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Mudando de fase

Em transição do primeiro álbum para o próximo, mais intimista, que deve lançar no ano que vem, o multiinstrumentista e compositor Leal mostrou os rumos que deve perseguir no novo trabalho e as influências externas que tem recebido no espetáculo Circulando, que trouxe nesta terça-feira ao palco do Centro da Terra, quando tocou ao lado de Reyviton Lima (trombone), Rafael dos Santos (bateria) e Fernanda Horvath (baixo). Ele passou por diferentes formações entre os músicos e instrumentos – passando do violão para o tambor onça, da rabeca ao piano e finalmente para a guitarra -, visitando o repertório de seu disco de estreia com novas formações, músicas ainda inéditas em formato acústico e versões para artistas tão diferentes quanto João do Vale e Cidade Negra (da fase inicial, com Ras Bernardo nos vocais) enquanto passeava por diferentes formatos de canção brasileira que investiga em suas composições.

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Leal: Circulando

Nesta segunda terça-feira do mês, temos o prazer de receber o espetáculo Circulando, do músico, cantor e compositor Leal, em que leva seu homônimo disco de estreia para um território mais intimista, em que pode explorar de forma ainda mais detalhista instrumentos tradicionais da música popular brasileira como a onça, a viola e a rabeca, soando tanto experimental quanto minimal. Na apresentação inédita, ele vem acompanhado dos músicos Reyviton Lima (trombone), Rafael dos Santos (bateria) e Fernanda Horvath (baixo). O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda através do site do Centro da Terra.

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Entrosamento e sensibilidade

Maravilhosa apresentação do quinteto Lumia nesta segunda-feira no Centro da Terra que, apesar de tocar nesta formação que inclusive batizava sua apresentação, não pode contar com a baterista Amanda Barbosa no palco, que teve problemas de deslocamento para chegar em São Paulo a tempo. Com o baixista Bruno Migotto fazendo as vezes (e bem!) de baterista, as integrantes do grupo não tiveram dificuldade em mostrar seu repertório autoral e uma química latente entre elas que transparecia na troca de olhares e sorrisos que atravessou a apresentação feita por Marina Marchi (voz), Júlia Toledo (piano), Laryssa Alves (contrabaixo) e Miriam Momesso (guitarra). O entrosamento e sensibilidade dos músicos equilibra-se na delicadeza do jazz à brasileira com pitadas de música estrangeira, como quando fizeram uma composição do músico isralense Shai Maestro e uma composição tradicional da Estônia “Kiik Tahab Kindaid” na versão feita pela vocalista estoniana Karmen Rõivassepp, mas com arranjo próprio. Noite linda.

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Lumia: Quinteto

Vamos começar o último mês deste semestre de 2026 com a primeira apresentação formal do grupo Lumia, formado pelas musicistas Marina Marchi (voz), Júlia Toledo (piano), Laryssa Alves (contrabaixo), Miriam Momesso (guitarra) e Amanda Barbosa (bateria), numa apresentação batizada com a descrição do resultado final de sua recente formação: Quinteto. Tocando composições próprias e releituras em que misturam jazz contemporâneo, música de improviso e a música brasileira, elas se orientam pelo próprio nome da banda, que pode ser literal (“luz”) ou simbólico (“guia”). O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda pelo site do Centro da Terra.

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Música e emoção

Emocionante a estreia do novo projeto do mago Chicão Montorfano, que apresentou seu novo trio, o Chicão Acústique Trio, regido pela sigla CAT, que montou ao lado da cantora Marcela Helena e do percussionista Nicolas Farias. A apresentação começou com o músico apenas ao piano uma peça própria inspirada em Egberto Gismonti e batizada de “Gismontando”, que viu a entrada do percussionista para, finalmente, receber a vocalista num arranjo maravilhoso para “Primavera”, do José Miguel Wisnik, que transformou-se na autoral “Sininho”, que lançou na primeira parte (a única lançada) de seu primeiro disco solo, Mistura. O trio seguiu passando por mais músicas alheias, sempre entortando os originais com arranjos absurdos, primeiro “A Volta do Malandro” do Chico Buarque, seguida da estupenda “The Free Design” do grupo anglofrancês Stereolab. Depois emendou na parte autoral da noite, trazendo canções simples (como uma bossa nova de um minuto feita durante o período pandêmico para caber no único minuto de duração que os reels do Instagram permitiam à época) e mais ousadas, para depois visitar outros autores queridos, como quando entrou em “Mergulhar na Surpresa” de Maurício Pereira e emendou duas que havia tocado na semana passada com André Abujamra, desta vez sozinho ao piano, primeiro num recital de Clarice Leite e depois com sua versão para “River Man”, de Nick Drake – e as duas canções dispararam a emoção no palco que logo contagiou a plateia, vertendo lágrimas, antes de encerrar a noite com um arranjo de chorar para “O Quereres” de Caetano Veloso. Noite mágica.

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Chicão: CAT

Encerrando a programação de música em maio no Centro da Terra nesta terça-feira, temos outra apresentação do pianista Chicão, que depois de dividir o palco com André Abujamra na semana passada, agora volta com seu projeto solo chamado de Chicão Acústique Trio – ou, como ele prefere encurtar, CAT. Ao lado da cantora Marcela Helena e do percussionista Nicolas Farias, ele mostra suas próprias composições, que começou a expor depois que fez sua temporada no teatro em novembro de 2023, com esta formação mínima e precisa. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda pelo site do Centro da Terra.

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Distopia periférica

Acontecimento – título da temporada que o trio formado no Rio de Janeiro Crizin da Z.O. apresentou às segundas-feiras deste maio no Centro da Terra – também é uma boa forma de descrever a última noite dessa safra de apresentações ao vivo. Cris Onofre, Danilo Machado e Marcelo Fiedler acresceram à sua formação um segundo percussionista (Gênesis Chagas, baterista da banda carioca Cidade Partida) para receber Juçara Marçal, que ativou sua faceta Delta Estácio Blues, com aparelhos eletrônicos e afeita aos beats pesados e ao tambozão funk que movimenta a parede de ruído erguida pela banda. Foi demais vê-la entrando na zona oeste do Rio de Janeiro do som da banda, ela mesma nascida em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e deixando aflorar todo groove contagiante do funk com o peso e a distorção elétrica dos efeitos à disposição, ao mesmo tempo que fazia o grupo entrar no modo distopia que filtra seu segundo álbum, fundindo sonoridades e temáticas no mesmo clima apocalíptico, que ainda colocou os anfitriões da temporada para enveredar por “Sem Cais”, que Juçara compôs com Kiko Dinucci e Negro Léo, numa versão inacreditável. Chave de ouro.

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Verséculos na prática

Verséculos não é apenas o nome do reencontro de André Abujamra e Chicão – que já haviam trabalhado juntos no espetáculo Omindá, do primeiro e sempre se esbarraram pelos bastidores da vida -, mas batiza uma “banda” encarnada pela dupla, que fez sua primeira apresentação nesta terça-feira, no Centro da Terra. Com Chicão ao piano e André entre a guitarra, o atabaque e uma “flauta chinesa da China”, os dois passearam por um repertório majoritariamente composto por músicas de Abujamra – incluindo dois “lados B”, um do Karnak (“Ninguepomaquyde”), que abriu o show, e outro do Mulheres Negras (“Guembô”), exigência de Chicão, fã do grupo desde antes de imaginar que poderia tocar com o então futuro parceiro, nos anos 90. O resto da noite foi tomado por versões delicadas de músicas do Karnak (“Universo Umbigo”, “Estamos Adorando Tóquio”, “Juvenar” e “O Mundo”, que encerrou a apresentação), outras da carreira solo de André (como “O Mar”, a linda “Espelho do Tempo” e “Imaginação”, que ele sempre aproveita para tirar onda com o público) e uma versão em russo fajuto para “Tiro ao Álvaro”, de Adoniran Barbosa. Chicão não trouxe suas próprias composições, mas tirou dois ases da manga: um recital ao piano de uma certa Clarice Leite (que, revelou ao final da música, era a mãe dos irmãos mutantes Arnaldo Baptista e Sérgio Dias) e uma versão brasileira de “River Man”, de Nick Drake, que ousadamente tornou-se “Ri Vermei” e mudou o tom da música, indo da introspecção fatalista para a contemplação universal. Uma noite e tanto – que vivam os Verséculos!

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André Abujamra + Chicão: Verséculos

Maior satisfação receber nesta terça-feira o encontro de duas almas iluminadas pela música no palco do Centro da Terra, quando André Abujamra e Chicão fundem suas trajetórias no espetáculo Verséculos, em que remontam uma lenda pessoal antiga que, em vidas passados, os dois foram gêmeos siameses, que se reencontram como reflexos idênticos para uma missão ousada – eternizar o amor pelo som, sempre completando trechos musicais que cada um deles inicia no que chamam de Música da Eternidade. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Camadas e camadas

Entre me levantar da poltrona em que vejo a apresentação até cumprimentar os artistas em seguida (algo que leva entre cinco e dez segundos), ouvi três vezes comentários que usavam a palavra “camadas” – sempre no plural – logo após a terceira noite da temporada Acontecimento que o trio Crizin da Z.O. vem fazendo no Centro da Terra, em que receberam o produtor de Guarulhos MNTH e o conterrâneo carioca Lcuas Pires. Só a configuração de palco já foi radicalmente diferente das noites anteriores, em que seus respectivos convidados (Kiko Dinucci e Deafkids) trouxeram guitarras e incitavam a percussão. Esta última até esteve presente na noite, embora tocada com apenas um atabaque e disparadores mecânicos de beats. Em sua terceira segunda-feira, a temporada Acontecimento mergulhou na eletrônica, distorcendo timbres, letras, sequências e até transmissões de rádio para criar justamente as tais camadas mencionadas em voz alta por vários dos presentes após a noite, criando uma trama ambient de noise que abriu uma outra dimensão na textura sonora do grupo. Hipnose de fim de mundo.

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