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Horizontes abertos pelo violão

Um exercício terapêutico para lidar com as tensões e paranoias da pandemia acabou transformando a fotógrafa Paula Cavalcante em musicista profissional – sem que ela planejasse isso. A baiana de Feira de Santana, que já havia tocado guitarra em bandas de rock, debruçou-se sobre o violão como se mergulhasse em si mesma e pariu, no final de 2021, o EP Entre Ruínas e Devaneios, um conjunto de paisagens sonoras, que ela lançou em primeira mão no Trabalho Sujo, usando o nome de Corpo Expandido. Quase um ano depois, ela retorna com seu primeiro álbum – mesmo que o conjunto de canções tenha apenas 20 minutos – e mais uma vez mostra o disco antes de seu lançamento por aqui (ouça abaixo). Em A Cor do Fim, que estará nas plataformas digitais nesta sexta-feira, ela segue o clima introspectivo e contemplativo do primeiro trabalho, mas pela primeira vez conta com outros músicos na formação, além de ter pensado no disco de forma a transpô-lo para o palco – e sua estreia acontece em São Paulo na semana que vem, dentro da programação do Centro da Terra (os ingressos já estão à venda neste link).  

Corte: Brasa na Asa e Aquilo Que Nunca Perdi

Dose dupla de Alzira E no Centro da Terra. Nesta terça-feira recebemos o Corte, banda que ela lidera ao lado de integrantes do grupo Bixiga 70, quando apresenta músicas novas de seu próximo álbum – e também aproveita para repassar momentos de sua carreira solo. No dia seguinte, na quarta-feira, será exibido também no teatro o excelente documentário Aquilo Que Nunca Perdi, dirigido por Marina Thomé, que conta, de forma afetiva, a impressionante carreira desta mulher. Quem assistir ao show da terça-feira não paga para ver o documentário no dia seguinte – e as duas apresentações começam pontualmente às 20h e podem ter seus ingressos comprados antecipadamente aqui e aqui.

Centro da Terra: Outubro de 2022

Vamos começar mais uma viagem por universos diferentes da música brasileira, quando outubro chegar para dar início a uma nova fase de nossas vidas. A primeira segunda do mês (que tem cinco segundas-feiras) ainda faz parte da temporada do selo Matraca, quando Lau e Eu encerra a leva de apresentações Tempo Presente, e a partir da outra segunda, dia 10, começamos a temporada em que Fernando Catatau convida compadres e comadres para shows únicos a partir de encontros inéditos – sua temporada, batizada apenas de Frita, conta com quatro noites que prometem ser históricas: na primeira, dia 10, ele recebe Kiko Dinucci; na outra, dia 17, é a vez de Juçara Marçal; no dia 24, ele convidou Anna Vis para dividir o palco, e na última, dia 31, é vez de ele receber Yma e Edson Van Gogh, guitarrista dos Garotos Solventes que acompanham de Jonnata Doll. Como se isso fosse pouco, a primeira terça do mês, dia 4, é com a banda Corte, liderada por Alzira E, que fez uma apresentação especial para o teatro a partir do documentário Aquilo Que Nunca Perdi, que Marina Thomé fez sobre sua história – e quem for ao show na terça pode assistir ao documentário de graça na quarta-feira, dia 5, no próprio Centro da Terra. No dia 11 de outubro é a vez da baiana Paula Cavalcante mostrar seu projeto acústico Corpo Expandido pela primeira vez em São Paulo ao mesmo tempo em que prepara o lançamento de seu primeiro álbum. No dia 18 de outubro recebemos, diretamente de Portugal, o carioca Ricardo Dias Gomes, integrante da banda Do Amor, que chega à cidade para apresentar um espetáculo solo motivado pelo momento em que o Brasil está atravessando, e no final do mês, dia 25, é a vez da irresistível banda Eiras e Beiras mostrar todo seu encanto no pequeno palco do Sumaré. Noites mágicas para inaugurar uma nova fase – garanta seus ingressos antecipadamente neste link.

Edgar: “Qual mentira é verdade?”

Às vésperas da eleição, Edgar recupera uma música de seu EP Ultravioleta para reforçar a importância da mensagem que quis passar. “Essa música foi feita durante o período de pandemia, quando tava esse bombardeio de fake news do bolsonarismo e eu acho muito importante voltar agora, porque a gente tá vendo esse cara nos debates falando só merda e mentira, então é hora de soltar de novo esse som”, explica o artista de Guarulhos, que antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo o clipe de “Fake News”, que lançará neste sábado. O clipe foi dirigido por André Oliveira Cebola, que explica o processo do clipe totalmente digital: “Primeiro foram geradas imagens através de inteligência artificial e para gerar essas imagens, peguei trechos da letra do Edgar e usei como input para a inteligência artificial interpretar essas frases e gerar imagens baseadas no que ela achou mais relevante”, explica o diretor. “É um processo aleatório, se eu usar a mesma frase duas vezes, ela irá gerar duas imagens diferentes. O resultado nunca será igual. O segundo processo na criação foi pegar essas imagens e reinterpretar, modificar, através de arte generativa – programação criativa, num software que eu mesmo desenvolvi. Então o que vemos não é a imagem original da inteligência artificial e sim a base dela mas com modificações”.

Assista aqui.  

Kika no Centro Cultural São Paulo

Conheço Kika há mais de dez anos, quando ela me cutucou para apresentar seu primeiro disco, o delicioso Pra Viagem, quando eu ainda fazia a curadoria do Prata da Casa no Sesc Pompéia, em mil novecentos e guaraná de rolha, e desde então sigo em sua cola, acompanhando o que ela tem feito nesses últimos anos, seja em carreira solo, na dupla que criou com a eterna parceira Tika ou na homenagem que fez ao Passarim de Tom Jobim. No meio do ano ela me chamou pra conversar porque queria fazer um show celebrando os dez anos de aniversário daquele primeiro disco, mas no meio do papo percebi que ela queria voltar a tocar com a banda que montou naquela época e passear por músicas de seu repertório que puxavam para o acento do reggae, gênero que sempre a acompanhou. E assim ela me chamou para dirigir esse show que fazemos nessa última quinta-feira de setembro na mágica Sala Adoniran Barbosa do nosso querido Centro Cultural São Paulo. A banda é pesadíssima: Loco Sosa na bateria, Victor Rice no baixo, Guilherme Held na guitarra, Cuca Ferreira no sax e flauta e a própria Kika tocando guitarra e teclados, passando pelas músicas mais jamaicanas de seu repertório, com direito a versões maravilhosas no percurso – e é claro que a Tika também não ia ficar de fora e foi convidada para fazer uma participação especial. O CCSP fica na Rua Vergueiro 1000 (na estação Vergueiro do metrô), o show começa pontualmente às 19h e é de graça! Mais informações aqui.

Cine Ensaio: Sandman é uma boa adaptação? (com Ramon Vitral)

Eu e André Graciotti desviamos o assunto do cinema para a televisão para falarmos sobre o novo seriado feito pela Netflix. Sandman, de Neil Gaiman, é um marco na história dos quadrinhos e sua adaptação audiovisual já havia sido considerada infilmável, mas isso finalmente aconteceu em 2022 e com a supervisão do próprio autor da série. E como estamos também falando sobre quadrinhos, chamamos o nosso compadre Ramon Vitral, do blog Vitralizado, uma das principais fontes sobre HQs do Brasil, para discutirmos se a adaptação foi bem sucedida ou não.

Assista aqui.  

Marina Marchi Quarteto: Entreaberta

Na última terça-feira de setembro, quem sobe ao palco do Centro da Terra é a cantora e instrumentista Marina Marchi, que apresenta composições próprias e versões para músicas alheias no espetáculo Entreaberta, que faz com o quarteto que leva seu nome, em que ela, além de cantar, toca violão e guitarra, acompanhada de Danilo Silva na guitarra, Caio Pamplona no contrabaixo e Vicente Pizzu na bateria. Seu repertório é influenciado por jazz e música brasileira e além de suas próprias composições, ela também toca músicas de Milton Nascimento, Joyce, Tom Jobim e Herbie Hancock, entre outros. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados aqui.