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Loki

Vandal pesado!

Outro disco inacreditável que saiu nesta semana é o quarto álbum do rapper baiano Vandal. Ou primeiro, já que ele mesmo chama seus discos anteriores de mixtape e transforma seu novo Vanguardah em um monumento à fusão de música urbana que vem praticando na última década. Dirigido por Russo Passapusso e produzido por Tiago Simões, o novo disco funde suas habilidades como MC – o baiano é pioneiro do grime e do drill, variantes radicais e pesadas do rap – com grooves de rua baianos, como o samba-reggae e o pagodão baiano, além de envernizar o disco com a presença do maestro Ubiratan Marques e sua Orquestra Afrosinfônica, primeiro astro de um time estelar de colaboradores no álbum, que vai do próprio Russo a Josyara, passando por Livia Nery, Giovani Cidreira, Hiran e KL Jay, entre outros (além dessa capa absurda!). E já desponta como um dos grandes discos brasileiros de 2026. Ouça agora.

Ouça abaixo: Continue

A colaboração entre os B-52’s e David Byrne parecia ser uma combinação dos sonhos em 1981, quando o líder dos Talking Heads foi incumbido de produzir o terceiro disco da banda new wave, que estava em ascensão. Mas na prática, o que poderia ser um disco memorável acabou resultando num trabalho apressado, reduzido a um EP batizado Mesopotamia com apenas seis faixas, lançado no início de 1982. A gravadora Rhino resolveu contar a história por trás deste disco e lança na semana que vem a caixa com 3 CDs e um LP chamada Ancient Culture: Mesopotamia, que desenterra faixas que não entraram no disco (como “Big Bird”, “Adios Desconocida” e “Queen Of Las Vegas”), apresenta uma nova mixagem para o disco original, traz novos remixes e a gravação de um show no Roseland Ballroom de Nova York no dia 19 de abril de 1982, batizado de Meso-America. Veja a relação das faixas abaixo: Continue

A Tubo de Ensaio soube realmente como aproveitar a enorme tela de cinema sobre suas cabeças no show que fizeram nesta quinta-feira no Cine Belas Artes dentro de mais uma edição da sessão Trabalho Sujo Apresenta, que venho fazendo no local. Ao convidar o videocientista Gibaa para tomar conta da parte visual da noite, aproveitou o apreço deste por televisores decanos para criar o espetáculo TV de Tubo, em que estes aparelhos funcionavam como decoração e acessórios à tela principal, que ele manipulava imagens do grupo feitas simultaneamente como aquele efeito VHS vintage. Mas mais do que voltar no passado, Gibaa acertou ao experimentar abstrações visuais retrô que caíram feito uma luva com a progressão hipnótica de canções que o grupo escolheu para fazer na apresentação, deixando músicas mais intensas e pesadas do repertório de fora para garantir um transe lento que aos poucos foi comendo os cérebros dos presentes, boquiabertos e transfixados, quase sem pegar o celular para registrar o que estavam vendo. Um passo importante que o grupo de prog psicodélico eletrônico dá em sua carreira, preparando terreno para o sucessor de seu disco de estreia lançado no ano passado, Endofloema. Quase não mostraram músicas novas, mas mostraram o clima que querem conduzir seu público – uma delirante escada espiral que desce ao mesmo tempo que parece subir. Música surrealista.

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Nesta quinta-feira temos mais uma sessão Trabalho Sujo Apresenta no Cine Belas Artes com a banda Tubo de Ensaio mostrando o espetáculo TV de Tubo que conceberam para fazer no próprio cinema! A apresentação começa às 20h30 e os ingressos estão quase acabando, corre que ainda dá pra garantir lugar nesse showzaço que eles vão fazer – aquele momento em que o rock progressivo, o rock psicodélico e a música eletrônica encontram-se com a sétima arte, com visuais a cargo do Giba. Dá pra comprar na hora, na bilheteria, mas corre o risco de não ter mais, por isso corre!

Enquanto seu compadre Mike D prepara-se para lançar seu primeiro disco solo, o outro beastie boy sobrevivente acaba de soltar um single ao lado de sua companheira. E que casal foda que é o Ad-Rock com a Kathleen Hanna, um beastie boy e uma bikini kill que juntos salvam uma música sem sal gravada pelo Justin Bieber (“Let Me Love You”, de 2016) transformando-a num hit irresistível, em que a Kathleen assume os vocais e Ad-Rock mantém-se discreto na guitarra-base, numa música que ainda conta com outros dois bambas do time do melhor trio de rap na produção, com Mario Caldato Jr. na produção e Money Mark nos teclados (além de Fred Ortiz e Frank Figueroa na cozinha). O single faz parte da coletânea Contra-ICE Vol. 1: ICE OUT, organizada por Dali Colorado da ONG Build Art Make Change (BAMC), que ainda conta com músicas de Tom Morello, Jello Biafra, Fred Armisen, Ozomatli, Fishbone, Money Mark e David J (que foi do Bauhaus e do Love and Rockets), entre outros músicos, poetas e comediantes, que reforça a importância de acabar com a polícia antiimigração do regime de Donald Trump nos EUA. Ela será lançada no dia 2 de outubro e já está em pré-venda.

Ouça o single abaixo: Continue

Duas mães do neosoul posaram juntas pela primeira vez num mesmo ensaio para a próxima edição da revista inglesa Outlander. Lauryn Hill e Erykah Badu foram fotografadas por Elliot Hensford – e há mais fotos abaixo: Continue

…mas não falha

Confia que vem: assim foi o começo da temporada que a mineira Sara Não Tem Nome está fazendo nas segundas de agosto no Centro da Terra, quando finalmente pode reunir um de seus vários projetos paralelos pela primeira vez no palco. A estreia ao vivo de seu grupo Tarda acontece seis anos após o lançamento de seu único disco, lançado no infame 2020 pandêmico que nos confinou sem shows por quase dois anos seguidos, e com mudanças na formação – a entrada do baterista Wallace Schmidt no lugar de Julia Baumfeld, que acaba de ser mãe e não pode comparecer à estreia, sendo lembrada na estampa de uma camiseta vestida num dinossauro inflável num dos cantos do palco (este assinado pelo quinto integrante da banda, o cenógrafo Randolpho Lamonier). A espera por este momento ainda foi temperada por minutos de espera para a banda subir ao palco, instaurando uma tensão levada por toda a apresentação, em que o grupo não trocou palavras com o público, esticando-a em transições entre as músicas que levavam mais tempo que o normal porque seus integrantes trocam de instrumentos constantemente. Mas a liga criada pela mistura dos talentos de Sara (entre vocais, sintetizadores, baixo, guitarra e bateria), Paola Rodrigues (entre synths e vozes, muitas vezes loopadas), Victor Galvão (entre baixo e guitarra) e Wallace (da bateria para a guitarra), aguçou o clima de fim de mundo instigado pela execução da íntegra do disco bilíngue Futuro, indo do pós-punk ao noise e por experimentos eletrônicos, e deixando a sensação de desesperança e melancolia crescer intensamente junto com o volume do som. Uma ótima estreia para uma temporada promissora.

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Imenso prazer em receber a mineira Sara Não Tem Nome para ocupar as segundas-feiras de agosto no Centro da Terra com a temporada que, como seu pseudônimo, é batizada de Não Tem Nome. São quatro facetas diferentes desta multiartista e a primeira delas, neste dia 10, conta com a primeiríssima apresentação de seu grupo Tarda, formado por Sara, Julia Baumfeld, Paola Rodrigues, Randolpho Lamonier e Victor Galvão, que lançaram seu único disco, chamado Futuro, no infame 2020, o que os impediu de fazer quaisquer apresentações ao vivo, que finalmente se materializa nesta temporada. Depois, no dia 17, ela recebe Lorena Hollander, Marina Mole e Vladimir Safatle para uma noite que fala sobre magia, sombras e assombrações. No dia 24 de agosto ela mostra outro de seus grupos paralelos, este criado este ano, chamado Cachorro Pessoa, em que reúne-se com Carime Elmor, Clara Castro, Wallace Schmidt e a dupla Elisa Moreira e Victor José (do Antiprisma), para celebrar a amizade e fidelidade canina com canções feitas para estes animais. A temporada termina no dia 31, quando ela recebe Luiza Brina, Marcelo Callado e Beto do Teatro Oficina para experimentar sobre as músicas de seu disco mais recebe, chamado de A Situação. Os espetáculos começam pontualmente sempre às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Charli XCX repetiu o showzaço que fez no fim de semana passado no Lollapalooza de Chicago ao apresentar-se na outra ponta dos Estados Unidos, quando levou Music Fashion Film ao vivo para o festival californiano Outside Lands nesta sexta-feira. Subindo mais um degrau desde que fez seu disco de 2024 virou um fenômeno transmídia, ela tornou-se atração principal dos quatro festivais que foi escalada no início deste semestre e conseguiu equilibrar a estética da pista de dança (emendando as músicas umas nas outras) com a linha de shows que vinha fazendo até aqui (minimalista, quase sempre sozinha no palco) com a proporção de espetáculo que pede o principal artista de um festival, trazendo corpo de dançarinas (que brincam com a ideia de pista de dança e passarela de moda) e uma luz absurda, espartana e estroboscópica, mantendo a tonalidade monocromática do novo disco. E apesar de ser um show dedicado ao Music Fashion Film (e temperado constantemente com trechos da fala de David Cronenberg no final deste álbum), ela consegue passar bem por parte de sua carreira, mostrando que não é uma mera bola da vez. E um dos melhores momentos disso está na transição entre as duas músicas que fez para a trilha sonora da nova versão de O Morro dos Ventos Uivantes para o miolo Brat do show, em que ela abriu mão do verde limão para manter-se no chiaroscuro do novo disco.

Assista à íntegra do show abaixo: Continue

Depois de instigar seus fãs com um cartão de visitas em que anunciavam um disco chamado Zirp! produzido por ninguém menos que A.G. Cook, a banda nova-iorquina de shoegaze Diiv oficializou o lançamento de seu quinto disco nesta quinta-feira, ao mostrar o primeiro single e confirmar que, sim, gravou seu novo disco com o produtor de hyperpop e capo da PC Music que acaba de lançar mais um disco com Charli XCX. O primeiro single, “The Fountain”, dá uma ideia de como o produtor inglês de música eletrônica filtrou as camadas de microfonia em câmera lenta do grupo norte-americana, numa abordagem parecida com o que o grupo Primal Scream se submeteu à eletrônica no começo dos anos 90 com o imortal Screamadelica. Parece promissor…

Ouça abaixo: Continue