
Sim, esta é a capa do novo disco de Charli XCX, anunciado nesta segunda-feira depois de dois teasers em forma de single (“Rock Music” e “SS26”), chamado sem meios-termos de Music, Fashion, Film, temas encarnados pelos três figurões que ela enquadrou pela lente de seu compadre diretor Aidan Zamiri: John Cale, Marc Jacobs e Martin Scorsese juntos no mesmo cômodo. Só os bastidores dessa capa já valem a existência do disco, mas conhecemos nossa querida Charli e esse soco na cara é só o começo de mais uma viagem de excessos. O disco sai em julho, mas até lá vamos ver muitas pistas…

Parece um sonho febril de tão surreal. Olha que foda essa versão pra “Heaven or Las Vegas” dos Cocteau Twins que a Miley Cyrus fez num show em 2021 justamente em Las Vegas. “Não se preocupem, tem só um minuto de duração”, ela se justifica no meio da música pros fãs que queriam ouvir as músicas dela. Além de matar sua vontade de tocar esse clássico (de um disco que foi redescoberto por uma nova geração como se fosse a obra-prima do grupo inglês), ela fez bonito e certamente fez alguns de seus fãs saírem atrás daquela música e talvez tenham descoberto os Cocteau Twins. Só por isso essa versão já estava valendo. E como se não bastasse tudo isso, espere até o final do vídeo, quando ela ganha um presente de um fã.
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Mais um encontro com o mestre Tom Zé, desta vez na Casa de Francisca, onde ele já é de casa – a ponto de começar o show com uma música escrita em homenagem ao local. Prestes a começar o início de sua nona década neste planeta, ele segue com a mesma espontaneidade que lhe é característica e combustível para sua criatividade, contando com o guitarrista Daniel Maia e a vocalista Andréia Dias, que estão em sua banda desde antes da pandemia, como guias para ajudá-lo a seguir o repertório. E que repertório! Mesmo que há tempos (felizmente) insista em algumas composições clássicas como “2001”, “Jingle do Disco”, “Jimmy Renda-se” (que voltou à baila graças à trilha do filme Ainda Estou Aqui), “ Nave Maria”, “Tô”, “Hein?”, “A Felicidade”, “Politicar”, “Augusta, Angélica e Consolação” e “Um ‘Oh!’ e um ‘Ah!’”, ele ainda encontra espaço para pinçar experimentos menos conhecidos de seu impressionante cancioneiro, como “A Boca da Cabeça”, “Curiosidade”, “Happy End”, “Não Tenha Ódio No Verão”, “Aviso aos Passageiros” e “Amarração do Amor”. Fingindo sair do palco para acelerar o bis, ele encerrou a noite voltando mais uma vez à canção que fez para a Casa de Francisca e amarrou a noite com o hino “Parque Industrial” a pedidos do público. Viva Tom Zé!
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Ainda corri para a Casa de Francisca a tempo de pegar desde o começo o show de lançamento do segundo disco dos Tangolo Mangos, Pedágios y Caronas, no Porão lotado da casa. Quem já foi a um show dos baianos sabe a descarga de adrenalina e energia positiva que o quinteto despeja no público, mas ontem o nível estava ainda mais alto pois os fãs sabiam cantar todas as músicas do disco novo. Desfalcados de dois integrantes de sua formação (o guitarrista Théo Kiono teve de ficar em Salvador e o baterista João Antonio Dourado acidentou-se recentemente), o grupo contou com os compadres do show que abriu a noite e convocou o baterista Quico Dramma e o guitarrista Caio Colasante – do grupo Kim & Dramma – para assumirem estas funções, o que fizeram de forma brilhante (além de contar com um terceiro integrante do mesmo grupo, o tecladista Eduardo Barquinho, da metade pro fim da noite). À frente do grupo, os vocais enérgicos de Felipe Vaqueiro, João Denovaro e Bruno Fechine – cada um ás em seus instrumentos (o primeiro na guitarra, o segundo no baixo e o terceiro assume a percussão) e sem deixar o carisma contagiante tirar o dedo da tomada. Showzaço!
#tangolomangos #poraodacasadefrancisca #casadefrancisca #trabalhosujo2026shows 119

Do teatro do Sesc Pompeia pra Comedoria, onde os indies catarinas do Exclusive os Cabides lançavam seu novo EP Feliz e Triste ao Mesmo Tempo fazendo seu público chacoalhar-se com suas melodias diretas e letras simples até dizer chega. Essa qualidade linear – sem espaço pra metáforas ou harmonias complexas – é o principal trunfo do grupo, além das melodias grudentas do guitarrista e vocalista João Pretto (seu principal compositor) e dos vocais ao mesmo tempo cantados e berrados de João Pretto ao lado do primo Antônio dos Anjos. A cozinha precisa formada por Carolina Werutsky na bateria e Maitê Fontalva no baixo dá a base firme para as melodias dos vocalistas e os solos do guitarrista Eduardo “Duds” Possa brilhar. Show redondinho que mostra que a banda está mais afiada do que nunca, mas a proximidade do lançamento do disco recente não chegou a conquistar o público como fizeram as canções do ótimo álbum Coisas Estranhas, que ainda é o carro-chefe da apresentação do quinteto.
#exclusiveoscabides #sescpompeia #trabalhosujo2026shows 118

Os ingressos já estão à venda.

No fim do ano passado, Henry Rollins mencionou que estava trabalhando com Ian McKaye e começaram as especulações que dois dos maiores nomes da cultura faça-você-mesmo do punk dos Estados Unidos estavam compondo ou gravando disco. Mas o vocalista do Black Flag e da Rollins Band e o cérebro por trás do Minor Threat e do Fugazi logo desmentiram que pudessem estar fazendo algo autoral e agora a verdade vem à tona: os dois estão começando a chafurdar no extenso arquivo dos Cramps, reativando a seminal gravadora do próprio grupo, a Vengeance Records, para mostrar joias enterradas no passado da banda que finalmente verão a luz do dia. Uma das bandas mais transgressoras da história da música gravada, o grupo liderado pelo casal Lux Interior e Poison Ivy é o monstro que o rock’n’roll deveria ter sido caso não fosse cooptado pela indústria fonográfica. Embora sejam mais reconhecidos por fundar o gênero chamado psychobilly, os Cramps eram viciados em música pop que gostavam de se enfiar até o pescoço no pântano do rock sujo, causando comoções por onde passavam. O primeiro lançamento desta nova fase vem dos estúdios da gravadora Ardent, quando o líder do Big Star resolveu, ainda em 1977, produzir o primeiro disco da banda, que só seria lançado em 1980 com o título de Songs the Lord Taught Us, E na primeira sessão que fizeram no clássico estúdio de Memphis, Chilton pediu pra banda gravar várias músicas para depois escolher as que lançariam como compactos antes do lançamento do disco. E, como Rollins detalha no texto de apresentação do disco (leia abaixo), eles fizeram essas gravações que não foram lançadas à época e quase viram a luz do dia no final dos anos 80, quando Lux e Poison voltaram àquelas gravações e fizeram novos mixes para a seleção de música, que seriam lançadas como um disco voltado para os fãs chamado de Gravest Gravy. Mas, por algum motivo, o projeto foi engavetado e só agora volta a surgir para o público, quando Rollins e MacKaye começam a mostrar o que conseguiram levantar nos arquivos da banda a partir deste primeiro registro dos Cramps em estúdio, que chega ao público dia 21 de agosto e já está em pré-venda. Ouça abaixo o primeiro single deste novo álbum, “TV Set”, bem como um texto de Rollns sobre a descoberta deste disco perdido e o nome das faixass: Continue

Flea lançou um belo disco solo no começo do ano (chamado Honora, vale conferir) e ao passear pela Europa tocando ao vivo o novo trabalho, convidou o chapa Thom Yorke para dividir o palco no show que fez em Londres nesta terça-feira. Parceiros na banda Atom for Peace, o baixista do Red Hot Chili Peppers e o vocalista do Radiohead já quebraram o gelo de cara quando Flea convidou Thom para subir ao palco para acompanhá-lo em “Traffic Lights”, música da banda que têm juntos, logo na segunda música. O show realizado na casa Koko ainda contou com a participação de Warren Ellis (na faixa “Frailed”) e versões para músicas de Jimmy Webb (“Wichita Lineman”), Frank Ocean (“Thinkin Bout You”) e Funkadelic (“Maggot Brain”) e logo após esta última Flea chamou Thom de volta ao palco para dividir uma versão de dez minutos para a irresistível “Got to Give It Up”, do Marvin Gaye. Que delírio.
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Acontecimento – título da temporada que o trio formado no Rio de Janeiro Crizin da Z.O. apresentou às segundas-feiras deste maio no Centro da Terra – também é uma boa forma de descrever a última noite dessa safra de apresentações ao vivo. Cris Onofre, Danilo Machado e Marcelo Fiedler acresceram à sua formação um segundo percussionista (Gênesis Chagas, baterista da banda carioca Cidade Partida) para receber Juçara Marçal, que ativou sua faceta Delta Estácio Blues, com aparelhos eletrônicos e afeita aos beats pesados e ao tambozão funk que movimenta a parede de ruído erguida pela banda. Foi demais vê-la entrando na zona oeste do Rio de Janeiro do som da banda, ela mesma nascida em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e deixando aflorar todo groove contagiante do funk com o peso e a distorção elétrica dos efeitos à disposição, ao mesmo tempo que fazia o grupo entrar no modo distopia que filtra seu segundo álbum, fundindo sonoridades e temáticas no mesmo clima apocalíptico, que ainda colocou os anfitriões da temporada para enveredar por “Sem Cais”, que Juçara compôs com Kiko Dinucci e Negro Léo, numa versão inacreditável. Chave de ouro.
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O domingo do C6Fest começou com o principal erro em sua escalação, quando o Magdalena Bay tocou na área externa do Auditório Ibirapuera e Benjamin Clementine tocou na tenda. O show da dupla kitschpop – apesar de afiado – perdeu-se no som baixo e na dimensão gigante daquele palco, enquanto o pianista inglês teve que espremer um show com naipe de sopro e cordas num palco bem menor. Fora a divisão de públicos para cada palco que ficou ainda mais evidente no segundo dia do festival no Parque: o público da parte externa era mais velho e heterotop, o da a tenda era mais jovem e descolado (até nas praças de alimentação de cada palco: o hambúrguer da área externa era Z Deli, o da tenda era Patties), o que reforça ainda mais os Magdalena estarem na tenda (onde a pressão dos fãs iria deixar o show intenso) e Benjamin na arena. Logo depois os Paralamas receberam a Nação Zumbi no palco maior, quando dividiram duas músicas (“Selvagem” e “A Praieira”) no começo e outras duas (“O Calibre” e “Manguetown”) no final. Na tenda, Oklou fez o segundo melhor show da noite, apaixonada pelo público que cantava todas suas músicas. A sueca Lykke Li entrou depois e fez um show mais melancólico que dançante, pinçando a “Sozinho” (aquela!) como agrado ao país – e cantando num português ótimo! – para só no final do show ir para a pista, culminando com a inevitável “I Follow Rivers”. Penúltimo show da noite, Robert Plant fez uma apresentação memorável e está com a voz ótima. Além de cantar algumas do Led (“Four Sticks”, “Ramble On” e “Friends”), passou por músicas do Moby Grape, Los Lobos e Neil Young e fez o único show naquele palco com bis, quando primeiro dividiu os vocais com a ótima Suzi Dian em uma música do Low (“Everybody’s Song”, quando seguraram uma nota juntos por longos e heroicos segundos) para pegar todo mundo de surpresa com “Rock and Roll” – e sem deslizar. Encerrou uma noite maravilhosa, que ainda teria um posfácio inacreditável, quando Cameron Winter tocou no Auditório às onze da noite. Mas já falo sobre isso.
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