
“O diálogo deveria ser apenas mais um som entre outros sonos, apenas algo que sai da boca das pessoas cujos olhos contam a história em termos visuais”, disse o diretor Alfred Hitchcock em uma de suas clássicas entrevistas ao então crítico de cinema François Truffaut. O filme abaixo, que inagura o canal do Vimeo da Criterion, deixa claro como os olhos são uma parte crucial na narrativa dos clássicos do diretor. A edição foi feita pelo mesmo Kogonada que viu Wes Anderson por cima, remixou os pontos de vista de Breaking Bad, achou o equilíbrio dos filmes de Kubrick e viu Tarantino de baixo pra cima. Vale ver todos os vídeos em seus respectivos links.

Vi no Boing Boing.

Eis o vídeo do Portas dos Fundos que o Garotinho não quer que você veja. Ele é autoexplicativo:

E não é qualquer música do Radiohead, e sim “Bodysnatchers”! Aperta o play!
Dica do Felipe (valeu!).

Tantas lembranças neste lugar…

Os Chemical Brothers apresentando Surrender pela primeira ao vivo no mundo… O LCD Soundsystem tocando no primeiro Sónar brasileiro sem ter disco lançado… O show da volta do Echo & the Bunnymen… Dois shows incríveis do R.E.M… Vários shows do Trama Universitário… Pulp em 2012… Cardigans com Gang of Four na mesma noite… Fora que era daquelas casas que permitiam que você visse o palco de onde quer que você estivesse. Uma pena…
Vi no Instagram do Estevam.


O designer curitibano Butcher Billy deu um tom pop art às três principais campanhas à presidência esse ano – sem pegar leve com nenhuma deles. E clama para que o povo espalhe seus cartazes pelas ruas.




Tava falando do livro de Thomas Pynchon que o Paul Thomas Anderson vai adaptar para o cinema e eis que surge o trailer de Inherent Vice, realocando tensões faciais e expressões fechadas para a década da vez.
Muito climão, pouca sustança – essa parece ser a tônica de quase todos os filmes de PTA (costumo brincar que o Paul Anderson que temos que dar atenção é o Paul W.S. Anderson, esse sim bem resolvido). Não que seja um mau diretor, mas ele viaja no próprio ego e erra feio a mão em filmes que contam com atuações espetaculares, deixando a direção bem aquém da interpretações fantásticas vividas por alguns dos grandes atores de nosso tempo. Claro que Inherent Vice vai ser melhor do que todos esses filminhos que tentam requentar o Scorsese de Goodfellas (como Trapaça ou O Lobo de Wall Street, do próprio Scorsese) e certamente encabeçará listas de premiações no ano que vem. Mas não me iludo, mesmo sendo o filme que vai apresentar Pynchon para as massas.

Mesmo que Inherent Vice seja um livro menor de Thomas Pynchon, a idéia de levá-lo para as telas – e, portanto, para um público maior – de Paul Thomas Anderson talvez não pareça ser a burrada que eu havia imaginado.
O filme estréia neste sábado no New York City Festival e o New York Times nos antecipa que talvez o próprio Pynchon, conhecido por ser o maior escritor recluso norte-americano depois de Salinger, esteja presente no filme fazendo uma ponta. O escritor vem aos poucos saindo da casca: primeiro foi uma participação nos Simpsons em 2003 (numa participação sensacional, em que ele, com a cabeça coberta por um saco de pão, vendia fotos com “o famoso autor recluso”) e em 2009 ele mesmo narrou o trailer do livro que Paul Thomas Anderson transformou em filme.
Por isso não é de se estranhar que participe de um filme inspirado numa obra sua – a dúvida fica apenas sobre como acontecerá esta participação. Pynchon é desses autores norte-americanos da segunda metade do século passado que fundem conhecimento enciclopédico com situações bizarras e inusitadas em longos romances que misturam eventos históricos e mundanos, como Don DeLillo, Robert Anton Wilson, David Foster Wallace e Philip K. Dick. Certamente um filme inspirado em qualquer um de seus livros desperte um novo interesse do público em relação à sua obra. E sempre é bom saber que livros como V, O Leilão do Lote 49 O Arco Íris da Gravidade ou Vineland podem ganhar novos leitores.
Mesmo que pra isso seja preciso mais um filme do Paul Thomas Anderson.