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Clipe

dualipa2020

Semana agitada para a inglesa Dua Lipa, como se não bastasse a pandemia: seu álbum Future Nostalgia vazou antes da hora, o que lhe obrigou a antecipar o lançamento para esta sexta, mas como já deu pra sacar que ela não está pra brincadeira, o clipe de “Break My Heart” saiu nesta quinta e é mais um hit certeiro, aproveitamento impecável para um disco que, lançado em condições normais, seria um clássico das pistas.

Vamos esperar como todos reagirão ao álbum nesta sexta-feira.

marcelocabral2020

O baixista Marcelo Cabral – integrante do Metá Metá e produtor, ao lado de Daniel Ganjaman, do Nó na Orelha do Criolo – lançou seu ótimo primeiro disco solo, Motor, em 2018 e logo depois mudou-se para Berlim, onde passou quase um ano imerso nas novas possibilidades de improviso – tema, inclusive, da temporada que fez ano passado no Centro da Terra, quando veio para São Paulo durante um mês. Cabral voltou ao Brasil no fim do ano passado e começou a trabalhar em um disco novo, eletrônico, processo que se intensificou à medida em que a quarentena anticoronavírus começou no país, uma vez que ele está gravando este disco sozinho em seu estúdio caseiro. “É algo que vem desde a época do skate dos anos 80, new wave e pós-punk que foi se ligar nos clubes em Berlim, em pesquisas na internet e dicas de amigos fanáticos pelo eletrônico alemão e inglês”, me explicou. Enquanto o novo projeto não sai do papel, ele ainda trabalha com o seu primeiro disco, lançando o clipe de “Cadê”, com direção de Guilherme Destro, o Guime, em primeira mão no Trabalho Sujo.

“Nos cadinho de cadê nosso de cada dia, a música de Marcelo Cabral apareceu para transformar essa palavra – uma pergunta – em imagens”, explica o diretor. “Fui pro íntimo, onde essa palavra se processa para construir essa música/pergunta em filme. Até certo ponto foi fácil, pois já tinha coisas filmadas, como o encontro que tive com o bailarino Milton Coatti numa festa. Antes de entrar na festa, vi que havia um restaurante vizinho que havia feito uma detetização, transformando a rua num cemitério de baratas e e pusemos o acaso a filmar naquela madrugada. Depois juntei com a temporada de buscas que Marcelo Cabral fez no Centro da Terra em 2019 e me deparei no começo do show, com a figura de Paulo Climachauska, o Clima, ao fundo do palco, inerte, sentado, com todas as projeções psíquicas que podia colocar naquela pessoa: lamber a imagem, vir descendo com a câmera, eu sendo lente. Um encontro entre filme, pessoa, musica e fotografia. Estava formada a inquietação e suas desangústias, que com ela, retribuí em imagens que se movimentam”. Cabral completa: “Fiquei bastante emocionado com a sensibilidade e a beleza de como o Guime construiu algo em torno da música sem ser literal ou de querer explicar algo que não se explica, que é a inspiração que nos move através da arte.”

brokenheart

É um remix do ano passado, mas só ouvi agora: o produtor alemão David Jackson pegou a velha “Only Love Can Break Your Heart” do St. Etienne e levou para dançar em uma outra pista de dança, entre a house e o techno dos anos 80. E esse clipe com essa festa adolescente na Rússia do início dos anos 90 é ouro puro.

avalanches2020

O antigo sexteto australiano Avalanches, que agora é um duo formado por Robbie Chater e Tony Di Blasi, lança mais um novo single, ainda sem anunciar data para o lançamento de seu terceiro álbum, que segue sem título. O novo single, “Running Red Lights”, conta com as participações do vocalista do Weezer Rivers Cuomo e do rapper Pink Siifu, que canta uma letra do grupo mais recente do saudoso David Berman, Purple Mountains, que morreu no ano passado. Berman havia colaborado com os Avalanches em uma demo em 2013, (“A Cowboy Overflow of the Heart“) e na faixa “Saturday Night Inside Out”, do disco mais recente dos australianos, Wildflower, de 2016. A faixa mistura uma vibe Spacemen 3 com um clima gospel dado justamente pelo vocal de Cuomo e não atinge o mesmo patamar do single anterior, a bela “We Will Always Love You“, mas mantém a expectativa sobre o próximo álbum.

damongough

Não foi só o delicioso single de “Is This a Dream?” lançado no início do ano, o cantor e compositor inglês Damon Gough, mais conhecido como Badly Drawn Boy, está prestes a lançar seu primeiro disco em quase dez anos – e deu oficialmente início aos trabalhos ao lançar a faixa que batiza o novo álbum, “Banana Skin Shoes”:

O disco sai no dia 22 de maio, já está em pré-venda, e a capa e o nome das músicas seguem abaixo:

badly-drawn-boy-banana-skin-shoes

“Banana Skin Shoes”
“Is This A Dream?”
“I Just Wanna Wish You Happiness”
“I’m Not Sure What It Is”
“Tony Wilson Said”
“You And Me Against The World”
“I Need Someone To Trust”
“Note To Self”
“Colours”
“Funny Time Of Year”
“Fly On The Wall”
“Never Change”
“Appletree Boulevard”
“I’ll Do My Best”

Veloce

O trio de jazz punk Atønito, liderado pelo saxofonista Cuca Ferreira do Bixiga 70 era uma das atrações, ao lado de Thiago França, da #SextaTrabalhoSujo desta semana, quando aproveitariam o show no Estúdio Bixiga para mostrar mais uma das músicas para seu próximo álbum, Aqui. A pesada “Veloce” chega em primeira mão no Trabalho Sujo mesmo em tempos de clausura, mostrando uma São Paulo pré-epidemia, de cabeça para baixo. “Direto do confinamento, fomos surpreendidos por nosso próprio planejamento pré-quarentena”, explica Cuca. “‘Veloce’ é uma música que fala sobre o excesso de trabalho, excesso de correria, excesso de competição, excesso de cada um por si, ‘excesso de excessos’ que a vida nos impõe, ou pelo menos impunha, até que o mundo desse esse freio de arrumacão que estamos vivendo agora. Como a gente vem fazendo com esse disco, convidamos um artista pra fazer o clipe, sem dar nenhum direcionamento”. Edu Marin é artista gráfico e fez as fotos e as obras que ilustram cada single do disco e foi chamado para dirigir o clipe, além assinar a capa do single (acima), retirada de uma série chamada Simulacros da Memória Imperfeita. A direção de arte é da Ciça Goes.

Aqui teoricamente seria lançado em junho, mas Cuca não sabe como ficam as coisas com a situação atual que vivemos. Mas não baixa a cabeça: “Vamos em frente, sem chororô, e na torcida pela consciência coletiva e pela cura!”

Dance soviético

dlinavolny

O trio bielorrusso Dlina Volny, obcecados por new wave e pós-punk da União Soviética do começo dos anos 80, começam a mostrar seu próximo trabalho a partir do single de “Do It”. Apadrinhados pelo Johnny Jewel dos Chromatics, eles terão seu primeiro disco, Fresh Blood, lançado pela Italians Do It Better, do próprio Jewel – e o grupo tem tudo a ver com a estética oitentista do selo.

aiye2020

Larissa Conforto chama a alegoria da caverna de Platão em mais um single antes de seu primeiro disco solo, no trabalho que assina como Àyié. Na colagem audiovisual “O Mito E A Caverna”, que tem a participação do Lupe de Lupe Vitor Brauer, ela mistura a intensidade deprimente e violenta dos dias atuais num spoken word que se abre em camadas líricas e melódicas que misturam drum’n’bass, trip hop, samples de jazz e palavras de ordem, conectando as notícias deste século com a história da humanidade.

É só um aperitivo do que podemos esperar deste primeiro disco, batizado de Gratitrevas, que será lançado na próxima sexta, dia 20.

flume-toroymoi

“The Difference” é a primeira colaboração entre o produtor norte-americano Toro y Moi e o australiano Flume e apesar de funcionar, fica muito aquém do esperado, com uma melodia apenas OK sobre uma base drum’n’bass sem muita inventividade, lembrando uma música-tema de cobertura de Jogos Olímpicos de algum canal de TV a cabo, um jingle composto pelo Foster the People. É quase inofensiva – tomara que a parceria evolua para além disso.

Com os Mombojó

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Em mais um trabalho como diretor artístico, começo a trabalhar com o grupo pernambucano Mombojó a partir de seu próximo lançamento – a trilha para o longa metragem Deságua, lançado na surdina durante o ano passado. É que o grupo anunciou que o projeto MMBJ12, que reunia 12 novas canções lançadas durante 2019, no fim seria reunido em um disco, mas não que os clipes, quando colocados na ordem do disco (diferente da ordem de lançamento), contam uma história, num longa metragem assinado pelo diretor dos clipes, Luan Cardoso. Os três clipes finais só irão ser revelados ao vivo, quando o grupo toca enquanto o filme é exibido – e o disco, que se chama Trilha Sonora Original do Filme Deságua, conta com participações de Guilherme Arantes, Sofia Vaz, da banda carioca Baleia, e Hervé Salters, do grupo francês General Elektriks, Lenine e Fernando Haddad. Os primeiros shows acontecem agora em março, dia 19 em Porto Alegre, dia 20 em São Paulo e dia 21 no Rio de Janeiro. Aos poucos vou anunciando as novidades por aqui.

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