Já está no ar a conversa que tive com Rico Manzano, do Música em Rede, sobre o impacto da pandemia no mercado ainda no começo da quarentena, no início de abril.
Como dá pra ver, não mudou muita coisa em dois meses, infelizmente…
A entrevista que Felipe Neto deu ao Roda Viva nesta segunda-feira não é importante só pelas questões políticas que levantou. Esquece esse papo de “nova liderança política” ou que ele talvez seja de esquerda – ele mesmo se posiciona entre o Ciro e o Amoedo, o que o tira para longe de qualquer alinhamento ideológico vermelho. A entrevista foi importante do ponto de vista comportamental.
O Brasil é um país que finge que não fala palavrão e onde a imprensa não declara voto, o que torna a visão da realidade quase sempre turva, só para ficar em dois exemplos rasos. Com quase uma década de traquejo de vídeo, Felipe vestiu a carapuça de YouTuber bem sucedido para ser recebido pelo programa de entrevistas da TV Cultura e seu sucesso empresarial é crucial para trazê-lo para este debate – não apenas seu impacto cultural. E ele usou isso como seu cavalo de Tróia para levantar questões que, quando vemos sendo tratadas na mídia convencional, sempre vêm cheias de dedos ou são tratadas como nichos esquisitos.
Felipe Neto falou sobre chamar o fascismo e o golpe de 2016 por estes nomes, algo que fez vários jornalistas menosprezarem sua fala como se ele fosse apenas um adolescente – ele tem 32 anos. Ele também criticou o paywall destas mesmas empresas e falou sobre o problema da CNN Brasil com todas as letras. Contou como parou de comer carne, zombou da noção de meritocracia e atacou a intolerância, o machismo, a homofobia e o racismo.
Tudo parece óbvio e é exatamente este meu ponto – na imprensa comercial, não é. Tudo que o YouTuber falou é repetido por centenas de milhares de pessoas no Brasil rotineiramente, mas não encontra eco nos meios de comunicação. Ou quando aparece, são tratados de forma isoladas, como se fossem realidades separadas, não parte de uma mudança maior que já está em andamento. Fala-se muito – demais até – sobre a onda reacionária que invade o mundo, mas estas transformações personificadas em Felipe, e em vários outros influenciadores, digitais ou não, deste século, estão em andamento, mas não são reconhecidas pela mídia convencional.
TVs, rádios, jornais e revistas continuam tratando a internet como um mundo à parte, um parque de diversões virtual, uma vida paralela, quando é notório que foi ela quem elegeu o pulha que hoje ocupa o Planalto e vem desconstruindo completamente nosso dia-a-dia, para o bem e para o mal. Ao aparecer no programa como uma típica cria da internet – e mostrando que ele não é um esquisito, nem um nerd, nem um bitolado, Felipe Neto conseguiu furar a bolha da mídia tradicional para mostrar que a internet é maior do que este retrato frio e sem graça que a mesma retrata em suas páginas e programas, fingindo que nada mudou.
Mas tudo mudou.
Os meninos do podcast Vamos Falar Sobre Música – Cleber Facchi, Isadora Almeida, Nik Silva e Helô Cleaver – me chamaram para participar do programa deles da semana passada, em que eles falam sobre a influência da década de 1980 no pop atual, a partir dos discos recentes da Dua Lipa e do Weeknd. O programa ficou ótimo, saca só:
Participo nesta terça, às 16h, de um papo com o baterista Theo Cecato da banda Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo no Instagram da banda. Vamos conversar sobre shows históricos da minha vida, seja lá o que isso queira dizer. Confere lá.
O momento da pandemia e da quarentena é especialmente complexo para profissões que envolvam a presença do público – e com isso todo mundo que trabalha com música é diretamente afetado, uma vez que o show é a principal fonte de renda da maioria dos artistas. E mais do que os artistas, todo o ecossistema ao redor da apresentação ao vivo – da parte técnica à logística, da produção à montagem do palco – não sobrevive de outra forma – e nesta situação se encontram os festivais. Foi pensando nisso que oito festivais independentes brasileiros se uniram e conseguiram apoio de uma marca para começar uma série de transmissões ao vivo feitas por artistas escolhidos pela produção de cada um deles, abrindo também a possibilidade que o público possa contribuir com a subsistência dos profissionais ligados a estes eventos, que certamente não irão acontecer este ano. São os festivais pernambucanos Guaiamundo Treloso e Wehoo, o alagoano Carambola, o goiano Bananada, o potiguar DoSol, o baiano Radioca, o mineiro Sarará e o paraense Se Rasgum. De hoje até domingo, cada um deles apresenta quatro artistas por noite – sendo dois festivais a cada dia – na transmissão que será feita no canal do YouTube da iniciativa Devassa Tropical, que está bancando este grande evento online. O público pode contribuir a partir deste link. Eis as atrações de cada evento:
30 de abril
17h – Festival Radioca
Josyara
Mallu Magalhães
Teago Oliveira
Anelis Assumpção + Curumin
20h – Festival GTR
Mestre Anderson Miguel
Tagore
Lia de Itamaracá e DJ Dolores
Schevchenko e Elloco
1º de maio
17h – Festival Wehoo
Flaira Ferro + Biarritz
Francisco El Hombre + Luê
Cynthia Luz + Froid
Marcelo Falcão
20h – Festival DoSol
Plutão Já Foi Planeta
Luísa e os Alquimistas
Potyguara Bardo
Heavy Baile
2 de maio
17h – Festival Carambola
Zeca Baleiro
Ana Cañas
Wado e Mopho
Chico César
20h – Festival Se Rasgum
Andre Abujamra e Marisa Brito
Jards Macalé
Keila
Larissa Luz
3 de maio
17h – Festival Sarará
Mariana Cavanellas
Luccas Carlos
Luedji Luna
Rael
20h – Festival Bananada
Felipe Cordeiro
Boogarins
Tulipa Ruiz
Liniker e Os Caramelows
Como a maioria dos músicos durante esta quarentena, Angel Olsen resolveu experimentar – e usou seu canal no IGTV do Instagram para iniciar uma série de versões de algumas de suas músicas favoritas. Tudo gravado com o celular, um filtro com cara de filme velho e ela cantando clássicos da Tori Amos e do Roxy Music – só a versão para “More Than This”, que abriu a nova fase, já valeu o projeto todo. Olha que deslumbrante:
Ela também gravou uma versão para o standard italiano “Il Cielo in una Stanza”:
E seguiu para o piano, onde gravou “Winter”, da Tori Amos.
Ao lançar esta última, escreveu que, ao gravar esta versão voltou a ter 15 anos. E aproveitou para dizer que continuaria publicando estas versões, mas que faria uma live fechada para levantar fundos para sua banda e equipe neste sábado (mais informações aqui). Ela ainda acrescentou que aceita sugestões do público. Que artista!
Converso nesta quarta com o Rico Manzano dentro do projeto Música em Rede, que desde que entramos em quarentena vem discutindo como o mercado da música está reagindo nesta nova realidade. O papo acontece às 19h, na conta do Instagram do projeto – siga aqui.
Mesmo com seu Guitar Days inscrito em festivais de cinema (o que impede de disponibilizar o conteúdo online para garantir o ineditismo em uma competição), o diretor Caio Augusto Braga conseguiu uma brecha para exibir neste sábado seu documentário sobre as guitar bands brasileiras influenciadas pelo indie rock norte-americano e inglês a partir dos anos 90. Guitar Days pode ser assistido entre as 15h e as 18h deste sábado no link abaixo, e logo após esta exibição eu assumo o Instagram do documentário (@guitardaysdoc) para entrar ao vivo numa entrevista com o diretor – e outros nomes que fazem parte do documentário para falar sobre o filme. Além da exibição, haverá sorteio de brindes durante a live (mais informações aqui).
O Festival Fico em Casa BR repete mais uma edição depois de uma bem sucedida jornada que reuniu artistas de todo o Brasil em dez horas de programação ao vivo em quatro dias. A segunda edição do festival online começa nesta terça-feira e vai até a próxima sexta, reunindo nomes como Otto, Tiê, Ava Rocha, Mombojó, Mariana Aydar, Glue Trip, MC Carol, Rashid, Margareth Menezes, Dingo Bells, Selvagens a Procura da Lei, Jair Oliveira, Papisa, Digital Dubs, Brisa Flow, Filipe Catto, Odair José, Cashu, Yma, Paula Lima, Wry, Omulu, entre outros. Volto a participar como apresentador durante a edição, que, como na primeira, conta com um time de apresentadores de peso. A transmissão vai ser feita na página do Facebook e no canal do YouTube do site. Confira a programação abaixo:
Terça-feira (31)
13h30 Anielle Franco – @aniellefranco
14h00 Tiê (SP) – @tiemusica
14h30 Bruno Rejan (GO) – @brunorejan
15h00 Bemti (MG) – @bemtii
15h30 Dingo Bells (RS) – @dingobells
16h00 Otto (PE) – @ottomatopeia
16h30 Rashid (SP) – @mcrashid
17h00 Marcio Marinho (DF) – @marciomarinhooficial
17h30 Brisa Flow (SP) – @brisaflow
18h00 Thaíde e Ana Preta (SP) – @thaideoficial @euanapreta
18h30 Mayra Itaborahy (MG) – @mayraitaborahymusic
19h00 Ava Rocha (RJ) – @avarocha
19h30 Mari Martinez (RS) – @marifmartinez
20h00 Thiago Delegado (MG) – @thiagodelegado
20h30 Roots Rock Revolution (México) – @mexicano
21h00 Juli (BA) – @oficialjulli
21h30 MC Carol (RJ) – @mccaroldeniteroioficial
22h00 Nath Rodrigues (MG) – @a_nathrodrigues
22h30 Filipe Catto (RS) – @filipecatto
2300 Ubunto (BA) – @ubunto3mundo
Quarta-feira (1)
13h30 Thiago e Sulivã (Rédia Curta)
14h00 Maikão (SP) – @maikaosoueu
14h30 Jonathan Ferr (RJ) – jonathanferr_oficial
15h00 Odair José (GO) – @odairjoseoficial
15h30 Orquestra Manouche (RJ) – @aorquestramanouche
16h00 Glue Trip (PB) – @gluetrip
16h30 Guitarrada das Manas (PA) – @guitarradadasmanas
17h00 Niela (GO) – @nielamoura
17h30 Mulamba (PR) – @mulambaoficial
18h00 Toca de Tatu (MG) – @tocadetatu
18h30 Mocambo Banda (PR) – @mocambobanda
19h00 Mombojó (PE) – @mombojo
19h30 Alice Krenen (RS) – @alicekranenoficial
20h00 Mariana Aydar (SP) – @marianaaydar
20h30 Cynthia Luz (MG) – @cyssluz
21h00 Casa Pronta (BA) – @casaprontafolk
21h30 Rieg (PB) – @riegband
22h00 Flávio Renegado (MG) – @flaviorenegado
22h30 Raíssa Fayet (PR) – @raissafayet
23h00 Cashu (SP) – @cashuuuu_
Quinta-feira (2)
13h30 Rodrigo França – @rodrigofranca
14h00 Mazuli (PE) – @mazuli.mazuli
14h30 YMA (SP) – @ymamusic
15h00 Chama o Sindico (MG) – @blocochamaosindico
15h30 Fuga Operária (SP) – @fugaoperariaoficia
16h00 Paula Lima (SP) – @paulalima
16h30 Dora Toiá (RJ) – @doratoiaoficial
17h00 Joe Silhueta (DF) – @joesilhueta
17h30 Arthur Xará (MG) – @arthurxara
18h00 São Yantó (SP) – @saoyanto
18h30 Di Ferrero (MS) – @diferrero
19h00 Aimuray (Bolivia) –
19h30 Aíla (SP) – @ailamusic
20h00 Bruna Mendez (GO) – @brunamendez
20h30 Rosa Neon (MG) – @neonrosaneon
21h00 Wry (SP) – @wrymusic
21h30 Trio Frito (RJ) – @trio.frito
22h00 Victor Angeleas (DF) – @victorangeleas
23h00 Omulu (RJ) – @omulu
Sexta-feira (3)
13h30 Biella
14h00 Jair Oliveira (SP) – @jairoliveira
14h30 Papisa (SP) – @papisabrisa
15h00 Nãnan (DF) – @nanan_br
15h30 s Caras e Carol (RJ) – @oscarasecarol
16h00 Não Divulgado
16h30 Larissa Umayta (DF) – @umayta
17h00 Margareth Menezes (BA) – @margarethmenezes
17h30 Manaié (GO) – @_manaie
18h00 Selvagens a Procura da Lei (CE) – @selvagensaprocuradelei
18h30 Carolina Serdeira (MG) – @carolinaserdeira
19h00 Drenna (RJ) – @bandadrenna
19h30 Edh Lorran (SP) – @edhlorran
20h00 Jota.pê (SP) – @jota.peoficial
20h30 Não divulgado
21h00 Celeste (RS) – @celestepoa
21h30 Bel Martine (AM) – @belmartinee
22h00 Phil Machado (Detonautas) (RJ) – @phildetonautas
22h30 Não Divulgado
23h00 Digital Dubs (RJ) – @digitaldubs
O Bruno Natal, meu ex-sócio nOEsquema que agora tá um podcast chamado Resumido, me chamou pra participar de uma live sobre o impacto do coronavírus na cultura – e o papo é esse aí abaixo.








