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Paranoia

Orwell de olho…

A cena acima passa rapidamente no ótimo documentário Orwell: 2+2=5, de Raoul Peck, autor do brilhante Eu Não Sou Seu Negro, sobre James Baldwin (2016), e da arrasadora série Exterminate All Brutes, sobre colonização e genocídio (2021). Ao contar a história sobre como George Orwell criou seu 1984, ele acaba se aprofundando nos regimes autoritários do século passado ao mesmo tempo em que estes funcionam como aprendizado para regimes da mesma natureza que surgiram décadas depois. E quando disseca os lemas do Ministério da Verdade do romance, se aprofunda em como estes lemas evoluíram nos últimos anos: em Liberdade é Escravidão ele aponta para o neoliberalismo das últimas décadas, em Guerra é Paz fala sobre a máquina bélica onipresente em nossos dias e em Ignorância é Força mistura tanto desinformação quanto monopólios de comunicação modernos. É quando surge, entre outras, a singela imagem do grupo empresarial que bem conhecemos. Filmaço, mas prepare o estômago pra ir, porque apesar de falar sobre um livro de 1948 à luz de 2025, ele bate ainda mais pesado a partir das revelações estarrecedoras deste início de 2026.

Eis “White Feather Hawk Tail Deer Hunter”, nova amostra do próximo disco de Lana Del Rey, que foi adiado algumas vezes e até onde sabemos se chamará Stove. Mas o que antes foi anunciado como um disco country parece estar tomando rumos inesperados, especificamente a partir da nova faixa, lançada nesta terça, em que ela aparece entre um conto de fadas e um filme de terror, rimando letras que fazem mais referência ao seu próprio imaginário autoral do que ao cânone da cultura caipira dos EUA. Ela difere completamente das duas músicas anteriores que havia lançado no ano passado – as belas “Henry, Come On” e “Bluebird” – e aponta mais dúvidas do que certezas em relação ao seu próximo álbum, o que é bom, principalmente quando falamos de Lana. Sua natureza rebelde e inconstante é parte de sua aura musical e com o novo single ela dá um cavalo de pau mental em seus fãs parecido com o que deu há dois quando lançou os sete minutos de “A&W” um mês antes do ótimo Did You Know That There’s a Tunnel Under Ocean Blvd. Talvez Stove (se é que realmente manterá esse título, apesar da palavra ser citada na letra da nova música) seja algo completamente diferente do que a expectativa do novo álbum parecia prever. O que, reforço, é sempre uma boa notícia.

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O trio irlandês Kneecap, dos grupos mais importantes do pop atual principalmente por não afastar-se de questões políticas tidas como “delicadas” pela mídia tradicional, está em contagem regressiva para o lançamento e seu próximo álbum, Fenian (programado para o dia 24 de abril), e contou com a benção de ninguém menos que Banksy no lançamento de seu single mais recente, “No Comment”. O enigmático e provocador grafiteiro inglês cedeu ao grupo o uso da imagem “London High Court”, que apareceu em setembro do ano passado no muro da Corte Real de Justiça inglesa e trazia um juiz levantando um martelo para agredir um manifestante. O pixo foi apagado em pouco tempo, mas agora foi eternizado quando o grupo pode usá-lo em seu single. “Você não consegue lavar um genocídio”, esbravejou o trio no lançamento do single, “sua cumplicidade sempre permanecerá.”

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Betty Blue em 4k!

Clássico cult dos anos 80, Betty Blue volta aos cinemas em seu aniversário de 40 anos. A distribuidora Pandora avisa que a versão restaurada em 4K do filme de 1986 de Jean-Jacques Beineix estrelado pela deslumbrante Béatrice Dalle estará em salas de cinema no Brasil a partir de abril.

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Clássico do Cinema Novo paulista que completou 60 anos no ano passado, São Paulo Sociedade Anônima, de Luiz Sergio Person, volta às telas de cinema em versão 4K a partir do dia 26 de fevereiro. Com Walmor Chagas, Darlene Glória, Ana Esmeralda e Eva Wilma no elenco, é um dos melhores filmes sobre a maior cidade do Brasil.

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Um clássico da nouvelle vague, um Cronenberg, um Antonioni e um Bergman: eis as escolhas de Charli XCX no armário da Criterion. Mas ela escolheu filmes bem fora da curva e deu uma das melhores definições sobre o cinema de David Cronenberg, quando explica que saiu do filme escolhido “confusa, por não saber o que eu achava sobre o filme” e que acha que descobriu “um novo sentimento depois de assisti-lo” – e isso vale pra praticamente todos os filmes do mestre canadense.

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“Nessa mesma casa de shows, Prince começou sua Revolution, agora é a nossa vez”, disse o guitarrista Tom Morello na sexta–feira passada, ao começar seu show dentro do festival Defend Minnesota ,que foi realizado no First Avenue, em Mineápolis, nos EUA, quando anunciou que iria cantar um velho hino de guerra, pedindo para o público cantar junto antes de cair no maior hit de sua antiga banda, o Rage Against the Machine. Que momento!

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Bruce Springsteen vem se tornando uma das principais vozes da classe artística estadunidense contra o regime que Donald Trump baixou em seu país, chegando ao cúmulo de ter sua milícia particular assassinando pessoas inocentes, especialmente na cidade de Mineápolis, que tornou-se o epicentro dessa nova tragédia nos EUA. E depois de esbravejar em shows e entrevistas, ele resolveu eternizar essa era de trevas em seu país em uma canção. “Streets Of Minneapolis” em que retoma o tom das canções de protesto à Bob Dylan para descrever o estado decrépito que seu país afunda em violência, mencionando por nome, tanto as vítimas fatais do governo norte-americano (Alex Pretti e Renee Good) quanto os patifes que orquestraram essa desordem, os palhaços de extrema-direita Stephen Miller (vice-chefe do gabinete de políticas públicas da Casa Branca), Kristi Noem (secretária de segurança interna) e, claro, o agente laranja que escangalha de vez os EUA, chamado por Bruce na música de “Rei Trump”. A capa do single não deixa meios-termos ao mostrar um protesto dos cidadãos daquela cidade contra a polícia particular de Trump.

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26 de fevereiro: eis a data de lançamento de The Moment no Brasil. O pseudodocumentário sobre o fenômeno Brat conduzido por Charli XCX entre 2024 e 2025 e dirigido por Aidan Zamiri, acaba de estrear no festival de Sundance e, às vésperas do lançamento da trilha sonora produzida por seu compadre A.G. Cook, anuncia a data de lançamento do filme em diversas praças no clipe da música “Residue”, estrelado pela própria Charli e por outra atriz do filme, Kylie Jenner. Boa notícia!

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A semana começa com Mr. Bungle no Cine Joia, mas o mais legal é saber que Mike Patton e companhia chamaram os brasileiros do Test pra abrir o show desta segunda. Foda demais!