
Syro, o primeiro disco de Aphex Twin em 13 anos, chega às lojas de disco no Japão no dia 22 de setembro. É a data mais precisa em relação ao lançamento do novo disco de Richard D. James e, ao mesmo tempo em que isso foi anunciado, adesivos com o clássico logotipo apareceram espalhados por Tóquio, como mostra o blog Ikimasho.
Mas o acaso deu um estranho caminho das pedras para o fã Jason Donervan, que fez um vídeo reunido os diferentes logotipos que foram aplicados com estêncil pelas calçadas de Nova York com uma música chamada “Manchester Track” que muitos cogitam ser a primeira faixa do disco, batizada de “minipops 67 (source field mix)”.
E ao subir o vídeo no YouTube ele recebeu a seguinte notificação, a partir do sistema de reconhecimento de músicas feito pelo site:

Em outras palavras, o YouTube reconheceu que a faixa usada como trilha já teve seus direitos autorais requisitados pela gravadora Warp (a casa de Aphex Twin) e é uma canção sem título, numerada como 1. Jason seguiu seu instinto e subiu mais uma música:
Nova notificação:

Desta vez é a faixa 2. Mais outro vídeo:
Outra notificação.

É a faixa 10. E aos poucos vamos desvendando o mistério do disco novo de Aphex Twin. Mas ainda tem mais, vamos acompanhar…
Hoje também estreei a coluna Refletor (a citação desta vez é do disco mais recente do Arcade Fire) no site Brainstorm9. Esta é semanal e nela vou falar de música e tecnologia. E começo juntando Daft Punk com Aphex Twin, Boards of Canada com My Bloody Valentine, David Bowie com Beyoncé e o desafio de chamar atenção na internet.

O próximo dia
Entre lembranças de acesso aleatório e a colheita do amanhã
Antes era fácil: lançar disco e fazer show, esperar que toque no rádio ou que alguém goste e conte pros amigos, que irão comprar o disco e ir ao show. Felizmente isso é passado. A facilidade de antes tinha um preço: havia menos gente no jogo da música. No novo século há cada vez mais gente produzindo música por inúmeras razões diferentes. Haja rádio e casas de show pra tocar todos os artistas que existem no mundo hoje – as que existem não dão conta.
Por isso a internet tornou-se não apenas a grande plataforma de lançamento de novos artistas – superando o rádio, a TV, os jornais, as lojas e as gravadoras – mas também seu grande palco. É na rede que surgem e se apresentam os grandes e pequenos novos gênios ou picaretas do mercado da música no século 21.
As rádios ainda tocam novatos que são ouvidos diariamente por milhares de pessoas do mesmo jeito que as lojas de disco ainda vendem novos nomes que importam para alguns milhões de pessoas pelo planeta. Mas os números de hoje não são nada se comparados com os do passado, quando milhões de pessoas conheciam as poucas centenas de artistas verdadeiramente populares no mundo, escolhidos por algumas dezenas de executivos que, em muitos casos, nem se importavam com música.
Hoje vivemos num outro mundo. A facilidade de se expressar artisticamente – não apenas musicalmente – vem acelerando na mesma velocidade em que a facilidade de distribuir sua produção artística, seja ela filme, tweet, livro, aplicativo, festa, perfil em mídia social, seriado, peça publicitária, graphic novel, evento, game, clipe, álbum, tirinha, monólogo, site, canção, crônica, reality show, comentário, festival ou a fusão de cada um destes itens uns com os outros. O consumidor/produtor do início da década passada, motor da infância e adolescência da web 2.0, banalizou tanto o conceito de celebridade quanto o de artista.
Assim todos somos artistas o tempo todo, sempre mais conscientes deste papel e das necessidades de atingir um novo público. E este – que nos inclui – cada vez mais disperso, exposto a mais música – nova e velha, ambas vindo às torrentes – e engolindo tudo que seus ouvidos podem ouvir. Antes era caro conhecer muita música – uma boa discoteca requer um senhor investimento -, hoje basta conexão com a internet e disposição para fuçar ou para levar-se pela transmissão. Não há mais um veio principal a ser perseguido e a tempestade de som nos persegue para onde quer que vamos.
Por isso se antes o processo de voltar a se comunicar com o público exigia apenas mostrar serviço – faixas novas, novas fotos de divulgação, notícias sobre um novo disco – agora é um trabalho que exige dedicação, estratégia e imaginação.
No ano passado, o Daft Punk começou o processo de divulgação de seu disco lançando um teaser de segundos num comercial de TV (um microtrecho que chegou a render remixes!) para depois lançar o refrão do primeiro single no intervalo entre shows de um grande festival, revelando as participações do rapper Pharrel e de um dos pais da disco music comercial, Nile Rodgers, do Chic. A estratégia funcionou – e quando “Get Lucky” começou a ser vendida, puxando o ótimo e retrô “Random Access Memories”, já era uma das músicas mais ouvidas de 2013.
Outro grupo, mais obscuro mas igualmente eminente, optou por uma caça ao tesouro. No Record Store Day do ano passado, a dupla Boards of Canada espalhou pistas de seu novo disco em lojas de discos, no YouTube e em sites de fãs da banda. Ao juntar os pedaços os fãs ouviam um trecho do novo disco, além de descobrirem o título e a data de lançamento de seu “Tomorrow’s Harvest”, que figurou entre os melhores discos do ano passado em diferentes listas.
2013 também viu o lançamento repentino de discos de gente como David Bowie (com “The Next Day”), My Bloody Valentine e Beyoncé (em discos homônimos), que anunciaram seus álbuns mais recentes ao mesmo tempo em que os lançaram – uma tática semelhante à do Radiohead em 2007, com seu “In Rainbows”. Mas naquela época o grupo inglês era a exceção – e por sua natureza experimental seria natural experimentar também na estratégia de lançamento. Bowie, MBV e a senhora Carter fizeram semelhante caminho e tiraram seus coelhos das cartolas antes que alguém pudesse cogitar que discos novos estavam sendo produzidos.
Quem puxa esse carro em 2014 é o produtor inglês Richard D. James, o enigmático Aphex Twin, que desde 2001 não lança material novo e, de uma hora pra outra, apareceu com novo disco na área. Primeiro soltou um zepelim de brinquedo nos céus londrinos com seu logotipo num sábado, depois o mesmo logo apareceu pixado nas calçadas de Nova York num domingo. Na segunda twittou um endereço que só podia ser acessado usando o navegador Tor, que permite conectar-se à chamada “deep web”, recanto digital da rede por onde armas, pornografia e drogas correm soltas. O endereço anunciava o título do novo trabalho – “Syro” – e a data de lançamento, confirmada pela gravadora Warp como sendo em outubro.
E isso por que estamos falando de nomes como Daft Punk, Beyoncé, Aphex Twin, My Bloody Valentine, Boards of Canada e David Bowie. Nomes que, mais ou menos conhecidos, são gigantes para seus séquitos de fãs. Gente que não teria dificuldade para emplacar a notícia sobre um disco novo. Mas se até os grandes se sentem desafiados e instigados a repensar seus lançamentos à era digital, que dizer dos pequenos que não correm nenhum risco e não têm nada a perder?
O século digital ainda está engatinhando, apesar de já acharmos que já o conhecemos faz tempo.
[* O nome desta coluna é uma referência ao álbum Reflektor, do grupo canadense Arcade Fire, um disco que, apesar de não parecer à primeira vista, fala justamente sobre a época digital em que vivemos. Música e tecnologia são os assuntos aqui.]



Você lê uma coisa, mas sabe que ela quer dizer outra… Não era isso que o George Orwell chamava de newspeak?




Tem outros aqui.

O “vazou” entra entre aspas porque 1) ninguém estava esperando pelo novo disco do Aphex Twin e 2) ele mesmo colocou o link pra download de Syro – seu primeiro disco desde 2001 – na internet. Mais especificamente na chamada “deep web” – e anunciou o link em seu próprio Twitter.

Pouco antes do anúncio oficial, alguns teasers foram aparecendo pelo planeta no fim de semana passado – primeiro um zepelim nos céus de Londres com o logotipo do músico:

Foto: @JidLind
Depois o mesmo logo começou a aparecer nas calçadas de Nova York:

Foto: @markedman71
A última mensagem antes do anúncio do disco foi digital, numa aparição “mística” à venda no eBay:

A história chegou ao fim quando o próprio Aphex Twin anunciou o disco novo, chamado apenas de Syro, em sua conta no Twitter. Era apenas um link que não poderia ser acessado com um navegador normal, e sim usando o navegador Tor, que entende o protocolo anônimo desta internet subterrânea, em que armas, drogas e pornografia – entre outras bizarrices bem pesadas – têm livre circulação (falamos sobre isso quando eu editava o Link em 2011). Em seguida apareceu um novo link, desta vez acessível via navegadores comuns, mas que não levava ao disco em si, apenas a uma interface semelhante àquela acessada na deep web (com a diferença que, sem a navegação anônima, torna-se mais fácil recolher dados de quem está navegando, confira com seus próprios olhos).
Se o disco é bom? Tem um jeito de descobrir… Esse link traz um disco falso se passando pelo disco novo do Aphex Twin.

E esse mashup?
Se você tá por fora dessa história de Eita Giovana (que é do ano passado), olha o vídeo original:

O casal de designers poloneses Eurydyka Kata e Rafał Szczawiński resolveu celebrar o seu amor aos cachorros reunindo algumas espécies ficcionais num pôster 8-bit, que pode ser comprado aqui. Abaixo, os destalhes de alguns dos animais:

E o processo de reabilitação da reputação oficial de Alan Turing está começando bem. Ao escalar nosso amigo Benedict Cumberbatch (o Sherlock) para atuar como o pai da computação moderna, o filme The Imitation Game já marca pontos de saída rumo à canonização de um dos dois ingleses a importar na história do mundo digital (o outro é o Sir Tim Berners-Lee). Turing é mais conhecido pelo teste que leva seu nome, feito para reconhecer se um computador pode se passar por um ser humano em um diálogo), mas tornou-se um personagem histórico ao ajudar os aliados a ganhar a Segunda Guerra Mundial quando decifrou o Código Enigma, usado pela Alemanha nazista para comunicações secretas.
Seus feitos matemáticos e estudos sobre inteligência artificial serviram como base para a computação moderna (além de ter criado a primeira versão eletrônica para o jogo de xadrez), mas ele nunca foi reconhecido como tal em vida pois suas realizações foram classificadas como sigilosas. Em 1952 foi condenado por “grave indecência” nos anos 50 por um envolvimento com outro homem, mesma pena recebida por Oscar Wilde no fim do século 19. Como parte da pena, passou a ser submetido a um humilhante tratamento hormonal (para conter seu impulso sexual). Foi encontrado morto no dia 7 de junho de 1954 e alegação à época foi de suicídio, embora a hipótese de envenenamento ainda paire sobre o caso.
No ano passado, o governo inglês finalmente perdoou oficialmente o matemático e passou a celebrar sua importância, também reconhecida pelo público, que organizou um abaixo-assinado que sugeria inclui-lo como personagem da nota de 10 libras. O novo filme, mais um degrau rumo ao reconhecimento global da importância de Turing, está previsto para estrear em novembro deste ano e ainda conta com Keira Knightley, Matthew Goode e Mark Strong no elenco. Veja o trailer abaixo:


Nesta quinta-feira, eu, Mini e Bruno estaremos representando OEsquema em três atividades no YouPix 2014. Na primeira delas, na própria quinta, vamos explicar um pouco o que é OEsquema e o que estamos pensando em fazer nos próximos estágios deste condomínio de blogs. Na sexta, eu converso com o Alex Antunes, o Neto Rodrigues e o Marcelo Costa sobre jornalismo cultural pós internet e no sábado o Mini media uma conversa com o Guilherme Valadares, o Marcelo Hessel e a Maria Joana de Avellar sobre como é tocar um site por conta própria. O YouPix não cobra ingresso de entrada, basta fazer sua inscrição aqui, e acontece no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, aqui em São Paulo. Mais informações abaixo:
17 de julho | 15h00 – 15h45
Conteúdo: curadoria x memes
Curadoria: OEsquema
OEsquema surgiu como um coletivo de 4 blogs e ao longo dos anos cresceu para se tornar um importante portal de cultura que privilegia curadoria e análise em detrimento de memes descartáveis. Essa proposta acabou angariando uma audiência mais qualificada cujos interesses transcendem as propostas mais instantâneas da internet atual. Que ensinamentos as marcas podem tirar deste case ao se conectar com os jovens digitais através de conteúdo?
Palestra com Alexandre Matias (jornalista, co-criador dOEsquema e dono do Trabalho Sujo, ex-editor do Link Estadão e da revista Galileu), Gustavo Mini (co-criador dOEsquema e editor do Conector) e Bruno Natal (co-criador dOEsquema, editor do URBe e co-criador do Queremos!).
18 de julho | 17h00 – 18h00
O jornalismo cultural na era das tags
Curadoria: OEsquema
Durante décadas o jornalismo cultural operou com uma lógica vertical e repleta de silos. Esse cenário era comandado por criticos especialistas em segmentos estanques como música, literatura e cinema. Além disso, o jornalismo de lançamento hoje está mais ligado ao marketing do que ao interesse da audiência, que está mais atemporal e independente da lógica de lançamentos. Como a internet e as redes sociais estão redefinindo o jornalismo cultural?
Com Marcelo Costa (criador do blog de música Scream & Yell), Alex Antunes (foi editor da revista Bizz e Set, é colunista do Yahoo) e Neto Rodrigues (editor-chefe do site Move that Jukebox) e mediação de Alexandre Matias (criador dOEsquema e do Trabalho Sujo, ex-editor do Link Estadão e da revista Galileu)
19 de julho | 14h00 – 15h00
Como sobreviver online em 2014?
Curadoria: OEsquema
Alguns empreendimentos que começaram como blogs nichados hoje estão se estruturando como veículos comerciais e relevantes culturalmente. Essa mudança gera desafios internos e cria uma nova geração de empreendedores da comunicação digital. Nesse debate, vamos ouvir alguns exemplos de como essa transição está acontecendo.
Com Marcelo Hessel (colaborador do Omelete), Guilherme Valadares (fundador do Papo de Homem), Maria Joana de Avellar (editora da revista NOIZE) e mediação de Gustavo Mini (criador dOEsquema e do Conector).