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Audição de revista

Num misto de audição comentada com teatro de revista, Cibelle mostrou seu próximo trabalho nesta terça-feira no Centro da Terra, no espetáculo A Cura e A Honra, quando interpretou as composições que fez para este novo álbum sem distinguir as fronteiras entre público, palco e bastidores. Entre trocas de figurino e de repertório, Cibelle passeou da música eletrônica à bossa nova, da chanson française à fase de ouro do rádio brasileiro, disparando as bases que produziu usando inteligência artificial e atendendo a pedidos do público em canções cantadas a capella. Acompanhando toda a movimentação estava seu coadjuvante de noite, o pequeno Chicken, que roubou a cena em alguns momentos.

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Cibelle: A Cura e a Honra

Enorme satisfação de abrir o mês de novembro nesta terça-feira no Centro da Terra com o primeiro espetáculo de Cibelle em São Paulo depois de seu retorno ao Brasil, que surge em canções de um disco ainda inédito numa apresentação chamada A Cura e A Honra, que mistura os climas de cabaré contemporâneo e intimista, sem distinguir espaços entre público e plateia. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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A lua no horizonte

Juliana Perdigão deixou de lado a invenção e o experimentalismo que pautou as três primeiras noites de sua temporada Em Caráter Experimental, que terminou nesta quarta-feira no Centro da Terra (por motivos de “vamos pular a segunda pós eleição pois qualquer ressaca será intensa”) para abraçar a tradição da canção brasileira ao lado de seu camarada e conterrâneo mineiro Davi Fonseca. O encerramento emocionante contou com canções autorais dos dois, entre elas a inédita “River”, que Ju fez em homenagem à passagem do amigo Maurício Ribeiro, que, como disse, poeticamente, “virou som”. Uma apresentação emotiva e emocionada, e, mesmo que sentimentalmente noturna, surgiu como uma lua que se abre no horizonte como luz no fim do túnel, indicando que o caminho a seguir é em frente. Sempre. Obrigado, Ju!

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Arte maiúscula

Um salto ornamental no escuro – assim foi a apresentação ▶◀ (Dois Triângulos), que o casal carioca Marcela e Zozio, mostrou nesta terça-feira no Centro da Terra, quando optou por uma versão minimalista de seu grupo Kartas. Conhecido por invadir o espaço entre a palavra e a música – a cargo respectivo de cada uma de suas metades, Marcela com o texto e Zozio com o som -, o grupo sempre contou com participações extras para expandir seu próprio território artístico, transformando suas apresentações em performances de criação coletiva. Mas nesta apresentação de terça, reduziram-se apenas à própria dupla inicial, num espetáculo em que um incursionou pelo território do outro, com Marcela entre flautas e um piano de brinquedo enquanto desfilava pelo texto falado, enquanto Zozio, para além de seu instrumento-base (a bateria) e os violões, que deram um toque blues à performance, que também declamou e bradou versos, ambos transcorrendo o percurso do processo criativo frente ao público. Este, calado por toda apresentação, só se manifestou quando os dois vieram à frente e Marcela suspirou um sorriso final, indicando que a apresentação havia terminado. As palmas no encerramento tornaram-se um grande “parabéns a você” à filha do casal, que estava presenta acompanhando os dois na coxia, que estendeu-se ao recém-reeleito presidente Lula, outro aniversariante desta terça, como os dois também lembraram ao final. Arte com “a” maiúsculo – mesma dimensão do alívio que atravessou a apresentação, por todos – artistas e audiência – estarem cientes do pesadelo que conseguimos empurrar de volta para o esgoto no domingo passado.

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Kartas: ▶◀

Muita satisfação receber mais uma vez a dupla carioca Kartas mais uma vez no palco do Centro da Terra, que desta vez vem em sua essência, quando a performer e poeta Marcela Mara e o multinstrumentista Zozio, mostram o espetáculo ▶◀ (Dois Triângulos), em que abrem seu processo criativo a dois. Assim, voz, instrumentos, silêncios, ruídos e sons ambientes estão abertos para os dois, que transformam o palco em laboratório nesta configuração minimalista. São duas pesquisas criativas que se encontram para construir uma terceira. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.

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Pista sentimental

Bonito ver May Manão materializar seu novo projeto solo – o trio que batizou com o próprio sobrenome – depois do fim de sua banda anterior, a Crime Caqui. Ela já havia flertado com a eletrônica lo-fi em seu outro projeto solo (a Tôrta), mas quando começou a pensar neste capítulo seguinte de sua carreira musical, chamou os compadres Beta Cardoso e Rodrigo Florentino para entrar de cabeça numa eletrônica que pudesse ter o lado mais indie da chillwave e do bedroom pop, mas que ao mesmo tempo conversasse com a música de pista, indo da emoção pesada do trip hop aos beats do drum’n’bass, com ênfase maior na house music que mais que tudo batizava o espetáculo apresentado, Drama House. Tocando sob uma obra surrealista de Felipe Milani e as luzes tensas e hipnóticas de Clara Caramez, o trio só pecou pela curta duração da noite, justificável por ainda estar traduzindo as primeiras – e belas – composições para o palco. Com uma faixa contando com a participação do cantor Centauro, May ainda pôs o público de pé em frente às cadeiras do teatro, fazendo sua pista de dança sentimental atravessar a emoção dos presentes. Agora foi!

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Manão: Drama House

Muito prazer receber no palco do Centro da Terra, a nova encarnação musical da artista May Manão, que depois da banda Crime Caqui e do projeto solo Tôrta, dá início a uma nova fase em que apresenta-se apenas com seu sobrenome. E acompanhada de Beta Cardoso (sintetizadores) e Rodrigo Florentino (nos beats e vídeos), mostra sua Drama House, entre a canção e a música eletrônica, numa apresentação que ainda tem cenografia de Felipe Milani e luz de Clara Caramez. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.

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Uma nova dimensão a partir de um guardanapo

O que Juliana Perdigão está fazendo no Centro da Terra em sua temporada Em Caráter Experimental é de uma riqueza ímpar na cena musical contemporânea – e ela mostra que é uma artista maiúscula ao transcender a criação musical para além da música. Ao reduzir suas parcerias em duplas nesta leva de apresentações, ela primeiro transformou o teatro em uma pista de dança ao lado de Dudu Tsuda e depois transcendeu imagem e sim em um mesmo vetor criativo com a artista visual Ciça Lucchesi. Nesta segunda-feira, ela descortinou outra fronteira, desta vez estritamente musical, quando chamou outro conterrâneo mineiro – o violonista e cientista analógico Gustavo Infante, que hoje reside em Campinas – para desbravar um território emocional descoberto num pacote de guardanapos! Antes de começar a viagem, Juper explicou que ao comprar a resma de papel num mercado na Liberdade, reparou que havia, na estampa em alto relevo de cada guardanapo, um texto em ideogramas que fez sua curiosidade acionar o tradutor do Google, que revelou uma série de poemas milenares chineses da época da dinastia Sung. Daí o título da apresentação: Sung Songs, que brinca inclusive com as duas formas que a dinastia é apresentada em nosso alfabeto. Pilotando gravadores de fita cassete em que dlsparavam loops físicos, os dois pintaram uma longa onda ambient com texturas pré-gravadas, mescladas com os sopros de Juper e o violão de Gustavo, além do canto mineiro dos dois, melódico e melancólico, descrevendo situações corriqueiras e paisagens mentais que transportaram o público a uma dimensão particular, descoberta num encontro de um guardanapo com um tradutor eletrônico – e colorida pela intensidade e delicadeza luzes e vídeos derretidos por Gabriela Luiza. Uma noite mágica.

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As fronteiras da imagem e do som

Depois de transformar o palco do Centro da Terra em pista de dança, Juliana Perdigão misturou música e imagem com sua comadre Ciça Lucchesi, com quem já fez várias apresentações. Mas nesta terça-feira, segunda noite de sua temporada Em Caráter Experimental, elas ressuscitaram o projeto Versom, em que ambas mesclam suas disciplinas específicas num espetáculo sinestésico de altíssimo nível. Mais do que simplesmente improvisar conjuntamente, elas apresentaram módulos de som e imagem que funcionavam, ao mesmo tempo, como clipe e canção – muitas vezes distanciando-se do formato tradicional desta última para trabalhar novas criações em durações de tempo específica, mostrando possibilidades diferentes para o casamento da música com o cinema. A imagem era projetada na tela de cinema do teatro, enquanto as duas, às vistas do público na coxia da primeira fila, iam trabalhando com seus instrumentos o que víamos na tela, que passava de fotos de São Paulo a abstrações geométricas. O ponto alto da apresentação foi quando Juper subiu ao palco para tocar “Crack pra Ninar” de Kiko Dinucci seu clarinete em frente à tela, enquanto Ciça fazia um holofote às avessas com a imagem, antes de entrar no poema “Só Com Muito Vento” de Bruna Beber e outras duas instrumentais próprias que acabaram de levar todos para uma outra dimensão. Foi incrível.

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Centro da Terra: Novembro de 2026

Começou novembro e essa é a programação da curadoria de música do Centro da Terra deste mês. Abrimos os trabalhos nesta terça-feira, dia 3, com a primeira apresentação de Cibelle em São Paulo desde que voltou ao Brasil, trazendo seu espetáculo A Cura e A Honra, em que traz a atmosfera de um cabaré em um clima intimista em que não faz distinção entre palco e plateia. Na semana seguinte, o grupo Bixiga 70 assume as segundas-feiras no teatro, quando mostram pela primeira vez as canções que farão parte de seu próximo disco na temporada Entre o Estúdio e o Palco Havia um Teatro, em que lapidarão as músicas novas ao vivo ao mesmo tempo em que mexem em canções de seus discos anteriores, em apresentações distintas. Na terça seguinte, dia 10, Bruno Schiavo também mostra o que deverá ser seu próximo disco no espetáculo Sinais, título do sucessor de A Vida Só Começou, que conta com uma banda formada por Bianca Godói, Helena Cruz e Negro Leo. Depois, dia 17, é a vez da apresentação Ardósia, em que Cadu Tenório e Mari Herzer misturam som, ruído e texturas pontilhistas entre synths, samplers e loops de fita. As apresentações de terça do mês fecham com Paula Tesser revisitando seu disco de 2013 em um espetáculo cujo título é autoexplicativo – e em Valha 13 Anos ela reúne Dustan Gallas, Zé Nigro, Samuel Fraga e a participação de Soledad para celebrar o disco. Os espetáculo começam pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.