Mergulho na poesia

Era o dia do aniversário de Gustavo Galo, mas quem ganhou o presente foi o público, quando ele reuniu sua nova banda Tudo a Ver – formada por quatro autores solo: Juliana Perdigão, Bruna Lucchesi, Vitor Wutzki e o próprio Galo – como segunda noite de sua temporada Um Bis no Abismo, que está fazendo nas segundas de junho no Centro da Terra. O grupo foi criado para aproximar os dois universos que seus integrantes habitam – o musical e o poético – e na apresentação desta segunda, convidou outros poetas para subir ao palco e ver seus poemas virar canções. Apesar de ser uma banda, a Tudo a Ver restringe-se a quatro guitarristas que também cantam, abrindo mão de linhas de baixo e de instrumentos percussivos. As únicas variações são o instrumento de Bruna que em vez da guitarra vai de violão elétrico e o fato de Juliana por vezes puxar seu clarinete em algumas canções, mas a formação simples também permite que os quatro trabalhem diferentes formatos como grupo, podendo seus autores mostrarem-se solo, em duetos, trios, quartetos e, finalmente, quintetos, ao chamar cada um dos convidados da noite por vez, para que cantar suas contribuições. E assim foram perambulando entre poemas de autores tão diferentes quanto Ledusha, Alice Ruiz, Rainer Maria Rilke e Renato Negrão e dos respectivos convidados, Marcelo Ariel, Angélica Freitas, Dimitri BR e Fabricio Corsaletti, cada um deles entrando por vez. A participação de Fabrício seria o encerramento do show, mas o início do público puxando bis transformou-se em um “Parabéns a Você” que obrigou Galo a improvisar um novo número, emendando dois hai-kais de Alice Ruiz como encerramento da noite.
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