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Loki

Que maravilha a imersão que os Boogarins fizeram no Clube da Esquina nesta sexa-feira no Sesc Pompeia. Logo que puderam conversar com o público que lotou o teatro, os goianos fizeram questão de frisar que não estavam tocando o disco na íntegra e nem só músicas do clássico mineiro de 1972, mas que visitavam todo o universo musical ao redor daquele álbum, afirmando isso logo após o início do show, quando emendaram “Fé Cega, Faca Amolada” com “Paula e Bebeto”, ambas do disco Minas, que Milton Nascimento lançou em 1975. E assim o disco percorreu as inevitáveis “O Trem Azul”, “Trem de Doido” e “Nada Será Como Antes” (que terminou com um aceno ao Tame Impala) e faixas de discos clássicos de Beto Guedes (a imortal “Amor de Índio”, faixa-título do disco do guitarrista de 1978, cantada pelo baixista Fefel), de Lô Borges (“Vento de Maio”, do soberbo A Via Láctea, de 1979) e até da espetacular joia secreta que é o disco Beto Guedes, Toninho Horta, Danilo Caymmi, Novelli, gravado pelos quatro músicos que o batizam, em 1973. Este último foi contemplado em dois momentos (“Serra do Mar” e “Ponta Negra”, mas faltou “Manoel, O Audaz”) e os dois vocalistas e guitarristas da banda, Dinho Almeida e Benke Ferraz, o reverenciaram como um disco central na formação da banda, citando-o praticamente como um disco dos Boogarins antes da banda existir, traçando a conexão psicodélica entre o Goiás do grupo e a Minas Gerais do Clube. O show ainda contemplou a mesma “Saídas e Bandeiras” que sentenciou esta conexão quando o grupo a tocou ao vivo no encontro com O Terno em junho de 2015 e terminou de forma épica, com a clássica “Um Girassol da Cor de Seu Cabelo”, mexendo com corações e mentes de todos os presentes. Foi bonito demais e tem que voltar a acontecer com mais frequência – porque mais do que um show de tributo a um momento histórico da música brasileira, ele expõe as raízes do grupo de uma forma tão natural que torna claro o DNA musical dos goianos.

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(Foto: Pétala Lopes)

O fim do primeiro disco solo da cantora e compositora Maria Beraldo foi, como todas nossas biografias recentes, atropelado pela pandemia e quando ela estava começando a finalizar seu Cavala nos palcos, começaria a burilar o que poderia ser o próximo disco – mas este processo iniciaria naquele fatídico março de 2020 e ela teve que refazer seus planos. Neste período, começou a enveredar pelo caminho das trilhas sonoras para cinema, quando começou a encontrar um caminho de volta. “Eu tava precisando de um respiro criativo e algo pra trabalhar meu músculo da criação de outro jeito e tava cansada do formato canção, com poucos minutos, comparado com a música de concerto, que pode ser mais longa e ter diferentes momentos”, ela me explica por áudios de Whatsapp. “O cinema é outro tamanho de tela. Eu vinha trabalhando num lugar pequeno e de repente eu tinha um troço enorme”, lembra.

E depois de um longa metragem (O Acidente, em que o amigo Bruno Carbone a convidou para estrear neste formato e ela compôs toda a trilha usando apenas seu instrumento, o clarinete), dois curtas e uma série, ela volta à canção na única música da trilha do longa Regra 34, da diretora Julia Murat, que acaba de entrar em cartaz. Ela foi convidada pelo produtor e músico Lucas Marcier para compor toda a trilha do longa e um dos pilares da trilha foi esta nova canção, “Truco”, que ela lança nesta sexta-feira e dá os rumos para seu próximo disco. Ouça abaixo: Continue

Betina lança o último single antes de finalmente nos revelar seu novo disco, que deve sair ainda este semestre, fechando o ciclo que começou com os singles “Polaroids” e “Zoin“, lançados no ano passado, com a participação de Luiza Lian. Como as canções anteriores, “O Coração Batendo no Corpo Todo”, que estreia em primeira mão aqui no Trabalho Sujo, é mais uma composição que ela divide com Dinho Almeida, dos Boogarins, e também conta com sua produção, ao lado do ex-supercordas Diogo Valentino. “Desliga isso”, esbraveja Luiza logo antes de sua aparição na canção, que pede para nos desconectar da realidade virtual que nos suga diariamente, além de cantar os vocais do refrão com a cantora curitibana. “Foi incrível gravar com a Luiza, ela entendeu muito bem a atmosfera da música e também conseguiu se conectar com ela como se fosse sua, o que trouxe muito mais potência para essa música que já fazia tanto sentido ter ela”, lembra Betina. “Mas o melhor é receber as mensagens dela de zap cantando a música depois de termos gravado. Deixa tudo mais especial”

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Lançado nesta sexta-feira sem nenhum alarde, o ótimo disco instrumental Five Easy Hot Dogs foi a forma como Mac DeMarco escolheu pra começar seu 2023: tecladinhos lo-fi, percussões discretas, violões dedilhados, um ar meio praiano, meio estrada, mas também meio frio, meio nublado. No sossego, mas sem esquecer as tensões dos últimos anos Uma deliciosa metáfora pra esse começo de ano.

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Daqui um mês é carnaval e esse ano a gente já tem uma ideia do nível de acabação que vai ser. Mas resolvi dar início aos trabalhos mominos de maneira recatada, ecoando o carnaval do centro de Florianópolis, capital do estado mais reacionário do país mas que resiste na marra à tragédia pesada que se abate em nossos tempos. Eis que surge o herói indie Fabio Bianchini, o eterno superbug, com seu projeto pessoal Gambitos mais uma vez celebrando esses quatro (cinco? seis?) dias de farra na singela e ingênua marchinha “Hercílio Luz”, que será lançada só no fim do mês mas que ele antecipa em primeira mão no Trabalho Sujo. Ouça abaixo: Continue

Nos encontramos em Brasília e quase fizemos um DM diretamente do Planalto Central, mas foi bom que o primeiro programa do ano não fosse realizado na minha cidade, pois além do deslumbre literal que acometeu Dodô, também pudemos refletir sobre a tragédia que abateu-se sobre a cidade uma semana após a posse do novo presidente. Falamos portanto dessa resistência fascista, mas dedicamos, sem querer, o programa a um panorama sobre Brasília em que eu, nativo, falo sobre as características específicas e históricas de nossa capital e Dodô, forasteiro, faz sua leitura de fora da cidade especificamente neste novo momento que felizmente estamos atravessando.

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Retomando as atividades do meu canal no YouTube, começo 2023 com nova edição do infalível Aparelho, que toco com Emerson “Tomate” Gasperin e Vladimir Cunha, “O Vlad”. Uma crise existencial efêmera pareceu ter tornado o programa uma espécie de literal situacionista, mas felizmente recapitulamos nossa natureza contestatória misturando Uber e jornalismo, narrativas dos quadrinhos europeus dos anos 80 e uma possível forma de salvar Santa Catarina da extrema-direita, numa inusitada mas lógica conexão amazônica – e estabelecemos metas para o ano que começa.

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Ele sempre se supera: depois do ótimo filme sobre si mesmo no ano passado (O Peso do Talento), em seu próximo filme Nicolas Cage vive ninguém menos que o Conde Drácula. Em Reinfeld, Nicholas Hoult (o ex-menino de About a Boy que depois fez Skins, X-Men, Warm Bodies, Mad Max Fury Road e o recente O Menu) vive o personagem título, que começa o filme discutindo a relação tóxica que tem com seu patrão – até que descobrimos que ele é o capanga do vampiro secular, vivido por Cage com toda a fleuma hiperbólica característica de sua atuação. Pelo trailer, o filme parece ser ótimo, assista abaixo: Continue

“Há vinte anos, a palavra ‘algoritmo’ tinha um sentido comum muito diferente do que tem hoje, era uma palavra pra quem queria programar robôs, inteligência artificial através de computadores que fariam coisas grandes como conquistar outros planetas ou dominar o mundo tipo Skynet”, lembra Pedro Bonifrate, que está comemorando os 20 anos de sua carreira regravando quatro canções de duas décadas atrás, que foram registradas no EP Sapos Alquímicos na Era Espacial. Estas quatro músicas ressurgem num novo EP que, teoricamente, ainda sai esse ano. Ele já lançou duas destas regravações (“Casa com Piano” e “Radiação Verde“) e agora surge com a terceira, que ele lança oficialmente nesta sexta-feira e que antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo. “Um velho amigo e eterno nerd da física veio com essa piada sobre uma banda chamada Inteligência Artificial (I.A.) & Seus Algoritmos, que transformei nessa canção. O dia que quem sabe chegaria na letra da canção chegou faz tempo, e hoje temos várias bandas formadas por robôs e canções escritas por inteligência artificial pelo mundo afora, mas alguma já virou hit?”.

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Femme Frame, temporada de um mês que Ava Rocha deu início nesta primeira segunda-feira de novembro no Centro da Terra, foi uma expedição rumo ao processo criativo da cantora e compositora carioca. Ela começou acompanhada apenas por Victoria dos Santos na percussão, seguida logo depois pela guitarra dissonante de Gabriel “Bubu” Mayall, até que recebe a aparição mágica dos irmãos Gustavo e Tulipa Ruiz . As duas cantoras se encontraram na bela “Lilith”, composta por ambas para o disco mais recente de Ava, Trança, e se engalfinharam num dueto que culminou essa peregrinação ao cérebro de Ava. As próximas noites terão novas surpresas, não dê mole!

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