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Centro da Terra: Abril de 2026

O primeiro semestre de 2026 está chegando na metade e essas são as atrações musicais de abril no Centro da Terra. As segundas-feiras ficam por conta do guitarrista Guilherme Held, que resolve mergulhar em seu instrumento sempre em dupla com velhos camaradas das seis cordas, na temporada Abriu o Fuzz. A cada segunda-feira, Held reúne como outros guitar heroes – e ele só reuniu cobras. Na primeira (dia 6), ele convida Fernando Catatau, na segunda (dia 13) ele vem com Lúcio Maia, na terceira (dia 20) é a vez de chamar Kiko Dinucci para concluir a saga na última segunda do mês (dia 27) ao lado de Edgard Scandurra. Às terças começamos com o encontro das vozes e violões de Ítallo França, Marina Nemesio, Tori e João Menezes, que reúnem-se na primeira terça (dia 7) pela primeira vez para celebrar seus próprios repertórios, na apresentação que chamaram de De Banda, que também pode ser entendido como o embrião de um grupo. Na segunda terça-feira do mês (dia 14), Kiko Dinucci sobe sozinho com sua guitarra no palco do teatro do Sumaré para mostrar, pela primeira vez, o repertório de seu próximo álbum, previsto para o segundo semestre e batizado de Medusa. Nesta apresentação, que ele chamou de Pré-Medusa, ele mostra as novas canções e o clima elétrico-etéreo do sucessor de Rastilho. A última terça-feira do mês fica a cargo da poeta Heloiza Abdalla, que finalmente materializa no palco seu livro Ana Flor da Água da Terra, lançado há dez anos. Poemas que tornam-se música com a presença de improvisadores como Sandra X (voz e efeitos), Breno Kruse (violão e guitarra), Romulo Alexis (trompete) e Chicão (piano). Os espetáculos começam sempre às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

Geese ♥ Primal Scream

Sexta passada o Geese tocou em Glasgow, na Escócia, e para saudar os locais, puxou a clássica “Movin’ On Up” do Primal Scream no meio de sua “2122”. Olha que beleza…

Assista abaixo:  

Expandindo horizontes

Sesc Pompeia lotado pra ver mais uma das cada vez mais esparsas apresentações da dupla Rakta, uma vez que uma de suas integrantes, a baixista Carla Boregas, está morando do outro lado do Atlântico. Por outro lado, a visita anual que Carla sempre faz ao país sempre rende grandes momentos ao vivo, alguns deles em dupla com seu parceiro Maurício Takara, que foi viver com ela na Alemanha, e o reencontro Rakta é sempre um desses eventos. Desta vez, Carla e sua dupla Paula Rebellato, feiticeira que comanda teclados e eletrônicos, além de hipnotizar a todos com sua voz, convidaram as sagazes Paola Ribeiro e Valentina Facury para o show que fizeram neste sábado, mais uma vez com a bateria a cargo do próprio Takara. E apesar do grupo ter surgido a partir da estética do rock, é muito bom ver como elas conseguem seguir expandindo essa liturgia original – com os pés fincados no pós–punk e no gótico – para outros hemisférios musicais, ampliando inclusive os preceitos básicos do que convencionou-se chamar de “música experimental”. A instantânea formação do sábado criou duplas no palco, quando Paula e Paola fizeram seus timbres próximos se encontrarem em plenos vôos no meio do transe eletroacústico que produziam ao vivo, puxado por outra dupla, formada por Takara e pela baterista e percussionista Valentina, que ampliou áreas de atuação da dupla original com solos de diferentes instrumentos. Segurando tudo estava o baixo kraut de Boregas, criando um solo firme para os devaneios dos cinco ao mesmo tempo em que ela mesma abria sua caixa de Pandora quando descia aos eletrônicos. Mais uma entrega corpórea à música que atinge o público em cheio, mostrando que, mesmo bissexta, a Rakta ainda é uma força importante da música contemporânea de São Paulo.

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Todo o show: Bob Dylan ao vivo no Orpheum Theater, em Omaha, nos EUA (21.3.2026)

Vestido com um moletom da Nike e com a cabeça coberta o show inteiro com o capuz do abrigo: assim Bob Dylan deu início à mais uma perna da turnê que vem fazendo há tempos ao redor de seu excelente Rough And Rowdy Ways, lançado há seis anos. O primeiro show do mestre em 2026 aconteceu no Orpheum Theatre, em Omaha, nos EUA, neste sábado, e além de revisitar ao vivo sua “Man In The Long Black Coat” (o que não fazia há treze anos) e fazer uma versão para “I Can Tell”, de Bo Diddley, ele também tocou pela primeira vez em sua carreira “Nervous Breakdown”, que o pioneiro do rock’n’roll Eddie Cochran gravou em 1958. Felizmente gravaram o show inteiro (apenas em áudio) e podemos desfrutar por aqui.

Ouça abaixo:  

Killers ♥ Arcade Fire

Enquanto o Lollapalooza acontecia em São Paulo, o festival colombiano Estéreo Picnic (que dividia algumas atrações com o evento daqui) provocava o encontro dos Killers com o Arcade Fire quando o vocalista da primeira banda, Brandon Flowers, convidou o líder da segunda (que nem estava escalada no evento) para o palco (depois de tocar uma versão para “The Suburbs”), quando dividiram o hit dos canadenses “Rebellion (Lies)” além da música “When You Were Young”, dos Killers.

Assista abaixo:  

Disco novo da Olivia Rodrigo a caminho…

Olivia Rodrigo vem dando pistas que está às vésperas de lançar seu novo disco. A primeira delas tem inspiração na campanha de Brat da Charli XCX, quando um enorme muro em Los Angeles, nos EUA, foi pintado com o roxo da capa de seus discos e suas iniciais em letras cursiva no meio deste mês, sendo repintado com uma variação cada vez mais branda da cor (ao mesmo tempo que seu site oficial também ia variando de tonalidade) até chegar a um tom de rosa que parece ser a cor do novo álbum, quando a palavra “Love” apareceu escrita também em letra cursiva. O mesmo tom de rosa e a mesma “love” escrita à mão também surgiram em uma página inteira da Vogue inglesa, que trouxe a cantora na capa de sua edição mais recente. Na entrevista que deu à revista, disse que seu próximo disco virá cheio de “tristes canções de amor” e que deve ser seu trabalho mais experimental, dizendo que uma das faixas é um “soft rock viajandão e suave”. Na mesma revista, o líder do Cure, Robert Smith, apareceu falando de sua conexão com a cantora, da qual tornou-se fã desde que ouviu o primeiro single, “Drivers License”, há cinco anos, comprando seus dois discos em CD. No ano passado, Olivia convidou Smith para dividir o palco com ela em sua apresentação no festival inglês de Glastonbury e desde então os dois têm ficado mais próximos, passando “ótimas noites no estúdio”, com Robert revelou na mesma edição. Será que o próximo disco da Olivia Rodrigo terá participação de Robert Smith? Não custa lembrar que ela já fez David Byrne (que chamou para o palco no festival Governors Ball, em Nova York, nos EUA) regravar seu primeiro single no ano passado e que acabou de lançar uma versão para uma música dos Magnetic Fields…

Veja a evolução do muro em Los Angeles:  

On the run #180: 2ManyDJs Abbey Road After Hours (21.2.2026)

Os irmãos belgas David e Stephen Dewaele – mais conhecidos como a dupla Soulwax, que também apresenta-se como 2ManyDJs -, foram convidados pelo próprio estúdio Abbey Road em Londres, na Inglaterra, para realizar uma festa em pleno território sacrossanto do estúdio 1. Os dois aproveitaram a oportunidade para gravar um novo single no clássico estúdio (“Perfect We Are Not”, gravação registrada em um minidocumentário) e registrar seu set como 2ManyDJs em vídeo, quando tocaram depois de discotecagens da Laima, de Nadia Ksaiba e de Erol Alkan. Escuta só…  

Papangu a caminho…

O grupo paraibano de prog-metal Papangu já gravou seu próximo álbum e começa a mostrá-lo aos poucos neste semestre, antes do lançamento pra valer que acontece no início de agosto. E a primeira amostra de Celestial, título do novo disco, é o novo single “Calado (de Olho)”, épico de sete minutos dividido em várias partes, que o grupo antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo. “O disco preserva a experiência ao vivo que tivemos nos últimos dois anos, mas especialmente da nossa primeira turnê internacional, dado que a gravação – ao longo de nove dias – deu-se dois dias após a circulação”, explica o vocalista e tecladista Rodolfo Salgueiro. “Um dos motivos de ‘Calado’ ser primeiro single é o seu teor caleidoscópico”, continua o baixista Marco Mayer. “Ela não somente ilustra o espraiamento sonoro que adotamos no terceiro disco, onde passeamos por diferentes gêneros de uma maneira muito mais holística do que nos discos passados, mas também retrata o nosso espírito ali no calor do estúdio, com a química lá em cima, sangue nos olhos, e tocando tudo ao vivo, na mesma sala, sem medo de errar e perfeitamente conscientes de que gravar na fita analógica não permite corrigir erros facilmente.” O guitarrista e flautista Pedro Francisco conclui: “Ela também abre novos conceitos explorados pela banda, não fazendo parte do ciclo e temática do Lampião Rei, ainda que mantenha elementos musicais que alcançamos ali; a fusão do pesado com a música nordestina também está presente, porém agora com muito mais entrosamento e conexão do que antes, foi 100% analógico, sem ProTools, sem DAW, com equipamentos que podíamos mexer com as mãos, mexer em botões. É um marco na banda. É um caminho com assinatura.” O primeiro grande show do grupo no ano será no festival Lollapalooza neste fim de semana, quando poderão tocar com a formação completa do grupo, um sexteto, que marca também a entrada do novo baterista, George Alexandria. Prometem uma apresentação com várias novidades e os improvisos ao vivo que caracterizam seus shows. Além do lançamento do álbum, eles também preparam a segunda turnê internacional neste semestre, quando tocam no festival inglês ArcTanGent 2026, antes de voltar ao país para lançar o novo disco em turnê por aqui no segundo semestre. “Eu particularmente estou interessado em ver os gringos tentando dançar forró nos shows da próxima turnê europeia, como fizeram em agosto passado”, brinca Marco.

Ouça a íntegra de “Calado (de Olho)” abaixo:  

Antes do segundo disco…

A paulistana Ana Spalter ainda não está preparando seu próximo álbum, sucessor de seu Coisas Vêm e Vão, lançado no ano passado, mas não fica parada e lança mais uma colaboração com o mineiro Lince, a segunda desde “Prevaleça”, que veio no álbum de estreia deste, também de 2025. Agora é a vez da balada “Talvez”, de inspiração em Dorival Caymmi, que ela lança nessa sexta-feira e antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo. Aproveitei para perguntar para ela sobre sua parceria com o músico,, que ela conheceu em um sarau que fez em casa. “Depois fizemos rolês para mostrar composições um pro outro e nos identificamos no jeito de compor e de apreciar música”, explica Ana, que gravou o novo single na mesma sessão em que fizeram a música lançada no ano passado.

Ouça abaixo: