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Loki

E o Geese tá fazendo a Dua Lipa – tocando canções das cidades que passa – em sua passagem pelo Reino Unido, hein? Depois de meter um hit do Primal Scream ao se apresentar na Escócia, agora foi a vez de saudar Manchester, espremendo o groovezinho de “Fool’s Gold” dos Stone Roses no meio de sua “2122” no show que fizeram nesta terça no Victoria Warehouse. E todo mundo sacou seu celular pra registrar o momento e espalhar para o resto do planeta. É massa ver o hype crescendo ao redor de uma banda que o faz por merecer…

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Tenho conversado com o L_cio há um tempo sobre ele fazer algo no Centro da Terra e quando surgiu essa oportunidade, ele sugeriu de reunir outros dois artistas para participar de sua apresentação: a cantora cearense Nayra Costa (que muitos devem conhecer como a vocalista que cantava “The Great Gig in the Sky” nas versões que o Cidadão Instigado fazia do Dark Side of the Moon do Pink Floyd) e o percussionista e trombonista Bica Tocalino, que eu não conhecia. E pelo que ele havia explicado, queria reunir o trabalho dos dois com o que vinha fazendo pois tinha encontrado um rumo comum para os três e que, na apresentação, iria mostrar um pouco do que cada um deles estava desenvolvendo. Qual minha surpresa ao perceber na apresentação Vértice: Ato Único que não há separação entre as partes de cada um dos três, que entrosam fluentemente suas habilidades artísticas – L_cio disparando samples e bases eletrônicas enquanto também toca flauta transversal e berimbau, Nayra soltando a voz de forma linda e potente e Bica dividindo-se entre o arsenal de percussão na parte de trás do palco ou quando vinha à frente com o seu trombone. Foi uma obra construída ao vivo, iluminada pelas texturas líquidas da artista Via Moras, que mudava as cores da noite com seus pincéis.

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Três artistas de diferentes áreas musicais se encontram no espetáculo Vértice: Ato Único, que acontece nesta terça-feira no Centro da Terra. Regido pelo maestro e produtor L_cio, que aproveita a oportunidade para deixar a eletrônica em segundo plano para abraçar os instrumentos orgânicos (como berimbau e flauta transversal), a noite ainda conta com as presenças da cantora cearense Nayra Costa e do percussionista e trombonista Bica, quando os três deixam-se levar por um fluxo contínuo de som em apresentação única. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda pelo site do Centro da Terra.

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Na reta final de seu próximo disco, Courtneyzinha lança mais uma música de seu Creature of Habit, quarto álbum da cantora e compositora australiana que vê a luz do dia na próxima sexta-feira. E a excelente “One Thing At A Time” chega mantendo o nível dos singles anteriores até que no meio da música ela começa um solo de guitarra absurdo que segue até o final da canção, colocando-a na mesma linhagem de guitar heroes do indie como Neil Young, Ira Kaplan e Stephen Malkmus, e subindo ainda mais o sarrafo para o próximo disco. Que beleza!

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Uma joia de noite

Uma joia essa penúltima noite que Sophia Chablau conduziu no Centro da Terra nesta segunda, quando convidou Ava Rocha e Negro Leo para entrar em na Guerra que vem fazendo no início das semanas deste tenso março de 2026. Pegou todo mundo de surpresa à saída do espetáculo, ao sentar-se ao piano e colocar o baixista Marcelo Cabral tocando guitarra no centro do palco, cantando sua belíssima recém-lançada “O Herói Vai Cair”. Logo depois pegou a guitarra e seguiu azeitando ainda mais o belíssimo trio que criou ao lado de Cabral e de seu compadre baterista Theo Ceccato, tocando as músicas inéditas que vem apresentando nesta temporada e uma versão quase thrash de “Quantos Serão no Final?” do repertório de seu trabalho em parceria com o baiano Felipe Vaqueiro (com direito à própria Sophia tocando piano enquanto tocava guitarra). Depois, ela começou a segunda parte da noite, cantando sozinha no palco (à exceção da primeira música, feita para Dora Morelenbaum, que contou com Cabral tocando seu baixo com um arco de violoncelo). E depois de mais uma dose de ótimas inéditas (incluindo uma em parceria com Ana Frango Elétrico), chamou os convidados da noite: primeiro Negro Leo (que sentou-se ao piano para acompanhar Sophia à guitarra na parceria “Quem Vai Apagar a Luz?”) e depois Ava, que trouxe Theo e Cabral de volta ao palco para uma sequência de onírica de hits, que incluía “Mar ao Fundo” de Ava, uma versão maravilhosa para “Esferas” de Leo e outra elétrica para “Segredo” de Sophia, além de uma parceria dos três em inglês. A noite fechou com o sambinha “Deus Tesão” com Leo na bateria, Cabral no synth e Theo no baixo, fechando as cortinas enquanto a banda ainda tocava. Noite linda.

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Sesc Pompeia lotado pra ver mais uma das cada vez mais esparsas apresentações da dupla Rakta, uma vez que uma de suas integrantes, a baixista Carla Boregas, está morando do outro lado do Atlântico. Por outro lado, a visita anual que Carla sempre faz ao país sempre rende grandes momentos ao vivo, alguns deles em dupla com seu parceiro Maurício Takara, que foi viver com ela na Alemanha, e o reencontro Rakta é sempre um desses eventos. Desta vez, Carla e sua dupla Paula Rebellato, feiticeira que comanda teclados e eletrônicos, além de hipnotizar a todos com sua voz, convidaram as sagazes Paola Ribeiro e Valentina Facury para o show que fizeram neste sábado, mais uma vez com a bateria a cargo do próprio Takara. E apesar do grupo ter surgido a partir da estética do rock, é muito bom ver como elas conseguem seguir expandindo essa liturgia original – com os pés fincados no pós–punk e no gótico – para outros hemisférios musicais, ampliando inclusive os preceitos básicos do que convencionou-se chamar de “música experimental”. A instantânea formação do sábado criou duplas no palco, quando Paula e Paola fizeram seus timbres próximos se encontrarem em plenos vôos no meio do transe eletroacústico que produziam ao vivo, puxado por outra dupla, formada por Takara e pela baterista e percussionista Valentina, que ampliou áreas de atuação da dupla original com solos de diferentes instrumentos. Segurando tudo estava o baixo kraut de Boregas, criando um solo firme para os devaneios dos cinco ao mesmo tempo em que ela mesma abria sua caixa de Pandora quando descia aos eletrônicos. Mais uma entrega corpórea à música que atinge o público em cheio, mostrando que, mesmo bissexta, a Rakta ainda é uma força importante da música contemporânea de São Paulo.

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Vestido com um moletom da Nike e com a cabeça coberta o show inteiro com o capuz do abrigo: assim Bob Dylan deu início à mais uma perna da turnê que vem fazendo há tempos ao redor de seu excelente Rough And Rowdy Ways, lançado há seis anos. O primeiro show do mestre em 2026 aconteceu no Orpheum Theatre, em Omaha, nos EUA, neste sábado, e além de revisitar ao vivo sua “Man In The Long Black Coat” (o que não fazia há treze anos) e fazer uma versão para “I Can Tell”, de Bo Diddley, ele também tocou pela primeira vez em sua carreira “Nervous Breakdown”, que o pioneiro do rock’n’roll Eddie Cochran gravou em 1958. Felizmente gravaram o show inteiro (apenas em áudio) e podemos desfrutar por aqui.

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Os irmãos belgas David e Stephen Dewaele – mais conhecidos como a dupla Soulwax, que também apresenta-se como 2ManyDJs -, foram convidados pelo próprio estúdio Abbey Road em Londres, na Inglaterra, para realizar uma festa em pleno território sacrossanto do estúdio 1. Os dois aproveitaram a oportunidade para gravar um novo single no clássico estúdio (“Perfect We Are Not”, gravação registrada em um minidocumentário) e registrar seu set como 2ManyDJs em vídeo, quando tocaram depois de discotecagens da Laima, de Nadia Ksaiba e de Erol Alkan. Escuta só… Continue

O grupo paraibano de prog-metal Papangu já gravou seu próximo álbum e começa a mostrá-lo aos poucos neste semestre, antes do lançamento pra valer que acontece no início de agosto. E a primeira amostra de Celestial, título do novo disco, é o novo single “Calado (de Olho)”, épico de sete minutos dividido em várias partes, que o grupo antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo. “O disco preserva a experiência ao vivo que tivemos nos últimos dois anos, mas especialmente da nossa primeira turnê internacional, dado que a gravação – ao longo de nove dias – deu-se dois dias após a circulação”, explica o vocalista e tecladista Rodolfo Salgueiro. “Um dos motivos de ‘Calado’ ser primeiro single é o seu teor caleidoscópico”, continua o baixista Marco Mayer. “Ela não somente ilustra o espraiamento sonoro que adotamos no terceiro disco, onde passeamos por diferentes gêneros de uma maneira muito mais holística do que nos discos passados, mas também retrata o nosso espírito ali no calor do estúdio, com a química lá em cima, sangue nos olhos, e tocando tudo ao vivo, na mesma sala, sem medo de errar e perfeitamente conscientes de que gravar na fita analógica não permite corrigir erros facilmente.” O guitarrista e flautista Pedro Francisco conclui: “Ela também abre novos conceitos explorados pela banda, não fazendo parte do ciclo e temática do Lampião Rei, ainda que mantenha elementos musicais que alcançamos ali; a fusão do pesado com a música nordestina também está presente, porém agora com muito mais entrosamento e conexão do que antes, foi 100% analógico, sem ProTools, sem DAW, com equipamentos que podíamos mexer com as mãos, mexer em botões. É um marco na banda. É um caminho com assinatura.” O primeiro grande show do grupo no ano será no festival Lollapalooza neste fim de semana, quando poderão tocar com a formação completa do grupo, um sexteto, que marca também a entrada do novo baterista, George Alexandria. Prometem uma apresentação com várias novidades e os improvisos ao vivo que caracterizam seus shows. Além do lançamento do álbum, eles também preparam a segunda turnê internacional neste semestre, quando tocam no festival inglês ArcTanGent 2026, antes de voltar ao país para lançar o novo disco em turnê por aqui no segundo semestre. “Eu particularmente estou interessado em ver os gringos tentando dançar forró nos shows da próxima turnê europeia, como fizeram em agosto passado”, brinca Marco.

Ouça a íntegra de “Calado (de Olho)” abaixo: Continue

Não é nova, mas é ouro: separei esse remix de “Everything in its Right Place” do Radiohead pinçado pela Kelly Lee Owens quando ela se apresentou no Boiler Room de Manchester, na Inglaterra, no final de 2024. Não custa lembrar que quatro anos antes ela já havia relido “Arpeggi” da banda inglesa numa absurda versão minimal logo na abertura de seu disco Inner Song. Fino demais. Deixei o set intero, que é ótimo, logo a seguir: Continue