Trabalho Sujo - Home

Todo o show: Pulp ao vivo em Buenos Aires (12.6.2026)

E por falar em Pulp, o grupo passou pela América Latina na semana passada e nada de pisar no Brasil, infelizmente. Resta assistir à distância ao vídeo que fizeram da íntegra do show em Buenos Aires na sexta passada, que um herói conseguiu registrar.

Assista abaixo:  

Pulp: filme e disco ao vivo

O grupo inglês Pulp acaba de anunciar What Do You Do For An Encore?, filme em que contam sua carreira com locução do próprio Jarvis Cocker. A direção do filme é de Garth Jennings, que dirigiu os clipes de “Help The Aged” e “A Little Soul” que a banda lançou no final dos anos 90, além de ter trabalhado com artistas como Blur, Radiohead, Beck e R.E.M. e ter dirigido a boa adaptação para o cinema do clássico livro de ficção científica O Guia do Mochileiro das Galáxias, além da ótima comédia O Filho de Rambow e dois musicais da Pixar, Sing e Sing 2. Descrito como uma mistura de Stop Making Sense dos Talking Heads com The Last Waltz da Band, o filme usa um show da banda como base para contar sua longa saga, de patinho feio da cena indie inglesa dos anos 80 a principal grupo da história do britpop. O filme vem acompanhado do primeiro disco ao vivo da banda, batizado apenas de Live, que traz os melhores momentos dos dois shows que o grupo fez em junho do ano passado na casa de shows O2, na capital inglesa. O disco (já em pré-venda) está programado para o dia 28 de agosto e o filme ainda não tem data de lançamento definida, mas mesmo sendo uma coprodução com o canal de streaming Mubi, deve ser lançado nos cinemas. Vamos torcer pra que chegue por aqui, já que show mesmo…

Mergulho na poesia

Era o dia do aniversário de Gustavo Galo, mas quem ganhou o presente foi o público, quando ele reuniu sua nova banda Tudo a Ver – formada por quatro autores solo: Juliana Perdigão, Bruna Lucchesi, Vitor Wutzki e o próprio Galo – como segunda noite de sua temporada Um Bis no Abismo, que está fazendo nas segundas de junho no Centro da Terra. O grupo foi criado para aproximar os dois universos que seus integrantes habitam – o musical e o poético – e na apresentação desta segunda, convidou outros poetas para subir ao palco e ver seus poemas virar canções. Apesar de ser uma banda, a Tudo a Ver restringe-se a quatro guitarristas que também cantam, abrindo mão de linhas de baixo e de instrumentos percussivos. As únicas variações são o instrumento de Bruna que em vez da guitarra vai de violão elétrico e o fato de Juliana por vezes puxar seu clarinete em algumas canções, mas a formação simples também permite que os quatro trabalhem diferentes formatos como grupo, podendo seus autores mostrarem-se solo, em duetos, trios, quartetos e, finalmente, quintetos, ao chamar cada um dos convidados da noite por vez, para que cantar suas contribuições. E assim foram perambulando entre poemas de autores tão diferentes quanto Ledusha, Alice Ruiz, Rainer Maria Rilke e Renato Negrão e dos respectivos convidados, Marcelo Ariel, Angélica Freitas, Dimitri BR e Fabricio Corsaletti, cada um deles entrando por vez. A participação de Fabrício seria o encerramento do show, mas o início do público puxando bis transformou-se em um “Parabéns a Você” que obrigou Galo a improvisar um novo número, emendando dois hai-kais de Alice Ruiz como encerramento da noite.

#gustavogalonocentrodaterra #gustavogalo #centrodaterra ‘#centrodaterra2026 #trabalhosujo2026shows 143

Gorillaz sobe de nível

O grupo fictício Gorillaz está prestes a fazer história quando se apresentará pela primeira vez em um estádio neste sábado, em Londres, na Inglaterra. Ao celebrar o épico melancólico que lançaram no início do ano (o excelente The Mountain), o grupo liderado por Damon Albarn e Jamie Hewlett encerra a turnê que fizeram pelas ilhas britânicas com uma apresentação em grande nível, reunindo inúmeros colaboradores ao vivo como se estivessem gravando um disco. Entre os convidados estão velhos conhecidos do grupo e novos compadres, incluindo artistas tão diferentes quanto De La Soul, Little Simz, Anoushka Shankar, Yasiin Bey, Shaun Rider, Omar Souleyman, Gruff Rhys, Kara Jackson, Paul Simonon, Johnny Marr, Popcaan, Sparks e Trueno, entre outros. Não é um mero show em estádio e sim um acontecimento – que eleva o grupo para um outro patamar.

Lionel Ritchie no Brasil!

Oh, what a feeling! Lionel Ritchie, um dos maiores ícones da música dos EUA, acaba de marcar mais uma passagem pelo Brasil, quando toca no estádio do Palmeiras (que troca de novo de nome, deixando o nome da seguradora pra ganhar o nome de um banco) em apresentação única no dia 19 de dezembro. A pré-venda dos ingressos, exclusiva pra clientes de outro banco (este patrocinador do show), começa nesta terça-feira, a partir das 10 da manhã e a venda pro público em geral começa na quinta-feira, a partir do meio-dia.

Alicia Keys e Nas comemoram o título dos Knicks com uma celebração nova-iorquina

A vitória dos Knicks de Nova York no campeonato estadunidense NBA fez a maior cidade dos EUA entrar em festa – e esta celebração tomou conta do encerramento do festival de cinema Tribeca, que também aconteceu no sábado, quando Alicia Keys, que estreava seu documentário Alicia Keys: Girl From Hell’s Kitchen. A cantora chamou o rapper Nas como convidado-surpresa e juntos fizeram uma celebração nova-iorquina ao enfileirar duas do rapper (“N.Y. State of Mind” e “Streets of New York”), uma saudação a Billy Joel (com “New York State of Mind’) e o clássico de Alicia “Empire State of Mind”. Coisa fina, veja abaixo:  

“A Farewell to Kings” pela primeira vez ao vivo desde… 1979!

O Rush seguiu com novidades nas outras três apresentações que realizou em Los Angeles, nos EUA, no início de sua turnê Fifty Something que estreou no começo deste mês. Além das estreias de velhas conhecidas de sempre – como “Closer to the Heart” e “Finding My Way” – e de contar com Aimee Mann com participação ao vivo em “Time Stand Still” nos outros três shows (será que ela vai acompanhá-los pela turnê?), o trio canadense enfileirou várias músicas que não tocavam há pelo menos uma década nas outras datas, como “Witch Hunt” (que não tocavam desde 2011), “New World Man” (pela primeira vez desde 2002), “Anthem” (pela primeira vez na íntegra desde 1978), “The Analog Kid” e “The Pass” (ambas pela primeira vez desde 2013), “The Trees” e “A Passage to Bangkok” (ambas pela primeira vez desde 2008), “Animate”, “Headlong Flight” e “The Camera Eye” (as três não eram tocadas desde 2015) e a íntegra da sinfonia 2112 (que não tocavam desde 1997). Mas a grande surpresa aconteceu na apresentação deste sábado, quando desenterraram “A Farewell to Kings”, faixa-título do álbum de 1977, que não tocavam ao vivo desde… 1979! Certamente veremos outras novidades no percurso da turnê, que continua no próximo fim de semana com dois shows na Cidade do México.

Assista abaixo:  

No Doubt ♥ Olivia Rodrigo

Todo mundo sabe que Olivia Rodrigo é fãzaça de No Doubt – inclusive já tocou músicas da banda de Gwen Stefani em suas apresenções, além de ter dado entrevistas falando o quanto ela foi um dos primeiros exemplos de “uma artista de verdade” que ela teve, antes de começar a pensar em fazer música. E depois de se juntar à banda em seu show de retorno no Coachella de 2024, ela subiu ao palco do grupo mais uma vez neste sábado – e de forma completamente espontânea. O No Doubt estava encerrando sua temporada na famosa Sphere em Las Vegas, nos EUA, quando Gwen viu uma garota bem na primeira fileira do show segurando um cartaz que dizia “Eu sou só uma garota que só quer o último abraço no último show na Sphere”, em referência ao número que a vocalista do grupo repetiu durante toda a temporada, quando escolhia alguém do público para dar um abraço. Stefani não acreditou quando reconheceu Olivia Rodrigo – bem no fim de semana de lançamento de seu terceiro álbum – e gritou: “É a Olivia Rodrigo? Pelamordedeus, chamem ela aqui, o disco novo dela acabou de sair!”, mas infelizmente o encontro ficou só no abraço e as duas não cantaram juntas mais uma vez.

Assista abaixo:  

Três fases do novo rock brasileiro

O grupo Jonabug comemorou o primeiro aniversário de seu disco Três Tigres Tristes em dose dupla na Porta Maldita neste fim de semana – e o primeiro show aconteceu no mesmo dia do primeiro jogo da seleção brasileira na Copa deste ano. Ao reunir-se com outras duas bandas mais novas da cena, o grupo de Marília, no interior de São Paulo, acabou fazendo uma amostra de como anda parte da cena de rock no Brasil nesta metade de década. A noite começou com o grupo Hidio, de Mogi das Cruzes, a mais nova das três atrações do sábado – e como é de se esperar de uma banda em sua fase inicial, as referências são muito evidentes e a sonoridade ainda não é própria, embora conectem com uma tendência cada vez mais evidente nesta nova cena rock que, se em gerações anteriores acumulavam referências de hardcore, garage rock, rock alternativo e metal, agora trazem elementos pronunciados de shoegaze e emo. Mas é questão de tempo pra que cheguem à sua própria assinatura musical e a banda já tem os elementos necessários para isso: energia, motivação e entrosamento, características básicas para qualquer banda crescer. Estão no rumo!

Depois foi a vez da banda gaúcha Quem é Você Alice?, mais conhecida pelos fãs como Qeva?, que já está em um outro degrau nesta evolução. Com dois discos já lançados (Rolê Trevas Pt. II, de 2023, e Nem Tudo é Sobre Amor, do ano passado), já têm uma cara musical melhor definida e um público consolidado em São Paulo, que canta várias músicas junto com seus vocalistas. Além da influência de diferentes vertentes do rock – com a mesma ênfase geracional ao emo e ao shoegaze, esta estranha mutação musical que vem assolando a nova geração de roqueiros -, o quarteto de Porto Alegre deixa evidente também a influência de bandas brasileiras como a Lupe de Lupe, com letras quilométricas e sentimentais e uma esperta amplitude musical, em que canções singelas explodem em riffs de guitarras e berros – ou o contrário.

A noite fechou com os veteranos do Jonabug, mostrando que estão cada vez mais amadurecidos e dominando seu público, o mais apaixonado e entregue ao show da noite, como era de se prever – cantando até os riffs de guitarra. Em canções que expandem as referências geracionais para abraçar o pós-punk dos anos 80 e o rock alternativo dos anos 90, o grupo de Marília, no interior de São Paulo, comemorava o primeiro ano do álbum Três Tigres Tristes e quase não carregam traços de emo ou shoegaze, o que é uma vantagem considerável neste novo cenário. E o carisma inato da vocalista e guitarrista Marília Jonas carrega a banda, que conta com seus comparsas Dennis Felipe (baixo), Thales Leite (guitarra, comemorando um ano na banda) e Samuel Berardo (bateria) para conduzir um show de gente grande, mesmo com a ousadia de terminar a noite com um memorável momento foda-se quando tocaram, sem ironia, “Killing in the Name”, do Rage Against the Machine. Bela noite.

#jonabug #hidio #quemevocealice #portamaldita #trabalhosujo2026shows 140 a 142

Todo o show: Strokes no festival de Bonnaroo (12.6.2026)

Os Strokes aos poucos estão assumindo sua postura de banda clássica, mesmo insistindo no autotune nas músicas novas e fizeram bonito no primeiro dia do festival de Bonnaroo deste ano, em Manchester, nos EUA, que, apesar de terem escolhido uma música bem paumole pra começar a noite (“Killing Lies”, que não tocavam desde 2022), logo recuperaram o jogo emendando “Hard to Explain”, “You Only Live Once” e “The Adults Are Talking” em seguida, sem poupar hits – e foi a primeira vez que o grupo tocou na íntegra uma de suas novas canções, a balada “Falling Out of Love” – emendando em seguida com “Reptilia” e “Last Nite”.

Assista abaixo: