
O disco novo da melhor banda de rock experimental do Brasil, a curitibana Ruído/mm, já está pra download no site da gravadora Sinewave. Forte candidato a melhor disco brasileiro de 2014, mas não precisa acreditar em mim – ouça você mesmo.

Em novembro estréia o filme novo de Christopher Nolan, Interstellar e você já deve ter visto o trailer…
É mais um passo rumo à popularização da ficção científica, esse gênero que já foi a ovelha negra da literatura e hoje se firma como um dos principais pilares da produção cultural moderna. Nolan não é nenhum novato no gênero (e, em última instância, filmes de super-herói são histórias de ficção científica), mas é a primeira vez que ele leva sua narrativa para o espaço. O tom do trailer dá a entender que é mais uma ópera épica envolvendo sobrevivência, sentimentos e o universo, como Gravidade, de Alfonso Cuarón, foi no ano passado. Só o fato do Ramon (que vem acompanhando as notícias sobre a produção do filme de perto, vale acompanhar) resumir o filme na equação “Wall-E + A Árvore da Vida + Contato” dá a medida de como a temática existencial na ficção científica tem se tornado uma constante cada vez mais frequente em nosso zeitgeist. O que nos faz pensar…
Mas tenho uma leve impressão que o filme vai muito além do que assistimos nesse trailer (sem contar as estrepolias técnicas de Nolan, que filmou cenas para iMax em película 70mm).

Mesmo que Inherent Vice seja um livro menor de Thomas Pynchon, a idéia de levá-lo para as telas – e, portanto, para um público maior – de Paul Thomas Anderson talvez não pareça ser a burrada que eu havia imaginado.
O filme estréia neste sábado no New York City Festival e o New York Times nos antecipa que talvez o próprio Pynchon, conhecido por ser o maior escritor recluso norte-americano depois de Salinger, esteja presente no filme fazendo uma ponta. O escritor vem aos poucos saindo da casca: primeiro foi uma participação nos Simpsons em 2003 (numa participação sensacional, em que ele, com a cabeça coberta por um saco de pão, vendia fotos com “o famoso autor recluso”) e em 2009 ele mesmo narrou o trailer do livro que Paul Thomas Anderson transformou em filme.
Por isso não é de se estranhar que participe de um filme inspirado numa obra sua – a dúvida fica apenas sobre como acontecerá esta participação. Pynchon é desses autores norte-americanos da segunda metade do século passado que fundem conhecimento enciclopédico com situações bizarras e inusitadas em longos romances que misturam eventos históricos e mundanos, como Don DeLillo, Robert Anton Wilson, David Foster Wallace e Philip K. Dick. Certamente um filme inspirado em qualquer um de seus livros desperte um novo interesse do público em relação à sua obra. E sempre é bom saber que livros como V, O Leilão do Lote 49 O Arco Íris da Gravidade ou Vineland podem ganhar novos leitores.
Mesmo que pra isso seja preciso mais um filme do Paul Thomas Anderson.

Os Mockers (3/4 do Cidadão Instigado) voltam ao clássico Abbey Road dos Beatles, que faz aniversário de 45 anos exatamente nesta sexta-feira, quando o trio sobe ao palco da choperia do Sesc Pompéia para tocar o disco de 1969 na ordem exata, com o auxilio do tecladista Pedro Pelotas. Abaixo, um trecho de “I Want You (She’s So Heavy)” que eles gravaram num ensaio a pedidos deste site:

Um dos diretores mais importantes de sua geração, o norte-americano Richard Linklater talvez não tenha sido reconhecido como tal devido à vastidão de sua obra. São 18 filmes entre o marco Slacker, de 1991, e o ousado Boyhood, deste ano, que incluem uma trilogia existencial (o trio Antes do Amanhecer, Antes do Pôr-do-Sol e Antes da Meia-Noite), vários filmes sobre adolescência (Jovens, Loucos e Rebeldes, Suburbia. Escola do Rock e Tape, além de Slacker e Boyhood), dois delírios filmados em animação (sendo um deles, O Homem Duplo, uma ficção científica inspirada em Philip K. Dick), dois sobre beisebol (um deles um documentário), dois filmes de época (Newton Boys e Eu e Orson Welles), um filme contra a fast food, um seriado e um filme para a TV e uma comédia de humor negro que ninguém viu (Quase um Anjo, talvez a melhor atuação de Jack Black).
A amplitude de temas parece dispersar, mas Linklater fala sobre o fim do século norte-americano à luz de sua desiludida geração – sem que soe pessimista ou frustrado, como seus pares. O documentário 21 Years: Richard Linklater dirigido por Michael Dunaway e Tara Wood tenta encontrar sentido por trás da obra do autor em entrevistas com seus principais colaboradores, principalmente os atores Ethan Hawke, Jack Black, Keanu Reeves, Billy Bob Thornton, Matthew McConaughey, Jason Reitman e Julie Delpy e deve ser posto à venda digitalmente ao mesmo tempo em que chega aos festivais de cinema, no próximo mês de novembro.

E aos poucos começa-se a se desenhar como vai ser a segunda temporada de True Detective – o primeiro nome a ser anunciado foi o de Colin Farrell, depois veio o de Vince Vaughn e agora parece que Keira Knightley irá se juntar ao elenco… Isso sem contar a possibilidade da direção ser do mestre William Friedkin. Pelo visto, essa temporada promete (apesar do chefão da HBO ter dito, em agosto, que o tom da nova safra não deve ser pesado quanto a impressionante prinmeira leva de episódios).

Sim, o disco novo da banda de Rivers Cuomo já está entre nós. Vamos ver se vale à pena…

O Optimo já toca o edit de “Ce N’est Pas Bon”, do casal malinês Amadou & Mariam, em seus sets desde 2008, mas só agora que uma de suas metades, JD Twitch, assumiu a paternidade do remix e lançou-o em vinil. Segura!

Na minha coluna para o Brainstorm9 dessa semana, eu falei da inusitada forma como o U2 lançou seu novo disco, Songs of Innocence.
Satisfação Instantânea?
A Apple e o disco do U2 que apareceu no seu computador
Todos rimos quando, no início do mês, a Apple anunciou que daria para todos seus clientes o novo disco do U2 de graça. A princípio o riso era mais um desabafo mau humorado em relação à transformação destas duas marcas – Apple e U2. As duas começaram desbravando novas fronteiras em seus territórios e décadas depois se tornaram o contrário do pregavam antes.
A Apple de Tim Cook é o U2 do século 21: previsível, insosso, preocupado com os tempos modernos mas completamente convencional. Seu novo relógio de pulso não conseguiu instigar nossa curiosidade como Steve Jobs bem temperava qualquer mudancinha em sua linha linha de produtos, todos saudados como o Próximo Passo em Direção à Melhor Perfeição Possível. Sem Jobs, o Apple Watch parece o comunicador de pulso do Dick Tracy, um pequeno trambolho quadrado no pulso.
Já o fulgor carismático de Steve Jobs morreu no U2 lá pelo fim do século passado, quando saíram de um limão prateado na turnê do disco Pop. Na turnê deste disco, de 1997, a banda se autoironizava ao decorar seu palco com um único arco dourado do McDonald’s, assumindo de vez uma versão corporativa de si mesma que no início daquela década (entre suas obras-primas Achtung Baby, de 1991, e Zooropa, de 1993) era só mais uma persona da banda de Bono.
É exatamente neste período em que Bono começa a se descolar do U2, misturando-se entre políticos internacionais como uma espécie de aval artístico que qualquer projeto social ou ambiental – governamental ou não – precisava para ajudar no marketing. Se o U2 virou uma caricatura sonora de si mesmo, Bono encarnou um estereótipo deformado do terceiro setor, investidor de startups e defensor dos animais, presente em qualquer encontro cívico ou esportivo como “o cara da música”.
Nos anos Bush, Bono representava a visão neocon daquilo que deveria ser a esquerda, uma chatice conveniente, mas facilmente descartável. Sua chatice politicamente correta atingiu níveis monumentais e ofuscou qualquer tentativa de sua banda de sair do mesmo lugar (não foram muitas, convenhamos).
Aí os dois se juntam para lançar dar, de graça, o novo disco do U2, Songs of Innocence, para quem quer que já tenha comprado qualquer tipo de conteúdo através da loja online da Apple.
Mas, espera aí, música de graça? Vamos (re)ver o momento em que Bono e Tim Cook conversam sobre o novo anúncio
Bono: Há rumores que o U2 não fez nenhum disco nos últimos cinco anos, mas isso é não é verdade. Nós fizemos alguns discos, só não os lançamos. Estamos fazendo isso o tempo todo. É o que fazemos. Assim, queríamos esperar até que tivéssemos um que fosse tão bom quanto nossos melhores trabalhos – tão bom quanto o melhor que já fizemos.
Tim Cook: Você sabe que nós nos sentimos da mesma forma sobre nossos produtos.
Bono: Nós somos o sangue em suas máquinas oh mestre zen do hardware e software Tim Cook. Olha, na semana passada nós terminamos nosso disco, chama-se Songs of Innocence. Estamos bem animados. A questão agora, mestre zen, é como nós conseguimos atingir o maior público possível ,pois é isso que nossa banda faz?
Tim Cook: Nós somos os primeiros no mundo a ver isso?
Bono: Sim.
Tim Cook: É um white label?
Bono: É isso aí um white label. E a dúvida é que acho que você pode nos ajudar – como conseguimos chegar ao maior número de pessoas possível?
Tim Cook: Bem, temos o iTunes.
Bono: Acho que você tem mais de meio bilhão de usuários no iTunes. Você pode fazer isso chegar neles?
Tim Cook: Claro que sim.
Bono: Você conseguiria, em cinco segundos, apenas apertando um botão “send” mágico da Apple, fazer isso?
Tim Cook: Se dermos o disco de graça…
Bono: Mas antes você vai ter que pagar. Porque nós não estamos nessa de música de graça por aqui.
Tim Cook: Já ouvi dizer que sou um bom negociador.
Bono: Você consideraria dar Songs of Innocence de graça para mais de meio bilhão de pessoas em cinco segundos a partir de agora?
Tim Cook: Sim, podemos. Apertamos um botão e demorará um pouco mais para ir para toda a internet. Mas isso pode começar em cinco segundos.
Bono: Deixa eu ver se entendi, o novo disco do U2 Songs of Innocence irá chegar de graça para meio bilhão de pessoas nos próximos cinco segundos. 5, 4, 3, 2, 1. Uau! Isso é que satisfação instantânea.
Bono parece estar sendo irônico, mas não está. Ele não está dando música de graça para os clientes da Apple. Depois do anúncio soubemos que a música não veio assim de graça – a Apple havia comprado os MP3 da banda para colocá-los no software loja iTunes para seus mais de 500 milhões de clientes em 119 países. Quanto custou? Cem milhões de dólares. Motivos de sobra para o U2 rir sozinho.
Mesmo que, logo em seguida ao anúncio, continuassem rindo deles. Jovens querendo saber quem hackeou seus aparelhos e enfiou músicas de um tal U2 em seu sistema operacional. Na outra ponta, velhos fãs da Apple que não suportam a banda irlandesa devido ao excesso de Bono das últimas décadas que se viram, de repente, com aquela banda chata no meio de sua seleção de artistas cuidadosamente escolhida. A reação foi tamanha que a própria Apple criou um site que permitia deletar o disco de seu sistema operacional.
Sobravam motivos para considerar o anúncio do U2 com a Apple um erro de marketing, como alguns disseram. Até que as vendas começaram.
Vendas? Mas o disco não veio de graça?
Sim, mas os inúmeros fãs da Apple ou do U2 que não sairam reclamando dos dois nas redes sociais não acharam má ideia aquele novo disco da banda de surpresa em seus sistemas operacionais. Uns não conheciam a banda, outros nem lembravam dela. Bastou Songs of Innocence aparecer de graça para que muitos começassem a fuçar o catálogo passado do grupo.
E na primeira semana após o anúncio, nada menos que 24 títulos da banda voltaram ao Top 200 do próprio iTunes – estes foram comprados em vez de baixados de graça. Os discos The Joshua Tree (1987), Achtung Baby (1991), War (1983) e duas coletâneas de singles, Uma delas, U218, chegou ao top 10 no iTunes em 46 países.
Apple e U2 podem não ser mais os líderes de inovação e contestação que já foram no passado, mas a convergência das duas marcas abriu um mercado de ressurreição de catálogo que já vem sendo explorado em box-sets de CD, reedições em vinil, playlists de programa de streaming. A banda irlandesa e a empresa norte-americana deram um passo a mais nesse mercado – e talvez começaremos a receber mais “discos de graça” sem que queiramos em nossos aparelhos.
Será que estamos vendo o nascimento de um novo tipo de spam?

Aposta forte pro começo de 2015, a dupla de irmãs Say Lou Lou soltou o vídeo da colaboração com o produtor de seu primeiro disco, o norueguês Lindstrøm.