Eis a íntegra do papo que tive na semana passada com a Roberta Martinelli, o Guilherme Werneck, o Thales de Menezes e o Luís Fernandes dentro da programação do festival Mate – Música Arte Tecnologia Educação sobre o que está acontecendo com o jornalismo que cobre cultura durante a quarentena.
Björk deu um passo significativo para consolidar a plataforma independente Bandcamp como uma das principais do cenário musical hoje ao colocar todo seu catálogo em seus domínios. Abraçada por grande parte do cenário independente, principalmente o norte-americano, a entrada da cantora islandesa no serviço sinaliza aos artistas que estão em outras esferas comerciais a viabilidade da plataforma, que repassa bem mais dinheiro para os artistas do que as mais comerciais. A cantora aproveitou para colocar todos seus discos em versões de vinil, CD e K7 à venda através do Bandcamp. E olha essas fitas…
Nesta quinta-feira, participo do quarto encontro online da plataforma MATE | Música Arte Tecnologia Educação, em um debate ao vivo sobre jornalismo cultural em tempos de pandemia, que também contará com as presenças da Roberta Martinelli, do Guilherme Werneck e do Thales de Menezes, com mediação do Luís Fernandes. O papo acontecerá das 19h às 19h40 com transmissão através do site oficial do evento.
Fui entrevistado pelo Fabio Shiraga, dono do programa Intervenção Urbana, na Mutante Rádio, sobre os 25 anos do Trabalho Sujo e o que tenho feito ultimamente, além de ele ter me pedido pra escolher algumas músicas… Saca só:
O que mais Martin Scorsese poderia fazer durante a quarentena senão filmar? Foi assim que ele topou o desafio da historiadora e apresentadora de TV Mary Beard, que está apresentando a série Lockdown Culture, na emissora BBC. E assim, ele fez sua reflexão sobre o confinamento de 2020, filmada com seu celular, e inspirada no filme O Homem Errado, de Hitchcock, e com uma referência do sábio iraniano Kiarostami.
A partir de junho paro de publicar na a página do Trabalho Sujo no Facebook. Ela continuará existindo, mas não será mais atualizada. É uma decisão de cunho pessoal (perco muito tempo com essa rede social), profissional (os leitores precisam voltar a visitar este site para saber do que venho fazendo, em vez de esperar que um link apareça em sua timeline) e político (o Facebook é o shopping center da internet, precisamos retomar as ruas digitais originais, a web). A alternativa para acompanhar o que venho fazendo é assinar minha newsletter mandando um email para trabalhosujoporemail@gmail.com – e também assinar meu canal no YouTube, em que não só venho atualizando diariamente com o CliMatias, como devo focar parte da minha produção online ali. E são apenas algumas das primeiras transformações que vão acontecer por aqui durante o ano…
Tá aí o terceiro Bom Saber, programa semanal de entrevistas que estou atualizando no meu novo canal do YouTube (Assina lá!). E o convidado de agora é meu amigo Ian Black, que conheço desde antes dos blogs serem blogs e das redes sociais existirem, acompanhando a evolução da vida digital no Brasil atentamente, cada um a partir de seu ponto de vista – eu junto ao jornalismo, ele à publicidade -, mas sempre interessados nas questões mais amplas da transição da velha para a nova comunicação. O chamei para conversar a partir do texto que ele publicou há pouco (A esquerda precisa amadurecer digitalmente, agora) e aproveito o gancho para falar sobre o que é essa tal maturidade digital, assunto que começo a partir da entrevista que Felipe Neto deu ao Roda Viva no início da semana passada.
Os primeiros entrevistados do Bom Saber foram a Roberta Martinelli e o Bruno Torturra (assista às suas entrevistas nos respectivos links). E não custa lembrar que quem colabora com o meu trabalho recebe a entrevista ainda no sábado (pergunte-me como no trabalhosujoporemail@gmail.com), mas toda terça, ele é aberto para todos.
Já está no ar a conversa que tive com Rico Manzano, do Música em Rede, sobre o impacto da pandemia no mercado ainda no começo da quarentena, no início de abril.
Como dá pra ver, não mudou muita coisa em dois meses, infelizmente…
A entrevista que Felipe Neto deu ao Roda Viva nesta segunda-feira não é importante só pelas questões políticas que levantou. Esquece esse papo de “nova liderança política” ou que ele talvez seja de esquerda – ele mesmo se posiciona entre o Ciro e o Amoedo, o que o tira para longe de qualquer alinhamento ideológico vermelho. A entrevista foi importante do ponto de vista comportamental.
O Brasil é um país que finge que não fala palavrão e onde a imprensa não declara voto, o que torna a visão da realidade quase sempre turva, só para ficar em dois exemplos rasos. Com quase uma década de traquejo de vídeo, Felipe vestiu a carapuça de YouTuber bem sucedido para ser recebido pelo programa de entrevistas da TV Cultura e seu sucesso empresarial é crucial para trazê-lo para este debate – não apenas seu impacto cultural. E ele usou isso como seu cavalo de Tróia para levantar questões que, quando vemos sendo tratadas na mídia convencional, sempre vêm cheias de dedos ou são tratadas como nichos esquisitos.
Felipe Neto falou sobre chamar o fascismo e o golpe de 2016 por estes nomes, algo que fez vários jornalistas menosprezarem sua fala como se ele fosse apenas um adolescente – ele tem 32 anos. Ele também criticou o paywall destas mesmas empresas e falou sobre o problema da CNN Brasil com todas as letras. Contou como parou de comer carne, zombou da noção de meritocracia e atacou a intolerância, o machismo, a homofobia e o racismo.
Tudo parece óbvio e é exatamente este meu ponto – na imprensa comercial, não é. Tudo que o YouTuber falou é repetido por centenas de milhares de pessoas no Brasil rotineiramente, mas não encontra eco nos meios de comunicação. Ou quando aparece, são tratados de forma isoladas, como se fossem realidades separadas, não parte de uma mudança maior que já está em andamento. Fala-se muito – demais até – sobre a onda reacionária que invade o mundo, mas estas transformações personificadas em Felipe, e em vários outros influenciadores, digitais ou não, deste século, estão em andamento, mas não são reconhecidas pela mídia convencional.
TVs, rádios, jornais e revistas continuam tratando a internet como um mundo à parte, um parque de diversões virtual, uma vida paralela, quando é notório que foi ela quem elegeu o pulha que hoje ocupa o Planalto e vem desconstruindo completamente nosso dia-a-dia, para o bem e para o mal. Ao aparecer no programa como uma típica cria da internet – e mostrando que ele não é um esquisito, nem um nerd, nem um bitolado, Felipe Neto conseguiu furar a bolha da mídia tradicional para mostrar que a internet é maior do que este retrato frio e sem graça que a mesma retrata em suas páginas e programas, fingindo que nada mudou.
Mas tudo mudou.
Os meninos do podcast Vamos Falar Sobre Música – Cleber Facchi, Isadora Almeida, Nik Silva e Helô Cleaver – me chamaram para participar do programa deles da semana passada, em que eles falam sobre a influência da década de 1980 no pop atual, a partir dos discos recentes da Dua Lipa e do Weeknd. O programa ficou ótimo, saca só:











