
“Tivemos um novo bebê!”, escreveu o trio nova-iorquino Blonde Redhead ao anunciar o lançamento de um novo single. “Seu nome é ‘Blood Spilled’, ela é só e selvagem, mas se você se afeiçoar a ela, ela pode criar raízes, se firmar no chão e ser a trilha sonora de uma vida extraordinária”, continuaram falando na apresentação da nova música, que, como disseram, não está ligada a nenhum disco vindouro (suponho) e cuja descrição se adapta ao doce noise das mais de três décadas de ação do grupo.
A vocalista da banda, Kazu Makino, falou mais sobre o single na newsletter do grupo:
“Os últimos anos foram, para o mundo e para mim, um período implacável de perdas. Devastada por essa fase, aprendi que a morte é o fim do corpo, não da alma.Sigo conectada àqueles que já não fazem parte deste mundo e a espíritos que jamais fizeram parte dele. Falo com eles e os ouço. Eles me mostram sinais para que eu saiba que somos muito mais do que nossos corpos e, acima de tudo, sinto o amor deles. Há pessoas que têm tanto medo da morte e da decadência que agem contra seus próprios interesses e contra a lei da natureza. Embora eu saiba que a morte não é o fim, também cheguei a reconhecer plenamente o poder e a magia do corpo que abriga a alma. Esta canção celebra a nossa incrível vantagem sobre aqueles que já não possuem corpos. Enquanto estamos aqui nesta Terra, este é o nosso momento, nossa dor e nossa alegria. Eles nos pertencem. Eu canto e grito apenas para me ouvir fazendo isso, até que minha alma abandone e deixe o plano físico. Esta canção trata do livre-arbítrio da nossa alma e do nosso corpo, até a última de nossas células.”
Sonzeira, como sempre. Que provavelmente iremos ouvir ao vivo aqui no próximo festival da Balaclava, que traz a banda para o Brasil.
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É a segunda vez que isso acontece este ano no Centro da Terra e, como da outra vez, foi impressionante ver como um disco pode crescer em dez anos. Como o Irmão Victor (que desta vez estava na plateia) fez no mês passado, a dupla Antiprisma também celebrou o aniversário de dez anos de seu disco de estreia, coincidentemente lançados em 2016. Apresentações que foram me apresentadas em conversas paralelas e que calharam de acontecer no mesmo palco com semanas de diferença. E como aconteceu no show do músico gaúcho, a dupla Victor José e Elisa Moos optaram por enriquecer ainda mais seu disco de estreia, preenchendo arranjos com os dez anos de estrada que construíram desde o lançamento do disco. Com isso, optaram por convidar músicos que fizeram parte de sua biografia para transformar a aconchegante choupana folk que construíram no mato com as próprias mãos há dez anos, em uma confortável e ampla casa, sem perder a simplicidade do trato, mas com atenção redobrada ao detalhe. Começaram o show em sua essência, só os dois no palco entrelaçando vocais e violões lindamente, e aos poucos foram chamando os amigos. Primeiro subiram o pai do prognejo Clóvis Cosmo (desta vez na bateria, mas revezando-se entre outros instrumentos como washboard, boingo e flauta) e o baixista Zé Mazzei (tocando um contrabaixo acústico na maior parte do tempo com arco de violoncelo), que acompanharam a dupla por quase toda a apresentação. Aos poucos começaram a chamar outros convidados, como a dupla gaúcha Doce Creolina, a maga Carol Encanto do grupo folk nórdico Yön, a pianista e vocalista Alambradas e o guitarrista Zé Antonio Algodoal, cada um deles entrando em cada número, exatamente na mesma ordem do disco até atingir o ápice em “Das Coisas”, quando reuniram todos os convidados ao redor da mesma música, erigindo uma pequena egrégora de folk caipira que funcionava como uma assinatura musical da atmosfera dos dois. Encerraram o show e o disco sozinhos os dois, primeiro com a última do disco homenageado, para depois completar a noite com uma música de cada um de seus lançamentos, desde o primeiro EP de 2014 (“o do burrinho”) até o disco mais recente (Coisas de Verdade, de dois anos atrás). E o que poderia parecer saudosismo, soou mais como a consciência da experiência de todos estes anos.
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Muita satisfação em receber no palco do Centro da Terra nesta terça-feira, a comemoração que Elisa Moos e Victor José fazem de uma década do primeiro disco de seu Antiprisma. Planos para Esta Encarnação é recriado no palco do teatro ao ser tocado na íntegra, reforçando a natureza acústica do duo, que recebe convidados para esta apresentação inédita, além de fazer novos arranjos para as clássicas canções. Prometem uma versão madura, que reforça letras e as harmonias vocais em um clima, e contarão com as presenças de Clóvis Cosmo, Zé Mazzei, a dupla Doce Creolina, Carol Encanto, Alambradas e Zé Antonio Algodoal, numa noite que promete ser especial. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.
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O Faith No More acaba de confirmar os primeiros shows de sua volta marcada para o ano que vem e eles não vêm só – chamaram o grupo System of a Down para dividir quatro noites do outro lado do planeta, quando tocam na Oceania em janeiro e fevereiro de 2027. O primeiro show acontecerá no dia 22 de janeiro em Sydney, seguido de outro show em Melbourne no dia 27 e outro no primeiro dia de fevereiro em Brisbane, todos na Austrália, para visitar a capital da Nova Zelândia Wellington no dia 7 deste mesmo mês. É só o começo de uma invasão do grupo liderado por Mike Patton durante todo o ano e não custa lembrar que tanto o FNM quanto o SOAD têm seus shows geridos pela produtora brasileira 30e, que mandou benzaço nesta escalação.

Um privilégio poder assistir à celebração que a Orkestra Rumpilezz do saudoso Letieres Leite fez ao gênio Moacir Santos no exato dia de seu centenário, neste domingo, no Sesc 14 Bis. A apresentação de gala encerrou a temporada de três datas que o grupo baiano fez neste fim de semana aproveitando o centenário do mestre pernambucano – um mago da música brasileira que infelizmente não tem a popularidade à altura de sua majestade musical – para trazer a releitura idealizada pelo próprio Letieres há mais de dez anos, que só se materializou no álbum Moacir de Todos os Santos após sua morte, em 2021. Dividida entre sopros e percussão, a Orkestra começou a noite trazendo os ritmistas ao palco trajando figurino de gala branco para receber saxes, tuba, trombones, trompetes e flautas num segundo momento, quando os músicos entraram saindo de trás do público. Posicionados ao redor do pulso percussivo tocado por sete músicos – entre eles os maestros Gabi Guedes e Luizinho do Jêje -, os sopros alternavam os arranjos entrelaçados sobre a obra clássica de Moacir, o revolucionário álbum Coisas, de 1965, e solos que tocavam fundo a grande festa de ritmo e melodia em homenagem ao pernambucano, que o grupo fazia questão de comparar com o fundador Letieres, outro gênio da composição, arranjos e da educação através da música. Mas ao centro de tudo, carregando toda a apresentação e fazendo todo o público levitar mesmo que sentado, o naipe de percussão transforma o que poderia ser entendido como uma big band de samba jazz em um ritual mágico e solene à altura dos dois grandes gurus ali representados. De lavar a alma.
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Depois de incluir “Stairway to Heaven” em seu repertório (eles tocaram mais duas vezes depois do primeiro show desta turnê pelos EUA, numa delas emendaram com “Down by the River” do Neil Young), o Pavement segue passeando pelos clássicos e no show que fizeram em Cleveland, na quinta passada, além de tocar “Greenlander” ao vivo pela primeira vez desde 1992, também fizeram uma jam no final de “Half a Canyon” que desembocou em “Lucifer Sam”, do primeiro disco do Pink Floyd, quando a banda ainda era abençoada por seu fundador Syd Barrett. Pelo visto é uma fase “Pavement toca os clássicos” – que continue assim!
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Justin Vernon, cujos fãs conhecem melhor por Bon Iver, já fez algumas apresentações cantando o repertório de Bob Dylan – e fazendo trocadilhos com seu nome artístico e o do velho Zimmerman. A nova aparição aconteceu nessa sexta-feira no volta do festival Eaux Claires, na cidade de Eau Claire, em Wiscosin, nos EUA, criado por Aaron Dessner do The National e que ressuscitou depois de um hiato de oito anos. Vernon já ia tocar seu próprio show no festival, mas devido à vaga deixada por Kevin Morby (que suspendeu seu show no festival pois acabou de ser pai e voltou para ver sua criança com Katie Crutchfield, mais conhecida como Waxahatchee), ele acabou encarnando o mestre da música norte-americana puxando um repertório de clássicos e canções menos conhecidas dos anos 60 e 70, usando o infame nome de Bon Dylan (ele também já usou Bob Iver) para cantar “Don’t Think Twice, It’s All Right”, “The Man In Me”, “Tangled Up In Blue”, “Lay Lady Lay”, “All Along The Watchtower” e “Knockin’ On Heaven’s Door”, que encerrou a apresentação. Felizmente um intrépido fã filmou toda apresentação ,que você pode conferir abaixo (bem como a íntegra do setlist da noite).
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Inferninho Trabalho Sujo indo para o quarto ano e faço uma experiência: e se rolasse uma festa com show com uma banda surpresa? Uma banda nova, que está crescendo, já fez seu nome, lançou discos e faz turnês com frequência. Pois é isso que vai acontecer neste sábado dia 25 de julho na Porta Maldita. Quem começa os trabalhos é outra banda que já estava de olho faz tempo, o grande Vinco, e se você conhece, dá pra ter uma ideia quem pode ser a atração surpresa deste sábado. Porque não é um sextou e sim um senhor sabadou! Essa noite promete! E os ingressos já estão à venda.

Casa cheia para assistir ao Colinho de Maria Beraldo ao vivo pela primeira vez no teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros, quase dois anos após o lançamento do segundo disco da cantora e compositora catarinense, que, para fazer jus às dimensões do teatro, chamou dois velhos compadres para agigantar a noite, ao convocar Tulipa Ruiz e Negro Leo para momentos específicos de sua apresentação. Esta continua intacta, tal como fez desde o show de lançamento, no palco do teatro do Sesc Pompeia em janeiro de 2024, à exceção da troca de um dos dois músicos que a acompanham – o baterista Sergio Machado segue junto, mas o baixista e tecladista Fábio Sá saiu para a entrada de Danilo Penteado, sem que isso tirasse a precisão da execução do show, mantendo o mesmo clima chiaroscuro estabelecido pelas luzes então espartanas e monocromáticas de Olivia Munhoz, seguido da comunicação mínima de Maria com o público. Como de praxe, o show começou às escuras, com a forte versão a capella que encerra o disco, com Maria cantando “Minha Missão’ de Clara Nunes, antes de cair no Colinho a partir do início, quase seguindo a ordem das músicas, que só mudou após o primeiro terço do show, quando ela recebeu Negro Leo para dividir uma música de seu primeiro álbum, Cavala, “Amor Verdade”. Depois foi a vez de Tulipa Ruiz entrar dançando ao som de uma versão de sua ‘Físico” e também puxou uma do Cavala (“Tenso”) para dividir os vocais com Maria. Mas quando os convidados não estavam no palco, a tensão e precisão do trio abria espaço para Maria tocar vários instrumentos (do seu clarone ao violão, passando pelo piano de cauda), enquanto Danilo alternava entre o piano, o baixo elétrico e o acústico e Sérgio segurava todos com sua percussão milimétrica. Leo voltou mais perto do fim para cantar a “Quem Sou Eu” que compôs junto com Beraldo e seguiu com sua “Jovem Tirano Príncipe Besta”, das primeiras composições que projetaram Leo para além do Rio de Janeiro. A noite ainda trouxe a versão para “Nobreza” de Djavan, antes que Maria chamasse os dois convidados para voltar ao palco e dividir sua “Truco”. Encerrou a noite, também como de praxe, invocando “Ivy” do Frank Ocean debaixo de um único ponto de luz e, pela primeira vez desde que lançou o disco ao vivo, abriu exceção para um bis, quando, novamente ao lado de Leo e Tulipa, fez todos entrarem no clima de sua “Da Maior Importância”. Fino demais.
#mariaberaldo #sescpinheiros #trabalhosujo2026shows 172

Imagine você estar num show de uma banda paralela do vocalista do Green Day e ele chama o vocalista do Iron Maiden para cantar uma música de David Bowie… Foi isso que aconteceu nesta quinta-feira, quando a banda que Billie Joe Armstrong inventou em 2018 para tocar suas músicas favoritas (os Coverups) passou pelo Hard Rock Hotel em San Diego, na Califórnia, e, entre versões para músicas dos Ramones, Clash, Soul Asylum, Pretenders, Buzzcocks, Go-Go’s, Strokes, Nirvana e Bryan Adams, convocou o improvável convidado Bruce Dickinson para cantar uma versão para o hino glam “All the Young Dudes”. E ficou bem bom, diz ai…
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