
Há três anos foi anunciado que o personagem Overman, super-herói à brasileira criado por Laerte em 1998 em tiras na Folha de São Paulo, teria seu próprio filme, estrelado por Caco Ciocler e dirigido por Tomás Portella. Mas o diretor envolveu-se na produção do filme Aumenta que é Rock’n’Roll, sobre a rádio carioca Fluminense FM, lançado em 2024, e desde então não temos mais notícias sobre a supercomédia. Até que nesta semana, o primeiro teaser de Overman – O Filme foi mostrado. Ele está vindo…
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A safra de 2026 do Inferninho Trabalho Sujo tem trazido bandas que cada vez mais fogem dos rótulos fáceis e nesta sexta-feira duas delas apresentaram-se no Redoma. A primeira delas foi a estreia do trio Nesga Mosquito, fundado pelo casal Lua Belle e Tomás Dos Reis ao lado do baterista Kauê Commi, que nasceu a partir da influência de diferentes fases da MPB e passeia por referências ao pop contemporâneo, ao jazz e ao indie rock, diluindo bem tais fontes musicais a ponto de elas não ficarem tão evidentes. Lua e Tomás (o geninho do baixo que também toca no Caruma, Pé de Vento e Besta Fera) completam os vocais da maioria das faixas enquanto trocam constantemente de instrumentos – indo do baixo pra guitarra e vice-versa -, deixando o imaginar possibilidades estranhas e improváveis como bossas novas tortas, blues que misturam-se ao rock brasileiros dos anos 80, funk setentistas com pitadas de pós-punk e jazz mineiro. E além do já mencionado baixo virtuoso de Tom (que não faz feio quando vai pras mãos da parceira), vale sublinhar a versátil voz de Lua, que por vezes soa pequena e precisa como se Nara Leão cantasse no Stereolab, outras solta-se dramática como poucas cantoras de sua geração sabe fazer. E na bateria Kauê não deixa por menos e acompanha de perto os delírios musicais propostos pela dupla à frente – incluindo fazer um terceiro vocal. Showzão.
Depois foi a vez de mais um show da Outra Banda no Fim do Mundo na festa, estreando no Redoma. E o show da banda liderada por Otávio Malta segue o patamar sério estabelecido pelo guitarrista, vocalista e líder do grupo, puxando rock direto e de groove reto que condizem com as letras desesperançosas e sem meias palavras deste autor. Ao seu redor, dois integrantes da banda Orfeu Menino mostram sua força rock, com o baterista Tommy Coelho assumindo a guitarra solo e perseguindo as bases de Otávio sempre bem de perto, enquanto o baixista João Chão esmerilha seu instrumento como se fosse uma guitarra. Acompanhando-os sem trégua vem o intrépido baterista Méqui Lovin e os quatro juntos têm uma conexão quase ígnea de tão próxima e pesada, reforçando a dureza do gênero que tentam reinventar, elevando referências como o rock pesado e o heavy metal para um outro nível de alquimia sonora, que soa referente e reverente aos cânones dos dois gêneros sem necessariamente soar com alguma banda específica, pressionando mais o clima (apocalíptico, como reforça o nome do grupo) do que as eventuais citações ou menções. Olho neles!
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Lá vem mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo no Redoma, que acontece na próxima sexta-feira, dia 21, quando reúno as bandas Nesga Mosquito, fazendo sua estreia na festa, e o quarteto de rock pesado Outra Banda no Fim do Mundo em sua segunda aparição no palco da festa. O Redoma fica na Rua Treze de Maio, 825-A, no Bixiga, e abre a partir das 21h. E eu discoteco antes, entre e depois dos shows. Os ingressos já estão à venda.

Ela não para! Olivia Rodrigo acaba de lançar mais uma música nova, mesmo tendo lançado seu You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love há pouco mais de dois meses. E “Serena Joy”, single batizado com o nome da antagonista da série de livros (e de TV) O Conto de Aia, reforça o peso feminista que a jovem popstar vem imprimindo à nova fase de sua carreira. Criticando o ponto de vista das mulheres conservadoras, a faixa é um new wave dançante no limite da disco music, mas cantado com a agressividade cega da esposa do líder da versão totalitária dos Estados Unidos imaginados por Margaret Atwood, chamada Gilead, que usa a aversão ao feminismo para oprimir as mulheres da mesma forma brutal que a extrema-direita mundial vem pressionando nos últimos anos. Ao cantar a letra de forma literal, Olivia ironiza o papel deste novo conservadorismo de forma a torná-lo nu. E usou o single, que deveria ter entrado em seu disco mais recente, como uma forma de divulgar seu próprio festival Daisy Chain Fields, que acontecerá no próximo fim de semana – e o fez de forma deliciosamente analógica, reforçando a adoração ao digital offline que celebrou no primeiro clipe do novo disco (quando aparecia usando um laptop e fones de ouvido com fio no Palácio de Versailles, na França). “Serena Joy” foi lançado fisicamente em uma única loja de discos, a Analog Record Shop, estabelecimento independente mais próximo do local do festival, no formato… compact disc! Olivia Rodrigo mandou prensar apenas 500 cópias do novo single, que evaporaram em instantes, e que deve aparecer online nesta segunda-feira. Mas é claro que já dá pra ouvi-lo: Continue

Ao passar por Montevidéu na quarta passada, Rosalía saudou o compadre portorriquenho Bad Bunny ao puxar uma de suas músicas no meio de seu show. Antes de começar sua “Sauvignon Blanc”, quando serve-se uma taça de vinho branco antes de começar a balada no show no Uruguai, ela preferiu puxar uma garrafa de tequila e servir-se um shot da bebida mexicana enquanto cantarolava o refrão de “Safaera”, do disco YHLQMDLG, que o MC latino lançou em 2020. ¡Arriba, abajo, al centro y pa’ dentro!
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Surreal o concerto-instalação Mineral, que está passando pelo Sesc Vila Mariana nestas quinta e sexta depois de uma pequena turnê pelo interior de seu estado de origem, Minas Gerais. Concebido a partir de mais de duas décadas do trabalho do artista plástico e ceramista Máximo Soalheiro, o espetáculo consiste de um conjunto de mais de cem vasos de cerâmica tocados por oito músicos diferentes, que dividem-se entre criar texturas harmônicas e rítmicas a partir da vibração destes objetos, que conversam com outros instrumentos tocados por estes mesmos músicos: o diretor musical Pedro Durães dispara eletrônicos, enquanto Camila Rocha toca contrabaixo acústico, Davi Fonseca toca piano preparado, Juliana Perdigão traz sua clarineta, clarone e apitos, além de cantar, Kristoff Silva canta e toca escaleta e João Pedro Drummond e Yuri Vellasco percutem moringas – só Leandro César fica apenas com as cerâmicas. O som transcendental dos vasos percutidos coletivamente como um grande instrumento que toma conta de todo o palco, eleva o conjunto de músicos para um patamar quase surrealista, passeando por canções de Hermeto Pascoal, Santiago Vazquez, Björk, Dave Brubeck e Milton Nascimento,este último representado por um versão mágica para “Um Gosto de Sol”, que ainda contou com a interpretação maravilhosa da cantora Loreta Colucci, convidada desta apresentação. Ainda tem ingressos para o show de sexta, pode ir que é uma das melhores coisas que você assistirá num palco este ano.
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Slayyyter tirou onda bonito ao visitar a rádio australiana Triple J e escolher um dos grandes momentos do Hole para fazer sua versão no quadro Like a Version da emissora – vê-la puxando “Violet” a faz conversar tanto com o Music Fashion Film de Charli XCX quanto com o You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love da Olivia Rodrigo, além de colocá-la em um patamar bem diferente de que seu Wor$t Girl in America, disco que lançou este ano, a colocou.
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Taí uma das notícias que esperávamos: Hot Chip toca no Brasil no dia 22 de novembro, na Áudio. É mais uma atração gringa do festival chileno Fauna Primavera que também bate à nossa porta – agora só falta o Underworld e o Tricky… Será? Enquanto isso, os ingressos para o Hot Chip já estão à venda.

Na contagem regressiva para o lançamento de seu primeiro álbum solo, o violonista Luca Frazão mostra mais uma faixa de seu próximo lançamento nesta sexta, quando apresenta o choro “Despencando”, que também batiza o álbum – e antecipa a música em primeira mão para o Trabalho Sujo, acompanhada do videoclipe feito com o diretor Marcel Enderle, colega de faculdade de música do instrumentista que também trabalha com audiovisual. O clipe foi gravado numa casa antiga de quase cem anos no bairro paulistano de Perdizes, “uma casa abandonada e, ao mesmo tempo, com muitos detalhes preservados: os papéis de parede, as lindas esquadrias das janelas, os lustres, tudo se contrastando com as rachaduras nas paredes e com esse quase clima de filme de terror que esses cenários antigos exalam”, explica Luca. “Nesse filme específico, o Marcel ainda escolheu o preto e branco, que eu achei que funcionou demais, casando com a energia tensa da música, com a locação e tudo mais. No começo de tudo eu entendia aquilo como um vídeo pragmático, pra preencher essa necessidade quase indispensável de vídeo que todo projeto de música tem hoje em dia, mas, no fim, mesmo sendo uma proposta despretensiosa, achei que o resultado ficou muito especial. Muito além de um vídeo de performance violonística, um vídeo de arte mesmo.”
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Enquanto seu novo disco acústico – Ride Lonesome, que será lançado no próximo dia 18 – ainda não está entre nós, Beck puxa mais uma faixa nova, depois de mostrar a faixa-título (em duas versões) e a densa “In the Night”. Desta vez ele vem com a sossegada “Disappearing Act”, que mostra que a amplitude de clima do novo álbum segue a linha dos três álbuns anteriores que foram para esse lado – a saber, Mutations (1998), Sea Change (2002) e Morning Phase (2014).
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