


Taylor-Ruth estava na quinta série quando retirou um disco dos Dead Kennedys na biblioteca da escola. Ela gostou e escreveu sobre isso em seu diário da época – e postou o texto em seu tumblr no começo do ano passado.

Se alguém traduzir, é só escrever nos comentários que eu posto aqui.
O DaSoDu traduziu (valeu!), olha só:
Peguei um monte de CDs de música na biblioteca hoje! Alguns tinham palavrões no título, então eu tive que prometer para Sra. Jervis que eu tinha 15 anos. Ainda não tenho, mas acho que essa mentira não conta na biblioteca.
Já ouvi todos eles agora. Notei que em VÁRIOS desses CDs que os cantores não gostam do Homem. Eles até xingam ele! Não sei quem é o Homem. Talvez seja o Bush ou o diretor do vocalista. Mas se os Dead Kennedys não gostam do Homem, eu também não gosto. Também não gosto dos fachistas [sic]. Acho que eles são como uma religião ou culto a qual o Homem pertence.
Acho que, até agora, eu sou mais punk do que qualquer pessoa que eu conheci em toda a minha vida.
* The Man não é o “Big brother” como o próprio DaSoDu cogitou – e sim uma forma de se referir ao Sistema, com “S” maiúsculo.
Vi no Dangerous Minds.

Todos atentos.

Na semana passada, a filha de Alan Moore, Leah, anunciou que seu pai havia terminado de escrever Jerusalem – e que o segundo romance do mestre dos magos da HQ teria um milhão de palavras.

Comparando, a Bíblia tem 200 mil palavras e Guerra e Paz, do Tolstoi, tem pouco mais de meio milhão.
O esforço pesado de Alan Moore é um trabalho que começou há seis anos e explora ainda mais o conceito de seu primeiro livro, A Voz do Fogo, em que ele voltava à pré-história para contar diferentes estágios no tempo do condado onde nasceu e reside, Northamptonshire. Jerusalem vai mais a fundo nessa história ao focar em uma área central da cidade de Northampton. “Meu próximo livro terá alguns milhões de palavras e será apenas sobre esta sala de estar”, riu em uma entrevista que deu em 2011 sobre o livro ao New Statesman.
Na mesma entrevista, ele dizia que escrevia o livro para “provar a inexistência da morte”, enquanto encarna diferentes estilos literários, à maneira como faz na saga A Liga Extraordinária. A diferença é que em Jerusalem não há referências visuais e os devaneios linguísticos incluem um capítulo escrito de forma quase cifrada emulando James Joyce e outro em que evoca uma peça de Samuel Beckett em que o dramaturga fala sobre críquete e igrejas. Há inclusive um capítulo que se passa numa quarta dimensão, o que pode ser a chave não apenas para o livro, mas para toda a obra de Alan Moore:
“Cheguei à conclusão que o universo é um lugar de quatro dimensões em que nada acontece e nada se move. A única coisa que move-se no eixo do tempo é nossa consciência. O passado ainda está aí, o futuro sempre esteve aí. Todos os momentos que já existiram ou ainda existirão fazem parte desse hipermomento gigante no espaço-tempo. (…) Quando você pensa numa viagem padrão em três dimensões – por exemplo, estar em um carro que anda por uma estrada. As casas pelas quais você passa desaparecem atrás de você, mas você não duvida que se você voltasse, as casas continuariam ali. Nossa consciência só se move de uma forma pelo tempo, mas acho que a física nos diz que todos aqueles momentos ainda estão ali – e quando chegamos ao fim de nossas vidas não há para onde a consciência possa ir, exceto voltar ao começo. Vivemos nossas vidas o tempo todo, mais uma vez.”
Não vejo a hora de ler isso!

E por falar em Guillermo del Toro, olha que maravilha esse mashup feito pelo mexicano Turrilandia.


Em uma recente entrevista ao blog SpeakEasy, do Wall Street Journal, o diretor Guillermo Del Toro deu dicas de como será a continuação de seu fantástico Pacific Rim:
“O que já dá pra contar: Zak (Penn, roteirista) e eu nos envolvemos e começamos a ficar trocando idéias entre nós e Travis (Beachman, também roteirista) há um ano e meio. E eu disse para o Zak para continuar tendo idéias até encontrarmos uma que realmente vire o filme do avesso, por assim dizer (…) É difícil imaginar um mundo que não venha de um quadrinho, que tenha sua própria mitologia, por isso tivemos que sacrificar muitos aspectos para conseguir colocar tudo no primeiro filme. Como, por exemplo, o “drift” (a conexão neurológica que precisa ser realizada entre os dois pilotos dos robôs gigantes, os jaegers), que era um conceito interessante. E um portal rasgou o tecido de nosso universo, que ferramentas eles estavam usando? Então chegamos a uma idéia bem interessante. Não quero estragar, mas acho que no final do segundo filme as pessoas vão entender que os dois filmes se sustentam sozinhos. Eles são bem diferentes um do outro, mesmo que, esperamos, tragam o mesmo espetáculo feliz gigantesco. Mas o tom dos dois filmes será bem diferente.”
Na mesma entrevista, Del Toro falou de outro velho projeto seu – levar As Montanhas da Loucura, do mestre do horror pulp H.P. Lovecraft, para a telona:
“Esse é o filme que eu realmente quero fazer algum dia, ele ainda é caro e ainda… Acho que do jeito que os filmes classificados como sendo adequados para maiores de 13 anos têm se tornado mais flexíveis, acho que poderemos deixá-lo com essa classificação, mas eu vou lutar para deixá-lo o mais horripilante que eu consiga mas sem ser tão gráfico. Há basicamente uma ou duas cenas no livro que as pessoas não se lembram que são bem gráficas. Como, por exemplo, a autópsia feita pelos aliens em um ser humano, que é uma cena muito chocante. Mas acho que dá pra achar maneiras de filmá-la. Veremos. É certamente uma possibilidade no futuro. A Legendary estava disposta a bancá-lo a um tempo atrás, por isso sei que eles amam o roteiro. Veremos. Espero que aconteça. Certamente é um dos filmes que eu mais quero fazer.”
E o entrevistador perguntou ao diretor se havia a possibilidade de haver uma conexão entre Pacific Rim e As Montanhas da Loucura – afinal, o vilão do universo de Lovecraft também é um monstro de uma outra dimensão. Del Toro riu e disse que não.

