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Digital

Essa também saiu na última Simples. Mas é coluna, não é matéria.

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Era uma vez um tempo em que as pessoas não sabiam se informar. A era eletrônica tirou o começo-meio-e-fim das coisas e percebemos que informação é produto. Esteja no Jornal Nacional ou no Orkut, é só o final de um processo. Não nos iludimos tanto porque o alerta de Lenin (“para saber os motivos, procure saber quem se beneficia”) transformou-se em equação de reconhecimento do inconsciente coletivo, que percebe o quanto foi enganado.

Assim, vemos a dissolução do crítico de música. O sujeito que, numa penada, lança uma banda ou destrói as vendas de um disco, está com seus dias contados. Não porque está em vias de extinção, mas porque suas prerrogativas básicas tornaram-se requisito mínimo para qualquer pessoa, graças à internet. Um bom dia dedicado à frente do computador pode lhe transformar num especialista em quase tudo – no caso da música, tudo.

Escolha um artista e passeie pelos AllMusic, Wikipedia, Pitchfork e NME da vida, baixe discos, veja fotos, filmes, e sua fachada está pronta. Foi-se o tempo em que poucos semanários ingleses ditavam a moda. O mundo girava em torno de LA, NY e Londres, porque eram as únicas cidades capazes de exportar notícias locais como produto internacional.África, América Latina, Ásia? David Byrne e Peter Gabriel ainda não tinham inventado a world music.

A internet mudou isso. Hoje qualquer um pode produzir conteúdo sem a necessidade de um intermediário para publicar e distribuir. Todas as músicas do mundo estão à mão de qualquer um. E percebeu-se que o crítico musical é apenas um sujeito com mais tempo para dedicar-se ao estudo, à leitura e à apreciação do que uma pessoa comum. Não é uma divindade encarnada (“a Crítica”), nem um guru ou uma diretriz do bom gosto. É só um cara que pode explorar seu gosto pessoal com o respaldo de um veículo de grande alcance.

Mas isso não significa o fim da crítica, pelo contrário. Como a internet é o veículo de maior alcance da história (sem contar o potencial de alcance, ainda maior), todo mundo é um crítico musical cujo gosto e preferência devem ser respeitados e nutridos. Ninguém melhor do que um especialista em algo que você não faz questão de acompanhar para te dizer o que merece atenção. E estamos todos nos especializando.

Depois eu falo mais disso.

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Hoje começa série de InfoSessions dentro da programação da Red Bull Music Academy. São noites de papos e prática com personalidades da cena musical de cinco capitais brasileiras, que estarão reunidas pra falar de sua relação com a música e como as novas tecnologias interferem em seu trabalho. Depois do papo, as mesmas pessoas se reúnem para compor e produzir uma música na hora. É, na hora. Sem ensaio, sem nada pré-determinado. O barato é ampliar o conceito de jam session para algo prático e rápido – em vez de altas viagens instrumentais, uma canção certeira.

No Rio, os nomes são a dupla Berna e Kassin, a cantora Deize Tigrona, o músico Lucas Santtana, o produtor MPC (do grupo Digitaldubs) e o rapper BNegão. Depois do Rio vem Porto Alegre, Brasília, São Paulo e Recife.

E eu com isso? Bom, eu bolei esse conceito e tou acompanhando esse papo in loco, mediando os papos e assistindo a todas as produções. Voce também pode – é só se inscrever aqui nesse site.

Nos vemos, portanto.

…e me mandou esse link. Vê se não é de chorar mesmo.

Mombojó novo

Já ouviu?

Biscoito fino

Isso é que eu chamo de profissa: um user do blogger chamado fperacoli tá fazendo um senhor trabalho e reunindo parte da produção psicodélica brasileira num mesmo sítio, essa pérola chamada Brazilian Nuggets, com bios e arquvios zipados dos discos inteiros. Tem Manduka, Baobás, Geração Perdida, Brazões, a trilha do Deus e o Diabo na Terra do Sol, Daminhão Experiênça, Liverpool, Ronnie Von, Zé Ramalho… Coisa que nem o Gavin pode relançar em CD porque não tá em acervo de major nenhuma.

Repetindo o link, aqui: http://brnuggets.blogspot.com/

Deus lhe dê em dobro, alma caridosa.

PS – Tomate saiu do limbo da cantina escolar pra passar dois linques nesta mesma vaibe, se liguem no Vinil Velho e no Acesso Raro. Outros dois bons brasileiros, fazendo sua parte. Alguém sabe de mais algum?

Dicas da Bruna

Pletora de shows e DJ sets por aqui (Luke Vibert, Air, Pastels, Coldcut, Optimo, Shadow, Bomb the Bass, Spooky, Red Snapper) e Four Tet ao vivo no site oficial.

2006 em andamento

‘- Cecília reativou o blog;
– Pedro manda notícias sobre seu doc sobre o Rec Beat (com a minha participação especial entrevistando a Nação);
– Maceió começa a respirar o mesmo ar do resto do Brasil (depois eu conto direitinho, mas, por enquanto, dá uma sacada no podcast do Coelho);
– Bruno aos poucos vira vidraça;
– China transforma uma comunidade de Orkut em algo útil;
– O Bonde do Rolê aparece na Rolling Stone;
– Mateus é o garoto da capa do Link;
– Imunização Racional pra download no UOL;
– Arnaldo lança sua candidatura à presidência.
– O Eduf também aderiu ao podcast.

Alguém mais?

O ano tá só no começo.

“Die door!”

Surfar no YouTube, um novo passatempo: saca só.

Mais um defunto no meu obituário pessoal: meu PC Tranqüilo, que me acompanha desde 1998, pediu arrego terça passada. Dedos cruzados pro HD não ter ido pro saco, mas se tiver, paciência. Zerar é sempre bom pra cabeça.

Enquanto seu substituto não sai da parteira, estou freqüentando lan houses, esse antro subcultural de jogos em rede e meninas adolescentes que acessam o MSN em dupla. Como eu me sinto numa bowa por aqui…

Esse Google…

Sabe qual é o primeiro resultado que aparece quando você digita “failure” no Google?