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Clipe

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Depois de passar quase uma década para lançar o sucessor do perfeito Kill for Love (o ótimo Closer to Grey), Johnny Jewel retoma a produção compulsiva que sempre caracterizou seus Chromatics – e logo após lançar mais um single no início do ano, o grupo volta agora com a seca “Famous Monsters”.

Até isso tudo virar um disco lá se vão anos… Mas nem tô reclamando.

Que venham as Haim

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O trio de irmãs Danielle, Este e Alana Haim anunciam finalmente seu terceiro álbum, que já vêm instigando desde o ano passado. Women in Music Pt. III já está em pré-venda – a capa é esta acima – e deve ser lançado no dia 24 de abril. E para aproveitar o anúncio, o grupo lança mais um clipe dirigido por Paul Thomas Anderson – com os três clipes anteriores, “Summer Girl”, “Hallelujah”, e “Now I’m In It” -, “The Steps” vem codirigido por Danielle, que também assina a produção com Ariel Rechtshaid e Rostam, que já vêm trabalhando com a banda.

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Quando Jarvis Cocker, o eterno homem Pulp, anunciou que estava montando uma nova banda no ano passado, disse que seu novo grupo, batizado infame e genialmente (como tudo que ele faz) de Jarv Is, disse que o novo projeto era uma experiência ao vivo antes de mais nada. Formado por Serafina Steer (harpa, teclados e vocais), Emma Smith (violino, guitarra e vocais), Andrew McKinney (baixo e vocais), Jason Buckle (synths e programações eletrônicas) e Adam Betts (percussão e vocais), o grupo era uma tentativa de compor novas músicas ao lado do público, mas felizmente o produtor do Portishead Geoff Barrow os convenceu a registrar o processo em um disco, que Jarvis anunciou com o lançamento do single “House Music All Night Long”:

Batizado de Beyond the Pale, o novo disco será lançado no primeiro dia de maio, já está em pré-venda e incluíra o primeiro single do grupo, lançado ainda no ano passado, “Must I Evolve?”

A capa e o nome das músicas estão logo abaixo:

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“Save the Whale”
“Must I Evolve?”
“Am I Missing Something?”
“House Music All Night Long”
“Sometimes I am Pharaoh
“Swanky Modes”
“Children of the Echo”

Futuro insípido

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Se Art Angels havia levado o pop futurista da canadense Grimes para um mundo distópico e claramente artificial, em seu novo álbum, Miss Anthropocene, ela conclui esta transição abandonando completamente a graça e a leveza que ainda restavam no disco anterior. Agora ela prende-se apenas na estranheza e num futuro abstrato e descartável, que embora agradável e correto, torna-se esquecível a cada canção. Ao aliar o lançamento do álbum a dois clipes da música “Idoru” – quase idênticos, diga-se de passagem -, ela parece abandonar a paisagem do pop contemporâneo para fechar-se em uma biosfera própria, como outras artistas de sua categoria, como Björk e Billie Eilish. Mas ao distanciar-se do elemento mais incomum de seu ecossistema – as doces melodias e letras precisas, justamente o elemento pop -, ela parece concluir sua transição rumo à irrelevância. Uma pena.

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A produtora venezuelana Arca, queridinha de titãs do pop atual como Björk, Kanye West, Frank Ocean e FKA Twigs, deu um xeque ao lançar seu novo single. Batizado com o incomum nome de “@@@@@”, sua nova obra de sessenta e dois minutos que enfileira diferentes climas e atmosferas sonoras cujo fluxo musical caminha entre um DJ set autoral, uma mixtape ou até mesmo um álbum sem as pausas entre as faixas. Mas ele preferiu chamar o novo material de single e com isso propõe subliminarmente uma discussão sobre formatos no pop atual.

Em um tempo em que artistas discutem o fim do formato álbum, a aposta em singles, a obrigatoriedade do clipe ou a ascensão dos EPs e mixtapes, “@@@@@” expande esta questão para todos os horizontes possíveis, mostrando como a retenção de atenção do ouvinte (e telespectador) por parcos minutos é uma briga apenas mercadológica e propõe uma canção enorme dividida em trinta partes – que ela chama de “quantum” -, cada uma dela com seu título específico, nomes como “Diva”, “Construct”, “Travesti”, “Amputee”, “Avasallada”, “Pacifier”, “Chipilina”, “X”, “Murciélaga” e “Bebé”. O próprio fato de ter sido lançado como um vídeo, traz a imagem pós-apocalíptica com a produtora nua e plugada sobre um carro em um ferro-velho em chamas, com sua própria imagem dançando em uma tela holográfica ao fundo, uma imagem única, em constante movimento e repetição, mas que se estende por toda a duração do clipe, como uma capa de disco em uma outra dimensão.

E é claro que não se trata apenas de formatos – e o som de Arca é um sobrevôo por paisagens que transcedem a imagem distópica do clipe. Ela passeia por horizontes alienígenas de todas as matizes possíveis, da intensidade noise industrial a um ricochete pós-techno de beats eletrônico, passando por planícies ambient, samples de risadas e acidentes de carro, enxames de breakcore, fogs de ruído elétrico, drill’n’bass, reggaton picotado e padrões repetitivos de glitches eletrônicos às vezes sobrepondo duas – ou mais – destas realidades musicais ao mesmo tempo. A sensação é de desprendimento da realidade, como se estivéssemos sonhando um sonho de outra pessoa – o da própria artista. Que, por sua vez, canta nas próprias faixas pela primeira vez.

O single estrou na semana passada na rádio NTS e logo depois a própria Arca explicou a temática deste trabalho: “‘@@@@@’ é uma transmissão enviada para este mundo a partir de um universo ficcional especulativo em que a forma fundamentalmente analógica da rádio FN pirata continua uma das poucas formas de se escapar da vigilância autoritária alimentada por uma consciência refém gerada por uma inteligência artificial pós-singularidade. A apresentadora do programa, conhecida como DIVA EXPERIMENTAL vive em múltiplos corpos no espaço devido à sua perseguição – e para matá-la, é preciso primeiro encontrar todos seus corpos. Os corpos que hospedam seus fetiches malucos por paralinguística quebram a quarta parede e nutrem uma fé mutante no amor em frente ao medo.”

Pesado. E como ela quis deixar claro: é um single.

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Revelando mais uma faixa de seu novo álbum, Traditional Techniques, o mestre Stephen Malkmus agora olha para este mundo digital que coabitamos com um leve e bem-vindo estranhamento, seja apagando-se pixeladamente de velhos vídeos do Pavement ou transformando-se em uma máscara eletrônica tipo um filtro para vídeo selfies no Instagram – cujo tema é ele mesmo! A letra de “Shadowbanned” segue o tom macabro apocalíptico do clipe, falando em karma reddit, rios de Red Bull, paródias de TED Talks e momentos de picos de interação, numa letra meio beat, meio dada, sobre um country lento que parece rogar uma praga irônica: “Que a palavra se espalhe como um emoji quebrado”, canta, enquanto chapas de Malkmus utilizam o tal filtro e revelam seus rostos em microssegundos – pisque e perca Sharon Van Etten, Mac DeMarco, Kim Gordon, Jason Schwartzman, Kurt Vile, Conor Oberst, entre outros).

O vôo do Four Tet

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Kieran Hebden reforça a chegada do novo novo álbum de seu projeto Four Tet, Sixteen Oceans, que chega agora em março, om um simples, belo e épico clipe para “Baby”, colaboração com Ellie Goulding, que lançou no início deste ano.

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A última vez que Justin Timberlake emplacou um hit foi quando fez a música-tema para o filme Trolls, “Can’t Stop the Feeling“, em 2016, que lhe valeu até um Grammy. Então talvez seja uma boa notícia que ele volta à pista de dança com outra música-tema para a mesma franquia infantil, que ganha continuação com o título de Trolls World Tour. E para ajudá-lo a voltar com estilo, Justin chamou SZA, que ajudou a temperar a ótima “The Other Side”, produzida pelo sueco Max Martin, o mago por trás de hits como “…Baby One More Time” de Britney Spears, “I Kissed a Girl”, “Roar” e “Dark Horse” de Katy Perry, “Shake It Off”, “Blank Space” e “Bad Blood” de Taylor Swift e “Can’t Feel My Face” do Weeknd – além de ter produzido a música de Justin no filme anterior.

Bem-vindo de volta à pista de dança, sentimos sua falta.

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O grupo eletrônico inglês Metronomy, liderado por Joseph Mount, lança mais um clipe para uma das músicas de seu ótimo Metronomy Forever, um dos melhores discos de 2019: “Whitsand Bay” traduz o casamento do clima plácido de suas canções à atmosfera de dance music característica do grupo ao colocar uma luminária de pista de dança no amanhecer de uma cidade de médio porte. Bem bonito.

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A produtora canadense Jessy Lanza começa a mostrar trabalho depois do ótimo Oh No, de 2016, ao lançar o irresistível single “Lick in Heaven”, apontando para o R&B do final do século passado. Deixa cair…