
Agora pare de imaginar porque isso realmente aconteceu. As imagens do vídeo abaixo são de uma apresentação que o grupo fez na França em 1966, embora o som seja de um pirata de 1968 gravado em Los Angeles, que traz Keith Relf nos vocais e gaita, Jimmy Page no baixo, Chris Dreja na guitarra-base e Jim McCarty na bateria e vocais de apoio logo após a saída de Jeff Beck da banda. Page se orgulhava de ter sido um dos primeiros artistas – senão o primeiro – a regravar uma música de Lou Reed, de quem tornou-se amigo décadas mais tarde.
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Ava Patrya Yndia Yracema é um dos discos brasileiros mais importantes da década passada não apenas por revelar sua autora, Ava Rocha, como uma supernova de criatividade intensa, mas por reunir, ao seu redor, a cena que orbitava ao redor da primeira encarnação da casa de shows Audio Rebel e que, a partir deste disco, começou a explodir, por isso o show de aniversário que fez neste sábado frio e chuvoso na Casa Rockambole foi uma celebração coletiva. Ava estava à frente da mesma banda que tocou no disco – Marcelo Callado na bateria, Marcos Campello e Eduardo Manso nas guitarras (o último também tocando synth), Felipe Zenicola no baixo e participações do baixista Pedro Dantas e do percussionista e baterista Thomas Harres – e convidou um grandessíssimo elenco para a festa que anulou o tempo feio do lado de fora, transformando a noite numa extensa ebulição criativa (mais de duas horas de show!), tocando o disco com uma constelação absurda de astros: do produtor Jonas Sá ao eterno companheiro Negro Léo, passando por Iara Rennó, Assucena Assumpção, Brisa Flow e Ana Frango Elétrico, esta última caçula daquela geração que entrou para acompanhá-la numa versão “London Calling” para “Hermética” e emendaram a parceria que fizeram juntas anos depois daquele disco, “Mulher Homem Bicho”. Mas mais do que músicos e convidados, a força da noite era Ava, esse vulcão humano que domina o palco e transforma qualquer gesto em performance, dando vida a qualquer objeto (uma taça de vinho, um lenço ou sua clássica máscara de facas), transcendendo a racionalidade enquanto faz o público levitar apenas com sua voz (não por acaso terminou o show puxando o clássico suspiro de Zé Celso). Além do repertório do disco, ela também passou por “Canoa Canoa” de Milton Nascimento (que estava no repertório do show original, dez anos atrás) e encerrou a noite puxando todos os convidados – e alguns da plateia, como Juliana Perdigão, Dinho Almeida e Luiza Lian – para o bis, que começou com “Beijando Todos Vocês” (de seu último disco, Néctar), passou por uma das recém-lançadas parcerias com os Boogarins (“Memórias”) e encerrando com o hit “Você Não Vai Passar”, quando dividiu os vocais com Luiza Lian. Que noite!
#avarocha #casarockambole #trabalhosujo2026shows 206

O primeiro disco solo do Mike D é ótimo e ele tem muito a se aprofundar musicalmente nessa seara que que começou a burilar agora – especialmente na relação com os filhos, ponto de equilíbrio estético que ele não tinha desde que os Beastie Boys se desfizeram após a morte de MCA. Mas é tão bom vê-lo cantando seus próprios clássicos, como quando tocou no estacionamento do The Sound Garden, em Baltimore, nos EUA, na quarta passada. Olha essa vibe…
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Eis os Boogarins com o segundo volume de seu Diferenciado, série de gravações que eles têm soltado fora das plataformas de streaming pra deixar os fãs menos à deriva do algoritmo enquanto experimentam músicas com velhos comparsas. E se o primeiro volume trazia participações de Abdala, Edgar e Alyssa Lérie, neste novo a conexão é diretamente com Ava Rocha, que viaja junto com os goianos em cinco canções de cair o queixo. Pra ouvir essas músicas é preciso assinar a newsletter do grupo (no infame e grudento endereço boogarins.top/diferenciado), única exigência que fazem para você ouvi-los neste modo experimental quando quiser – mas bem que podia ter uma opção de download…

O quinto disco de Anelis Assumpção está vindo aí em… novembro! O álbum já está gravado e vai ser mostrado em uma audição que acontece neste sábado, no Porto Musical, que está acontecendo no Recife neste fim de semana, na rua, no célebre palco móvel do mestre Rogê em seu Som na Rural. Ela explica numa publicação online que o novo álbum é “talvez o mais próximo de algo que venho procurando. Não um gênero, mas sim um estado que não me parecia palpável. O tempo”. E segue explicando o novo álbum a partir de sua conexão com a música jamaicana: “Há mais de vinte anos caminho pelo reggae como quem percorre uma floresta. E desde antes, de onde na radiola de casa saia o som que me fazia dançar numa ilha imaginária, perseguir esse som me colocou no mundo. Nunca me interessou habitá-lo como estilo. Interessa-me sua filosofia do pulso. Seu tempo expandido. Sua maneira de deslocar o centro da música para o centro do corpo. Sua memória atlântica. Sua tecnologia espiritual e diaspórica. Neste disco, essa pesquisa continua e até mais corajosa, mas encontra outras matérias: as ruas da canção brasileira, cordas, silêncio e sonho. Tudo se mistura num enxame envolta do favo. Porque já não me interessa permanecer a mesma. Nem como mulher, nem como compositora, nem como cantora.” E se ela tá falando nesse tom, é porque o papo é seríssimo! Só vem, Anelis!

Assumimos o algoritmo do agora e pautamos não apenas o que está acontecendo, mas como gostaríamos que acontecesse, por isso nessa nova fase da festa bolada por Alexandre Matias e Rafaela Fernán, voltamos no tempo para lembrar de uma época em que as redes sociais eram o Twitter e o Tumblr e as plataformas de streaming eram o MySpace e o YouTube, sites que entrávamos para descobrir e discutir novidades e outros pontos de vista, não apenas para confirmar o que já sabemos e nos interessamos. Por isso, a festa Agoritmo, capítulo I Was There, invade o Porta para voltarmos para o final da primeira década do século. Você estava lá nessa época? Voltaremos para quando blogs de MP3 e pistas de dança buscavam novidades na Nova York da DFA Records, na Paris do French Touch e do maximalismo, na São Paulo do Cansei de Ser Sexy, na nova cena eletrônica da Austrália, na cena indie inglesa que começou a flertar com a música eletrônica, na parada de hits do Hype Machine e nos remixes do Soulwax. Vem dançar com a gente a partir das 20h desta sexta-feira, 4 de setembro de 2026, na Porta (Rua Horácio Lane, 95. Pinheiros), e de graça! É só chegar – traje colorido, por favor. Continue

Essa é a capa do novo disco de Kiko Dinucci, Medusa, uma tela da artista plástica paulistana Tatiana Blass inspirada em uma das músicas do álbum, “Faca da Palavra”. A tela faz parte da mostra de Tatiana que está em cartaz no Instituto Tomie Ohtake chamada Contrarregra, que receberá, no dia 3 de outubro, a presença do próprio Kiko, que fará uma apresentação somente com sua guitarra durante a exposição.

Aproveitando a turnê de retorno do Rush, o canal canadense CBC Television produziu um documentário sobre o terceiro integrante da banda que não está mais entre nós. Neil Peart: No One’s Disciple conta a história do baterista, a relação dele com seus comparsas de banda – o baixista Geddy Lee e o guitarrista Alex Lifeson -, além de sessões em que os dois convidam bateristas inspirados por Peart – Danny Carey do Tool, Chad Smith dos Red Hot Chili Peppers, Stewart Copeland do Police e Gavin Harrison do Porcupine Tree – para reverenciar o mestre. O filme será lançado no dia 23 de setembro e eis seu trailer: Continue

Kiko Dinucci cumpriu mais uma etapa na preparação de terreno de seu Medusa que chega entre nós na semana que vem ao participar de uma atividade chamada “processo aberto” realizada nesta quarta-feira no pequeno Espaço Cênico do Sesc Pompeia, onde lançará seu disco ao vivo no final do mês. Composto no decorrer de 2025 e finalizado no início deste ano, seu terceiro disco é uma viagem introspectiva e barulhenta a um universo musical próprio habitado por fantasmas, samba-canção e microfonia e a apresentação realizada nesta quarta funcionou como um misto de aula com show em que contou a história do disco e como ele foi surgindo, desde sua volta à guitarra elétrica depois do Rastilho (seu segundo disco, ancorado no violão percussivo, que lançou há seis anos, um mês antes da pandemia) a um aceno (logo desfeito) a Noel Rosa, uma breve obsessão sobre a universalidade de Roberto Carlos, caminhadas, a reintrodução ao shoegaze e ao dreampop e a forma como surrupiou uma ideia de Lou Barlow ainda no Dinosaur Jr. Diferente da apresentação que fez no Centro da Terra no primeiro semestre (quando falou sobre este processo ao mesmo tempo em que tocou todas as canções do disco que havia acabado de ser gravado), desta vez ele pode falar do disco finalizado, mixado e masterizado, mostrando as diferenças entre as demos e as versões intermediárias, e tocou menos músicas, focando mais na faixa de abertura (“Cão Perdido”), na segunda faixa (“Água Viva”), na mutação de “Faca da Palavra” (uma das primeiras músicas do novo disco, primeiro gravada por Paola Ribeiro em seu Circus), na folhetinesca “Claudia, Frota e Eu” e na única música que mostrou até agora (e nem como single, apenas como clipe), a romântica “Como Foi”, em que deixa seu flerte rápido com Roberto Carlos tornar-se intenso, que usou para encerrar a noite. Medusa será lançado na semana que vem – e é tudo isso que parece…
#kikodinucci #sescpompeia #trabalhosujo2026shows 205

Os Avalanches já haviam anunciado título e capa de seu novo disco, No Bad Memories, que será lançado no dia 16 de outubro, além dos três primeiros singles, que contavam com convidados de peso como Jamie xx, Karen O, Portraits of Tracy, Nikki Nair, Jessy Lanza e Prentiss. Agora o grupo australiano acaba de revelar o nome dos convidados do novo álbum, num vídeo que é uma ode à mídia física e que conta com um destes novos participantes, o ator Haley Joel Osment, como protagonista. Veja o vídeo abaixo, além do nome das músicas. Continue