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O centenário de Moacir Santos pela Orkestra Rumpilezz

, por Alexandre Matias

Um privilégio poder assistir à celebração que a Orkestra Rumpilezz do saudoso Letieres Leite fez ao gênio Moacir Santos no exato dia de seu centenário, neste domingo, no Sesc 14 Bis. A apresentação de gala encerrou a temporada de três datas que o grupo baiano fez neste fim de semana aproveitando o centenário do mestre pernambucano – um mago da música brasileira que infelizmente não tem a popularidade à altura de sua majestade musical – para trazer a releitura idealizada pelo próprio Letieres há mais de dez anos, que só se materializou no álbum Moacir de Todos os Santos após sua morte, em 2021. Dividida entre sopros e percussão, a Orkestra começou a noite trazendo os ritmistas ao palco trajando figurino de gala branco para receber saxes, tuba, trombones, trompetes e flautas num segundo momento, quando os músicos entraram saindo de trás do público. Posicionados ao redor do pulso percussivo tocado por sete músicos – entre eles os maestros Gabi Guedes e Luizinho do Jêje -, os sopros alternavam os arranjos entrelaçados sobre a obra clássica de Moacir, o revolucionário álbum Coisas, de 1965, e solos que tocavam fundo a grande festa de ritmo e melodia em homenagem ao pernambucano, que o grupo fazia questão de comparar com o fundador Letieres, outro gênio da composição, arranjos e da educação através da música. Mas ao centro de tudo, carregando toda a apresentação e fazendo todo o público levitar mesmo que sentado, o naipe de percussão transforma o que poderia ser entendido como uma big band de samba jazz em um ritual mágico e solene à altura dos dois grandes gurus ali representados. De lavar a alma.

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