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Começando bem

Bem bonita a apresentação que Paulo Ohana fez nesta terça-feira no Centro da Terra, antecipando o disco Língua na Orelha, que será lançado no fim deste mês ao tocar pela primeira vez com a banda com a qual gravou o disco: Bianca Godoi (bateria), Ivan “Boi” Gomes (baixo) e Ivan Santarém (guitarra), infelizmente desfalcada do saxofonista e flautista Fernando Sagawa, que não pode comparecer. Além de músicas do seu disco anterior – O Que Aprendi com os Homens -, ele mostrou a íntegra do disco ainda inédito e contou com a participação do cantor e compósitor Gabriel Milliet, que participou da apresentação pilotando um sintetizador e, primeiro só os dois e depois com a banda, passaram por “Grande Hotel São João”, do próprio Milliet, e pela bela “Ojos de Video Tape”, do excelente Clics Modernos do argentino Charly Garcia.

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“Escrever canções e ter um catálogo de discos dos quais todos nós nos orgulhamos, que está aí para todo o mundo pelo resto do tempo, é sem dúvida o aspecto mais importante do que fizemos como uma banda. Em segundo lugar, conseguimos fazer isso durante todas essas décadas e continuar amigos. E não apenas amigos, mas queridos amigos. Amigos pra sempre”, disse Michael Stipe ao aceitar a entrada do R.E.M. ao Songwriters Hall of Fame, cuja cerimônia, que aconteceu nesta quinta-feira, viu o grupo voltar a tocar juntos depois de anos longe dos palcos. “Somos quatro pessoas que desde muito cedo decidiram que seriam donos das nossas próprias fitas masters e dividiríamos igualmente nossos royalties e créditos de composição”, continuou o vocalista. “Éramos todos por um e um por todos. E então começamos a fazer nosso trabalho desta forma. Funcionou bem, às vezes ótimo, e que viagem que foi. Realmente significa muito para nós que você nos reconheçam esta noite e por isso agradecemos por essa honra incrível.” O grupo aproveitou o barulho para ressuscitar uma playlist em que cada um de seus integrantes escolhe suas dez músicas favoritas, fazendo o próprio Top 40 da banda. E aproveitando a cerimônia, o programa CBS Mornings disponibilzou os 40 minutos da entrevista com o grupo no canal do YouTube da emissora norte-americana. Veja o discurso, a entrevista e a relação das músicas da playlist – e quem escolheu o que abaixo: Continue

Tô falando disso há um tempo: há uma nova geração de músicos e bandas vindo aí que está vindo com mais força e criatividade do que podemos esperar. E nesta sexta-feira, reuni dois exemplares desta nova safra, quando o palco do Inferninho Trabalho Sujo recebeu as bandas Skipp is Dead e Tangolo Mangos. Liderado e concebido pelo amapaense Alejandro de Los Muertos – o próprio Skipp, que também faz os flyers do Picles, entre outras mil atividades -, o Skip is Dead mistura indie rock do início deste século com trilha sonora de videogame e guitarradas do norte do país e rotulando-se como space pirate synth rock e ainda conta com o baterista Marco Trintinalha, o guitarrista Colinz, o tecladista Leon Sanchez (sintetizadores) e o baixista Vinicius Scarpa. Mas o show foi além dos músicos no palco e com uma direção de arte afiadíssima, ainda mais para os padrões do Picles, elevou a apresentação para o nível de espetáculo, com uma instalação que incluía dois telões, figurino e maquiagem num show multimídia que ainda contou com a participação da Yma em uma das canções.

Depois deles foi a vez do grupo baiano Tangolo Mangos mostrar seu disco de estreia Garatujas pela primeira vez em São Paulo e o público era formado por um verdadeiro quem é quem de nomes dessa mesma novíssima geração, entre cantoras, instrumentistas e agentes culturais que estão se conhecendo e reconhecendo como uma mesma turma à medida em que fazem seus trabalhos. Liderados pelo carismático guitarrista Felipe Vaqueiro, o Tangolo era nitidamente uma inspiração para essa parte do público que também é artista e idolatrado pelo pequeno mas firme fã-clube que ergueram em São Paulo, que não só sabia as letras do grupo de cor como estavam prontos para sair quebrando tudo ao menor sinal da banda. Esta, além de Vaqueiro, ainda conta com o baterista João Antônio Dourado, o baixista João Denovaro e o percussionista Bruno “Neca” Fechine, exímios músicos versados tanto em rock clássico, MPB, indie rock e música baiana e a fusão destes gêneros musicais aparentemente contraditórios encaixava-se como um quebra-cabeças a cada nova canção que o grupo mostrava. Com o paulista Caio Colasante fazendo a segunda guitarra como convidado, a banda ainda contou com participações especiais durante a noite, como o pernambucano Vinícius Marçal (da banda Hóspedes da Rua Rosa), o conterrâneo Matheus Gremory (mais connhecido como Devil Gremory, cujo trabalho musical mistura trap e heavy metal) e a mineira Júlia Guedes, neta de Beto Guedes, que também está preparando seu primeiro trabalho solo e tocou teclado com o grupo reverenciando sua linhagem, quando a Tangolo passeou por dois clássicos compostos quando o grande Lô Borges ainda era da sua faixa etária: “Trem de Doido”, do clássico disco Clube da Esquina, e “Você Fica Melhor Assim”, de seu mitológico disco de estreia. Uma noite marcante que ainda contou com duas estreias: a da jornalista Lina Andreosi como DJ, que tocou antes das duas bandas, e a da quase-parente Pérola Mathias dividindo a discotecagem comigo na pista do Picles – quando seguimos o fervo misturando Stevie Wonder com Slits, Beyoncé com Jamiroquai, Gloria Groove com Can, Rita Lee com (claro que não podia faltar) Mariah Carey. Quem foi sabe: a nova geração está chegando!

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E os quatro integrantes do R.E.M. voltaram a tocar juntos nesta quinta-feira, depois de entrarem para o panteão do Songwriters Hall of Fame, no palco do hotel Marriott Marquis, em Nova York, onde aconteceu a cerimônia. A quinta-feira começou com o grupo afirmando em cadeia nacional nos EUA que não voltariam a tocar juntos de novo no programa CBS Mornings, em entrevista ao jornalista Anthony Mason. Quando foram perguntados ao final do programa o que seria preciso para que o grupo voltasse a tocar juntos, o baixista Mike Mills respondeu que seria necessário “um cometa”, mas todos concordaram que não acontecerá uma volta de fato, porque confirmaram que continuam se dando bem uns com os outros justamente por terem terminado na hora certa. Mas na cerimônia da noite, os quatro deram uma palhinha e tocaram “Losing My Religion” – e vale assistir à entrevista que deram ao telejornal matutino, especialmente quando o baterista Bill Berry assume, às lágrimas, que se arrependeu de ter saído da banda no meio dos anos 90, e é imediatamente consolado por seus ex-companheiros de banda.

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Quinta foi dia de dar um pulo no Jazz Factory para ver duas atrações em ascensão na cena paulistana – e as duas atrações mostraram sua versão mais jazz à brasileira. A sensacional Orfeu Menino aos poucos vem mostrando suas músicas novas, mas ainda divide seu repertório com músicas alheias, temperando Marina Lima (“Fullgás”) com Orlandivo (“Tudo Joia”) – e o quinteto tira onda naturalmente, com uma suingueira pesada conduzida pelo carisma inescapável de sua vocalista, Luiza Villa. Cada vez melhor. Depois foi a vez de Ana Spalter assumir a noite com suas músicas autorais, acompanhada de um quarteto da pesada (Johnny Accetta esmerilhando na guitarra, Michael O’Brien nos teclados, Pedro Petrucci no baixo e Léo de Braga na bateria), e mostrando uma groovezeira bem diferente do som introspectivo que faz quando toca só ao piano, que ainda contou com a participação do vocalista dos Fonsecas, Felipe Távora (que também toca com Ana), que dividiu os vocais quando ela apontou o microfone para a plateia. Foi bonito.

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Há uma movimentação peculiar acontecendo. Se no começo do anos os quatro integrantes do R.E.M. subiram no palco ao mesmo tempo como não faziam há 17 anos, desta vez Michael Stipe, Peter Buck, Mike Mills e Bill Berry sentaram-se juntos à mesa para conversar sobre sua carreira e legado em uma entrevista que vai ao ar nesta quinta-feira no programa norte-americano CBS Mornings (veja abaixo), quando foram entrevistados pelo jornalista Anthony Mason a partir da entronização do grupo no Songwriters Hall of Fame, que acontece no mesmo dia. O grupo voltou a se reunir em fevereiro deste ano quando compareceu ao show em Athens (cidade da banda) que o ator Michael Shannon e o guitarrista Jason Narducy (que toca com Bob Mould) estão fazendo em homenagem ao primeiro disco da grupo, Murmur, mas só participaram de algumas canções e nunca os quatro ao mesmo tempo. A banda terminou oficialmente em 2011, mais de dez anos depois da saída do fundador Bill Berry e ver os quatro tão tranquilos e despreocupados falando sobre si mesmos parece um bom sinal de que eles podem tranquilamente voltar aos palcos para fazer mais uns shows. É mais torcida do que realidade, mas vai que…

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Pura magia

Mais uma apresentação de tirar o fôlego conduzida por Juçara Marçal no Centro da Terra. Na segunda noite em que trouxe seu Encarnado em versão acústica este ano para o palco do Sumaré, a maior cantora do Brasil hoje não só fechou esta pequena temporada com uma apresentação ainda mais intensa que a da terça anterior, como encerrou outro ciclo, ainda maior, aberto quando realizou a primeira data de uma temporada interrompida no fatídico março de 2020 da pandemia. Acompanhada dos cúmplices de sempre – Kiko Dinucci, Rodrigo Campos e Thomas Rohrer, todos eles empunhando instrumentos sem eletricidade -, ela transformou mais uma vez seu disco de estreia no véiculo perfeito para a expor a intensidade de sua performance ao vivo, quando transforma sua voz e presença de palco em uma passagem para entidades, cada uma em uma canção. E assim ela foi enfileirando sambas de Siba e Paulinho da Viola, Itamar Assumpção e Gui Amabis, Romulo Froes e Chico Buarque, Tom Zè e Douglas Germano cujas histórias e letras misturam causos do cotidiano com casos de polícia, dramas pessoais com traumas íntimos, rezas e cânticos, sempre amparada pela complexa trama formada pelo entrelaçamento ímpar das cordas de Kiko e Rodrigo e coberta pela lânguida rabeca de Thomas. Uma noite que não apenas tirou o fòlego como livrou o encosto dos traumas dos anos recentes. Pura magia.

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Mais uma segunda-feira atordoante dentro da temporada Curadoria do Medo que a dupla Test está fazendo no Centro da Terra – e se na primeira noite, João e Barata passearam sua avalanche de ruído acompanhada da surra de imagens aleatórias proposta pela VJ Carol Costa, na segunda sessão foi hora de transitar entre a iluminação, por vezes etérea e difusa e por outras frnética e energizante, conduzida por Mau Schramm e pelos ruídos manipulados por Douglas Leal, que começou a noite com gravações da própria banda antes mesmo de ela subir no palco, para depois misturar e remixar outros ruídos emitidos pela dupla enquanto os dois tocavam, funcionando como um eco de outra dimensão. Foi intenso.

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E na semana passada Kendrick Lamar apareceu como orador-surpresa para a turma dos formandos na Compton College, universidade de uma das vizinhanças mais clássicas da história do rap, Compton, onde ele cresceu e fez fama. “Ainda acredito em Compton”, disse ele no discurso que fez no meio da cerimônia, reforçando seu amor por sua comunidade. A fala de Kendrick começa no minuto 42 do vídeo abaixo e logo em seguida publiquei a tradução de sua fala: Continue

Um dos discos mais turbulentos da carreira solo de John Lennon está ganhando um tratamento de luxo e sendo dissecado de diversas formas para ser relançado em outubro deste ano. Mind Games é o disco que marca a separação de John de sua esposa Yoko Ono num período de 18 meses que ficou conhecido como “O Fim de Semana Perdido” na biografia do ex-beatle, numa referência ao título original do filme Farrapo Humano, de Billy Wilder, sobre alcoolismo. Mas em vez de lamentar o término do relacionamento dos dois, que foi retomado no ano seguinte, a reedição prefere celebrar a história do casal buscando referências desde o primeiro encontro e traz imagens inéditas da exposição You Are Here (“Você está aqui”) que Lennon montou em 1968 literalmente influenciado pela poesia e pela arte de sua nova namorada – imagens que se tornaram um novo clipe para a faixa do mesmo título que encerra o disco. Diz John: “Fiz a exposição ‘You Are Here’ na galeria Robert Fraser, que consistia numa galeria sem nada com uma grande tela circular em que escrevi: ‘você está aqui’. Você tinha que descer as escadas e passar por diferentes latas coletoras de dinheiro para instituições como fundos a favor dos direitos humanos, dos animais e da luta contra o câncer – o lugar estava cheio delas – e no lado esquerdo havia uma parede com essa tela enorme escrito ‘você está aqui’ com um chapéu em que as pessoas poderiam colocar dinheiro – para o artista – e uma jarra cheia de pequenos bottons brancos que vinham com ‘você está aqui’ escrito. Filmamos as pessoas por trás de uma janela escurecida com a equipe da versão inglesa do programa Câmera Escondida e deixamos balões com bilhetes escrito ‘mande uma mensagem quando entender’ para que as pessoas mandassem cartas dizendo de onde elas vinham. ‘Você está aqui’ é mais só uma piada, acho. As pessoas leem e de repente percebem que é uma verdade: ‘é, estou aqui’, pensam, ‘como essas outras pessoas estão aqui. Nós todos estamos aqui juntos’. E é aí que as vibrações começam a ser trocadas. Boas e más, dependendo de quem as envia ou como elas se sentem. Muita gente foi para a Índia para descobrir onde estavam, como Richard Alpert, aquele amigo do Timothy Leary , que foi para a Índia, viu vários gurus, procurando-os por toda a parte e tudo que esses gurus diziam para ele era: ‘lembre-se de estar aqui agora’. É tudo o que os gurus vão te dizer. Lembre-se deste momento agora. Estava conversando com George outro dia e esqueci de perguntar para ele: ‘o que você está procurando? Você está aqui!”. A versão mais parruda da reedição de Mind Games é uma caixa limitada com apenas 1100 cópias, que conta com reproduções numeradas de artes de John e Yoko (além de seus certificados de autenticidade), um EP com um holograma aplicado, nove LPs (entre eles dois do tipo picture), dois livros, quatro pôsteres, dois mapas, dois postais, três bottons, um Caça-Palavras, moedas de I Ching e uma camiseta da causa levantada por John na época, da Nutopia, um selo postal Nutópico e uma réplica da placa da embaixada de Nutopia. O preço, claro, é uma facada: 1650 dólares – e já está em pré-venda.

Assista ao clipe e veja as músicas que vêm na caixa abaixo: Continue