E o vencedor do concurso de melhor cover organizado pelo Justice é brasileiro!
Guilherme Zakka não só tocou tudo em sua versão para “Helix” como ele mesmo fez todo o vídeo, olha só:
Conversei com ele sobre como aconteceu sua participação:
“Bom, fiquei sabendo do concurso uma semana antes do prazo – que era de um mês – e virei noites sem dormir pra produzir tanto o áudio quanto o vídeo – inclusive a edição. Eu toquei, produzi e mixei tudo de fato, nenhuma backtrack foi usada pra produção do vídeo.”, conta. Ele também fez todo o vídeo, “à exceção de alguns takes feitos pela minha amiga. A filmagem começou quarta à noite e eu fiz o upload do vídeo sexta de madrugada”.
E explica como ficou sabendo da escolha: “Nessa quinta-feira o Justice selecionou nove finalistas, que ganharam um vinil com dedicatória do duo. Ontem eles chamaram os finalistas para uma vídeo-conferência, conversaram um pouco com cada um e depois anunciaram o vencedor. O prêmio é uma viagem pra Sydney, na Austrália, com acompanhante, vôo e hospedagem pagos. E obviamente ingressos para o primeiro show ao vivo deles – leia-se com instrumentos – da história, no dia primeiro de Janeiro”.
Zakka é fã da banda desde o primeiro single – quando a dupla francês transmutou “Never Be Alone” do Simian no hit “We Are Your Friends” -, ele está ansioso em relação ao show que vai assistir ao vivo. “A expectativa é grande porque será a primeira vez que eles tocarão ao vivo, com instrumentos. Será um impacto muito grande ouvir os clássicos do primeiro álbum nessa roupagem. Adicionalmente terei acesso ao backstage, o que só aumenta a expectativa”.
E conta sobre a importância do Justice para sua própria carreira musical: “O primeiro álbum deles me inspirou a fazer música eletrônica com outras influências – disco, rock etc. – e me levou a acreditar que muito pode ser feito ainda nesse gênero. O documentário deles fazendo uma Tour pelos Estados Unidos – A Cross the Universe – me inspirou a largar a profissão de professor de guitarra para tentar uma carreira artística efetivamente”. Ele lança seu primeiro EP ainda no ano que vem.
Para a fazer a versão, além de tocar guitarra, baixo e bateria, também usou vários aplicativo para fazer a versão também usando o iPad como instrumento musical: “O aplicativo que eu mais usei foi o Bebot, um sintetizador bem versátil”. Além do Bebot, ele também usou o iMS 20, o Sunrizer, o iKaossilator, o Thumbjam, o NLog PRO e o o DM1 Drum Machine.
Escrevi sobre a chegada do iTunes no Brasil para o caderno de Economia & Negócios do Estadão, na quinta-feira:
iTunes brasileiro não deve mudar hábitos de consumo
A entrada da Apple no mercado de música digital não foi uma ideia original – ela surgiu, na verdade, de uma lacuna deixada pelas empresas que geriam o mercado fonográfico na virada do milênio e não souberam lidar com a chegada da internet. O iTunes surgiu como loja a partir do tiro que as gravadoras deram no pé ao tratar seus consumidores como vilões. E até hoje o revés sofrido é usado como prova de que é impossível deter o digital.
Recapitulando: em 1999, um universitário americano criou um software gratuito que permitia troca de músicas via internet, sem que elas estivessem em um servidor central. Assim, qualquer um poderia ver as músicas que outra pessoa tinha e baixá-las para seu computador. O programa chamava-se Napster e os executivos das grandes gravadoras entenderam como roubo. Se tivessem um pingo de visão empresarial, talvez pudessem comprar o software – como fizeram depois – para estreitar o contato com um público que, aos poucos, começava a abandonar os CDs.
A Apple fez o que as gravadoras não fizeram: legalizou esse comércio e na metade da década já era vista como uma das marcas mais associadas à música no século 21, sendo que a empresa lucrou muito mais com a venda de tocadores de MP3 – o icônico iPod – do que com a venda de músicas. Assim, pegou os americanos em um momento em que eles começavam a baixar música de graça e os educou para as compras online.
Não é um formato ideal. As músicas são vendidas individualmente, o que faz o preço das músicas de um único disco às vezes ser mais alto que o de um CD, um artefato que teve custos vinculados à fabricação, transporte, estoque e varejo. E, nos últimos dez anos, viu-se a ascensão de serviços que cobram assinatura. Nesse formato, o ouvinte não precisa sequer fazer o download – ouve o que quiser, no aparelho que quiser.
Quase dez anos após ter sido lançado nos EUA, o iTunes chega ao Brasil cobrando, em dólar, preços que conseguem ser maiores que os concorrentes em mídia física. E isso num mercado que não tem tradição de venda de mídia digital, acostumado a baixar música sem pagar. Um cenário mais favorável à entrada dos tais serviços por assinatura.
O iTunes brasileiro terá consumidores, mas serão pessoas que ainda tateiam no meio digital, gente que não se familiarizou com o download de música e que ainda apanha do computador. Não existe a possibilidade de a Apple conseguir educar o brasileiro para comprar música. Esse tempo já passou. Resta torcer para que os modelos por assinatura não levem tanto tempo para chegar por aqui…
Pelo preço de um iPhone 4S de 64GB dá para comprar dois iPads, dois iPhones 4, 15 iPods Shuffle ou um MacBook Air. Mas esse tumblr dá outras sugestões…
E por falar no Dahmer, ele tá com livro novo na praça, prestigiem!
Ficou bem boa essa animação da Apple pra vender os discos dos Beatles pelo iTunes.
Quando a geolocalização em primeira pessoa encontra os jogos de tiro em primeira pessoa, só uma pessoa sobreviverá:
Escrevi sobre a importância de Angry Birds para o mundo digital na capa do Link de hoje. E pra quem acha que Angry Birds é só um joguinho de celular…
Febre aviária
Não é jogo ou passatempo. É uma marca. E caminha para ser uma das maiores do mundo
Aparentemente, é só um passatempo do tipo quebra-cabeças, como Tetris, Bejeweled e dezenas de outros antes dele. Mas os passarinhos irados que destroem plataformas feitas de metal, vidro e madeira habitadas por porcos verdes não só um jogo casual. Angry Birds é um dos fenômenos digitais mais sólidos do século 21 e seu criador, o finlandês Peter Vesterbacka, não mede palavras para torná-lo superlativo. Em entrevista à revista Time, comparou o crescimento do jogo – que existe há dois anos –, ao de Google, Facebook e Twitter.
O fato é que Angry Birds está presente no mesmo recorte que tais gigantes digitais, que são produtores de serviços e não de aparelhos. Como o maior site do mundo e as duas onipresentes redes digitais, o jogo feito para celular roda em qualquer dispositivo e grande parte de seu sucesso é justamente essa onipresença eletrônica. Mas, diferente de seus rivais, o jogo da Rovio não é representado por jovens nerds megalomaníacos em trajes executivos, e sim por personagens carismáticos o suficiente para já ter vida própria.
E ao transformar seu produto numa marca, a Rovio deixa sua franquia solta para seguir o rumo que quiser, mesmo que seja dos outros. “Temos de ficar felizes com o fato de que a marca é hoje a mais copiada na China”, riu Vestebacka em entrevista ao site TechCrunch, ao ser questionado sobre o fato de Angry Birds ser o título mais pirateado na China em 2011. A pergunta não se referia ao jogo, mas à marca – até um parque temático inspirado no jogo foi construído sem autorização da Rovio por lá.
O CEO acredita que a pirataria inspira novas formas de utilização do título e que sempre haverá público para consumir o produto oficialmente. “Queremos ser mais chineses que as empresas chinesas”, arrematou na mesma entrevista.
E é a China – um mundo digital inóspito a marcas ocidentais, que até o Facebook já anunciou não estar entre as prioridades de crescimento – o próximo alvo dos passarinhos raivosos. Vestebacka quer que a marca se torne a mais popular do país mais populoso do mundo.
Só em 2011, o jogo já teve mais de 100 milhões de downloads lá. Some isso a outros tantos 400 milhões de downloads no lado de cá do planeta e ao fato de somente em dezembro deste ano, a empresa ter entrado oficialmente no Japão. O ano de 2012 também é o ano em que vamos saber se Angry Birds se tornará um ícone também no país da Nintendo – uma empresa que, desde que entrou no mundo dos games no meio dos anos 70, sabe da força da marca para ser líder nos negócios. Angry Birds que habitar a mesma camada cognitiva que Super Mario e os Pokémon, Bart Simpson e Mickey Mouse.
Os números mostram que a Rovio não está para brincadeira: além dos 500 milhões de downloads em dois anos, já vendeu mais de 10 milhões de brinquedos oficiais, além de licenciar todo tipo de produto – bonecos, camisetas, mochilas, material escolar, biscoitos e até um livro de receitas para crianças.
Já se cogitou até a transformação do jogo em um filme (com trailer imaginado por fãs no YouTube, é só procurar) e isso foi fechado em parceria com o estúdio Marvel – a mesma marca de quadrinhos que se reinventou como produtora de cinema para sobreviver no século digital. Parceria é uma das palavras mágicas do sucesso do jogo. Uma de suas versões – Angry Birds Rio – foi a versão oficial do filme de animação Rio para videogames. Duas marcas convivendo juntas e ganhando bem com isso. A Rovio até criou uma versão exclusiva para celulares da Nokia, Angry Birds Magic, mas, como o sistema operacional Symbian foi desligado, a saga não decolou.
Angry Birds é o aplicativo gratuito mais baixado para iPad, o aplicativo pago mais baixado para iPhone e iPad – perceba que não é apenas o jogo mais baixado – e na lista dos aplicativos gratuitos para iPhone, só fica atrás do Facebook. No Android Market, é o jogo mais popular – e o oitavo aplicativo mais baixado.
Some a isso o fator de vício do joguinho. Ele já tomou 200 milhões de minutos de seus usuários atirando pássaros aos porcos – o equivalente a 1,2 bilhão de horas por ano de existência do jogo. A Wikipedia levou 100 milhões de horas para ser feita.
No meio do ano, a Rovio atingiu a marca de um milhão de downloads por dia e essas cifras vêm aumentando seu valor no mercado. No fim de novembro, houve o rumor de que a gigante Zynga – marca que símbolo dos jogos sociais – havia ameaçado pagar US$ 2 bilhões pela Rovio, que nem ouviu a proposta. Vesterbacka já havia declarado que o valor da empresa cogitado pela revista Forbes em julho (entre US$ 700 milhões e US$ 1 bilhão) era baixo e que a Rovio valeria entre US$ 20 e 25 bilhões. “Mas não vamos vender, a menos que alguém ofereça o suficiente”, disse a uma revista finlandesa.
Uma declaração rápida de um dos políticos conservadores mais influentes dos EUA (no vídeo acima, a partir de, er, 4:20):
“Two quick thoughts: The WikiLeaks guy should be in jail for the rest of his life. He is an enemy of the United States, actively endangering people, and he’s gonna get a lot of folks killed. And I think that’s a despicable act, and we should treat him as an enemy combatant, and as an absolute enemy of the United States.”
“Second, I’m proud that Secretary Clinton actually cared about national security, actually was trying to gather intelligence. And I wish we had more aggressive leaders in the Obama administration who thought that defending America was their first job, and being liked by foreigners was a far distant second. So I think that she ought to be praised for trying to gather intelligence, not in any way attacked or condemned.
“And no one from WikiLeaks should feel comfortable the rest of their lives. These are bad people doing bad things, and they’re gonna get Americans and our allies killed. And we should recognize that, and recognize that it is in effect an act of war against the United States.”
Via Talking Points Memo.







