jards Macalé (de quem tocou a parceria conjunta “Coração Bifurcado”) e Beto Villares (de quem cantou “Chorei”) a Roberto Carlos (ressuscitando “Os Seus Botões”). Esta presença fantasmagórica (mesmo que RC esteja vivo) culmina com o ápice do disco e do show, quando canta a balada “Como Foi”, tristes reticências de um disco sobre ecos do passado, que termina transmutando-se no pesadelo chamado “Fantasmagoria IV”, que encerra o show. Inacreditável – e sério candidato a show do ano.

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Desaniversário | 26.9.2026

É verdade este bilhete! Tem DESANIVERSÁRIO neste sábado e mais uma vez nos reunimos ali no Bubu pra se acabar de dançar com um sorriso no rosto – mas terminando cedo pra aproveitarmos o domingo. Clarice, Matias, Claudinho e Camila transformam o restaurante na marquise do estádio do Pacaembu (Praça Charles Muller, s/nº) na nossa querida pista de dança – e começamos, como sempre, a partir das 19h e vamos até a meia-noite. Vem dançar com a gente!

Daine ♥ Martin Solveig + Dragonette

Prestes a lançar seu disco de estreia (In Endless Awe And Agony, marcado pra sair em novembro), a estrela australiana do hyperpop em ascensão Daine foi convidada pela rádio conterrânea Triple J para participar do quadro Like a Version – e ela pinçou um clássico dance music da década passada, quando Martin Solveig e Dragonette se juntaram na irresistível “Hello”, que Daine faz bonito ao manter o vigor e o carisma original da faixa.

Ouça abaixo:  

Celebração progressista

Mais impressionante que saber porque, do nada, uma banda do deserto do Saara e pouco conhecida no Brasil ter tornado-se o assunto do mês e o hype da semana em São Paulo é saber que três dos integrantes do Tinariwen que apresentaram-se nestas quinta e sexta na comedoria do Sesc Pompeia fundaram o grupo há quase 50 anos, quando, depois de exilados do Mali por conta da guerra civil iniciada nos anos 60, foram repatriados na Líbia do Coronel Gaddafi e criaram o grupo quando serviam o exército daquele país. O líder e fundador da banda, Ibrahim Ag Alhabib, único dos três guitarristas a tocar violão no show, viu seu pai ser assassinado com quatro anos de idade e criou um instrumento com um pedaço de pau, uma lata de óleo e o fio de um freio de bicicleta depois de ver, num filme americano de faroeste, alguém tocando violão. E lá estavam, nesta sexta-feira, três de seus fundadores, Ag Alhabib, Alhassane Ag Touhami (o único que só canta, mas é um poço de carisma) e Abdallah Ag Alhousseyni (na segunda guitarra), todos com quase 70 anos de idade, acompanhados dos novatos Iyad Moussa Abderrahmane (na terceira guitarra), Eyadou Ag Leche (groove firme no baixo) e Said Ag Ayad (nas percussões) devidamente paramentados com suas túnicas frente a uma plateia extasiada que entupiu o Sesc Pompeia depois de esgotar os ingressos em literalmente 15 minutos. Não sei se foi a vinda do Etran De L’Aïr em 2025, a crescente conscientização sobre a causa árabe, o contínuo pensamento decolonialista destes anos 20 ou uma mistura disso tudo que fizeram estes shows bombarem tanto, mas o sexteto da África Central mostrou a que veio, induzindo o público a um transe mágico que vou poucos celulares sendo erguidos para registros, enquanto todos dançavam uma música estrangeira em uma língua desconhecida. Os BPMs da noite começaram baixo e foram aumentando até culminar no bis, quando um certo alguém plantou um boné do MST na cabeça de Abderrahmane, fazendo a noite de sexta tornar-se, além de tudo, uma celebração do pensamento progressista em altíssimo nível, ainda mais após a proibição das bets no início do fim de semana. Um sextou épico!

#tinariwen #sescpompeia #trabalhosujo2026shows 225

Phoebe Bridgers ♥ Lucy Dacus + Julien Baker

Na apresentação que fez nesta quinta-feira no Barclay’s Center no Brooklyn, em Nova York, Phoebe Bridgers não apenas trouxe as duas outras Boygenius (Lucy Dacus e Julien Baker) para dividir duas canções acústicas (“Not Strong Enough” e “Cool About It”), como tocou pela primeira vez a música que acaba de lançar nesta sexta-feira. “On Video”, que toca nos créditos finais do novo filme de Robert Pattinson, Primetime, dirigido por Lance Oppenheim, e que marca a estreia de Phoebe como atriz. A música começa tranquila até explodir em um volume de guitarras como não se via numa música dessas desde os anos 90, enquanto Phoebe canta sobre fazer “anjos na neve”, brincadeira que também cita “Still Standing”, de seu disco mais recente, e batiza a música de Elliott Smith que a cantora mais reverencia, “Angel in the Snow”. Funciona inclusive como um posfácio – ou uma música dos créditos finais mesmo – de seu próprio novo disco, Lost Weekend.

Ouça abaixo: