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Refinada e moderna

, por Alexandre Matias

Curioso – embora pouco improvável – Sofia Freire mencionar o conterrâneo e contemporâneo Vítor Araújo em sua primeira apresentação no Centro da Terra, ao dizer que começou a pensar em tocar no teatro quando assistiu a uma das apresentações da temporada Mercúrio que o pianista fez naquele mesmo palco em julho de 2018 – e justamente após o assombro que foi a apresentação de Vítor por três datas no Sesc Pinheiros, ao lado da Orquestra de Câmara da USP. Habitando o mesmo espaço entre a música erudita e a música eletrônica que viu o colega crescer, Sofia estreou no teatro no extremo oposto – estético e formal – do pianista, ao subir no palco sozinha apenas com seus aparelhos eletrônicos, que preferiu assumir como Traquitanas (título desta apresentação) do que chamá-los por nomes em inglês, disse, tirando onda com palavras como “gadgets” ou “hardware”. Às vésperas de entrar em mais uma turnê internacional, ela experimentou este formato extremamente solo para cutucar sua natureza mais sintética, disparando loops, beats e efeitos enquanto abraçava a natureza artificial desta sonoridade de forma orgânica e intensa – até se afeiçoando com o timbre do teclado DX7, já tornado clássico. Assim, ela conduziu o público para um recital que poderia ser um live P.A., passeando por músicas de seus discos anteriores, visitando uma canção da conterrânea Izaar e outra de Björk (a quem chamou de “mãinha”), além de soltar duas músicas de seu próximo disco, ainda em gestação, e fez um espetáculo complementar ao que Vítor fez anteriormente, mostrando que a antiga nova geração da música pernambucana já vive sua maturidade que, embora criada com o solo adubado pelo mangue beat, soa refinada e moderna, sem perder o vínculo natal. Muito fina.

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