
Pode ter sido só para esse show-relâmpago que Charli XCX puxou de surpresa nesta sexta-feira e que quando ela levar seu Music Fashion Film para palcos maiores tudo mude de figura. Mas ao mostrar pela primeira vez as novas canções ao vivo no Music Hall do Brooklyn, em Nova York (um lugar um pouco maior do que o La Iglesia, em Pinheiros, e menor que o Fabrique, na Barra Funda), ela preferiu manter o clima intimista com o volume no talo – e com guitarras em primeiro plano, dando a tônica de como deverão ser seus próximos shows. Com figurino escuro e visuais espartanos (luzes brancas e muita sombra) como na capa do novo álbum, a apresentação com cara de sala de estar (sofás, poltronas e tapetes – além de convidados espalhados pelo palco) e ótimas participações surpresa, que ela já tinha soltado o spoiler em suas redes sociais – e, aos poucos, foi chamando-as ao palco. Primeiro Underscores, que vai abrir sua próxima turnê, dividindo sua “Music” com a dona da festa, seguida de Kim Petras, com quem Charli cantou sua “Jeep”, e concluindo com a aparição da nossa querida Clairo, dividindo sua “Sofia”. No resto do repertório, apenas uma música do disco Brat (“Apple”) e vários do novo álbum, incluindo alguns lados B dos primeiros singles, marcando a estreia ao vivo “Playboy Bunny”, “SS26”, “Camera” (que provavelmente é o próximo single e pode ser ouvida pela primeira vez na íntegra), “Wink Wink” e “Rock Music”, além da inédita “Take Away the Music”, que, como não está na ordem das faixas do disco original, deve ser o lado B de “Camera”, que deve surgir em breve. Além destas, ela abriu espaço para um disco que torna-se cada vez mais importante em sua carreira, o pandêmico How I’m Feeling Now, que veio representado por “Anthems”, “Pink Diamond” e “Party 4 U”, cimentando ainda mais a base desta sua nova década. Eu bem que fiquei esperando uma aparição do Cronenberg, mas acho que ela deve guardar um momento específico para esta surpresa, afinal de contas… é o Cronenberg. Na próxima terça, ela repete o show pequeno no Scala de Londres, último show antes de ela encarar a série de quatro festivais com os quais abre sua nova turnê: primeiro nos EUA, tocando primeiro no Lollapalooza de Chicago e depois no Outside Lands de São Francisco, para depois ir para seu país, quando toca nos festivais ingleses de Reading e Leeds em agosto, antes de começar efetivamente a turnê de seu disco novo em setembro. Temos muita Charli ainda esse ano…
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O encontro entre a dupla Test e a cantora Paola Ribeiro parecia uma contradição frontal ou um acerto infalível – e felizmente o barulho extremo da dupla de pós-metal sobrepôs-se como uma camada apocalíptica e tensa na canção desconstruída da vocalista que, acompanhada da bandaça que lhe ajudou a erguer Circus, seu ótimo disco de estreia (parte deles velhos conhecidos do Test), materializou a segunda opção como matriz de uma nova sonoridade, ainda em construção, durante essa sexta-feira, no Sesc 14 Bis. Além de João e Barata do Test e de Paola, o palco ainda contava com as presenças dos dois integrantes da Rádio Diáspora (os sopros de Rômulo Alexis e a bateria de Wagner Ramos), os eletrônicos de Podeserdesligado, a guitarra de Kiko Dinucci e o baixo de Marcelo Cabral, todos jogando no modo hard. A big band de noise começou num improviso comum para depois cair na faixa mais recente de Paola (“Furtacor”) que foi emendada com “Eles Voltam”, do Disco Normal, do Test, e inaugurar a primeira dobradinha da noite, quando João e Kiko duelaram suas guitarras em cantos extremos do palco. Outros duetos surgiram no decorrer da noite, contraponto inevitavelmente as baterias de Barata e Ramos e, num dos grandes momentos da noite, o trompete de Rômulo com a voz de Paola, que vieram para a frente do palco e optaram por solarem sem microfones. Depois Paola solou com seu berimbau amplificado e tocado com um arco para retomar as passagens pelos repertórios respectivos, alternando momentos como a turbulenta “Fama/Fome” do Test com a explosão de “A Fenda e o Corte”, de Paola, com a banda testando os limites do ruído como se acelerassem fissões das partículas de som ao vibrá-las e acelerá-las cada vez mais. A apresentação durou menos de uma hora, duração perfeita para o atordoo sonoro e conceitual que conseguiram atravessar, mas funcionou apenas como um reconhecimento mútuo para caminhos que podem explorar se começarem a compor em conjunto. Voltaram um bis cirúrgico, tocando “Faca da Palavra” que estará no próximo disco de KIko Dinucci e que abre o disco que Paola lançou ano passado. Pesado e promissor.
#test #paolaribeiro #sesc14bis #trabalhosujo2026shows 160

Fiona Apple, que não está nas redes sociais, pediu pra uma amiga publicar um vídeo pra dar notícias, dizer que ela tá tentando escrever sobre o momento que estamos vivendo, mas que a “barreira infinita de horrores” sobre a qual quer falar também é a mesma que a impede de ser mais criativa – e avisa que, quando puder, terá novidades vindo aí.
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Eis que Negro Leo reaparece em dose dupla. Primeiro quando o selo inglês Hive Mind anuncia uma coletânea – em um disco duplo! – de sua carreira chamada de White Elephant, que reúne vinte e sete (!) faixas de treze lançamentos diferentes feitos pelo bardo do absurdo (ou “cosmic joker”, como os gringos preferem chamar) entre 2012 e 2024, em parceria com o incansável selo carioca Quintavant. E depois ele acaba de anunciar o lançamento do filme que fez em parceria com outro ás, este das câmeras, Gregorio Gananian (que fez Inaudito, sobre o lendário guitarrista Lanny Gordin). Aquele Que Viu o Abismo, a distopia brasileira que ganhou o prêmio de Melhor Filme na Mostra Olhos Livres da 27ª Mostra de Cinema de Tiradentes, tem sua estreia marcada para o fim deste mês, dia 30 de julho, nos cinemas brasileiros. Veja o cartaz e um teaser do filme abaixo: Continue

É claro que a chegada do clássico psicodélico brasileiro contemporâneo Seres Verdes ao Redor, do grupo Supercordas, às plataformas digitais não ia ficar só nisso e seu selo Midsummer Madness acaba de anunciar o lançamento do disco em vinil… verde! Essa coisa linda já está em pré-venda com tiragem limitadíssima! E será que é a última novidade relacionada a esse disco que completa 20 anos este ano?

A partir do próximo dia 15 até o dia 26, a Cinemateca Brasileira mistura obras e biografias de Federico Fellini (1920-1993) e Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988) em uma restrospectiva conjunta em que os filmes dos mestres italiano e brasileiro são colocados em perspectiva a partir do realismo fantástico, da autobiografia através das próprias obras e no sentido poético para se determinar a identidade cultural de seus países a partir de seus filmes. A mostra traz joias de Fellini como A Doce Vida, 8½, OS Boas Vidas e Julieta Dos Espíritos remasterizadas e tanto longas (como Macunaíma, OS Inconfidentes, O Padre E A Moça, a adaptação dos contos de Dalton Trevisan Guerra Conjugal, Vereda Tropical, e o filme sobre Oswald de Andrade O Homem Do Pau-brasil) e os curtas de Joaquim, como O Poeta do Castelo (sobre Manuel Bandeira), O Mestre de Apipucos (sobre Gilberto Freyre), O Aleijadinho, Couro De Gato, Garrincha – Alegria Do Povo, Brasília – Contradições de uma Cidade e Cinema Novo. Como sempre, as sessões na Cinemateca são gratuitas e os ingressos podem ser retirados uma hora antes de cada sessão.
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Que beleza de aniversário! A festa de três anos do Inferninho Trabalho Sujo foi intensa e emocionante com a presença de duas atrações que estão ligadas à história da festa que comecei no Picles no meio de 2023. Dinho Almeida, dos Boogarins, voltou ao palco do sobrado caótico de Pinheiros dois anos depois de ter subido ali no primeiro aniversário da festa com sua banda, induzindo todos em uma sessão intensa de libertação e cura. Desta vez sozinho com sua guitarra, ele submeteu o público a uma sessão de mesma intensidade, só que agora individual e, diferente do que fez com os Boogarins, verbal. E ao fazer isso, ele transformou sua apresentação em um confessionário emotivo em que falou de sua relação com a música, da centralidade da música em sua vida desde pequeno, do papel de sua família ao dar a base que ele precisava para tornar-se o mestre da psicodelia brasileira que se tornou. Acanhado e saindo de uma gripe (que parece que pegou São Paulo inteira), ele entregou-se de corpo e alma para o público e, além das canções apaixonadas, vocais emotivos e sua guitarra cheia de eco de seu recém-lançado EP Dias Fora Almeida, e também visitou músicas de sua banda (“Sombrou Dúvida”, “6000 Dias” e “Chuva dos Olhos”), além de “Nilo” da excelente dupla Guaxe, que criou com o líder dos supercordas Pedro Bonifrate em 2019. “Eu juro que eu entreguei meu coração pra vocês, moçada”, disse ele depois do bis. A gente sabe – e agradece.
Depois Ottopapi voltou ao palco do Inferninho Trabalho Sujo pela terceira vez, logo depois da turnê de dez dias e sete shows que acabou de fazer com o próprio Dinho Almeida. A versão enxuta do seu grupo (que além de trazer o próprio Otto por vezes na guitarra, seu irmão Yann Dardenne no baixo, Thales Castanheira na guitarra solo, o mundo vídeo Gael Sorkin na firme bateria kraut e Danilera no synth) voltou ainda mais enfurecida após essa breve mas intensa série de shows e isso estava explícito neste no show, quando deixaram a vibe Velvet Underground fase Doug Yule misturar-se com a eletricidade dos B-52’s, principalmente quando Thales ficava sozinho na guitarra, pendendo para a surf music e para os Pixies. À frente de todos, o dono da banda se entregava para o público com suas letras que misturam o nonsense e o literal como faz o melhor rock. O público respondeu à altura com rodas de pogo, cantando junto músicas que acabaram de ser lançadas e todos completamente entregues à urgência zoeira de canções que grudam desde a primeira audição. E palmas para a performance do Danilo durante “Perdi o Controle”! Depois foi só deixar a pista correr solta comigo e com a Fran até o final da madrugada gelada de sexta!
#inferninhotrabalhosujo #ottopapi #dinhoalmeida #picles #noitestrabalhosujo #trabalhosujo2026shows 158 e 159

Três anos de Inferninho Trabalho Sujo! Há três anos idealizei uma festa para acompanhar a crescente cena musical que começava a ferver no pós-pandemia paulistano e pelo resto do Brasil e quando os caras do Picles me chamaram pra discotecar lá no início de 2023, sabia que ela tinha que começar por lá, sendo também a inspiração para seu nome. De lá pra cá, o Inferninho Trabalho Sujo espalhou-se por outras casas de show de São Paulo, teve edições fora da cidade e já recebeu mais de cem bandas e artistas novos – e não apenas da nova geração – em quase cem festas nestes três anos, além de dar origem ao festival Chama, sempre acompanhando o crescimento e a profusão desta nova safra de bandas que lentamente está mudando o cenário independente brasileiro. E nesta edição comemorativa tenho o prazer de receber dois ícones de épocas diferentes desta mesma cena: o elétrico Ottopapi, que depois de azeitar seu Seloki Records saiu numa enfurecida carreira solo no ano passado que é puro rock’n’roll, e o onírico Dinho Almeida, boogarinho velho de guerra que aos poucos vasculha sua carreira solo em composições emotivas e intimistas. A festa acontece na próxima quarta, véspera de feriado, e depois dos shows fecho a noite ao lado da minha comadre de discotecagem no Inferninho desde a primeira hora, discotecando comigo na festa desde a primeríssima edição há três anos, sempre fazendo corações e quadris derreterem com nosso beats e refrães. Vai ser quente e os ingressos já estão à venda!
#inferninhotrabalhosujo #ottopapi #dinhoalmeida #picles #noitestrabalhosujo

O Metá Metá esteve mais uma vez no palco do Bona nesta quarta-feira, quando fez uma apresentação um pouco mais ruidosa que da outra vez que esteve na casa de shows no bairro do Sumaré. Como na outra apresentação feita no local no início do ano (na primeira que o grupo tocou na casa), o grupo baseou a noite em seu repertório clássico que já está consolidado desde que voltou aos palcos com o fim da pandemia, mas desta vez saiu do formato canção para experimentar sonoridades amorfas quando saíam dos versos e refrães. Foi bonito ver Juçara Marçal, Thiago França e Kiko Dinucci submeter o público que lotou a casa a mais de dez minutos de abstração sonora, com cada um dos integrantes abrindo canais de som paralelos – Kiko tangendo o violão com metais e papéis, Thiago usando até as teclas do sax para fazer som e Juçara mostrando porque é uma das maiores vozes que temos hoje -, todos se entrelaçando num improviso intenso e imprevisível, antes de cair lindamente na intensa “Oyá”. E em outras músicas foram abrindo espaço para momentos intensos desta natureza (além de visitar “Século do Progresso” de Noel Rosa e dedicar “Cobra Rasteira”, inspirada pela música de Cabo Verde, aos “heróis desta Copa”, como disse Kiko ao mencionar a seleção africana), mostrando porque eles são a melhor banda do Brasil hoje. Só não consegui ficar até o final porque logo em seguida iniciaria a comemoração dos três anos do Inferninho Trabalho Sujo.
#metameta #bonacasademusica #trabalhosujo2026shows 157

Charli avisou que nesta quarta-feira traria novidades e mostra uma capa alternativa de seu novo Music Fashion Film em que ela posa ao lado dos três ícones que adornam a capa oficial, John Cale, Marc Jacobs e Martin Scorsese. Mas será que é a única novidade da semana? Estamos esperando por “Camera”…