
Jadsa e João Milet Meirelles começaram a revelar a próxima fase do duo Taxidermia nessa sexta-feira, no auditório do Museu da Imagem e do Som, mas ainda com os dois pés em sua primeira fase, ainda trazendo o clima de apocalipse industrial – que parece começará a dissipar-se a partir do disco de estreia, Vera Cruz Island, anunciado essa semana. Com imagens feitas por Gabriel Rolim, luz da Cris Souto e som da Alejandra Luciani, a dupla baiana encarou-se de frente para mostrar uma música de rua que soa tanto periférica quanto central, cutucando feridas e atordoando expectativas com bordoadas eletrônicas, samples acelerados, beats implacáveis, sussurros, versos e berros inquisidores, colocando uma sensação baiana na tomada e eletrificando sentimentos e sensações na marra. Além de tocar “Clarão Azul”, o primeiro single do novo álbum, que é uma uma boa amostra do que vem por aí.
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Foto: Ágatha Flora (Divulgação)
Queridinhos da casa, a banda de Juiz de Fora Varanda lança seu último trabalho antes de começar a produzir seu primeiro álbum ao fundir duas músicas num mesmo single. “Leva e Vem” ainda é da primeira fase da banda e é uma das músicas mais densas de seu repertório e ganhou uma faixa irmã que mantém a mesma atmosfera – e junto com “Vá e Não Volte” as duas músicas registram essa nova cara musical do grupo no mundo fonográfico. A vocalista Amélia do Carmo explica que as duas faixas apresentam esse “lado mais soturno do nosso som em contraponto com os últimos singles, estamos animados para explorar esse e outros novos caminhos de sonoridade no nosso álbum”. O baixista Augusto Vargas concorda, inclusive sobre a qualidade do som: “Acho que essas duas canções são as mais porradas, até agora, muita guitarra, muitas camadas de som. Bê e Mario conseguiram chegar em uma mix excelente, que foi muito bem finalizada com a master do Paulo, que vai produzir nosso disco!”, explica, se referindo aos outros dois integrantes da banda, o guitarrista Mario Lorenzi e o baterista Bernardo Merhy, que mixaram a faixa no estúdio da banda, o Estúdio LaDoBê, agora no mês passado, entregando que o baixista Paulo Emmery, que masterizou as duas faixas, é o produtor do primeiro disco da banda. O single duplo chega às plataformas à meia-noite desta quinta-feira, mas os mineiros fizeram mais uma preza aqui pro Trabalho Sujo e dá pra assistir ao clipe gravado na estrada em primeira mão.
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Ao propor um jogo musical, literário e cênico cujas regras não estavam definidas, Juliana Perdigão conduziu com seu clarinete e palavras um grupo formado pelos teclados de Chicão, pelo contrabaixo acústico de Ivan “Boi” Gomes e os eletrônicos do produtor Barulhista a um universo em que som e palavra fundiam-se numa mesma coisa. O espetáculo-experimento Fraga?, que aconteceu nesta terça-feiro no Centro da Terra, abriu com Perdigão lendo o início do poema-livro Odisséia Vácuo de Renato Negrão, cheio de pausas e lacunas, como se fosse música, para depois passear por seu próprio texto Dúvidas (base de seu disco de 2020) e depois por versões deste mesmo texto feitas pela autora através do Chatgpt. E enquanto ela lia os textos, os instrumentos musicais trabalhavam como se estivessem construindo uma base que ficava entre o ambient e o jazz de improviso ao mesmo tempo em que soavam como se estivessem falando – fossem sozinhos ou conversando entre si -, criando uma atmosfera de sonho surrealista que seduzia, hipnotizava e ninava o público para algum lugar entre o consciente e o inconsciente, algo que era reforçado pelas projeções sutis e sombrias de Filipe Franco. Foi mágico.
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E como não dá pra parar de ouvir o disco novo da Kim Gordon, pincei essa vez que ela tocou com os três sobreviventes do Nirvana quando a banda entrou para o Rock and Roll Hall of Fame, há dez anos. Ao lado de Dave Grohl, Krist Novoselic e Pat Smear, a ex-baixista do Sonic Youth arranca uma versão de “Aneurysm” do útero, algo que certamente faria o velho Kurt chorar de emoção – olha isso! Continue

E antes da quinta acabar ainda pude ver a segunda noite dos shows que o Queremos fez em São Paulo, antecipando o festival que farão no sábado no Rio de Janeiro. Mais uma vez na Áudio, a produtora carioca reuniu duas atrações internacionais relativamente desconhecidas que trouxeram um bom público para a casa entrando na onda dos dois artistas, nomes em ascensão na cena soul jazz londrina. Quem começou a noite foi a impressionante Adi Oasis, que empunhando seu baixo com uma desenvoltura invejável, como seu carisma igualmente intenso, conquistou facilmente o público – e citar “Onda” do Cassiano ou chamar Luedji Luna para dividir o palco foram só as cerejas de uma apresentação de peso. Depois foi a vez do produtor e tecladista Alfa Mist, que levou o público para uma viagem mais jazz cabeçuda, que rapídamente hipnotizou os presentes. Mas acho que se a ordem das atrações fosse invertidas – deixando Adi Oasis para encerrar o dia -, a noite terminaria num clima ainda mais pra cima e alto astral do que terminou.
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O gaúcho Pedro Pastoriz está chegando ao final do processo de seu terceiro disco solo, Pingue Pongue com o Abismo, lançado no fatídico ano de 2020, e para isso volta para as origens deste trabalho, ao lançar, nessa sexta-feira, as demos deste mesmo disco – ou, como preferir, as Replay Demos. “Elas foram gravadas entre abril de 2018 e março de 2019 e são registro de ideias pré-estúdio”, explica o ex-vocalista do Mustache e os Apaches, que gravou essas canções ao lado dos músicos e produtores Arhtur Decloedt e Charles Tixier. “São as primeiras versões que gravei pra mim mesmo, e que agora – depois que tudo já foi escolhido e lançado – complementam de um jeito interessante o disco”, continua o cantor, que antecipa suas demos em primeira mão para o Trabalho Sujo. Apesar de inédito para a maior parte de seu público, não é a primeira vez que ele as mostra para alguém. “Mostrei esse material caseiro pra uma primeira audição de quem participou do financiamento coletivo na época de pandemia, que viabilizou o lançamento do Pingue-Pongue com o Abismo e as variações do álbum, como produtos da loja e essas coisas do dia a dia da música”. A conclusão do processo desse disco antece no próximo dia 23, quando apresenta-se no Centro da Terra.
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O primeiro show do ano dos Pelados, minha banda indie brasileira favorita, aconteceu nesta quinta-feira no Fffront e a sensação de ver um grupo de amigos afiados tanto musicalmente quanto em termos de empatia num ambiente minúsculo repleto de fãs é dessas energias que me ajudam a seguir a longa estrada da vida. Focando todo seu repertório nas músicas de seu segundo disco, o excelente Foi Mal, o quinteto paulistano fez a laje do clube da Vila Madalena sacudir em músicas tortas e retas, entre baladas e faixas pra dançar, todas cantadas pelo público em êxtase por estar compartilhando da sensação que descrevi no início. O show, como sempre, chega ao auge quando eles cantam o hino composto para essa situação, a épica “Yo La Tengo na Casa do Mancha” que fez todo mundo gritar o refrão, que pede justamente pra gritar e ser gritado. Showzão!
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Morreu nesta terça-feira o poeta e ativista John Sinclair, que além de promover o antirracismo e a legalização da maconha no auge dos anos 60, também foi empresário do grupo MC5 e homenageado por John Lennon numa música batizada com seu nome.

Que barra essa notícia, ainda difusa, sobre a passagem de Liana Padilha. Mais conhecida como a metade do duo eletrônico No Porn, era uma artista com A maiúsculo, transitando entre diferentes disciplinas (artes plásticas, música, audiovisual, poesia) e questionando os limites impostos pela hipocrisia da sociedade em projetos que eram protestos, transformando cada pequeno gesto seu em um minimanifesto, vivendo plenamente o artivismo. A conheci dos tempos que a internet (outra seara que ajudou a desbravar, ainda nos anos 90) era mato e pude realizar uma apresentação de seu Tintapreta na mítica sala Adoniran Barbosa, quando fui curador de música do Centro Cultural São Paulo. Ainda não há notícias sobre a causa de sua passagem, mas sua ausência é sentida desde já. Muito triste, muito nova.

Basta um pequeno detalhe, como esse:

O Instagram do Cine Joia deixou um emoticon com os olhos arregalados num post recente da turnê que o grupo inglês Idles está fazendo pela Europa, levantando a possibilidade de um show da banda em São Paulo. Será?
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