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Eles dizem rock troncho, mas é o bom e velho prog

, por Alexandre Matias

Não dá pra discutir: um dos principais artistas brasileiros na atualidade é uma banda de rock paraibana cujos músicos começaram no metal e aos poucos foram descobrindo novos horizontes artísticos tanto nas desventuras instrumentais intermináveis do rock progressivo quanto na genealogia musical nordestina, desde seus inúmeros e ancestrais gêneros musicais às variações psicodélicas que surgiram na região depois da invenção do ácido lisérgico. A Papangu, que apresentou-se nesta quinta-feira no Sesc 14 Bis, está às vésperas de mais uma turnê internacional e do lançamento do terceiro álbum, batizado de Celestial e previsto para o próximo mês e cada vez mais depura seu som rumo a um novo patamar de maturidade musical que a aproxima mais do jazz e do fusion ao mesmo tempo que se distancia da formação metal de seus integrantes, cujo principal vestígio encontra-se no timbre gutural de um dos vocalistas. Tocando no formato de quarteto nesta apresentação (com o multiinstrumentista Pedro Francisco assumindo o baixo no lugar de Marco Mayer), o grupo passou por músicas de seu ótimo Lampião Rei (lançado em 2024) e algumas do próximo álbum, que mostram sua evolução natural em canções gigantescas divididas em partes distintas, sempre com momentos para solos de seus integrantes – seja a tecladeira do vocalista Rodolfo Salgueiro, os solos de Hector Ruslan, os grooves de baixo e os vocalises de Pedro (além de seu solo com brinquedos que fazem som, inspirados pelo saudoso Hermeto Pascoal) ou a bateria entre a quebradeira nordestina e o groove jazzy do novato George Alexandria. Mas a austeridade característica do rock progressivo cai por terra tanto no encontro com as raízes locais do grupo, quanto pelo humor escrachado que optam ao falar com o público entre as músicas, reforçando que o som que fazem chama-se apenas de “rock troncho”, mas sabemos que o que eles fazem é o bom e velho prog. Como poucos estão fazendo no Brasil atualmente, diga-se de passagem.

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