
A súbita morte de Lô Borges no ano passado pegou a todos de surpresa, especialmente quem o acompanhava de perto e via como sua produção havia se tornado prolífica nos últimos anos. Sempre com a mesma banda de apoio (Henrique Matheus nas guitarras, Thiago Corrêa no baixo e teclados e Robinson Matos na bateria), desde 2019 ele vinha gravando um disco de inéditas por ano e antes de partir estava fazendo seu oitavo disco em oito anos, este em homenagem ao irmão e principal parceiro de sua vida, o letrista Márcio Borges, que completou 80 anos no início de 2026. No entanto, este disco foi concluído postumamente e A Estrada, que leva este título por comparar a carreira de artista com a vida em trânsito, será lançado no dia 10 de junho, com participações de Marcos Suzano e Tavinho Moura. Antes disso, podemos ouvir seu primeiro single póstumo, “Campo Alegre KM 500 Mil”, que chega às plataformas nesta sexta-feira, em primeira mão no Trabalho Sujo e traz aquela psicodelia beatle-mineira que sempre atravessou suas canções. Saudades, Lô Borges.
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No fim do ano passado, Henry Rollins mencionou que estava trabalhando com Ian McKaye e começaram as especulações que dois dos maiores nomes da cultura faça-você-mesmo do punk dos Estados Unidos estavam compondo ou gravando disco. Mas o vocalista do Black Flag e da Rollins Band e o cérebro por trás do Minor Threat e do Fugazi logo desmentiram que pudessem estar fazendo algo autoral e agora a verdade vem à tona: os dois estão começando a chafurdar no extenso arquivo dos Cramps, reativando a seminal gravadora do próprio grupo, a Vengeance Records, para mostrar joias enterradas no passado da banda que finalmente verão a luz do dia. Uma das bandas mais transgressoras da história da música gravada, o grupo liderado pelo casal Lux Interior e Poison Ivy é o monstro que o rock’n’roll deveria ter sido caso não fosse cooptado pela indústria fonográfica. Embora sejam mais reconhecidos por fundar o gênero chamado psychobilly, os Cramps eram viciados em música pop que gostavam de se enfiar até o pescoço no pântano do rock sujo, causando comoções por onde passavam. O primeiro lançamento desta nova fase vem dos estúdios da gravadora Ardent, quando o líder do Big Star resolveu, ainda em 1977, produzir o primeiro disco da banda, que só seria lançado em 1980 com o título de Songs the Lord Taught Us, E na primeira sessão que fizeram no clássico estúdio de Memphis, Chilton pediu pra banda gravar várias músicas para depois escolher as que lançariam como compactos antes do lançamento do disco. E, como Rollins detalha no texto de apresentação do disco (leia abaixo), eles fizeram essas gravações que não foram lançadas à época e quase viram a luz do dia no final dos anos 80, quando Lux e Poison voltaram àquelas gravações e fizeram novos mixes para a seleção de música, que seriam lançadas como um disco voltado para os fãs chamado de Gravest Gravy. Mas, por algum motivo, o projeto foi engavetado e só agora volta a surgir para o público, quando Rollins e MacKaye começam a mostrar o que conseguiram levantar nos arquivos da banda a partir deste primeiro registro dos Cramps em estúdio, que chega ao público dia 21 de agosto e já está em pré-venda. Ouça abaixo o primeiro single deste novo álbum, “TV Set”, bem como um texto de Rollns sobre a descoberta deste disco perdido e o nome das faixass: Continue

Quem deu o segundo passo de um novo disco nesta sexta-feira foi Olivia Rodrigo, que revelou sua “The Cure” como novo degrau – para baixo – de seu vindouro terceiro disco, You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love. E depois de filmar “Drop Dead” no Palácio de Versailles como uma princesa Disney – símbolo do pop perfeito -, ela começa a descida rumo à tristeza enunciada em seu título em uma ode folk emoldurada em um hospital dos anos 50 nos Estados Unidos, em que, fantasiada de enfermeira de publicidade, vai mostrando suas vísceras como um personagem de desenho animado num filme de terror. Ao batizar a faixa com o nome da banda de seu ídolo e agora camarada Robert Smith, ela sintoniza a melancolia agridoce do papa do gótico pop ao mesmo tempo em que acena para a geração seguinte à do Cure, imediatamente influenciada por eles, a quem ela vem tateando contato, do rock alternativo dos anos 90, soando como uma balada acústica de bandas tão diferentes quanto Smashing Pumpkins, Hole, Weezer e Foo Fighters. Resta saber se este será o disco em que ela, de uma vez, abraçará o rock, tornando-se um improvável ícone para o gênero. Mas ao final do clipe, ela revela que o hospital vintage que é o cenário do clipe é (como era o palácio do clipe anterior) uma ilusão, pisada por ela mesma ao mostrar-se sem fantasias numa casa encaixotada, como se tivesse acabado de chegar de uma mudança. Vamos ver o que ela nos mostrará a seguir…
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Eis “SS26”, mais uma página do novo capítulo que Charli XCX está escrevendo depois de fechar sua fase Brat no ano passado e misturar o ocaso desta com seu entreato cinéfilo (em que esteve envolvida na produção – e em diferentes papéis – de SETE filmes na virada do ano passado para esse). No novo single ela mantém a textura rock que explorou no anterior, “Rock Music”, mas sem os beats ou os efeitos que vinham no refrão desta. A textura de guitarras e o riff roqueiro seguem presente, mas o ritmo é lento (beats quase discretos) e a canção é quase uma balada pop num contexto rock. E as referências à moda são extramusicais – ela desfila na passarela do clipe depois de abençoada pela ex-editora-chefe da Vogue Paris Carine Roifield como se estivesse numa semana da moda e embora o título aluda a uma referência deste universo (“primavera-verão 2026”), a faixa não fala sobre moda como a anterior falava sobre rock. Aos poucos ela aplaina seu discurso para tentar pegar na veia da contemporaneidade deste ano e em breve deve soltar mais pistas do álbum que está preparando na encolha.
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Ao cogitar seu quinto disco solo, Paulo Miklos resolveu atacar de intérprete e transformou a seleção das canções do novo álbum em uma “playlist afetiva” – daí o título Coisas da Vida, pinçado da conhecida faixa de Rita Lee (uma das escolhidas), do álbum que lança nesta sexta-feira. “As escolhas são muito pessoais e elas vêm de diferentes experiências de vida – e de momentos e épocas diferentes também”, explica o eterno titã. “Incluí a primeira música que eu aprendi no violão, a música que cantava no bar Café Teatro A Pulga antes dos Titãs, a música que eu sofri o luto pela perda de um ente querido e assim por diante…”
Para instigar o lançamento, ele liberou o clipe que fez para “Mestre Jonas”, épico prog-bíblico de Sá,Rodrix & Guarabyra em primeira mão para o Trabalho Sujo. “Sinto uma identificação muito grande com ‘Mestre Jonas’”, ele explica falando da escolha da canção. “Estive, e ainda estou, num processo de reconstrução da minha vida e a baleia é aqui o meu apartamento, novo endereço, pra onde, aos poucos, eu trouxe tudo o que é meu. Agora está mais parecido com um lar. Mas não pretendo ficar no isolamento como o Jonas, quero sim, levar pra o mundo esse novo projeto que está lindo demais!”
“Além disso, ‘Mestre Jonas’ sempre me impressionou muito”, continua falando sobre a faixa que abre o disco. “A fúria do órgão e do piano do Zé Rodrix é contagiante! Adoro Sá, Rodrix & Guarabyra! Nunca vi show deles ao vivo, mas fez parte do meu imaginário na adolescência.” Assista ao clipe abaixo, além de ver a capa e as outras músicas que escolheu para seu novo repertório: Continue

Começou! A dupla australiana Avalanches acaba de lançar o single “Together”, com as participações dos norte-americanos Nikki Nair, Prentiss e Jessy Lanza (os dois primeiros estadunidenses, a última canadense), e com isso inicia os trabalhos de seu quarto álbum, mas sem contar muito além disso. A não ser ao lançar um clipe com disquetes, celulares pré-smartfones e iPods e lançar um site chamado Takumi Digital Archives, que anuncia: “Na Takumi, entendemos que arquivos digitais são mais do que repositórios de dados – eles são uma memória institucional, propriedade intelectual e legado cultural”. E continuam “Nossa plataforma combina segurança de alto nível, infraestrutura escalonável e indexação inteligente para entregar uma fundação segura e pronta para o futuro da preservação digital”. Será que esse é o tema do disco?
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Agora vai! Eis o clipe de “Olho”, primeiro single de Paralich, próximo disco do Orange Disaster que finalmente sai depois de anos, que a banda liberou em primeira mão para o Trabalho Sujo. “Começamos a produzir esse disco ali pelo final de março de 2020, quando a gente ainda achava que a quarentena duraria umas poucas semanas”, explica Carlos Freitas, guitarrista do grupo e produtor musical que acaba de fechar as portas do seu heróico estúdio Aurora. “Nessa época, o Davi, nosso baterista, morava na Alemanha e o Theo, então um dos nossos guitarristas, morava no Uruguai, por isso fazer o disco acontecer não foi uma tarefa fácil com cinco pessoas morando em três países e quatro cidades diferentes”, que Carlão ainda soma tragédias pessoais vividas por cada um dos integrantes como motivo para lançar o disco quando finalmente tivessem condições de tocá-lo ao vivo sem substitutos para o lançamento, a volta de Davi Rodriguez Lima no começo do ano fez com que eles finalmente pudessem soltar o que se referiam como seu próprio “China in Box Democracy”, em referência ao infame disco do Guns N Roses que nunca saía. O título em russo, que quer dizer “Paralisia”, em referência aos anos que se passaram. “Eu estava com impressão de que a Europa era um mundo meio paralelo que tava começando novamente ter um impacto mundial mais amplo e comecei a ler muita coisa sobre política europeia, ficando com a impressão de que a Rússia era num lugar que estavam prestando pouca atenção”, explica o vocalista J.C. Magalhães. “É um lugar que era muito sintomático do mundo atual, por isso achei que era um jeito de mostrar que eles são importantes e que a gente vai ter que conviver muito com as maluquices de lá. E que se ia acontecer alguma insanidade, provavelmente viria de lá, como aconteceu… Foi um chute que eu dei que acabei acertando…”, diz em referência à questão do país com a Ucrânia. Paralich sai na próxima sexta, dia 22, quando fazem um show dividindo a noite com o Tutu Naná, no Fffront.
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Logo após soltar a iconoclasta “Rock Music”, Charli XCX mostra o lado B que estará na versão do novo single. Ela mesma disse que a pensativa “I Keep Thinking About You Every Single Day And Night” não estará nas plataformas digitais e só será lançada oficialmente (pelo menos por enquanto) na versão em vinil do novo single, que está à venda em seu site. Mas postou a música inteira em uma conta paralela no Instagram e avisou aos fãs que, se eles quiserem, podem ripar o áudio do clipe que soltou online.
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“Rock Music”, que Charli XCX lançou quase de surpresa nesta sexta-feira, é um pé na porta que marca o possível anúncio de um novo álbum, mas que também segue um crescendo em sua carreira que vem desde antes da pandemia, seu Brat sendo o momento (daí o título do filme que lançou em seguida do disco de 2024) ápice deste movimento que seguiu inclusive incluindo sua fase cinematográfica. E apesar do título e da entrevista pra British Vogue em que ela parecia negar a pista de dança em detrimento do rock (com a frase “I think the dance floor is dead, so now we’re making rock music” sendo o refrão do single ainda não lançado dito como frase de efeito), o single e o clipe – curtos com meros dois minutos de duração – parecem continuar o projeto-objeto que é sua discografia. Não é uma negação nem uma continuação de Brat (nem negação ou mero pastiche de rock), mas um aceno a outra parte de seu universo sonoro – e, sim, com timbres de guitarra, culto ao excesso e a mesma pulsação 24 horas que ironizava em The Moment, agora aparentemente sem ironia. Ou como não ser irônico enfiando um maço de cigarros na boca ao mesmo tempo e acendendo todos de uma vez? “Eu realmente estou batendo a minha cabeça”: Ela ri de si mesmo, ri da gente e de todo o sistema (da sociedade de entretenimento, ao culto a celebridades, de Hollywood ao panteão do rock clássico até, em última instância, ao ultracapitalismo e a máquina de pifar sanidade das redes sociais) enquanto nos convida para uma nova fase. Vamos lá, Charli…
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Novamente no susto, a dupla escocesa Boards of Canada lança as duas primeiras faixas de seu aguardado Inferno, que estará entre nós no dia 28 deste mês. “Introit” e “Prophecy At 1420 MHz” chegam juntas como uma mesma faixa e com um clipe de colagens extraordinário feito pelo designer Robert Beatty, que fez capas para discos como Rainbow da Ke$ha, Afrique Victime do Mdou Moctar e Currents do Tame Impala. O que abre a possibilidade do disco inteiro ter clipes – e ser um álbum visual. Se mantiver o sarrafo desse aperitivo não tem nem o que pensar: só vem!
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