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Pavement ♥ Led Zeppelin


O Pavement voltou a fazer shows este ano ao apresentar-se nesta sexta no festival estadunidense Mosswood Meltdown, em Oakland, na Califórnia, mas pegou todo mundo de surpresa ao tocar uma versão – meio zoeira, meio séria – de “Stairway to Heaven”, do Led Zeppelin. E por mais que Stephen Malkmus nem lembre direito da letra – inventando boa parte dela na caruda -, fez um solo que mostra porque ele é um dos melhores guitarristas do indie dos EUA.

Assista abaixo:  

Mais uma noite pesada!

Um Inferninho caprichado nesta sexta-feira no Redoma, quando a noite começou com a apresentação da banda Boia, voltando ao palco de seu primeiro show (que aconteceu em junho do ano passado) e depois de ter seu primeiro EP lançado. É nítida a evolução do grupo formado por Luli Mello (voz), Murilo Kushi (baixo), Leo Bergamini (violão), Murilo Costa Rosa (guitarra), Tato Quirino (sopros) e João Decco (bateria), que começou há um ano ainda terminando as músicas que estavam rascunhando e colocando-as ao lado de versões de mestres Moacir Santos e Hermeto Pascoal. Mas o crescimento diz menos em relação às composições, mas à presença de palco, química de conjunto e à própria postura em relação ao público. Mirando aquele conjunto de canções para a realização de seu primeiro álbum (que é um dos planos para esse semestre), o grupo só fugiu do próprio repertório ao tocar “Dominó”, do grupo baiano Tangolo Mangos, que marcou a estreia do guitarrista Murilo como vocalista. Coisa fina.

Depois foi a vez do Caruma subir ao palco do Redoma, quando levou sua mistura de jazz mineiro com rock progressivo pela segunda vez num Inferninho Trabalho Sujo, mas pela primeira vez tocando apenas músicas próprias, à exceção de “Come Together” dos Beatles, que tocaram logo de cara, criando uma nova tradição (pois tocaram “Don’t Let Me Down” no outro show que fizeram na festa). Também começando a trabalhar o repertório para seu primeiro disco, o grupo formado por Tom dos Reis (vocais e baixo), Pedro Caldeira (vocais e guitarra), Ma Vettore (flauta), Daniel Gerecht (sax e flauta) e Tommy Coelho (bateria) está cada vez mais afiado e versátil, como quando por exemplo Ma Vettore deixou a flauta para assumir a guitarra e cantar uma música em espanhol. O Caruma está só começando…

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Boia e Caruma @ Redoma (17.7)

Semana que vem tem Inferninho Trabalho Sujo no Redoma, quando reúno duas bandas reincidentes na festa que são da pesada: a banda Boia, que estreou no mesmo palco do Redoma no ano passado e já está começando a pensar em seu primeiro álbum, depois de lançar um ótimo EP homônimo, e o grupo Caruma, que mistura rock progressivo com jazz mineiro com uma sensibilidade e firmeza que só dá pra acreditar vendo. Antes, entre e depois dos shows eu discoteco pra manter o clima da noite e os ingressos já estão à venda.

O terceiro disco do Olivia Tremor Control está vindo!

Está acontecendo! Quase 30 anos depois, o lendário último disco de uma das bandas psicodélicas mais importantes de todos os tempos (embora ainda pouco conhecida), quando The Same Place finalmente será lançado no dia 23 de outubro (já em pré-venda) pelo coletivo que ajudou a erguer, o lendário The Elephant 6 Recording Co. O terceiro disco do Olivia Tremor Control – duplo! 27 músicas! – estava vinha sendo burilado por seus dois principais integrantes – o baixista Bill Doss e o guitarrista Will Hart – desde o lançamento de seu disco mais recente, o soturno Black Foliage: Animation Music Vol. 1, de 1999. O terceiro disco concluiria uma trilogia iniciada com o soberbo e solar Music from the Unrealized Script: Dusk at Cubist Castle, lançado em 1996 (se você nunca ouviu falar desse disco pare tudo que está fazendo e vá ouvi-lo AGORA), mas a morte de Doss em 2012 alvejou o projeto, que já se arrastava por mais de uma década, quase que fatalmente. E a morte de Will Hart doze anos depois parecia encerrar as esperanças de ouvirmos mais um disco do grupo. Mas a notícia da morte de Will foi anunciada com o lançamento de dois singles (“The Same Place” e “Garden Of Light”) e o anúncio de um dos melhores amigos da banda, o cientista do som Robert Schneider (fundador de outra banda crucial do coletivo, o Apples in Stereo), que o tão esperado disco iria sair mesmo com a morte de seus dois principais integrantes. E a partir de anotações de Doss e Hart, Schneider ficou incumbido de fechar o disco, que ainda conta com a presença de outros membros do grupo, Eric Harris, John Fernandes, Peter Erchick, Derek Almstead e AJ Griffin, este último o único novato que só participou da banda quando ela voltou a fazer shows no início da década passada. “Sendo há quase 20 anos, o disco é a conclusão agridoce para uma banda extraordinária e sua obra engenhosa”, disseram ao anunciar o disco. Ouça os dois singles já lançados e veja a ordem das músicas abaixo:  

Clairo chegando junto…

Ao convidar a amiga Clairo para participar de seu quarto álbum, o cantor e compositor norte-americano Ryan Beatty sabia que estava ganhando uma chancela e tanto para seu trabalho – e inevitavelmente poderia contar com a presença dela em algumas apresentações ao vivo. Foi o que aconteceu nesta quinta-feira, quando ela, depois de ter participado do show de pré-lançamento do novo disco da Charli XCX na sexta anterior em Nova York, seguiu como coadjuvante, desta vez no show do amigo, que aconteceu na mesma cidade, no Night Club 101. Ryan chamou a cantora para dividir – e abrir – vocais em suas canções, na faixa-título “Sweet Fortune” e em “Too Many Ways”, duas canções leves e delicadas que ecoam o trabalho da própria Clairo até aqui, mas, ao que parece, destoam completamente do que ela entregará para os seus fãs no ainda misterioso e aguardado quarto disco.

Assista abaixo:  

Mais Mike D!

Eis mais um degrau no primeiro disco solo de um beastie boy, quando nosso chapa Mike D lança o quarto single de sua nova fase, iniciada quase no susto há poucos meses. E com “Crypto”, ele mantém a linha que havia criado em “Switch Up”, “True Colors” e “What We Got”, mantendo a linha do rap desbocado de sua antiga banda, mas com temas mais sérios e bases mais eletrônicas, estas a cargo de seus dois filhos Skyler e David Diamonds, que também atuam como a banda Very Nice Person e, com o pai, tornam-se o grupo Mike D 5D. O primeiro disco chama-se Thank You e sai no final de agosto – e ao que tudo indica, é uma boa estreia que está vindo aí…

Ouça abaixo:  

Catatau chama Odair José para abrir seu cânone romântico

Fernando Catatau mostrou outra faceta de seu trabalho nesta quinta-feira no Bona, quando estreou o show Cancioneiro em que, apenas com seu violão, repassa a parte mais emotiva de seu próprio repertório com novos e velhos clássicos da canção romântica brasileira. O líder do Cidadão Instigado já explora este cânone há tempos, seja em apresentações intimistas e ou de forma épica como fez no espetáculo Pra Falar de Amor, que fez há dois anos com Ava Rocha e Curumin. Nesta nova apresentação, Fernando toca apenas seu violão e, para este primeiro show, chamou um nobre convidado desta tradição cancionista para dividir algumas de suas músicas com ele no palco. E que maravilha poder assistir Fernando Catatau e Odair José no mesmo palco, felizes de estarem juntos mais uma vez e repassando alguns clássicos de Odair – como “Vou Tirar Você Desse Lugar” e “Cadê Você?” – e uma menos conhecida, escolhida por Catatau, “Mundo Feito de Saudade”, além de fazer o convidado despedir-se dividindo sua “Lá Fora Tem”. Além destas, Fernando passou sozinho por hits de sua banda em versão introspectiva (“Perto de Mim”, que só vi tocada ao vivo uma única vez, no lançamento do disco Fortaleza, “Te Encontra Logo”, “O Tempo” e “Como as Luzes”, esta última num bis improvisado a pedido do público) e tocou algumas novas (como “O Velho Sonhador”, que compôs para o filme Centro Ilusão, em que também atuou) e inéditas (como uma que compôs com Manu Julian para o primeiro disco solo da vocalista dos Pelados e outra em que canta “te amo e você nem tchum…”), além de músicas de outros compositores e foi muito bom vê-lo enfileirando músicas de autores tão distintos que falam em “abro o celular no gravador, finjo que é você a me ligar e que tu voltou pra me dizer que estava afim de conversa” (do conterrâneo Mateus Fazeno Rock, em “Rec.ordações”), “já faz tanto tempo que eu não sou o que na verdade eu nem cheguei a ser” (da mítica Kátia, em “Lembranças”), “não é nada disso, embora eu não saiba dizer mais nada” (Jards gigantesco em “Sem Essa”) e se acaso de madrugada chegar algum ‘volta para mim’, hackearam-me” (Marília Mendonça cada vez maior). E numa noite de pura emoção, o momento mais atravessador foi sua leitura da pesadíssima “O Divã”, do pai de todos deste cânone sagrado, Roberto Carlos.

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Todo o show: Napalm Death no Tiny Desk

O programa Tiny Desk da NPR norte-ameriicana se superou mais uma vez, desta vez convocando o Napalm Death, uma das principais bandas de grindcore da história, para fazer uma apresentação em seu pequeno escritório. O resultado foi uma série de oito pedradas absurdas, inclusive o tiro fatal de “You Suffer”, que já entrou para o livro dos recordes como “a menor música do mundo” (pois tem menos de dois segundos) e, por conseguinte, é a menor música da história do próprio Tiny Desk. Mas será que o Tiny Desk brasileiro teria a manha de dar um salto desse? Imagina se chamassem o Test com o Deaf Kids juntos, por exemplo… Sonhar não custa nada.

Assista à integra da apresentação abaixo:  

Robyn ♥ Erasure

Ainda na divulgação do bom Sexistential que lançou no começo do ano, Robyn passou pela Inglaterra e deu aquele pulinho estratégico na rádio BBC 2 e, além de cantar músicas do novo disco (“Dopamine”, “Sucker For Love” e “Talk To Me”), ainda puxou uma versão para a balada “Always” que o Erasure lançou em 1994.

Assista a todas as músicas abaixo:  

“Eu não tenho previsão…”

Há tempos sem fazer show de seu segundo disco Delta Estácio Blues (o bom e velho DEB para os íntimos), Juçara Marçal voltou ao assunto nesta quarta-feira no Porão da Casa de Francisca, mas não foi só uma mera despedida de álbum, como veríamos no decorrer da noite. Unindo-se mais uma vez com seus comparsas Kiko Dinucci, Marcelo Cabral e Alana Ananias (como sempre todos entre seus instrumentos – respectivamente guitarra, baixo e bateria – e synths posicionados logo a frente de cada um deles, inclusive de Juçara), ela montou o palco de forma circular, todos os músicos olhando entre si e a bateria de Alana de costas para o público e abriu novas frentes para o álbum, não apenas corroendo ainda mais os arranjos originais (Kiko tocando sua guita com arco em várias músicas, por exemplo) como trazendo algumas novidades. A principal delas foi a inclusão de músicas novas – sim, no plural -, consolidando inclusive verbalmente algo que já vinha sendo cogitado há tempos, que seria uma continuação do primeiro disco (naturalmente referido como DEB 2) só que partindo desta formação musical, que foi montada originalmente após a concepção do DEB original, composto e gravado apenas por Juçara e Kiko usando pedaços de música em vez de instrumentistas (a base deste disco é uma imensa colagem sonora, repare). E a primeira inédita que veio a público foi uma pedrada composta em parceria com Sophia Chablau (que estava sorrindo feliz no canto do Porão) chamada “Quando a Guerra Vai Ter Fim”, com riff ecoando “Brianstorm” dos Arctic Monkeys (com uma pitada de Gang of Four), mas que mantém a tensão original do riff embalando o público sem dar trégua, conduzido pelo vocal implacável da dona da noite. Mais tarde ela tocou outra inédita (também parceria com Sophia, embora não tenha mencionado) e deixou todos eletrizados à espera do que já é um dos discos mais esperados do ano – se é que sai em 2026… Afinal ela já canta na música nova: “Não venha me perguntar…”

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