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Primeiro Altas Massa sem edição, porque Pablo Miyazawa já estava de férias quando gravamos e não quis deixá-lo trabalhar – ainda mais que ele estava em outro continente. A essa altura do campeonato já estamos em solo catalão, onde contamos um pouco do que vamos fazer nestas férias – além de falar tanto da importância de tirar férias quanto da paranoia de viajar para o exterior em tempos pandêmicos.

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Às vésperas da minha viagem, eu e Dodô conversamos sobre a morte – citando Gilberto Gil falando da própria morte -, sobre o que é a cultura nerd, sua relação com o bullying e como isso está ligado à reinvenção de Hollywood, sobre como os festivais estão se tornando grandes convenções de música e Dodô finalmente fala sobre a série que ele está desenvolvendo para o Netflix.

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Não levamos arte ao povo, não fiscalizamos o tororó alheio nem enriquecemos com dinheiro público, mas também estamos prestes a jogar a toalha. Só não jogamos ainda porque, como ensina o mochileiro das galáxias, nunca se sabe quando se vai precisar de uma. Molhada e enrolada, por exemplo, ela se torna um argumento e tanto para um debate com os fariseus que vilipendiam a pureza do sertão. Em vez disso, porém, preferimos flanar por sinapses que valorizam o que temos de mais holístico, culminando com o grito universal de louvor que virou sinônimo de milagre. Basta acreditar!

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Foto: Thaís Mallon (Divulgação)

“Que noite mais sem fim”, lamenta Gaivota Naves em “Sobressaltos”, música que a banda brasiliense Joe Silhueta lança nesta quinta-feira e que antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo, “é a mais longa estrada por qual já passei”. A faixa, um lamento andarilho que mistura sonoridades ciganas e sertanistas à levada de rock psicodélica característica da banda, é o segundo single que o grupo lança de seu segundo trabalho, Sobre Saltos y Outras Quedas, outro daqueles discos previstos para ser lançado em 2020 e que só agora começa a ver a luz do dia. De alguma forma, o clima do disco, já sentindo o peso da sombra fascista desde antes de sua gravação, também reflete o pesadelo pandêmico dos últimos anos. “Compus ‘Sobressaltos’ em 2018, pouco depois que o Bolsonaro foi eleito e ela acaba traduzindo muito do mal estar e do assombro que isso provocou na gente, a perspectiva terrível de ter que passar quatro anos com toda a corja autoritária e reaça no poder, frustrando qualquer expectativa de saúde mental nacional”, explica o vocalista, guitarrista e compositor Guilherme Cobelo. “Foi algo que literalmente tirou o sono de muita gente, perturbou mesmo. Ficamos cheios de sobressaltos e essa música acabou sendo um grito no meio de todo esse caos, dessa longa noite. Quando a banda começou a criar os arranjos foi muito no sentido de expressar esse peso e essa agonia numa atmosfera sombria, com a Gaivota cantando nas alturas, pairando sobre uma paisagem sonora de semitons e ritmos quebrados.” O disco está previsto para ser lançado no fim do mês que vem e a banda não vê a hora de voltar a cair na estrada. “Produtores, produtoras, galera que programa festival: chama que a gente tá na seca pra tocar”, intima Cobelo. Ouça a faixa abaixo. Continue

Lindo demais o show que Anaïs-Sylla fez esta segunda-feira no Centro da Terra, revelando um pouco do disco que está fazendo com Caê Rolfsen, que tocou na apresentação ao lado de Bruno Prado e Eddu Ferreira, durante a pandemia. Entre as joias da noite, que contou com viagens musicais ao Mali, ao Haiti e ao Senegal, ela ainda apresentou uma versão maravilhosa para “Lugar Comum”, de Gilberto Gil e João Donato.

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Que benção essa terceira apresentação de Kiko Dinucci no Centro da Terra, mais uma vez explorando diferentes possibilidades em sua temporada Pocas. Nesta segunda, ele dedicou-se à sua terra firme, o samba, e convidou os bambas Henrique Araújo, Xeina Barros e Alfredo Castro para desfilar seu repertório sem usar nenhum instrumento de corda, apenas o gogó e um ocasional instrumento de percussão. Visitou clássicos do Metá Metá, “Luz Vermelha” que fez para Elza Soares, uma homenagem ao Barba dos Barbatuques, a faixa-título de seu disco mais recente e músicas de seus mestres, tudo remixado ao vivo pelo mesmo Bruno Buarque que registrou seu Rastilho. Casa cheia para assistir a uma celebração mágica. Haja axé!

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Depois de gravar seu primeiro disco solo, em 2019, o ex-vocalista e guitarrista da banda Ventre, Gabriel Ventura, lança seu primeiro disco solo, Tarde, mais de dois anos depois de conclui-lo. E depois de retornar aos palcos, puxo uma conversa com o cantor e compositor em mais um programa da minha série sobre música brasileira, Tudo Tanto.

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Tocante a apresentação que Nina Maia e Chica Barreto fizeram nesta terça-feira no Centro da Terra. Depois de passar por composições próprias e clássicos que as influenciaram (de Gershwin a Milton Nascimento), as duas largaram os instrumentos e convidaram Luiza Villa para encerrar a apresentação com uma belíssima versão para “Serenata do Adeus”, de Vinícius de Moraes.

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Uma das novas autoras mais festejadas dos últimos anos, Aline Bei é a convidada desta edição do meu programa de entrevistas Bom Saber, quando conversamos sobre processo criativo, o papel das redes sociais na literatura atual e como o trágico momento atual que vivemos fala sobre perda, tema que atravessa os dois livros de Aline, O Peso do Pássaro Morto e o recém-lançado Pequena Coreografia do Adeus.

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Na segunda segunda-feira de sua temporada Pocas no Centro da Terra, Kiko Dinucci visitou paisagens desconhecidas em seu próprio violão, indo do norte da África ao Japão medieval, passando pelo sertão brasileiro e por desertos na Lua, usando seu instrumento como cajado e facão, abrindo picadas e marcando caminhos. À sua cola, Gustavo Infante levava seu violão para galáxias distantes ou para viagens intracelulares, aumentando ou encolhendo timbres em gravadores de fita analógica, enquanto Maria Cau Levy explorava cores e texturas filmando obras que espalhara pelo palco, acompanhada de Karime Zaher, que fitava tudo da coxia. Uma hora tão fantasmagórica quanto espiritual e extrassensorial – tudo ao mesmo tempo.

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