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Brasileirinho foda

Duvido você assistir a esse vídeo inteiro sem rir.

Tila SHEENING

E esse vídeo então?

E é só eu ficar um tempo fora que surge um trailer novo do casamento de Spielberg com JJ Abrams…

SHENNING!

Quem ainda aguenta? Tudo bem, eu dou um desconto e seguro a onda, pois você já deve estar farto de ouvir falar do cara. Mas as imagens acima falam por si sobre o que aconteceu com o nosso herói enquanto estive fora e mantém a chama acesa. E queria aproveitar para deixar um salve aos leitores que não sabem interpretar texto e só leram as partes que quiseram quando versei sobre o significado do surto de Charlie Sheen para os dias de hoje (fico pensando que parte de “foco e paixão” eles não entenderam). Prefiro pensar que são amigos meus disfarçados em pseudônimos me espezinhando. E quando você tem gente como Alec Baldwin e Mike Tyson te dando conselhos como se portar em público, alguma coisa certa você deve ter feito…

Outro show que rola na Clash, dia 5 de maio, é do inacreditável Jamie Lidell. Vi ele ao vivo no Brasil em 2005, quando ele tocou no falecido Tim Festival e fez um showzaço sozinho, sem nenhum outro músico. Sente o estrago:

Não custa lembrar que o cara que hoje tenta dar lição de moral no Charlie Sheen é o mesmo sujeito que era sinônimo de coxinha antes do 30 Rock:

E que, como bem lembrou a Jufa, disse as seguintes palavras para sua filha de 11 ou 12 anos, ele nem sabia:

“You are a rude, thoughtless little pig. You don’t have the brains or the decency as a human being. I don’t give a damn that you’re 12 years old, or 11 years old, or that you’re a child, or that your mother is a thoughtless pain in the ass who doesn’t care about what you do as far as I’m concerned”

Poizé…

E fechando a lista de shows anunciados pra agora, olha que boa surpresa: o casal Dean Wareham e Britta Philips toca no Sesc em abril. São dois shows. Um deles se chama 13 Most Beautiful: Songs for Andy Warhol’s Screen Tests, em que os dois tocam sobre os clássicos testes de tela do Warhol, em que ele ficava filmando os rostos de gente que associava à sua prole, como o Velvet Underground e Dennis Hopper. Sente o drama:

O segundo show chama-se Dean Wareham plays Galaxie 500 songs e é exatamente isso: canções da banda que pôs Dean no mapa, mas… tocadas apenas por Dean? Britta sempre toca com ele…

E eles tocam até música dos outros:

Pra quem tá boiando na importância do show, uma aulinha: a aliança entre o Velvet Underground e Andy Warhol, em Nova York no meio dos anos 60, fez que o rock ganhasse uma aura impensável anos antes, quando os Beatles chutaram o balde cantando iê-iê-iê – e deu um sabor bem nova-iorquino à maturidade que o rock atingiu quase nos anos 60, quando Londres e a San Francisco viraram techicolor e Dylan, os Beatles e os Stones ganharam tons sépia (Dylan em Woodstock, Stones country e Let it Be, respectivamente). Nova York ganhou o preto e branco artsy dos filmes de Warhol e do free jazz, misturando-o à eletricidade típica do rock, ao mesmo tempo que a expandia-a para além do ritmo e do solo.

O cânone inaugurado pelo Velvet continuou por vias tortas com os Modern Lovers e o Television, sendo absorvido completamente quinze anos depois por uma nova geração, personificada no Sonic Youth. E antes do Yo La Tengo assumir o bastão com a entrada de James McNew na banda, no início dos anos 90, foi o Galaxie 500 quem manteve acesa a chama dessa música especificamente nova-iorquina.

Com três discos, a banda se tornou o grupo indie mais importante dos EUA ao lado dos Pixies, no final dos anos 80, americanizando uma tendência de retomar microfonia e doçura iniciada pelos irmãos Reid no Jesus & Mary Chain, na Inglaterra. E depois de sua existência, Dean formou o Luna, que contou com a ex-dubladora do desenho animado Jem e futura esposa Britta na formação a partir do ano 2000 – o grupo até tocou no Brasil em 2002, se não me engano… De qualquer forma, a vinda dos dois é uma ótima oportunidade para toda uma geração amamentada com roquinho fuleiro (já já falo do novo dos Strokes, do Arctic Monkeys e do Vaccines, guentaê) descobrir uma banda completa.

De brinde, um hit do casal que o Luciano sempre tocava nos primeiros anos da GB…

Mais informações sobre os shows aqui.

O lado bom dessa versão tosca de “Take a Toke” estar começando a virar hype é que ela joga luz na original, um clássico do romantismo canábico pala. Já fechei muita GB com essa música, seis da manhã…

Olha o revival dos 90 que vocês tanto queriam aí…

Pra começar a semana com o dedo na tomada.