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supermario

Claro que foi inspirado nesse clipe fantástico:

Microsoft WTF

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Quando Google e Facebook estavam começando a ofuscar de vez o reinado da Microsoft, no fim da década passada, a empresa de Seattle chamou o diretor Brad Abrahams para criar vídeos que estimulassem novos talentos do mundo digital a procurá-la em vez de bandear para os lados de Zuckerberg ou de Brin e Page. A solução? Usar ironia para atrair novos candidatos. Chamar o resultado de constrangedor é um elogio, como dá pra ver por esses dois vídeos desenterrados pelo blog Animal.

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A Bia me pediu pra escrever um depoimento pra matéria que ela fez sobre o fim do Orkut no YouPix e, quando mal percebi, havia escrito um texto inteiro – que ele publicou em separado e eu republico a seguir:

Minha história sobre o Orkut: Alexandre Matias

Se eu pudesse salvar uma só coisa do meu Orkut, o que seria?“, me vi repetindo para mim mesmo a pergunta que a Bia Granja me fez ao abrir meu velho profile. Tirando o azul calcinha e o logo rosa, o Orkut em 2014 é bem diferente daquele que comecei a frequentar há dez anos e que larguei entre 2008 e 2009. Entrei em comunidades idiotas que criei por puro ócio, reli todos os meus testimonials, visitei álbuns que nem minha memória lembrava, passeei por scraps de um passado que parece mais remoto do que ele realmente é. E, enquanto isso, fui teletransportado pela memória por um período de transição da minha vida que foi muito turbulento, produtivo e intenso.

A era Orkut (2004-2009) foi bem importante pra mim, pois coincidiu diferentes fases: o período em que me mudei pra São Paulo, o fim do meu primeiro casamento, a época em que comecei a me dedicar à cobertura de tecnologia e quando comecei a trabalhar como frila. O Orkut foi uma pauta que acompanhei desde o início e fui um dos primeiros usuários do Brasil (tanto que muitos “testimonials” me rotulam como “sócio do Orkut” ou coisas do tipo – quem dera…). Participei do Mídia Tática Brasil, quando John Perry Barlow e Richard Barbrook se conheceram na Casa das Rosas na Avenida Paulista e muitos dos que estavam naquele evento foram convidados pelo próprio Barlow para entrar naquele tal site novo que ninguém sabia pra que servia.

Eu entendi logo: era uma ótima ferramenta para encontrar personagens e descobrir assuntos para matérias que fazia para a revista Info e para o falecido caderno de Informática da Folha de S. Paulo, além de, claro, reencontrar amigos de um passado distante e conhecer pessoalmente gente que só conhecia no mundo online. Lembro que durante a primeira vinda dos Pixies ao Brasil em 2004, em Curitiba, popularizei a expressão “Orkut funciona” quando reconhecia pessoalmente rostos que só conhecia em fotos.

Foi uma época em que eu viajava muito pelo Brasil (sdds Rio de Janeiro 2002-2005), também porque comecei a trabalhar no Trama Universitário, projeto da gravadora Trama que vislumbrava um circuito cultural universitário no Brasil (antes de “universitário” virar sinônimo de “música pra pegar mulher”, que fase). Eu não tinha celular nem laptop, usava basicamente desktops alheios em lan houses ou em business centers de hotéis (duas entidades em vias de extinção) e o Orkut era uma espécie de “memória em nuvem”, funcionando pra várias coisas também em níveis locais, como descobrir um lugar legal para almoçar no Recife ou saber quem eram os estudantes que estavam organizando protestos contra o aumento de ônibus em Florianópolis e Salvador.

O final deste período misturou um monte de coisas: um acidente de carro que foi determinante na minha vida (aquele momento “para tudo!” existencial), a criação da minha primeira festa (Gente Bonita Clima de Paquera, que terminou em 2011), a fundação do meu podcast (o Vida Fodona, criado no carnaval de 2006 no Recife, ao lado do meu saudoso irmão Fred Leal) e a minha ida para o Estadão, onde fui editar o Link. Esta fase também terminou quando comecei a namorar a Mariana, minha atual esposa, que me ajudou a por minha vida nos trilhos.

Poderia escolher álbuns de fotos, comunidades (o Vida Fodona começou como uma comunidade minha no Orkut), testimonials, a enxurrada de scraps que recebi de alagoanos depois que um texto que escrevi para a Trama Virtual sobre um festival em Maceió foi entendido como um “manifesto de preconceito paulistano contra o nordeste” (justo eu, brasiliense filho de cearenses!), mas quando fui procurar o que escolher pra levar comigo, achei tão simbólico que meu último testimonial fosse o da Mariana, com um singelo “S2” que copiamos de diálogos de adolescentes em lan houses e usávamos como um código óbvio, como se marcasse o fim daquela fase.
E começasse outra muito melhor. 🙂

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O ilustrador polonês Pawel Kuczynski recriou situações típicas do Facebook entre a literalidade e o surrealismo, para mostrar como nossas vidas foram afetadas pela maior rede social do mundo.

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Bem bom. Algumas podem ser compradas aqui.

4:20

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radiohead

Na minha terceira coluna para o Brainstorm #9 pego como gancho o update do aplicativo do Radiohead para falar da importância do grupo de Thom Yorke hoje em dia.

“Você não é um aplicativo”
Por que prestar atenção no Radiohead

Setembro de 2014 começou com uma expectativa parecida com a do final de setembro de 2007: com a iminência de um novo disco do Radiohead, anunciado de supetão. No início deste ano, em fevereiro, o grupo inglês anunciou o lançamento de seu próprio aplicativo para celulares, chamado PolyFauna. O app misturava imagens e músicas do disco mais recente da banda, The King of Limbs, funcionando como um acessório multimídia ao disco, um extra digital que anunciava, à entrada que “sua tela é a janela para um mundo em evolução”.

A evolução começou a acontecer no início deste mês, quando o grupo atualizou o aplicativo com novas trilhas e imagens. O mundo pop ergueu suas orelhas: tem um disco novo do Radiohead a caminho. Os cínicos de sempre menosprezaram a notícia como se a banda precisasse de um truque de marketing para chamar atenção, tratando a novidade como se fosse uma atitude idêntica ao recente truque do U2 de embutir seu novo disco no novo iPhone (uma “novidade” que Ivete Sangalo já tinha apresentado em 2007 ao empacotar seu novo disco dentro do w200 da Ericsson).

Ainda nem sabemos se o disco novo virá mesmo através de um aplicativo – isso pode ser anunciado de repente, sem o menor alarde -, mas em se tratando de Radiohead a novidade está longe de ser uma “grande sacada” definida em uma reunião para saber como chamar atenção no próximo disco.

O app tem mais a ver com os experimentos multimídia de Björk – que também lançou um aplicativo completmentar a seu disco mais recente, Biophilia – mas não é só isso. É mais um passo na luta do grupo em conseguir um diálogo mais direto com seus ouvintes sem precisar lidar com intermediários gigantescos que pouco respeitam a estética da banda. Vale rebobinar um pouco a história para nos lembrarmos de outros atos protagonizados pelo grupo.

Depois de aparecer com o hit “Creep” do disco Pablo Honey, o grupo começou a distanciar-se do britpop e até do grunge (sério, muita gente chamava o Radiohead de “resposta inglesa ao Nirvana”) em seu segundo disco, The Bends, de 1995. Dois anos depois afastavam-se de vez do que sua geração estava fazendo ao atirar-se na música eletrônica e no rock progressivo em seu primeiro clássico, OK Computer, que lhe rendeu uma reputação que a permitiu tomar o tempo que precisava para gravar seu novo álbum.

No ano 2000 o grupo lançaria o enigmático Kid A, um disco em que a paixão do Radiohead pela eletrônica de vanguarda da gravadora Warp (casa de nomes como Aphex Twin, Boards of Canada e Autechre) foi exacerbada ao ponto de fazer as canções entrarem em colapso e começarem a se misturar com texturas, efeitos, vocais e riffs desconexos, melodias esparsas. Não bastasse isso, o disco ainda foi atropelado pelo recém-lançado Napster, o programa que permitia a qualquer um baixar músicas de graça dos computadores de outras pessoas. Ou foi Kid A que atropelou o Napster?

A data de lançamento do disco era outubro, mas, de alguma forma (muitos apostam ter sido a própria banda), o disco apareceu no Napster três meses antes do lançamento original. Além de causar desconfiança entre os ouvintes – afinal, o disco era muito diferente de tudo que o grupo já havia lançado – ainda inverteu a expectativa da indústria fonográfica, que apostava que aquele seria um dos grandes lançamentos do ano.

Mas a estranheza do disco e o fato de Kid A ter sido baixado milhares de vezes antes de seu lançamento fez muitos acharem que o auge da banda havia passado. O disco foi lançado e o grupo foi o primeiro artista inglês a ficar três semanas com um disco no topo das paradas americanas na história, além de terminar entre os 20 mais vendidos daquele ano nos EUA, deixando popstars como Kid Rock e Britney Spears para trás.

Corta pra 2007 e, no segundo semestre daquele ano, o grupo começa a dar pistas em seu site de que um disco novo estaria sendo finalizado. Notícias começam a especular sobre data de lançamento, cogitando a chegada às lojas em março do ano seguinte. Mas poucos dias depois das primeiras pistas o grupo volta a dizer que o disco está pronto e será lançado online em dez dias.

E no meio da novidade súbita um experimento inusitado: qualquer um poderia dizer quanto queria pagar pelo disco – mesmo que nada. Bastava indicar um preço na área de compras para dizer quanto você estaria disposto a pagar. In Rainbows foi o primeiro disco da banda lançado fora de uma grande gravadora, por conta própria, e deu início à transformação da banda em uma entidade própria, descolada de grandes grupos e disposta a experimentar formatos inclusive no que dizia respeito à forma de comercialização de sua música.

No início de 2011, ao apresentar seu novo The King of Limbs, o grupo chegou à conclusão de que era preciso por um preço no disco, mesmo sabendo que quem quisesse baixá-lo de graça o faria de alguma forma. E há um ano, no início desta era de serviços de streaming pago que estamos vivendo hoje, o líder da banda Thom Yorke causou polêmica ao retirar suas músicas do Spotify, logo depois de dar uma entrevista ao site mexicano Sopitas. Com a palavra, Thom Yorke:

“A forma como as pessoas lidam com música está passando por uma grande transição. Acho que como músicos nós temos que lutar contra essa coisa chamada Spotify. Acho que o que está acontecendo com o mainstream agora é o último suspiro da velha indústria. Quando ela morrer, o que vai acontecer, outra coisa irá acontecer. Tudo está relacionado com as mudanças que estão acontecendo na forma que ouvimos música, o que irá acontecer a seguir em termos de tecnologia e em termos como as pessoas falam umas com as outras sobre música. Muita coisa vai ser ruim, mas eu não endosso essa coisa que muitos da indústria vêm dizendo, que ‘ah, isso é só o que sobrou’, eu não engulo isso.”

“Quando fizemos o In Rainbows o mais excitante era a idéia de que você poderia ter uma conexão direta entre você como músico e seu público. Você corta tudo fora, e deixa só isso e aquilo. E então todos esses putos entram no caminho, como o Spotify que de repente tenta ser o segurança na entrada de todo o processo. Mas nós não precisamos que façam isso. Nenhum artista precisa fazer isso. Nós podemos fazer nossas coisas nós mesmos, então foda-se. Porque eles estão usando músicas velhas, eles estão usando as majors…E as majors estão com eles porque eles vêem uma forma de revender todas as coisas velhas de novo, ganhar mais dinheiro e não morrer.”

“É por isso que esse papo de Spotify pra mim faz parte de uma batalha maior. Porque é sobre o futuro de toda a música. É sobre se acreditamos que há um futuro para a música. O mesmo vale pra indústria de filmes e pros livros. Pra mim o lance não é o mainstream, isso é o último peido, o último peido desesperado de um corpo prestes a morrer. O que vai acontecer depois disso é que deveria ser a parte importante.”

“Por exemplo, sabe aquele cara Adam Curtis? Ele é um jornalista político que colaborou com o Massive Attack e fomos o assistir noite passada no centro da cidade e foi incrível, porque era disso que ele estava falando. Somos grandes fãs dele, eu e Nigel (Godrich, produtor do Radiohead e integrante da banda Atoms for Peace com o próprio Thom) e ele falava disso, que estamos entrando numa era em que, potencialmente, toda criatividade pode acabar. O passado forma o futuro e assim não temos outro futuro, etc. E ele está certo! Pessoas como ele, o Massive Attack, a gente, nós temos que confrontar toda essa merda. Isso não acabou.”

“Por que é como um truque, todo mundo falando que ‘com a tecnologia tudo estará em uma só nuvem e toda a criatividade se transformará em uma coisa só e ninguém mais vai ser pago e é uma coisa super inteligente’. Porra nenhuma. É difícil pensar nisso o tempo todo, porque acho que a coisa mais importante que está acontecendo hoje. É como a invenção da prensa de tipos móveis, o que aconteceu depois daquilo? É isso que está acontecendo hoje. Estou obcecado com este livro do Jaron Larnier chamado ‘Você Não é um Aplicativo’, você tem que ler, dá para entender melhor do que eu estou falando. É meio frustrante porque eu acho difícil explicar o que está acontecendo e esse livro explica bem.”

Por isso quando o aplicativo do Radiohead é atualizado, isso não diz respeito apenas a marketing pop ou a arte digital, mas também sobre o futuro de como nos relacionamos com a música. Mais novidades em breve.

himym

Você não gostou do final de How I Met Your Mother? Eu gostei, mas sei que tem muita gente que não curtiu – e esses estão esperando ansiosamente pelo tal final alternativo que teria sido filmado e que entraria como extra no box de DVDs do seriado. Eis que o final alternativo vazou e o pessoal no Reddit dá as coordenadas para quem quiser baixar…

4:20

troll

iPod (2001-2014)

ipod

É tão bom não ter que me preocupar em cobrir lançamentos da Apple (ou de qualquer outra empresa de tecnologia) depois de anos fazendo isso no Link e, em menor escala, na Galileu. Mas uma coisa parece ter passado batido em relação ao anúncio que a empresa fez esta semana.

Além do novo iPhone e de apresentar o Apple Watch, a empresa, sem muito alarde, matou o iPod. Tá certo que a era de ouro do MP3 player da Apple já tinha passado há tempo (até dei uma capa pra isso num Link de 2009), mas vale o sublinhar o óbito.

Afinal, a morte do iPod não marca só o fim do aparelho que começou a transformar a Apple no gigante de tecnologia que ela é atualmente – uma empresa que, apesar de ter ajudado a criar o mundo de desktops que ainda vivemos, quase faliu nos anos 90, além de ter demitido seu fundador, o hoje santo-porque-morto Steve Jobs. Ela também sublinha a arrogância da empresa frente a seus clientes/fãs, que agora só podem armazenar no máximo 64 gigabytes em seus iPhones (o iPod clássico permitia até 160 GB de armazenamento). “Estamos na era do streaming, a era do download acabou”, vão dizer os fãs – e eu discordo, não confio em rede social nem em nuvem nenhuma, gratuita ou paga, pra guardar meus conteúdos digitais. E nessa “era do streaming” vão te enfiar conteúdo goela abaixo, mesmo que você não queira, como a própria Apple fez nesse mesmo lançamento dessa semana, com o disco novo do U2 pra todos seus fãs/clientes (o Camilo ensina como deletar lá no Link).

Pode ser que essa morte seja o começo de um novo fim, este da própria Apple. Vamos ver…

4:20

book