Trabalho Sujo - Home

Refinada e moderna

Curioso – embora pouco improvável – Sofia Freire mencionar o conterrâneo e contemporâneo Vítor Araújo em sua primeira apresentação no Centro da Terra, ao dizer que começou a pensar em tocar no teatro quando assistiu a uma das apresentações da temporada Mercúrio que o pianista fez naquele mesmo palco em julho de 2018 – e justamente após o assombro que foi a apresentação de Vítor por três datas no Sesc Pinheiros, ao lado da Orquestra de Câmara da USP. Habitando o mesmo espaço entre a música erudita e a música eletrônica que viu o colega crescer, Sofia estreou no teatro no extremo oposto – estético e formal – do pianista, ao subir no palco sozinha apenas com seus aparelhos eletrônicos, que preferiu assumir como Traquitanas (título desta apresentação) do que chamá-los por nomes em inglês, disse, tirando onda com palavras como “gadgets” ou “hardware”. Às vésperas de entrar em mais uma turnê internacional, ela experimentou este formato extremamente solo para cutucar sua natureza mais sintética, disparando loops, beats e efeitos enquanto abraçava a natureza artificial desta sonoridade de forma orgânica e intensa – até se afeiçoando com o timbre do teclado DX7, já tornado clássico. Assim, ela conduziu o público para um recital que poderia ser um live P.A., passeando por músicas de seus discos anteriores, visitando uma canção da conterrânea Izaar e outra de Björk (a quem chamou de “mãinha”), além de soltar duas músicas de seu próximo disco, ainda em gestação, e fez um espetáculo complementar ao que Vítor fez anteriormente, mostrando que a antiga nova geração da música pernambucana já vive sua maturidade que, embora criada com o solo adubado pelo mangue beat, soa refinada e moderna, sem perder o vínculo natal. Muito fina.

#sofiafreirenocentrodaterra #sofiafreire #centrodaterra #centrodaterra2026 #trabalhosujo2026shows 179

Sofia Freire: Traquitanas

Imenso prazer em receber pela primeira vez no palco do Centro da Terra a pernambucana Sofia Freire, que apresenta um espetáculo solo ao lado dos instrumentos eletrônicos que comanda e que batizam esta apresentação. Traquitanas é um show em que a cantora, compositora, musicista e produtora mostra o repertório de seus mais de dez anos de carreira experimentando um formato com o qual irá passear mais uma vez pela Europa, dessa vez sem o acompanhamento de outros músicos. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

#sofiafreirenocentrodaterra #sofiafreire #centrodaterra #centrodaterra2026

Centro da Terra: Agosto de 2026

Agosto está chegando e com ele segue a programação de música do Centro da Terra, que começa na semana que vem. Como o mês tem cinco segundas, a temporada mensal começa apenas na segunda semana e logo na primeira teremos duas apresentações avulsas. A primeira delas, dia 3, vê o baixista do grupo baiano Tangolo Mangos, João Denovaro, fazer seu primeiro show solo em São Paulo, batizado de Circunstâncias Inacreditáveis, em que mostrar suas próprias canções ao lado dos compadres de banda Felipe Vaqueiro e Bruno Fechine, que fazem participações especiais. No dia seguinte, dia 4, a pernambucana Sofia Freire sobe pela primeira vez no palco do Centro da Terra com sua apresentação Traquitanas, em que, sozinha com seus instrumentos eletrônicos, repassa sua carreira de mais de dez anos em um espetáculo que fará na turnê europeia em que embarca logo em seguida. A partir da semana seguinte, a mineira Sara Não Tem Nome assume sua temporada no teatro, quando reúne diferentes facetas do seu trabalho. Na primeira segunda, dia 10, faz a primeira apresentação ao vivo de seu projeto Tarda, que lançou seu único disco em 2020 mas nunca fez shows por conta da pandemia. No dia 17, ela convida Lorena Hollander, Marina Mole e Vladimir Safatle para uma noite de bruxarias. Depois, dia 24, é a vez de mostrar seu grupo Cachorro Pessoa, que criou para cantar músicas que falam sobre cães. A temporada termina dia 24, quando reúne artistas que participaram de sua carreira, como Luiza Brina e Marcelo Callado, para repassar sua trechos de sua discografia. Na terça dia 11, o casal Luíza Villa e Gabiroto apresentam seu primeiro show em dupla, mostrando suas próprias composições ao lado de uma banda montada para esta apresentação. No dia 18 é a vez da dupla Qmar – formada pela tecladista e vocalista Paula Rebellato e pelo baterista e guitarrista Cacá Amaral – receber pela primeira vez Juliana Perdigão no espetáculo Espírito Espião. O mês fecha com a primeira apresentação autoral da jovem pianista prodígio Mari Holtz, que toca uma noite chamada Ser-Viva em que mostra seu próprio repertório, inspirado em mestres como Arrigo Barnabé, Tânia Maria e Hermeto Pascoal. Os espetáculos começam sempre pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

Os 50 discos brasileiros mais importantes de 2024 segundo júri da Associação Paulista dos Críticos de Arte

Nesta segunda-feira, a Associação Paulista de Críticos de Arte reúne-se mais uma vez para escolher os grandes nomes do ano que passou e esta relação abaixo lista os 50 discos mais importantes de 2024 de acordo com o júri de música popular da Associação, da qual faço parte ao lado de Adriana de Barros (Mistura Cultural), Bruno Capelas (Programa de Indie), Camilo Rocha (Bate Estaca), Cleber Facchi (Música Instantânea), Felipe Machado (Times Brasil), Guilherme Werneck (Canal Meio), José Norberto Flesch (Canal do Flesch), Marcelo Costa (Scream & Yell), Pedro Antunes (Tem um Gato na Minha Vitrola) e Pérola Mathias (Poro Aberto).

Adorável Clichê – Sonhos Que Nunca Morrem
Alaíde Costa – E o Tempo Agora Quer Voar
Amaro Freitas – Y’Y
Bebé – Salve-se!
Black Pantera – Perpétuo
Bonifrate – Dragão Volante
Boogarins – Bacuri
Cátia de França – No Rastro de Catarina
Caxtrinho – Queda Livre
Céu – Novela
Chico Bernardes – Outros Fios
Chico César e Zeca Baleiro – Ao Arrepio da Lei
Crizin da Z.O. – Acelero
Curumin – Pedra de Selva
Duda Beat – Tara e Tal
Exclusive Os Cabides – Coisas Estranhas
Febem – Abaixo do Radar
Fresno – Eu Nunca Fui Embora
Giovani Cidreira – Carnaval Eu Chego Lá
Gueersh – Interferências na Fazendinha
Hermeto Pascoal – Pra você, Ilza
Ilessi – Atlântico Negro
Josyara – Mandinga Multiplicação – Josyara Canta Timbalada
Junio Barreto – O Sol e o Sal do Suor
Kamau – Documentário
Lauiz – Perigo Imediato
Luiza Brina – Prece
Maria Beraldo – Colinho
Milton Nascimento & Esperanza Spalding – Milton + Esperanza
Ná Ozzetti e Luiz Tatit – De Lua
Nando Reis – Uma Estrela Misteriosa
Negro Leo – RELA
Nina Maia – Inteira
Nomade Orquestra – Terceiro Mundo
Oruã – Passe
Papangu – Lampião Rei
Paula Cavalciuk – Pangeia
Pluma – Não Leve a Mal
Pullovers – Vida Vale a Pena?
Samuel Rosa – Rosa
Selton – Gringo Vol. 1
Sergio Krakowski Trio e Jards Macalé – Mascarada: Zé Kéti
Silvia Machete – Invisible Woman
Sofia Freire – Ponta da Língua
Tássia Reis – Topo da Minha Cabeça
Taxidermia – Vera Cruz Island
Teto Preto – Fala
Thalin, Cravinhos, Pirlo, iloveyoulangelo & VCR Slim – Maria Esmeralda
Thiago França – Canhoto de Pé
Zé Manoel – Coral

Os 25 melhores discos do primeiro semestre de 2024 segundo a comissão de música popular da APCA

Terça passada aconteceu mais uma premiação da Associação Paulista dos Críticos de Arte (desta vez transmitida online, dá pra conferir aqui) e esta semana a comissão de música popular da APCA, da qual faço parte ao lado de Adriana de Barros (TV Cultura), Bruno Capelas (Programa de Indie), Camilo Rocha (Bate Estaca), Cleber Facchi (Música Instantânea), Felipe Machado (Istoé), Guilherme Werneck (Meio e Ladrilho Hidráulico), José Norberto Flesch (Canal do Flesch), Marcelo Costa (Scream & Yell), Pedro Antunes (Estadão e Tem um Gato na Minha Vitrola) e Pérola Mathias (Poro Aberto), escolheu os 25 melhores discos do primeiro semestre deste ano. Uma boa e ampla seleção que não contou com alguns dos meus discos favoritos do ano (afinal, é uma democracia, todos têm voto), mas acaba sendo uma boa amostra do que foi lançado neste início de 2024. E pra você, qual ficou faltando?

Confira abaixo os indicados:  

Dragão feminino

Nos últimos anos, as comadres Alessandra Leão, Isaar e Karina Buhr vêm selando uma amizade de décadas, que remonta às origens do mangue beat em seu Pernambuco e um movimentação feminina e feminista no mundo da música mesmo a contragosto de seu status quo. O novo passo do trio foi dado neste sábado, no Sesc Pinheiros, quando reuniram-se ao guitarrista Régis Damasceno e à tecladista Sofia Freire para celebrar esse laço comum no espetáculo Dracena, em que repassaram músicas de suas respectivas carreiras solo em conjunto. “Não tem macumba sem planta, não tem macumba sem folha”, Alessandra explicou o nome da apresentação a partir da planta que o batiza no momento central do show, quando só as três entregam-se às suas vozes e instrumentos de percussão, “dracena também quer dizer ‘dragão feminino’. Dracena é planta que limpa, abre caminho e aponta para a frente como uma lança”. Axé!

Assista aqui:  

Lá vem a Sofia Freire…

sofiafreire

Prestes a lançar seu segundo disco, batizado de Romã, a cantora pernambucana Sofia Freire antecipa o primeiro single do novo álbum, a faixa “1h00 (ou A Boca Se Cala)”, que será lançada nessa sexta-feira, com exclusividade para o Trabalho Sujo. “A música é um poema da minha irmã, Clarice Freire, que é escritora. Foi extraído de um dos seus livros, cujos capítulos são divididos nas horas da madrugada e seu título ‘1h00 (Ou A Boca Se Cala)’ faz referência ao próprio capítulo em que ele está no livro. Ela fala sobre a importância do silêncio para nós mesmos. O cotidiano urbano é caótico e barulhento, as pressões da sociedade às vezes me fazem falar com uma voz que não é a minha e ser quem não sou de verdade, e é no silêncio, na madrugada, onde tudo dorme e estou sozinha comigo mesma, que posso escutar meu interior, lembrar quem sou. O silêncio me diz coisas sobre mim e sobre meu lugar no mundo que apenas eu posso entender, é muito pessoal. Acho que tanto na mensagem quanto a sonoridade, a música representa bem o disco num todo e, por isso, decidi que ele seria o single.”