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Mawaca: As Muitas Vozes da Voz

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Agosto está com as mulheres no Centro da Terra, começando pelo grupo Mawaca, tradicional núcleo de pesquisas de músicas do mundo que destaca seu grupo de cantoras e percussionistas – Angélica Leutwiller, Cris Miguel, Magda Pucci, Rita Braga, Zuzu Leiva e Valéria Zeidan – para uma apresentação sobre vozes femininas espalhadas pelo planeta que cantam sobre vozes femininas durante as terças-feiras do mês. O espetáculo As Muitas Vozes da Voz conta com a presença de diferentes convidados a cada terça-feira, mostrando a pluralidade e a vastidão do canto feminino na história da humanidade sobre pontos de vistas completamente distintos, sempre convergindo para voz e percussão. A primeira terça-feira, dia 7, traz o grupo sozinho, apresentando a temporada, seguido de terças com diferentes convidados: o violeiro João Arruda no dia 14, o rabequeiro Felipe Gomes no dia 21 e a percussionista Silvanny Sivuca no dia 14 (mais informações aqui). Conversei com a Magda Pucci, fundadora do grupo, sobre a temporada que elas pensaram para apresentar neste mês de agosto.

Qual será o show que o Mawaca apresentará no Centro da Terra?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mawaca-qual-sera-o-show-que-o-mawaca-apresentara-no-centro-da-terra

Qual é o conceito desta temporada As Muitas Vozes da Voz?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mawaca-qual-e-o-conceito-desta-temporada-as-muitas-vozes-da-voz

Como será a primeira terça-feira?
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Quem é o convidado da segunda terça-feira da temporada?
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E quem será o convidado da terceira noite?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mawaca-e-quem-sera-o-convidado-da-terceira-noite

Para concluir, fale sobre a convidada da última noite.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mawaca-para-concluir-fale-sobre-a-convidada-da-ultima-noite

Como esse espetáculo se diferencia por ser apresentado em um teatro?
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Há mudança de repertório entre as apresentações?
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A temporada terá algum tipo de continuidade?
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Rakta: O Duplo Ambulante

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Quem é você? Quem é o Rakta? A dupla paulistana formada por Carla Boregas e Paula Rebellato domina as segundas-feiras do Centro da Terra espalhando esta dúvida durante todo o mês de agosto ao apresentarem a temporada O Duplo Ambulante. Inspiradas no mito do doppelgänger – que diz que, em algum lugar, há uma cópia astral sua e que você pode encontrá-la nesta nossa dimensão -, as duas reinventam sua obra e seus shows em quatro datas em que confundem expectativas e embaralham nossos sentidos sobre o que é real e o que não é, o que é palpável e o que não é, misturando conceitos carnais e etéreos numa série de apresentações que funcionarão em conjunto (mais informações aqui). Conversei com as duas sobre para onde essa história de duplo pode nos levar.

Como surgiu a ideia de Duplo Ambulante?
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Como vocês conheceram o conceito de doppelgänger?
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A ideia da temporada é criar um ritual ao redor deste conceito?
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Como esse espetáculo se encaixa nesta fase atual da carreira de vocês?
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Quem são os convidados desta temporada?
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Tocar num teatro muda o tipo de apresentação que vocês vão fazer?
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A outra cara de Lê Almeida

Foto: Karin Santa Rosa (Divulgação)

Foto: Karin Santa Rosa (Divulgação)

Herói do indie carioca, Lê Almeida transmutou sua musicalidade do shoegaze pro kraut ao parir o conjunto Oruã, em que reveza sua barulhenta guitarra com teclados elétricos. O grupo, formado por Lê (guitarra, teclados e vocais), João Luiz (baixo) e Phill Fernandes (bateria), envereda por trincheiras mais experimentais que as que Lê caminhava anteriormente e sai em busca de ouvintes em turnês de carro pelo Brasil, desbravando os interiores do Brasil com uma sonoridade densa e hermética, mas ao mesmo tempo hipnótica e psicodélica. Ele falou em lançar o single de “Malquerências” (que deverá estar no próximo disco do grupo, Romã) no Trabalho Sujo e eu aproveitei pra conversar com ele sobre sua nova banda.

Conte como o Oruã começou.
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Era uma banda instrumental que começou a ganhar letras. Fale sobre esse processo.
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Você está excursionando bastante com a banda. Como está sendo a repercussão?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/le-almeida-2018-voce-esta-excursionando-bastante-com-a-banda-como-esta-sendo-a-repercussao

De onde vem o nome da banda?
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É seu único trabalho atualmente? Você parou seus outros projetos?
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Há previsão de lançamento de discos?
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Vida Fodona #564: É assim que a vida segue

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O fim de um longo inverno…

Malu – “Diamantes na Pista”
João Leão – “Noite Fria”
Arctic Monkeys – “Four Out of Five”
Stela Campos – “Lost”
Ava Rocha – “João Três Filhos”
Edgar – “Plástico”
Djonga + Karol Conká – “Estouro”
Beyoncé + Jay-Z – “Heard About Us”
Melody’s Echo Chamber – “Desert Horse”
Laure Briard – “Cravado”
Bixiga 70 – “Portal”
Washed Out – “Zonked”
Gorillaz + George Benson – “Humility”
Rosie Mankato – “Don’t Be Mad”
Angel Olsen – “Special”
Maurício Pereira – “Outono no Sudeste”

O dia em que BNegão encontrou Dorival Caymmi

Foto: Ândrea Possamai (divulgação)

Foto: Ândrea Possamai (divulgação)

“Uma oração, uma reza” – assim BNegão resume sua homenagem a Dorival Caymmi, projeto que acalanta desde os anos 80 e só começou a tomar coragem de executar este ano, quando estreou o espetáculo no Sesc Pompeia em abril deste ano. O espetáculo Bernardo Santos canta as Canções Praieiras (e Outras Estórias do Mar), que ele realiza ao lado do violonista xará Bernardo Bosisio (que já tocou com Bebel Gilberto, Arthur Verocai, Ed Motta, Zeca Pagodinho e Virgínia Rodrigues) volta aos palcos paulistanos neste sábado, quando ele apresenta a celebração no Sesc Santo Amaro (mais informações aqui). Conversei com o Bernardo sobre este novo espetáculo e ele descolou um clipe exclusivo do primeiro show para o Trabalho Sujo.

Como foi sua aproximação com Dorival Caymmi? Fale sobre sua história com o compositor.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/bnegao-2018-como-foi-sua-aproximacao-com-dorival-caymmi-fale-sobre-sua-historia-com-o-compositor

Como você transformou esta adoração num show? Fale sobre o processo de criação disso.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/bnegao-2018-como-voce-transformou-esta-adoracao-num-show-fale-sobre-o-processo-de-criacao-disso

Como você criou os arranjos em cima dessa ideia?
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Fale sobre a sua relação específica com a Bahia.
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Conte sobre Bernardo Bosisio. Como o conheceu?
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Como foi sua preparação vocal para este show?
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O show foi pensado para fazer as pessoas descobrirem Caymmi?
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Como vê a evolução cena musical brasileira nestes anos?
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Como você tem visto a situação do país neste 2018?
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Everything is Love é tudo isso mesmo

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Beyoncé e Jay-Z lançaram juntos, assinando como The Carters, um dos melhores discos do ano – e é a parte dela que impressiona… “Apeshit” era só um aperitivo.

Kubrick explica 2001

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Famoso por não discutir os temas relacionados aos seus filmes, Kubrick ergueu um monumento à linguagem cifrada quando lançou seu filme mais emblemático, 2001 – Uma Odisseia no Espaço. Até hoje, cinquenta anos depois, discute-se a importância deste filme do ponto de vista de suas cenas enigmáticas, especialmente a sequência final “Júpiter e Além”, que fez os críticos da época saírem da pré-estreia perguntando-se “que porra é essa?”.

O próprio Kubrick, em uma entrevista para a revista Playboy na época do lançamento do filme, disse que “não é uma mensagem que eu quero passar em palavras. 2001 é uma experiência não-verbal; duas horas e dezenove minutos com apenas cerca de quarenta minutos de diálogo no filme. Tentei criar uma experiência visual, uma que ultrapassa classificações verbalizadas e penetra diretamente no subconsciente com um conteúdo filosófico e emocional. Desenvolvendo McLuhan, em 2001 a mensagem é o meio. Eu quis que o filme fosse uma experiência intensamente subjetiva que alcança o espectador num nível interior de consciência, como acontece com a música; “explicar” uma sinfonia de Beethoven seria castrá-la ao erguer uma barreira artificial entre a concepção e a apreciação. Você está livre para especular como quiser sobre o significado filosófico e alegórico do filme – e tal especulação é uma indicação que o filme foi bem sucedido ao pegar o público em um nível profundo – mas eu não quero ditar um mapa para que cada espectador de 2001 se sinta obrigado a segui-lo ou então ele não terá entendido. Acho que se 2001 é bem sucedido, é em atingir um vasto espectro de pessoas que nunca havia pensado sobre o destino da humanidade, seu papel no cosmos e sua relação com formas superiores de vida. Mas mesmo no caso de alguém que é altamente inteligente, algumas ideias encontradas em 2001, se apresentadas como abstrações, não funcionariam e seriam automaticamente forçadas a seguir categorias intelectuais; experimentadas em um contexto emocional e visual em movimento, contudo, eles podem ressoar nas fibras mais profundas de nós.”

Mas eis que, durante as gravações de um documentário japonês sobre o filme de Kubrick de 1980, O Iluminado, o diretor baixa a guarda e conta o que pretendia com as cenas finais de seu clássico filme de 1968. O documentário, liderado pela celebridade de TV japonesa Jun’ichi Yaio, nunca foi realizado, mas as fitas com suas gravações foram leiloadas em 2016 e agora finalmente aparecem na internet. Em um thread do Reddit, em um trecho da entrevista de uma entrevista de Jun’ichi Yaio com Kubrick ao telefone, o diretor explica o final de 2001 de forma sucinta.

“Eu tentei evitar fazer isso desde que o filme saiu. Quando você apenas fala sobre as ideias elas soam tolas, enquanto se você as dramatiza pode fazê-los sentir, mas vou tentar. A ideia é que supostamente ele é levado por entidades de características divinas, criaturas de pura energia e inteligência sem formato. Eles o colocam naquilo que você pode descrever como sendo um zoológico humano para estudá-lo e ele passa o resto da sua vida daquele ponto naquele quarto. Ele não sente o tempo. Parece acontecer da mesma forma que acontece no filme.

Eles escolhem este quarto, que é uma réplica bem imprecisa de arquitetura francesa (deliberadamente feita para ser imprecisa), porque alguém sugeriu que eles tinham alguma ideia de que ele poderia pensar o que era bonito, mas não tinham certeza. Da mesma forma que nós não temos certeza sobre o que fazer nos zoológicos com os animais para tentar dar uma ideia do que achamos que é seu ambiente natural.

De toda forma, quando eles terminam com eles, como acontece com tantos mitos em nossas culturas no mundo, ele é transformado em uma espécie de super ser e mandado de volta para a Terra, transformado e agora na forma de uma espécie de super-homem. Só nos restas imaginar o que pode acontecer quando ele volta. É o padrão de boa parte das mitologias e era isso que estávamos querendo sugerir.”

A íntegra da fita pode ser vista abaixo: