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Meu Chappa

Os caras do Chappa Quentefizeram videozinhos compilando o que rolou nos debates do evento. O meu tá aí em cima, mas têm outros aqui. Abaixo, a resenhinha que saiu no site sobre a mesa que eu fiz parte.

NOVAS PLATAFORMAS, NOVAS OPORTUNIDADES, NOVOS COMPORTAMENTOS
22 DE MARÇO DE 2007

MÚSICA CHAPPA QUENTE – YOUTUBE, MYSPACE, NAPSTER, iTUNES, etc: as novas plataformas on-line

A quarta discussão do MCQ veio selar uma impressão latente desde o primeiro debate: os temas discutidos sempre espalham seus tentáculos pelas mesas futuras, não se acomodando à compartimentação imposta pelo formato. Isso significa que muito se falou sobre as novas plataformas, mas que essas plataformas constantemente puxavam outras inquietações, deixando claro que a nova música pede, também nos debates, uma nova abordagem. Passava longe, porém, a idéia de crise: a professora Gisela Castro (ESPM) e os tecnólogos Jarbas Jácome (do grupo pernambucano de incentivo à tecnologia C.E.S.A.R.) e André Valle (FGV) compartilhavam otimismo com os jornalistas Alexandre Matias (do blog Trabalho Sujo) e Marcelo Ferla (Rádio Ipanema). Tudo por conta de uma revolução de costumes iniciada no quarto de um universitário norte-americano, que respondia por um hoje famoso apelido: Napster.

“Quando o Napster saiu, eu estava dando um curso para executivos da indústria fonográfica”, contou André Valle. “Tragam ele para o seu lado, eu disse, porque as pessoas vão se acostumar a não comprar mais música”. A indústria, porém, perdeu tempo tentando frear o avanço tecnológico. Resultado: provocou queda de credibilidade junto ao público jovem, e com isso, segundo André Valle, comprou a sua lápide. “Só falta colocar a data”, completou. A professora Gisela Castro conversou com jovens consumidores de música para sua pesquisa acadêmica sobre esses novos costumes. “Muitos disseram se sentir contentes por lesar a indústria, pois ela merece ser lesada mesmo”, afirmou. “Para eles, pirata é quem cobra por aquilo que não é dele. Trocar música na internet faz parte do espírito fundador da rede”. Jarbas Jácome estava em pleno acordo:

“A cultura é o que determina o que é certo e o que é errado. A troca de arquivos já se tornou cultura. É um processo sem volta”.

Esse tipo de relação, porém, é só a ponta de um gigantesco iceberg. As gravadoras processaram o Napster e conseguiram proibir suas atividades (ao menos da maneira que elas se davam). Mas não eliminou, com isso, a nova filosofia de interatividade e compartilhamento iniciada pelo programa, e que daria rosto àquilo que hoje conhecemos como internet 2.0. Google, YouTube, MySpace, iTunes, Last.fm, Pandora e até mesmo o sistema de dicas da Amazon tiraram, todos, proveito das principais características de compartilhamento pioneiras da criação de Shawn Fanning. Aquele ato de quase-vandalismo inicial tornou-se um mercado multimilionário. “O mundo todo busca informações no Google. Então o Google tem o registro das intenções do mundo. E informação é poder”, raciocinou André Valle. “A internet é um mostro da democracia da informação”, completou o representante do grupo recifense de incentivo a novas tecnologias C.E.S.A.R. “O Google é um fenômeno de pré-burguesia”, interpretou o jornalista Marcelo Ferla. “Aparentemente não tem dinheiro envolvido, mas há a troca de serviços. E todo mundo sai ganhando”.

Curioso, portanto, que as novas tendências tecnológicas tragam de volta, ao menos na aparência, práticas tão arcaicas como a troca, o compartilhamento, o escambo, e problematiza a noção de propriedade. O que não significa, porém, que o capitalismo está ameaçado. “Cada vez mais pessoas estão descobrindo como ganhar dinheiro em cima da rede”, disse Alexandre Matias. “A internet tem um cara subversiva muito grande”, completou Ferla. “É o momento de deixar de percebe-la como subversão, e aprender a trabalhar com ela”. E se a indústria fonográfica como hoje conhecemos estiver com os dias contados, o mesmo pode ser dito sobre a tecnologia vigente. Embora hoje o mp3 substitua os discos físicos, a prática de baixar arquivos está muito associada às condições de conexão atuais. Com os avanços das redes de internet wi-fi, e o surgimento de novidades como o Slacker, a tendência é que a rede se torne um disco rígido comunitário infinito, e as pessoas não precisem mais sequer armazenar dados e músicas em suas máquinas particulares. Uma vez que o mundo decida não mais pagar por música, os artistas precisarão aprender a ganhar dinheiro de outras formas.

“Se por um lado as vendas de cd diminuíram, por outro as pessoas pagam mais caro pelos shows, por exemplo”, explicou André Valle. “Tudo indica que novos hábitos de consumo estão se consolidando”, concordou Gisela Castro. “Parte desta prática que a indústria chama de pirataria, nós podemos chamar de novas práticas de consumo”, completou. “O importante é descobrir novas maneiras de se ganhar dinheiro em uma atividade que estava acostumada com um modelo consolidado há muito tempo”, disse Marcelo Ferla. “O que eu acho que é a grande diferença, é que agora existem várias possibilidades de trabalho”, completou. “Acho que com a internet, não vai haver mais uma tendência predominante”, disse Matias. “É o fim do mainstream. É a pulverização do underground”.

E se nessa nova configuração musical não houver espaço para a indústria fonográfica, ela também terá que migrar para outras atividades. “A Sony tem um dilema interessante”, diz Alexandre Matias, “porque ela é uma empresa que distribui conteúdo, mas que também produz tecnologia”. Para André Valle, o amante de música tem crédito suficiente com a indústria para não deixar os downloads ilegais pesarem em sua consciência:

“Quando compramos o vinil, por exemplo, pagamos não só pelo suporte físico, mas pelo direito de ouvir aquelas músicas. Quando saiu o CD, compramos o mesmo direito novamente. Já pagamos várias vezes por um mesmo produto”.

O que realmente está mudando é a maneira das pessoas se relacionarem. A democratização exaltada por Jarbas Jácome acontece não só com a informação, mas também dentro do próprio sujeito. Se por um lado criações como o Second Life oferecem, em tese, a oportunidade de se ter uma vida diferente, Alexandre Matias acredita que a rede também permite que essa segunda vida não seja mais necessária:

“A separação das vidas real e virtual vai acabar. O grande barato da internet é a possibilidade se expressar, e quanto mais transparente você for, maiores as chances de você ser bem sucedido na rede. Em vez de o cara ser advogado durante o dia, e gótico à noite, a internet nos ensina que você pode ser advogado e gótico ao mesmo tempo. Ela nos ensina sobre tolerância”.

(por Fábio Andrade)

Apocalypse Now

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Apocalypse Now (Apocalypse Now, 1979, EUA). Diretor: Francis Ford Coppola. Elenco: Martin Sheen, Marlon Brando, Robert Duvall, Dennis Hopper. Vencedor da Palma de Ouro em Cannes e dos Globos de Ouro de melhor diretor, melhor ator coadjuvante (Duvall) e trilha sonora. 153 min. (versão original)/ 202 min (Redux). Por que ver: Antes de ouvirmos as primeiras palavras ditas em voz alta pelo protagonista, assistimos à mistura de imagens, sons e idéias que, em pouco mais de um minuto, sintoniza nossa consciência ao trauma da guerra dos Estados Unidos no Vietnã: uma floresta de palmeiras, rasantes de helicópteros, uma névoa amarela que cresce junto com o instrumental dos Doors – Jim Morrison saúda as bombas sobre as árvores com seu “This is the end” clássico, enquanto vemos o enorme rosto de Martin Sheen de cabeça para baixo. “Saigon. Merda…”, diz o Capitão Willard, ao olhar a cidade pela veneziana, “ainda estou em Saigon”. Coppola adapta o Coração das Trevas de Joseph Conrad para o cinema transpondo a África e seus entrepostos comerciais do século dezenove para um contemporâneo Sudeste Asiático em guerra, mas preserva sua essência: a viagem a um inferno verde que também é uma viagem ao centro da sanidade mental. A missão de Willard é encontrar um certo Coronel Kurtz, um dos melhores militares do exército americano, que, após ser transferido para o meio da selva do Vietnã, aparentemente pirou e criou sua própria base militar autônoma. Na jornada, Willard é acompanhado de um time de jovens soldados que são uma boa amostra do tipo de jovens americanos que morreram nesta guerra (um moleque do Bronx nova-iorquino – Laurence Fishburne, então com 17 anos – , um ex-campeão de surfe, um chef de cozinha…) e passam por situações tão surreais quanto tétricas. O horror da guerra é transformado em uma ópera de cenas inacreditáveis, com toda a teatralidade do sangue italiano do diretor surgindo em imagens grotescas e hilárias, às vezes, ao mesmo tempo. E com um elenco impecável – a melhor atuação de Sheen, Hopper interpretando a si mesmo, Brando improvisando, Duvall épico –, Coppola supera a saga da família Corleone em um único filme, fazendo sua obra-prima. Mas Apocalypse Now é um filme maior do que sua duração: foi bancado todo com a grana que Coppola faturou com os dois primeiros filmes da série O Poderoso Chefão, levou três anos para ser concluído, teve o set destruído por um furacão, mudou de protagonista duas vezes (Roy Scheider e Harvey Keitel abandonaram o papel), teve problemas com Brando (que se negava a seguir o roteiro), enfartou o ator principal (durante as filmagens da primeira cena) e levou sexo, drogas e rock’n’roll para as Filipinas, onde foi filmado, em escala hollywoodiana. Tanto foi filmado que o diretor lançou sua versão autoral, chamada “Redux”, em 2001, acrescentando 49 minutos de cenas inéditas. Fique atento: Outro show de cenas fantásticas e texto preciso, é difícil sublinhar um só momento ou aspecto: da respiração tensa de Willard ao batalhão de caubóis em helicópteros liderados pelo personagem de Duvall, passando pelo tribalismo psicótico das cenas finais e a atuação plena de Brando – que só aparece no finzinho, mas com menos de vinte minutos de filme já toma o inconsciente de assalto, apenas com a voz, tudo é uma aula de cinema.

2001 – Uma Odisséia no Espaço

Vou começar a desovar alguns textinhos meus presentes no livrinho 300 Filmes para Ver Antes de Morrer (que eu editei junto com o Maron, via Globo) aqui no Sujo, mas o volume impresso tem um monte de minibios, listinhas e outras curiosidades, além de outras tantas resenhas, com o crivo moral de Fred Leal (forçaê, compadre!), Arnaldo Branco, Vladimir Cunha, Dafne Sampaio e outros bambas. Dá uma sacada nele depois, quando tiver na banca, e veja se não vale a leitura. Aqui, um primeiro aperitivo.

E, claro, 2001.

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2001 – Uma Odisséia no Espaço (2001 – A Space Odissey, 1968. EUA). Diretor: Stanley Kubrick. Elenco: Keir Dullea, Gary Lockwood, Douglas Rain. 141 min. Por que ver: Se você ainda está procurando um sentido para entender 2001, você não entendeu a principal lição do cinema. Deixe-se levar, conduzir pela harmonia proposta pelo diretor à visão e audição do espectador, entregar-se à imaginação alheia, conduzida a uma outra dimensão, um mundo literalmente feito de luz e som – como o nosso. 2001 é a Mona Lisa em movimento, seu sorriso cético e cínico e olhar onipresente transformados em uma parábola sobre a existência humana, que, em uma fração de segundo, reduz a História com agá maiúsculo a uma simples troca de ferramentas, o osso pela espaçonave. 2001 é uma sucessão interminável de cenas perfeitas – com o círculo usado como régua de precisão (o olho-rosto de HAL 9000, o formato da nave, o alinhamento dos planetas) e toda a paleta da música erudita (o clichê instantâneo de Zarathustra, o manjado Danúbio Azul e o fantasmagórico Réquiem do húngaro Ligeti assumem novas formas quando projetados ao espaço) à disposição da megalomania de Kubrick. Baseado no conto O Sentinela, do escritor de ficção científica (e roteirista do filme) Arthur C. Clarke, o filme lida com níveis de inteligência sobre-humanos que incitam o macaco à evolução até o ser humano, para, daí, partir para uma nova etapa de consciência. O ritmo lento e a placidez estéril do computador HAL – ironicamente, o personagem mais carismatico do filme – contribuem para o crescendo de ópera do filme, que pode parecer sonolento para olhos mais distraídos, mas são cinema lapidado em plena perfeição. Fique atento: Não pisque. Mais de duas horas de puro espetáculo cinematográfico: a dança dos planetas, as aparições do monolito, a hipnose e o despertar da consciência de HAL (pense bem, um robô que diz “Espere um minuto…”?), o espetáculo de cores do final, a conclusão inconclusiva. Como o maior road movie de todos os tempos (e talvez o maior filme de todos os tempos), ele atesta que o que importa é a viagem, não o destino.

A sua vida, saca?

ou Como o desemprego é uma ilusão

Prepare-se para ser demitido. Nah, não tô te rogando praga nem exercendo futurologia trabalhista rastaqüera a esta hora da madrugada. Tudo bem que o tom é imperativo e soa dramático, mas meu ponto de vista é mais zen que apocalíptco.

Aceite isto como uma realidade: você vai ser demitido. Quando você menos esperar, por um motivo indefensável, alguém vai lhe dizer que não precisa mais dos seus préstimos e que você pode trazer a carteira de trabalho e passar amanhã no RH. Não, não adianta falar “mas eu…”. É fato, você está no olho da rua.

E agora?

Eis você, sem emprego. Cheio de contas para pagar. Durango. Puto. Nervoso. Impaciente. Tenso. E, pior, sem perspectiva do que fazer daqui pra frente.

Esse é o grande segredo das corporações: te pegar de surpresa, te tirar o emprego como se tirasse o chão, o rumo, o sentido da vida. De certa forma, elas têm razão, afinal de contas, o jeito com que conduzimos nossas próprias vidas em relação ao assunto “trabalho” faz com que pareçamos apenas escravos, que trocam chibatadas pela satisfação insatisfeita de fingir que tudo vai bem no teatro que é a sociedade.

E isso porque simplesmente deixamos de viver sem perspectivas, como se o emprego fosse duradouro, eterno. É este o sentido por trás de tudo: você continuar, para sempre, fazendo exatamente a mesma coisa que sempre fez desde o começo, peça mecânica sem ambição profissional ou vontade de viver, pronta para ser substituída.

E tudo isso em troca de um abono mensal que, por pior que seja, sustenta uma vida mediana e paga aquilo que precisamos comprar para que nos sintamos vivos – discos, cinema, drogas, TV a cabo, praia, viagem pra gringa, noitadas, acesso à internet, telefone, roupa, leituras, carros e sexo, basicamente. Chamamos isto de “entretenimento”.

E vivemos nos “entretendo”, achando que esta forma rasteira de diversão (afinal, entretenimento sequer é diversão, e sim apenas uma forma de distrair, passar o tempo) é onde devemos gastar nossa energia orgônica. E passamos 12, 14, 16 horas enfiados em salas com pessoas que aprendemos a aturar na marra, almoçando com alguns com “quem tenhamos afinidade” (eufemismo para aqueles que temos menos atrito), destilando veneno no café e criando, sem saber, pedras nos rins, feridas no fígado e no estômago, tumores.

Comece calcular quantas horas semanais você dedica ao tema “trabalho”, incluindo aquelas quatro horas diárias morgadas em frente à TV que você finge que são dedicadas a “esvaziar o cérebro”. Não, ele não está esvaziando, está apenas fazendo com que você quique conceitos na cabeça sem se dar conta disto.

Ao mesmo tempo, a TV te bombardeia com símbolos de sucesso, sinônimos de felicidade e notícias de pessoas que desistiram da regra. Os telejornais vão em uníssono com os comerciais: empregado, bom; desempregado, ruim. E lá está você, derretendo nos raios catódicos, assimilando informações que, sem que você perceba, digam claramente o quão vegetal você é e merece ser. Entra o comercial com a gostosa magrinha e o galã de queixo e peitoral largo. Você não é um, nem outro. Sinal vermelho, volte pro fim da fila.

E sequer pense que você pode ficar desempregado. Afinal, isto nunca vai acontecer. Ao menos que, hm, aconteça.

A imprevisibilidade do desemprego é algo encarado nas repartições de trabalho como uma catástrofe natural, um raio, uma chuva de granizo. Mas qualquer um que decida olhar a situação com um pouco de distância sabe que os movimentos são estratégicos como o xadrez e, para usar um termo em voga (e à mercê), vão direto na auto-estima do cidadão.

Por isso, prepare-se para ser demitido. Assim, quando a verdade chegar para você em forma de um bilhete azul, você não vai se sentir um marido traído. Aceite os fatos, você está fora. E agora?

E agora a sua vida, seu merda. Afinal de contas, o que é isso que você chama de vida? Você só consome, consome, consome e daí? O que você ganha com isso? Qual é o sentido disso tudo? Pilhas de livros, pilhas de discos, pilhas de bookmarks, pilhas de MP3. O que você vai fazer com tudo isso? Além de rótulos íntimos de sua personalidade, que mais eles são?

Pense no que você faz hoje. É o que você quer da vida? Você vai morrer e como vai entrar pra história? Funcionário do mês? Operário padrão? Profissional do ano? É este tipo de herança que você quer? Que seus filhos olhem na parede da Fiesp e descubram que você foi o chapeiro do mês em agosto de 2016? Para entrar na posteridade, basta virar nome de rua?

É para aí que você caminha, empregado. E digo com repulsa, com PENA, de você, que tem um patrão fungando em seu cangote prazos e rejeições às suas idéias despencando em seu dia-a-dia como colheres de açúcar no balde de café que você toma de hora em hora.

Por isso, insisto: o que você quer realmente da vida? O que você gosta de fazer? Você ao menos consegue responder a estas perguntas?

Caso positivo, é bem provável que você trabalhe com o que gosta, e esteja começando a duvidar que realmente goste daquilo. Normal, esta é a tática do patrão. Ou pode ser que você esteja desempregado e, mesmo discordando do conceito que ficar desempregado é legal, tendo concordado com boa parte do que eu já disse. Falamos sobre isso mais adiante.

Mas caso você não consiga responder a estas perguntas, não se desespere.Há milhões de pessoas vivendo uma situação idêntica à sua e sequer cogitaram, como você, sobre a possibilidade de estar fazendo algo que preste.

Se você não sabe o que quer, a culpa não é sua. A culpa é de um sistema autoritário que embute na sua cabeça que você tem que, na flor da adolescência (os vinte), definir o que você quer da vida. Só gênios ou robôs sabem o que realmente querem aos dezoito anos, por isso considere que a sua opção de terceiro grau foi errada. Que você fez um curso que não tinha tanta certeza e que provavelmente trabalha com uma área que não diz muito respeito às suas qualidades. É bem provável que você tenha uma gravadora, uma banda, um site ou ao menos um blog, que é onde você deixa suas verdadeiras intenções virem à tona.

Normal. Seria mais normal se você conseguisse se expor assim com todo mundo. Mas, não, o único lugar que você consegue se abrir é no seu blog. No seu fundo de caderno. Nos resmungos durante uma partida de videogame. Sua vida tornou-se uma eterna reclamação. Você reclama, logo existe.

Você está infectado pelo vírus “trabalho”, que tenta tirar qualquer propósito de suas ações. Você se sente, no fundo, um inútil, mesmo que tenha dobrado o faturamento da empresa em que trabalha ou ganho uma viagem para a Europa depois de um tapinha nas costas e uma piscada de olho do patrão. “Yes!”, você pensou sozinho, mesmo sentindo vergonha de estar se nivelando ao parâmetro de um americano mongol (pobres mongóis, nada contra).

Você vai ser demitido, cara. Comece a pensar nisso e nas possibilidades que vêm a seguir. Se você não tiver planos, metas ou pelo menos uma direção no seu rumo, pode crer que você não é nada além de graxa nas engrenagens da História, uma novelinha besta escrita por esnobes que não vão citar seu nome, nem no rodapé.

Por isso, comece a pensar no que você quer fazer quando você for demitido. Altas festas. Uma viagem. Deixar de lero-lero e botar a mão na massa. Descansar de verdade. Pense nisso e vá economizando um troco, fazendo contatos, pensando em alternativas, cogitando possibilidades. Assim, quando a inevitável demissão acontecer, você sabe o que fazer. Esta é a grande vingança. Nada de tremer: fora do trabalho, bola pra frente.

Pare de pensar no trabalho como um fim. Patrões trabalham com conceitos de terror e medo, e o desemprego crescente é bom para que eles mantenham a paranóia sobre seus empregados.

Mande-os à merda. Olhe ao redor: o patrão é o cara que paga tudo que você vê no escritório, inclusive o salário de todos os seus colegas. Ou seja, você não vale nem o aluguel que ele gasta no local de trabalho – isto quando o mesmo não for próprio. Por isso, chute o balde. Use o xerox e a impressora no limite da cara-de-pau. Mande cartas pessoais usando o correio da empresa, faça interurbanos, dependure-se em sua internet e mande recadinhos para seu patrão via email alheio (ou você acha que ele não lê sua e-correspondência?). Fique doente quantas vezes puder, faça corpo mole e finja desinteresse. Responda “sim senhor” para todas as inquisições, peça desculpas quando tomar um esporro e faça cara de dodói, para tocar no resto de humanidade que seus patrões possam ter. Você estará apenas cumprindo seus direitos de empregado.

Mas isto não importa. O importante é você saber o que fazer quando for alforriado.

Por experiência própria, lhe digo: tire férias. Descanse por uns três, quatro meses ou mais. Zere a sua cabeça, limpe o fígado e durma tranqüilo. Depois, mire sua cabeça onde você quer trabalhar. Não importa o que você quiser fazer, haverá alguém disposto a pagar por isto.

Por isso, o mais importante é sair à procura, mexer-se. Comece a trabalhar para você mesmo, antes que a frustração seja maior que a sua vontade de continuar. Afinal, como disse o Daniel de Pádua sobre o Manifesto Nômade do Tom-B: “somos nós quem definimos o que deve ser e o que é. Acorde para as outras possibilidades. Perceba que existem mil sentidos para uma coisa. Deixe-se evoluir à medida que os mil sentidos fluem pelo seu cérebro. Não os retenha voluntariamente. Apenas aprenda como senti-los. Veja o ser humano como uma coisa só”.

Esse é texto meu velho, pós-Play, do começo de 2003, acho, que foi reativado pela minha memória (um lixo) por um post de hoje do Marcel. Mas que continua atual. E isso me lembrou de resgatar os textos do Geocities, que tão lá parados, até hoje… Não só os Fora de Controle, mas também as resenhas, etc. Ou seja, it’s revival time!

Uma Noite Perfeita Com DjMulher – Gente Bonita Vol. 04

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DjMulher nossa convidada direto do Canadá, rompe a noite perfeita Gente Bonita com os melhores hits da “night québécoise”.

(01)“The Bomb”New Young Pony Club
(02)“Miss Alissa”Eagles of Death Metal
(03)“New York Girls”Morningwood
(04)“Tribulations”LCD Soundystem
(05)“Discotech”Young Love
(06)“Fancy Footwork”Chromeo
(07)“D.A.N.C.E.”Justice
(08)“Rehab(DED remix)”Amy Winehouse
(09)“Nausea(Pirate’s Bumblebeez remix)”Beck
(10)“Say It Right”Nelly Furtado
(11)“What Goes Around Comes Around(Junk XL Small Room Remix)”Justin Timberlake
(12)“Love Me or Hate Me”Lady Sovereign
(13)“Buchecha Ardendo” – Vanessinha Picachu & Os K-rrascos
(14)“Coozi Mambo”Buraka Som Sistema
(15)“Tony The Beat(Rex The Dog Mix)”The Sounds
(16)“Je Suis French Dont Touch”Pravda
(17)“It’s Alright Baby”Komeda
(18)“For Once In My Life”Stevie Wonder

Download:
Uma Noite Perfeita Com DjMulher – Gente Bonita Vol. 04

Emo…

Cara, até agora eu não consigo botar fé nisso… A realidade é bem mais estranha que a ficção.

Vida Fodona #082: Uma coisa meio freak, não só sinistra

Hypes se materializando, banda brasileira chupa gringos, groove is glam, Simonal standard, hard rock psicodélico, gata soul, bossa nova snupe, o novo George Michael, soul punk, dança do robô, hit farofa 70 e instrumental paulistano. De novo.

– “Fluorescent Adolescent” – Arctic Monkeys
– “Wake Me Up Before You Go Go” – Wham!
– “I’ll Never Fall in Love Again” – Wilson Simonal
– “Go” – Common
– “Meu Primo Zé” – Camisa de Vênus
– “Monolith” – T-Rex
– “Witchcraft” – Wolfmother
– “Blue Charlie Brown” – Vince Guaraldi Trio
– “Could We” – Cat Power
– “Love Will Keep Us Together” – Captain & Tenille
– “Jantar com Kubrick” – Mamma Cadela
– “Blues for Godzilla” – Bellrays
– “Dude, You Feel Electrical” – Shout Out Out Out Out
– “Geremia” – Bonde do Rolê

Remo?

Depois da internet

Materinha no Link de hoje.

***

Novas formas de se ouvir música

Com o MP3, os hábitos dos ouvintes mudaram radicalmente e, aos poucos, as pessoas descobrem como isso é ótimo

O MP3 matou o CD, as gravadoras estão em crise, quem baixa música da internet é pirata e vai demorar um tempo até nós, brasileiros, termos lojas de música digital à altura das que já existem nos países desenvolvidos.

Parece que o caos se instalou no mundo da música, não é? Desde que o Napster, o primeiro programa de compartilhamento de arquivos pela internet, foi criado em 1999, as coisas mudaram tanto nesse mercado que a quantidade de desinformação que circula por aí não é pequena.

Vamos reescrever então o início deste texto.

Não, o MP3 não matou o CD, as gravadoras começam a se adaptar, existe uma infinidade de música grátis e legal circulando na rede e já é possível comprar arquivos digitais sem ter de adquirir o disco inteiro, inclusive no Brasil.

O fato é que a internet mudou completamente nossa relação com a música. Se antes era só ouvir na rádio, ir até a loja ou ler na revista para ficar sabendo quais os principais lançamentos do mês, hoje a quantidade de fontes de informação cresce em velocidade exponencial.

O mesmo acontece com as formas que bandas novas e artistas à margem do sistema das gravadoras multinacionais encontram para divulgar seu trabalho, por meio da rede mundial de computadores.

E – agora vem a boa notícia para você, leitor – multiplicam-se as opções para qualquer um ouvir música, seja pagando ou de graça, por meio da internet. O Link desta semana tem uma proposta simples e, ao mesmo tempo, ousada: ajudar você, leitor, a mergulhar nesse incrível mundo da música digital.

Ouvir sem comprar
Quem é novato encontrará dicas para ir se acostumando aos poucos com a novidade. Já os mais escolados poderão ir mais fundo nesse oceano musical que é a web.

E, veja bem, todas as dicas incluídas nesta edição são 100% legais. Então, mãos à obra.

A primeira sugestão vai para quem ainda não se sente à vontade para abrir mão do CD, mas fica com uma cara assim meio sem graça quando, em uma roda de amigos, alguém afirma, com toda a convicção, que CD é coisa do passado.

De fato, a música não precisa mais de um suporte para ser vendida e transportada. Mas isso não quer dizer que o Compact Disc morreu. Ele continua a ser uma forma de se ouvir música. Só que, pouco a pouco, deixa de ser a principal.

Mas não é motivo para comprar gigabytes e gigabytes de música em MP3. Que tal começar ouvindo música no seu PC, em “streaming” (sem baixar o arquivo), organizar playlists e ver o que acha da idéia?

É o que faz o biólogo Luciano Steves, de 48 anos. “Para que possuir música se posso ouvir um monte de coisas online?”, diz. Ele trabalha boa parte do dia no computador e, para se distrair, utiliza os serviços do Sonora e do Yahoo Music.

O Sonora também vende música, mas Luciano não sucumbe à tentação. “Não faço questão de ter uma coleção grande de músicas. Prefiro criar uma playlist que possa escutar de qualquer computador.”

É claro que ele precisará “possuir” música quando decidir comprar um toca-MP3. Só que Luciano ainda não chegou lá. Nem está com pressa.

Garimpo musical
O universitário Ronald Rios, de 18 anos, está na outra ponta da nossa aventura musical. Ele vive para cima e para baixo no Rio, onde mora, com seu aparelho portátil de MP3.

Seu toca-MP3 é dos mais baratinhos, com pouco capacidade, mas Ronald conhece bem o caminho das pedras para achar música nova na web. Suas principais fontes de pesquisa são blogs de MP3 e o site musical Pandora (que não funciona mais no Brasil), onde descobre novos artistas que usam a internet para mostrar seus trabalhos.

Quando encontra algo diferente, Rios recomenda em seu blog, o www.rockdeindio.com. Um exemplo recente foi o Coconut Records, projeto-solo do ex-baterista do Phantom Planet, Jason Schwartzman.

O blogueiro descobriu o som por indicação do baixista do Weezer, gostou e incluiu em seu blog o link para o Coconut na comunidade virtual MySpace (especializada em música).

Os blogs de MP3 podem ser divididos em dois grupos. O primeiro reúne links para CDs inteiros transferidos para MP3 e disponibilizados online. Em geral, violam direitos autorais.

O segundo grupo é recente. Descobre artistas que disponibilizam MP3 de graça na internet, mas que estão soltos à procura de ouvintes. São fios da meada na rede global.

“Ninguém conhecia no Brasil e um monte de leitores curtiu a minha sugestão. Alguém até criou uma comunidade no Orkut para o Coconut graças à indicação”, diz.

Já a universitária Juliana Leuenroth, de 22 anos, busca na rede material raro de artistas que ela já curte, de performances ao vivo a covers bizarras. “Travis cantando Britney Spears é impagável”, ri.

Também existem na web diversos sites que identificam o gosto musical do internauta, a partir daquilo que ele já conhece, e o apresentam a bandas e artistas que tenham a ver com seu gosto musical.

Fica fácil ampliar seus conhecimentos musicais assim, não?

* com Gustavo Miller

Um mergulho na música digital

Seja o ouvinte novato nos downloads ou veterano do MP3, não faltam dicas para aproveitar a experiência ao máximo

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Clique aqui para ver o infográfico em PDF.

Para quem já está habituado a baixar MP3 e a descobrir novos artistas sem precisar da ajuda do rádio ou de revistas, um guia para se aprofundar na música digital parece básico e didático demais, feito apenas para novatos que começam a usar a inevitável rede.

Será? Com tantas mudanças e novidades acontecendo sem parar, é possível que haja um site, um serviço, um programa que tenha passado despercebido até para os que já habitam as profundezas do enorme oceano que é a música digital.

Mas como ainda tem gente molhando os pés na praia, não vamos nivelar ninguém por baixo. As dicas abaixo servem para os diferentes níveis de imersão em que diferentes usuários se encontram. E, à moda não-linear da época em que vivemos, este guia não é um passo-a-passo. É possível praticar diferentes etapas sugeridas abaixo sem ter passado por outras. O único pré-requisito é conectar o computador à internet. A partir daí, é ao gosto do freguês.

Afinal, baixar MP3 em programas de compartilhamento de arquivo do tipo P2P (peer-to-peer) como Kazaa, Emule e Soulseek é só uma das possibilidades. Mas como a troca de músicas entre fãs ainda é vista como pirataria pela lei, procuramos opções que se mantenham dentro da legislação e não infrinjam direitos autorais dos intérpretes e compositores.

Para os iniciantes, mais do que sair baixando músicas aleatoriamente, é preciso, primeiro, se habituar com esse novo jeito de ouvir música.

Baixar MP3 para ouvir em aparelhos portáteis é uma variante moderna de compilar uma fita cassete para ouvir no carro ou Walkman, com a diferença de que a “fita”, no caso, pode ter uma capacidade enorme e não há o desgaste de som que acontecia com os antigos cassetes toda vez que eram regravados. Além disso, você não precisa ouvir as músicas enquanto passa para o aparelho – é só arrastar os arquivos e pronto.

Lojas online e sites oficiais de artistas também são boas pedidas para quem está começando. Procure no Google por seu artista favorito – se ele estiver sintonizado com a nossa época, terá um site em que é possível, ao menos, ouvir trechos de suas músicas. Muitos artistas estão pouco a pouco percebendo que a influência da rede não prejudica seu trabalho e disponibilizam até mesmo MP3 gratuitos em suas páginas pessoais.

Mas é sempre bom lembrar que a grande qualidade desse novo tempo é a possibilidade de descobrir artistas que, não fosse a internet, sequer seriam conhecidos em suas cidades. Por isso, ouça seus favoritos, mas abra seus ouvidos para o novo.

Para quem está começando, outra dica é organizar os MP3. A maior parte dos programas que ripam CDs está conectada ao banco de dados CDDB, que cadastra todos os lançamentos em nível global. Mas quando o programa não reconhece o disco, ele copia as músicas com títulos como “Faixa 1” e “Artista Desconhecido”. Isso pode parecer irrelevante no começo da experiência, mas é imprescindível na segunda fase, quando programas online podem indicar artistas novos e desconhecidos a partir do seu gosto musical.

Se você já passou dessa fase, resta ir ainda mais fundo. Além de podcasts e blogs de MP3, que ajudam a identificar quem é quem nesse aparente caos da música digital, outros dois tipos de ferramenta facilitam ainda mais a vida do ouvinte.

Sites como o Last.fm e o Musicovery indicam artistas a partir de um primeiro nome escolhido por você. A inteligência dos programas online compara gostos de outros usuários e, a partir do cruzamento de dados, sugere nomes que você nunca tinha ouvido falar, mas que certamente batem com suas preferências. Como diria a Feiticeira, naquele comercial de TV, “não é magia, é tecnologia”.

Para procurar blogs de MP3 que disponibilizam músicas gratuitamente, dois sites são fundamentais. O Hype Machine não apenas cataloga todos os blogs dessa natureza, como, a partir de seu banco de dados, indica bandas e músicas que estão fazendo mais sucesso nesses tipos de site, criando paradas de sucesso completamente alternativas. O Critical Metrics vai além e inclui publicações tradicionais (jornais, revistas e canais de TV) em seu ranking.

Mas o mais importante é que tudo está à sua disposição na web. Nada mais é imposto, tudo depende da sua escolha. E, se ouvir música já era um prazer, escolher a melhor forma de ouvir é um privilégio.

MP3 e indústria fazem as pazes

Gravadoras e lojas aos poucos cedem ao formato digital; serviços online oferecem música nova sem cobrar nada

Aonde você vai quando quer comprar música? Antigamente, quando os endereços eram apenas físicos, a resposta vinha na ponta da língua, quase sempre acompanhada do nome de um vendedor gente boa que dava dicas preciosas sobre artistas que ninguém conhecia.

Esse tempo já era. Hoje, comprar música não diz respeito especificamente a discos (que continuam sendo vendidos, online e offline), mas também a MP3 isolados e discos inteiros digitalizados. E isso não é exclusividade de Primeiro Mundo.

Duas das maiores lojas online do país (a Americanas.com e o Submarino) já oferecem músicas digitais, graças a uma parceria com o site iMusica.
Outras lojas online vendem exclusivamente música digital. A Megastore, do portal UOL, a Yahoo! Música, do portal Yahoo!, e o serviço Sonora, do portal Terra. Nas três, o usuário pode ouvir e comprar tanto discos inteiros quanto canções separadas.

O Sonora sai na frente por oferecer um serviço cobrado mensalmente que permite ao assinante ouvir músicas sem precisar baixá-las, à vontade, além de poder escolher as músicas que quer ouvir, criar sua própria playlist (seleção de músicas) e compartilhá-la com outros usuários do site.

O único problema das lojas brasileiras é a incompatibilidade com o iPod. Como o formato oferecido pela Apple é exclusivo dela (a empresa usa o MP4 em vez do MP3), não é possível comprar arquivos que possam ser deslocados diretamente do computador para o portátil de Steve Jobs.

A iTunes Music Store, loja de música digital mais popular do mundo, por sua vez, não permite que usuários brasileiros façam compras em seu sistema. A Apple não se pronuncia oficialmente sobre uma versão nacional da iTunes Music Store, embora volta e meia surjam boatos de que ela chegará.

Todas as lojas no Brasil explicam que, para encher o iPod com suas músicas, o ouvinte deve comprar a música, gravar um CD com elas, convertê-las por meio do programa da Apple (o iTunes) para, só então, transferi-las para o aparelho – nada prático, nada rápido. Mas isso só acontece no caso do iPod. Outros MP3-players não sofrem deste mal.

Por outro lado, é possível comprar MP3 em outras lojas internacionais, como a Rhapsody (www.rhapsody.com), da Real Networks, e no eMusic (www.emusic.com), usando um cartão de crédito internacional.

Os sites das tradicionais megastores do País, como Fnac, Saraiva e Siciliano, só vendem música em CD. Nada de MP3.

Além dos discos
As gravadoras, por sua vez, começam a se mexer e, pela primeira vez, em 2007, as multinacionais começaram a lançar discos primeiro no formato digital para, depois, se for o caso, vender o CD.

Outras empresas do ramo, brasileiras e independentes, já estão cientes da mudança dos tempos. Grandes como a Biscoito Fino e a DeckDisc já vendem MP3 em seus próprios sites.

A Trama criou a TramaVirtual (www.tramavirtual.com.br), já em seu quarto ano de funcionamento, site no qual artistas sem gravadora podem subir suas músicas em MP3 sem precisar pagar nada. E o ouvinte pode baixar sem colocar a mão no bolso. Basta preencher um cadastro simples.

Sites recomendam músicas a partir do seu gosto musical
Enquanto uns preferem comprar, outros se viram para ter de graça. Mas ouvir música online sem pagar não quer dizer, necessariamente, burlar direitos autorais ou lesar o artista.

Há na web uma série de novos recursos que tornam isso possível – além de uma novíssima geração de artistas disposta a não cobrar por sua música, pois sabe que só assim se tornará conhecida do público.

Na primeira categoria estão sites que reconhecem o gosto do ouvinte para, em seguida, oferecer outros artistas afins. Pandora, Last.fm e Musicovery são as ferramentas mais populares, mas não são as únicas.

O Last.fm (www.last.fm) é um site de relacionamentos como o Orkut, só que dedicado à música. O usuário cria um perfil pessoal e baixa um plugin para instalar em seu player de MP3. Em seguida, o site compara a relação de músicas do novo membro com listas de outras pessoas de gostos parecidos. Então sugere novos artistas. Boa idéia, não?

O Pandora (www.pandora.com) e o Musicovery (www.musicovery.com) funcionam de forma parecida, só que o player é o próprio site. Você define um ponto de partida (uma música, um artista) e os sites sugerem músicas que tenham a ver com a escolha inicial. O interessante é que os sites vão ficando mais afiados à medida que você vai dizendo se gosta das sugestões.

A má notícia é que, na semana passada, o Pandora saiu do ar para internautas brasileiros e de outros países, com exceção de EUA e Reino Unido. Uma mudança na cobrança de direitos autorais na internet quase fechou o site de vez, mas usuários nos EUA protestaram e conseguiram que o site continuasse acessível a internautas norte-americanos e britânicos.

Essa decisão pode afetar outros serviços do gênero, o que seria uma pena.

O MySpace (www.myspace.com), maior comunidade virtual dos EUA, é uma ótima fonte para ouvir e, em alguns casos, baixar músicas de artistas, famosos ou não. Mas, sem um sistema de recomendação inteligente, ele é um enorme diretório de música online, sem ponto de partida.

Aí entram os blogs de MP3 e os podcasts. Veículos novíssimos, eles saíram da fase de resgatar música fora de catálogo e começam a apontar para o futuro. Por meio de catálogos online como o Hype Machine (www.hypem.com) ou o Critical Metrics (www.criticalmetrics.com) é possível achar blogs que filtram novos artistas no MySpace e facilitam a vida do ouvinte.

Os podcasts (tipo de programa de rádio que pode ser baixado via internet como um MP3) têm a mesma função. O site do Link (http://link.estadao.com.br) traz um diretório. Outros podcasts são encontrados em endereços como www.odeo.com e www.podomatic.com.

Para o Sonora, música é serviço e não um produto
Um pequeno – mas significativo – detalhe faz da seção de música online do portal Terra, o Sonora, algo diferente das demais. É o fato de tratar música como serviço, e não como produto.

“Sem o suporte, a música pode ser ouvida em qualquer lugar e não apenas quando se tem um MP3”, explica Beni Goldenberg, gerente de produto do Sonora. “Assim, além de vendermos faixas isoladas e discos inteiros, também temos a opção de assinatura, em que o usuário paga uma taxa mensal e pode ouvir quantas músicas quiser, quantas vezes quiser”, diz.

O catálogo do Sonora inclui 500 mil músicas, e a meta para 2007 é dobrar o acervo. Por outro lado, o serviço não revela números de assinantes e de downloads. É esperar para ver se a assinatura digital pega aqui no Brasil.