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Alessandra Leão no CCSP

Foto: Helena Cooper

Foto: Helena Cooper

A jovem mestra pernambucana Alessandra Leão mostra sua trilogia Língua, composta pelos EPs Pedra de Sal, Aço e Língua, na íntegra no Centro Cultural São Paulo a partir das 18h neste domingo (mais informações aqui) e aproveita para lançar o clipe de “Prolonga” em primeira mão no Trabalho Sujo.

Vida Fodona #565: Essa é a vibe

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Mantendo a frequência…

Juliana R. – “El Hueco”
Thurston Moore – “See-Through PlayMate”
Ava Rocha – “Continente”
Elliot Smith – “Let’s Get Lost”
Bonifrate – “Rã”
Mutantes – “El Justiciero”
Lô Borges – “Faça Seu Jogo”
Rolling Stones – “Memo From Turner”
Javiera Mena – “Luz De Piedra De Luna”
Glue Trip – “La Edad Del Futuro”
Paul McCartney – “The Back Seat Of My Car”
Pavement – “Grounded”
Cure – “Lullaby”
Sebadoh – “2 Years, 2 Days”
João Leão – “Unwritable”
Lulina – “Argumentos”
Marcelo Cabral – “Ela Riu”
Legião Urbana – “Central do Brasil”

Paulo Carvalho no CCSP

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O cantor e compositor Paulo Carvalho apresenta seu belo Carvão, gravado por Kassin e arranjado por Arthur Verocai, neste sábado no Centro Cultural São Paulo, com direito a quarteto de cordas, a partir das 19h (mais informações aqui)

Os 25 melhores discos brasileiros do início de 2018

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2018 tem sido um ano conturbado – mas não para a música brasileira, como dá para perceber por essa lista dos 25 melhores discos de música popular escolhida pelo júri da Associação Paulista dos Críticos de Arte, da qual faço parte ao lado de Marcelo Costa, Roberta Martinelli, Lucas Breda e José Norberto Flesch. Estes são os discos escolhidos, lançados entre o primeiro dia do ano e o último dia de junho, antecipados no blog do Pedro Antunes, do Estadão.

Almir Sater & Renato Teixeira – AR (Universal Music)
André Abujamra – Omindá (Independente)
Anelis Assumpção – Taurina (Pomm_elo / Scubidu)
Autoramas – Libido (Hearts Bleed Blue)
Ava Rocha – Trança (Circus)
Cólera – Acorde, Acorde, Acorde (EAEO Records)
Cordel do Fogo Encantado – Viagem ao Coração do Sol (Fogo Encantado)
Craca e Dani Nega – O Desmanche (Independente)
Dingo Bells – Todo Mundo Vai Mudar (Dingo Bells / Natura Musical)
Djonga – O Menino Que Queria Ser Deus (CEIA Ent.)
Elza Soares – Deus É Mulher (DeckDisc)
Erasmo Carlos – Amor É Isso (Som Livre)
Gui Amabis – Miopia (Independente)
Iza – Dona de Mim (Warner)
Jonas Sá – Puber (Selo Risco)
Juliano Gauche – Afastamento (EAEO Records)
Kassin – Relax (LAB 344)
Malu Maria – Diamantes na Pista (Independente)
Marcelo Cabral – Motor (YB Music)
Maria Beraldo – Cavala (Selo Risco)
Maurício Pereira – Outono No Sudeste
Rashid – Crise (Foco na Missão)
Romulo Fróes – O Disco das Horas (YB Music)
Silva – Brasileiro (SLAP)
Wado – Precariado (Independente)

Betina contando as distâncias

Foto: Thais Silvestre

Foto: Thais Silvestre

“Seus desatinos têm outros nomes agora e eu aprendi a aceitar que os vícios vêm e vão…”, canta hipnótica a cantora curitibana Betina na primeira faixa a ser revelada de seu segundo disco Hotel Vülcânia, “Coragem”, lançada em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. “Essa música é muito importante para mim, ela é a tradução da minha relação com esse álbum, uma imagem abstrata da passagem do tempo e como ele lentamente muda como percebemos o outro e a própria realidade”, ela me explica por email. “Uma imagem de como as questões antes absolutas passam a ser relativas num piscar de olhos. A coragem está em encarar essas incertezas e abraçar a essência do que somos para seguir adiante. Isso se relaciona diretamente com meu som, minha estética, minhas letras e como quero que me vejam dentro do meu trabalho.”

Ela lançou seu disco de estreia, Carne de Sereia, quase discretamente há quase dois anos, quando teve uma visão. “Hotel Vülcânia começou de um sonho que eu tive com o nome do disco, com a capa e inclusive com um trecho da letra da primeira música, e senti que era hora de recomeçar, dar vida a ideias novas que já vinham borbulhando na minha cabeça desde mesmo antes do lançamento do primeiro disco”, me explica. O disco foi copilotado pelo supercorda Diogo Valentino, que lhe ajudou a conceber o novo disco bem com a receber um considerável time de convidados.

“Começamos eu e Diogo Valentino, meu parceiro, criando as músicas em casa e produzimos algumas guias. Depois fomos gravar no estúdio Canoa há mais ou menos um ano, cinco dias maravilhosos de trocas intensas com a banda”, continua. “Há participações maravilhosas. Chamei Tatá Aeroplano para fazer parte da música que dá nome ao disco, temos também Pedro Bonifrate que participa como músico convidado de algumas faixas. Também chamei Heloiza Abdalla para colocar uma poesia dentro de uma música e Dinho e Benke Ferraz dos Boogarins para uma faixa; Dinho divide a composição e a voz comigo e Benke inseriu colagens.” Além da banda que lhe acompanha, que inclui, além de Diogo, Allen Alencar, Bruno Matuck, Irina Neblina (dos Garotas Suecas) e Luccas Vilella (do grupo E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante). O disco é igualmente pop e misterioso, provocando uma tensão que equilibra-se na doce voz de Betina.

Ela faz uma relação entre seu primeiro disco e o novo, que será lançado em uma semana. “Carne de Sereia veio como uma necessidade de me reconhecer artista, de dar sentido aquilo que produzia, mas de maneira muito inexperiente de minha parte. Num processo lento fui tateando quem eu era e quais ideias eu queria passar até chegar em Hotel Vülcânia. Se pudesse resumir, diria que o primeiro disco foi aprendizado e esse é amadurecimento. Nele me posiciono e dialogo diretamente com a essência do que sou, com maior controle da mensagem que quero passar, seja poética ou sonoramente.”

Ela vê a construção de seu próprio disco como um reflexo da atual fase da cena independente brasileira. “Tenho visto trabalhos de altíssima qualidade sendo lançados, o público crescendo para todos os lados e acho que a base desse cenário é o coletivo, senão na produção de material, no compartilhamento dele para que essas obras perdurem”, explica. “É difícil ser independente, a gente precisa se virar, abraçar o ‘faça você mesmo’. Eu por exemplo, fiz a capa, faço imagens, crio as artes para o merchan, fiz o site. Vou até onde meu braço alcança, mas esse coletivo também se reflete neste álbum. Inúmeras pessoas estão envolvidas nos clipes, nos shows, na divulgação, no planejamento. Sem elas várias coisas que estamos preparando para construir nosso público não existiriam. Ainda existem os mecanismo e algoritmos cruéis das redes que acabam privilegiando quem tem mais dinheiro pra gastar em patrocínios de publicações, por exemplo. Porém, seguimos fazendo música e acreditando em seu poder comunicador e acreditando no coletivo, tanto das casas pequenas, dos festivais e do próprio público para o fortalecimento da cena independente.”

O segundo semestre de 2018 no Centro da Terra

Foto: Nino Andrés

Foto: Nino Andrés

Segura a programação do segundo semestre no Centro da Terra, que o Pedro antecipou no blog dele no Estadão (Rakta e Filipe Catto não conseguiram aparecer pra épica foto do Nino Andres)

Agosto:
Segundas (6, 13, 20 e 27) – Rakta
Terças (7, 14, 21 e 28) – Mawaca

Setembro:
Segundas (3, 10, 17 e 24) – Metá Metá
Terças (4, 11, 18 e 25) – Tássia Reis

Outubro:
Segunda e terça (1 e 2) – Filipe Catto
Segundas (8, 15, 22 e 29) – Universal Mauricio Orchestra
Terças (9, 16, 23 e 30) – Tika e Kika

Novembro:
Segundas (5, 12, 19 e 26) – Larissa Conforto
Terças (6, 13, 20 e 27) – Gui Amabis

Tá demais!

Warpaint, Deerhunter e Mercury Rev no Brasil!

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As bandas norte-americanas Warpaint, Deerhunter e Mercury Rev (este último tocando seu clássico Deserter’s Songs na íntegra) e a brasileira Marrakesh sao as primeiras atrações reveladas de mais uma edição do Balaclava Fest, que acontece no dia 4 de novembro em São Paulo
(mais informações aqui). E ao que parece vem mais coisa boa aí (alguém falou em War on Drugs?)…

Professor Duprat – Maestro da Invenção

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Maior satisfação anunciar meu primeiro projeto como diretor artístico, que concebi ao lado dos novos compadres Arthur Decloedt, Charles Tixier e João Bagdadi. O espetáculo Professor Duprat – Maestro da Invenção, que acontece nos dias 6 e 7 de setembro, no teatro do Sesc Pompeia, começou como a ideia de uma celebração dos 50 anos da Tropicália que fugisse do trivial. Chamei João, do selo RISCO, para me ajudar a estruturar a produção, que por sua vez chamou Arthur (do Música de Selvagem) e Charles (do Charlie e os Marretas) para fazer a direção artística. Originalmente havia pensado na recriação do disco que o maestro Rogério Duprat havia lançado naquele 1968 – A Banda Tropicalista do Duprat -, mas logo ampliamos a homenagem para além da efeméride, contemplando todo o alcance de uma obra ainda desconhecida pela maioria do público, diferente de grande parte das músicas que arranjou.

Duprat, que entrevistei para a falecida revista Bizz no segundo semestre do ano 2000 ao lado do Fernando Rosa, mexeu nas bases de canções que hoje fazem parte do imaginário brasileiro: além das tropicalistas “Domingo no Parque” e “Baby”, grande parte das músicas d’Os Mutantes e de Gilberto Gil no início de suas carreira, “Construção” de @Chico Buarque, todo Ou Não de Walter Franco, “Maria Joana” de Erasmo Carlos, todo o Tropicália ou Panis et Circencis e outras tantas. Também foi pioneiro na música eletrônica no Brasil (estudou com Karlheinz Stockhausen e John Cage e foi colega de classe de Frank Zappa), célebre na música erudita contemporânea brasileira e trabalhou com trilha sonora para o cinema, publicidade e até tradução de livros.

A banda montada para apresentação inclui, além dos diretores musicais no baixo e bateria, André Vac (do Grand Bazaar), Mariá Portugal, Rafael “Chicão” Montorfano e Maria Beraldo (do Quartabê), Filipe Nader (também do Música de Selvagem e Trupe Chá de Boldo) e o mestre Thiago França, e o espetáculo ainda conta com Curumin, Tiê, Luiza Lian, Tim Bernardes, Jonas Sá e Jaloo como intérpretes das músicas imortalizadas com arranjos do maestro, morto em 2006. Mas como um espetáculo não é só música, convidamos Gui Jesus Toledo para fazer o som, Caio Alarcon para operar o monitor, Olivia Munhoz para cuidar da direção cênica e iluminação, Gabriela Cherubini e Flávia Lobo de Felício para ficar com o figurino e Maria Cau Levy para criar a identidade visual e a Francine Ramos para a assessoria de imprensa. Abaixo, o texto que escrevemos para apresentar o espetáculo, orgulhosos que estamos da homenagem que estamos fazendo para este farol de nossa música, que muitos ainda não conhecem (mais informações aqui).

***

Há meio século o Brasil conheceu o trabalho de um compositor erudito e professor acadêmico que revolucionou a música brasileira. O maestro Rogério Duprat é mais conhecido por sua imagem iconoclasta na capa do disco-manifesto Tropicália ou Panis et Circensis, onde, entre os jovens multicoloridos Gil, Caetano, Mutantes, Tom Zé e Gal Costa, aparecia adulto e monocromático segurando um penico como se fosse uma xícara de chá. A representação – referindo-se ao mictório de Duchamp – talvez seja a melhor tradução para a colossal contribuição deste músico não apenas ao movimento tropicalista quanto à música brasileira desde sua aparição.

O espetáculo Professor Duprat – Maestro da Invenção parte desta efeméride para jogar luz na biografia musical do maestro paulista. Influente não apenas no movimento que ajudou a conceituar (a Tropicália), como na história da música brasileira, Duprat é um dos principais compositores eruditos contemporâneos brasileiros, um dos grandes nomes na música para a publicidade do país, compositor de trilhas sonora para filmes como O Anjo da Noite e Marvada Carne, pioneiro na utilização de computadores na música (há mais de 50 anos), tradutor do único livro de John Cage publicado no Brasil, aluno e colega de nomes como Karlheinz Stockhausen, Pierre Boulez, Gilberto Mendes e Frank Zappa. E, claro, arranjador e maestro de obras de diferentes artistas como Mutantes, Caetano Veloso, Gal Costa, Chico Buarque, Gilberto Gil, O Terço, Nara Leão, Walter Franco, Sá, Rodrix e Guarabyra, Frenéticas, Erasmo Carlos, entre muitos outros.

A proposta da apresentação é trazer parte do repertório produzido por Duprat interpretado por artistas atuais que foram diretamente influenciados por seus feitos criativos. Concebido pelo jornalista, curador e crítico musical Alexandre Matias, do site Trabalho Sujo, com direção musical dos produtores Arthur Decloedt e Charles Tixier e produção executiva de João Bagdadi do Selo RISCO, para o palco do Teatro do Sesc Pompeia. O espetáculo costura músicas conhecidas do grande público (como”Domingo no Parque”, “Cabeça”, “Ave Lúcife”, “Construção”, Tuareg”, “2001”, “Irene”, “Não identificado”, “Índia”, “Futurível” e “Baby” entre outras) com arranjos ousados e a influência comercial e erudita de Duprat.

As canções serão apresentadas de forma não-linear e não-cronológica, ecoando diferentes épocas da biografia do maestro através de artistas como Curumin, Tiê, Jaloo, Tim Bernardes, Jonas Sá e Luiza Lian acompanhados por uma banda formada por Charles Tixier (Charlie e os Marretas), Arthur Decloedt (Música de Selvagem), Filipe Nader (Trupe Chá de Boldo), Thiago França (Metá Metá), Maria Beraldo Bastos, Mariá Portugal e Rafael “Chicão” Montorfano (Quartabê) e André Vac (Grand Bazaar).

Ficha técnica

André Vac: guitarra, violão e violino.
Arthur Decloedt: contrabaixo e MPC.
Charles Tixier: bateria, synths e MPC.
Curumin: vocal e bateria
Filipe Nader: sax alto e barítono, clarinete alto e souzafone.
Jaloo: vocal
Jonas Sá: vocal
Luiza Lian: vocal
Maria Beraldo: vocal, clarinete e clarone
Mariá Portugal: vocal, bateria e MPC
Rafael “Chicão” Montorfano: piano, synths e teclados.
Thiago França: sax tenor e flauta.
Tim Bernardes: vocal e guitarra
Tiê: vocal

Equipe:
Direção artística: Alexandre Matias, Arthur Decloedt e Charles Tixier.
Concepção e curadoria: Alexandre Matias
Direção musical: Charles Tixier e Arthur Decloedt.
Produção executiva: João Bagdadi.
Som: Gui Jesus Toledo.
Monitor: Caio Alarcon
Luz: Olivia Munhoz
Figurino: Gabriela Cherubini e Flavia Lobo de Felicio
Identidade visual: Maria Cau Levy
Assessoria de Imprensa: Francine Ramos.

SERVIÇO:
Professor Duprat – Maestro da Invenção
Dias 6 e 7 de setembro. Quinta, às 21h, e sexta, às 18h
Teatro
Ingressos: R$9 (credencial plena/trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes), R$15 (pessoas com +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino) e R$30 (inteira).
Venda online a partir de 28 de agosto, terça-feira, às 12h.
Venda presencial nas unidades do Sesc SP a partir de 29 de agosto, quarta-feira, às 17h30.
Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 12 anos.
Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93.