Trabalho Sujo - Home

Loki

5 de julho de 2025 foi um dia monumental para a história do rock, do heavy metal e, claro, de Ozzy Osbourne. Quando o patrono do rock pesado subiu ao palco no Villa Park em Birmingham, na Inglaterra, para fazer aquele que seria seu último show, tanto a carga emocional quanto a expectativa eram gigantescas, pois quase todos os artistas de primeiro escalão que foram influenciados pelo Black Sabbath estiveram presente no espetáculo, que culminou com a última apresentação solo do vocalista e a última performance do Sabbath com sua formação clássica, com Tony Iommi na guitarra, Geezer Butler no baixo e Bill Ward na bateria. Não bastasse esse ápice do heavy metal que nunca terá evento da mesma magnitude, o concerto Back to the Beginning ainda teve o trágico final posterior que culminou com a própria morte de Ozzy, menos de duas semanas depois da apresentação. E agora ele chega aos cinemas, inclusive no Brasil, quando, além de seu trailer, foi anunciado todo o setlist do filme, que incluirá a íntegra da apresentação de Ozzy e do Black Sabbath e mais de vinte canções deles tocadas por ícones do gênero que vão do Guns’N Roses ao Metallica, passando pelo Tool, Anthrax, Gojira, Pantera, Slayer, Alice in Chains e Mastodon e outras faixas com a banda arregimentada por Tom Morello, do Rage Against the Machine, que foi o diretor musical do evento e chamou Billy Corgan, Vernon Reid, Steven Tyler, Mike D, Yungblud, Ronnie Wood, entre muitos outros. O filme tem duas horas e meia e já tem ingressos à venda para os dias 28 e 29 deste mês.

Veja o trailer e a relação das músicas abaixo: Continue

O Novíssimo Edgar mal lançou disco esse ano (a pedrada de reggae Rewind) e nesta sexta-feira chega com um outro disco, produzido ao lado da dupla Os Fita, produtores cariocas mais conhecidos por servirem de base eletrônica para o lendário Tantão. Faz Frio Mas é Verão começou como um trabalho de TCC dos próprios Fita, que se desenvolveu num disco com a participação do rapper de Guarulhos, que aproveitou para convidar alguns parceiros. Eles antecipam a faixa-título, que tem participações de Kiko Dinucci e Ana Frango Elétrico, para o Trabalho Sujo – e os dois se juntam a outras colaborações presentes no disco apocalíptico como Jup do Bairro e do Crizin da Z.O. “O disco é uma entrega de laboratório, trabalho de cientistas da música, pesquisa de timbragem, frequência, ritmos e cortes secos, texturas, paisagens sonoras que são distribuídas nas faixas do disco”, explica Edgar, que conta que começou a colaborar com a dupla carioca quando estava na Sérvia e a aproximação se estreitou quando o MC convidou os produtores para participar de seu disco de 2024. “Aí a gente já tinha pegado cola e eles são dos produtores que mais dialogam com a linguagem que eu tava pesquisando antes de fazer o Ultrassom (de 2018)”, continua Edgar, que explica que as colaborações vieram naturalmente, de artistas que já orbitavam ao redor. “Só Ana Frango Elétrico que é novidade, mas eu conheço ela há mais de cinco anos, a gente tava jogando pingue-pongue na casa do Antonio Pinto, quando ele tav arecebendo a galera do Jurassic 5 e só não tinha feito música juntos”, lembra. “O Kiko já queriaa trabalhar com os Fitas, a Jup é parceirona minha de várias paradas e não tinha outra pessoa pra completar essa faixa que não fosse ela e o Crizim da Z.O. é um astro, melhor canetada do RJ ultimamente.”

Ouça abaixo: Continue

No dia em que seu fundador Mark Sandman completaria 74 anos, o Morphine – clássico trio de jazz blues que fez fama na cena indie dos anos 90 – anuncia o primeiro disco desde o início do século, quando mostrou The Night, lançado após a morte de Mark em 1999. Cocoon, que será lançado no dia 4 de dezembro, foi composto em cima de sobras de gravações que o vocalista e baixista da banda norte-americana que ficaram com sua companheira, Sabine Hrechdakian. Ela retomou estas gravações ao lado do produtor dos discos do Morphine Paul Q. Kolderie, que chamou o saxofonista original – e outro fundador do trio – Dana Colley para acrescentar novas partes àquelas músicas. A primeira música a vir à tona é justamente a faixa que batiza o disco, que já havia aparecido em versão demo na coletânea póstuma Sandbox: The Music Of Mark Sandman, de 2004. E “Cocoon” chega com um clipe cheio de cenas do Morphine em ação nos anos 90.

Assista abaixo: Continue

Se estivesse vivo, um dos maiores nomes da música dos Estados Unidos completaria cem anos nesta quarta-feira, data escolhida para revelar uma série de gravações de John Coltrane feitas num gravador caseiro entre 1960 e 1965 pelo colega saxofonista Frank Tiberi, que aproveitou o centenário para tornar pública esta coleção privada de registros históricos. The Complete Tiberi Tapes está sendo vendido em três formatos: uma caixa com 4 LPs, outra caixa com 3 CDs e um pendrive que vem numa edição de luxo de apenas 750 itens que reúne mais de 100 gravações e 26 horas de Coltrane ao vivo, quase sempre acompanhado por McCoy Tyner (ao piano), Eric Dolphy (no sax alto), Reggie Workman, Steve Davis ou Jimmy Garrison (no baixo) e Pete La Roca ou Elvin Jones (na bateria) em faixas que em alguns casos ultrapassam os vinte minutos de improviso. As fitas chegam ao público no dia 6 de novembro (e já estão em pré-venda) e o primeiro tira gosto deste acervo é uma versão de mais de treze minutos de “Giant Steps” gravada no meio de 1960 no Showboat, na Filadélfia, ou no Jazz Gallery, de Nova York, com Tyner, Davis e La Roca.

Ouça abaixo: Continue

Neil Young teve de cancelar a turnê que faria este ano no verão europeu mas com a proximidade do festival Farm Aid – que acontece no próximo dia 26 e que contará com sua participação ao lado de sua nova banda de apoio, os Chrome Hearts -, ele resolveu fazer dois shows de esquenta ao lado do ídolo Willie Nelson, que também estará no mesmo festival. Aos 93 anos, Nelson abriu a noite do primeiro dos dois shows nos EUA (que aconteceu na cidade de Bridgeport) e dividiu com Young ao vivo os vocais da música “Are There Any More Real Cowboys?”, que gravaram em 1985 e raramente tocam ao vivo. Já Young optou por um set mais bucólico e acústico (clima de seu recém-lançado quinquagésimo álbum, o recém-lançado Second Song), mas no bis apertou o pedal da eletricidade e misturou o hino “Rockin’ in the Free World” com gritos de “Take America back!”, além de arrebentar as cordas da guitarra no final da música. O velho segue quente. Assista à integra do show (e o dueto com Nelson) abaixo: Continue

Valendo, Danislau!

Valendo! Danislau começou a colocar sua carreira solo em público nesta terça-feira, quando mostrou, pela primeira vez para além de seu círculo de amigos, as músicas que formarão seu disco de estreia para além de sua banda original, Porcas Borboletas. Ele bolou um repertório composto por letras faladas e refrães cantados em coro e o executou com uma bandaça para acompanhá-lo, formada pelo produtor do disco Arthur Kunz na bateria, o baixista Gabriel “Bubu” Mayall, o guitarrista aMoita Mattos e o tecladista Wagner Bernardes. Ao seu lado, por quase todo o show, Bruna Lucchesi fazia as vezes dos vocais de apoio, cantados depois que Danislau encarnava um Fausto Fawcett otimista, mesmo quando estava cantando sobre os perrengues da vida. O show ainda contou com uma participação impagável de Juliana Perdigão – com quem o protagonista dividiu um diálogo carnavalesco -, outra romântica de seu companheiro de Porcas Enzo Banzo e um momento introspectivo com o cineasta Filipe Franco na guitarra, materializando o sonho conversado com o qual Danislau tem trabalhado desde o fim do ano passado. Agora é esperar pelo lançamento do disco, que será no ano que vem!

#danislaunocentrodaterra #danislau #centrodaterra2026 #centrodaterra #trabalhosujo2026shows 223

Ninguém tinha dúvida que a turnê conjunta das Sleater-Kinney com a Liz Phair seria uma festa dos anos 90, mas ninguém poderia prever que elas tocariam “Connection” do Elastica em um dos shows – ainda mais juntas! -, como fizeram nesta segunda-feira, no MGM Fenway, em Boston, nos EUA. E isso só aumenta a expectativa sobre alguma novidade do Elastica além de reedições e produtos pra vender…

Assista abaixo: Continue

Enquanto excursiona com seu recém-lançado disco (o ótimo Thank You, vale ouvir), o beastie boy Mike D tem pinçado algumas faixas de sua eterna banda no repertório, sempre encerrando as noites com o hit “So What’cha Want”. Mas acompanhado da banda 5D, que conta com dois filhos seus na formação, D puxa pelo menos quatro músicas dos Beastie Boys, por show, abrindo com “Hello Brooklyn”, passando por “Looking Down the Barrel of a Gun” e “3‐Minute Rule”, além de “Body Movin’” e “Remote Control” (uma média ousada, três do Paul’s Boutique, duas do Hello Nasty e uma do Check Your Head, mas eu adorei), além de sempre abrir o bis com uma versão para a excelente (e esquecida) banda pós-punk inglesa Delta 5, cantando o hit “Mind Your Own Business” (deixei uma destas versões abaixo). Mas neste domingo, no Observatory, em Santa Ana, na Califórnia, ele encerrou o show com a mesma música de sempre – “So What’cha Want” – com dois convidados de peso, o tecladista Money Mark e o DJ Mix Master Mike, ambos partes de uma das formações clássicas do grupo a partir dos anos 90. Pesadíssimo – e abre possibilidades que é melhor nem pensar. Assista abaixo: Continue

De volta a 1996

Tom Zé é o próximo homenageado da série Relicário do Selo Sesc, que traz à luz apresentações célebres que foram gravadas em unidades da rede. E para comemorar seu aniversário de 90 anos, a série resgatou um show que o mestre baiano fez em 1996 que reúne standards de seu repertório (como “Nave Maria”, “Dois Mil e Um”, “Hein?” e “Augusta Angélica e Consolação”) com dois clássicos da música brasileira (“Taí” de Joubert de Carvalho e “Trem das Onze” de Adoniran Barbosa) e outras de seu então recém-lançado disco, The Hips of Tradition, quando teve sua carreira ressuscitada por David Byrne através de sua gravadora Luaka Bop, que lançou este disco. É justo deste que sai o primeiro single deste Relicário (que será lançado no dia 9 de outubro): ouça abaixo “Ogodô, Ano 2000”. Continue

A banda mineira Varanda deu um salto considerável em seu último disco, fugindo de músicas fáceis e grudentas para convidar seus ouvintes para ambiências sonoras e dramáticas que reforçam algo que estava apenas nas entrelinhas do primeiro álbum. E se o disco de estreia Beirada tinha algo de cronista e indie pop, no disco de título interminável (que eles mesmos sugeriram a redução para apenas Às Vezes Um Sonho), eles deixam o pop em segundo plano para mergulhar nos devaneios vocais e cênicos da vocalista Amélia do Carmo e na psicodelia indie cada vez mais pesada do trio instrumental formado por Augusto Vargas (baixo), Mario Lorenzi (guitarra) e Bernardo Merhy (bateria). Ao apresentar o disco ao vivo dentro da sessão Estéreo MIS, que o Museu da Imagem e do Som abre para novos artistas nesta sexta-feira, o quarteto reforçou essa mudança de tom ao tocar o disco na íntegra – embora fora da ordem – e escolher poucas canções do primeiro álbum para o novo repertório (entre elas “Vida Pacata” e “Cê Mexe Comigo”, esta cantada em uníssono pelo público que encheu o auditório do museu). O conjunto musical apresentado é mais envolvente e descritivo do que as faixas do disco anterior e o clima do novo álbum exala mineirice ao mesmo tempo que soa mais assertivo, sem a insegurança confessa de sua primeira fase. Some isso à segurança de palco (mesmo com inevitáveis perrengues, como uma corda arrebentada e a mão machucada do baterista, que impediu um bis), à química entre seus integrantes e ao desafio proposto de expandir-se esteticamente para soar ainda mais autoral e temos um momento que é tão importante para a banda quanto para seu meio. Não por acaso encerram o show com “Relâmpagos”, do primeiro disco, canção que parecia apontar o rumo do futuro próximo da banda, mas não consigo me desprender de “Labirinto”, em que eles equilibram sua força indie (o início entre o Gang of Four e o Franz Ferdinand) e sua sensibilidade MPB que acabam sendo a chave para que eles sejam uma das principais bandas da cena indie brasileira atualmente.

#varanda #mis_sp #trabalhosujo2026shows 220