
Dylan não para! O mestre reiniciou sua eterna turnê nesta quinta-feira com um show na cidade de Troutdale, Oregon, em seu próprio país e entre versões de músicas alheias, “I Can Tell” (de Bo Diddley), “Axe and the Wind” (de George “Wild Child” Butler) e “I’ll Make It All Up to You” (de Jerry Lee Lewis) e clássicos próprios de diferentes épocas (desde hits como “Rainy Day Women #12 & 35”, “When I Paint My Masterpiece” e “All Along the Watchtower” a canções memoráveis como “Man in the Long Black Coat”, “Crossing the Rubicon” e “I Contain Multitudes”), ele ainda teve a manha de estrear uma música que nunca havia tocado ao vivo: “Baby, Won’t You Be My Baby”, gravada em 1967, quando sofreu um acidente de moto e retirou-se da vida pública, pra se enfurnar numa série de gravações ao lado da The Band, que só chegariam ao público oito anos depois, no disco que batizou aquelas sessões, The Basement Tapes. Mas “Baby, Won’t You Be My Baby” não saiu no disco de 1975 e só viu a luz do dia em 2014, quando, no décimo-primeiro volume de sua série em que oficializa suas gravações piratas, The Bootleg Series, liberou a íntegra daquela temporada ao lado da banda que ajudou a revelar. Você sabe de algum artista que levou quase 60 anos pra tocar uma música ao vivo? Lenda-viva não é só um título de efeito: Dylan é o cara, Como ele proíbe a entrada de câmeras e celulares em seus shows, não temos o registro em vídeo, mas algum devoto entrou com um gravador e fez uma foto pra eternizar esse momento.
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O Inferninho Trabalho Sujo dessa sexta-feira foi um acontecimento daqueles. A começar pelo encontro histórico dos Irmãos Panarotto com a banda Tutu Naná, trazendo conjuntamente a maluquice do rock de Chapecó num mesmo palco. Duas formações e gerações completamente distintas, os dois se encontram na encruzilhada do rock desenfreado com o humor nonsense e a jovem banda ficou como escada para as canções dos patronos do Repolho, essa instituição do indie brasileiro que atravessa décadas incólume, deixando suas experimentações de noise com jazz brasileiro para recolher-se às bases do repertório da dupla, quase sempre equilibrando-se entre a Jovem Guarda e o rock gaúcho – com direito ao baterista Fernando Paludo fazendo cosplay de Peter Criss, do Kiss. O happening subiu mais um degrau quando chamaram Tatá Aeroplano para participar da zona e o bardo paulista sintonizou o man Júpiter Maçã, quando cantaram juntos “Eu e Minha Ex” e uma canção-tributo à estátua do paladino da psicodelia gaúcha em Chapecó que metamorfoseou-se em “Ando Meio Desligado”, dos Mutantes. Que delírio.
Depois foi a vez da banda amazonense Jambu mostrar como já estão bem ambientados em São Paulo, a ponto de lotar a casa de fãs cantando todas suas músicas – e pedindo outras que eles nem lembravam como tocar. Lançando o EP Cartas Que Escrevi Enquanto Sonhava ,a banda formada por Gabriel Mar na guitarra e vocal, Yasmin Costa no vocal e bateria, Gustavo Costa no baixo e Roberto Freire na guitarra solo – como esmerilha o instrumento, esse cidadão! , o grupo tem uma química impressionante e botou todo mundo pra cantar, inclusive as músicas recém-lançadas. Com influências de rock brasileiro dos anos 80, indie rock e emo, o grupo segue trilhando sua escalada pop e tende a crescer ainda mais. Depois eu e a Fran esticamos a madrugada até onde pudemos, numa noitada como há muito não fazíamos no Picles – sexta-feira, né?
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Olha esse Inferninho Trabalho Sujo dessa semana, que acontece no Picles e reúne duas extremidades da música independente do país numa sexta-feira daquelas! Quem começa a noite são os magos Irmãos Panarotto, lendas-vivas do indie brasileiro que capitaneavam a histórica banda Repolho a partir de Chapecó e reúnem-se aos conterrâneos e velhos conhecidos da festa Tutu Naná para uma apresentação épica! Depois é a vez dos amazonenses Jambu estrearem na festa misturando indie rock e rock de garagem. E a noite termina comigo e com a Fran fazendo todo mundo dançar sem parar quando discotecamos até altas. E quem pegar o ingresso online e chegar antes das 21h30 não paga pra entrar. Os ingressos já estão à venda. Vamooooos!

Começou o festival Primavera de Barcelona e bem no meio do show do Geese caiu um temporal da pesada que acabou por cancelar vários shows no primeiro dia do evento, entre eles os de Alex G, Mac DeMarco, Massive Attack, Doja Cat, entre outros, causando pela primeira vez, a sensação de que foi uma boa não ter ido ao festival este ano… A organização já anunciou que irá reembolsar os ingressos de quem quiser reembolso e avisa que nesta sexta-feira o evento segue normalmente. Assista abaixo a íntegra do show da banda de Nova York: Continue

Em seu aniversário de 40 anos, a clássica banda indie norte-americana anuncia reedições dos dois últimos discos de sua fase clássica com músicas inéditas. Os Pixies acabaram de anunciar reedições – batizadas de “dinked editions” – dos discos Bossanova, de 1990, e Trompe Le Monde, de 1991, que contam com músicas do grupo que nunca viram a luz do dia, duas por álbum, materializando-se em dois compactos que acompanham suas respectivas reedições em vinil. Junto ao terceiro álbum da banda vem um single composto por uma versão de “Dig for Fire” gravada por Steve Albini em 1987 para seu primeiro álbum, Surfer Rosa (de 1988), e a inédita “Go Man Go”, rara composição conjunta dos vocalistas Kim Deal e Black Francis, que foi gravada tanto pelos Pixies quanto pela outra banda de Kim, as Breeders, para seu disco Last Splash (mas só foi lançada oficialmente há três anos, na reedição do aniversário de 30 anos deste disco). E acompanhando a reedição do último disco do grupo vem um compacto composto por duas faixas: “Brackish Boy”, cuja versão oficial tornou-se conhecida no primeiro disco solo de Francis, quando ele mudou seu nome para Frank Black, título que batizou seu disco solo de estreia. A outra faixa, o fragmento experimental e instrumental “Punk Loop”, foi descoberta pelo engenheiro de som Kevin Vanbergen, enquanto ele passava o pente fino nas fitas da banda daquele período e é a única faixa das quatro que ninguém nunca havia ouvido falar. Os discos, remasterizados a partir das fitas originais, já estão em pré-venda e chegam ao público no dia 11 de setembro.
Veja as reedições abaixo: Continue

Sim, esta é a capa do novo disco de Charli XCX, anunciado nesta segunda-feira depois de dois teasers em forma de single (“Rock Music” e “SS26”), chamado sem meios-termos de Music, Fashion, Film, temas encarnados pelos três figurões que ela enquadrou pela lente de seu compadre diretor Aidan Zamiri: John Cale, Marc Jacobs e Martin Scorsese juntos no mesmo cômodo. Só os bastidores dessa capa já valem a existência do disco, mas conhecemos nossa querida Charli e esse soco na cara é só o começo de mais uma viagem de excessos. O disco sai em julho, mas até lá vamos ver muitas pistas…

Parece um sonho febril de tão surreal. Olha que foda essa versão pra “Heaven or Las Vegas” dos Cocteau Twins que a Miley Cyrus fez num show em 2021 justamente em Las Vegas. “Não se preocupem, tem só um minuto de duração”, ela se justifica no meio da música pros fãs que queriam ouvir as músicas dela. Além de matar sua vontade de tocar esse clássico (de um disco que foi redescoberto por uma nova geração como se fosse a obra-prima do grupo inglês), ela fez bonito e certamente fez alguns de seus fãs saírem atrás daquela música e talvez tenham descoberto os Cocteau Twins. Só por isso essa versão já estava valendo. E como se não bastasse tudo isso, espere até o final do vídeo, quando ela ganha um presente de um fã.
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Mais um encontro com o mestre Tom Zé, desta vez na Casa de Francisca, onde ele já é de casa – a ponto de começar o show com uma música escrita em homenagem ao local. Prestes a começar o início de sua nona década neste planeta, ele segue com a mesma espontaneidade que lhe é característica e combustível para sua criatividade, contando com o guitarrista Daniel Maia e a vocalista Andréia Dias, que estão em sua banda desde antes da pandemia, como guias para ajudá-lo a seguir o repertório. E que repertório! Mesmo que há tempos (felizmente) insista em algumas composições clássicas como “2001”, “Jingle do Disco”, “Jimmy Renda-se” (que voltou à baila graças à trilha do filme Ainda Estou Aqui), “ Nave Maria”, “Tô”, “Hein?”, “A Felicidade”, “Politicar”, “Augusta, Angélica e Consolação” e “Um ‘Oh!’ e um ‘Ah!’”, ele ainda encontra espaço para pinçar experimentos menos conhecidos de seu impressionante cancioneiro, como “A Boca da Cabeça”, “Curiosidade”, “Happy End”, “Não Tenha Ódio No Verão”, “Aviso aos Passageiros” e “Amarração do Amor”. Fingindo sair do palco para acelerar o bis, ele encerrou a noite voltando mais uma vez à canção que fez para a Casa de Francisca e amarrou a noite com o hino “Parque Industrial” a pedidos do público. Viva Tom Zé!
#tomze #casadefrancisca #trabalhosujo2026shows 121

Ainda corri para a Casa de Francisca a tempo de pegar desde o começo o show de lançamento do segundo disco dos Tangolo Mangos, Pedágios y Caronas, no Porão lotado da casa. Quem já foi a um show dos baianos sabe a descarga de adrenalina e energia positiva que o quinteto despeja no público, mas ontem o nível estava ainda mais alto pois os fãs sabiam cantar todas as músicas do disco novo. Desfalcados de dois integrantes de sua formação (o guitarrista Théo Kiono teve de ficar em Salvador e o baterista João Antonio Dourado acidentou-se recentemente), o grupo contou com os compadres do show que abriu a noite e convocou o baterista Quico Dramma e o guitarrista Caio Colasante – do grupo Kim & Dramma – para assumirem estas funções, o que fizeram de forma brilhante (além de contar com um terceiro integrante do mesmo grupo, o tecladista Eduardo Barquinho, da metade pro fim da noite). À frente do grupo, os vocais enérgicos de Felipe Vaqueiro, João Denovaro e Bruno Fechine – cada um ás em seus instrumentos (o primeiro na guitarra, o segundo no baixo e o terceiro assume a percussão) e sem deixar o carisma contagiante tirar o dedo da tomada. Showzaço!
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Do teatro do Sesc Pompeia pra Comedoria, onde os indies catarinas do Exclusive os Cabides lançavam seu novo EP Feliz e Triste ao Mesmo Tempo fazendo seu público chacoalhar-se com suas melodias diretas e letras simples até dizer chega. Essa qualidade linear – sem espaço pra metáforas ou harmonias complexas – é o principal trunfo do grupo, além das melodias grudentas do guitarrista e vocalista João Pretto (seu principal compositor) e dos vocais ao mesmo tempo cantados e berrados de João Pretto ao lado do primo Antônio dos Anjos. A cozinha precisa formada por Carolina Werutsky na bateria e Maitê Fontalva no baixo dá a base firme para as melodias dos vocalistas e os solos do guitarrista Eduardo “Duds” Possa brilhar. Show redondinho que mostra que a banda está mais afiada do que nunca, mas a proximidade do lançamento do disco recente não chegou a conquistar o público como fizeram as canções do ótimo álbum Coisas Estranhas, que ainda é o carro-chefe da apresentação do quinteto.
#exclusiveoscabides #sescpompeia #trabalhosujo2026shows 118