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Vida Fodona #081: Hoje é só música brasileira

Hoje só meu Brasil brasileiro mulato inzoneiro vou cantar-te em meus versos. Segura!

– “Also Spracht Zarathustra” – Eumir Deodato
– “Dance Enquanto é Tempo” – Tim Maia
– “Low” – Otto
– “Maria Fumaça” – Banda Black Rio
– “Pilotando o Bonde da Excursão” – Marcelo D2
– “Nothing” – Walter Franco
– “Falador Passa Mal” – Originais do Samba
– “Tema de Baby” – Marcio Lott
– “Sapo na Banca” – Z’África Brasil
– “Hino do Duran” – Chico Buarque & A Cor do Som
– “Jogo de Calçada” – Mutantes
– “O Homem da Gravata Florida” – Los Sebozos Postiços
– “Samba Dia” – Gabriel Muzak
– “Corrida de Jangada” – Nara Leão
– “Mensagem” – Kassin + 2
– “Muita Estrela, Pouca Constelação” – Camisa de Vênus & Raul Seixas
– “Vitrine Viva” – Ira!
– “Epilético” – Doiseu Mimdoisema
– “Sandina” – Replicantes
– “Baader-Meinhoff Blues” – Legião Urbana
– “Pára-Quedas” – Mombojó
– “A Menina Dança” – Novos Baianos
– “Vou Procurar o Meu Lugar” – Tony & Frankie
– “Highagain” – Stereo Maracanã
– “Mangueira Verde e Rosa” – Proibidão
– “Jardim Camburi” – Zémaria
– “Tere Sahn” – Chico Correa & the Electronic Band
– “Eu Vou Torcer” – Jorge Ben
– “Gago Apaixonado” – Moreira da Silva

Simba?

Faltam 973

Tou na contagem regressiva de convites do Joost pra geral. Quem quiser um, deixa um comment ae.

Mequetrefe

Tudo pronto pro Skolba? Se eu fosse você, saía de casa tipo umas cinco da madruga pra pegar o sol nascendo e a apresentação de uma das melhores coisas que acontecem na música hoje, a dupla MSTRKRFT (“mequetrefe”, para os iniciados). Eu vou cobrir, então não tenho desses luxos. Mas garanto que é um programão – mesmo porque na hora em que você chegar, os cambistas devem estar rasgando os ingressos que sobraram de raiva e você acha baratinho, baratinho… Abaixo, um textinho que eu escrevi no ano passado pra Void, que o Cardoso edita lá no Rio Grande, sobre os caras e tinha esquecido de por aqui. Faça esse favor a você mesmo.

***

A dupla canadense das consoantes (“Materkraft” pra quem ainda tá colocando as vogais na cabeça) é uma das melhores coisas do ano – senão “a” melhor – e isso num ano com ótimas notícias. Vai aí uma listinha com cinco MP3s que os sujeitos botaram a mão no meio – e deixaram com a cara de 2006.

“Woman (MSTRKRFT Remix)” – Wolfmother

Pegaram a equação Led Zeppelin + Ozzy do grupo australiano, limparam a gordura, meteram umas palminhas, deixaram o baixo segurando tudo e a guitarra, em loop, virou quase discoteca de branco. O vocal deixa como no original (fora uma digitalizadazinha Cher de leve, no refrão), afinal, é pro povo rock reconhecer quando tiver dançando.

“Monster Hospital (MSTRKRFT Remix)” – Metric

Mantrinha no vocal do começo dá cara de black music, mas quando o resto do instrumental entra estamos no mesmo território do New Order – aquele electro limpo e asséptico, de um azedume branco que permite-se à vã melancolia. E o vocal original deixa de ser soul para ser só indie dance. É como se Aretha Franklin se metamorfoseasse em Shirley Manson (ela mesma, um mashup de personalidades) na frente dos seus ouvidos.

“Got Love to Kill (MSTRKRFT Remix)” – Juliette Lewis & the Licks

Lembra de como era Juliette Lewis quando você se apaixonou por ela (vocês também, meninas, nem venham com essa agora)? Sim, ali entre “Cabo do Medo” e “Assassinos por Natureza” ela ainda era uma Jodie Foster versão fêmea, aquele ninfetismo desenfreado misturado com a pura psicose rock’n’roll. Já perdemos as vezes em que ela revisitou essa persona (Strange Days, com essa banda nova), mas o fato de ela não orbitar ao redor dos vinte anos estilhaça um pouco a candura original. Mas nesse remix… Ela parece que acabou de completar 18. Como dizem os Trouques – “Barely Legal”. (O vídeo é da versão pura, antes do remix)

“Rock Steady (MSTRKRFT Remix)” – All Saints

Sim, All Saints, aquelas Spice Girls para as meninas que acham que ler TPM ou Marie Claire é um saco e que a Capricho, mesmo menina, ainda fala mais a língua delas. Aí os caras pegam o beat, três frases descoladas de uma música pop apenas normal e o negócio vira ISSO. Marteladas sintéticas de um rolo compressor de magnética pura atordoando as têmporas até o beat anos 80 encaixar com o loop de “look in my eyes-eyes-eyes…” e você ficar pensando nesses olhos que dá pra ficar olhando até o infinito… (Outro vídeo com a música original, o remix tá no linque).

“Sexy Results (MSTRKRFT Edition)” – Death from Above 1979

Hino Gente Bonita, essa é uma música que resume o gênero musical dos mequetrefes – meio techno, meio big beat, meio house, meio electro, mas com uma pegada pop imprescindível por cima de tudo. E o refrão resume o espírito da dupla. Com eles, não tem erro.

“Community Revolution in Progress” – MSTRKRFT
Pesadelo. Uma muralha de som desaba em câmera lenta e, de alguma forma, com ritmo. O vocoder é o feitor nesta senzala de ritmo que se transforma a pista, todos escravos ao groove militarista e incansável dos quase seis minutos que a banda não colocou em seu disco de estréia – The Looks – e só em seu MySpace (não mais, eles tiraram, e essa foi a única que eu não encontrei o vídeo, mas de brinde vai essa aí embaixo).


“Street Justice” – MSTRKRFT
‘Another killing on the dance floor!”


“Easy Love” – MSTRKRFT
“Whenever you want me,
Whenever you need me,
If you wanna love me,
Baby I’m easy”

***

E aí, vai ou não vai?

Cadê o PDF?

Essa briga do Roberto Carlos com o biógrafo dele ainda nem começou. Ontem mesmo tava falando com uns camaradas que é questão de tempo pro PDF do livro aparecer por aí. Qual a minha surpresa que hoje, esse site colocou um PDF com o livro pra download. Mas nem precisa tanta gana no clique – o PDF é fake e não é o livro em si, e sim uma tese sobre Roberto Carlos seguida d’O Cortiço. Mas a idéia tá lançada, resta alguma boa alma na Planeta fazer o arquivo aparecer ou um nerd madrugueiro escanear todo o livro e transformar em e-book. Enfim, foi dada a largada.

Aí a briga vai pro digital. E, pelo jeito, o Rei vai ser o nosso Metallica. 😛

Neguinho reclama….

…mas se esquece que isso já foi assim. Pessimismo é só vaidade, meu povo!

Me aqueça neste inverno

gentebonita16.jpg

Não é porque o frio chegou pra ficar (o sol ainda tá aí, mas perceba, aos poucos, os ecos do inverno) que vamos ceder e ficar em casa. E antes de um fim de semana que tem Virada Cultural e Skol Beats, Gente Bonita invade mais uma vez a festa do broder Lucio Ribeiro que, recém-chegado do Coachella, nos chamou pra fazer a casa cair bonito. Como a festa não é nossa, não tem como dar desconto – se bem que se cadastrando no site do Vegas ( www.vegasclub.com.br ), dá pra entrar na lista. Mas sempre dá pra fazer um agrado, por isso os nomes que se cadastrarem no nosso site estarão concorrendo automaticamente a cinco pares de entradas para a festa de quinta, a primeira de maio! Por isso, prepare pernas e quadris para a groovezeira pop que invade a pista do andar de baixo do clube da Augusta – a noite vai ser quente.

Gente Bonita @ Rockfellas
DJ residente: Lucio Ribeiro
CDJs convidados: Luciano Kalatalo & Alexandre Matias
Quinta-feira, dia 3 de maio
23h59
Local: Vegas Club. Rua: Augusta, 765 Cerqueira César Telefone: (11) 3231-3705
Preço: R$ 15 na hora / ou R$ 10 com nome na lista do Vegas –
www.vegasclub.com.br
Se cadastrando no www.gentebonita.org você concorre a um dos cinco pares de entradas free para o clube nesta data

The Good, the Bad and the Queen – The Good, the Bad and the Queen

Se “Ghost Town” fosse um disco

Há duas formas de se pensar artistas como David Bowie, Caetano Veloso, Raul Seixas ou os Titãs. Uma diz que são pilhadores de conteúdo alheio e apenas regurgitam idéias forjadas por outras cabeças para venderem-se como visionários e inovadores. A outra diz que, ao negarem-se a obrigação pela originalidade, transferem sua personalidade para estéticas alheias e a autenticidade aparentemente vazia é executada através da função de editor – recombinam e interconectam diferentes pedaços de realidade para criar a sua versão da história. “I am a DJ/ I am what I play”, dizia Bowie; “Eu não tou nem aí/ Eu não tou nem aqui”, urravam os Titãs. Um grande compadre meu, recém-pai, os chama de “picaretas do bem”. Damon Albarn é desses. Sua capacidade de mimetismo musical só é ultrapassada por seu feeling para perceber oportunidades. Sempre foi assim: das franjinhas de “There’s No Other Way” à fundação do britpop clássico em Parklife, até à criação de seu próprio Damon Albarn All-Stars em forma de caricatura (o Gorillaz, claro) e suas incursões à world music. Multifacetado e multidescolado, circula pelo universo pop como um predador charmoso que seduz/coage suas vítimas a entregar suas vísceras musicais em seus projetos particulares, enquanto os janta. De La Soul, Graham Coxon, James Hewlitt, Shawn Ryder, músicos de Mali. O prato do dia é uma iguaria especialmente pessoal. O menu: um papa negro do ritmo (Tony Allen, o baterista de Fela Kuti), o groove lento da conexão Londres-Jamaica do punk original (Paul Simonon, do Clash) e um fiel escudeiro da mesma geração (Simon Tong, do Verve) produzidos pelo produtor mais sensível do momento (quem mais? Dangermouse). Assim, Damon transforma sua canção favorita (a cabulosa “Ghost Town”, dos Specials) em um disco inteiro – e derrete um reggae fantasmagórico na brasa de um rock nada pra cima; melancólico, desconfiado, er, “adulto”. A fumaceira que se ergue é dub pesado, mas há violões dedilhados, barulhinhos, pianos martelados, clima de rádio sendo sintonizado, guitarras ranhetas, vocais graves e canções sombrias e pensativas, que olham de esgueio. E o vocal frágil e seguro de Damon une tudo – não apenas as faixas entre si, como também este álbum dentro de sua discografia. E assim, usando Simonon, Allen e Tong como espelhos, faz-nos vê-lo melhor. Um jovem mestre.