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Paranoia

Neste domingo, Isabella Rosselini apresentou a exibição da restauração em 4K do clássico de David Lynch Coração Selvagem, que foi exibido ao ar livre na Piazza Maggiore, em Bolonha, na Itália. Olha essas imagens abaixo (que a própria Isabella republicou em seu Instagram): Continue

Mais um golaço da Balaclava: Godspeed You! Black Emperor apresenta-se em São Paulo em data única na Áudio, no dia 23 de novembro. Papas canadenses do pós-rock, são autores de duas obras-primas do gênero (os discos F#A#∞ e Lift Your Skinny Fists Like Antennas To Heaven, lançados na virada dos anos 90 para os anos 2000), e tocam pela primeira vez no Brasil toda sua carreira. Os ingressos já estão à venda.

Adiando uma possível volta desde 2020, o Faith No More parecia não ter futuro de volta aos palcos até que, na tarde desta terça, publicou seu logotipo em sua conta no Instagram sobre uma foto de uma multidão e o número 2027. E o feito é da produtora brasileira 30e, que fechou um acordo com o grupo liderado por Mike Patton semelhante ao que fez com o System of a Down no ano passado. Ou seja: a culpa da turnê de volta do FNM em 2027 é do Brasil!

Quando Mark E. Smith nos deixou, em 2018, ele estava gravando um novo disco do Fall, que será lançado ainda esse ano. Post Script, ainda sem data de lançamento marcada, contará com 10 faixas inéditas do lendário grupo pós-punk encarnado na persona de Mark e a primeira faixa, “30 Degrees”, foi lançada nesta sexta-feira e é um calhamaço lento cheio de synths, bem diferente do que se espera de uma música do grupo.

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A Rede Social 2

Agora é a vez do ex-Succession Jeremy Strong encarnar Mark Zuckerberg na continuação do filme A Rede Social (2010). Idealizado pelo roteirista Aaron Sorkin, um dos principais roteiristas de Hollywood nos últimos anos, The Social Reckoning (que no Brasil se chamará O Outro Lado das Redes) teria a direção de David Fincher, que fez o primeiro filme, mas terminou nas mãos do próprio Sorkin, que decidiu contar ele mesmo a continuação da história do Facebook depois que eternizou a criação do site há mais de quinze anos com Jesse Eisenberg como seu criador. Desta vez, o filme foca no vazamento de informações sobre a empresa de Zuckerberg em 2021 no caso que ficou conhecido como Facebook Files, a partir da denúncia levantada pelo Wall Street Journal, e além de Strong (que parece estar ótimo como um Zuck bem psicopata), ainda conta com Mikey Madison (de Anika), Jeremy Allen White (da série The Bear) e o comediante Bill Burr no elenco. O filme está programado para estrear em outubro.

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Sem tempo a perder

Galo invocou o nosferatu tropicalista para tomar conta da primeira noite de sua temporada Um Bis no Abismo no Centro da Terra e fez todos mergulhar na poesia inquieta de Torquato Neto, mostrando como, mesmo com uma vida e obra encurtadas pela morte precoce, sua importância e influência segue tanto intacta quanto presente – e o vocalista da Trupe Chá de Boldo editou uma bela compilação dos melhores momentos do poeta e jornalista piauiense, puxando tanto parcerias quanto homenagens. Ladeado por dois guitarristas – o velho cúmplice de Trupe Gustavo Cabelo, maestro desta apresentação, e o novo camarada Vitor Wutzki -, Galo abriu com quatro hits do poeta e parcerias com sumidades do nosso cancioneiro: “Let’s Play That” com Jards Macalé, “Mamãe Coragem” e “Deus Vos Salve Esta Casa Santa” com Caetano Veloso e a cortante “Pra Dizer Adeus” com Edu Lobo. Depois chamou Soledad para o palco, enviesando a apresentação para Gal Costa, quando primeiro dividiram “Três da Madrugada” (parceria com Carlos Pinto), depois a cantora cearense leu o trecho da coluna Geleia Geral em que Torquato incensava o show Fatal, para fechar cantando “Viver é Fatal”, música que Galo compôs no dia em que soube da morte de Gal, o 9 de novembro que também é aniversário do piauiense. Depois visitou a música que Sergio Sampaio celebra Torquato (“Que Loucura”) e dois poemas musicados por Gilberto Gil (“Marginália II” e “Todo dia é dia D”), quando recebeu o segundo convidado da noite, o cantor Zé Ed, que recitou a coluna “Pessoal Intransferível” e depois chamou Soledad mais uma vez para dividir a parceria do poeta com Geraldo Azevedo, “O Nome do Mistério”. E depois de fazer o público cantar a homenagem póstuma que Caetano fez ao amigo (na imortal “Cajuína”), vestiu a capa de vampiro brasileiro (“pf”, cuspiria Bento Carneiro) de Torquato, para terminar a noite musicando o poema “Cogito”: Eu sou como eu sou, vidente/ E vivo tranqüilamente/ Todas as horas do fim”. Um começo de temporada sem firulas e sem bis, pois não temos tempo a perder.

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A morte precoce de Marjane Satrapi nesta quinta-feira (que, pesado demais constatar isto, morreu de tristeza) vai acelerar sua canonização no panteão dos quadrinhos, mas sua importância ainda há de ser medida. Mais do que autora de um Maus persa que viveu em primeira mão (seu Persépolis é autobiográfico, ao contrário do clássico de Art Spiegelman, uma história contada a partir de um relato alheio), ela é uma personagem importantíssima no movimento feminista deste século, não só como agente e autora, mas como inspiração e força contínua. Mas prefiro indicar o obituário feito pelo Érico Assis em sua newsletter obrigatória Virapágina, um dos melhores veículos sobre quadrinhos atualmente. Deixo um trecho a seguir:

“Marjane Satrapi, há quinze anos: ‘A primeira coisa a se lembrar é que não é uma graphic novel. É um gibi. O povo tem medo de dizer essa palavra, gibi. Porque aí vem aquela imagem do homem adulto espinhento, de rabo de cavalo e uma pança. Se você fala graphic novel, essa imagem vai embora. Só que não: é tudo gibi.’

Há 27 anos, Satrapi não se chamava Satrapi. Era uma ilustradora iraniana em Paris tentando a carreira no mercado de livros infantis, que dividia o Atelier des Vosges com vários autores de quadrinhos. Passava horas contando aos colegas – David B., Émile Bravo, Christophe Blain – da sua vida no Irã, dos perrengues que tinha passado na Áustria, de como chegou a Paris. Eles disseram que ela tinha que transformar aquilo em quadrinhos e deixaram Maus na mão da moça.

‘Passei por uma mega depressão. Aí, sabe o que aconteceu? Eu estava muito deprimida e, quando eu fico deprimida, eu não respiro. O ar não entra. Aí teve uma noite em que eu estava sozinha e minha respiração ia parar. Liguei pra emergência e disse: ‘Eu não consigo respirar.’ Aí vieram, me enrolaram no alumínio como se eu fosse um frango assado, me botaram um cobertor, me colocaram na maca e começaram a me descer pela escada, que era em espiral. Acabou que eu caí, desabei escada abaixo e cortei a cabeça. Tiveram que dar quatro pontos! Aí minha depressão acabou. Foi tanta dor que minha respiração voltou e ali eu decidi: Vou ter que fazer alguma coisa. Aí escrevi Persépolis.’

É muita pulsão de vida, abalada fatalmente pelo fim de um relacionamento, quando seu companheiro, como a própria família disse no comunicado sobre sua passagem: “morreu de tristeza pouco mais de um ano após o falecimento de Mattias Ripa, seu marido e amor de sua vida.” Confira a íntegra do texto do Érico aqui.

No fim do ano passado, Henry Rollins mencionou que estava trabalhando com Ian McKaye e começaram as especulações que dois dos maiores nomes da cultura faça-você-mesmo do punk dos Estados Unidos estavam compondo ou gravando disco. Mas o vocalista do Black Flag e da Rollins Band e o cérebro por trás do Minor Threat e do Fugazi logo desmentiram que pudessem estar fazendo algo autoral e agora a verdade vem à tona: os dois estão começando a chafurdar no extenso arquivo dos Cramps, reativando a seminal gravadora do próprio grupo, a Vengeance Records, para mostrar joias enterradas no passado da banda que finalmente verão a luz do dia. Uma das bandas mais transgressoras da história da música gravada, o grupo liderado pelo casal Lux Interior e Poison Ivy é o monstro que o rock’n’roll deveria ter sido caso não fosse cooptado pela indústria fonográfica. Embora sejam mais reconhecidos por fundar o gênero chamado psychobilly, os Cramps eram viciados em música pop que gostavam de se enfiar até o pescoço no pântano do rock sujo, causando comoções por onde passavam. O primeiro lançamento desta nova fase vem dos estúdios da gravadora Ardent, quando o líder do Big Star resolveu, ainda em 1977, produzir o primeiro disco da banda, que só seria lançado em 1980 com o título de Songs the Lord Taught Us, E na primeira sessão que fizeram no clássico estúdio de Memphis, Chilton pediu pra banda gravar várias músicas para depois escolher as que lançariam como compactos antes do lançamento do disco. E, como Rollins detalha no texto de apresentação do disco (leia abaixo), eles fizeram essas gravações que não foram lançadas à época e quase viram a luz do dia no final dos anos 80, quando Lux e Poison voltaram àquelas gravações e fizeram novos mixes para a seleção de música, que seriam lançadas como um disco voltado para os fãs chamado de Gravest Gravy. Mas, por algum motivo, o projeto foi engavetado e só agora volta a surgir para o público, quando Rollins e MacKaye começam a mostrar o que conseguiram levantar nos arquivos da banda a partir deste primeiro registro dos Cramps em estúdio, que chega ao público dia 21 de agosto e já está em pré-venda. Ouça abaixo o primeiro single deste novo álbum, “TV Set”, bem como um texto de Rollns sobre a descoberta deste disco perdido e o nome das faixass: Continue

Acontecimento – título da temporada que o trio formado no Rio de Janeiro Crizin da Z.O. apresentou às segundas-feiras deste maio no Centro da Terra – também é uma boa forma de descrever a última noite dessa safra de apresentações ao vivo. Cris Onofre, Danilo Machado e Marcelo Fiedler acresceram à sua formação um segundo percussionista (Gênesis Chagas, baterista da banda carioca Cidade Partida) para receber Juçara Marçal, que ativou sua faceta Delta Estácio Blues, com aparelhos eletrônicos e afeita aos beats pesados e ao tambozão funk que movimenta a parede de ruído erguida pela banda. Foi demais vê-la entrando na zona oeste do Rio de Janeiro do som da banda, ela mesma nascida em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e deixando aflorar todo groove contagiante do funk com o peso e a distorção elétrica dos efeitos à disposição, ao mesmo tempo que fazia o grupo entrar no modo distopia que filtra seu segundo álbum, fundindo sonoridades e temáticas no mesmo clima apocalíptico, que ainda colocou os anfitriões da temporada para enveredar por “Sem Cais”, que Juçara compôs com Kiko Dinucci e Negro Léo, numa versão inacreditável. Chave de ouro.

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Quem deu o segundo passo de um novo disco nesta sexta-feira foi Olivia Rodrigo, que revelou sua “The Cure” como novo degrau – para baixo – de seu vindouro terceiro disco, You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love. E depois de filmar “Drop Dead” no Palácio de Versailles como uma princesa Disney – símbolo do pop perfeito -, ela começa a descida rumo à tristeza enunciada em seu título em uma ode folk emoldurada em um hospital dos anos 50 nos Estados Unidos, em que, fantasiada de enfermeira de publicidade, vai mostrando suas vísceras como um personagem de desenho animado num filme de terror. Ao batizar a faixa com o nome da banda de seu ídolo e agora camarada Robert Smith, ela sintoniza a melancolia agridoce do papa do gótico pop ao mesmo tempo em que acena para a geração seguinte à do Cure, imediatamente influenciada por eles, a quem ela vem tateando contato, do rock alternativo dos anos 90, soando como uma balada acústica de bandas tão diferentes quanto Smashing Pumpkins, Hole, Weezer e Foo Fighters. Resta saber se este será o disco em que ela, de uma vez, abraçará o rock, tornando-se um improvável ícone para o gênero. Mas ao final do clipe, ela revela que o hospital vintage que é o cenário do clipe é (como era o palácio do clipe anterior) uma ilusão, pisada por ela mesma ao mostrar-se sem fantasias numa casa encaixotada, como se tivesse acabado de chegar de uma mudança. Vamos ver o que ela nos mostrará a seguir…

Assista abaixo: Continue