
Mais sinais dos Talking Heads. Aproveitando a reunião de seus ex-integrantes no início desta semana para a celebração de um canal dedicado à banda lançado pela rádio via satélite Sirius XM, a gravadora Rhino acaba de anunciar mais uma caixa dedicada a um período da carreira do grupo liderado por David Byrne, que desta vez disseca o primeiro passo ousado do grupo, seu terceiro álbum Fear of Music. A caixa Fear of Music (Super Deluxe Edition) traz em três CDs (ou 6 LPs) o disco de 1979 com uma nova masterização, raridades e versões alternativas do álbum e a íntegra de dois shows em que o grupo tocava músicas do recém-lançado disco, no Berklee Performance Center no dia 24 de agosto do ano do lançamento e no Capitol Theatre, em Nova Jérsei, no dia 17 de novembro seguinte, além de um livro de 60 páginas com fotos inéditas e um texto escrito pelo crítico Will Hermes. O disco (já em pré-venda) será lançado no dia 13 de novembro e, para temperar o anúncio, a gravadora desenterrou um trecho do grupo tocando “Life During Wartime” na apresentação que fizeram no programa Old Grey Whistle Test.
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O quinteto francês Cabaret Contemporain especializou-se em fazer versões acústicas de clássicos da música eletrônica, mas nessa versão de “Polynomial C” do Aphex Twin eles se superaram…
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Não bastasse pegar todo mundo de surpresa de uma vez só ao anunciar que levará seu clássico Songs in the Key of Life para mais uma rodada de shows pelo hemisfério norte ainda este ano, Stevie Wonder guardou outra maravilha para a semana de aniversário deste que é um dos maiores discos já feitos e uma das grandes obras-primas do século 20 – e não estou só falando de música. “Vivemos com as canções de Songs in the Key of Life por 50 anos, mas ainda há muito a ser ouvido”, disse o próprio gênio ao anunciar um EP com quatro faixas inéditas gravadas durante a ebulição criativa deste disco no estúdio. “Não incluímos estas músicas no disco, mas elas fazem parte do que eu estava sentindo e descobrindo enquanto as fazia. Elas me trazem de volta para aquele período da minha vida e agora elas farão parte da de vocês.” O disco abre com a funky “It’s Easier”, passa pela apaixonada “My Life Story of Love”, segue com a belíssima balada “I Can See the Sun in Late December” e fecha com a groovezeira de “I’m Into Livin’”, talvez a melhor do pacote. É o segundo EP acrescido ao disco original – o primeiro, batizado de A Something’s Extra, veio junto com a edição do disco duplo original, com as faixas “Saturn”, “Ebony Eyes”, “All Day Sucker” e “Easy Goin’ Evening (My Mama’s Call)” que todos hoje entendem como as quatro últimas faixas do disco (que, na verdade, encerra-se com “Another Star”). E pelo jeito que ele falou, não duvide nada se Stevie vier com outras surpresas pelo percurso (eu só queria esse show no Brasil…).
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O grupo Ween começou a abrir seus arquivos e acaba de anunciar a caixa Boognish Provides, que reúne 14 shows que a clássica dupla indie fez entre outubro de 1994 e junho de 1995, quando fizeram uma longa turnê pelos EUA tocando as músicas de seu então recém-lançado álbum, o colossal Chocolate and Cheese. A caixa conta com 14 CDs com material deste período, que também ressurge numa versão com os melhores momentos num vinil duplo. Anunciada pela ótima gravadora Rhino para o próximo dia 16, a caixa traz shows em que, além dos fundadores Aaron “Gene Ween” Freeman and Michael “Dean Ween” Melchiondo, a banda ainda contava com o baixista Andrew Weiss e o baterista Claude Coleman. E para mostrar a seriedade do material, a primeira música da caixa a aparecer é uma versão de 24 minutos de “Vallejo”, gravada no 40 Watt Club, em Athens, na Geórgia estadunidense. Ouça abaixo: Continue

O Mogwai já começou seu 2027 ao anunciar o lançamento da coletânea Happy Tears no dia 8 do primeiro mês do ano que vem, que chega tanto no formato simples (em CD, duplo em vinil) quanto duplo (em CD, quádruplo em vinil) e traz uma música inédita que o grupo escocês lançou para anunciar o novo disco, quando convocou o mestre Iggy Pop para os vocais do single inédito “Underground”. “Eu sou um robô e estou infeliz”, o velho stooge deixa seu timbre grave dar o tom da nova música, “eu fui desenhado pra fazer dinheiro, mas eu quero fazer amor”. “Ouvir a primeira banda de Iggy, os Stooges, foi um momento transformador para mim”, escreveu o líder da banda Stuart Braithwaite em sua autobiografia Spaceships Over Glasgow: Mogwai, Mayhem and Misspent Youth. “O álbum homônimo deles era praticamente a minha bíblia. Era uma música chapada, tosca e completamente visceral. Eu nunca tinha ouvido nada parecido e, embora a banda praticamente tivesse acabado antes mesmo de eu nascer, passei a amar os três álbuns dos Stooges mais do que qualquer outra música que eu já tivesse ouvido. Foram meus professores de guitarra, Harry, quem me apresentou o som deles, me tocou Raw Power e fiquei atordoado: ‘A força bruta tem uma mão que cura / a força bruta pode destruir um homem!’ Eu não fazia a menor ideia do que era essa força bruta do título (e ainda não faço), mas amava a sonoridade daquilo e sabia que precisava ter o máximo possível dessa energia em minha vida. Iggy era a personificação viva daquela atitude de total desprezo por tudo e por todos. As guitarras estridentes e os ritmos primitivos faziam todo o sentido para mim. Eu estava fascinado por tamanha intensidade e ferocidade. Era perfeito.” A paixão da banda escocesa por Iggy vem desde sempre e sua obra-prima Come On Die Young, de 1999, abre com a música “Punk Rock”, em que o grupo musica um trecho de uma entrevista clássica do stooge nos anos 70. A coletânea já está em pré-venda.
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Ainda deu pra sair correndo e pegar o encontro de Negro Leo com Arrigo Barnabé dentro da Tecla Torta, nova série de shows de voz e piano da Casa de Francisca. Subvertendo todas as expectativas, a dupla preferiu deixar as canções reconhecíveis de lado e abraçar o improviso sônico desde o primeiro momento, quando Leo entrou no salão principal da casa desenrolando um tapete de plástico-filme para a entrada de Arrigo, ambos esticando e amassando o material para aumentar ainda mais o barulho de abertura – e assim, de cara, estavam envoltos pelo ruído. Depois Arrigo seguiu ao piano e Leo deixou o microfone de lado, preferindo comunicar-se por meio de LPs, que ia colocando na vitrola, sampleando pedaços de som, submetendo-os a loops que o maestro da Lira Paulistana acompanhava em seu instrumento ou vociferando trechos de textos: “Você pode gostar da ilusão, mas nunca do engano!” – só foi para a canção em um único momento, quando puxou sua “Noite Torta”. A apresentação terminou como começou, com os dois recolhendo os metros de plástico-filme que espalharam no palco e saindo ruidosamente como entraram. O público clamou por um bis que cedeu à canção e à voz, com Arrigo puxando sua música-símbolo “Clara Crocodilo” com vocais de cantoras que estavam na plateia, como Maria Beraldo, Iara Rennó, Anna Vis, Juliana Perdigão e Jadsa, que ainda emendaram com “Rela”, faixa-título do disco mais recente de Leo.
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O Oruã começou as comemorações de seu aniversário de dez anos em grande estilo nesta terça-feira, quando seu integrantes Lê Almeida, Bigú Medine, João Casaes e Ana Zumpano repassaram músicas de diferentes álbuns, sempre mantendo a linha entre o krautrock, o indie rock, a psicodelia e o noise em canções entoadas pela voz marcante de Lê, que, nesta apresentação, contou com as participações de outras vocalistas, como Grisa (que desta vez só tocou theremin), Laura Lavieri e da poeta Marcela Mara, que encerrou a noite que ainda teve os monitores de Danilo Sansão e balões sobre as cabeças da banda expandindo ainda mais a consciência desta primeira década do grupo do Rio de Janeiro. Muito bom.
#oruanocentrodaterra #orua #centrodaterra #centrodaterra2026 #trabalhosujo2026shows 231

Eis “Timewaster”, a quarta música do terceiro disco do Olivia Tremor Control, que está quase entre nós. O disco duplo The Same Place chega no próximo dia 23 (já em pré-venda), encerrando uma espera de 27 anos pelo último – agora em definitivo, pois seus fundadores Bill Doss e Will Cullen Hart morreram em 2012 e 2024, respectivamente – álbum de uma das principais bandas psicodélicas da história. Depois da faixa-título, de “Garden Of Light” (estas duas reveladas no dia da morte de Hart, há dois anos) e “Advice From The Oceans”, a nova faixa segue o clima onírico característico dos melhores momentos do grupo, com bateria a cargo de Jeff Mangum, do Neutral Milk Hotel, a outra banda icônica da cena que girava ao redor do coletivo Elephant 6, em Athens, nos EUA, nos anos 90. “Nós nos dissolvemos em uma luta sem fim, a beleza se esvai na simetria perfeita”, canta a dupla, acompanhada por sopros e guitarras pesadas, naquele equilíbrio clássico entre devaneio e delírio que só eles conseguem. Ouça abaixo: Continue

Saí correndo do show do Kiko Dinucci pra pegar o finzinho do último dia do festival da Balaclava e consegui pegar a parte final do bom show do Beach Fossils e a apresentação da Sudan Archives, nome artístico da violinista americana Brittney Denise Parks, que transformou o segundo palco do Tokio Marine Hall (que, felizmente, estava com um som ótimo) numa pequena rave com um pezinho no erudito. Mas o festival foi coroado com uma apresentação fantástica dos nova-iorquinos DIIV, possivelmente a melhor banda de shoegaze atual, que, em mais uma apresentação no Brasil, honraram o título com um show hipnotizante e avassalador. O vocal soterrado do líder Zachary Cole Smith conduzia as canções sobre um volume cada vez mais pesado de microfonia, cortesia de seu instrumento e do segundo guitarrista, Andrew Bailey, que não para no palco, enquanto a cozinha formada pelo baixista Colin Caulfield e pelo baterista Ben Newman mantém o terreno firme para o grupo expandir fronteiras sônicas. A novidade deste novo show é que, prestes a lançar seu próximo disco, chamado de Zirp! e produzido pelo mesmo A.G. Cook que acompanha Charli XCX, o quarteto pode mostrar, pela primeira vez, não apenas as duas músicas que lançaram para antecipar o novo álbum, os singles “The Fountain” e “Kid”, como músicas que o público nunca ouviu, como “The Crash”, “Dare Me”, “My Star” e ‘Trillions”, mostrando interferências eletrônicas e ruídos digitais sobre o barulho macio tradicional do grupo, que também tocou uma versão ainda mais acelerada de “Playboy Bunny” da própria Charli, em mais uma amostra da influência do novo produtor no disco. Sempre tocando abaixo de uma estrela torta tirada da capa do novo disco (que desconstrói a bandeira dos EUA), o grupo ouviu o público cantando riffs e refrões inteiros, numa nítida devoção à banda, que fez por merecer. Bom demais.
#diiv #balaclavafest2026 #tokiomarinehall #trabalhosujo2026shows 227 a 229

“Exugaze” é um bom rótulo e funciona para explicar os rumos tomados por Kiko Dinucci em seu recém-lançado Medusa, disco em que faz as pazes com a guitarra elétrica. Mas resumir seu terceiro disco solo a esse trocadilho diminui toda a densidade da sombra quebrada e melancólica que o guitarrista acaba de parir. Esta ganha peso, volume e força ao ser executada com quatro amplificadores para uma única guitarra, postos no meio do palco como o monolito de 2001 – enigmático, impassível, inescapável. Ladeando-os estavama Kiko e Podeserdesligado, cúmplice na materialização do disco em show, que, com seus eletrônicos, fazia crescer a nuvem preta invisível que o guitarrista despejava sobre a plateia como uma maldição triste. Nunca um show naquele teatro soou tão alto e Kiko sabia o que estava fazendo, tanto que citou a importância daquele palco para ele e para a cidade, mencionando shows históricos inclusive em que foi protagonista, como o lançamento de seu Rastilho um mês antes da pandemia, uma apresentação sem público do Metá Metá durante a quarentena eterna daquele 2020 e os últimos shows de Jards Macalé em São Paulo, quando o mestre carioca dividiu a noite com o próprio Kiko. Além da força estática dos ruídos elétricos (a cargo do Pedro Silva, que cuidava do som do teatro como se segurasse os portões do inferno), Medusa ao vivo ganha ainda mais um outro nível graças à luz sobrenatural de Olívia Munhoz, cada vez mais afiada. Motor de toda essa energia, Kiko não soa nem agressivo nem incisivo, regendo solidão e ceticismo enquanto conecta o recém-aprofundado shoegaze às canções que tocam nas rádios do Brasil. Assim, invoca, além de Jards Macalé (de quem tocou a parceria conjunta “Coração Bifurcado”) e Beto Villares (de quem cantou “Chorei”) a Roberto Carlos (ressuscitando “Os Seus Botões”). Esta presença fantasmagórica (mesmo que RC esteja vivo) culmina com o ápice do disco e do show, quando canta a balada “Como Foi”, tristes reticências de um disco sobre ecos do passado, que termina transmutando-se no pesadelo chamado “Fantasmagoria IV”, que encerra o show. Inacreditável – e sério candidato a show do ano.
#kikodinucci #sescpompeia #trabalhosujo2026shows 226