Corações ao alto

, por Alexandre Matias

Ao começar a apresentação com “Fim de Festa”, do clássico disco que reuniu Itamar Assumpção e Naná Vasconcellos, a banda convocada por Fernando Catatau para celebrar o cancioneiro romântico brasileiro no espetáculo Pra Falar de Amor, que aconteceu no Sesc Pinheiros neste sábado, mostrou que não estava pra brincadeira. Um time de músicos, autores e intérpretes que pertence à nata da música popular contemporânea escancarou o teste de DNA que prova que sua musicalidade descende deste cânone que une uma parte importante da produção cultural brasileira do último século mas que não é visto como tal. A gênese desta celebração começou ainda no ano passado, quando Fernando fez algumas apresentações intimistas levantando este repertório que atravessa a própria genealogia de suas canções. E foi esperto ao manter esse clima mínimo mesmo com uma banda grande num palco tão amplo como a sala Paulo Autran. O minimalismo dos arranjos e das vozes contrastava com os sentimentos rasgados nas interpretações originais e com o visual da apresentação, em que as luzes de Cris Souto (que pareciam vir de Oz) equilibrava-se perfeitamente com as cores fortes do figurino de cada um e as imagens épicas projetadas por Isadora Stevani, que também assinava a direção de arte da noite. No palco, Catatau puxava um grupo que trazia Ava Rocha, Curumin (entre a bateria e o violão), Jasper, Bruno Berle, Paola Lappicy, Clayton Martin e Beatriz Lima que deslizaram por canções que rasgavam o corpo por dentro fazendo verter lágrimas, seja de paixão ou de fossa, sempre afundando aquele aço frio no peito dos ouvintes enquanto cutucava nosso subconsciente com músicas de Raul Seixas (“A Maçã”) Roupa Nova (“Bem Maior”), Roberto Carlos (“Amor Perfeito”), Jards Macalé (“Sem Essa”), Joanna (“Tô Fazendo Falta”), Djavan (“Um Amor Puro”), Lulu Santos (“Certas Coisas”), Eliane (“Amor ou Paixão”) e Alcione (“Você Me Vira A Cabeça”), colocando cada um dos integrantes no centro emotivo daquelas canções, além de passear pelo próprio repertório, sempre com outro intérprete cantando suas músicas, como “Quero Dizer”, “Solidão Gasolina”, “Transeunte Coração” e “Completamente Apaixonado”. A noite terminou num momento épico revisitando o momento mais romântico do repertório de Catatau, quando todos revisitaram a clássica “O Tempo” do Cidadão Instigado antes de encerrar a noite com “Hackearam-me”, do baiano Tierry, eternizada por Marília Mendonça. Foi de chorar – e tem que ter mais!

Assista a um trecho aqui.

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