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Mari Holtz não poderia ter feito uma estreia mais autoral, quando subiu ao palco do Centro da Terra para mostrar seu espetáculo Ser-Viva nesta terça-feira. E não estou falando apenas do fato de ter feito um show apenas com seu próprio repertório e sim que ela soube passar a essência da sua personalidade misturando erudição, carisma, improviso e risco enquanto contava, quase como numa sessão de terapia aberta ao público, de seu amadurecimento simultâneo como pessoa e como artista desde que começou a cantarolar melodias enquanto tocava o piano ainda criança para livrar-se de um ocasional tédio infantil (título de sua primeira canção, que abriu o show). Foi cantando sentimentos e sensações, às vezes com letra, às vezes apenas cantarolando scats de voz enquanto tocava, outras deixando apenas seus dedos ditarem a atmosfera do momento e fazendo uma única inserção alheia, quando cantou “Yatra-Tá” de sua musa Tânia Maria, norte magnético de sua apresentação e de sua curta carreira até aqui. Com trocas cênicas de figurino (que funcionavam mais como guias de sua apresentação do que como acessórios), ela foi lentamente conduzindo o público que lotou o teatro a um universo particular seu, conseguindo inclusive fazer com que o público cantasse junto no bis uma música que nunca tinha ouvido antes daquela apresentação. Muito bem!

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Maior satisfação em receber nesta terça-feira a pianista paulistana Mari Holtz, que faz sua primeira apresentação autoral, batizada de Ser-Viva, no palco do Centro da Terra. Influenciada por monstros sagrados da música brasileira como Arrigo Barnabé e Hermeto Pascoal, ela mostra suas composições lúdicas e experimentais pela primeira vez num espetáculo só dela, quando, ao piano, mostra sensações e sentimentos de diferentes fases da vida, entre a infância, a adolescência e a vida adulta. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.

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Era inevitável: quando apresentou-se no ano passado no Carnegie Hall de Nova York somente ao piano, Cameron Winter contou com um senhor papagaio de pirata em algumas fotos, quando o cineasta Paul Thomas Anderson aparecia filmando o líder do Geese tocando sozinho em película. Óbvio que esse registro seria lançado, o que acaba de ser anunciado. Cameron Winter at Carnegie Hall acompanha o lançamento do show em disco no formato de turnê, quando o filme estreará em apenas algumas cidades, por um período específico, por enquanto apenas no Canadá e nos Estados Unidos. Mas é lógico que já já tem mais datas pelo mundo…

Assumimos o algoritmo do agora e pautamos não apenas o que está acontecendo, mas como gostaríamos que acontecesse, por isso nessa nova fase da festa bolada por Alexandre Matias e Rafaela Fernán, voltamos no tempo para lembrar de uma época em que as redes sociais eram o Twitter e o Tumblr e as plataformas de streaming eram o MySpace e o YouTube, sites que entrávamos para descobrir e discutir novidades e outros pontos de vista, não apenas para confirmar o que já sabemos e nos interessamos. Por isso, a festa Agoritmo, capítulo I Was There, invade o Porta para voltarmos para o final da primeira década do século. Você estava lá nessa época? Voltaremos para quando blogs de MP3 e pistas de dança buscavam novidades na Nova York da DFA Records, na Paris do French Touch e do maximalismo, na São Paulo do Cansei de Ser Sexy, na nova cena eletrônica da Austrália, na cena indie inglesa que começou a flertar com a música eletrônica, na parada de hits do Hype Machine e nos remixes do Soulwax. Vem dançar com a gente a partir das 20h desta sexta-feira, 4 de setembro de 2026, na Porta (Rua Horácio Lane, 95. Pinheiros), e de graça! É só chegar – traje colorido, por favor.

Agoritmo: I Was There
Sexta-feira, 4 de setembro de 2026
A partir das 20h

@_____porta_____
R. Horácio Lane, 95 – Pinheiros

#agoritmo

cartaz @faelafernan

Os Beatles acabam de compartilhar mais uma joia daquelas que estarão na caixa do Rubber Soul que sairá no início de outubro e desta vez podemos ouvir John Lennon e Paul McCartney lentamente compondo um dos grandes hits de 1965 antes de terem criado a assinatura musical da canção. Assim é “Day Tripper (Songwriting Work Tape)”, compilação de trechos diferentes dos dois maiores nomes da música inglesa rascunhando, entre risadas e violões, uma das músicas mais conhecidas de seu grupo antes que o inconfundível riff tivesse sido composto.

Ouça abaixo: Continue

Só os cachorros!

Sara Não Tem Nome seguiu sua temporada Não Tem Nome no Centro da Terra nesta segunda, quando mostrou pela primeira vez a banda que inventou para esta ocasião, quando reuniu os dois Antiprismas (Elisa Moreira e Victor José, nos vocais, baixo e guitarra) a camaradas conterrâneos mineiros – a jornalista Carime Elmor, a cantora Clara Castro e o multiinstrumentista Wallace Schmidt – numa banda para celebrar a fidelidade canina à raça humana. A ideia do grupo Cachorro Pessoa surgiu da primeira música que compuseram de brincadeira, mas que funcionou de gatilho para o tema, que inspirou um show com um repertório inspirado em cães. E assim passearam por clássicos do rock sobre o tema (como o “Black Dog” do Led Zeppelin, “Martha My Dear” e “Hey Bulldog” dos Beatles, “Walking the Dog” do Rufus Thomas, e “I Wanna Be Your Dog” dos Stooges) e em outros hits de diferentes áreas da música brasileira, indo do “Cachorro Babucho” de Walter Franco a “Eu Não Sou Cachorro Não” de Waldick Soriano e “Vira-Lata de Raça” da Rita Lee até a “Cachorrinho”, de Kelly Key, sendo pontuados por vídeos de cachorros pinçados por Carime, que também lia trechos de livros sobre o tema em alguns intervalos do show. Entre latidos e ganidos, todos escaparam da carrocinha.

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Tricky no Brasil!

Taí o que a gente queria: Tricky no Brasil! O mestre do trip hop apresenta-se em São Paulo no dia 26 de novembro no Cine Joia, com a participação da vocalista polonesa Marta Złakowska, e abertura do DJ Daniel Tamenpi, que celebra os 20 anos de seu antológico Só Pedrada Musical. Os ingressos começam a ser vendidos nesta quarta-feira – e só falta alguém trazer o Underworld pra que todas as atrações gringas do festival chileno Fauna Primavera também passem por aqui.

Já com a mão na massa em seu próximo trabalho, Jonnata Doll aproveitou a descoberta de um velho VHS com cenas de 1998 para encerrar o ciclo do disco Alienígena, quarto álbum lançado com sua banda Os Garotos Solventes, em 2019. “Música de Caps”, que será lançado nesta terça-feira e ele antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo, reúne cenas deste VHS com outras de um show no Cine Teatro São Luiz de Fortaleza, no ano de lançamento daquele disco, filmadas por André Moura, velho compadre de Jonnata, que assina a direção do clipe. “Protagonizei alguns filmes do André, sempre interpretando Ramon, um amálgama de nós dois”, explica o vocalista cearense, que entende o clipe como o personagem olhando para sua própria trajetória, como reforça ao explicar o que foi encontrado na fita analógica: “O aniversário do Peter, amigo com quem fundei a minha primeira banda, a Kohbaia, e também registro de algumas tardes com os amigos vendo MTV ou vagando pela periferia alencariana”, continua Jonnata. “Alguns dos jovens que aparecem ali, ao lado de um ‘eu’ de 17 anos, viraram personagens de músicas dos Garotos Solventes, como a ‘Namorada Fantasma’, o ‘Cheira-Cola’, os ‘Cigarros pelo Muro’, a ‘Rua de Trás’ e outras. Naquele momento, a gente estava descobrindo muitos caminhos e formas de existir e alguns deles nos levaram ao mais profundo wild side: a amores intensos, clínicas psiquiátricas (de forma compulsória ou voluntária) e ao suicídio dos mais sensíveis, mas também nos levaram ao palco, para brilharmos livres na noite da América… do Sul!”, reforçando que a letra fala sobre “encontros com personagens que não souberam lidar com suas forças criativas neste mundo tecnofeudal, capitalista e georgeromeriano”, conclui o Jonnata. “O que outrora poderia ser uma potência xamânica, um oráculo, um líder carismático ou um grande artista, neste contexto, pode se tornar alguém em crise, alguém sob os cuidados de psiquiatras.”

Assista ao clipe abaixo: Continue

O C6 no Rock surpreendeu. Mesmo com um tema clichê e forçado (o infame “rock brasileiro dos anos 80” com costuras para incluir Rita Lee e Blitz num festival que merecia ser sobre 1986), trouxe shows bem resolvidos relembrando repertórios que seguem vivos na memória volátil do público brasileiro e cacifando possíveis shows de maior porte para um futuro próximo. Os poucos pontos fracos foram os shows dos Titãs (se esforçando para segurar seu Cabeça Dinossauro), de Paulo Ricardo (mesmo bem, segurou público em poucos hits) e da Blitz (que só decolou quando Fernanda Abreu entrou). Por outro lado, Plebe Rude, Ira! e Paralamas já são bandas clássicas e só colhem frutos de seu trabalho contínuo. Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e André Frateschi fizeram um show inesquecível e comemoraram a presença do herdeiro de Renato Russo naquela noite, marcando a primeira união das duas metades envolvidas com o nome da banda, o que indicaria uma “volta” do Legião Urbana (com o nome e tudo) num curto prazo. Será? Lotaria estádios cantando em uníssono, fato. E Marina Lima, mesmo com a voz fraca, segurou bem a noite, está belíssima e segura de si – e tem potencial para uma grande turnê. Os shows-tributo encerraram as respectivas noites e fizeram jus ao repertório dos dois homenageados. Vale aplaudir as presenças de Fernanda Abreu (cada vez maior), Sandra Sá, Baby do Brasil e Marina Sena no tributo à Rita e as participações de Arnaldo Antunes, Léo Jaime (que merecia ter seu próprio show) e Frejat na celebração ao Cazuza. E por mais que pudesse parecer limitado ao rock, boatos durante a edição cogitavam a possibilidade da versão nacional do C6Fest do ano que vem buscar outros gêneros, dedicando-se, por exemplo, ao samba, à black music brasileira ou à bossa nova, por exemplo. Parece uma boa saída.

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Ao apresentar-se neste sábado no festival inglês All Points East, em Londres, a sueca Zara Larsson convidou uma velha camarada para estrear no palco uma parceria lançada há quase um ano, quando a inglesa PinkPantheress chamou a amiga para fazer parte da segunda versão para a maravilhosa mixtape que consolidou seu nome no ano passado, a irrepreensível Fancy That. As duas já haviam tocado juntas em outras oportunidades, mas esta foi a primeira vez que mostraram ao vivo o remix que fizeram para a irresistível “Stateside”, que Zara fez questão de abrir seu show para já deixar o nível lá em cima. Que beleza!

Veja abaixo: Continue