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Loki

Produtor e tecladista do grupo Pelados, Luiz Martins, mais conhecido pelo pseudônimo de Lauiz, lança seu quarto disco solo, o primeiro mais arredondado e com cara de álbum, ainda este mês. E apesar da temática country presente na divulgação de Perigo Imediato, o disco não tem nada do gênero norte-americano e mais uma vez flagra Lauiz experimentando entre versos e beats. Ele tenta associar a temática caubói à exploração de timbres e gêneros musicais que faz em sua música. “A mistura final é uma forma de estrogonofe: uma canção imprevisível feita como uma colagem melequenta”, explica falando não só sobre o disco, mas especificamente sobre o primeiro single, “Só Palavras”, composto em parceria com seu colega de banda Theo Ceccato, que sai nessa sexta-feira e que ele antecipa em primeira mão aqui para o Trabalho Sujo. Lauiz reforça que o disco “é quase uma graduação na forma de canção que venho aprimorando nos últimos anos. A grande ironia é que por mais que atravesse de Aphex Twin a Mutantes, acredito que haja uma coesão na diversidade, uma ordem no caos”, ri.

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Trecho do documentário Reeling with PJ Harvey – lançado apenas em VHS em 1994 – em que Polly Jean Harvey ateia fogo nos pés do mestre Steve Albini durante as gravações de seu Rid of Me no estúdio Pachyderm.

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Já garantiu seu ingresso pro show de 25 anos do TNT que o Tortoise irá fazer nesta quinta-feira no Cine Joia? Se não, deu mole: os ingressos estão esgotados! Resta saber se o grupo de Chicago convidará para a apresentação o velho mestre com quem dividiu palcos há um quarto de século, quando apresentou-se, primeiro nos EUA e depois no Brasil ao lado de Tom Zé. O velho tropicalista vivia o ápice de sua popularidade após ser redescoberto por David Byrne no início dos anos 90 quando foi apresentado ao Tortoise por um amigo do grupo, o professor Christopher Dunn, da Universidade de Louisiana, nos EUA, que na época escrevia um livro sobre música brasileira. Levou o baiano, que na época estava lançando o disco Com Defeito de Fabricação, para os EUA e uma das apresentações está na íntegra no canal do YouTube do próprio Dunn (assista abaixo). Depois da passagem pelos EUA, o grupo de Chicago veio para a América Latina e além de shows por Buenos Aires e Santiago, também passou por Belo Horizonte e São Paulo, quando dividiu o palco com Tom Zé. Pude assistir às duas apresentações realizadas em dezembro de 1999 no teatro do Sesc Pompéia e foram momentos únicos para quem gosta de música, independente de rótulos, uma vez que o grupo de jazz rock experimental norte-americano entrosou-se bem com o mestre de Irará, que tocou um esmeril usando capacete e óculos de seguraça enquanto as faíscas espalhavam-se pelo palco. Bem que o Tom Zé podia subir no palco do Cine Joia por apenas uma música, celebrando aquele primeiro encontro.

Assista à íntegra do show em Chicago abaixo: Continue

E a véspera de feriado me fez cair no Picles como público e não administrador de clima, mas era um motivo mais que nobre: Rafael Castro tocaria seu SEGUNDO show depois de um hiato de quase uma década sem lançar discos. Felizmente seu vigésimo disco, Vaidosos Demais, o colocou de volta aos trilhos da música, por isso cada novo passo desse monstro sagrado deve ser saudado, mesmo que ele tenha repetido exatamente o mesmo show que fez no Inferninho Trabalho Sujo ao celebrar sua Paixão de Castro na Sexta-feira Santa – só que com novas piadas. E daí? Vamos celebrar que Rafael está de volta aos palcos, tocando, cantando e contando piadas em frente a seu público, algo que nunca poderia ter deixado de acontecer. E mais uma vez subiram ao palco os convidados Vanessa Bumagny e André Mourão, que dividem faixas com ele no disco, além de chamar a figurinista Luiza Mira para acompanhá-lo nos vocais do irresistível krautnóia “Fiscal de Foda”. Sempre um prazer!

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Em nome de Alceu

E lá estava eu de novo no Centro Cultural São Paulo para ver outra grande banda deste século. O Mombojó baixou na mitológica sala Adoniran Barbosa e botou todo mundo pra dançar ao mostrar seu recém-lançado tributo a Alceu Valença, Carne de Caju, em que revisitam pérolas menos lembradas do mestre pernambucano (como “Chuva de Cajus”, “Amor que Vai”, “Sino de Ouro” e “Pétalas”) mas sem deixar de lado hits como “Como Dois Animais”, “Tomara”, “Coração Bobo” e, claro, “Morena Tropicana”. O grupo teve que fazer o show num intervalo reduzido de tempo, por isso submeteu o público a uma sessão de seus próprios sucessos, como “Antimonotonia”, “Papapa”, “Cabidela”, “Faaca” e “Deixe-se Acreditar”, esta última com a presença do MC Lucas Afonso. A banda está espalhada em três lugares diferentes do Brasil, mas consegue manter a química como se ensaiasse semanalmente – e o público saiu satisfeito, mesmo com o show curto.

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O Inferninho Trabalho Sujo dessa semana acontece na quinta-feira mas é por um bom motivo, afinal receberemos ninguém menos que o senhor Di Melo, que completa 75 anos muito bem vividos no palco do Picles! Ele vem como atração principal de uma movimentação feita pelo coletivo Jazz no Limoeiro, que ainda apresenta Fernanda Ouro na abertura e ainda convidou outro mestre, o trombonista Bocato, para participar do show do guru pernambucano imorrível. E é inevitável que a minha discotecagem com a Fran, que começa logo em seguida dos shows penda mais pra música brasileira, mas você sabe o grau de imprevisibilidade dessa nossa festa, né? Aguarde e confie!

Se o show dos Boogarins é sempre uma viagem, quando acontece no Centro Cultural São Paulo ganha um gostinho extra – mesmo com o público comportando-se bem, o que não é a regra quando o grupo goiano toca na mítica sala Adoniran Barbosa. Mas a apresentação desta quarta-feira foi mais uma visita do grupo ao universo do Clube da Esquina e os fãs assistiram todos sentadinhos, sem se aglomerar de pé ao redor da banda como é de praxe no local. Isso não tirou a magia da situação, pelo contrário, deu ares de camerata à viagem psicodélica do quarteto à cosmogonia parida a partir do disco clássico de 1972, que não foi tocado na íntegra e sim usado como alicerce para visitar outros momentos clássicos – e outros menos conhecidos – do criado pelos músicos mineiros. Por isso além do disco duplo que deu origem à saga, os goianos visitaram tanto o Via Láctea de Lô Borges quanto o Amor de Índio de Beto Guedes, além de reforçar a paixão do grupo pelo mitológico Beto Guedes/Danilo Caymmi/Novelli/Toninho Horta, gravado pelos quatro em uma única madrugada de 1973, ao visitar as duas músicas compostas pelo não-mineiro do grupo, Danilo (“Ponta Negra” e “Serra do Mar”). Mas é claro que as coisas ficaram sérias de verdade quando voltam-se ao disco original, encerrando a apresentação com a trinca “Trem Azul”, “Nada Será Como Antes” (em que o guitarrista Benke Ferraz ainda contrabandeia “Alter Ego” do Tame Impala) e “Um Girassol na Cor do Seu Cabelo”, fazendo todo mundo sair dali com um sorriso estatelado no rosto.

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Eis que ao revelar mais uma faixa do tributo Everyone’s Getting Involved: A Tribute to Talking Heads’ Stop Making Sense, a distribuidora A24 finalmente contou quem canta o que no disco que será lançado no próximo dia 17. Depois de ouvirmos as versões do Paramore para “Burning Down the House” e “Take Me to the River” revisitada pela Lorde é a vez da norueguesa Marie Ulven Ringheim, mais conhecida como Girl in Red, de mostrar mais uma versão do clássico grupo nova-iorquino e a escolhida é “Girlfriend Is Better”, que ganhou uma bela versão, ouça abaixo. Além desta, também foram revelados quais artistas cantam que músicas dos Heads – e quem abre o disco é Miley Cyrus cantando “Psycho Killer” (que ela já tinha dado uma pista dia desses), seguida de uma versão de “Heaven” feita pelo National, além das Linda Lindas fazendo “Found a Job”, Él Mató a un Policía Motorizado tocando “Slippery People”, Badbadnotgood tocando “This Must Be the Place (Naive Melody)” com Norah Jones e Toro y Moi tocando “Genius of Love”, do Tom Tom Club. Veja a relação completa de quem toca o que além da capa definitiva do tributo (que já está em pré-venda) a seguir: Continue

Este 23 de abril que também dia de São Jorge foi a deixa escolhida por Vinícius Mendes, colaborador do site da BBC Brasil, para dissecar a mais clássica obra de Jorge Ben numa ótima e extensa reportagem sobre o enigmático e hipnótico A Tábua de Esmeralda, que completa meio século no próximo mês. Buscando referências em velhas entrevistas com Jorge Ben e em estudos sobre alquimia, o repórter debruça-se sobre os assuntos e canções do histórico disco de 1974 que mudou a carreira de grande Jorge por vias tortas. A reportagem aparece num momento em que corre um rumor nos bastidores que cogita a possibilidade do próprio Jorge revisitar o disco ao vivo em uma série de shows pelo Brasil (e talvez pelo exterior?), algo que ele já havia dito que não iria fazer. Mas será que ele volta a tocar violão? Aproveito para republicar a íntegra do Roda Viva de 1995 que trouxe o mestre como entrevistado quando ele responde uma dúvida de ninguém menos que Chico Science (trajando uma bela camiseta do Portishead) sobre o mágico disco (a partir dos 15 minutos).

Veja a íntegra do Roda Viva abaixo: Continue

A última vez que vi Tatá Aeroplano apresentar-se com sua banda foi no primeiro show que ele fez após a volta da pandemia, em 2022, quando lançou o disco Não Dá Pra Agarrar no Sesc Pinheiros. De lá pra cá, ele lançou mais um disco (o ótimo Boate Invisível, do ano passado), que só consegui ver ao vivo nessa sexta-feira e talvez no melhor lugar para essa experiência dionisíaca, que é o Picles. Impressionante a distância entre os dois shows. No de dois anos atrás, a banda ainda estava tateando aquele mundo pós-covid, inseguros daquele primeiro show mesmo tendo mais de uma década de intimidade. No Picles, a história era completamente diferente, e Tatá – o melhor guia para uma trip psicodélico – conduziu o público e seus músicos (uma trupe tresloucada formada por Dustan Gallas, Bruno Buarque, Malu Maria, Kika e Junior Boca, um combo de loucos) a um processo de derretimento psíquico à base de muita música, afinal aquela banda estava em seu ambiente natural. Completamente entrosada, a banda praticamente não trocava olhares para mudar de uma música à outra – e o quando o fazia, era uma cumplicidade latente que escorria em direção ao público, que berrava a letra de todas as músicas. O foco óbvio da apresentação era o repertório do disco do ano passado, mas à medida em que o show avançava, percorreu faixas do disco de 2022, do Delírios Líricos (quando puxaram uma versão alucinada para “Ressurreições” de Jorge Mautner) e do Step Psicodélico, cuja marchinha de carnaval que batiza o disco encerrou a viagem. Bom demais!

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