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Lost acabou com um desfecho de dar orgulho à Zibia Gasparetto, mas atendeu às minhas expectativas ao mostrar que ainda era capaz de surpreender. Mas eu não quero entrar nas discussões divertidas e cansativas sobre as diversas interpretações da mitologia. Quero fazer uma breve previsão.

O que sobrou de Lost além do seu legado como fenômeno cultural – retrato de uma geração que tem o desafio de lidar com uma quantidade praticamente inesgotável de informação – são as tais perguntas sem respostas, que ainda podem render um bom caldo através dos GAMES: diversão e informação para o povo, dinheiro e empregos para criadores, roteiristas e desenvolvedores. E parabéns a todos os envolvidos.

Já viram Just Cause 2? Para quem não sabe é um game que tem como ambiente jogável uma micronação asiática. Sim, um PAÍS, com praias, florestas, montanhas geladas, vilas, centro urbano, aeroportos, bases militares, e até uma ilha misteriosa à noroeste que esconde uma ESCOTILHA – Uma homenagem a Lost, mas também um toque do que é possível.

Se no começo da década passada fomos apresentados às possibilidades de interação num mundo concebido por uma obra audiovisual (Enter The Matrix – Matrix Online) o que não seria possível fazer hoje, com a tecnologia disponível, um público mais maduro e uma mitologia com tantas narrativas a serem exploradas?

Lost já ensaiou coisas nesse sentido, como alguns ARGs e o game Lost: Via Domus, mas nada digno de uma comoção extra-nerd que marcou toda a sua existência. Minha aposta é que Lost siga esse caminho. A quantidade de teorias, montagens, bobagens, músicas, vídeos e podasts deixam e deixarão claro essa necessidade / oportunidade.

* Ian Black escreveu este texto pra cá.

Lost sempre foi um dos meus seriados preferidos. Minhas expectativas para o episódio final eram enormes.

Boa notícia: fui correspondido de maneira exemplar. Eu esperava algo excelente, algo digno de todo o seriado e sua reputação. Foi isso o que tive e muito mais.

Não consigo entender a ânsia de boa parte do público em ter todos os mistérios resolvidos. Dêem um tempo, por favor. Que graça teria se tudo fosse explicado por A + B? É tão bom poder bolar teorias próprias e discutir com os outros a respeito delas.

O importante é que os criadores conseguiram juntar as pontas mais relevantes neste season finale. Tenho a convicção de que o plano era esse desde o começo.

SPOILERS à frente.

Então, os flashsideways nada mais eram que o próprio purgatório, o próprio limbo! Por essa eu não esperava, mas devia. Mais uma vez, Damon Lindelof e Carlton Cuse criam algo de impacto e que faz todo o sentido. Como não pensei nisso antes?

O que é Lost se não um seriado que mostra diversos personagens convivendo, brigando, amando, criando amizades profundas e evoluindo (ou não) como seres-humanos? Além disso, há uma ILHA, que na verdade é um personagem, cheia de seus mistérios e com uma mitologia particular.

Por 6 anos acompanhamos essa história brilhante, que nunca deixou de empolgar, seja pela complexidade dos personagens, pelos mistérios intrigantes e pelas mudanças estruturais pela qual a narrativa passou. Que outro seriado nos ofereceu flashbacks, flashforwards e flashsideways?

Flashsideways? Não.

Este final veio nos mostrar a inexorabilidade do tempo. Não importa como, onde ou quando. Todos estamos fadados ao mesmo destino. A morte. E infelizmente, nossos queridos Losties não fogem a esta implacável regra.

Foi extramamente emocionante acompanhar Desmond ajudando os outros a se lembrarem de suas vidas antes da morte. Cada uma destas cenas é carregada de muito sentimento, nos fazendo pensar durante alguns segundos sobre tudo o que vimos durante esses 6 anos.

O diálogo entre Jack e o pai se revela como um dos melhores momentos de todo o Lost.

Assim como a cena final.

Caramba.

Havia melhor maneira de fechar o arco?

Jack, cambaleando, deita-se na floresta para morrer. Vincent aparece e permance ao seu lado. Seus olhos se fecham.

Uma rima absurdamente inteligente e comovente. Impossível não sentir alguns calafrios com isso tudo.

Alguém esperava mais?

Nota 10.

* Bruno publicou este texto em seu blog.

Transmitido no último domingo, o capítulo final de Lost foi um dos maiores acontecimentos da história da televisão. Primeiro, pelos motivos óbvios: foi o primeiro programa de televisão que não foi só um programa de televisão. Ao utilizar ferramentas da Internet e ser maciçamente assistido pela web, a série marca o início da transição natural de uma mídia ultrapassada para outra mais moderna. O segundo motivo é pelo frisson causado, que criou uma ansiedade que eu confesso nunca havia sentido antes. O terceiro motivo, ligado intimamente ao anterior, diz respeito ao roteiro monstruoso criado pelos roteiristas. Para quem gosta de uma boa ficção, Lost entra para a história ao lado das melhores produções de todos os tempos. Um enredo único e impossível de ser repetido. Os recursos narrativos, recortando presente, passado, futuro e até um tempo inexistente e atemporal, dificilmente poderão ser utilizados tão cedo por outra série, filme ou livro. Por isso, Lost é um marco da narrativa audiovisual. Quem assistiu a série inteira foi testemunha de uma revolução de contar histórias que só deve ser sentida daqui alguns anos.

Mesmo com todas essas qualidades, o final de Lost foi brutalmente criticado por boa parte do público. A principal reclamação: as questões não foram respondidas. E é verdade: muitas das perguntas e dos mistérios arquitetados pelos roteiristas ficaram no ar. O que as pessoas não entenderam, porém, foi que era exatamente esse o objetivo da série: fazer as pessoas pensarem, deduzirem coisas, imaginarem, viajarem na maionese mesmo. Enfim, deixar o telespectador perdido. O final de Lost teve por objetivo incitar as pessoas a pensarem além da realidade plana, chata, linear e reta. Isso, mais do que tudo, é entretenimento de qualidade. O telespectador assistia um episódio, ficava com 100 perguntas na cabeça. No próximo episódio, 80 dessas questões eram brilhantemente respondidas, mas outras 150 questões eram levantadas. E isso seguiu até a última cena da série. Lost não foi uma história de respostas. Foi uma série de perguntas que levam a boas respostas que levam a outras ótimas perguntas. Exatamente como as nossas vidas.

O sucesso da série se explica exatamente pela ânsia do ser humano por respostas. Lost utilizou todos os recursos que nos deixam perdidos em relação à própria existência: a força da natureza, os mistérios das religiões, das tradições, da física, da filosofia, da psicologia e, acima de tudo, as incríveis contradições do comportamento humano. A série, no fundo, é centrada nos personagens e em seus conflitos. A ilha só serve como metáfora da absurda condição humana e dos mistérios existenciais a que estamos submetidos. Uma metáfora, aliás, muito bem executada.

O mais interessante em Lost, sem dúvida, foi a descoberta gradual das características de cada personagem. Um avião cai em uma ilha, algumas pessoas sobrevivem e não sabemos nada sobre elas. Enquanto isso, os roteiristas voltam no tempo e contam como era a vida de cada uma daquelas pessoas antes do acidente. Aos poucos, as máscaras vão caindo e conhecemos o temperamento de cada um. Depois, os roteiristas nos mostram o futuro após alguns terem saído da ilha. Em seguida, voltam para um passado remoto para logo criarem uma realidade paralela àquela da ilha (em uma explicação rasa da total falta de temporalidade para quem não assistiu). Ou seja, uma narrativa totalmente retardada e de difícil execução e assimilação. Mas, mesmo assim, os roteiristas amarraram tudo de forma magistral. As pontas soltas foram inevitáveis para sustentar toda essa loucura hipnotizante.

O fim escolhido pelos produtores da série foi totalmente compatível com as seis temporadas e passou a perna em todo mundo. Se fizessem um bolão ninguém acertaria exatamente o que aconteceu no fim. Quem assistiu a todos os episódios da série provavelmente percebeu, após muito pensar, que não havia melhor forma de encerrar a história. Com esse final – que não conto para não estragar a graça daqueles que não assistiram ainda – um dos pontos mais interessantes da série foi denotado: Lost sempre oscilou na medida certa entre um drama humano e uma ficção cientifica com pitadas de misticismo. No início, pensamos que o que ocorre na ilha é real e não têm ligações espirituais ou de naturezas estranhas. Com o passar do tempo, alguns absurdos aparecem e começamos a pensar em coisas anormais naquela ilha. Os roteiristas a todo o momento jogam com a razão e a emoção do telespectador. Explica-se algo de forma racional, mas essa mesma explicação levanta uma possibilidade fantasiosa. O contrário também ocorre: algo fantástico parece que vai acontecer e aí trombamos com a frieza das coisas exatas. Realidade e fantasia se confundem. Exatamente como em nossas vidas.

E o mais legal é que vamos descobrindo tudo isso junto com os personagens, que também estão perdidos. Ou seja, eles estão perdidos, nós estamos perdidos, às vezes até os produtores parecem meio perdidos. Aquela realidade absurda deixa a todos desorientados e sedentos por explicações racionais que não existem. Os simbolismos, as citações e todo o universo da série colaboram para construir essa narrativa que nos tira do eixo. A série prova que apenas as explicações racionais não são suficientes para a sede humana por respostas. Precisamos criar e fantasiar para viver de forma suportável. Realidade e fantasia têm a mesma importância e o mesmo efeito sobre o homem ao longo dos anos. Na verdade, como hoje sabemos, a fantasia é ainda mais constituinte de nossa realidade do que a razão. Na maior parte das vezes, a razão é apenas uma máscara superficial que esconde uma loucura preocupante. A vida de um homem, por mais que ele disfarce, é toda orientada por suas emoções.

E, no final, para que respostas exatas? Existem essas respostas? Leia um livro de Stephen Hawking e você descobrirá que as respostas são absurdas e sempre nos levam a outras perguntas ainda mais absurdas. Como explicar, por exemplo, o motivo de uma onda do mar estourar nas areias da praia? Sei lá, o cara faz uma teoria sobre as fases da lua, sobre a gravidade e me responde com exatidão. Tudo bem. Mas porque ocorrem as fases da lua? E como funciona a gravidade? Depois de respondidos, esses questionamentos se desdobram infinitamente. Isso é Lost. Isso somos nós aos quatro anos de idade fazendo perguntas sobre tudo. E, convenhamos, não deveríamos mais ser crianças e admitir logo que nunca teremos todas as respostas. Um mistério respondido sem deixar questionamentos não é um mistério, é uma ficção das mais inverossímeis.

Resta refletir sobre os motivos de exercemos a fantasia de procurar respostas mastigadas e lineares, frias como uma realidade utópica que não existe. Será que é exatamente por ainda sermos aquela mesma criança de quatro anos de idade? Correr atrás de repostas é realmente o que nos leva para frente, nos faz querer criar e viver apaixonadamente. Mas precisamos entender que não podemos esperar nada dessas respostas. Quanto mais sabemos, mais ignorantes ficamos. Quanto mais respostas, mais perguntas. Essa é a graça da vida, essa foi toda a graça de Lost: correr atrás de perguntas sem respostas. É como a história do rapaz que encontra um papel em que está escrito: “Não acredite no que está escrito do outro lado, é falso”. Vira o papel e lê: “Não acredite no que está escrito do outro lado, é falso”. O que devemos levar em consideração? O real ou o fantasioso? Puxa, olha aí mais uma pergunta. Alguém tem uma boa resposta?

* André Toso publicou este texto em seu blog.

Vou tentar exercitar meus poderes telepáticos, de origem místico-científica, e arriscar um palpite: essa não é a primeira resenha, crítica ou análise do Series Finale de LOST que você, leitor, está lendo. E digo mais, provavelmente a maioria das análises que você já leu discorriam não apenas sobre o enredo de Lost, mas também sobre a experiência pessoal do autor com a série, certo?

A métrica mais infalível para discernir uma obra de um fenômeno cultural é avaliar o quanto da própria vida as pessoas associam à vida da obra. Não tenho vergonha de admitir que Lost está para sempre misturada à história dos meus vinte-e-muitos anos. Muito mais do que uma série televisiva em 114 capítulos, Lost era, no início, uma obssessão de tempo integral, que permeava hábitos de leitura, pesquisas na Wikipedia, horas e horas surtando em sites enigmáticos cuja relação com a série era vaga, na melhor das hipóteses. Era uma das melhores desculpas para fazer amizades de toda a década de 00, e grande parte do meu círculo social atual nasceu nas madrugadas desesperadas atrás de links para baixar os episódios, que eram assistidos sem legenda, conforme iam chegando, para serem então discutidos até quando o sono permitisse. Qualquer coisa levemente parecida com uma pista perdida num canto de um frame que só era visto na transmissão em HD era motivo para mil teorias. Os erros de continuidade e de produção não eram perdoados. A mitologia da série se misturava à “mitologia” do próprio grupo de amigos que se conheceu através dela. Como entre os personagens da série, também houveram muitos romances, muitos rompimentos, brigas, polarizações, alguns bebês, e – felizmente – nem de longe tantas mortes, mas certamente um ou dois sumiços dramáticos e inexplicáveis. Como eu disse na análise de “What They Died For,” a linha entre os protagonistas e os espectadores de Lost é tênue, e portanto não tem como analisar a jornada completa de Lost sem passar pela contribuição pessoal.

Durante essa minha jornada particular, eu vivenciei bem cedo a revolta que muitos agora direcionam para o Series Finale. Apesar de ter sido rotulado de “massa de manobra de seita messiânica” por causa do meu review positivo de “Across the Sea,” a verdade é que eu desencantei da vertente pseudo-científica de Lost muito antes da maioria das pessoas, no final da segunda temporada, quando “eletromagnetismo” era um eufemismo para “energia que faz o que os roteiristas quiserem que faça.” Meu lado sci-fi geek é MUITO geek. Não precisou chegar nem perto de viagem no tempo, que dirá de luz mágica dentro de caverna, para que eu me afastasse de Lost, esfriasse a cabeça, e depois me reaproximasse já encarando a série como um drama sobre pessoas onde a mitologia é um veículo, não um destino.

Sob essa abordagem, a de que nem toda mão de treinador de cavalo em cena é uma pista, e de que os mistérios servem para testar a fé dos personagens, não para premiar telespectadores-detetives que venham a desvendar “o final” com antecedência com algum troféu imaginário – nesse aspecto, “The End” é um finale absolutamente digno para uma série que, dentro de seus acertos e (não poucas) falhas, fez história como um verdadeiro marco cultural e pairou acima da maioria das obras televisivas desse início de século.

Antes de qualquer coisa, vamos tirar da frente algo que me incomoda profundamente em qualquer conversa sobre Lost: é evidente que os produtores foram escrevendo a história ao longo da série. Isso não é detrimento NENHUM ao roteiro. Toda história foi escrita em algum momento. Lost começou como uma cena imaginada na cabça de J.J. Abrams durante um vôo. Naquele momento, não existia final, nem mistério, nem nada, era apenas uma queda de um avião. Li em algum lugar que, quando fez o pitch da série para a ABC, Abrams só tinha planejado até o momento da descoberta da escotilha. Ainda não existia final. Os bad numbers, que viraram ícone da série, foram criados por David Fury quando ele ainda trabalhava na série, antes de deixá-la por 24 Horas sem ter escrito qualquer explicação lógica para eles – a explicação ficou por conta de Javier Grillo-Marxuach (que por sinal foi o criador da Iniciativa Dharma) num ARG que ele comandou depois de ter saído, ele mesmo, da série, ao final da segunda temporada, e que foi criado justamente para tentar fechar algumas das questões que não eram centrais à trama, mas que tinham sido introduzidas pelos roteiristas na época em que Lost ainda era uma série sem data para acabar (e consequentemente carente de enredos que a mantivessem por tempo indefinido).

Encaremos a realidade dos fatos. Até o final da segunda temporada, Lost era uma série muito rentável que a ABC pretendia estender por quanto tempo pudesse. Durante dois anos, o importante era sustentar a narrativa, e não dosar meticulosamente pistas para um final que já estava garantido. Foi só durante a crise do mid-season da terceira temporada que Damon Lindelof e Carlton Cuse resolveram ter uma conversa séria com a ABC e exigir que a galinha dos ovos de ouro deles ganhasse uma data de fim, e temporadas mais curtas que não tentassem competir com 24 Horas no número de episódios. Era isso, ou sacrificar ainda mais os índices de audiência, porque o público não ia mais comprar jogo de espelhos e fumaças por muito tempo, e a série precisava de um rumo. A partir daí, sim, as temporadas passaram a ter coesão narrativa e uma espinha dorsal que unia as pontas.

Assim como a maioria das pessoas, eu também passei por uma fase na infância e adolescência em que escrevia contos. Eram uns contos bem sem-vergonhas, mas a maioria deles germinava de uma cena que brotava na cabeça, e daí crescia para sua explicação. O importante era a ambientação e o impacto da cena. Essa filosofia também era aplicada nas mesas de RPG que eu mestrava. Muitas aventuras de mistério e terror que meus players lembram até hoje (sempre fui fã ardoroso de Ravenloft, nem imagino o porquê) nasciam de cenas soltas que eu imaginava serem assombrosas para os jogadores, e dali em diante, conforme o desenrolar das aventuras, a explicação dos mistérios ia surgindo como consequência das pistas, e não o contrário. Me desculpem se estou decepcionando alguém, mas as duas primeiras temporadas de Lost foram certamente escritas da mesma forma. Com muito mais técnica e competência envolvidas, claro, mas ainda assim, Lost é um mistério escrito de fora pra dentro. Isso significa que os produtores trapacearam? Claro que não. Vocês ficariam surpresos com a quantidade de histórias com reviravoltas e enigmas que são escritas desse jeito, e para desbancar de vez a tese de que elementos inseridos depois do primeiro capítulo são irrelevantes e/ou encheção de linguiça, só menciono dois personagens que surgiram como participações especiais e foram ampliados por causa da resposta do público: Desmond David Hume e Benjamin Linus. O quão irrelevantes eles soam para vocês?

Pronto, agora que isso saiu do meu peito, posso falar sobre “The End” em paz. Não vou repetir o que muita gente mais entendida que eu já falou sobre como Lost reinventou sua própria estrutura estilística ao longo das temporadas, e como isso é genial e tudo o mais. Quem me conhece sabe que um dos momentos mais chocantes da minha vida enquanto telespectador de teleséries foi o último capítulo da terceira temporada, em que todos assistimos por mais de uma hora a cenas do futuro sem saber do que se tratavam, e tomamos na cara aquela aparição de Kate e aquele “We have to go back!” Nenhum outro momento de “te peguei” na séire desde então teve um impacto tão forte quanto aquele. Nem mesmo a última reviravolta de “The End,” aquela que explica finalmente a “realidade paralela” que vínhamos acompanhando desde o início dessa temporada, mas rapaz – chegou bem perto. Ao ponto de eu por um momento não entender o que estava vendo, e subitamente, como um raio, tudo ficar claro, e meus olhos se encherem de lágrimas. Não me importo que tenha sido a reviravolta mais descaradamente espiritual da série até a data – nunca me incomodei com espiritualidade em obras de ficção científica, inclusive porque é um recurso manjadíssimo pra quem não estreou no universo nerd com Lost – aquela cena me deixou moído, com cara de paisagem, me sentindo mais uma vez ludibriado, da forma boa, pelos produtores (eles sempre disseram que *a Ilha* não era o purgatório… boa, Darlton, muito boa). Injetou significado retroativamente em todos os episódios da temporada, e todas as estranhezas e as coincidências das vidas que os Losties levavam nela se encaixaram de forma cristalina. Eles precisavam uns dos outros. Precisavam se reencontrar, mesmo que além do plano mortal, para seguir em frente. E que metáfora filha da puta para nós, espectadores-protagonistas, que também tivemos que deixar a Ilha, e que também precisamos seguir em frente depois de termos sido parte de Lost por seis anos. A sexta e última temporada de Lost tem na resolução de seu enredo um motivo apenas secundário. O principal, o essencial, era a despedida. O fim da jornada que foi assistir – e produzir – Lost. Um tema que fala forte àqueles que realmente se envolveram com a série, não aos que assistiam aos pedaços, sem atenção, procurando cenas ou diálogos patronizadores que preenhcessem listinhas frias de “perguntas sem respostas.” E por se envolver, quero dizer se envolver com a história, não necessariamente ficar obcecado por cada minúcia, por cada campanha de marketing, por cada spoiler vazado, etc. Quero dizer se importar mais com o bem estar de Jack, Kate, Sawyer, Hurley e tantos outros, do que com a ilha que uniu nossas vidas às deles.

E, diga-se de passagem, para quem tinha se decepcionado com a “Luz dentro da caverna” de Across the Sea, o series finale de Lost deixa bem claro que não sabemos nada de nada. Não havia uma bola flutuante de luz dourada dentro de uma caverna de pedra, e sim um ambiente com sinais claros de intervenção inteligente, com mecanismos, com mais enigmas separando mesmo os candidatos empossados da verdadeira natureza do poder da ilha. Os órfãos da pseudociência podem se esbaldar em teorias pelo resto da vida aqui, desde civilização Atlante até Exogênese, porque essa é a parte que os produtores deixaram de legado para os fãs (e para a Disney, que certamente vai continuar ordenhando essa mitologia por algum tempo). Eles foram bem específicos quando disseram que a história que eles iriam terminar de contar era a dos passageiros do vôo 815 e dos amigos e inimigos que cruzaram seu caminho. O que realmente é a luz, o que realmente é o monstro, o que realmente é a Ilha… para isso existem gazilhões de teorias na internet muito mais elaboradas do que eles jamais se prestariam a criar. A falta de respostas não é uma trapaça, é uma concessão. Lost é dos fãs, também, e já que eles se apropriaram tão ferrenhamente da mitologia, para quê estragar a explicação pessoal de 99,9% deles para fazer 0,1% felizes por uns poucos dias, enquanto ainda tiverem fôlego para dizer “eu avisei”? Não faz sentido.

O episódio final de Lost foi arrebatador porque me deu exatamente aquilo que eu queria ver, e em quase todas as ocasiões, com atuações memoráveis de todo o elenco. Retiro o que disse semana passada, que preferia que a missão de Desmond no flashpurgatório tivesse começado mais cedo na temporada, porque não poderia ter sido diferente. Não ia ter o mesmo impacto ver o “despertar” de cada um dos Losties se não fosse tudo de uma vez, com a trilha sonora do Giacchino debulhando, e culminando na cena da igreja ecumênica. Quase todos os reencontros me levaram às lágrimas, alguns (o ultra-som de Sun, o parto de Claire, e a monstruosa cena de Sawyer e Juliet), confesso, ao choro compulsivo. Só o final de Sayid é que destoou horrendamente do resto, acho que de propósito – já que o Naveen Andrews, apesar de competente em cena, sempre desdenhou da série na mídia para quem quisesse ver. Unindo isso à atuação claramente para-cumprir-contrato da Maggie Grace e tivemos a cena mais dispensável do finale.

Mas essa foi a única cena realmente ruim. Algumas outras ficaram meio dispensáveis, como aquele pulo do Jack na última cena antes do intervalo de seu confronto final com FLocke, que beirou o pastelão. Mas não chegou a estragar a porrada, que foi épica (E um parêntese aqui para quem disse não ter entendido o papel de Desmond na derrocada do Homem de Preto, é bastante óbvio – Desmond tirou a Ilha da tomada e o deixou mortal por tempo suficiente para Kate, numa participação digna da Kate das primeiras temporadas, enfiar uma bala no infeliz e acabar de vez com a ameaça do fumacento. Jacob pensa em tudo!). E eu esperava um tiquinho mais do Jorge Garcia na cena em que – outra reviravolta maravilhosa que me marejou a vista – Jack repassa a ele o bastão de protetor da Ilha antes de dar sua vida pela causa que levou seis temporadas para aceitar. Aliás, que cena fenomenal aquela em que ele diz ao Flockezilla que este desrespeita a memória de John ao usar seu rosto. Jack foi escrito para esse momento, e se seus episódios ao longo da série eram sempre fillers chatos, nesse último ano ele mereceu realmente o posto de protagonista central que estava há tanto tempo guardado para ele. Quanto ao Jorge, ele compensou o deslize nessa cena com duas outras cenas tocantes com Michael Emerson.

Aliás, falando em Emerson, ele e Terry O’Quinn fecharam seus personagens magistralmente. Cada cena com Ben e Locke (e FLocke) nesse episódio é uma aula. O diálogo entre os dois na porta da igreja é possivelmente a melhor cena que eles dividiram na história da série, talvez empatando com a cena final de “The Life And Death of Jeremy Bentham,” sem o impacto violento desta, mas com dois diálogos paralelos acontecendo, um verbal e um só de olhares. Dois gênios em cena. E como negar que Josh Holloway segura a cena com Liz Mitchell em pé de igualdade naquela que foi a mais aguardada e emocionante cena de despertar? Diabos, até a Evangeline Lilly segurou uma cena como “gente grande,” quando tem aquela conversa com Jack no fim do show beneficente. Em seis anos de série, ela nunca tinha me convencido como me convenceu com aquele “I missed you so much.” E o que dizer das expressões de Daniel Dae-Kim e Yunjin Kim quando, já cientes de quem são, conversam com um ainda confuso James Ford no hospital? Poderia rever aquela cena mil vezes.

No geral, The End é um episódio para ser sentido. Tem, sim, sua dose de ação – muito bem dosada e dirigida, diga-se -, de idas e vindas, com o trio Lapidus, Miles e Alpert consertando o avião e parando em cima da hora para Sawyer, Claire e Kate embarcarem, com o confronto final entre Jack-ob e Flocke, e toda aquela autoreferência certeira comparando a caverna com a escotilha da Estação Cisne, mas a essência do episódio está nas atuações, nas resoluções pessoais de cada um dos Losties, nas cenas que os produtores deram para cada um dos membros do elenco, e que a maioria aproveitou muito bem (Até o Dominic Monaghan e a Elizabeth Mitchell, que nem eram mais do elenco fixo, representaram de corpo e alma suas cenas, o que só aumenta minha vergonha alheia pela Maggie Grace e pelo Naveen Andrews). É um episódio sobre a própria série, sobre como nós vivemos intensamente essa Ilha por seis anos, vendo muitos de nossos companheiros se revoltarem e abandonarem a série, vendo a própria série se reinventar para se tornar um projeto fechado, sobre como os episódios bons nos tocaram e os episódios ruins nos revoltaram, e sobre o que fazer agora que as cortinas cairam. Seguir em frente, dizem Carlton Cuse e Damon Lindelof. Aprender com a experiência, guardar dentro de nós mesmos o que ficou de bom, e partir para a próxima. Como temos mais sorte do que os Losties, não precisamos esperar até o próximo passo no ciclo da existência para recuperar os laços perdidos. Estamos todos aqui, bem ou mal. E só esperando a próxima aventura que virá nos tirar o sono e nos fazer viver um pouco da fantasia compartilhada que deixou sua marca em tantas vidas de tantos grupos de amigos.

Como diriam os guardinhas da cena final de O Show de Truman… vamos ver o que mais está passando? 😉

* Rafael publicou este texto em seu blog.

Acabou.

Comecei esse texto cerca de 5 minutos depois dos créditos do episódio final de Lost, e ainda tenho muita coisa pra assimilar. E mesmo já tenho muita coisa a dizer, a especular, a divagar, é muito difícil escolher como começar.

Uma certeza eu tenho: muita gente vai xingar demais esse final. E provavelmente por não entenderem.

Lost foi um fenômeno midiático desse começo de século, construindo sua popularidade não só na TV, mas na internet e em diversas ações. Só que a base desse sucesso é a mesma de qualquer outro sucesso das telas, de qualquer época: os fãs.

E esse final foi um tributo para os fãs.

Não só o final, como praticamente a metade da temporada, através dos flash-sideways. Recurso cuja explicação em princípio pode parecer horrorosa e se encaixar entre os piores temores dos fãs. Como assim “estão todos mortos”? Não, não estão todos mortos! Pelo menos não nas 5 primeiras temporadas, e nem durante as cenas na Ilha na 6ª.

É o desenrolar na Ilha que marca o final, com o sacrifício de Jack, a derrota do Fumação, Hurley assumindo como novo Jacob tendo em Ben o seu braço direito e com Kate, Sawyer, Claire, Miles, Richard e Lapidus escapando. ISSO é o final de Lost.

Mas claro, esse é um final melancólico. Para falar a verdade, quase desesperador. Afinal, acabar assim significaria que a vida de John Locke foi uma grande tragédia sem sentido. Que Sun e Jin deixaram uma filha órfã por nada. E mesmo com a vitória final do “bem”, esse seria um final triste pra cacete.

Nada contra finais tristes. Mas vamos lembrar de novo dos fãs, e do que sustentou eles acompanhando a série até o momento. Foram os mistérios? Uma ova! Pelo excesso dos mistérios eu só conheci gente querendo largar a série. O que fazia a gente se importar em Lost eram os personagens. E os flash-sideways serviram para que pudéssemos nos despedir de todos eles juntos de forma digna e significativa. Quase como um prêmio de consolação.

A chave para isso está no episódio do Desmond, “Happily Ever After”. Felizes para sempre. Infelizmente isso não foi possível pra quase ninguém em suas vidas. Mas o presente de Damon Lindelof e Carlton Cuse pra nós fãs foi mostrar que ainda havia chance de felicidade para eles, mesmo que apenas do outro lado da vida. E foi extremamente tocante cada reencontro.

É claro, um fim sobrenatural, quase espiritual. Mas pra quem acompanhou uma série com uma ilha que se move, um monstro de fumaça e pessoas que não envelhecem, esse tipo de coisa não deveria incomodar, certo?

Só acho uma pena que provavelmente as pessoas acabem falando mais desse final “prêmio de consolação” do que do real, que foi igualmente emocionante e espetacular. Desmond “desligando” a luz foi épico, e Jack se sacrificando para acendê-la novamente também. Mas os dois grandes momentos sem dúvida foram a grande luta de Jack e Flocke e a morte de Jack. Ele caminhando no bambuzal até cair no mesmo lugar onde a série começou foi perfeito. E se tudo teve início com um close do olho dele abrindo, só poderia acabar com o mesmo close, só que com o olho fechando, não sem antes ver o avião com seus amigos saindo em segurança.

Um final emocional e repleto dos elementos que nesses 6 anos foram parte tão presente na vida de quem acompanhou a série. Lost marcou época na TV e na cultura pop mundial.

E seu final fez justiça a essa importância.

Épico.

* Alexandre Esposito escreveu este texto em seu blog.

Texto de fã não é e nunca será imparcial. Dito isso, afirmo: fui e sou fã de Lost. Então serei exagerado na medida que me é possível, como fã, e na proporção que é esperada de alguém assim.
Lembro quando meu irmão chegou um dia e disse “Gá, você precisa ver esse seriado, sério. Muito bom!” Comecei a assistir do 3º episódio da 1ª temporada. Foi assim que conheci a AXN. A hora de Lost era sagrada em casa. Ninguém atendia telefone e se meu pai, coitado, chegasse em casa no meio do episódio, só ia receber um abraço quando aparecesse o robozinho vermelho do JJ Abrams.

No Twitter, comparei Lost ao Show de Truman, não o filme, mas o programa mesmo, dentro do filme. Velhinhas e suas almofadas estampadas com o rosto do Truman, o gordinho na banheira e as pessoas chorando e torcendo pelo Truman como se fosse um conhecido, um grande amigo. Minha comparação foi mais ingênua, dizendo que ao fim de Lost, viraríamos uns para os outros e diríamos: “Hum… o que mais está passando na TV?”

Ledo engano. Lost acabou de terminar pra mim e não quero ver, nunca mais, TV. Claro, é um exagero, mas eu disse que ele viria. A sensação, no momento, é de desamparo, como se eu fosse um órfão. E somos, eu e você, que era e é doente por Lost. É o fim de uma era. Quando comecei a assistir o seriado, morava com meus pais e cursava a faculdade. Hoje estou formado, saí de casa, casei e ontem estava tão ansioso para assistir ao último episódio como se tivesse começado a assistir à série na semana passada. Lost fez parte da minha vida.

A música tema, quase clássica, dessa temporada ainda está na cabeça e preciso me segurar para não chorar. Exagero? Dane-se. Decidi assistir sozinho ao The End, diferente do que foi o seriado inteiro, porque ninguém mais entenderia. Se eu choro com reportagem do Globo Esporte sobre a despedida do Juninho Paulista, que dirá no último episódio do meu seriado favorito.

É uma tristeza que tenha acabado, mas sei que não daria pra ser eterno e prolongar demais seria perigoso. Mas eu sou fã e não quero nem saber. Quero episódios especiais, extras, filme e o que mais for possível fazer. Aí eu lembro do final e os caras colocaram um ponto final. “Era isso que a gente tinha pra contar”.

Sei que nunca lerão isso, mas obrigado JJ Abrams, Damon Lindelof e Carlton Cuse, por terem feito uma das melhores coisas do início desse século. Toda a ‘indústria’ Lost foi algo nunca visto antes, com os ARGs, pistas espalhadas e tal. O que o seriado movimentou foi incrível, reconheço. Mas é o menos importante, para mim. Não escrevo como jornalista cultural, analisando um fenômeno.

O ‘universo’ Lost criado, os personagens e as histórias contadas são o que de mais rico ficam. Tiram sarro de mim pois choro em tudo, mas dessa vez foi diferente. No final, era como se eu estivesse vivendo aquilo com eles, sofrendo junto, rindo junto e, principalmente, chorando junto.

Lost e seu último episódio foram meu Show de Truman e eu sofri como o gordinho da banheira, entregue a um produto cultural televisionado para milhões de pessoas, mas achando que aquela história estava sendo contada só pra mim, sentados um de frente pro outro.

No final das contas, vocês nos fizeram acreditar que somos, cada um, John Locke, especial em si, sem motivo aparente, mas que só é assim porque também acredita ser assim. E, por isso, são uns desgraçados geniais, já que isso é só um seriado e a gente não consegue, nem pode, admitir isso.

***

Depois de ter escrito meu texto de fã, acima, no momento da emoção, vai mais um. Continua sendo de um fã, por isso é também uma explicação do porque considerar Lost tão bom e uma das melhores séries já feitas.

O entrevistador Jimmy Kimmel diz acreditar que a história de Lost não é sobre a ilha, é sobre as pessoas. Mais especificamente sobre Jack Shephard. “Eles não responderam todas as perguntas”, algumas pessoas dizem. 1) Se você considerar que o tema da série eram os personagens e não a ilha, eles responderam todas as perguntas. 2) É clichê, mas o que é mais importante: conhecer novas perguntas ou saber todas as respostas?

“Cada pergunta respondida leva a outra”, diz a mãe de Jacob e do irmão. Se assim fosse, o seriado seria eterno, do tamanho de uma vida. Porque a vida é assim. Quantas perguntas suas já foram respondidas, desde “Posso ir jogar bola lá fora?” pra sua mãe, até hoje? E quantas você ainda tem? A nossa vida vai acabar e ainda não teremos todas as respostas. Se com a gente é assim, porque em Lost não seria?

Sim, eles não responderam por que Jacob e o irmão eram daquele jeito. É verdade, não responderam uma porrada de coisa. Mas a ideia não era essa. “Lost” não é porque estavam perdidos e precisavam de uma bússola. É porque estavam perdidos em si e precisavam de novas perguntas, as perguntas certas. Lost foi “Queremos contar uma história. Conheçam essas pessoas, da onde partiram e onde chegaram.”

Contaram uma história que todos sonhamos, de sermos especiais, de termos um propósito nessa vida. Uma história que nos conduza a isso. Porém, as circunstâncias nos perguntam, como a ilha fez com Jack, Sawyer, Kate, e Locke, e cabe a nós darmos as respostas. Nem todos são especiais, mas todos escolhem não apenas desempenhar, mas escrever seus próprios papéis.

Se JJ Abrams, Damon Lindelof e Carlton Cuse conseguiram passar coisas assim por um seriado de TV norte-americano, não tem como dizer que devido a um último episódio sem todas as respostas o seriado perdeu valor. Pelo contrário. O último episódio foi que comprovou todo o valor que Lost teve ao longo desses anos. “Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos?” Cabe a você fazer as perguntas. Se elas serão respondidas, é outra história.

Namaste.

* Gabriel Louback escreveu estes textos em seu blog.

“Onde estamos, pai?”

“Esse é um lugar em que todos vocês criaram juntos para que pudessem encontrar uns aos outros. A parte mais importante de sua vida foi o tempo em que você passou com essas pessoas. É por isso que todos vocês estão aqui. Ninguém consegue fazê-lo sozinho, Jack. Você precisava de todos eles, e eles todos precisavam de você”.

“Para quê?”

“Para se lembrarem… e para seguir adiante”.

O que faz isso tudo por que passamos, sentimos, experimentamos valer a pena? Minha resposta é direta: por acreditar em que tudo acontece por um motivo e que por trás desta gigante e inexplicável razão existe a simples necessidade de encontrarmos a felicidade. Estas são duas verdades pessoais que trago comigo desde antes de “Lost” e que foram erguidas como nunca em “The End”, o emocionante e inesquecível desfecho da série.

De seu início à comovente cena final, no ocaso de uma odisseia, “Lost” consagra a certeza de que, por incríveis seis temporadas, vivenciamos uma fábula sublime e unicamente grandiosa a respeito de nossa busca pela felicidade, procura ora consciente ora inconsciente, mas nunca de fato estagnada. Uma luz que, em tese, deveria nos ser facilmente encontrável por estarmos frequentemente mergulhados no escuro, mas que por muitas ocasiões desaparece por nos deixarmos cegar por este breu que é tão humano quanto os personagens que nos conduziram, através de suas jornadas, por um encontro com nossas próprias histórias.

“The End” comprova um ritual de seis anos de duração em que nos foi dada uma chance, uma escolha: a de nós e eles nos tornarmos um só. E, uma vez fechado o livro, me sinto plenamente feliz por ter me servido do copo e ver que não estive, ver que não estou sozinho. Muitos, somos Locke em crenças inabaláveis; somos Hurley no amor à inocência; somos Sawyer quando ora renunciamos, ora revelamos o que trazemos; somos Kate ao acertarmos errando; somos Sayid ao encontrar pesadelos que contam nossa história mas não nos mostram; somos Charlie ao sucumbirmos diante de nossas fraquezas e ao conseguirmos nos fortalecer diante delas; somos Desmond na luta pelos amores que nos dão constantes de vida; somos Jack em transformações que, mesmo em morte, nos apontam a direção.

Em seu encerramento, “Lost” desfaz-se em definitivo de supostos embates para atar laços fundamentais: ciência como caminho para chegarmos à fé, esse patamar alcançável de uma força que nos transcende; e livre arbítrio que nos permite antecipar ou retardar o destino, que se torna dharma ou karma de acordo com o que merecemos. Tudo ao sabor da epopeia de nossos personagens, contada através deles; vivida por todos nós, losties que sempre fomos.

E por fim, nem a mais generosa noção do nosso merecimento poderia antecipar a força e o sentido das lágrimas dos momentos finais, donas da mais pura e alcançável felicidade. Nada vai nos roubar a emoção de estar naqueles abraços que celebraram o amor e a paz que envolvem os que seguem juntos dos seus para um voo maior. Nada vai nos tirar a sensação de que, após uma saga de dúvidas e fé, desilusão e esperança, quando os olhos se fecharam, a luz de “Lost” se fez presente não pela última e mais bela vez, mas para sempre. Para todo o sempre.

* Carlos Alexandre Monteiro escreveu este texto em seu blog.

“This is the end/ beautiful friend/ of everything that dies, the end”
(The End – The Doors)

“And in the end the love you make is equal to the love you take”
(The End- The Beatles)

Vocês já perderam alguém importante na vida de vocês? Eu já . Mais do que posso contar com calma. Para qualquer pessoa que já perdeu alguém importante em sua vida, ou que já teve que enfrentar cara a cara sua própria mortalidade, o episódio final de Lost, no ar ontem as 21h aqui nos EUA, foi um banquete altamente satisfatório e catártico.

Não, as grandes perguntas não foram respondidas – o que, como explico aqui neste texto da UOL TV é, antes de mais nada, um modo muito inteligente e orgânico de manter a mitologia da série viva ab aeternum (para citar outro pedaço da mitologia). Mas A grande pergunta que os show runners Damon Lindelof e Carlton Cuse decidiram abraçar neste fim de série – a própria natureza humana e seu destino – foi completamente respondida, com a eficácia dos bons contadores de história , em volta da fogueira, desde o princípio dos tempos.

Escrever para TV fechada é fácil. (Mentira: é difícil, tão difícil quanto produzir qualquer boa obra audiovisual. ) Difícil mesmo é escrever para TV aberta , com o nível de sofisticação e profundidade que Lost atingiu, consistentemente, nestes seis anos. Escrever para TV aberta durante seis temporadas é ser Scheherazade eternamente adiando a decapitação por ordem do soberano mal humorado e todo poderoso, insatisfeito com os índices de audiência, os indicadores demográficos e o retorno dos anunciantes. Ser capaz de tirar uma história de dentro de outra história de dentro de outra história, fiel ao princípio da narrativa que deu partida a tudo mas capaz de manter o sultão feliz é feito para poucos.

No processo dessas mil e uma noites na Ilha, a visão inicial de JJ Abrams, possivelmente mais Além da Imaginação e Arquivo X do que Livro Tibetano dos Mortos, sofreu as transformações necessárias para sua sobrevivência. O mito da Ilha, construído para servir de base à narrativa e aos arcos dos personagens, tornou-se menos importante do que os personagens em si. Lost estreou numa época difícil – depois do 11 de setembro, tendo como plateia uma sociedade cínica, paranóica,fracionada e profundamente ferida. A virada que Carlton Cuse e Damon Lindelof propuseram conduziu a série na direção de sua humanidade , e não daquilo que era extra ou sobre-humano. É possível fazer uma indagação filosófica sobre o sentido da vida, 50 minutos por semana, três meses por ano, durante seis anos? Por incrível que pareça, é. E em TV aberta.

O que comoveu e permaneceu do último episódio de Lost – além de seu magnífico roteiro, escrito com enorme rigor de estrutura e o tipo de humor entre-dentes que estava fazendo falta na série, ultimamente (“não acredito em muita coisa, mas acredito em fita adesiva”, foi minha fala favorita) – foi a sinceridade com que abraçou o humano em todos nós, dos seus criadores a seus personagens e a toda a platéia. Se aprendermos a viver juntos, não morreremos sozinhos, foi o que restou depois que o último olho se fechou na última e maravilhosa cena. É o oposto do que tudo a nossa volta parece estar dizendo. As forças que nos separam, dividem e isolam não são tão poderosas quanto as forças que nos fazem procurar o Outro e reconhecer nela ou nele sua luz interior, igual à nossa: aloha, e namastê.

Uma palavra final sobre o magnífico trabalho de Michael Giacchino, tão integral ao impacto de Lost que, nos roteiros, suas entradas eram anotadas como “O Giacchino” (assim: “aqui, O Giacchino aumenta a tensão”; “tapete triste de O Giacchino por baixo do diálogo”). A música em Lost era velha-escola, gravada ao vivo no estúdio Eastwood do lot da Warner, com uma orquestra de músicos sinfônicos experientes, que acabou conhecida como Orquestra Lost. Era ao mesmo tempo incrivelmente avant garde e profundamente romântica, respeitosa do trabalho dos atores mas, ela mesma, um ator, adicionando sua voz – a harpa sinistra, os violinos e metais abstratos, o piano pensativo – ao coro dos desempenhos. Mais uma vez, uma lição concreta de colaboração, comunidade, estar junto.

Namastê!

* Ana Maria escreveu este texto em seu blog.

Lost: The End

Comentem. Eu comento no final do dia.

Atualização (25 de maio):

Meu comentário vai demorar um pouco mais, mas já adianto: adorei o fim da série. Fui gravar o Comentando Lost ontem com o Ronaldo, mas a gente ficou fritando tanto em cima do episódio que achou melhor esperar uns dias pra ficha cair direito. O último programa sobe ao ar ainda essa semana, garanto.

E à medida em que o dia for passando, vou colando comentários, teorias, versões e considerações em sites alheios aqui nesse mesmo post. E conto com a sua participação.

Diz o Diogo:

A idéia de que a redenção é possível para todos, que há um lugar (céu, nirvana, outra vida, planos evolutivos, ou o que quer que a fé de cada um acredite) em que encontraremos as pessoas que foram importantes pra gente nessa vida é muito bela. Por isso gostei bastante do final, mesmo sendo Ateu. Achei incrivel. Mas espero que vcs nao esperassem batalhas épicas de supersyajins no final , nem grandes explosoes e coisas, e q possam ver a beleza da coisa.

E depois acrescentou:

Eu acho que o final na Igreja foi mais simbólico, pra fechar o ciclo. Como no primeiro episódio o Jack tava indo fazer o funeral do pai, nada mais natural que o fim de tudo, o encontro deles em seu lugar especial em que tudo é revelado, fosse nesse funeral que nunca ocorreu em vida. Esse lugar não era o purgatório na minha opinião, o purgatório é uma concepção da Igreja Católica que foi inventada pelo Vaticano como instrumento de manipulação e não está na Bíblia! ja na Igreja do funeral, existe um vitral com símbolos de todas as religiões, ou seja, é um lugar espiritual, que aceita todos. Lembram do céu de Amor Além da Vida onde cada um constrói o seu? É mais ou menos isso, mas não é o céu, e sim um lugar que é a criação conjunta de todos eles. Pra onde eles vão? Não sei, nunca saberemos. Mas foi bonito pacas.

A Melina emenda:

E o recado final do Christian foi pra gente né? Depois de seis anos… Let’s move on.

O Gustavo acha que:

… o clichê Manoel Carlos + Shyamalan foi um modelo necessário para não haver SUICÍDIOS em massa dos fãs ontem, já que o fim é triste, sim. O grande mistério da ilha (”O que é a ilha? De onde vem a luz? Que lógica é essa do Jacob X Mib e por que ela não continua com o Hurley?) não é resolvido, todos morrem sem respostas e sem atingir a “iluminação”, precisando de um mundo de sonho para conseguir viver a vida que queriam por algum tempo, lembrar de tudo e aceitar a morte.

E por isso eu chorei e achei do caralho.

Pena que isso não é bem um spoiler da vida, pois nós vamos apagar igual apagamos quando vamos dormir

A Lili odiou, mas considera:

ficamos sem respostas, sem fim e sem série. pra mim, moving on não é closure. foi um episódio lindo, eles finalmente aprenderam a perdoar, a amar e a fazer as escolhas certas. mas não deveria ter sido o último. eu topava ser enrolada ainda por um bom tempo…

Delfin acrescenta que…

…é um final que tem muito a ver com o PKDick, se os fãs mais radicais pararem para pensar, por exemplo, em Valis e, prncipalmente, em Ubik.

A Ana completa:

Além de tudo, a ideia do flashsideways não ter NADA a ver com a trama principal, ser algo descolado (e espiritual, então a lógica de lá não se aplica ao resto do plot) é bem legal porque permite a validação de certas coisas científicas que foram apresentadas durante a saga na ilha.

A Letícia reclama:

Não fico puta da série ter acabado espiritualmente, ligeiramente religiosa, de querer terminar com um clima de “we’re all going to a better place”. Mas oi? Que tal explicar o RESTO DA SÉRIE e não só os últimos 13 episódios (que pra mim também poderiam ter uma explicação melhor)?

E acrescenta:

Ainda prefiro a teoria mais básica e batida, de que os flash-sideways são um universo paralelo iniciado após a explosão da bomba no final da quinta. Depois de duas horas de finale eles deviam simplesmente ter explodido a ilha e se reencontrado no universo paralelo, enterrado o pai do Jack (que por sinal, todo mundo esqueceu que foi o maior douchebag na vida real, né?) e moved on. VIVOS. A surpresa não teria sido tão grande, mas pelo menos teria feito sentido.

E o Marcio:

O final de LOST foi exatamente igual ao fim de Nárnia e teve o mesmo propósito: mostrar que toda a ação, os dramas e as provações eram mesmo parte de uma grande jornada espiritual. A luz no coração da ilha é, no fim das contas, nosso axis mundi, um canal de comunicação com o transcendente.

Assim, Desmond não era só a chave de segurança da Ilha, mas o guia, o barqueiro que atravessa nossos protagonistas para o Outro Lado. Como n’O Senhor dos Anéis, todos aqueles que tocam a Ilha mudam e tem como último descanso as terras de além mar.

O Roberto divaga bonito:

O principal agente para a validade ficcional é o próprio indivíduo.
Eis o sujeito, dotado de sua mais forte faculdade.
Para a ação, ele buscará, antes, a sustentação.
O embasamento pode estar:
na estrutura narrativa que emirja da lógica que mais o apetecer (cada sujeito organiza como lhe aprouver os fatos relativos);
no conjunto que mais atenda nele sua demanda por realidade, conforme a vigência dos conceitos, quando organizaram satisfatoriamente a existência deste mesmo sujeito-histórico;
no sem-fim de opções (com elas, mais conjuntos) que se imprimem em auto-importância na proporção que o sujeito se incline;
na categoria (pois das diferentes inclinações, as categorizações surgem);
no sujeito, tomado;
no predicado, restando apenas a figura.
“Se a desligar e a ligar novamente, o chocolate irá cair.”

Parabéns, Lost, por colocar a onisciência da habilidade de busca à disposição de seus espectadores.

Bruno, que não assiste à série, aplaudiu:

Lost, a ilha, as provações e loucuras é o que vc quer que seja. Achei fodaço.

Chico Barney também deu seu pitaco:

O episódio foi sensacional, e resolveu a questão fundamental da série.

No final, eles não estavam mais perdidos.

A Geo disse que:

aqui em casa sobrou apenas uma camiseta com o logo dharma e a opinião de que depois de tanto cartucho queimado, prevaleceu a lógica da navalha de ockham.

Hein, navalha de quê? Wikipedia:

A Navalha de Occam ou Navalha de Ockham é um princípio lógico atribuído ao Lógico e frade Franciscano inglês William de Ockham (século XIV). O princípio afirma que a explicação para qualquer fenómeno deve assumir apenas as premissas estritamente necessárias à explicação do fenómeno e eliminar todas as que não causariam qualquer diferença aparente nas predicções da hipótese ou teoria. O princípio é frequentemente designado pela expressão latina Lex Parsimoniae (Lei da Parsimónia) enunciada como:”entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem” (as entidades não devem ser multiplicadas além da necessidade). Esta formulação é muitas vezes parafraseada como “Se em tudo o mais forem idênticas as várias explicações de um fenómeno, a mais simples é a melhor”. O princípio recomenda assim que se escolha a teoria explicativa que implique o menor número de premissas assumidas e o menor número de entidades. Originalmente um princípio da Filosofia Reducionista do Nominalismo, é hoje tido como uma das máximas heurísticas (regra geral) que aconselham economia, parcimónia e simplicidade, especialmente nas teorias científicas.

Ahn… E ela completa:

mas, porra, foi emocionante!

Outro Bruno vem…

“…engrossar o caldo dos que ficaram insatisfeito.

Acho toda essa interpretação cheia de misticismo e simbologias muito bonita, mas não convence. Quem é fã esperava mais, e, a primeira vista, o “no final tava todo mundo morto” parece ser o jeito mais facil de se encerrar o ciclo. Um final simples para uma série complexa demais.

Que diabos a Penny estava fazendo na “igreja”? E o Walt, Michael, e todos os outros que não estavam no lugar marcado, não mereceram rendenção?

É complicado, eu não enguli esse final…”

Atualização (26 de maio):

E seguem comentando. O Diego não gostou:

Pra mim ficou claro que eles nao imaginavam tamanho sucesso e alongaram e enrrolaram o maximo que puderam, dai voltaram pra primeira temporada e acabaram tudo.

Na real so teria 3 temporadas, por ai.

Juntaram um bocado de cultura pop, com um pouco de fisica e pronto, foi uma boa serie com um final indecente, melodramatico, meloso e chato.

Nem o Oga:

explicar com “estavam todos mortos”, ou “foi tudo um sonho” ou pior “eram ETs”, é coisa de filme de fiçcão ruim. Achei que o Lost seria diferente…Espero que no box tenham 3 horas de extras pra justificar tanto tempo lost

Regismax adorou:

Lindo! Ficou mais com as teorias de física quantica do que as religiosas. Uma realidade que se resolve, legitimando pra sempre a outra realidade.

Um sem fim de referências, teorias e conceitos…não tente explicar de forma simplista : purgatório ou “todos estavam mortos”.

Um final corajoso, digno de todas as temporadas.

o que aconteceu, aconteceu.

O Eduardo pondera sobre a raiva de quem não gostou do final:

Felizmente curti o desfecho mesmo, mas mesmo que não tivesse gostado, dificilmente algo poderia desabonar a série e tudo que ela representou nessas 6 temporadas. O fato de considerarmos tudo o que aconteceu permite, no meu ver, um final “redentor” (ou novelesco para alguns) como o que vimos.

Para quem definitivamente não gostou do final, seria interessante lembrar de cada comentário engraçado do Hurley, cada expressão misteriosa do Locke, cada chapação do Desmond, cada desenrolar de fatos na ilha (e fora dela) e pensar se um final que tenha desagradado, realmente pode por tudo isso a perder. (meio sentimental esse parágrafo, mas Ok, se J.J. Abrams, Damon Lindelof e Carlton Cuse podem, eu também me dou esse direito, hehe)

O capítulo final inflou ainda mais todo o clima de comoção e (já) nostalgia dos fãs da série. Os insights dos personagens, quando eles se lembravam da “outra vida”, contribuíram muito pra isso, e a cena final foi um primor. Um verdadeiro tributo aos amantes da série.

E no final de tudo, na ilha particular que cada um de nós criou na mente durante esses anos, todos estavam certos e todos errados, porque afinal, o desfecho não atendeu totalmente a teoria do “eles estavam mortos”, apenas criou outro ponto de partida para mais dezenas de teorias, como foi em toda a série.

O comentário do Chico Barney é decisivo: “No final, eles não estavam mais perdidos”. Resumindo, para mim, o ciclo foi muito bem encerrado, mesmo que o “encerrado” seja no melhor estilo Lost.

Felipe é todo dúvidas:

Ainda estou absorvendo todas as informações, mas é inegável que teve sua parcela de decepção… um seriado tão revolucionário, tão foda, teve um final de novela das 8 realmente. Mas acho que para ter uma impressão melhor e mais clara, preciso rever mais umas três vezes.

Agora o que já sei que faltou responder e que me deixou fulo é:

– Afinal qual é a porra do poder/efeito especial/talento/dom/divindade do Walt? Afinal passamos metade de uma temporada ouvindo aquela desgraça do Michael gritando Waaaalllt, Waaaallt… afinal porque aquela peste foi capturada?? Alguém sabe me responder!?

– Outros pontos que eu não gostei… Wildmore era o fodedo durante todo o tempo, e morre assim sem mais nem menos (tudo bem a vida real é assim, mas ali não era vida real)? A participação dele nesta temporada final foi tão boa quanto a do personagem do Santoro…

Enfim, ainda tem muita coisa para observar.

Sergio emenda:

Como muitos achei piegas um pouco a reunião na igreja e acharia muito pior se não estivessem todos mortos, mas fiquei extremamente satisfeito de entender que tudo que aconteceu na ilha aconteceu mesmo. Que todo sacrifício de todos não era fruto de alguma imaginação, sonho ou engodo qualquer…

E o truque de desviar nossa atenção com a realidade paralela, fazendo todo mundo acreditar que de algum modo mais uma vez o destino corrigiria o caminho levando todos de volta pra ilha me parecia mais um inferno do que o céu onde todos encontraram paz no final…

é tudo meio bobo, ingênuo, solução fácil? Pode ser, mas acho que amarrou bem a história e afinal, todo mundo morre mesmo né?! depois de acompanhar tantos anos os personagens, mais triste seria um final seco. Acho que muita gente não aguentaria. Afinal o coração precisa de alento. Precisa acreditar que no fim tudo dá certo. Se não aqui, em algum outro lugar. Pelo menos.

E tão bela a cena final, quando Vincent sai da floresta, vai até Jack, lambe sua cara e deixa ao seu lado. O cão deita em companhia e Jack fica pronto pra morrer. Lindo.

Se não responderam os mistérios… paciência. Nenhuma resposta seria mesmo satisfatória. Let´s move on.

Any não quer conversa:

O seriado foi excelente, mas o “The End” foi sim uma bosta.

Na verdade ele seria bom SE os roteiristas tivessem pensado nesse final nada original (como vocês sabem essa premissa é bem antiga, desde os anos 80) desde o início da série, coisa que eu duvido muito.

Aí foi o seguinte: Os roteiristas se perderam com tanto mistério, que ficou difícil explicar, números em todo lugar, mecânica quântica, viagens temporais, tudo isso seria difícil explicar em tão pouco tempo, os caras aproveitaram a deixa de muita gente que desde o inicio do seriado já havia levantado essa hipótese (que os roteiristas negaram na época, alegando que o seriado era de pura ciência) e usaram o tal final ridículo e nada original (repito).

Ninguém venha dizer que quem não gostou foi porque não entendeu que não é verdade, assim como quase 100% dos fãs esperavam realmente muito mais (e não estou falando em todas as respostas mastigadas não), nada tão fácil como misticismo.

Assim é fácil: Junte um monte de mistérios sem nenhuma ligação aparente e quando muita gente estiver fazendo conjecturas e você não tiver explicação (ninguém teria mesmo), você lança uma resposta Deus Ex Maquina, e quem não gostar é porque não entendeu.

Agora sejam sinceros e digam se esperavam mesmo o suposto final de Caverna do Dragão? Duvido.

George Lucas estava certo.

O Eder não gostou, mas menos:

Acho que me decepcionei com o final “Scooby Doo” porque espera que a razão de tudo fosse lógica e não espiritual. Dá uma sensação de que todo o jogo com o tempo foi em vão, todas as teorias a respeito da física foram nulas, pois a teoria que venceu foi uma das primeiras (quem, já na primeira temporada, não cogitou a possibilidade de que eles estivessem mortos e que a ilha era uma espécie de purgatório? Muita gente pensou isso logo após o primeiro episódio). Acho que tudo isso não pode ser confirmado (o que torna o final menos decipicionante) é fato de que não ficou claro “quando” eles morreram, pois não dá pra afirmar que eles morrem logo na primeira queda, já que a realidade palela (um quase-céu?) só passou a existir após a explosão (todos morreram na explosão? se sim, porque toda essa lenga lenga de homem preto? Se não, como diabos conseguiram sobreviver a uma explosão daquelas?). Essas e tantas outras questões é que fazem valer a pena, que tornam o que Lost é, um fenômeno. O final foi brega,mas foi bonito, uma despedida que não foi muito honesta conosco, mas que tratou com carinho esses personagem que nós, ao longo de 6 anos, aprendemos a gostar como se fossem reais.

Arthur vai além:

A primeira impressão foi o que o final tinha sido digno, apenas digno, com o legado da série.

Mas após umas duas horas de sono na madrugada o episódio não saía da cabeça, era assustador… Preciso ver de novo, mas agora já acho o episódio fantástico, de uma coragem ímpar que será lembrado para sempre depois dessa chuva de críticas prematuras. O caminho que os caras escolheram não podia ser mais condizente com esta 6a temporada. E a escolha sobre o final dividiu os espectadores entre aqueles que compraram ou não a ideia, entre quem é cético e quem tem fé (independente de religião, fé em alguma coisa que não se precisa saber o que)

Se é ciência ou religião, no fundo, pra mim pouco importa. A série sempre foi baseada em mitologia e falsa-ciência. Acho que todos precisamos acreditar em algo que não precisa de interpretação, de fundamentos, de respostas. Lost mesmo e outras obras-pop ensinaram que as respostas não importam tanto, mas sim a interpretação que cada um faz das perguntas.

Chega de sobre-analisar tudo: quem gostou, aproveite; quem não, “let it go”.

Rafael segue cético:

Justamente por ser Lost a série mais imprevisível entre todas que eu assisti, já desconfiava que, qualquer que fosse o final, seria “broxante”. E justamente por isso não me enchi de expectativas, pois sabia que o único jeito de “o fim” me agradar seria, se existisse, um modo de aumentar ainda mais as dúvidas ao invés de tentar respondê-las. Mas enfim, aparte essa “Novela Mexicana”, em que quase todos os parzinhos se encontram, eu achei o final satisfatório. Afinal, não deixar margem para o mistério e para a dúvida, na minha opinião faria o final ter sido bem pior.

Carlos lamenta:

A série representa bem o lado negativo de ser nerd, ficar hipotetizando mil coisas que não correspondem com a realidade, só existem na cabeça da criatura… O tempo q os nerds mais hardcore poderiam ter usado para aprender a se sociabilizar foram pelo cano.

E completa:

Só quero ver um video do Hitler falando a respeito desse final e de quem se prestou a acompanhar a série inteira…

Gabriel se revolta:

Fala sério, quer dizer que tem gente que fica 6 anos acompanhando uma série SÓ PRAVER O FINAL??? E se você se divertiu por 6 anos e não gostou do final, foi tudo uma perda de tempo? Que investimento do seu tempo mais infeliz, hein? Repensem seu entretenimento. Deixem de assistir séries, vejam só filmes, assim quando o final não agradar vocês só perdem umas duas horas. Ou então assistam Além da Imaginação, é meia horinha e acabou. Se não gostarem de um episódio não vão nem rever os personagens.

O Terron ironizou:

Eu achei legal. Eles estavam morando na letra de “Imagine”, do Lennon:

*”Imagine there’s no Heaven / It’s easy if you try / No hell below us”

Apesar de todos os personagens terem “falhas no caráter”, algo que fizeram questão de reforçar o tempo todo, ninguém foi pro inferno no fim.

*”Above us only sky”

A cena final, com o Jack olhando para cima

*”Imagine all the people / Living for today”

No fim, quando o Christian diz que o tempo é irrelevante naquele lugar

*”Imagine there’s no countries / It isn’t hard to do / Nothing to kill or die for / And no religion too / Imagine all the people / Living life in peace”

Essa é fácil: todo mundo, de todos os países (coreia, iraque, eua) e de todas as religiões acaba junto, em paz, no mesmo lugar

*”You may say that I’m a dreamer / But I’m not the only one / I hope someday you’ll join us
And the world will be as one”

Aqui é sobre como todos achavam que poderia ser um sonho do Jack. Mas no final ele não estava sozinho, todos estava lá com eles. E o mundo deles só foi criado, como explicou o Christian, quando todos chegaram

*”Imagine no possessions / I wonder if you can / No need for greed or hunger / A brotherhood of man / Imagine all the people / Sharing all the world”

Essa é a apoteose final, quando todos abandonam seus problemas da Terra e partem para a paz espiritual.

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Sim, eu estou zoando.

O Pablo se emocionou:

Confesso que me emocionei uma meia dúzia de vezes. E acho que justamente era esse o intuito da coisa toda. Fazer o público ter contato com seu lado espiritual, ou se confrontar com a pergunta mais sem resposta de todas (mais do que qualquer mistério de Lost): o que acontece depois da morte?

Os criadores de Lost sabem que essa pergunta jamais terá uma solução, então se penduraram nela para criar toda a trama da série. Todo o resto, as referências a ficção-científica, foi tudo perfumaria para nos manter ocupados durante seis anos. Conseguiram, né?

Foi assim – a bomba explodiu e acabou pro Jack (e pra vários outros). O que vemos na sexta temporada é o rito de passagem do herói para “o outro lado”. Na realidade paralela, vemos o que “poderia ter sido” se todos fossem bons, bacanas e honestos. Na ilha, acompanhamos a luta de Jack pela redenção espiritual. Quando ele enfim cumpre sua “missão”, está pronto para partir. Como não existe temporalidade no “outro lado”, todas as pessoas importantes para Jack aparecem juntas na igreja. Mas não quer dizer exatamente que todas morreram juntas quando a bomba explodiu ou coisa parecida. Elas foram morrendo ao longo dos anos, e se juntaram todas ali na “igreja” para juntas pularem para o outro lado.

Os criadores de Lost sabiam que se equilibrassem ciência com fé, seria a combinação perfeita para nos manter ligados. O desfecho inteiramente baseado na fé não pode ser considerado uma enganação, ou simplesmente uma “solução fácil”. Não foi nada fácil nos manter acompanhando esse tempo todo. Eles se arriscaram, e no fim, tiveram sucesso. O público queria que houvesse uma explicação científica ou lógica para as grandes questões da existência humana, mas o fato é que ninguém tem essas respostas – nem os roteiristas de Lost. Todas essas questões não respondidas servem como metáfora para os grandes mistérios que o homem jamais conseguirá resolver na vida terrena.

Mas claro, isso sou só eu falando.

O Jairo não gostou:

Eles não explicaram o sentido da vida ou o segredo do universo mas me deixaram triste. E hoje eu to me sentindo bem mais triste pois o significado do fim que eles apresentaram é em certa medida tremendamente desesperançoso, tem o impacto do abandono, da solidão absoluta.

Não sei se Jack e os outros losties foram para um outro plano espiritual mas não consigo parar de pensar na completa falta de sentido da vida. Escuridão e pó? A morte é apenas uma noite longa? Não há nada lá? Ó Deus, exista!!!

Tiago gostou:

Pra mim, o final foi coisa linda. A parte da igreja é aberta demais – o que é uma delícia e não poderia ser diferente sendo Lost o que é (foi).

Na real, eu acho esse lance de purgatório meio balela. vejo essa realidade paralela como um espaço onde essas pessoas (que viveram intensamente aquilo na ilha) precisavam relembrar do que viveram, para enfim seguir. Só isso.

e, pq tem a realidade paralela? por causa da porra da bomba, ou todo mundo esqueceu disso?

O problema de encaixar aí é: e o pai do Jack vivo?

Ahhhhh, fode minha cabeça, Lost!

Igor não gostou:

Legal a parada espiritual (apesar de que animes japoneses como Akira e Evangelion fizeram finais parecidos e muito melhores) mas eu realmente achava que estávamos construindo algo aqui, não precisava nem explicar friamente, era só mostrar que tudo faz sentido, e isso não aconteceu.

O final de Lost foi como um final de temporada, e acredito que não era isso que esperávamos. Lost acabou e não deixou nem sequer uma base sólida para que criássemos as nossas próprias teorias.

A minha impressão é que Lost foi uma série feita por amadores.

E o Mateus:

Lost tô eu. Acabei de ter um flashback de Twin Peaks, Arquivo X, Matrix e BSG… com um Q de Caverna do Dragão. Isso é bom? Ruim? Let go…

Atualização (27 de maio):

Diz o Luiz Benedito:

Foi um ótimo final de temporada, mas, na minha opinião, ganhou o prêmio Arquivo X de pior final de série.
Pra mim, os redatores/produtores mandaram a real pros fãs, quanto às suas expectativas quanto o final da série, em duas frases:
“Uma pergunta só vai levar a outra pergunta”
“Let it go.”

O Cassiano pondera:

Achei muito bom o final de Lost, mas como muitos fans que assitiram desde o início, não ter as respostas de muitos enigmas me incomodou um pouco. Do que se mostrou, todas peças se encaixam, mas parece q sobraram peças. E é por isso que entendo a raiva de muitos, pois as peças que sobraram são todas relacionadas aos enigmas que os fizeram despertar interesse pela série. Quem não assistiu aquele monte de viral que eles criaram entre a segunda e terceira temporada, dando total foco no que seria o DHARMA, o sentido daqueles números. Enfim, boa parte dos que viraram fans, foi pq achavam q um dia iriam entender todo esse mistério. Volto a repetir que o desfecho de Lost foi épico, mas compreendo a indignação dos que não gostaram.
Fico na espera de um novo seriado: Dharma Initiative… hahah

Diz a Lulu:

Primeiramente, queria agradecer o Alexandre por só agora fazer um post mesmo sobre o final. Como minha internet é lerda, decidi aguardar um sofrido dia e meio para assistir na televisão. E mesmo tentando me segurar, eu entrava no seu blog, mas fui forte o suficiente para só agora depois de assistir, checar os 64 comentarios.

Bem, achei emocionante. Achei muito “fica comigo” quando rolava os beijos mucho lokos. Foi muito fofo.
Achei divertida a cara do Hurley de “fudeu” quando o Jack passou a função pra ele.

Só que fiquei chateada com o finalzinho. De tantas possibilidades, foi logo essa? Concordo com quem escreveu que o “move on” do pai do Jack foi para os fãs. Eles vão precisar…

Mas sério, pelo menos, explicar os poderes do Walt eu já ía agradecer.

Mas no geral, foram fudidas as últimas três temporadas. E aja imaginação e fôlego!

Diz o Dani:

acho que a ilha não segue porque a “redenção”, se é que se pode chamar de redenção, foi só do jack, era dele que se tratava, ele não parecia aceitar o que havia ao seu redor (”you don´t have a son”). eu eu chorei bastante, lírico e simples, sem que ninguém precise explicar muito, porque morte é algo que todos intuímos e é isso aí.

Aí vem o Vinícius com seus dois centavos:

Quem comprou a idéia de que o passado seria mudado errou porque já sabiamos que nada poderia ser feito. A série cansou de falar nisso. A linha do tempo é única e acabou, acabou.

Ainda não entendo bem porque a necessidade contar essa história pós-morte, mas acabou se tornando uma narrativa necessária para amarrar a série.

Ah, fanáticos, – caso apareçam – estou simplificando bem minhas impressões, que fique claro. Não vai dar pra ficar escrevendo horas e horas… infelizmente.

Por fim, vi toda a série, aproveitei toda a experiência que foi possivel – lendo, navegando, ouvindo podcast, comentando em blog – e foi divertido. E o fim foi digno com tudo e de qualidade. Só fico na dúvida se empolgo de rever. Quem sabe mais tarde, com outras idéias e tal.

O Zanan pira fundo:

Senhores, discutir a cor da casca do ovo, sua textura e composição nos impede te chegar ao cerne da questão. E por sua própria natureza, a Série Lost continuará a ser um ovo cuja casca não conseguimos quebrar e ficamos a imaginar o que está dentro contido.

Sendo asim, tudo que quiserem, será. São os inúmeros universos paralelos dentro do universo de cada um. Para saberem mais, digitem Urantia e abram a mente.

A Cristina não gostou:

Como assim, aquele final super novelesco? Como assim essa redenção de todos os personagens. Me poupe! Tanta intensidade de sentimentos pra chegar no final e ficar aquele “beijinho, beijinho, tchau, tchau”? Não gente. Eu sei que deve ter gente aqui que realmente gostou. Mas será que alguns não estão simplesmente só tentando ver o lado bom pra não diminuir a imporância da série? Isso não é necessário. Ela já tem seu lugar ao sol e vai deixar saudades de qualquer jeito. Só acho que todos nós fããs merecíamos um final melhor. Um final a lá Twin Peaks, que não deixou pedra sobre pedra. Era isso que eu esperava e era isso que a gente merecia.

O André vai em outra linha:

Eu ainda não sei se gostei, e ler as opiniões de outras pessoas ajuda a manter minha opinião em aberto. Isso porque não entendi tudo e o que entendi ganha outras interpretações aos olhos dos outros.
Algumas explicações são muito ruins, como o lance da rolha na caverna. A cena final é muito boa, beleza de sacada.
E como bom fã de Arquivo X eu já não esperava muitas respostas, então isso não me incomodou… muito.

Daniel vai longe:

rapaz, foi do caralho! Foi triste, desesperançoso e melancólico prá cacete. E tenho uma teoria!

Sempre achei que LOST era sobre contar histórias. O cara que tava contando aquela história de viagens no tempo, mistérios e sofrimentos era o Jacob. Um cara meio coxinha, cheio de recalques, com pouca consideração pelas pessoas e com uma mania por jogos e por complicar desnecessariamente as coisas. Depois dele foi o Jack, que só contou um pedacinho, o da morte do MIB. Depois foi o Hurley (AAÊE!). Hurley era o “dono da história” agora (com uma ajuda do Ben), e na história dele – um cara que se preocupa com todo mundo e quer todo mundo feliz – não tem daddy issues, as pessoas não morrem tragicamente, os casais ficam juntos, as crianças não estão órfãs e todo mundo está contente – não é o final triste e desesperançoso que vimos. O flashsideways não é uma realidade paralela ou um purgatório / paraíso, o flashsideways é o fim da história contado pelo Hurley!

Pô, o Ben deu a deixa lá! “Não dá prá sair da Ilha!” “Ah, isso era só a maneira do Jacob de fazer as coisas. Claro que dá.” Ou seja, a história é da maneira que você contá-la. O próprio Ben queria reescrever a história: quando ele matou o Widmore ele disse “Ele não salva a filha dele no final”. E não podemos esquecer que no flashsideways o Hurley é o cara MAIS fodão. Rico, poderoso e com a loira.

É isso. LOST foi do caralho. E acompanhar LOST aqui no SUJO também foi foda.

Vennícius responde bem algumas perguntas sem resposta. Tem umas boas:

– O que é a ilha?
R: É um espaço de terra cercado de água por todos os lados.

– Para que apertar o botão?
R: Para deixar o locke doidão.

– O que o vincent comia?
R: Restos mortais.

– Para que servia a Dharma
R: Era uma organização de narcotráfico, que tentou desenvolver uma nova droga luminosa. Seus efeitos são: Flashbacks, Viagens no tempo, e Visões de mortos.

– Qual a importancia do Walt?
R: Nenhuma, tanto que sumiu.

– Por que Jacob viajava livremente para fora da ilha?
R: Porque ele ganhou o passe livre da ilha, jogando com o irmão. Seu jogo, suas regras.

– O que é a luz?
R: O coração da ilha! Ooohh =D

– O que eram os números?
R: A lendária constante do numero pi.

– Quem construiu aquela estátua, e os templos?
R: Pedreiros.

– Como Ben tinha a lista dos passageiros?
R: Google.

– Por que o irmão de jacob virou a fumaça preta?
R: drogas.

– Quem era a mãe de Jacob e MIB?
R: Dercy Gonçalvez.

– Para onde foi o avião que Lapidus pilotou?
R: Caiu no mar, por falta de combustível, 15 minutos após decolar.

– Qual o prato favorito do Desmond?
R: Penny ao molho funghi.

– Como funcionava o sistema para mover a ilha?
R: Aparentemente ao girar a roda, a agua luminosa era canalisada fazendo com que a ilha toda se movesse…. e então… o tempo…. eh… então a agua… e…. é isso.

– Por que Charles queria tanto voltar para a ilha?
R: Depois de ver o que a ex-mulher virou.. até eu iria.

– O que eram as injeções que deram na Claire?
R: Vacina para evitar Influenza (FLU)

– Por que a fumaça matou o Mr Eko?
R: “Ele olhou torto para mim” diz a fumaça em entrevista exclusiva para a NewYorkTimes

O Deivison retoma a discussão:

O episódio final de Lost me fez ficar martelando por horas em quem estaria na minha ante-sala pra “seguir em frente”. Só uma série histórica poderia nos proporcionar isso. Ainda bem que vive isso tudo!

Atualização (28 de maio):

Tiago reclama:

Independente de gostar ou não (eu particularmente não gostei), esse fim nos faz chegar a uma conclusão. Diferente do que os roteiristas afirmavam desde o inicio da serie, que eles já sabiam como a serie, esse final com eles na igreja, realidade paralela, passagem pra outro plano, foi totalmente improvisado.

Como se chega a essa conclusão? Não existe nenhum gancho durante a serie pra esse desfecho, diferente do final da historia ´´original´´. Em across the sea, os produtores deixam explicito a ligação de adão e eva. A cena do jack com o vicent no bambuzal foi filmada a anos, deixando claro que os roteiristas, ja sabiam desse rumo da historia.

Já a realidade paralela só foi inserida da historia na sexta temporada, nao tem ligação com mais nada, nem com a historia da ilha na sexta temporada. Ou seja, é uma historia totalmente paralela. se fosse excluida a serie se fecharia da mesma forma.

Pra mim, isso foi uma tentativa dos roteiristas de desviar a atenção da historia furada que eles tinham na mão, e funcionou, ja que muitos adoraram o final.

Pra aqueles que gostaram, um exercicio mental (não me crucifiquem, isso é um ponto de vista), analisem a serie inteira sem a RP, e vejam como a serie foi furada, dependendo desse retalho improvisado pra se fechar.

E o Cadu disse que:

A história desta última temporada foi exatamente igual a história do livro Ubik, de Philip K. Dick, como o Delfin bem citou. Aliás, K Dick está entre os autores mais referenciados em Lost (seja direta ou indiretamente). E ainda que essas referências sejam legais, principalmente pra quem curte o autor, como eu, bem que o roteiristas de Lost poderiam não ter ficado tão preso as idéias dele, e ousassem uma outra solução pro final da série. Afinal, Lost ficou famosa por ser justamente uma história que inovava nas soluções narrativas, mas no fim, apelou pras mesmas soluções já usada por K. Dick, ao invés de tentar algo próprio.

Outro Cadu acrescentou:

Acho q a ideia dos produtores foi usar a ilha como uma alegoria entre céu e inferno, exatamente como disse jacob: uma rolha. mas ainda assim acho q não era o purgatório. Era uma ilha real. Acho meio impossível negar a relação bíblica da série dadas as milhoes de referencias. Inclusive tem um vídeo no youtube do JJ dizendo que a teoria do purgatório foi a teoria inventada por fãs que ele mais gostava.

Uma coisa que me chamou a atenção foi o ator que interpreta o Jack dizer, no programa do jimmy kimmel, que tudo que se passou fora da ilha pós queda do avião (flashback, foward e sideways) pode ter sido um sonho do Jack uma vez que ele foi o ultimo a aceitar que estava morto. Segundo ele, isso pode ter durado anos ou pode ter durado um nanossegundo. Ou seja todo esse lance do pessoal se abracando na igreja, da cirurgia do Locke, do filho dele, do lance com o pai, de “precisar” voltar para ilha etc aconteceu durante aquele ultimo momento onde ele vê o avião partindo da ilha. Essa cena aliás foi uma metáfora do momento que ele realmente “let go. moved on”. Não houve segundo avião, foi tudo parte do processo de aceitação.

monstro, bomba, urso polar etc podem ter sido nanossegundos da “passagem” de cada um dos outros personagens, já que todos tinham pendências a resolver. Se aceitarmos a teoria do sonho, tudo é possível.

O único sobrevivente do acidente foi o cachorro que, ao contrario dos humanos, sabia o que tinha que ser feito: mostrou amor ao próximo ate o ultimo momento. Este foi o karma que os outros personagens tiveram que entender e superar. O que importa é o que você faz em vida. E o cão cumpriu sua função.

PS: Um dia depois do season finale assisti dois episódios da primeira temporada (acho q os eps 2 e 3) e já dava para perceber que o Locke, em alguns momentos, já era o Black Smoke até a cena em que o javali aparece. A partir desse momento, sabe-se lá porque, foi visível a mudança do Locke num cara místico pois as pernas dele pararam de funcionar novamente por alguns segundos e ele percebeu que fora tocado de alguma forma pela Ilha, mas nao sabia que era o Black Smoke ainda. Ou seja, o Mib não estava certo de que o Locke era o candidato certo e começou a testar os outros personagens aparecendo como o pai morto do Jack ou o urso polar, por exemplo. Ou seja, já sabiam como a série ia acabar desde o começo.

PS2: como alguém disse no twitter, os produtores optaram por um jogo de espelhos com a audiencia. O desfecho define quem nós somos. Quem é mais racional e cético odiou. Quem acredita em coisas mais místicas achou o final lindo. A controversia foi intencional.

O LucasCM engrossa o coro:

não dava pra não gostar. era lost acabando.
e eu ainda acertei que o jack morre e o hugo assume o jacobismo 🙂

achei o final da realidade-ilha muito bom.
teria feito, mesmo na saida que eles deram, muitas coisas (mortes de jin, sun e sayid) antes, mas acho que ficou de bom tamanho.

o fora da ilha é foda, pq podia ser qualquer coisa. tinham umas 90 teorias na internet que fariam sentido.
e até que não achei mal. eles deram um jeito de fazer a primeira coisa que todo mundo achou que era (o lance de estarem todos mortos) sem que ninguém desconfiasse. palmas para eles.

minha grande critica é que eu gostava mais da série quando seus problemas eram mais simples.
primeiro era losties x ilha (física, não mística)

depois losties x outros
depois ben x widmore
depois jacob x fumacinha
depois ninjas-hippies x fumacinha
que culmina nos clichês fist-fighting e tiro-seguido-de-comentário-sagaz.

mas eu gostava do hatch. gostava dos numeros. da torre da rousseau. dos hieróglifos. da dharma. e isso tudo, no final das contas, nao era nada. ok, quase nada.
e dava pra ter um pano de fundo “grandioso” (fé x ciência, destino x livre arbítrio e por aí vai…) com estes temas.

talvez tivesse gostado mais se o foco do programa caísse mais pra essas coisas.
mas não é pq não foi que não curti.

outra coisa: geral propagandeia como os caras são uber-fodas por terem criado uma “rede de lost”, no torrent, no lostpedia, no twitter, no raio que o parta.
mas não sei até que ponto isso foi intencional e/ou mérito dos caras.
não podemos esquecer que lost era um show da ABC. e um show bem caro, se não me engano foi o piloto mais caro da história.
e desconfio que a ABC tenha perdido uma boa grana com isso tudo. não vi nenhum episódio na TV.
fortaleceu a “marca” lost? sem dúvida. mas e daí? como isso reverteu pra ABC? você comprou uma caneca com a cara do hurley e um suéter escrito “dude, we’re lost”? eu não comprei…

imagina o JJ / CC / DL chegando na emissora e falando: “ó, vamos fazer o maior show da história. o star wars da geração 00. vamos mudar a forma de consumir conteúdo, vamos entrar pro zeitgeist de uma geração. vamos estar no livros das faculdades… mas essa nerdaiada toda vai ver o show via torrents piratões”.
acha que saíam de lá com o go-ahead?

pra terminar, uma das poucas coisas que li sobre o “the end”. não sei se é verídico, mas achei bem legal: http://bit.ly/bK5GOD

Vale ler o link sugerido. Mas, sim, a ABC faturou dinheiro vendendo Lost, veja. E o José Lopes comenta o que o Lucas disse:

os mistérios existiram e vão continuar existindo…Mas eu queria dizer aqui que eu gostei… e cada dia que passa, pensando mais um pouco, gosto ainda mais. O que comporta, dentro do contexto da série, qual é o nome real do MIB? Por que ele tinha se transformado em fumaça? São questões que não importam, creio eu. Cada temporada teve suas ânsias próprias, seus conflitos próprios e o que importa é que, no final, todos ficam juntos.

Me lembrou muito o fim do livro “O Pêndulo de Foucault” do Umberto Eco: os três personagens buscam nas 600 páginas do livro respostas sobre sociedade secretas, entidades do mal, demônios, filho de Jesus, templários e sobre todos os seus mistérios. Dois deles morrem justamente por aqueles que acreditam nesses mistérios. No final, o terceiro personagem que restou, depois de alguns acontecimentos, passa a pensar no filho, na esposa e, contemplando o pôr-do-sol, chega à conclusão que não existem mistérios….não há nada para ser descoberto.

A cena do Jack olhando o avião partir é linda…

E o Felipe Martins conversou com a ironia do Terron:

O Terron ironizou, mas me lembrou de uma música do beatles para explicar, explicar não, mas sim contextualizar, a realidade alternativa/limbo/ceú/sala de espera que acompanhou a em paralelo a história da ilha:

In my life

There are places I remember all my life,
Though some have changed,
Some forever, not for better,
Some have gone and some remain.

All these places had their moments
With lovers and friends I still can recall.
Some are dead and some are living.
In my life I’ve loved them all

Though I know I’ll never lose affection
For people and things that went before,
I know I’ll often stop and think about them,
In my life I’ll love you more.

Though I know I’ll never lose affection
For people and things that went before,
I know I’ll often stop and think about them,

Ainda preciso assistir mais uma vez para cair a ficha do que aconteceu. Mas eu achei muito bom o episódio, ainda não sei se achei bom o final da série, mas o episódio foi fodástico!

Bufo, ouvinte número 2 do Comentando Lost, segue:

A ilha é real (assim como tudo que aconteceu com os personagens), mas também é um purgatório como o flashsideways (vide os sussurros). A diferença é que são estágios diferentes, a ilha é a porta de entrada e o flashsideways a saída. Ou um é o purgatório-inferno e outro purgatório-paraíso. No último, os mortos não sabem que estão mortos, os problemas que tiveram em vida continuam, mas de forma mais amena já que cada um tem algo que alivia (Jack tem o filho, Kate a convicção de inocência, Locke tem Helen, etc), alem de terem uns aos outros como ajuda para superar essa etapa e alcançar a iluminação.

Porém na ilha, a situação é diferente: os mortos tem consciência que estão mortos, se lembram de quando eram vivos, sabem que estão presos em um lugar real, assim como podem contatar o mundo real, seja através dos sussuros, seja através de pessoas que são sensíveis a isso como Hurley e o menino de preto. Também é um lugar de sofrimento, onde eles pagam o sofrimento que causaram em vida. Mas ao invés de pagar seus pecados, eles contemplam voltar a viver, manipulando os vivos para que destruam a ilha.

Ao se transformar em monstro de fumaça, o MiB virou a personificação desses mortos, mas é evidente que eles já estavam agindo antes, com a aparição da mãe verdadeira ao menino de preto e revelando os segredos da ilha para ele adulto. Por isso que impedir que ele saísse da ilha era impedir que nosso mundo acabasse como os filmes do George Romero (a sétima temporada “zumbi” que eles tanto faziam piada no podcast).

Fala Vitor:

Eu acho que eles erraram quando filmaram o Flash sideways na esperança de ninguém se ligar do que estava acontecendo, e no final explicar: olha, não é realidade paralela é só o pós vida, algo que já repudiamos na primeira temporada. (cá entre nós, eles criaram esse preconceito na primeira temporada)

Os fans assistiram pensando “pera, não faz sentido, a vinheta do season finale da 5ª ficou branca, alguma coisa mudou… CAR#@*$!! o avião não caiu?!?! Isso é algum tipo de REALIDADE PARALELA!!” Pronto, foi definido assim e assim ficou até o final. Até a fatídica decepção.

E se tivesse terminado com todos morrendo (no mesmo esquema de que um dia todos morrem, o hurley demorando mil anos pra morrer e o jack logo depois nos bambus), e de repente eles despertassem na realidade paralela, com a ajuda do Desmond, vivendo essa realidade paralela no entanto conscientes do que ocorreu na ilha. E no lugar de terminar com a reunião na igreja terminasse numa, sei lá, “festa de fim de ano” HAUHAUAHUA…

Pensa que legal que seria, estariamos discutindo que no fim das contas eles conseguiram sair da ilha, da maneira MAIS LEGAL EVER, levando a memória pra outra realidade. Aliando a fé de querer sair da ilha com a física absurdista dos livros do Hawking. (esse final teria me feito reassistir a série religiosamente)

Eu não estou dizendo que não gostei do fechamento, eu gostei, mas foi fraco. Foi o que meus professores chamam de A PRIMEIRA IDÉIA.

O Jairo ainda abre outra dúvida:

Eu ainda não vi novamente o episódio final mas me lembro que tinha um esqueleto na caverna da rolha, não tinha? De quem seria? Significa que outros tentaram destampar a parada e falharam? Mais uma pergunta para LOST.

E você, achou o quê?

E, em tempo, como eu disse no domingo, essa semana é quase de recesso aqui no Trabalho Sujo. Rolam atualizações sim, mas beeem devagar. E esse post (com a discussão sobre o fim da série) segue sendo o mais recente, todo dia.

Atualização final deste post (28 de maio):

Stop.

“De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro”.

O Encontro Marcado, de Fernando Sabino.

* Gabriel citou este trecho em seu blog.