
Só a beatlemania mais noinha explica esse masoquismo de sofrer de véspera a partir das fotos que vão aparecendo dos quatro filmes que Sam Mendes está fazendo sobre a história dos quatro de Liverpool. Já relevei até o fato do John Lennon ser um galalau se comparado com os outros, mas vê-los estáticos sem se mover como os Beatles dá uma sensação de estarmos assistindo a um episódio do Hermes e Renato com bom orçamento…
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A tensão de uma semana pesada pairou no início do Inferninho Trabalho Sujo desta sexta-feira no Picles, como bem diagnosticou João Pedro Haddad do Eliminadorzinho, logo no início do show que abriu a noite – e o próprio baixista logo reforçou que a noite era pra desanuviar aquele clima pesado com o que o trio sabe melhor fazer: muito barulho. Mostrando músicas de diferentes discos – com ênfase no mais recente, Eternamente, do ano passado -, os três meteram o dedo na tomada desde o primeiro minuto, mostrando porque são uma banda de guitar rock da estirpe do indie rock dos EUA antes do Nirvana, ecoando Hüsker Dü, Dinosaur Jr., Sebadoh e, claro, Sonic Youth. É impressionante como o som da banda cresce ainda mais ao vivo, principalmente a partir do entrosamento redondinho entre o baixo de João Pedro, a guitarra de Gabri Elliott e a batera de Thiago Schützer, todos revezando-se nos vocais de cada música. Além de terem contado com a participação Nickolas Marchioretto no início do show, a apresentação ainda contou com um momento emocionante em que a guitarrista falou do peso da paranoia de um futuro governo fascista cai sobre todos nós, mas mais especificamente em seu caso, como mulher trans. Showzaço que lavou a alma de todos os presentes.
Depois do Eliminadorzinho, a Nevoara seguiu a noite com suas canções dramáticas que equilibram-se entre o math rock, cortesia do entrosamento entre a guitar heroine Duda Freitas e o baixista Felipe Mollo, e o emo, escancarado nas melodias cantadas pela vocalista Laura Mendes, todos firmes pelo pulso ditado pelo baterista Vitor Gonçalves. Com um entrosamento igualmente elétrico, o quarteto passeia por músicas que podem soar tão melódicas quanto pesadas, bebendo também no rock alternativo dos anos 90, do grunge em diante. O público cantava as músicas junto com eles, mesmo as que ainda não foram lançadas e devem compor seu disco de estreia, mostrando que a banda está no caminho certo.
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Em mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo no Picles, trago duas bandas pela primeira vez no palco da festa: o barulhento Eliminadorzinho e a eletrizante Nevoara. Os shows começam a partir das 22h e se você pegar o ingresso antes e chegar antes das 21h30 não paga pra entrar. Depois dos shows sigo discotecando na festa… Vamos? Pega os ingressos aqui.
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Ao contar com o público para não registrar os shows da turnê de seu novo disco Lost Weekend em áudio ou vídeo, Phoebe Bridgers criou alguns efeitos colaterais desta decisão, como o fato de estimular que os fãs desenhem o palco como uma forma de ter um registro da apresentação e que todo material em vídeo ou foto que ela publique torne-se um evento em si. É o caso de mais um material em vídeo que ela lança em parceria com o diretor Lance Oppenheim, com quem ela trabalhou no filme Primetime (para quem ela também compôs a música “On Video”) e no clipe do primeiro single do novo álbum, “Lost Boys”. Agora ela vem com uma sequência de três músicas em vídeo, lançadas em parceria com a distribuidora A24, responsável pelo filme que os dois fizeram juntos, que além de trazer um registro para “On Video”, também reúne Phoebe com suas comadres de Boygenius Julien Baker e Lucy Dacus em outras duas músicas, “Haunted” e “Lost Boys”.
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A transição de Rodrigo Carneiro para a literatura não o tirou da música. Por mais que o eterno vocalista dos Mickey Junkies esteja mais exercendo sua palavra – seja impressa ou falado – no mundo das letras, seu vínculo com a música é perene – e foi assim que o velho camarada Paulo Beto aproximou-se para verter um livro em disco, quando, juntos, transformaram o segundo livro de Carneiro, o pandêmico Afetos Sísmicos, em um disco com o mesmo nome, que será lançado no próximo dia 12 e surge no palco dois dias depois, quando os dois o apresentam gratuitamente no Sesc 24 de Maio a partir das 19h. E Carneiro antecipa um dos poemas musicados em forma de clipe – “Da Criação de Monstros (De Novo o Amor”) – em primeira mão para o Trabalho Sujo. “Desde o lançamento, em 2022, o livro só me trouxe alegria e o deleite se renova agora com o desdobramento dele em um álbum”, conta o poeta-vocalista. “E, que beleza, na companhia do meu camarada de tempos imemoriais, Paulo Beto, um sujeito cuja obra e a persona sempre me impressionaram.” PB explica porque escolheram esta música para começar a apresentar o disco: “Ela tem um veneno, um perigo”. E Carneiro arremata: “Se deixasse por mim, algum tema mais lacrimoso seria o eleito”, resume, antes de rir de si mesmo, “gótico suave, né?”
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Há trinta anos, Nora Guthrie, filha do papa da folk music dos EUA, Woody Guthrie, descobriu várias letras que o pai havia deixado sem música e chamou o bardo folk inglês Billy Bragg para ver se elas poderiam transformar-se em canções e este, por sua vez, convocou o Wilco para acompanhá-lo nesta tarefa. O resultado, lançado em 1998, foi o soberbo disco Mermaid Avenue, que inclusive ajudou a consolidar uma nova cena folk dos anos 90 no cânone deste gênero musical, que ganhou um segundo volume no ano 2000 e um terceiro quando foi revisitada no formato caixa pela primeira vez, em 2012, no lançamento original de Mermaid Avenue: The Complete Sessions, que agora tem ela mesma uma nova versão expandida, com 17 novas faixas (basicamente versões alternativas e demos) e uma gravação caseira do próprio Woody tocando “Hesitating Beauty”, única das inéditas que o pai desta cena havia musicado. A nova caixa traz quatro discos, incluindo o quarto volume apenas com músicas inéditas (entre elas uma versão alternativa para “Aginst Th’ Law”, que foi liberada no anúncio do novo lançamento), será lançada no dia 11 de dezembro e já está em pré-venda. Estas gravações voltaram à baila porque o Wilco convidou Bragg para tocá-las pela primeira vez ao vivo em junho, na edição deste ano do próprio festival que a banda organiza, o Solid Sound. Resta saber se eles encaram pegar uma estrada com essas músicas… Imagina…
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Uma série de coletâneas sobre Joe Strummer, saudoso ícone do punk inglês ao fundar o Clash, chega ao terceiro volume depois de um primeiro dissecando toda sua carreira e outro dedicado à discografia de seus Mescaleros. Joe Strummer 003: The 101’ers Years (1974–1976), que chega ao público no dia 20 de novembro (aniversário do Trabalho Sujo!), reúne, em três discos, 48 canções do grupo que Strummer tinha antes de criar o Clash, o 101’ers, entre gravações oficiais, demos e registros ao vivo (com versões pra música dos Beatles – “Back in the U.S.S.R.” -, Stones – “Shake Your Hips” – e Chuck Berry – “Maybelene”, “Rock’n’Roll Music” e “Roll Over Beethoven”, além de uma versão inicial para “Junco Partner”, que o Clash gravaria no disco Sandinista!), além de um livro com 48 páginas sobre este período com prefácio escrito por Glen Matlock, baixista dos Sex Pistols e a história da banda contada por seu parceiro de grupo, Richard Nother Dudanski, e textos do próprio Strummer. A caixa já está em pré-venda e, para abrir o apetite, liberaram o primeiro single, “Keys to Your Heart”, roquinho básico e sem muita invenção, que ganha um brilho inevitável quando o clássico timbre rasgado de Joe canta as letras da canção de amor.
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E no meio disso tudo o Lollapalooza Brasil acaba de anunciar suas datas pra 2027, quando o festival será realizado nos dias 19, 20 e 21 de março. Entre os principais nomes destacam-se a já esperada vinda da Charli XCX, Queens of the Stone Age e Fontains D.C. lançando discos novos e um inesperado Prodigy, mas tem um monte de filé nas letras pequenas, do aguardado show do Geese (!!) ao Avalanches (!!), passando pelo Mike D (!!!), Angine de Poitrine (!!), Ninajirachi (!!), Four Tet (!!), Adéla, Slayyyter, Tomora, Raye, Die Spitz (!!), Boys Noize e a Violet Grohl. Do lado brasileiro, o festival repete a acertada missão deste ano, ao trazer nomes diretamente do underground para seus palcos, como Rakta, Deafkids, Real No Ficción, Brime, Paira, Joaquim, Bebé, Zepelim e o Sopro do Cão e Psilosamples, além de nomes já estabelecidos como Buhr, Criolo, Amaro e Dino, Rodrigo Amarante e Nação Zumbi. Mandaram bem – e os ingressos já estão à venda,.

É muito bom ver como um estilo musical criado a partir da negação de uma revolução estética conseguiu criar referências sonoras profundas que atravessaram décadas erigindo a fundação de um novo gênero musical. O pós-punk, que surgiu a partir da reinvenção do punk do final dos anos 70 por artistas ingleses tão diferentes quanto Joy Division, Fall, Cure e Public Image Ltd., entre outros, segue firme e intacto em artistas como a banda paulistana Inês é Morta, que apresentou seu próximo disco, Sala de Espelhos, em primeira mão no Centro da Terra nesta terça-feira, trazendo ecos de um futuro próximo. Todos os preceitos musicais básicos do gênero encarnam-se perfeitamente na atmosfera musical conduzida pelo pulso firme do baterista Danilo Grilo, o baixo cavalgado constante de Lucas Jimenez, a guitarra ruidosa, rítmica e melancólica de Daniel Lima e a voz grave e soturna, além da presença de palco cativante de Camila Kohn, que ecoam não apenas o clima apocalíptico oitentista das bandas originais do gênero como de seus pares contemporâneos paulistas, como Mercenárias, Voluntários da Pátria, Fellini, Akira S & As Garotas Que Erraram e Smack, com letras que combinam com esses dias pesados que atravessamos em 2026. A banda encerrou a noite de músicas inéditas com “Dias de um Futuro Esquecido”, primeiro single do novo trabalho, que estreia na próxima sexta-feira e abre uma sequência de novas canções que, até o fim do ano, pavimentam o caminho para o novo disco da banda, que deve ser lançado ainda no mês de janeiro. A pedidos, voltaram prum bis não combinado com o hit “Noite Vazia”, uma das faixas de seu EP Abismo, de 2019.
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Na primeira terça-feira de outubro, a banda pós-punk paulistana Inês é Morta estreia no palco do Centro da Terra mostrando músicas do trabalho que vêm finalizando. Batizando a apresentação com o mesmo nome deste futuro disco, Sala de Espelhos traz o grupo refletindo sobre a sensação de presente contínuo que atravessa nossos dias, ao mesmo tempo em que cantam sobre a desconexão entre pessoas, natureza e contexto social. Para esta apresentação, o grupo formado por Camila Kohn (voz), Daniel Lima (guitarra), Lucas Jimenez (baixo) e Danilo Grilo (bateria) conta com a participação de Fidelis Costa (teclados e guitarra base). O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.
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