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Loki

Em comemoração aos 40 anos do primeiro disco dos Beastie Boys, Licensed to Ill, o jornalista norte-americano Ben Merlis, lança o livro Beastie Boys: Licensed to Ill – 40 Years em que detalha a história do surgimento deste álbum, um marco na história da música pop. É um livro de capa dura e páginas coloridas com quase 200 páginas, que reúnem mais de 200 fotos do trio durante este período, além de entrevistas com os próprios Beastie Boys e integrantes de sua turma naquela época, análise detalhada de cada faixa do disco e prefácio escrito por Prince Paul. O livro será lançado em novembro e já está em pré-venda.

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Eis a Nico cantando “New York, New York” como parte de sua participação na peça de vanguarda Mr. Dead and Mrs. Free, escrita pelo diretor húngaro Andrei Serban e pelo dramaturgo estadunidense Jeff Weiss, e encenada no Squat Theatre, na própria Nova York, em 1982. É impressionante como a letra da música – feita para o filme de mesmo nome de Scorsese, que fracassou nas bilheterias, mas que levantou a carreira de Frank Sinatra – ganha um tom completamente diferente a partir do timbre e do histórico da própria Nico. Muito foda.

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Toe atordoante!

Absurdo o show que o quarteto japonês Toe fez nesta quinta-feira no Cine Joia. Equilibrando com maestria delicadeza e esporro, doçura e ruído, o grupo hipnotizou o público que abarrotou a casa de shows para cantarolar riffs e as poucas letras que o grupo quase instrumental puxa em alguns momentos do show. Dividindo o setlist entre músicas do álbum mais recente (Now I See the Light, de 2024) e do clássico For Long Tomorrow (de 2009), o grupo expande as próprias composições de modo muito didático, criando peças circulares entre as duas guitarras – ou, por vezes, guitarra e violão – que vão sendo regadas pelo movimento do grupo no palco e, a cada nova repetição, uma nova camada de ruído e volume vai sendo acrescida a uma avalanche de pós-rock que começa a partir do contato de pequenos cristais de som. É interessante ver a dinâmica do grupo no palco, com o intenso baterista Kashikura Takashi atuando como o regente da intensidade do grupo, acompanhado de perto da guitarra performática de Mino Takaaki, que parece encarnar todos os integrantes do Sonic Youth em si mesmo. No centro do palco, o baixista Satoshi Yamane funciona como peso da balança do grupo e marca o andamento precisamente – às vezes parando de tocar para fazer a banda desacelerar, enquanto o tecladista convidado tempera algumas canções com timbres eletrônicos ou andamentos introspectivos nos momentos mais quietos do show. O guitarrista e vocalista bissexto Yamazaki Hirokazu é a baliza das emoções do Toe e entrega-se ao violão e à melodia gritada das letras que induzem o público ao torpor como se fossem os instrumentos elétricos – e por mais tímido que pudesse parecer no início (foi cumprimentar o público com mais de uma hora de show), ele não só ergueu uma bandeira mashup do Brasil com a do Japão como chamou uma brasileira para ler uma declaração de amor ao nosso país e um manifesto sobre a necessidade de se fazer o que se gosta sem fazer concessões, explicando que o Toe é isso para eles. Encerraram o show com um bis mais acústico de quase meia hora, atordoando as expectativas sônicas e emotivas do público, que saiu em transe.

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Eis mais duas músicas dos próximos dois volumes do tributo a Neil Young que se materializa no início de novembro. Heart Of Gold: The Songs Of Neil Young – Volume 1 foi lançado no ano passado com versões feitas por fãs do bardo canadense como Fiona Apple, Eddie Vedder, Sharon Van Etten, Courtney Barnett, entre outros, e desde seu título deixava claro que seria uma série de discos em homenagem ao mestre. Só que os dois volumes seguintes foram anunciados simultaneamente em julho com versões feitas por King Princess e Jaco Rosa – e agora outras duas faixas, novamente uma de cada disco, surgem para manter a chama do disco acesa antes de seu lançamento. A primeira delas traz uma versão cheia de sopros para a épica “Like a Hurricane”, feita pelo My Morning Jacket ao lado da Preservation Hall Jazz Band, que começa meio barroca, meio Pet Sounds, antes de explodir numa catarse elétrica típica de seu autor, com direito a solos rasgados de guitarra (que, na segunda vez, vem acompanhado de perto por um trompete desenfreado). Já o Modest Mouse até quis arriscar outro épico (sua primeira opção foi “Cortez the Killer”), mas preferiu voar mais baixo e recorrer a básica “Barstool Blues” ao lado da banda Califone. A versão ganha um ar meio new wave, meio indie, mas nada que soe estranho ao repertório de seu autor. Os novos volumes ainda contam com músicas gravadas por Peter Frampton, Ben Gibbard, Cold War Kids, Los Lobos, MJ Lenderman, Kurt Vile and The Violators, Lucinda Williams, Devendra Banhart, Edie Brickell, Ann Wilson, entre outros, já está em pré-venda e toda sua renda será arrecadada para a Bridge School, escola para crianças especiais que Young mantém desde os anos 80.

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Acabaram de encontrar esse vídeo com o King Crimson (formação com Robert Fripp na guitarra, Ian McDonald no sax, Greg Lake no baixo e vocal e Michael Giles na batera) em 1969 exibido em um programa de TV alemão (que provavelmente superpôs a gravação original do grupo com a versão gravada de “21st Century Schizoid Man’) num raro registro de um dos primeiros momentos da banda.

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Linda demais a homenagem que Caio Colasante e Carol Maia fizeram ao ídolo e mestre Jards Macalé nesta terça-feira no Centro da Terra, dando início a um trabalho em dupla que reúne o guitarrista paulista e a cantora carioca num espetáculo que joga luz na própria obra dos dois. Revezando-se entre guitarras e violões, a dupla passeou por hits inevitáveis do velho Macau (abrindo com “Mal Secreto” seguida de “Anjo Exterminado”, passando por “Soluços”, “Hotel das Estrelas” e encerrando a noite com “Pano Pra Manga”), os dois também buscaram músicas menos óbvias de Jards, como a versão que ele fez para “Imagens” (de Valzinho e Orestes Barbosa) e “Dente no Dente”. Mas o que mais marcou a noite foi a conexão das músicas de Macalé com composições de cada um deles e assim Caio mostrou “Fantasma Supersônico”, “Atropelado” e “Vida Nova”, enquanto Carol trouxe “Vermelha Rosa” e “A Boca do Cão”, esta composta quando ela soube da morte de Jards. O show contou com a dupla o tempo todo no palco dividindo instrumentos e vocais mesmo nas composições próprias, reforçando que aquela invocação era a dois (Caio até brincou com as interferências no som como sendo uma materialização do próprio Jards). E um dos grandes momentos da noite foi quando cantaram outra de Carol, “Sinal Fechado”, que acabou por ser um belo resumo da noite, tanto com a guitarra precisa de Caio e o vocal completamente solto de Carol. Uma beleza.

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A Glue Trip já está na Europa e começa mais uma turnê pelo velho continente no mesmo dia em que lançam o primeiro single de seu quarto álbum, previsto pra novembro. A pesada, bucólica e cheia de diferentes ambiências “Psychedelic Friend” abre alas para o lançamento de Anemoia e chega às plataformas de áudio nesta quarta-feira, mas a banda antecipou em primeira mão o single para o Trabalho Sujo. “Em julho do ano passado passamos duas semanas imersos no estúdio Buena Família em São Paulo para criar e gravar esse disco, que tem nome estranho, meio difícil de falar, mas que é sua síntese”, explica o líder da banda, o guitarrista, vocalista e principal compositor Lucas Moura. “Venho enxergando esse disco como uma quebra na discografia da Glue Trip e começar a conversa por ‘Psychedelic Friend’ é como começar com o pé na porta”, conclui, antes de iniciar a turnê que começa nesta quarta em Madri e vê a banda fazer outros treze shows até o dia 6 de outubro, com passagens por Portugal, França, Holanda, Alemanha, Suíça e República Tcheca, além de outras cidades da Espanha.

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Imagine que um de seus artistas favoritos lance toda uma célebre turnê numa extensa caixa – é isso que Bob Dylan traz em The Rolling Thunder Revue: The 1976 Live Recordings, uma caixa com 39 CDs registrando todos os 27 shows da mitológica excursão que fez pelos EUA no meio dos anos 70 com uma banda composta pelo baixista Rob Stoner, a violinista Scarlet Rivera, o baterista Howie Wyeth e os guitarristas Mick Ronson (que tocou no Spiders from Mars de David Bowie), Steven Soles, David Mansfield e T Bone Burnett, além de contar com Joan Baez em vários momentos. A caixa (já em pré-venda) não entrou na antológica coleção das Bootleg Series porque nunca havia sido nem pirateada com essa minúcia e além dos quase 40 discos e ainda traz um dos principais shows desta turnê, do dia 16 de maio daquele ano no Tarrant County Convention Center Arena da cidade de Fort Worth, lançado como disco triplo em vinil. Famosa por colocar Dylan de volta na estrada num período tenso em seu país, a Rolling Thunder Revue funcionou como um descarrego furioso elétrico, antecipando a agressividade que o fim daquela década traria com o punk rock. Para antecipar a caixa, foi lançada a pesada versão para “Going Going Gone” deste show em destaque. Ouça abaixo: Continue

Corre pro estádio do Palmeiras que o Jamiroquai voltou pro Brasil depois de quinze anos sem pisar por aqui – e como nunca tinha visto um show dos caras, lá estava debaixo da chuva vê-los puxar um bailão daqueles que, mesmo com o mesmíssimo repertório de todos os shows (incluindo apenas “High Times”, que não tocavam desde 2018), não deixou ninguém parado. A empolgação da banda segue precisa, com músicos esmerilhando seus instrumentos (em especial o tecladista Matt Johnson e o baixista Paul Turner, todos da segunda fase da banda, além do percussionista brasileiro Fabio de Oliveira, que entrou no ano passado e teve seu momento “terrinha” por sugestão dos companheiros de grupo) e esticando cada música vários minutos além da duração original, mas o holofote obviamente cai sobre o vocalista Jay Kay que conta com os mesmos pique, disposição e elasticidade do início de carreira – além da voz intacta, trocas de figurino e dancinhas que contagiavam o público, ele ainda autografou várias capas de discos entregue pelos fãs (inclusive enquanto cantava!). O foco da banda ficou em seu disco de 1996 (Traveling Without Moving), passando por números dos discos de 2001 (A Funk Odyssey) e 2005 (Dynamite), além de passagens por músicas únicas do disco Synkronized e The Return of the Space Cowboy. Antes de encerrar o show – sem bis – com um versão mais sossegada de “Virtual Insanity”, o vocalista aproveitou o momento para falar sobre a crise política que o mundo atravessa hoje, comentando sobre como a canção parece ser mais sobre os dias atuais do que sobre a época em que foi escrita, no meio dos anos 90. Mas o mesmo pode ser dito sobre a própria banda, que fez todo mundo se esbaldar de dançar e, mesmo que o estádio estivesse longe de estar cheio, a empolgação era a regra.

#jamiroquai #nubankparque #trabalhosujo2026shows 216

Tom Zé é patrimônio nacional. Não importa que o gênio quase nonagenário esqueça trechos das próprias letras, confunda a própria banda, arraste-se em longos devaneios sem rumo, esqueça-se onde está ou queira ir embora pra casa antes da hora. Seu valor pra nossa cultura é inestimável justamente por isso: ele nunca se conformou, nunca se ajoelhou pra quem paga a conta, nunca fez concessões, nem se autocensurou por motivo algum. Sempre fez o que e como quis e, como todos que embarcam nessa aventura no Brasil, pagou um preço por isso. Mas mesmo assim sua energia vital é emblemática e está no palco, um de seus principais lares e centro de comunhão com o público. E assim ele esteve em sua apresentação no Auditório Simon Bolívar do Memorial da América Latina neste domingo, dentro do palco paralelo do festival Coala, que acontecia lá fora e, justamente por isso, demorou para encher, com o público entrando até a metade do show. Acompanhado da banda que o segue desde a volta da pandemia (o guitarrista Daniel Maia, a tecladista e vocalista Cristina Carneiro, o baixista Felipe Alves, o baterista Fábio Alves e a vocalista Andreia Dias), ele seguiu o roteiro até o que seria a metade do show, quando anunciou que iria embora e retornou algumas vezes à pitoresca canção que compôs em homenagem ao marsupial que batiza o evento de MPB (diferente da música que fez recentemente sobre a Casa de Francisca, que celebra o local), antes de passar por seus inevitáveis hits – “Tô”, “Hein”, “Menina Amanhã de Manhã” e “Augusta, Angélica e Consolação” – e desandar a conversar sobre qualquer coisa com os dois lados da plateia do auditório. E o público foi entregue ao Tom Zé bruto, sem filtros, intenso e autêntico como poucos artistas brasileiros conseguem ser – e é um privilégio gigantesco poder vê-lo assim, às vésperas de completar 90 anos. Não existe ninguém como Tom Zé.

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