Por Alexandre Matias - Jornalismo arte desde 1995.

Desaniversário | 22.6.2024

Temos duas razões para celebrar neste sábado: a primeira é mais uma edição da nossa querida festa Desaniversário, que reúne música boa e alto astral na pista do Bubu, que fica ali na marquise do estádiuo do Pacaembu. A segunda é que nessa edição comemoramos um ano da nossa festa para adultos, que começa cedo e termina cedo pra dar tempo de todo mundo aproveitar o domingo como quiser. Eu, Clarice, Camila e Claudinho reunimos hits que você lembrava que gostava de cantar com um povo que não sai da pista de dança de jeito nenhum! O Bubu fica na Praça Charles Miller s/n° (no estádio do Pacaembu) e a festa começa a partir das sete da noite – e termina meia-noite. Vem dançar com a gente!

Marcos Valle e Leon Ware: Uma amizade musical

“Pra ser honesto, foi amor à primeira vista, como parceiro, músico e amigo”, lembra o octegenário Marcos Valle de seu encontro com o músico e produtor norte-americano Leon Ware, que faleceu em 2017. “Imediatamente, eu e Leon sabíamos que tínhamos que escrever algo juntos – era muito natural.” Às vésperas de lançar mais um disco solo, este batizado de Túnel Acústico, Valle pinça uma faixa composta ao lado do saudoso parceiro quando se conheceram, no final dos anos 70, e que ainda seguie inédita até hoje para lançar no início do próximo semestre. A demo de “Feels So Good”, que nunca foi lançada, foi encontrada em uma prateleira na casa de Marcos Valle quando seu autor entregou ao amigo e produtor Daniel Maunick para refazê-la. Tirou o vocal cantarolado que ocupava a segunda parte, cuja letra foi escrita e cantada por Valle neste ano, acrescentou vocais (a cargo de Paula Alvi), percussão (dele mesmo e Ian Moreira), deixando os vocais de Ware e os teclados de Valle gravados num estúdio em Los Angeles em 1979, quando o brasileiro ainda morava nos EUA. A deliciosa “Feels So Good” foi mostrada nessa sexta-feira pela gravadora inglesa Far Out, que lançará o single em uma versão limitada de 500 discos de vinil (já à venda), tornando-se a quarta faixa composta e tocada pela dupla – e juntando-se a “Rockin’ You Eternally” e “Baby Don’t Stop Me” (esta com Laudir De Oliveira do grupo Chicago) lançadas no disco de Ware de 1981 e a faixa-título do disco Estrelar, que Marcos Valle lançou em 1983. “Foi uma deliciosa parceria que eu prezo muito, muito”, continua Valle, ao falar sobre a nova música, “sinto muita falta dele e estou muito feliz que temos essa nova música juntos.

Ouça abaixo:  

Lá vem o Thurston Moore…

O sumo-sacerdote do noise Thurston Moore veio lançando singles desde o início do ano e agora acaba de formalizá-los no lançamento de mais um álbum, o nono lançado com seu nome e sexto desde o fim de sua banda, o fundamental Sonic Youth. Flow Critical Lucidity reúne as três músicas que lançou desde o ano passado — “Isadora” (cujo clipe foi dirigido pela Sky Ferreira) “Hypnogram” e “Rewilding” – a outras cinco faixas, uma delas lançada nesta quinta-feira. Enquanto as três primeiras carregam sua assinatura musical clássica, misturando o vocal quase falado a melodias dissonantes sobre ritmos marcados, a nova, composta em parceria com Lætitia Sadier, do Sterolab, conduz a musicalidade para outro hemisfério: hipnótico, repetitivo e delicado, com os vocais de Thurston superpondo aos de Laetitia – e dando ao disco, que já está em pré-venda e será lançado no dia 20 de setembro, uma nova coloração. Veja a capa, o nome das músicas e ouça a faixa na íntegra abaixo:  

Luiza Lian na Europa

E a Luiza Lian que acaba de anunciar a primeira turnê pela Europa que começa na semana que vem? São sete datas em cinco países, sendo que em duas delas faz participação no show do Bixiga 70 em Paris. Ela começa por Nantes, na França (dia 27), depois passa por Londres (30), tem as duas datas em Paris com o Bixiga (8 e 9 de julho), depois em Barcelona (10) e Madri (11) para depois voltar em agosto, quando passa por Berlim (18) e finalmente Lisboa (31). E não duvide se outras datas pintarem…

Fábio Massari faz 60 anos e quem ganha o presente é você: Acid Mothers Temple, Patife Band e Devotos na mesma noite!

Tá de parabéns nosso compadre Fábio Massari! Ele não só completa este anos seis décadas dedicadas aos bons sons, como faz isso em grande estilo, celebrando seu aniversário de 60 anos com o primeiro Massarifest – festival de um dia, com apenas três bandas (pra que mais?), reunindo nada mais nada menos que os reis do noise japonês Acid Mothers Temple, os pais do math rock Patife Band e a banda pioneira do punk rock no nordeste Devotos em uma apresentação que já nasce histórica. Os três shows acontecem na sexta-feira, dia 20 de setembro (o exato dia do aniversário do reverendo), no Fabrique e os ingressos já estão à venda! Vai ser pesado! E tomara que não seja o único – imagina um desses por ano? Afinal, jornalismo musical também se faz como curadoria, bem sabemos.

Chrystian (1956-2024)

Morreu nesta quarta-feira José Pereira da Silva Neto, mais conhecido como Chrystian, da dupla sertaneja Chyrstian & Ralf. Mais velho que o irmão que fazia a segunda voz, ele começou na carreira musical antes de abraçar o sertanejo, mas já com o pseudônimo americanizado, que adotou quando lançou-se como cantor que cantava em inglês nos anos 70 (quando isso era bem comum no país). Montou a dupla que o consagrou com o irmão Ralf Richardson da Silva, cinco anos mais novo, em 1982 e aos poucos foi trilhando a carreira que o tornou um dos principais nomes do gênero. Ao lado de Ralf, vendeu mais de 15 milhões de discos e emplacou músicas que estão no imaginário brasileiro até hoje, entre elas a imortal “Chora Peito”. A dupla foi pioneira na gravação de CDs no Brasil e no início do século propôs uma solução para a pirataria de CDs quando lançou o formato SMD (Semi Metalic Disc), que seria mais difícil de ser copiado, mas que não colou.Separou-se do irmão no início do século, mas logo voltaram a tocar juntos, até 2021, quando lançou-se em carreira solo. Apesar de divergências (entre elas políticas, Chrystian era bolsonarista, Ralf não), a separação aconteceu sem brigas e Chrystian cogitava voltar a trabalhar com o irmão num futuro próximo, mas somente após 2026, quando encerrava o contrato que havia assinado nesta nova fase. A morte de Chrystian segue a nefasta maldição que paira sobre os sertanejos, vitimando sempre o primeiro nome da dupla. Sua causa da morte não foi revelada pela família, mas ele já vinha passando por problemas de saúde, recentemente.

O alvorecer de Desirée Marantes

Quando chamei a Desirée Marantes pra dividir uma temporada com a Sue no ano passado no Centro da Terra, ela me contou que estava finalmente começando o primeiro trabalho com seu próprio nome. Depois de lançar discos com bandas, produzindo outros artistas e com seu projeto solo Harmônicos do Universo, ela estava certa de que era hora de deixar seu próprio nome repercutir. “É louco né, tu acharia que alguém que tem o nome Desirée Marantes já meio que tem pronto o nome artístico e deveria ser uma conclusão lógica, mas foi um processo de muitos anos fazendo parte de bandas, trabalhando com outros artistas, sempre priorizei muito a criação e projetos coletivos, tive selo de música, banquei lançamentos de outros artistas e em 2019 começou a surgir essa vontade de assinar com meu nome, de sair um pouco dos fundos do palco para a frente”, me explica a musicista, compositora e produtora gaúcha, que já emenda a explicação sobre porque ter demorado tanto. “Acho que minha analista poderia falar melhor sobre isso, mas devo confessar que eu me sinto um pouco tipo integrante de banda famosa que sai em carreira solo, porém eu nunca fiz parte de nenhuma banda famosa então é só isso mesmo”, ri. Prestes a lançar o primeiro projeto com o próprio nome, o EP Breve Compilado de Músicas para _______, no início de agosto, ela antecipa o primeiro single, que sai nesta quinta-feira, em primeira mão para o Trabalho Sujo. “Quando Magma vira Lava” é uma faixa composta ao lado da dupla Carabobina a partir da observação da erupção de um vulcão.

Ouça abaixo:  

James Chance (1953-2024)

Triste saber da morte de James Chance nesta terça-feira. Um dos grandes nomes da cena nova-iorquina do final dos anos 70, ele primeiro fez parte do grupo Teenage Jesus and the Jerks, que projetou a carreira de sua então companheira, a madre superiora do pós-punk norte-americano Lydia Lunch, como depois de terminar o relacionamento por diferenças artísticas (ele queria um som mais expansivo e solar, ela mais introspectivo e noturno), lançou sua própria banda liderando o James Chance and the Contortions. Figura central na cena no wave, começou tocando versões de Velvet Underground e Stooges numa banda chamnada Death em Michigan, quando mudou-se para Nova York abraçando, ao mesmo tempo, duas vertentes musicais distintas da cidade – o free jazz e o punk. Com seus Contortions (que ganharam esse nome pois o crítico Robert Christgau disse que ele não tocava, mas “se contorcia”), alternava suas performances entre os vocais berrados e o sax estridente, quase sempre saindo na porrada com o próprio público. A banda foi escolhida para participar da primeira edição da coletânea No New York, produzida por Brian Eno (ao lado dos próprios Teenage Jesus and the Jerks, Mars e da primeira banda de Arto Lindsay, DNA) e seu primeiro álbum, Buy, é um dos principais registros daquela cena, inspirou artistas como Sonic Youth, Birthday Party, Swans, Konk, Big Black, Jon Spencer Blues Explosions, Liars, LCD Soundsystem, Black Midi, entre outros, além de seguir atualíssimo até hoje.

Começando bem

Bem bonita a apresentação que Paulo Ohana fez nesta terça-feira no Centro da Terra, antecipando o disco Língua na Orelha, que será lançado no fim deste mês ao tocar pela primeira vez com a banda com a qual gravou o disco: Bianca Godoi (bateria), Ivan “Boi” Gomes (baixo) e Ivan Santarém (guitarra), infelizmente desfalcada do saxofonista e flautista Fernando Sagawa, que não pode comparecer. Além de músicas do seu disco anterior – O Que Aprendi com os Homens -, ele mostrou a íntegra do disco ainda inédito e contou com a participação do cantor e compósitor Gabriel Milliet, que participou da apresentação pilotando um sintetizador e, primeiro só os dois e depois com a banda, passaram por “Grande Hotel São João”, do próprio Milliet, e pela bela “Ojos de Video Tape”, do excelente Clics Modernos do argentino Charly Garcia.

Assista a um trecho aqui.

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Paulo Ohana: O Que Aprendi com a Língua dos Homens na Minha Orelha

Quem apresenta-se nesta terça-feira no Centro da Terra é o brasiliense Paulo Ohana, que faz a transição entre seu disco mais recente – O Que Aprendi Com os Homens, de 2021 – e seu próximo álbum – chamado Língua na Orelha. Entre os dois discos, a força da palavra como linha condutora de suas composições e do espetáculo, chamado didaticamente de O Que Aprendi com a Língua dos Homens na Minha Orelha. Ohana, que toca violão e guitarra e cuja sonoridade equilibra-se entre o indie rock, o folk e o jazz, vem acompanhado de uma senhora banda formada por Bianca Godoi (bateria), Fernando Sagawa (saxofone e flauta), Ivan “Boi” Gomes (baixo) e Ivan Santarém (guitarra) e a apresentação ainda conta com a parrticipação do cantor e compositor Gabriel Milliet. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados na bilheteria e no site do Centro da Terra.

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