Anaïs-Sylla rumo a um novo lugar

Lindo demais o show que Anaïs-Sylla fez esta segunda-feira no Centro da Terra, revelando um pouco do disco que está fazendo com Caê Rolfsen, que tocou na apresentação ao lado de Bruno Prado e Eddu Ferreira, durante a pandemia. Entre as joias da noite, que contou com viagens musicais ao Mali, ao Haiti e ao Senegal, ela ainda apresentou uma versão maravilhosa para “Lugar Comum”, de Gilberto Gil e João Donato.

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Kiko Dinucci entre seus sambas

Que benção essa terceira apresentação de Kiko Dinucci no Centro da Terra, mais uma vez explorando diferentes possibilidades em sua temporada Pocas. Nesta segunda, ele dedicou-se à sua terra firme, o samba, e convidou os bambas Henrique Araújo, Xeina Barros e Alfredo Castro para desfilar seu repertório sem usar nenhum instrumento de corda, apenas o gogó e um ocasional instrumento de percussão. Visitou clássicos do Metá Metá, “Luz Vermelha” que fez para Elza Soares, uma homenagem ao Barba dos Barbatuques, a faixa-título de seu disco mais recente e músicas de seus mestres, tudo remixado ao vivo pelo mesmo Bruno Buarque que registrou seu Rastilho. Casa cheia para assistir a uma celebração mágica. Haja axé!

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Nina Maia e Chica Barreto entregues à música

Tocante a apresentação que Nina Maia e Chica Barreto fizeram nesta terça-feira no Centro da Terra. Depois de passar por composições próprias e clássicos que as influenciaram (de Gershwin a Milton Nascimento), as duas largaram os instrumentos e convidaram Luiza Villa para encerrar a apresentação com uma belíssima versão para “Serenata do Adeus”, de Vinícius de Moraes.

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Kiko Dinucci entre galáxias e células

Na segunda segunda-feira de sua temporada Pocas no Centro da Terra, Kiko Dinucci visitou paisagens desconhecidas em seu próprio violão, indo do norte da África ao Japão medieval, passando pelo sertão brasileiro e por desertos na Lua, usando seu instrumento como cajado e facão, abrindo picadas e marcando caminhos. À sua cola, Gustavo Infante levava seu violão para galáxias distantes ou para viagens intracelulares, aumentando ou encolhendo timbres em gravadores de fita analógica, enquanto Maria Cau Levy explorava cores e texturas filmando obras que espalhara pelo palco, acompanhada de Karime Zaher, que fitava tudo da coxia. Uma hora tão fantasmagórica quanto espiritual e extrassensorial – tudo ao mesmo tempo.

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Marina Melo em processo de desconstrução

Ao propor desconstruir o Centro da Terra em sua apresentação Quando a Tua Tela Quebra, Marina Melo colocou o público no palco e o transformou em uma roda de conversa, explorando diferentes ângulos do teatro como uma forma de desafiar as convenções.

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Kiko Dinucci e um tributo à antiguitarra

Alguém anotou a placa do avião? Na primeira segunda-feira de sua temporada Pocas no Centro da Terra, Kiko Dinucci reuniu-se com Lello Bezerra e Guilherme Held para um encontro de antiguitarras, trabalhando seus instrumentos para muito além dos limites da melodia, da harmonia e do ritmo, explorando espaços sonoros com timbres elétricos quase sempre indomáveis, tudo assistido visualmente pelas intensas tintas de Gina Dinucci. E pensar que isso é só o começo…

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De volta aos palcos

Garotas Suecas @ Centro da Terra (3.5.2022)

Que beleza o reencontro dos Garotas Suecas com os palcos nesta terça-feira no Centro da Terra – era palpável a emoção que Tomaz Paoliello, Irina Neblina, Marcelo Perdido e Nico Paoliello sentiam ao tocar de novo para seu público, que além de vários hits da carreira da banda ainda pode ouvir músicas do próximo disco do grupo, que já está sendo mixado. E que venham mais shows!

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Cohen num fôlego só

Leonard Cohen: Dito e lido @ Centro da Terra (2.5.2022)

Alma lavada após colocar de pé Leonard Cohen: Dito e lido, tributo ao mestre canadense que eu e Juliana Vettore concebemos para o Centro da Terra terra ao lado de um time de primeiríssima. Jeanne Callegari, Michaela Schmaedel, Bárbara Eugenia, Juliana R. José Barrickello se revezaram entre poemas, instrumentos musicais, efeitos sonoros, versos implacáveis, bilhetes tenros e refrães memoráveis numa homenagem cujo tom elegante e solene não impediu experimentações e cruzar algumas fronteiras pouco óbvias de sua vida e obra.

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Lia de Itamaracá é a ciranda viva

Lia de Itamaracá @ Itaú Cultural (30.4.2022)

A presença de Lia de Itamaracá por si só já é um acontecimento. Já havia presenciado sua majestade este mês, na inauguração da #ocupaçãoliadeitamaracá que o Itaú Cultural está realizando, e basta ela estar no mesmo ambiente para que se sinta uma força vibrando todos os átomos do local. Mas quando ela está em seu altar, o palco, empunhando seu cetro, a voz, reúne uma egrégora de almas e ritmos ancestrais que dão as mãos com o público e o faz naturalmente girar, apenas com a força de seu canto – e em vários momentos de sua apresentação no sábado havia apenas a força de seu canto. Amparada pela banda reunida por seu atual produtor musical, o compadre DJ Dolores, ela desfilou sua majestade como de hábito, nos hipnotizando com sua arte sacra.

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A realidade de bolso de Marcelo Cabral

Marcelo Cabral @ Centro da Terra (26.4.2022)

Dá pra levar um show no bolso como se fosse um amuleto? Um pequeno portamoedas que bastaria ser aberto por alguns segundos para revelar camadas de microfonia e silêncio, efeitos e canções, ruído e calmaria, melodia e drone, tudo vindo de uma vez só como o ardor de uma pimenta em conserva, o gosto forte de um bitter, um tempero refogado, um bálsamo envolvente. Na segunda apresentação de seu Motor Elétrico no Centro da Terra, ao lado de dois navegadores distintos e complementares Maria Beraldo e Guilherme Held, Marcelo Cabral mais uma vez nos conduziu a um transe de sensações díspares, antagônicas e docemente complementares, espelho e abismo, cosmo e colo, luz e trevas, numa apresentação que podia durar horas. Ou caber no bolso, para abrir sempre que precisássemos sentir aquilo tudo de novo.

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