
Mais um serviço digital que desaparece de nossas rotinas: o Grooveshark foi responsável pela transição entre a era do download e a do streaming, mas sempre arriscou-se ao singrar os mares da pirataria ao mesmo tempo em que expandia seus recursos. No fim do mês passado recebeu a estocada fatal que obrigou a desligar seus servidores definitivamente e, provavelmente diminuir o preço da multa, assumir que erraram em um mea culpa publicado no que restou do serviço: a home do site.

Triste.

Comentei sobre uma velha rixa que parece ter renascido com o lançamento do serviço de streaming do Jay-Z, o Tidal, lá no meu blog do UOL:
http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/23/tidal-reacende-a-velha-briga-entre-o-rap-das-costas-leste-e-oeste-dos-eua/

Falei sobre a renovação das séries Três é Demais e Demolidor no Netflix, que se tornou mais valioso do que a ABC e a Viacom neste início de 2015, em meu blog no UOL http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/22/netflix-ja-vale-mais-do-que-as-maiores-emissoras-de-tv-aberta-e-fechada-dos-eua/

Duas especulações que haviam sido cogitadas aqui neste blog foram confirmadas esta semana: além da confirmação da nova temporada do seriado Três é Demais, também foi anunciada a segunda temporada da série Demolidor. Os endossos têm a mesma fonte: o serviço de vídeo sob demanda Netflix, que irá produzir e exibir as duas novas temporadas, e chegam ao mesmo tempo em que a marca exibe seus músculos financeiros.
As ações do serviço dispararam no recém-fechado quadrimestre e a marca conseguiu crescer 14,7% nos últimos meses, segundo um relatório divulgado pelo site Deadline. Assim, o preço de mercado do Netflix sobe para US$ 32,9 bilhões, tornando o serviço mais valioso que o canal aberto mais caro dos Estados Unidos (a CBS, que avaliada em US$ 30,6 bilhões) e que a principal produtora de TV por assinatura do país (a Viacom, dona da MTV e do Nickelodeon, avaliada em US$ 28,8 bilhões).
O valor de mercado atingido pelo Netflix, óbvio, não diz respeito apenas às suas produções, que incluem hits como House of Cards e Orange is the New Black e as continuações de seriados que foram cancelados na TV a cabo, como The Killing e Arrested Development. O serviço cresce por oferecer um formato de consumo de conteúdo mais próprio da era digital do que o que é oferecido pelas TVs aberta e por assinatura.
As pessoas lentamente percebem que não precisam estar na frente da televisão num horário pré-estabelecido para assistir ao que querem. O formato sob demanda – que o espectador diz quando quer assistir o quê – ainda tem uma série de problemas para serem resolvidos (quem nunca perdeu vários minutos procurando o que assistir?), mas é irreversível. A TV tradicional só vai ter o monopólio da atenção em eventos ao vivo, sejam esportes ou notícias. E por enquanto.
A esperteza do Netflix, no entanto, está no fato de surfar essa boa onda financeira produzindo conteúdo. Podiam investir no serviço em si, em melhorias na interface, na navegação, em curadorias de filmes e em qualidade de transmissão. Preferem fidelizar seu público aproveitando os dados de audiência que conseguem levantar com mais precisão do que qualquer canal (afinal o espectador só assiste o que quer) e produzem seriados de acordo com o gosto que detectam a partir dos números de suas próprias exibições.
É um comportamento bem diferente de serviços similares em outras mídias. Ainda não ouvimos falar do Spotify bancando discos de artistas, por exemplo, embora a própria Amazon já tenha detectado essa tendência e começado ela mesma a produzir seus próprios seriados. E a colher frutos disso, como foi o caso da série Transparent, que ganhou dois Globos de Ouro (melhor série de comédia e melhor ator de série de comédia) no início deste ano.
E isso é só o começo de uma mudança ainda mais drástica que seguiremos acompanhando nos próximos anos…
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É uma ideia idiota, é um filme do Adam Sandler, mas, como sempre, pode ser que funcione, por mais ridículo que pareça. Afinal, se Transformers já virou filme, por que não levar a sério uma história em que personagens de videogame invadem o planeeta?

Expliquei lá no meu blog do UOL porque eu acho que esse novo serviço de streaming capitaneado pelo Jay-Z – o Tidal – está fadado a dar errado: http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/01/por-que-o-servico-de-streaming-de-jay-z-nao-vai-dar-certo/
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A semana começou com o anúncio de mais um serviço de streaming de música. O Tidal, gerido pelo rapper Jay-Z, se destaca dos concorrentes ao apresentar seu elenco estelar: Daft Punk, Madonna, Beyoncé, Calvin Harris, Arcade Fire, Nicki Minaj, Jack White, Rihanna, Usher, Chris Martin e Kanye West são alguns dos nobres do mondo pop atual a endossar e participar da nova empresa.
O discurso do press-release é que o novo serviço é “uma plataforma controlada por artistas para reestabelecer o valor à música”. A cantora Alicia Keys falou em nome do grupo: “Queremos criar uma experiência e um serviço melhores para fãs e artistas. Nossa missão vai além do comércio e da tecnologia.” A diferença entre o Tidal e outros serviços atuais que já atuam nesse mercado – Spotify, Deexer, Rdio, Pandora e Napster, são seus principais nomes – é que ele não conta com versão gratuita e é necessário pagar pelo menos 10 dólares por mês para se ter acesso a conteúdos exclusivos dos artistas que Jay-Z, há tempos mais executivo do que rapper, conseguiu convencer a endossar seu novo projeto.
Nas entrelinhas do anúncio vem a mensagem de que os atuais serviços de streaming não remuneram bem os artistas, repassando centésimos de centavos por canções. Esta polêmica foi transformada em notícia quando a atual rainha da música pop Taylor Swift retirou todo seu catálogo do Spotify (o serviço de streaming mais popular do mundo atualmente) para priorizar as vendas físicas de seu ótimo álbum 1989, lançado no final do ano passado. A manobra obrigou os fãs da cantora comprar seus CDs fazendo o álbum atingir a certificação de disco de platina (um milhão de unidades vendidas) – a única concedida em 2014.

E que estas empresa de tecnologia, que inevitavelmente comprarão os mais bem sucedidos, estão mais interessadas em tráfego de público do que com qualidade – um discurso subliminar tendencioso que acaba amaciando para os detentores dos fonogramas e, em alguns casos, dos direitos autorais: as próprias gravadoras. Não lembro de ter visto nenhuma gravadora reclamando de qualquer serviço de streaming.
Afinal, elas não tem nem porque reclamar: estes serviços garantem um belo dinheiro para estas empresas que negociam execuções públicas. E se há algo de errado, deve estar na elaboração do contrato – e não depois de ambas partes terem assinado.

O Tidal até oferece um período de teste gratuito e já anunciou os conteúdos exclusivos que estão disponíveis para assinantes: um filme do Daft Punk, uma apresentação na TV do Arcade Fire e playlists assinadas por Beyoncé, Jay-Z, Deadmau5, Coldplay e Jack White. E se você pagar mensalidades de 20 dólares em vez de 10, você ainda recebe todos esses conteúdos em altíssima definição.
20 dólares por mês para ouvir algumas músicas exclusivas com fone de ouvido de celular? Hmmm, acho que isso não vai dar certo…
Boi de piranha
Nossos hábitos culturais têm mudado drasticamente na mesma medida em que a internet torna-se mais onipresente e invasiva em todas as atividades de nosso dia a dia e a música tem o importante papel de apontar os novos rumos, devido a uma série de fatores: você consegue ouvir música fazendo qualquer outra coisa, é muito raro alguém não gostar de música (na mesma proporção que não gosta de outras atividades culturais) e, tecnologicamente, ela é mais leve e fácil de ser transmitida. Estes fatores fizeram a música funcionar como boi de piranha para uma série de transformações que começaram a ocorrer em nossas vidas à medida em que a banda larga começou a se espalhar pelo planeta, no começo do século.
A principal tendência no mercado de música atual são os serviços de streaming de áudio. São aplicativos, redes sociais ou um misto de ambos que permitem que se tenha acesso a entre 20 e 40 milhões de canções tocadas continuamente enquanto houver conexão com a internet. Marcas que ensinam novos ouvintes a fazer listas de músicas para ouvir mais tarde, a experimentar novos artistas recomendados a partir do seu gosto musical e ouvir música enquanto estiver acompanhado por seu celular – o que hoje em dia é o equivalente a dizer “sempre”. Estes serviços em sua grande maioria são gratuitos e oferecem obstáculos para a audição em forma de anúncios ou pela limitação de recursos do sistema. Ao pagar uma mensalidade de menos de R$ 20, o assinante não ouve mais propaganda e tem acesso ilimitado às trocentas milhões de músicas oferecidas em catálogo, como se este número pudesse ser ouvido por qualquer ser humano em uma única vida.

É um formato que radicaliza o que o hábito de baixar música havia começado. A era do download deixou as importantes obras e informações que emolduravam os discos (capa, contracapa, encarte, letras, ficha técnica, algum texto sobre o disco) como acessórios descartáveis, o importante era baixar as músicas, ponto final. A era do streaming leva esse processo ainda mais ao extremo ao transformar o momento de fruição de uma obra musical em um ato contínuo e a audição torna-se mera trilha sonora para qualquer outra atividade. Não é nem mais preciso procurar por música, ela chega – mas ao contrário da rádio, cada pessoa ouve e vive em sua própria bolha de músicas conhecidas.
Contudo não é apenas a mudança comportamental que vem sendo discutida aqui, mas a remuneração do artista, que parou de receber pelo conteúdo digital quando começou a farra do download gratuito. Agora, principalmente graças aos novos serviços de streaming, o desafio de reverter essa lógica vem sendo cumprido, quando estes serviços oferecem conteúdos mais fáceis de ser acessados – mesmo gratuitamente – do que serem pirateados.

A entrada de Jay-Z neste jogo com o Tidal não é só parte dessa tendência de aplicativos de áudio. Ela acompanha a irreversibilidade do digital, que, em relatório do ano passado da associação dos produtores de disco dos EUA (a RIAA, na sigla original), ultrapassou pela primeira vez as vendas físicas em faturamento. Foram 32% de discos vendidos contra 37% de downloads e 27% em streaming. Além disso, há a curva ascendente destes serviços desde 2011 (quando tinham 1,8 milhões de assinantes) até o ano passado (com 7,7 milhões).
Mas há outro fator importante para o lançamento da Tidal que foi a transformação do produtor de rap Dr. Dre em magnata da música digital quando sua empresa de headphones, a Beats by Dre, foi comprada pela Apple no ano passado por quase US$ 3 bilhões de dólares. A empresa do produtor do grupo NWA, que lançou nomes como Snoop Dogg, Eminem e 50 Cent, estava começando a rascunhar seu próprio serviço de streaming quando foi comprada pela empresa fundada por Steve Jobs.
Apostaria que Jay-Z está entrando nesse jogo para consolidar o nome de sua empresa (que ele comprou há apenas dois meses) para vendê-la lá na frente, reacendendo a infame rusga entre o rap da costa oeste (Dr. Dre é da região de Los Angeles) e da costa leste (Jay-Z é da região de Nova York) dos EUA agora no campo do big business.
Mas do outro lado do ringue temos um produtor bilionário que já está associado com a Apple…


Lá vem mais um desses sites feitos para consumir seu tempo. Esta versão web da primeira fase do Super Mario 64 foi desenvolvida pelo canadense Erik Roystan Ross e você só precisa baixar o plugin Unity e pegar um pouco a manha dos controles para perder algumas horinhas repetindo várias vezes a mesma primeira fase de um dos clássicos do bigodudo. Clica aqui e bom jogo.



