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Loki

Uma das bandas mais importantes do pós-punk acaba de marcar mais duas passagens pelo Brasil no ano que vem, quando o Gang of Four reaparece por aqui para tocar em São Paulo (dia 13 de março, no Cine Joia em São Paulo) e dia 14 (no Cine Lido, em Curitiba). É a quarta vez que o grupo vem ao país (todas após sua volta em 2004, quando o grupo ressurgiu com a mesma formação depois do fim oficial em 1983): da primeira vez, 2006, dividiu uma improvável turnê com os Cardigans, já veio sem o baterista original, Hugo Burnham, substituído por Mark Heaney. A outra vez, em 2011, tocaram de graça no Parque do Ipiranga no festival da Cultura Inglesa, em uma das edições em que fui curador do evento. Desta vez, só o guitarrista Andy Gill e o vocalista Jon King faziam parte da formação original. A última vinda do grupo, em 2018, quando tocaram no Sesc Pompeia, já marca a fase dos anos 2010 do grupo, quando Gill seguiu tocando o grupo como único integrante original. Quase dois anos após a morte de Gill, no início de 2020, King e Burnham retomaram o grupo com o slint David Pajo na guitarra e a baixista Sara Lee, que entrou no lugar do baixista original Dave Allen ainda na primeira fase da banda, em 1981. Mas depois de alguns shows em 2021, voltaram à atividade, inclusive gravando músicas novas, em 2025, com Gail Greenwood (que tocava no Belly e no L7) no baixo e Ted Leo (líder dos Ted Leo & The Pharmacists) na guitarra. É esta formação que passa por aqui no ano que vem, numa turnê pela América do Sul que ainda tem passagens por Buenos Aires (dia 16, no Uniclub) e Santiago (18, no Metrónomo). Os ingressos já estão à venda. Continue

Depois de transformar o palco do Centro da Terra em pista de dança, Juliana Perdigão misturou música e imagem com sua comadre Ciça Lucchesi, com quem já fez várias apresentações. Mas nesta terça-feira, segunda noite de sua temporada Em Caráter Experimental, elas ressuscitaram o projeto Versom, em que ambas mesclam suas disciplinas específicas num espetáculo sinestésico de altíssimo nível. Mais do que simplesmente improvisar conjuntamente, elas apresentaram módulos de som e imagem que funcionavam, ao mesmo tempo, como clipe e canção – muitas vezes distanciando-se do formato tradicional desta última para trabalhar novas criações em durações de tempo específica, mostrando possibilidades diferentes para o casamento da música com o cinema. A imagem era projetada na tela de cinema do teatro, enquanto as duas, às vistas do público na coxia da primeira fila, iam trabalhando com seus instrumentos o que víamos na tela, que passava de fotos de São Paulo a abstrações geométricas. O ponto alto da apresentação foi quando Juper subiu ao palco para tocar “Crack pra Ninar” de Kiko Dinucci seu clarinete em frente à tela, enquanto Ciça fazia um holofote às avessas com a imagem, antes de entrar no poema “Só Com Muito Vento” de Bruna Beber e outras duas instrumentais próprias que acabaram de levar todos para uma outra dimensão. Foi incrível.

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A transição de Rodrigo Carneiro para a literatura não o tirou da música. Por mais que o eterno vocalista dos Mickey Junkies esteja mais exercendo sua palavra – seja impressa ou falado – no mundo das letras, seu vínculo com a música é perene – e foi assim que o velho camarada Paulo Beto aproximou-se para verter um livro em disco, quando, juntos, transformaram o segundo livro de Carneiro, o pandêmico Afetos Sísmicos, em um disco com o mesmo nome, que será lançado no próximo dia 12 e surge no palco dois dias depois, quando os dois o apresentam gratuitamente no Sesc 24 de Maio a partir das 19h. E Carneiro antecipa um dos poemas musicados em forma de clipe – “Da Criação de Monstros (De Novo o Amor”) – em primeira mão para o Trabalho Sujo. “Desde o lançamento, em 2022, o livro só me trouxe alegria e o deleite se renova agora com o desdobramento dele em um álbum”, conta o poeta-vocalista. “E, que beleza, na companhia do meu camarada de tempos imemoriais, Paulo Beto, um sujeito cuja obra e a persona sempre me impressionaram.” PB explica porque escolheram esta música para começar a apresentar o disco: “Ela tem um veneno, um perigo”. E Carneiro arremata: “Se deixasse por mim, algum tema mais lacrimoso seria o eleito”, resume, antes de rir de si mesmo, “gótico suave, né?”

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E no meio disso tudo o Lollapalooza Brasil acaba de anunciar suas datas pra 2027, quando o festival será realizado nos dias 19, 20 e 21 de março. Entre os principais nomes destacam-se a já esperada vinda da Charli XCX, Queens of the Stone Age e Fontains D.C. lançando discos novos e um inesperado Prodigy, mas tem um monte de filé nas letras pequenas, do aguardado show do Geese (!!) ao Avalanches (!!), passando pelo Mike D (!!!), Angine de Poitrine (!!), Ninajirachi (!!), Four Tet (!!), Adéla, Slayyyter, Tomora, Raye, Die Spitz (!!), Boys Noize e a Violet Grohl. Do lado brasileiro, o festival repete a acertada missão deste ano, ao trazer nomes diretamente do underground para seus palcos, como Rakta, Deafkids, Real No Ficción, Brime, Paira, Joaquim, Bebé, Zepelim e o Sopro do Cão e Psilosamples, além de nomes já estabelecidos como Buhr, Criolo, Amaro e Dino, Rodrigo Amarante e Nação Zumbi. Mandaram bem – e os ingressos já estão à venda,.

Ecos do futuro

É muito bom ver como um estilo musical criado a partir da negação de uma revolução estética conseguiu criar referências sonoras profundas que atravessaram décadas erigindo a fundação de um novo gênero musical. O pós-punk, que surgiu a partir da reinvenção do punk do final dos anos 70 por artistas ingleses tão diferentes quanto Joy Division, Fall, Cure e Public Image Ltd., entre outros, segue firme e intacto em artistas como a banda paulistana Inês é Morta, que apresentou seu próximo disco, Sala de Espelhos, em primeira mão no Centro da Terra nesta terça-feira, trazendo ecos de um futuro próximo. Todos os preceitos musicais básicos do gênero encarnam-se perfeitamente na atmosfera musical conduzida pelo pulso firme do baterista Danilo Grilo, o baixo cavalgado constante de Lucas Jimenez, a guitarra ruidosa, rítmica e melancólica de Daniel Lima e a voz grave e soturna, além da presença de palco cativante de Camila Kohn, que ecoam não apenas o clima apocalíptico oitentista das bandas originais do gênero como de seus pares contemporâneos paulistas, como Mercenárias, Voluntários da Pátria, Fellini, Akira S & As Garotas Que Erraram e Smack, com letras que combinam com esses dias pesados que atravessamos em 2026. A banda encerrou a noite de músicas inéditas com “Dias de um Futuro Esquecido”, primeiro single do novo trabalho, que estreia na próxima sexta-feira e abre uma sequência de novas canções que, até o fim do ano, pavimentam o caminho para o novo disco da banda, que deve ser lançado ainda no mês de janeiro. A pedidos, voltaram prum bis não combinado com o hit “Noite Vazia”, uma das faixas de seu EP Abismo, de 2019.

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Na primeira terça-feira de outubro, a banda pós-punk paulistana Inês é Morta estreia no palco do Centro da Terra mostrando músicas do trabalho que vêm finalizando. Batizando a apresentação com o mesmo nome deste futuro disco, Sala de Espelhos traz o grupo refletindo sobre a sensação de presente contínuo que atravessa nossos dias, ao mesmo tempo em que cantam sobre a desconexão entre pessoas, natureza e contexto social. Para esta apresentação, o grupo formado por Camila Kohn (voz), Daniel Lima (guitarra), Lucas Jimenez (baixo) e Danilo Grilo (bateria) conta com a participação de Fidelis Costa (teclados e guitarra base). O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Palco/pista

O público que chegou no Centro da Terra nesta segunda-feira para assistir ao início da temporada Em Caráter Experimental que Juliana Perdigão, agora assinando como Juper, estranhou não ser direcionado para as poltronas do teatro e sim para o palco. Lá chegando, aos poucos foram entendendo que o show já havia começado e que, à medida em que a audiência entrava e via Juper e Dudu Tsuda (assinando como DJ Shima) soltando loops e beats em cima de synths, teclados e computadores (com o clarinete da dona da temporada temperando a eletrônica) sob um globo de espelhos, que transformava o palco do teatro numa pista de dança. Mas passado o estranhamento inicial, que fez o público ficar paralizado como se estivesse entrando numa instalação artística (com as luzes sempre fantásticas do Paulinho Fluxuz), logo as pessoas começaram a dançar e entraram no clima da recém-lançada dupla Kombini, que deve fazer mais pistas em breve. E isso foi só o início da temporada…

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Maior satisfação trazer Juliana Perdigão – ou Juper, como assina desta vez – para tomar conta das segundas-feiras de outubro no teatro com sua temporada Em Caráter Experimental, em reúne-se a cada apresentação com alguém diferente para testar processos no palco a dois. A primeira delas, neste dia 5, chama-se Kombini, em que apresenta-se ao lado de Dudu Tsuda (que apresenta-se como DJ Shima), transformando o palco do teatro em uma pista de dança pra exorcizar as energias ruim em movimento. Nas semanas seguintes, ela traz primeiro o projeto Versom, ao lado dos visuais de Ciça Lucchesi (dia 13, porque dia 12 cai num feriado), depois a noite Sung Songs, ao lado de Gustavo Infante e finalmente no Passeio Macio, no final da temporada, quando toca ao lado do conterrâneo mineiro Davi Fonseca. Os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra e os espetáculos começam pontualmente às 20h.

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Antes da internet, a gente se informava de música como dava, caçando nas brechas o que outros deixavam escapar pra gente… É o caso de um especial sobre o festival inglês de Reading de 1992, que por algum motivo foi passar na TV Bandeirantes e cativou uma geração inteira de brasileiros para uma cena inglesa que nem as publicações locais davam bola. E o show do Teenage Fanclub, que agora surge online na mesma gravação que passou na TV aberta brasileira há mais de trinta anos, foi um dos grandes momentos daquela transmissão. Eu já tinha publicado outra versão da íntegra deste show, só que filmada do público (que trazia o início do show, que esta atual não traz, com eles tocando “Mr. Tamborine Man”, aquela mesma).

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Mais sinais dos Talking Heads. Aproveitando a reunião de seus ex-integrantes no início desta semana para a celebração de um canal dedicado à banda lançado pela rádio via satélite Sirius XM, a gravadora Rhino acaba de anunciar mais uma caixa dedicada a um período da carreira do grupo liderado por David Byrne, que desta vez disseca o primeiro passo ousado do grupo, seu terceiro álbum Fear of Music. A caixa Fear of Music (Super Deluxe Edition) traz em três CDs (ou 6 LPs) o disco de 1979 com uma nova masterização, raridades e versões alternativas do álbum e a íntegra de dois shows em que o grupo tocava músicas do recém-lançado disco, no Berklee Performance Center no dia 24 de agosto do ano do lançamento e no Capitol Theatre, em Nova Jérsei, no dia 17 de novembro seguinte, além de um livro de 60 páginas com fotos inéditas e um texto escrito pelo crítico Will Hermes. O disco (já em pré-venda) será lançado no dia 13 de novembro e, para temperar o anúncio, a gravadora desenterrou um trecho do grupo tocando “Life During Wartime” na apresentação que fizeram no programa Old Grey Whistle Test.

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