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Química intacta

Valendo! Começou nessa sexta-feira a turnê de retorno do grupo O Terno, que encerra a série de shows de seu quarto disco, Atrás/Além, interrompida pela pandemia há quatro anos. Mas mesmo com tanto tempo sem tocar juntos, é recompensador ter a certeza de que a química entre Tim Bernardes, Guilherme D’Almeida e Biel Basile segue intacta – talvez ainda mais afiada. Os três se entendem musicalmente sem precisar olhar na cara um do outro – e quando o fazem percebem a certeza do som que estão fazendo, e a excitação de ter lotado o Espaço das Américas ajudava muito nisso. Por isso que meu momento preferido nas duas horas e meia de apresentação tenha sido quando o naipe de metais quase onipresente deixa o palco e os três podem fazer o som que é sua assinatura musical, nem que por apenas três canções (“Pra Sempre Será”, “Eu Vou” e “O Cinza”, esta última épica!). É óbvio que cordas, metais e mesmo o piano de cauda funcionam com a sonoridade do grupo, mas quando Tim rasga a guitarra solando, Peixe torna seu baixo uma âncora que sola (uma aparente contraditória mistura de John Entwistle com Peter Hook) e Biel trafega por seu set com graça e peso ao mesmo tempo a essência do grupo torna-se evidente – e suas auras brilham com a mesma intensidade – algo que era sublinhado visualmente com a ótima luz de Olívia Munhoz, que age como se fosse integrante do trio. A ênfase no disco mais recente (um irmão caçula do 4 do Los Hermanos, que insiste no percurso mais dócil da mistura de indie rock com MPB) acaba por tirar peso e eletricidade da apresentação, aproximando-a da sonoridade da carreira solo de Tim, o que reflete-se na escolha da única versão da noite, “O Sonhador”, de Leandro e Leonardo. E o que poderia ser um show de grandes sucessos da banda (afinal, os quatro anos sem subir no palco pediam) acabou pesando para a segunda metade da história da banda: foram 23 músicas do terceiro e quarto disco contra apenas cinco dos dois primeiros. Felizmente fecharam com “66”, primeiro hit do primeiro disco, que justamente colocou o dedo do grupo de volta na tomada, eletrizando a plateia ao final. E isso que só foi o primeiro da turnê…

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Nascida no Mato Grosso do Sul e morando em São Paulo, a cantora Nina Camillo está prestes a dar o próximo passo em sua carreira. Lançando “Bem Te Vi”, seu terceiro single e clipe nesta sexta-feira, que ela antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo, ela sente que encerra um ciclo ao lançar uma das primeiras músicas que compôs ao piano, produzida, como as anteriores (“Flor da Pele” e “Vem pro Céu”), por Tiago Frúgoli, que coproduz a faixa com Nina, além de tocar piano elétrico. “Sinto que essas faixas me fortaleceram muito, me dando confiança musical e artística”, explica a cantora e compositora, que é influenciada por Hiatus Kaiyote e Erykah Badu e inúmeros nomes da música brasileira, e que até outro dia não sentia segurança em assumir-se como artista. Mas dá pra ver que essa página foi virada e ela explica que parte dessa ficha caiu durante a gravação do clipe, quando teve que contracenar com seu próprio reflexo num espelho quebrado. Assista abaixo: Continue

Que maravilha isso tudo: Rafael Castro está de volta! Desde que se estabeleceu como empresário da noite paulistana, a usina de ideias musicais do músico e compositor de Lençóis Paulista ficou em segundo plano. Ele põe a culpa na pandemia: “Rapaz, negócio de transtorno mental mesmo”, me explica o idealizador do Picles, coração pulsante da vida noturna da zona oeste de São Paulo. “Pandemia bugou a cabeça, era crise de ansiedade e pânico o tempo inteiro. Tentei fazer uns showzinho quando as casas voltaram a funcionar e tive que parar no meio. Parecia que ia morrer, desmaiar, sei lá. Era horrível. Aí até tentei inventar que não queria mais, que não tinha tempo, que estava enjoado, mas foi só tomar uns remédios e fazer uma terapiazinha que tudo voltou a ser possível. Viva a medicina!”.

Assim, Rafa volta a tocar sua extensa discografia, que foi interrompida ainda na década passada, nesta sexta-feira, quando lança Vaidosos Demais, cuja capa ele antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo, bem como a faixa que abre o disco, a sensacional “Bar e Lanches” (prima-irmã de “Restaurante Lótus”, do gaúcho Pedro Pastoriz). Gravado ao lado de alguns de seus comparsas de sempre (como o baixista Fabiano Boldo e o baterista Arthur Kunz), Vaidosos Demais começou a ser gravado no fim do ano passado, mas começou a tornar-se disco no último fevereiro. “Encafifei que o show da Paixão de Castro ia ter que ser com música nova e fiz o resto tudo esse mês”, contou.

O disco ainda tem dois duetos, um com Vanessa Bumagny (“O Algoritmo Te Escolheu”) e André Mourão (“Quando Essas Canções Não Existirem Mais”), além de faixas que conseguem ser ainda melhores que seus títulos fazem parecer, como “Fiscal de Foda”, “Pessoal da Claro”, “A Esquerda Errou Nesse Sentido” e “Nunca Em Nome de Satã”. E o melhor de tudo, pra mim, é que Rafael Castro volta aos palcos na próxima sexta, dia 29, quando será a principal atração da minha noite Inferninho Trabalho Sujo que faço em sua casa de shows e com abertura da querida Manuella Julian. Vai ser lindo e os ingressos já estão à venda neste link.

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Ana Spalter e Felipe Távora entrelaçaram instrumentos, vozes e repertórios nesta quarta-feira, ao fazer a primeira apresentação em dupla no Teatro da Rotina. Com a casa lotada, os dois passearam pelas próprias canções, encontrando pontos em comum entre melodias e temas e reduzindo os arranjos quase sempre a um violão e um teclado, pilotados respectivamente por Felipe e Ana, que também encontraram-se no bom humor (com algumas piadas infames) com o qual conduziram a noite. Numa apresentação minimalista e delicada, os dois cativaram o público presente, fazendo-os cantarem trechos de músicas que sequer conheciam. E além das próprias composições, passearam por músicas de Gilberto Gil (“Drão”) e Edu Lobo (“Zum-zum”), esta última dividida com a voz fantástica de Luiza Villa. Os dois encerraram a apresentação cantando “Gosto Meio Doce”, música de Távora que foi imortalizada pela dupla Nina Maia e Chica Barreto.

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A produtora e musicista Lorena Hollander conduziu o público que foi ao Centro da Terra nesta terça-feira em uma jornada interior. Apesar de apontar para o satélite natural do planeta ao batizar o espetáculo de seu projeto Ushan como Ao Redor da Lua, ela mergulhou em uma jornada interior dividida em três partes. Na primeira delas, entre apitos e um kotô, ela foi acompanhada pelo baixo de Samuel Bueno e pela bateria de Martin Simon e apresentou a paisagem sideral no cenário ao mesmo tempo em que conduzia o público para uma introspecção lisérgica que misturava baixo e bateria de rock psicodélico a beats, distorções digitais e mantras vocais ao timbre peculiar do instrumento asiático. Depois entrou numa viagem de improviso ao lado da convidada da noite, Sue, que trouxe sua guitarra e seus processadores sonoros para duelar com o kotô e os processadores de Lorena, em um improviso intenso. A terceira e última parte trouxe Samuel e Martin de volta ao palco, quando a líder da noite nos conduziu pelo momento mais expansivo e intenso da noite, entre efeitos e uma cimitarra na cabeça. De deixar todos perplexos.

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Aconteceu neste sábado: o Weezer deu início às comemorações do aniversário de 30 anos de seu primeiro disco, mais conhecido como “o disco azul”, ao tocá-lo na íntegra para uma plateia de 500 pessoas, no Lodge Room, em Los Angeles. A turnê só começa no segundo semestre, mas deu pra sacar o quanto a banda está prontinha para rodá-lo por aí com os vídeos que apareceram online. O show teve abertura da banda Dogstar, que abriu para o Weezer em 1992 com o mesmo baixista da noite deste sábado, o ator Keanu Reeves, e o Weezer limitou-se a tocar apenas as dez músicas do disco, mudando apenas a ordem de duas músicas, ao colocar o hit “Say It Ain’t So” depois de “In the Garage”, mas isso deve ter sido feito pois o grupo chamou o ator norte-americano Dominic Fike, da série Euphoria, para dividir os vocais na antepenúltima música do show (Fike lançou um single no ano passado, “Think Fast“, em que justamente citava a música do Weezer). Mas eu queria mesmo é que eles tocassem o segundo disco, o Pinkerton, disparado a melhor coisa que o Rivers Cuomo já fez na vida. Mas é muito pouco provável que isso aconteça…

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“Pra viver junto é preciso viver só, pra gente se encontrar”, incitando o público a cantar o refrão da inédita “Oração 18”, que faz parte de seu Prece, rosário em forma de disco que lança em abril, e que será lançada como single na semana que vem, a mineira Luiza Brina resumiu a força tanto de sua temporada no Centro da Terra, quando apresentou-se pela terceira vez dentro de Aprendendo a Nadar, quanto de seu novo momento artístico, quando aproximou-se de outros artistas para somar forças e criar algo coletivo, ciente das respectivas individualidades. Desta vez ela chamou o carioca Castello Branco e o alagoano Batataboy e os três criaram momentos únicos, Castelo sempre ao violão, Batataboy entre o piano e o contrabaixo e Luiza entre o violão e o contrabaixo, os três entrelaçando vocais sem pausas entre as canções desde o primeiro dedilhado que abriu o show, parando só na citada última música, que recebeu todos os aplausos da casa. “Pra andar junto é preciso poder andar só, pra gente caminhar”, caminha Luiza!

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Elis Regina teria completado 79 anos neste domingo caso estivesse viva e seu filho João Marcelo Bôscolli aproveitou a efeméride para relançar a clássica “Para Lennon e McCartney” em uma roupagem 2024, só que com sabor de 1976. A cantora gaúcha registrou a versão para o clássico de Milton Nascimento quando estava gravando o disco Falso Brilhante mas ficou de fora deste disco. A versão de Elis chegou ao público depois de sua morte, quando foi incluída na coletânea póstuma Luz das Estrelas, de 1984, e depois incluído na trilha sonora de uma novela. O contrato com a gravadora da época venceu há um ano e meio e quando João Marcello foi procurado pela rádio Nova Brasil para ver se não tinha nenhum material da Elis para aproveitar a comemoração do aniversário, lembrou-se de “Para Lennon e McCartney”, que foi recriada em estúdio este ano. O vocal isolado da cantora feito para um especial de TV foi gravado no estúdio Vice-Versa (na época de propriedade de Rogério Duprat e da dupla Sá & Guarabyra), que hoje é o estúdio da gravadora Trama, de João Marcello, e toda a parte instrumental foi recriada neste mesmo estúdio este ano, só que com instrumentos e equipamentos de gravação equivalentes ao período em que o vocal foi gravado, pelos músicos Marcelo Maita (teclados), Conrado Goys (guitarra), Robinho Tavares (baixo) e Daniel de Paula (bateria). A produção da nova versão ficou por conta de João Marcello e seu irmão Pedro Mariano supervisionou o tratamento que foi dado à voz de sua mãe. “Saber que Lô Borges ouviu muitas vezes a faixae e se emocionou foi um momento repleto de significados”, me contou João Marcello, “além de Elis ser muito amiga dos Borges todos, ter a aprovação do Lô como compositor de ‘Para Lennon e McCartney’ foi muito importante para todos nós.” A faixa por enquanto só pode ser ouvida exclusivamente nas rádios da rede Nova Brasil e chega às plataformas de streaming no próximo dia 25.

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Finalmente visitei o Porta Maldita e que massa ver que o Arthur conseguiu fazer o que vinha vislumbrando há anos: um inferninho saudável, que apesar de ser uma casa de shows parece a casa de alguém que gosta de música, com gente espalhada pelos cômodos curtindo civilizadamente a noite. O cômodo dedicado aos shows, além de ar condicionado (crucial para esse verão) tem um dos melhores sons entre as casas pequenas – uma meta do dono, que é justamente uma pessoa do som – e o Porta Maldita ainda tem até com iluminador para os shows (sexta quem estava lá era o Rafa, do Applegate). E o bar é demais: os drinks são bem bons, o preço é justo, os copos são de vidro, tem água de graça e a equipe é simpática. Parabéns Arthur! Fora que ter só uma portinha do lado de fora tem um charme poético que torna a casa ainda mais mágica.

Assisti a mais um show do Garotas Suecas, que vinham de um extremo oposto desde seu último show, quando abriram para os Titãs no estádio do Palmeiras lotado, em dezembro. No primeiro show do ano, os heróis do indie paulistano – que completam 20 anos de banda neste 2024 – mostram como a experiência e a maturidade confluem para um show preciso e redondinho, com canções irresistíveis e causos infames entre elas – inclusive sobre quando o baterista Nico foi entrevistado sobre especulação imobiliária, história contada antes da ótima “Gentrificação”, do disco que lançaram ano passado.

Depois foi a vez dos Fonsecas, que nunca tinha visto ao vivo, e a banda colide rock’n’roll com MPB a partir da sua divisão instrumental: o power trio formado por Caio Bortolozo (guitarra), Thales Tavares (bateria) e Valentim Frateschi (baixo) pegam pesado no rock, deixando o vocalista Felipe Távora livre para declamar seus poemas em forma de canção e se jogar no palco. O show ainda contou com a participação do vocalista da banda baiana Tangolo Mangos, Felipe Vaqueiro, e o vocalista da banda Naimaculada, Ricardo Paes, dividindo o palco com o grupo na última música, a faixa que batiza seu EP, “Fundo da Meia”. Foi a primeira vez que vi o grupo ao vivo e funcionou bem com a minha primeira vez no Porta Maldita.

#garotassuecas #osfonsecas #portamaldita #trabalhosujo2024shows 39 e 40

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O Inferninho Trabalho Sujo despediu-se das quintas-feiras na festa desta semana e daqui a no fim deste mês – justamente na sexta-feira da PAIXÃO – começamos a incendiar o hospício do Picles às sextas… e quem é esperto já sabe quem traremos pra brilhar no primeiro sextou oficial do nosso Inferninho, dia 29 de março. A despedida começou com a dupla Mundo Vídeo, que despejando guitarras desenfreadas sobre bases de dance music começou a esquentar a noite…

Depois foi a vez do Varanda fazer a casa cair. Depois de seis meses de sua primeira apresentação em São Paulo (justamente neste mesmo Inferninho), a banda de Juiz de Fora participou do momento de encerramento desta primeira fase da festa mostrando uma evolução considerável desde o primeiro show no Picles, que já tinha sido foda. Mas depois de um semestre rodando bastante (o que a constância do palco não faz com um grupo de músicos, não é mesmo?), o quarteto voltou tinindo, tanto na coesão entre seus músicos, quanto em sua presença de palco. Todos os quatro – Augusto Vargas (baixo), Amélia do Carmo (vocal), Mario Lorenzi (guitarra) e Bernardo Mehry (batera).- conversam com o público, brincam entre si, contam piadas de tiozão sem ironia e cantam parte das músicas, mas o foco da atenção não tem como não ser a presença magnética de Amélia, que personifica a fusão de MPB com indie rock do grupo para muito além do que o os clichês que a miserável mistura parece inspirar, encarnando o espírito livre, o humor infame
e o alto astral que são a essência da banda. Os quatro ainda chamaram o homem Irmão Victor, o gaúcho Marco Benvegnú, para tocar sax (!) no hit “Gostei”, além de mostrar várias músicas inéditas. Depois, eu e a Fran apelamos e ganhamos a pista, como de praxe. Que noite!

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