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Duas estreias em sintonia

Que beleza de Inferninho Trabalho Sujo nesta sexta-feira no Redoma. A noite começou com o ótimo show da carioca Carol Maia, estreando na festa. Tocando ao lado de seu companheiro e baixista José Miguel Brasil, ela mostrou músicas de seus disco recentes e outras que ainda farão parte do seu próximo disco, que está produzindo. Habitando uma fronteira conhecida do cancioneiro carioca – em que a MPB quase blueseira encontra-se com o rock com aspirações poéticas -, ela traz um novo fôlego para esta tradição, injetando doses de indie rock e de rock alternativo nessa mistura, mas sem nunca pesar a mão, sempre dando ênfase à sensibilidade de suas canções. E a parceria musical com José Miguel é preciosa: enquanto ela dá o rumo das canções por acordes-base que toca em sua guitarra, ele abre novo plano ao transformar seu baixo num instrumento melódico, mais do que de apoio rítmico, dupla musical que os acompanha quando dividem os vocais. Acompanhada do insuperável baterista paulistano Quico Dramma (da dupla Kim & Dramma, que com poucos ensaios parecia ser integrante fixo da banda), Carol fechou a noite com a ótima “Feroz”, música que tem tudo para se transformar em seu primeiro hit.

Depois foi a vez de Ana Spalter estrear na festa e trazer ares mais pop à sua formação. Com o show baseado no disco Coisas Vêm e Vão, que lançou no ano passado, ela aos poucos começa a mostrar músicas do próximo trabalho que mantém a verve MPB do disco de estreia, mas aos poucos começa a mostrar elementos de música pop. Sua ótima banda entende o recado e segue o rumo – e mesmo formada por músicos exímios (Johnny Accetta na guitarra e vocal e Pedro Petrucci no baixo e os convidados Jampa na batera e Bruno “Neca” Fechine dos Tangolo Mangos nas percussões e vocais), prefere deixar o virtuosismo técnico em segundo plano para reforçar as canções de Ana. Fazendo aniversário no dia do show, ela deu um presente ao público ao convidar Carol para dividir o palco em um belo dueto de guitarra e teclados na eterna “Samba em Prelúdio”, de Baden Powell e Vinícius de Moraes.

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Ana Spalter e Carol Maia @ Redoma (12.6)

Já vai se programando porque em junho teremos mais um Inferninho Trabalho Sujo no Redoma reunindo duas cantoras em ascensão que mostram seus trabalhos recém-lançados com suas respectivas noites. No dia 12, a carioca Carol Maia estreia na festa trazendo no repertório seu recém-lançado It’s Nice to See a Lake In Your Eyes, em parceria com o baterista norte-americano Jeremy Gustin, e dos EPs Mundo de Espuma (2021) Urutu Fitas: Carol Maia (também deste ano), acompanhada de sua banda, formada por José Miguel Brasil e Thomás Medeiros, e mostrando suas canções que ficam entre o jazz, a música brasileira e o rock alternativo. Depois dela é a vez de Ana Spalter mostrar seu disco Coisas Vêm e Vão, lançado no ano passado, em que explora a canção paulistana contemporânea, e vem acompanhada de Johnny Accetta, Léo de Braga, Pedro Petrucci e Bruno “Neca” Fecchine. Como de praxe, eu mesmo discoteco antes, entre e depois dos shows. A casa abre às 21h, o primeiro show começa às 22h e os ingressos já estão à venda.

“I Shall Be Released” ao vivo pela primeira vez em 18 anos!

Ao apresentar-se em mais um show de sua turnê pelos EUA, Bob Dylan presenteou o público que foi vê-lo em Eugene na terça passada com uma volta ao hino “I Shall Be Released”, que ele não tocava ao vivo desde 2008. Pelo jeito essa turnê vai trazer vários clássicos desenterrados…

Ouça abaixo:  

O primeiro single póstumo do Fall

Quando Mark E. Smith nos deixou, em 2018, ele estava gravando um novo disco do Fall, que será lançado ainda esse ano. Post Script, ainda sem data de lançamento marcada, contará com 10 faixas inéditas do lendário grupo pós-punk encarnado na persona de Mark e a primeira faixa, “30 Degrees”, foi lançada nesta sexta-feira e é um calhamaço lento cheio de synths, bem diferente do que se espera de uma música do grupo.

Ouça abaixo:  

My Chemical Romance ♥ Pulp

O grupo My Chemical Romance anunciou em maio que estaria revisitando seu disco de 2010 (Danger Days: The True Lives of the Fabulous Killjoys) para comemorar os quinze anos do disco. A reedição de luxo sai no dia 10 de julho e além de trazer as 15 músicas originais em versões remasterizadas, também recolhe oito outras músicas gravadas naquele período. E entre sobras de gravação e versões ao vivo, o grupo formalizou o relançamento de sua versão para “Common People” do Pulp ao apresentá-la no estúdio da rádio inglesa BBC. Uma versão ok, que não compromete mas não avança, mas tem o trunfo de talvez trazer um novo público para a banda inglesa liderada por Jarvis Cocker.

Assista abaixo:  

Yma maior

Finalmente consegui assistir ao show do novo disco de Yma, Sentimental Palace, um dos melhores discos indies brasileiros do ano passado, na apresentação que fez nesta quinta-feira na Casa Natura Musical. Deu pra ver como ela subiu um degrau considerável em relação aos shows que fazia anteriormente, mesmo mantendo a mesma banda-base e com a expertise de anos de estrada regulada para este novo trabalho. Da direção de arte no palco – desde o castelo de papelão que traz na cabeça à primeira música ao figurino de todos os integrantes da banda – à direção musical, com direito a dois saxofonistas (com a entrada de Melifona na banda, que ainda esmerilhou no vocal na música do bis) e à presença do produtor do disco e companheiro Nando Rischbieter no palco, revezando-se entre vocais, teclado e violão. O resto da banda – Uiu Lopes no baixo (que também arrasa quando faz o dueto vocal em “Summer Lover”), Leon Perez (teclados), André Luiz (guitarra), Marco Trintinalha (bateria) e Vinícius Rodrigues (o saxofonista original) – tem uma cumplicidade de palco inabalável e acompanham Yma por seus devaneios dramáticos, ajudando-a a pintar o gótico lynchiano multicolorido que caracteriza seu universo musical. A mudança do novo trabalho é de escala: se em Par de Olhos ela pisava no mesmo chão do público, no novo álbum ela o eleva para o palácio sentimental do título, que tem um quê de conto de fadas e outro de hotel decadente. E o show acompanha essa nova escala, em que ela não só tocou quase toda íntegra do disco (só “Dentro de Mim” e “Passageira S.” ficaram de fora), um punhado considerável com as melhores do disco de estreia e canções intermediárias como o single “No Aquário” e “Meredith Monk”, que compôs para o disco que gravou com Jadsa. E essa escala se refletiu quando convidou o público para subir no palco para fazer a já clássica dancinha em fila em “Pequenos Rios”, que ficou para o final da noite. Muito bem.

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Nick Cave ♥ Pogues

Nick Cave começou a nova turnê que está fazendo com seus Bad Seeds nesta quarta-feira pela capital da Irlanda, Dublin, e para dar um agrado aos seus fãs locais, voltou a tocar, pela primeira vez em quase trinta anos a versão que faziam para “A Rainy Night on Soho”, dos heróis locais dos Pogues, repetindo o gesto (e a canção) que Dylan fez na mesma cidade em novembro do ano passado. Não foi a única raridade que trouxe de volta aos palcos nesta apresentação, tocando “Train Long-Suffering” pela primeira vez desde 1989 (!), “Nobody’s Baby Now” (que foi tocada pela última vez em 2017), “Hiding All Away” (fora dos palcos desde 2013) e “Stranger than Kindness” (que não tocava desde 2015). O resto da noite veio cheio de clássicos – de “Tupelo” a “Henry Lee”, passando por “Red Right Hand”, “The Mercy Seat”, “Papa Won’t Leave You Henry”, “Into my Arms” e outras joias.

Assista a algumas dessas canções abaixo:  

Strokes atrasado…

O próximo disco dos Strokes, Reality Awaits, sofreu com a espera do título e teve seu lançamento, que originalmente seria no dia 26 deste mês, adiado para o dia 24 de julho. Para diminuir o impacto da má notícia, o grupo aproveitou para anunciar o show de lançamento em sua cidade-natal, que não havia sido incluso na programação da turnê que divulgaram logo após anunciar o novo álbum. E olha que sonho indie hipster da primeira década deste século: o grupo apresenta-se em Nova York no dia 24 de outubro deste ano no Flushing Meadows Corona Park com a abertura das bandas Fcukers, TV on the Radio e Beach House. Não custa lembrar que o grupo vem para o Brasil no fim do ano como uma das principais atrações da versão paulistana do festival Primavera.

João Gilberto, 95 anos

Aproveitando a efeméride que comemora os 95 do nascimento do maior artista brasileiro, a Rádio Batuta, do Instituto Moreira Salles, chamou uma das maiores autoridades em João Gilberto do planeta – o pesquisador Otavio Filho (o incansável @undiu_undiu) – para conduzir um especial sobre Brasil, disco que o mestre sintetizava o que ele entendia do país em um disco com apenas seis canções que lançou em 1981 com participações de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia, num disco que João Bosco resume como “uma síntese do país”. O programa parte deste disco para seguir a ideia de brasilidade de Joãozinho por outros momentos de sua carreira, como, por exemplo, canta o hino brasileiro em uma apresentação no Teatro Santa Isabel no Recife, no ano 2000. Ouça aqui.

Rua Jimi Hendrix

Depois de uma campanha iniciada no final de 1970, logo após a sua morte, a rua em que Jimi Hendrix morou no fim de sua vida e onde montou seu lendário estúdio Electric Lady em Nova York, nos EUA, deixa de ser referida como West 8th Street e passa a se chamar Jimi Hendrix Way. A cerimônia de inauguração aconteceu nesta quarta-feira, quando a placa com o nome do maior guitarrista da história do rock finalmente pode ser revelada – meses após uma cerimônia em fevereiro que teve de ser cancelada por uma tempestade de neve. “Fizemos um abaixo-assinado no Electric Lady Studios para que as pessoas assinassem que dizia ‘Dê a essa rua o nome de Jimi’, mas isso não deu em nada”, disse a irmã do guitarrista, Janie Hendrix ao jornal New York Times. “Também tentamos colocar seu rosto num selo postal e isso só foi acontecer doze anos atrás. Tudo em seu tempo”.