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João Gilberto, 95 anos

Aproveitando a efeméride que comemora os 95 do nascimento do maior artista brasileiro, a Rádio Batuta, do Instituto Moreira Salles, chamou uma das maiores autoridades em João Gilberto do planeta – o pesquisador Otavio Filho (o incansável @undiu_undiu) – para conduzir um especial sobre Brasil, disco que o mestre sintetizava o que ele entendia do país em um disco com apenas seis canções que lançou em 1981 com participações de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia, num disco que João Bosco resume como “uma síntese do país”. O programa parte deste disco para seguir a ideia de brasilidade de Joãozinho por outros momentos de sua carreira, como, por exemplo, canta o hino brasileiro em uma apresentação no Teatro Santa Isabel no Recife, no ano 2000. Ouça aqui.

Rua Jimi Hendrix

Depois de uma campanha iniciada no final de 1970, logo após a sua morte, a rua em que Jimi Hendrix morou no fim de sua vida e onde montou seu lendário estúdio Electric Lady em Nova York, nos EUA, deixa de ser referida como West 8th Street e passa a se chamar Jimi Hendrix Way. A cerimônia de inauguração aconteceu nesta quarta-feira, quando a placa com o nome do maior guitarrista da história do rock finalmente pode ser revelada – meses após uma cerimônia em fevereiro que teve de ser cancelada por uma tempestade de neve. “Fizemos um abaixo-assinado no Electric Lady Studios para que as pessoas assinassem que dizia ‘Dê a essa rua o nome de Jimi’, mas isso não deu em nada”, disse a irmã do guitarrista, Janie Hendrix ao jornal New York Times. “Também tentamos colocar seu rosto num selo postal e isso só foi acontecer doze anos atrás. Tudo em seu tempo”.

A Rede Social 2

Agora é a vez do ex-Succession Jeremy Strong encarnar Mark Zuckerberg na continuação do filme A Rede Social (2010). Idealizado pelo roteirista Aaron Sorkin, um dos principais roteiristas de Hollywood nos últimos anos, The Social Reckoning (que no Brasil se chamará O Outro Lado das Redes) teria a direção de David Fincher, que fez o primeiro filme, mas terminou nas mãos do próprio Sorkin, que decidiu contar ele mesmo a continuação da história do Facebook depois que eternizou a criação do site há mais de quinze anos com Jesse Eisenberg como seu criador. Desta vez, o filme foca no vazamento de informações sobre a empresa de Zuckerberg em 2021 no caso que ficou conhecido como Facebook Files, a partir da denúncia levantada pelo Wall Street Journal, e além de Strong (que parece estar ótimo como um Zuck bem psicopata), ainda conta com Mikey Madison (de Anika), Jeremy Allen White (da série The Bear) e o comediante Bill Burr no elenco. O filme está programado para estrear em outubro.

Assista abaixo:  

El Mato a un Policia Motorizado no Brasil!

Olha que notícia boa: uma das bandas argentinas mais importantes em atividade, o quinteto El Mato a un Policia Motorizado volta ao Brasil para duas apresentações no país, uma em Porto Alegre (dia 10 de outubro no Opinião) e outra em São Paulo (dia 11 no Cine Joia). Os ingressos já estão à venda! Quem vai?

Pressão criativa

“Eu fui meio doida, marquei o show e tinha que compor as músicas”, explicou Luna França logo no início de sua apresentação Juntos, que fez nesta terça-feira no Centro da Terra. Acompanhada de seu teclado, do companheiro e baterista Arquétipo Rafa – que dispensa a mão esquerda para tocar bateria para segurar as linhas de baixo num synthbass – e da multiinstrumentista Lê Veras, que foi da guitarra para o piano e depois para o teclado, Luna mostrou músicas que fez a toque de caixa para sua apresentação, usando o prazo da apresentação como motivação para finalmente mexer nas próximas composições de seu segundo disco, a partir de anotações e gravações que vinha fazendo desde que lançou seu disco de estreia. E ao contrário do que a pressa pode parecer, a composição com a pressão do prazo iminente fez ela arredondar canções pop que poderiam estar tocando no rádio – e sempre com parceiros que chamou para compor juntos, daí o título da noite. E além de músicas com Ana Passarinho e Heloá Holanda (que subiram no palco para dividir suas composições), ainda mostrou outras compostas com a cantora Malu Magri, a escritora Rita de Podestá e com o próprio Rafa, além de “Coisas da Vida”, da Rita Lee. Encerraram o show com um bis improvisado que contou com a participação das duas convidados repetindo uma das músicas que abriram o show – a irresistível “Nada”, composta com Rita, e terminando a noite com o astral lá em cima.

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Luna França: Junto

Imensa satisfação de receber Luna França nesta terça-feira no Centro da Terra, quando apresenta seu espetáculo Junto, que norteia seu novo horizonte artístico, quando começa a pensar na realização de seu segundo álbum. Depois do disco de estreia, chamado de Um e feito de forma solitária, ela parte da colaboração com outros artistas como ponto de partida para este novo trabalho, que começa a colocar em prática a partir desta primeira apresentação no teatro, e além da banda que montou, formada por Arquétipo Rafa (bateria e synth bass) e Lê Veras (teclado e guitarra), ela também troca com as cantoras que convidou para esta noite, Ana Passarinho e Heloá Holanda, transformando o palco em um espaço de encontro e troca. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Tem disco novo do Cure vindo aí – mais de um inclusive!

Se no primeiro show de sua nova turnê, que aconteceu no festival catalão Primavera Sound, o Cure pinçou músicas que não tocava ao vivo há anos, no segundo, que foi no festival português North, na cidade de Maia, seguiu nessa toada e tocou “Treasure”, outra música do Wild Mood Swings, de 1996 (sexta tocaram a faixa de trabalho “Mint Car”), e “In Your House”, do segundo disco Seventeen Seconds, de 1980, que não tocavam há mais de dez anos. Este disco inclusive foi a base do segundo bis da banda, que ainda contou “M”, “Play for Today” e “A Forest”, do mesmo álbum. A última vez que tocaram “In Your House” ao vivo foi em 2011, quando tocaram a íntegra de seus três primeiros discos no Beacon Theatre, em Nova York (eu estava lá e vi os três shows que eles fizeram no fim de semana). E como se não bastassem as novidades no palco, o dono da banda Robert Smith adiantou para a rádio BBC que eles estão com um disco pronto para sair – talvez mais de um: “Gravamos o equivalente a três discos de músicas”, disse na entrevista, em que disse que os dois primeiros a sair são mais pesados e densos, como o fabuloso Songs of a Lost World, lançado há dois anos, e um terceiro, como ele mesmo diz, “mais pra cima”. “As pessoas vão pensar: ‘ah, o disco é assim porque eles está gravando com a Olivia (Rodrigo, com quem acabou de lançar uma música)’, porque este terceiro disco é realmente mais pra cima. É bem pop, mas não dá pra comparar com as coisas que a Olivia faz, mas é a minha ideia de pop pelo Cure. Provavelmente vai ser 20 batidas por minuto mais lento do que qualquer coisa que ela faça, mas comparado com o que estamos fazendo nos últimos anos, é bem mais rock.”

Assista abaixo a versão que o grupo fez para “Treasure” e “In Your House” em Portugal:  

Sem tempo a perder

Galo invocou o nosferatu tropicalista para tomar conta da primeira noite de sua temporada Um Bis no Abismo no Centro da Terra e fez todos mergulhar na poesia inquieta de Torquato Neto, mostrando como, mesmo com uma vida e obra encurtadas pela morte precoce, sua importância e influência segue tanto intacta quanto presente – e o vocalista da Trupe Chá de Boldo editou uma bela compilação dos melhores momentos do poeta e jornalista piauiense, puxando tanto parcerias quanto homenagens. Ladeado por dois guitarristas – o velho cúmplice de Trupe Gustavo Cabelo, maestro desta apresentação, e o novo camarada Vitor Wutzki -, Galo abriu com quatro hits do poeta e parcerias com sumidades do nosso cancioneiro: “Let’s Play That” com Jards Macalé, “Mamãe Coragem” e “Deus Vos Salve Esta Casa Santa” com Caetano Veloso e a cortante “Pra Dizer Adeus” com Edu Lobo. Depois chamou Soledad para o palco, enviesando a apresentação para Gal Costa, quando primeiro dividiram “Três da Madrugada” (parceria com Carlos Pinto), depois a cantora cearense leu o trecho da coluna Geleia Geral em que Torquato incensava o show Fatal, para fechar cantando “Viver é Fatal”, música que Galo compôs no dia em que soube da morte de Gal, o 9 de novembro que também é aniversário do piauiense. Depois visitou a música que Sergio Sampaio celebra Torquato (“Que Loucura”) e dois poemas musicados por Gilberto Gil (“Marginália II” e “Todo dia é dia D”), quando recebeu o segundo convidado da noite, o cantor Zé Ed, que recitou a coluna “Pessoal Intransferível” e depois chamou Soledad mais uma vez para dividir a parceria do poeta com Geraldo Azevedo, “O Nome do Mistério”. E depois de fazer o público cantar a homenagem póstuma que Caetano fez ao amigo (na imortal “Cajuína”), vestiu a capa de vampiro brasileiro (“pf”, cuspiria Bento Carneiro) de Torquato, para terminar a noite musicando o poema “Cogito”: Eu sou como eu sou, vidente/ E vivo tranqüilamente/ Todas as horas do fim”. Um começo de temporada sem firulas e sem bis, pois não temos tempo a perder.

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Galo: Um Bis no Abismo

Enorme satisfação ao receber Gustavo Galo para tomar conta da temporada de junho no Centro da Terra, quando junta três segundas e uma quarta-feira (porque é mês de Copa do Mundo) para fazer seu Um Bis no Abismo. A primeira noite acontece neste dia 8, quando celebra o poeta Torquato Neto com a apresentação Subterrânia, escrito com “i” mesmo, como Hélio Oiticica abrasileirou o termo em inglês “underground” para o Brasil nos anos 60, quando reúne Vitor Wutzki, seu companheiro de Trupe Chá de Boldo Gustavo Cabelo, Zé Ed e Soledad para celebrar o tropicalista do Piauí. Nas segunda seguinte, dia 15, ele traz sua nova banda Tudo a Ver (com Juliana Perdigão, Bruna Lucchesi e Vitor Wutzki) e convidados como Angélica Freitas, Fabricio Corsaletti, Dimitri Br e Marcelo Ariel. No dia 22 apresenta suas subversões com Peri Pane, quando verte para o português canções de Lou Reed, Patti Smith e Leonard Cohen e recebe André Mourão e Péricles Cavalcanti. E como a última segunda do mês cai num possível dia de jogo da Copa, o encerramento da temporada acontece no primeiro dia do mês que vem, numa quarta, quando ele mostra suas novas composições ao lado de Pedro Gongon, Otávio Carvalho, Lucas Gonçalves e Tomás Gleiser. As apresentações começam sempre pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda pelo site do Centro da Terra.

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Todo o show: A volta do Rush, em Los Angeles (7.6.2026)

E o Rush conseguiu. O trio canadense voltou à ativa em sua turnê comemorativa Fifty Something neste domingo, a primeira vez em que Geddy Lee e Alex Lifeson voltaram a fazer um show completo com suas canções após a morte do baterista Neil Peart em 2020 e superaram todas as expectativas. Pra começar, o show de estreia em Los Angeles, nos EUA, já entra para a história da banda como a primeira vez em que a cantora Aimee Mann – a única outra pessoa a tocar com o grupo em toda sua discografia – subiu ao palco com o grupo para cantar um dos maiores hit radiofônicos da banda, “Time Stand Still”, que lhes garantiu uma baita sobrevida nos anos 80. Não bastasse esse momento histórico, as atenções voltaram-se logicamente para a baterista que entrou no lugar do virtuoso terceiro elemento da banda e Anika Nilles esmerilhou. Não apenas segurou passagens clássicas com o mesmo pulso e frieza do baterista original como era ovacionada pelos fãs em momentos-chave das canções épicas e extravagantes do grupo. E o Rush é um dos sectos de adoradores mais insuportáveis da história do rock, pois entrelaça dois ambientes perfeitos para a proliferação de fãs malas, o heavy metal e o rock progressivo. Anika não fez pouco e entrou não só para a história da banda como garantiu o resto de sua vida como uma referência em seu instrumento. E até o baixista Geddy Lee, cujo vocal derrapava em algumas performances recentes, segurou bem a onda, sem contar que, como o guitarrista Alex Lifeson, segue um ás em seu instrumento. No setlist, vários clássicos e músicas que eles não tocavam há eras, como “Freewill”, “Vital Signs” e “La Villa Strangiato” e a bizarra presença de “By-Tor & The Snow Dog”, que não tocavam ao vivo há mais de 20 anos. A produção do show é aquela coisa cafona e opulenta, como dá pra ver pelos vídeos, mas emoldura de forma definitiva a carreira da banda em grande estilo. Muito bom.

Veja alguns vídeos que pesquei online abaixo: