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Preciso e direto

Finalmente consegui assistir ao Don L tocando ao vivo seu Caro Vapor II – Qual a Forma de Pagamento?, um dos melhores discos do ano passado, quando o rapper cearense encheu a casa no Sesc 14 Bis. Sempre acompanhado de seus comparsas de palco mais próximos, vínculo que estabeleceu nos discos anteriores, ele mais uma vez contou com o DJ Roger, o rapper Terra Preta e a cantora Alt.Niss para entregar um show preciso e direto. Com foco quase total nas músicas do disco mais recente (com faixas do primeiro Caro Vapor e do segundo volume de Roteiro pra Aïnouz), a apresentação ainda contou com um telão com imagens que variavam de telas de celulares, vídeos caseiros, ilustrações e galerias de fotos, que funcionou como introdução para a noite. Com o público na mão, ele não teve dificuldade em fazer todo mundo cantar junto, inclusive fazendo todos levantarem das cadeiras do teatro e assistirem a toda apresentação de pé.

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Todo o show: Cameron Winter no Carnegie Hall (11.12.2025)

Depois de anunciado o lançamento em disco do show que o vocalista do Geese, Cameron Winter, fez no ano passado no Carnegie Hall de Nova York, e o subsequente lançamento do filme feito por Paul Thomas Anderson na mesma apresentação, agora é a vez de termos datas para o lançamento no filme – tanto nos cinemas quanto no streaming. Antes das já anunciadas sessões itinerantes que o filme fará pelos EUA e pelo Canadá, Live At Carnegie Hall estreia na 64ª edição do Festival de Cinema de Nova York (que começa no dia 25 deste mês e vai até outubro) e na na 70ª edição do Festival de Cinema de Londres feito pelo British Film Institute (que acontece entre os dias 7 e 18 de outubro). Não custa lembrar que a 50ª edição da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo acontece logo depois, entre os dias 15 e 29 de outubro – será que corre o risco de vir pra cá? E o serviço de streaming Mubi confirmou que terá o filme em seu acervo digital, mas só a partir de 2027. Enquanto ele não chega entre nós, segue abaixo a gravação do áudio desse show, bem parecido com o que ele fez em São Paulo quando passou pelo C6 Fest no primeiro semestre deste ano.

Ouça abaixo:  

Imagine os Yardbirds tocando Velvet Underground…

Agora pare de imaginar porque isso realmente aconteceu. As imagens do vídeo abaixo são de uma apresentação que o grupo fez na França em 1966, embora o som seja de um pirata de 1968 gravado em Los Angeles, que traz Keith Relf nos vocais e gaita, Jimmy Page no baixo, Chris Dreja na guitarra-base e Jim McCarty na bateria e vocais de apoio logo após a saída de Jeff Beck da banda. Page se orgulhava de ter sido um dos primeiros artistas – senão o primeiro – a regravar uma música de Lou Reed, de quem tornou-se amigo décadas mais tarde.

Ouça abaixo:  

Ava coletiva

Ava Patrya Yndia Yracema é um dos discos brasileiros mais importantes da década passada não apenas por revelar sua autora, Ava Rocha, como uma supernova de criatividade intensa, mas por reunir, ao seu redor, a cena que orbitava ao redor da primeira encarnação da casa de shows Audio Rebel e que, a partir deste disco, começou a explodir, por isso o show de aniversário que fez neste sábado frio e chuvoso na Casa Rockambole foi uma celebração coletiva. Ava estava à frente da mesma banda que tocou no disco – Marcelo Callado na bateria, Marcos Campello e Eduardo Manso nas guitarras (o último também tocando synth), Felipe Zenicola no baixo e participações do baixista Pedro Dantas e do percussionista e baterista Thomas Harres – e convidou um grandessíssimo elenco para a festa que anulou o tempo feio do lado de fora, transformando a noite numa extensa ebulição criativa (mais de duas horas de show!), tocando o disco com uma constelação absurda de astros: do produtor Jonas Sá ao eterno companheiro Negro Léo, passando por Iara Rennó, Assucena Assumpção, Brisa Flow e Ana Frango Elétrico, esta última caçula daquela geração que entrou para acompanhá-la numa versão “London Calling” para “Hermética” e emendaram a parceria que fizeram juntas anos depois daquele disco, “Mulher Homem Bicho”. Mas mais do que músicos e convidados, a força da noite era Ava, esse vulcão humano que domina o palco e transforma qualquer gesto em performance, dando vida a qualquer objeto (uma taça de vinho, um lenço ou sua clássica máscara de facas), transcendendo a racionalidade enquanto faz o público levitar apenas com sua voz (não por acaso terminou o show puxando o clássico suspiro de Zé Celso). Além do repertório do disco, ela também passou por “Canoa Canoa” de Milton Nascimento (que estava no repertório do show original, dez anos atrás) e encerrou a noite puxando todos os convidados – e alguns da plateia, como Juliana Perdigão, Dinho Almeida e Luiza Lian – para o bis, que começou com “Beijando Todos Vocês” (de seu último disco, Néctar), passou por uma das recém-lançadas parcerias com os Boogarins (“Memórias”) e encerrando com o hit “Você Não Vai Passar”, quando dividiu os vocais com Luiza Lian. Que noite!

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Steve Lacy ♥ Pinkpantheress

Steve Lacy acabou de lançar um dos melhores discos deste ano e agora tá aí tirando foto com a Pinkpantheress, autora de um dos melhores discos do ano passado… O que eles estarão aprontando juntos? E tá na hora de música nova dela, né?

George Michael nos cinemas

A importância de George Michael para a história da música pop ainda há de ser medida e talvez isso esteja começando a acontecer agora, especificamente com o lançamento do filme-show George Michael: The Faith Tour, será lançado no início de novembro nos cinemas (inclusive brasileiros, quando estreia dia 5). Com gravações inéditas feitas em 35mm do show que fez em 1988 no Palais Omnisports de Paris-Bercy na capital francesa, a apresentação marca o momento em que George Michael assume sua carreira solo depois de sair do duo pop juvenil Wham! após transformar sua monumental “Careless Whispers” num hit global. O próximo passo foi o lançamento de Faith, seu primeiro disco solo, que dá o recado apenas em seu lado A, ao enfileirar o blues bodiddleyano da faixa-título, a imensa “Father Figure”, a irresistível “I Want Your Sex” e o soul pesado de “One More Try”, material o suficiente para tornar o disco eterno (e ainda conta com “Hard Day”, “Monkey” e “Kissing a Fool”, no lado B). O filme-concerto é a materialização deste momento fonográfico no palco e ainda conta com o curta documentário Finding Faith, que Mary McCartney (filha do Paul e amiga e fã de George Michael) fez a partir de gravações feitas entre 1986 e 1988. O áudio do show também será lançado como um disco ao vivo.

Assista ao trailer abaixo:  

Mike D volta aos clássicos

O primeiro disco solo do Mike D é ótimo e ele tem muito a se aprofundar musicalmente nessa seara que que começou a burilar agora – especialmente na relação com os filhos, ponto de equilíbrio estético que ele não tinha desde que os Beastie Boys se desfizeram após a morte de MCA. Mas é tão bom vê-lo cantando seus próprios clássicos, como quando tocou no estacionamento do The Sound Garden, em Baltimore, nos EUA, na quarta passada. Olha essa vibe…

Assista abaixo:  

Boogarins ♥ Ava Rocha

Eis os Boogarins com o segundo volume de seu Diferenciado, série de gravações que eles têm soltado fora das plataformas de streaming pra deixar os fãs menos à deriva do algoritmo enquanto experimentam músicas com velhos comparsas. E se o primeiro volume trazia participações de Abdala, Edgar e Alyssa Lérie, neste novo a conexão é diretamente com Ava Rocha, que viaja junto com os goianos em cinco canções de cair o queixo. Pra ouvir essas músicas é preciso assinar a newsletter do grupo (no infame e grudento endereço boogarins.top/diferenciado), única exigência que fazem para você ouvi-los neste modo experimental quando quiser – mas bem que podia ter uma opção de download…

Olha a Anelis chegando aí… forte!

O quinto disco de Anelis Assumpção está vindo aí em… novembro! O álbum já está gravado e vai ser mostrado em uma audição que acontece neste sábado, no Porto Musical, que está acontecendo no Recife neste fim de semana, na rua, no célebre palco móvel do mestre Rogê em seu Som na Rural. Ela explica numa publicação online que o novo álbum é “talvez o mais próximo de algo que venho procurando. Não um gênero, mas sim um estado que não me parecia palpável. O tempo”. E segue explicando o novo álbum a partir de sua conexão com a música jamaicana: “Há mais de vinte anos caminho pelo reggae como quem percorre uma floresta. E desde antes, de onde na radiola de casa saia o som que me fazia dançar numa ilha imaginária, perseguir esse som me colocou no mundo. Nunca me interessou habitá-lo como estilo. Interessa-me sua filosofia do pulso. Seu tempo expandido. Sua maneira de deslocar o centro da música para o centro do corpo. Sua memória atlântica. Sua tecnologia espiritual e diaspórica. Neste disco, essa pesquisa continua e até mais corajosa, mas encontra outras matérias: as ruas da canção brasileira, cordas, silêncio e sonho. Tudo se mistura num enxame envolta do favo. Porque já não me interessa permanecer a mesma. Nem como mulher, nem como compositora, nem como cantora.” E se ela tá falando nesse tom, é porque o papo é seríssimo! Só vem, Anelis!

Hayley Williams ♥ Portishead

Hayley Williams deu início à sua turnê The Hayley Williams Show (que passa pelo Brasil em novembro) nesta quinta-feira, quando pinçou algumas novidades (como as estreias no palco de “Just a Lover” e “Cinnamon”), entre elas uma citação à “Wandering Star” do Portishead que aos poucos se metamorfoseou em sua “Simmer”. A mina não tá pra brincadeira…

Assista abaixo: