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Pra quem não entendeu…

O mesmo Van Zoggel que fez os selos de Guerra nas Estrelas já tinha imaginado pôsteres de filmes sobre memes da internet, veja abaixo…

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E se, quando morrermos, décadas adiante, a morte nos recepcionar com diferentes planos para continuarmos vivos digitalmente? 2054 é já já!

O autor do vídeo abaixo, Tom Scott, é o mesmo que criou aquelas etiquetas de aviso de consumo para colar em jornais.

4:20

E na minha coluna no Link desta segunda, comentei um artigo escrito na Forbes sobre o futuro do Google e do Facebook.

Como a web 3.0 pode tornar Google e Facebook obsoletos
Futuro Jetsons: Aparelhos conectados vão se adaptar à rotina

Na semana passada, o especialista em tecnologia da revista Forbes, Eric Jackson, fez uma profecia controversa. Dizia que, talvez, em cinco anos, grandes nomes digitais como Google e Facebook podem perder completamente a importância. Parece alarmista, mas a tese de Jackson tem embasamento.

Ele diz que o Google era um típico site da web 1.0, quando o mais importante era a organização da rede. Em sua infância nos anos 90, a web já era composta de milhares de sites – longe dos bilhões atuais – e seu público ainda tateava em suas primeiras navegações. Era preciso que alguém facilitasse o rumo naquele primeiro momento – época em que todo site tinha uma seção de links recomendados, lembra? Foi a partir dessa necessidade que surgiram sites como o Yahoo (um diretório de sites) e a Amazon (que organizava as compras online). O Google foi o principal nome da última fase desta infância e resumia os anseios do cidadão digital oferecendo apenas um campo de busca. “O que você quer saber?”, parecia perguntar.

Veio em seguida a web 2.0, oferecendo ferramentas para as pessoas publicarem o que quisessem online, sem precisar saber nada de códigos ou linguagens de programação. Surgiram os blogs, os sites de hospedagem de vídeos e fotos, podcasts e outros megafones virtuais para ampliar o alcance do conteúdo produzido pelos usuários. E quando todos se perguntavam quem poderia se interessar em assistir a um vídeo feito sem muito cuidado ou ver fotos feitas com celular, surgiram as redes sociais, que responderam à pergunta mostrando que os consumidores dos conteúdos gerados por pessoas comuns eram elas mesmas, em nichos. Foi nesse território que surgiu o segundo maior site da década , o Facebook.

Mas, do mesmo jeito que o Google patina para entrar na camada social dominada pelo Facebook, a rede social também pasta na hora de conseguir se transferir para a internet móvel. Todo aplicativo do site feito para funcionar em dispositivos portáteis ficam muito aquém da experiência em desktops ou laptops. Segundo Jackson, eis o problema do Facebook. Do mesmo jeito que o Google não conseguiu – apesar de todas as tentativas – entrar na era da web 2.0, o Facebook também não conseguirá entrar na web 3.0, que, segundo ele, é a web em que os celulares e smartphones são os principais dispositivos de acesso.

Permita-me discordar. Primeiro porque a web 2.0 está essencialmente associada à mobilidade. Não apenas de tablets e celulares, mas também de computadores portáteis. Fotos são tiradas pelo celular e compartilhadas em diferentes redes sociais quase que simultaneamente. Os protestos (Primavera Árabe, Occupy, entre outros) que vimos no ano passado foram protagonizados por celulares e câmeras portáteis, não por desktops.

Discordo também do fato de a web 3.0 ser a internet móvel. O que convencionou-se chamar de web 3.0 é a tal web semântica, que entende o que seu usuário quer e oferece exatamente aquilo que ele precisa. Assim, se a web 1.0 perguntava o que você queria, a web 2.0 traz o que você quer sem mesmo que você saiba que queira (pense na quantidade de assuntos que conheceu graças a links de amigos no Facebook). A web 3.0 facilitaria isso ainda mais – e você nem perceberia que está entrando na internet ao receber tais informações.

Eis meu ponto: a web 3.0 não é de computadores e celulares, mas de todos os aparelhos da sua casa, que, aos poucos, conectam-se à internet. Primeiro a TV, e depois logo virá o rádio, o carro, a cozinha e tudo que puder ser conectado. Não é simplesmente um navegador que, a partir de seus hábitos online, lhe entrega o que você nem sabe que está procurando e, sim, um futuro dos Jetsons – sem o carro voador. Você acorda e em dez minutos a água do banho está esquentando. E logo que você desliga o chuveiro, a cafeteira começa a preparar seu café. A web 3.0 nos desconecta de aparelhos, por completo.

Mas concordo em um ponto com Jackson: o Google desta web 3.0 ainda não surgiu. E pode sim tornar Google e Facebook obsoletos em pouco tempo.

Na edição de segunda do Link também entrevistei Ricard Robles, um dos fundadores do Sónar, sobre o papel de um festival de música em tempos digitais.

Palco, web e público
Fundador do festival de música e tecnologia Sónar, que acontece em São Paulo esta semana, discute impacto da internet no hábito de ouvir e curtir música

Criado há 18 anos na Espanha, o festival Sónar chega pela segunda vez ao Brasil no próximo fim de semana (a primeira edição foi em 2004), quando reúne, na sexta e no sábado, alguns dos principais expoentes da música pop contemporânea no Anhembi.

Diferente da maioria dos festivais, que chamam artistas de apelo popular para atrair um grande público, o Sónar sempre optou por atrações pouco conhecidas ou que estejam em ascensão, se firmando, em quase duas décadas de atuação, como farol para as novas tendências do mercado da música.

Mas como a música vem passando por uma transformação brutal, que envolve desde os processos de criação e distribuição, até a forma como a música é consumida e curtida, qual é o papel de um festival que sempre levantou a bandeira das novas tecnologias? Quem responde é um dos criadores do festival, o espanhol Ricard Robles, que esteve no País há poucas semanas, para acompanhar os preparativos do evento de música.

“Você tem razão quando diz que um evento que se ampara em apresentações ao vivo sofre pouco impacto frente às mudanças que estamos vendo – afinal, a natureza deste tipo de evento é anterior mesmo à era da música gravada”, explica. “Mas as transformações recentes mostram que há uma mudança crucial na forma como as pessoas consomem música. Hoje, graças à onipresença da internet, de computadores e de celulares, ouvir música está se tornando uma atividade cada vez mais solitária, individual. A importância do Sónar reside em proporcionar um momento de comunhão palpável para uma geração que não tem nem mesmo alguma referência física no que diz respeito à música. Não há mais CD, nem capas de discos. A música tornou-se uma experiência”, conclui.

Ele ressalta a importância do painel Sónar Pro, dedicado a palestras e discussões sobre o mercado da música, que sempre existiu no festival, mas que ganhou relevância nos últimos anos. “Começou como uma vitrine, mas hoje se tornou uma parte importante do festival para discutirmos o futuro deste mercado”, comenta.

Mas, com todas as mudanças, o formato palco-público ainda obedece à antiga fórmula, separando o artista da audiência, uma tendência que tem sido demolida na medida em que os meios digitais se popularizam. Será que é possível pensar em um festival que contemple a participação do público?

“Acredito que sim, e isto já vem acontecendo, mas acho que é uma dúvida que vai ser solucionada pelos artistas”, conta, citando o produtor Richie Hawtin como um exemplo prático. “Ele colocou uma pessoa para twittar em seu perfil quais músicas que estava discotecando. Ainda é um rascunho do que acho que vamos assistir no futuro, mas tais experimentações tem de partir dos autores, dos compositores”, conclui o espanhol.

Se Beth Gibbons é o coração e Adrian Utley a alma do Portishead, Geoff Barrow é o cérebro do grupo de Bristol – e ele se juntou ao compositor Ben Salisbury, autor de trilhas sonoras para filmes e documentários, para criar Drokk: Music inspired by Mega​-​City One, uma ode às trilhas dos filmes de John Carpenter (feitas pelo próprio diretor) e ao universo sonoro do cyberpunk oitentista. Tenso, eletrônico, hermético e retrô, o disco – como entrega o título – funciona como materialização sonora da Gotham City de um dos poucos antiheróis futuristas da Inglaterra, Judge Dredd, quadrinho que John Wagner e Carlos Ezquerra publicavam na 2000 A.D. E nos lembra de um lado sombrio dos anos 80 que, se não abandonava o neon típico da época, fugia do gótico do século 19 rumo a uma distopia muito mais perigosa e ameaçadora que a individual, celebrada pelos filhotes do romantismo tradicional. Outro disco que desponto como forte candidato para os melhores de 2012.

Bressane me entrevistou para uma matéria para a revista V. Segue um trecho:

Há quem entenda esse comportamento como típico de uma era de transição entre tecnologias. É o caso de Alexandre Matias, editor do caderno Link, d’O Estado de S.Paulo. Matias acha que são vários tipos de compulsão que ataca os audazes navegantes da rede. “Para uns, é a compulsão pelo que está acontecendo agora; para outros é a forma como as pessoas veem a própria imagem; para terceiro, a necessidade de armazenar tudo que consegue. Estar sempre conectado tende a cutucar essas compulsões, mas isso apenas reflete uma fase de transição de comportamentos“, acredita.

Spritzer contrapõe: “Uma característica da internet é oferecer recompensas, por menor que seja o esforço que se faz, e toda a atitude é gratificada“, diz ele, lembrando dos “curtir” do Facebook e dos retuítes do Twitter. “Isso aumenta o contraste com (e diminui a vontade de realizar) tarefas extensas, complexas, que exigem dedicação maior, nas quais muitas vezes não existe um ‘prêmio’ tão freqüente (mas que são de extrema importância à nossa vida).” Viciado nesses prêmios da rede, o navegante se torna um distraído contumaz.

Carr acredita que a cultura da distração está matando nossa capacidade de criar raciocínios originais. “É quase impossível pensar critica e conceitualmente sobre qualquer coisa se você é sempre distraído“, diz o escritor. “Profundidade requer a habilidade de focar em grande concentração. Meu medo é que trocamos a habilidade de ir fundo em um tema pela habilidade de roçar a superfície das coisas.” Proprietário do Trabalho Sujo, premiado blog de cultura pop onde chega a postar dezenas de temas num único dia, Matias crê na capacidade de saber filtrar o que necessitamos. Mas, como hard user, sente que mudou alguma coisa em seu cérebro? “Estoco só as informações que me ajudam a raciocinar, e não dados brutos“, diz. “De que adianta saber a capital de todos os países do mundo ou a filmografia completa de certos diretores? Ao contrário do que o discurso antiinternet provoca, me sinto livre ao saber de que não preciso decorar toda informação do mundo para me sentir informado.”

A ilustração é do Cobiaco – e a íntegra da matéria você lê no blog do Ronaldo.

Na minha coluna do Link desta semana, comentei sobre a profecia que Jimmy Wales, da Wikipedia, fez sobre o iminente fim de Hollywood.

Os melhores filmes de todos os tempos ainda não foram feitos
O cinema não vai acabar, mas mudar

Há uma semana, durante o encontro Global Inet, realizado em Genebra, na Suíça, o fundador da Wikipedia, Jimmy Wales, deu uma declaração no mínimo polêmica. Entusiasmado com a recente notícia de que seu site fez a vetusta Encyclopedia Britannica, que era impressa desde 1768, aposentar sua versão em papel, ele profetizou sobre o futuro da indústria do cinema: “Ninguém se dará conta quando Hollywood morrer. E mais, ninguém vai se importar”.

Não é uma continuação do velho discurso deslumbrado com o digital que o transformava em carrasco final de velhas mídias e tecnologias. Ao contrário do que foi alardeado por todo o século 20, o rádio não matou o jornal, como a TV não matou o cinema, nem o telefone matou a conversação. E quando o tema é internet, tais “mortes anunciadas” parecem apenas provocações – afinal, a internet não “mata” a indústria da música, do audiovisual, da fotografia ou das notícias, mas agrega cada faceta destes universos dentro de sua interface.

A questão, frisou Wales, não é tecnológica, mas social, citando a própria filha, Kira, de 11 anos, como exemplo: “Ela maneja com total desenvoltura uma câmara de alta definição, que usa para captar, editar e produzir seus próprios filmes na internet”. E continuou: “Quando essa geração completar 22 anos realizará filmes com mais qualidade que os de Hollywood. Esses mesmos filmes serão mais populares e destruirão o modelo de negócio vigente. Ocorrerá o mesmo que ocorreu com a Wikipedia, que fez que a Encyclopaedia Britannica deixasse de ser impressa 11 anos após a criação (da Wikipedia)”, declarou. E ao finalizar, cravou: “Há uma grande possibilidade que todo o modelo de produção esteja completamente ultrapassado em muito pouco tempo.”

Isso não quer dizer que o cinema vai acabar – longe disso. Wales falava especificamente da indústria cinematográfica norte-americana, concentrada nos estúdios de Hollywood, em Los Angeles. O modelo funcionou por décadas e foi se adaptando aos tempos: das salas de exibição à chegada da locação (primeiro o VHS, depois o DVD, outros candidatos a “assassinos do cinema”, cada um em seu tempo), passando pela TV a cabo e seu pay-per-view, filmes exibidos em voos até a tecnologia 3D. Tudo isso ficava concentrado na mão de alguns executivos, uma panela de técnicos, uma turma de atores e outra de autores. Mas eis que chegam as mídias digitais e, de repente, qualquer um pode fazer cinema. A princípio apenas alguns filminhos, feitos às vezes com o celular. Acontece que aos poucos outros truques típicos de uma indústria centenária (do figurino aos efeitos especiais, da iluminação à direção de arte, do roteiro à fotografia) são absorvidos por uma geração que nem sequer chegou à maioridade, como a filha de Wales.

Quando chegarem, em menos de dez anos, assistiremos a filmes completamente diferentes, que não se limitam a apostar no que é certo e fugir do que for mais ousado (este sim, o grande erro da indústria tradicional).

Falando de outra indústria, a da música, o ex-guitarrista do grupo inglês Oasis, Noel Gallagher, disse que “o consumidor não queria Sgt. Pepper’s (o clássico disco dos Beatles), nem Jimi Hendrix, nem Sex Pistols”, ao reclamar que a indústria havia se tornado uma imensa pesquisa sobre as vontades do público. Ele ecoava uma frase de Henry Ford muito repetida por Steve Jobs: “Se perguntássemos o que os consumidores queriam, eles não iriam querer o carro, e, sim, um cavalo mais rápido”.

A mídia não vai morrer, mas precisa se reinventar para se adequar. E se a indústria que toma conta disso não assumir logo estas rédeas, outros vão fazer isto por ela, criando uma nova indústria. A melhor analogia sobre a mudança remete à invenção da fotografia, que, teoricamente, acabaria com a função dos retratistas, uma vez que ninguém pagaria para ter um retrato pintado. O que aconteceu? Os pintores da virada do século 19 para o 20 criaram o impressionismo e o modernismo. E isso deve acontecer com o cinema, e logo. Como diz um amigo meu, ainda não vimos os melhores filmes de todos os tempos.

Simples e prático.