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Paranoia

Outro disco aniversariante está prestes a receber o tratamento de luxo ao ser relançado como uma caixa com novo tratamento sonoro. Drukqs, primeiro disco que o produtor Aphex Twin lançou depois de um hiato de cinco anos, após ter lançado seu disco Richard D. James em 1996. Como a maioria de seus discos, Drukqs, lançado em outubro de 2001 (um mês após o traumático 11 de setembro), pegou a todos desprevenidos, principalmente por ter demorado tanto tempo para sair. E entre os diferentes novos clássicos da música eletrônica de vanguarda lançados naquele álbum, estava uma faixa cuja reputação só cresce com o tempo – uma releitura da sonoridade de Erik Satie chamada “Avril 14th” que é uma de suas canções mais reconhecíveis (se você conhece sabe do que estou falando). O disco talvez demorasse mais tempo para sair, não fosse o fato de Richard ter perdido um MP3 player com cerca 180 faixas inéditas num voo e isso tenha o tornado paranoico com a possibilidade de cair na internet, o que não aconteceu. A nova edição do disco sai no dia 30 de outubro (e já está em pré-venda) em diferentes formatos: como uma caixa com quatro discos de vinil, um CD duplo com um encarte com oito páginas ou em cassete duplo. A edição mais cara conta com um pôster e um estêncil com o clássico logo do produtor.

Três meses depois de seu lançamento físico, o poema “The Fly” de Tom Waits que foi parar no lado B de sua intensa colaboração com o Massive Attack (“Boots to the Ground”, primeira música inédita de Waits desde 2011), chega às plataformas de streaming. Poema declamado com a inconfundível voz de Waits, versa sobre a onipresença da mosca em nossas vidas a ponto de fazer nos comparar ambas, a música está disponível inclusive no Spotify, onde o Massive Attack não publicou a parceria com Waits como forma de protesto contra a plataforma. E junto com o lançamento digital da música, veio também um clipe meio lyric-video feito por Casey X. Waits, filho de Tom.

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Mais um gostinho do próximo disco do King Gizzard & the Lizard Wizard, em que o grupo psicodélico mergulha de cabeça na eletrônica de pista de dança. Depois de mostrar a sinistra “Level 5”, agora é a vez de mostrar a faixa-título do próximo disco – e “Alien Metal” soa tão alienígena e pesada – embora não pros lados do gênero heavy metal e sim dos metais pesados da química – quanto seu título faz parecer.

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Antes de lançar seu Music Fashion Film nesta sexta-feira, Charli XCX realizou duas rodadas de sessões de audição para seu novo álbum que fugiram da fórmula convencional do formato, ao transformar o filme em um vídeo-álbum que, ao mesmo tempo dava a possibilidade de seus fãs ouvirem o disco antes do lançamento com imagens registradas por amigos da cantora inglesa e posteriormente montado e dirigido por ela, também trazia uma introdução para o vídeo de cada nova canção, dando um mínimo de contexto para cada uma das 11 faixas. E no mesmo dia em que ela lança o álbum, ela coloca esse mesmo filme que foi exibido apenas em sessões com público contado na íntegra no YouTube. Assista abaixo: Continue

Ao convidar a amiga Clairo para participar de seu quarto álbum, o cantor e compositor norte-americano Ryan Beatty sabia que estava ganhando uma chancela e tanto para seu trabalho – e inevitavelmente poderia contar com a presença dela em algumas apresentações ao vivo. Foi o que aconteceu nesta quinta-feira, quando ela, depois de ter participado do show de pré-lançamento do novo disco da Charli XCX na sexta anterior em Nova York, seguiu como coadjuvante, desta vez no show do amigo, que aconteceu na mesma cidade, no Night Club 101. Ryan chamou a cantora para dividir – e abrir – vocais em suas canções, na faixa-título “Sweet Fortune” e em “Too Many Ways”, duas canções leves e delicadas que ecoam o trabalho da própria Clairo até aqui, mas, ao que parece, destoam completamente do que ela entregará para os seus fãs no ainda misterioso e aguardado quarto disco.

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O programa Tiny Desk da NPR norte-ameriicana se superou mais uma vez, desta vez convocando o Napalm Death, uma das principais bandas de grindcore da história, para fazer uma apresentação em seu pequeno escritório. O resultado foi uma série de oito pedradas absurdas, inclusive o tiro fatal de “You Suffer”, que já entrou para o livro dos recordes como “a menor música do mundo” (pois tem menos de dois segundos) e, por conseguinte, é a menor música da história do próprio Tiny Desk. Mas será que o Tiny Desk brasileiro teria a manha de dar um salto desse? Imagina se chamassem o Test com o Deaf Kids juntos, por exemplo… Sonhar não custa nada.

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Há tempos sem fazer show de seu segundo disco Delta Estácio Blues (o bom e velho DEB para os íntimos), Juçara Marçal voltou ao assunto nesta quarta-feira no Porão da Casa de Francisca, mas não foi só uma mera despedida de álbum, como veríamos no decorrer da noite. Unindo-se mais uma vez com seus comparsas Kiko Dinucci, Marcelo Cabral e Alana Ananias (como sempre todos entre seus instrumentos – respectivamente guitarra, baixo e bateria – e synths posicionados logo a frente de cada um deles, inclusive de Juçara), ela montou o palco de forma circular, todos os músicos olhando entre si e a bateria de Alana de costas para o público e abriu novas frentes para o álbum, não apenas corroendo ainda mais os arranjos originais (Kiko tocando sua guita com arco em várias músicas, por exemplo) como trazendo algumas novidades. A principal delas foi a inclusão de músicas novas – sim, no plural -, consolidando inclusive verbalmente algo que já vinha sendo cogitado há tempos, que seria uma continuação do primeiro disco (naturalmente referido como DEB 2) só que partindo desta formação musical, que foi montada originalmente após a concepção do DEB original, composto e gravado apenas por Juçara e Kiko usando pedaços de música em vez de instrumentistas (a base deste disco é uma imensa colagem sonora, repare). E a primeira inédita que veio a público foi uma pedrada composta em parceria com Sophia Chablau (que estava sorrindo feliz no canto do Porão) chamada “Quando a Guerra Vai Ter Fim”, com riff ecoando “Brianstorm” dos Arctic Monkeys (com uma pitada de Gang of Four), mas que mantém a tensão original do riff embalando o público sem dar trégua, conduzido pelo vocal implacável da dona da noite. Mais tarde ela tocou outra inédita (também parceria com Sophia, embora não tenha mencionado) e deixou todos eletrizados à espera do que já é um dos discos mais esperados do ano – se é que sai em 2026… Afinal ela já canta na música nova: “Não venha me perguntar…”

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O encontro entre a dupla Test e a cantora Paola Ribeiro parecia uma contradição frontal ou um acerto infalível – e felizmente o barulho extremo da dupla de pós-metal sobrepôs-se como uma camada apocalíptica e tensa na canção desconstruída da vocalista que, acompanhada da bandaça que lhe ajudou a erguer Circus, seu ótimo disco de estreia (parte deles velhos conhecidos do Test), materializou a segunda opção como matriz de uma nova sonoridade, ainda em construção, durante essa sexta-feira, no Sesc 14 Bis. Além de João e Barata do Test e de Paola, o palco ainda contava com as presenças dos dois integrantes da Rádio Diáspora (os sopros de Rômulo Alexis e a bateria de Wagner Ramos), os eletrônicos de Podeserdesligado, a guitarra de Kiko Dinucci e o baixo de Marcelo Cabral, todos jogando no modo hard. A big band de noise começou num improviso comum para depois cair na faixa mais recente de Paola (“Furtacor”) que foi emendada com “Eles Voltam”, do Disco Normal, do Test, e inaugurar a primeira dobradinha da noite, quando João e Kiko duelaram suas guitarras em cantos extremos do palco. Outros duetos surgiram no decorrer da noite, contraponto inevitavelmente as baterias de Barata e Ramos e, num dos grandes momentos da noite, o trompete de Rômulo com a voz de Paola, que vieram para a frente do palco e optaram por solarem sem microfones. Depois Paola solou com seu berimbau amplificado e tocado com um arco para retomar as passagens pelos repertórios respectivos, alternando momentos como a turbulenta “Fama/Fome” do Test com a explosão de “A Fenda e o Corte”, de Paola, com a banda testando os limites do ruído como se acelerassem fissões das partículas de som ao vibrá-las e acelerá-las cada vez mais. A apresentação durou menos de uma hora, duração perfeita para o atordoo sonoro e conceitual que conseguiram atravessar, mas funcionou apenas como um reconhecimento mútuo para caminhos que podem explorar se começarem a compor em conjunto. Voltaram um bis cirúrgico, tocando “Faca da Palavra” que estará no próximo disco de KIko Dinucci e que abre o disco que Paola lançou ano passado. Pesado e promissor.

#test #paolaribeiro #sesc14bis #trabalhosujo2026shows 160

Fiona Apple, que não está nas redes sociais, pediu pra uma amiga publicar um vídeo pra dar notícias, dizer que ela tá tentando escrever sobre o momento que estamos vivendo, mas que a “barreira infinita de horrores” sobre a qual quer falar também é a mesma que a impede de ser mais criativa – e avisa que, quando puder, terá novidades vindo aí.

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Eis que Negro Leo reaparece em dose dupla. Primeiro quando o selo inglês Hive Mind anuncia uma coletânea – em um disco duplo! – de sua carreira chamada de White Elephant, que reúne vinte e sete (!) faixas de treze lançamentos diferentes feitos pelo bardo do absurdo (ou “cosmic joker”, como os gringos preferem chamar) entre 2012 e 2024, em parceria com o incansável selo carioca Quintavant. E depois ele acaba de anunciar o lançamento do filme que fez em parceria com outro ás, este das câmeras, Gregorio Gananian (que fez Inaudito, sobre o lendário guitarrista Lanny Gordin). Aquele Que Viu o Abismo, a distopia brasileira que ganhou o prêmio de Melhor Filme na Mostra Olhos Livres da 27ª Mostra de Cinema de Tiradentes, tem sua estreia marcada para o fim deste mês, dia 30 de julho, nos cinemas brasileiros. Veja o cartaz e um teaser do filme abaixo: Continue