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Vôo solo

, por Alexandre Matias

João Denovaro colocou suas próprias canções para além de sua terra no início da programação de música de agosto no Centro da Terra, quando abriu o mês nesta segunda mostrando seu espetáculo Circunstâncias Inacreditáveis. Ele começou a noite sozinho no palco, alternando entre o violão e a guitarra, e aos poucos convidando diferentes amigos que tornaram menos autocentrado seu vôo solo para além dos palcos soteropolitanos. O baixista do Tangolo Mangos contou com a presença de dois compadres de banda – o percussionista Bruno Fechine, que neste show tocou violão, e o guitarrista Felipe Vaqueiro – que vieram em momentos diferentes da noite para voltar no tempo e no início de suas amizades, tocando canções com mais de dez anos de existência (ou mais ainda, ao evocar a jovemguardística “Diana”), além de músicas de seu próprio conjunto. As participações da noite foram encerradas com a presença da vocalista dos Pelados Manu Julian, que foi acompanhada por Deno em sua própria “E Aí, Beleza?”. Mas quando estava sozinho no palco é que o músico encontrava sua essência para além dos Tangolo Mangos, seja fazendo o público repetir como um coral um refrão que não conhecia ou transformando uma URL de internet em base rítmica para desdobrar uma questão afetiva sobre venda de merchandising de artista (em uma espécie de mutação século 21 para o “Jingle do Disco” do conterrâneo Tom Zé), sempre usando seu instrumento como arma e escudo ao mesmo tempo, seja em riffs frenéticos, em solos assertivos ou em harmonias precisas.

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