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Sophia Chablau: Guerra

A primeira temporada de 2026 no Centro da Terra não poderia ser mais certeira, afinal Sophia Chablau, que vai tomar conta de todas as (cinco!) segundas-feiras deste mês de março no teatro, batizou sua residência no teatro com o título de Guerra no exato momento em que o mundo parece colapsar em mais um conflito bélico mundial. “Palavra temida que escancara o conflito, repetida na canção, metonímia ou metáfora de conflitos externos a nós, conflitos internos ou conflitos românticos”, explica a cantora paulistana. “Em último caso a vida sendo uma guerra contra a morte, o monumento fazendo guerra ao tempo, a canção fazendo guerra a desordem do universo. As grandes guerras, as pequenas guerras, as guerras. – Pra variar estamos em guerra. Não é um eixo temático, é uma provocação, é um anúncio – é preciso declarar guerra.” E para essa declaração ela reúne sessões que prometem ser históricas. A primeira acontece nesta primeira segunda (dia 2) quando recebe sua banda Enorme Perda de Tempo para mostrar novidades que eles vêm trabalhando. Nas segundas seguintes ela mantém o baterista Theo Ceccato e chama o baixista Marcelo Cabral para acompanhá-la na guitarra quando recebe duplas de peso. Na segunda (dia 9), ela chama Kiko Dinucci e Jonnata Doll. Na outra (dia 16) é a vez de receber Dora Morelenbaum e Juçara Marçal. Na quarta segunda do mês (dia 23) ela convida o casal Ava Rocha e Negro Leo e encerra sua temporada de ouro na última segunda do mês (dia 30) com as presenças de Vítor Araújo e Zé Ibarra. Os espetáculos começam pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda pelo site do Centro da Terra – mas corre que eles estão acabando!

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Viva o cinema brasileiro!

Idealizado pelo compositor e produtor de trilhas sonoras Anselmo Mancini, o espetáculo Cine Concerto, em que o maestro convida músicos para fazer a trilha sonora ao vivo em sessões de cinema, teve noites de gala neste fim de semana no Sesc 14 Bis, quando recebeu Antonio Pinto e Ed Côrtes, compositores da trilha sonora do filme brasileiro Cidade de Deus, para conduzir um conjunto de 13 músicos (incluindo o próprio Anselmo nos teclados) que recriavam a trilha composta por eles para o clássico moderno de Fernando Meirelles e Kátia Lund. Extraindo apenas a música do filme original – que manteve diálogos e efeitos sonoros durante a sessão -, a execução ao vivo das canções criou uma profundidade extra para o filme e felizmente os vocais originais das canções – um espectro amplo que vai de Tim Maia e Cartola a “Kung Fu Fighting” e “Metamorfose Ambulante” – foram preservados em vez de reinterpretados por outros vocalistas (o que criou questões técnicas durante o filme, pois às vezes o vocal vinha duplicado). Mas só o fato de podermos ver a trilha ao vivo recriada por seus autores – Antonio Pinto o tempo todo no baixo elétrico e Ed Côrtes no saxofone – já valeu a noite, que, no domingo, além de contar com a saudação final ao cinema brasileiro, ainda contou com a presença ilustre do autor do livro que inspirou o filme, Paulo Lins, que foi reverenciado por Antonio Pinto ao final da apresentação. Viva!

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Todo o show: Michael Shannon e Jason Narducy tocam Lifes Rich Pageant do R.E.M. com Bill Berry e Peter Buck @ Watt Club (27.2.2026)

Aconteceu de novo! Um ano após os quatro integrantes do R.E.M. terem se reunido no palco num show em sua cidade-natal, em Athens, nos EUA, dois remanescente de uma das maiores bandas da história do indie rock voltaram a dar as caras tocando velhas canções do grupo. Mais uma vez a dupla Michael Shannon e Jason Narducy conseguem reconectar as raízes do R.E.M. e nessa sexta-feira, Bill Berry assumiu a bateria em “Underneath the Bunker” e Peter Buck pegou sua guitarra em quatro faixas, “So. Central Rain”, “Sitting Still”, “Radio Free Europe” e “Star 69”, na pequena casa de shows 40 Watt Club. O evento, que está se tornando tradição, é a passagem da dupla Shannon e Narducy, que há três anos celebram o legado do R.E.M. recriando discos clássicos do grupo em ordem cronológica em turnês nostálgicas que atravessam seu país. Shannon, eterno ator coadjuvante em produções de Hollywood, e Narducy, indie veterano fundador do clássico Verboten, com passagens pelo Superchunk, pela banda de Bob Mould e pela nova encarnação do Sunny Day Real Estate, começaram as homenagens em 2023, repassando o primeiro disco do grupo, Murmur, na íntegra, que tornou-se uma turnê pelos EUA no ano seguinte. No ano passado, a dupla visitou o terceiro grupo do R.E.M., Fables of the Reconstruction, e na passagem pela cidade-natal do grupo, há um ano, conseguiram reunir os quatro ex-integrantes do grupo no palco para cantar “Pretty Persuasion”. Foi a segunda vez em 17 anos que os quatro se reuniram no palco – a primeira havia em 2024, quando tocaram “Losing My Religion” quando foram indicados ao Songwriter’s Hall of Fame. A atual turnê da dupla celebra o quarto disco do grupo, Lifes Rich Pageant, e a dupla vem acompanhada de outros nomes conhecidos, como o ex-baterista do Superchunk Jon Wurster e o baixista do Wilco John Stirratt, além do guitarrista Dag Juhlin e do tecladista Vijay Tellis-Nayak. E desde que os dois começaram a fazer essas homenagens, os ex-integrantes do R.E.M. estão cada vez mais animados em falar sobre o velho grupo ou fazer aparições mais constantes em público. Daqui ficamos apenas na torcida que essa vontade fale mais alto e eles topem voltar aos palcos para uma última e histórica turnê. Imagina…

Assista à íntegra do show da sexta passada abaixo:  

On the run #178: Fred again.. x Thomas Bangalter @ Alexandra Palace (27.20.2026)

O prodígio Fred Again conseguiu tirar o Daft Punk de casa… de novo! Depois de tocar ao lado de Thomas Bangalter em outubro do ano passado quando discotecou ao lado do mestre com outros dois de seus ídolos, Busy P e Erol Alkan no Pompidou Centre, em Paris, ele conseguiu que o francês cruzasse o Canal da Mancha para ser seu dupla na noite de sexta-feira, quando encerrou a residência USB002 que fez em fevereiro no Alexandra Palace londrino, quando chamou nomes como Underworld, Mike Skinner, Ezra Collective, entre outros para dividir as noites com ele. Quem compareceu à noite histórica de sexta derreteu ao som de quatro horas e vinte minutos de set que renderam muitos vídeos com as músicas do Daft Punk que eles tocaram, mas que algum herói registrou na íntegra, como dá pra ouvir abaixo:  

30 anos da obra-prima do Pato Fu

O Pato Fu é uma das bandas indie mais importantes do Brasil. Apesar de ter passado boa parte de sua discografia clássica lançando discos por gravadoras multinacionais, o grupo mineiro sempre exerceu sua independência artística e estética em vez de simplesmente ceder a pressões comerciais ou tendências de mercado, como reza o credo de artistas que trabalham com a maioria dessas empresas. Isso está ligado ao modus operandi do grupo (que ainda reside em Belo Horizonte e faz projetos paralelos à vontade), da fundação básica de sua natureza criativa no casal Fernanda Takai e John Ulhoa e a uma certa estranheza que os tornam distantes da possibilidade de abraçar o pop escancarado de artistas como Kid Abelha, Lulu Santos ou Skank. Essa estranheza era aguda em seu disco de estreia (o inominável Rotomusic de Liquidificapum, de 1992, lançado pela gravadora mineira de música pesada Cogumelo), mas alcançou o equilíbrio perfeito no segundo álbum, Gol de Quem?, lançado em 1995 dentro de um selo indie (o Plug) de uma gravadora major (a BMG). Este álbum foi reverenciado pelo grupo em três shows nesta semana no Sesc 14 Bis, quando o grupo tocou sua obra-prima quase na íntegra (tirando, não me pergunte porquê, joias como “Sertões”, “Onofle”, “A Volta do Boêmio”,”Ok! Alright!” e “Ob-La-Di Ob-La-Da”) e ainda emendou um segundo set com vários hits de outras épocas, aproveitando a turnê de comemoração dos 30 anos da banda que fizeram há pouco, passando por “Perdendo Dentes”, “Imperfeito”, “Made in Japan”, “Canção Pra Você Viver Mais”, “Antes Que Seja Tarde”, “Hoji”, “Água” e “Eu”, entre outras. O carisma inabalável do grupo conversava lindamente com as projeções do telão e sua performance no palco, mas o humor mineiro chegou ao extremo quando Fernanda trouxe pães de queijo para distribuir para o público. Inacreditável – e a cara deles!

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Plebe Rude com Jander Ribeiro!

E o reencontro do Plebe Rude com um de seus fundadores, Jander Ribeiro – conhecido pelos fãs como Jander Bilaphra -, que aconteceu nesta sexta-feira no Circo Voador? Segundo vocal marcante da banda brasiliense, Jander deixou o grupo em 2004 e foi substituído pelo pioneiro do punk paulistano Clemente Nascimento, numa formação que manteve-se praticamente intacta desde então, com os outros dois fundadores da banda – o guitarrista e principal vocalista Philipe Seabra e o baixista André X -, com troca apenas de baterista uma vez, quando o ex-Maskavo Roots Rodrigo Txotxa deixou o grupo para a entrada de Marcelo Capucci. O público foi pego de surpresa quando foi ao Circo Voador, no Rio de Janeiro, ver a atual formação da banda tocar seu disco de estreia O Concreto Já Rachou?, que está completando 40 anos, e de repente Jander sobe no palco para dividir os vocais da emblemática “Johnny Vai à Guerra (Outra Vez)”, num momento histórico do rock brasiliense. E seu vocal segue intacto – vale apenas ver também os outros vídeos do show abaixo:  

Quinta quente

Mesmo com a chuva chata que caiu no fim desta quinta-feira, o Porão da Casa de Francisca estava cheio para assistir aos dois shows que reuni em mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo ali. A noite começou com Valentim Frateschi mostrando as faixas de Estreito, seu disco de estreia, muito bem acompanhado por uma bandaça formada por Nina Maia nas teclas e vocais, Amanda Camargo na guitarra e teclados, Quico Dramma na bateria e Thiago Pucci no baixo, enquanto o dono do show, tradicionalmente baixista, assumia guitarra e vocais, sempre transformando suas canções em groovezeiras que não deixavam ninguém parado. A novidade da noite foi quando ele chamou Francisca Barreto para acompanhá-lo nos vocais da única versão da noite, quando dividiram a mágica “Grilos” de Erasmo Carlos. Bom demais!

Depois foi a vez de Francisca Barreto se soltar no Porão da Casa de Francisca. Seguindo com a mesma banda que a vem acompanhando – formada por Bianca Godói na bateria, Valentim Frateschi no baixo, Victor Kroner na guitarra, Thales Hash na viola e Melifona no trompete -, ela tocou seu violoncelo em menos canções, deixando soltar-se como cantora num repertório em que a maioria das canções eram de sua autoria, inclusive mostrando músicas novas, como a que fez para sua irmã gêmea. Das canções alheias, ela manteve sua já clássica versão para “Teardrop” do Massive Attack, “Habana” de Yaniel Matos (seu primeiro single solo) e “Gosto Meio Doce” de Felipe Távora, que dividiu com sua amiga Nina Maia, que subiu como convidada surpresa da noite. Foi demais!

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Olha o Gnarls Barkley aí de novo!

18 anos depois de lançar seu segundo álbum, a dupla Gnarls Barkley, formada pelo produtor Danger Mouse e pelo vocalista Cee-lo Green, volta a dar notícias ao anunciar seu terceiro e último álbum para daqui uma semana, quando revelam a íntegra de Atlanta, que compuseram para encerrar a carreira iniciada 20 anos atrás, quando tomaram conta do inconsciente coletivo com a irresistível “Crazy”. “Pictures”, o primeiro single que eles revelaram nesta quinta-feira, traz uma melancolia característica da soul music do duo, aguçada pela sensação de encerramento que o álbum parece carregar (dá uma sacada no nome das músicas). Ouça o novo single, veja a capa do disco e o nome das músicas abaixo: