
Netflix ou é melhor ir direto pro Mubi? Esse trailer fictício criado a partir de um único registro em vídeo de um dos maiores clássicos do reggae brasileiro está pedindo pra virar filme de verdade…
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E essas gravações que a Gal Costa fez em um hotel em Buenos Aires em 1978 que apareceram agora no YouTube? “Leãozinho”, “Antonico” e “Falsa Baiana” em versões intimistas e deslumbrantes… Gal no auge. Ouça abaixo: Continue

Se o show dos Boogarins é sempre uma viagem, quando acontece no Centro Cultural São Paulo ganha um gostinho extra – mesmo com o público comportando-se bem, o que não é a regra quando o grupo goiano toca na mítica sala Adoniran Barbosa. Mas a apresentação desta quarta-feira foi mais uma visita do grupo ao universo do Clube da Esquina e os fãs assistiram todos sentadinhos, sem se aglomerar de pé ao redor da banda como é de praxe no local. Isso não tirou a magia da situação, pelo contrário, deu ares de camerata à viagem psicodélica do quarteto à cosmogonia parida a partir do disco clássico de 1972, que não foi tocado na íntegra e sim usado como alicerce para visitar outros momentos clássicos – e outros menos conhecidos – do criado pelos músicos mineiros. Por isso além do disco duplo que deu origem à saga, os goianos visitaram tanto o Via Láctea de Lô Borges quanto o Amor de Índio de Beto Guedes, além de reforçar a paixão do grupo pelo mitológico Beto Guedes/Danilo Caymmi/Novelli/Toninho Horta, gravado pelos quatro em uma única madrugada de 1973, ao visitar as duas músicas compostas pelo não-mineiro do grupo, Danilo (“Ponta Negra” e “Serra do Mar”). Mas é claro que as coisas ficaram sérias de verdade quando voltam-se ao disco original, encerrando a apresentação com a trinca “Trem Azul”, “Nada Será Como Antes” (em que o guitarrista Benke Ferraz ainda contrabandeia “Alter Ego” do Tame Impala) e “Um Girassol na Cor do Seu Cabelo”, fazendo todo mundo sair dali com um sorriso estatelado no rosto.
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E por falar no tributo ao Talking Heads, semana passada David Byrne deu o troco no Paramore, que começou a divulgação do disco ao fazer sua versão para “Burning Down the House”, ao mostrar a sua versão para uma das melhores músicas do grupo liderado por Hayley Williams, “Hard Times”. E mesmo fazendo uma versão só boa, o ex-líder dos Talking Heads faz um senhor serviço para sua geração e para outras: gravar versões de artistas mais novos não é só uma forma de reunir novos fãs como ajuda o próprio ecossistema artístico a respirar melhor.
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Eis que ao revelar mais uma faixa do tributo Everyone’s Getting Involved: A Tribute to Talking Heads’ Stop Making Sense, a distribuidora A24 finalmente contou quem canta o que no disco que será lançado no próximo dia 17. Depois de ouvirmos as versões do Paramore para “Burning Down the House” e “Take Me to the River” revisitada pela Lorde é a vez da norueguesa Marie Ulven Ringheim, mais conhecida como Girl in Red, de mostrar mais uma versão do clássico grupo nova-iorquino e a escolhida é “Girlfriend Is Better”, que ganhou uma bela versão, ouça abaixo. Além desta, também foram revelados quais artistas cantam que músicas dos Heads – e quem abre o disco é Miley Cyrus cantando “Psycho Killer” (que ela já tinha dado uma pista dia desses), seguida de uma versão de “Heaven” feita pelo National, além das Linda Lindas fazendo “Found a Job”, Él Mató a un Policía Motorizado tocando “Slippery People”, Badbadnotgood tocando “This Must Be the Place (Naive Melody)” com Norah Jones e Toro y Moi tocando “Genius of Love”, do Tom Tom Club. Veja a relação completa de quem toca o que além da capa definitiva do tributo (que já está em pré-venda) a seguir: Continue

Noite linda com Pedro Pastoriz encerrando o ciclo de seu Pingue-Pongue com o Abismo no espetáculo Replay, que teve vários momentos foda, desde a participação de Tomas Oliveira tocando taças, à ótima combinação entre os produtores do disco (Charles Tixier e Arthur Decloedt, ambos na eletrônica) e o baixista que atualmente acompanha Pedro (Otávio Cintra), que renderam versões excelentes tanto para os momentos mais delicados do disco (“Alzira”, “Chicletes Replay” e “Janela”), os mais pop (como “Dolores” e “Fricção”), as vinhetas e os mais intensos (como “Boogaloo” e “Faroeste Dançante”). Pedro ainda aproveitou para mostrar uma música inédita (“A Lua”) tocada apenas ao violão, além de “Assovio”, que tocou nesse formato. E mesmo temperando o show com seu humor entre o nonsense e a aparente falta de noção (que ele domina como poucos, principalmente ao conversar com o público), o momento mágico aconteceu quando chamou sua companheira Talita Hoffman – gravidaça – para dividir o palco tocando baixo enquanto ele seguia no violão, cantando duas músicas alheias que refletem o momento do casal, “Now Is Better Than Before”, de Jonathan Richman, e “Man in Me”, do Bob Dylan, que Talita disse ser uma piada muito boa para deixar passar, afinal, ela carrega um homem dentro dela. Foi a coroa para uma noite de astral altíssimo.
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A terceira noite da temporada que Rodrigo Campos, Rômulo Fróes e Thiago França estão fazendo no Centro da Terra era um salto no escuro – e provou-se a melhor da temporada até aqui. Apresentando um repertório composto apenas por músicas inéditas, a noite contou com um elemento de experimentação que fez o trio baixar a guarda e assumir o aspecto laboratorial desta temporada chamada de 3 na Ribanceira. Pois lá estavam os três, soltando pérolas arquivadas no passado e músicas que tiraram da gaveta do período pandêmico sem pudor de recomeçar faixas, discutir letras, arranjos e melodias (“se o Ed Motta falou…” foi um comentário recorrente) e soltar farpas apenas para espezinhar uns aos outros, como quando Thiago lamentou que sua “Bodeado” havia ficado de fora do Barulho Feio de Rômulo ou quando este reclamou que uma música sua não entrou no Elefante que gravou com Rodrigo ano passado porque tinha “muita letra”. A pegação no pé mútua ajudava a dissipar o clima sério e por vezes soturno (pois algumas faixas haviam sido compostas durante a pandemia) de parte daquele repertório, que ainda trouxe uma composição de Ròmulo e Ná Ozzetti que havia sido tocada apenas uma vez exatamente naquele palco, em março do ano passado e a mesma “Cadê Meu Dinheiro?” que Campos lançou na primeira noite da temporada. A noite terminou com um aperitivo da próxima segunda, quando receberão Marcelo Cabral e Juçara Marçal para revisitar clássicos próprios, e Rômulo puxou sua “Espera”, que também havia sido tocada na primeira segunda-feira desta safra de shows.
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Bastou o momento em que Juçara Marçal e Alzira E dividirem o palco na noite deste domingo pra valer o 2024 todo até aqui. Mas o encontro destas duas não aconteceu só no momento em que as duas diviram a emblemática “Tristeza Não”, pois reunir o show das duas numa mesma ocasião foi uma bela sacada da Casa Natura Musical. Alzira começou os trabalhos com seu Corte, banda formada por Marcelo Dworecki (baixo e guitarra), Cuca Ferreira (sax), Daniel Gralha (trumpete) e Fernando Thomaz (bateria), mostrando músicas do ótimo Mata Grossa, lançado no ano passado, além de passar por canções do disco de estreia do grupo, de 2017. O entrosamento entre todos está tinindo e elevam a vocalista e baixista do pantanal à sua natural posição majestática, onde, seja bradando o microfone ou empunhando seu baixo, que por vezes encontrou-se com o de Dworecki, deixando o peso da banda ainda mais evidente – algo bem realçado pelo Berna, que estava tomando conta do som.
Quando Juçara subiu depois, todo o peso de seu Delta Estácio Blues – cada vez mais implacável a cada nova apresentação – foi elevado. Primeiro pela liga quase metálica entre ela, Kiko Dinucci, Marcelo Cabral e Alana Ananias. Depois ao temperar o show com citações do disco de seu remixes que acabou de ser lançado – e que Juçara anunciou que irá se transformar em festa no porão da Casa de Francisca, com discotecagem do Mbé, nos dias 16 e 17 de maio – imperdível! Depois com a participação da mestra que abriu o show, Alzira E. A citada “Tristeza Não”, de Itamar Assumpção e Alice Ruiz, já eternizada pelo Metá Metá, ganhou um força e uma energia ainda mais intensa com a presença de Alzira e, como conversei com o Cuca logo na saída do show, aquele encontro das duas abriu camadas e camadas de referência, mostrando como a cena nascida no Lira Paulistana segue firme e forte na atual cena independente paulistana. Que momento!
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É lógico que se sua esposa, em sua festa de 50 anos, se reunisse com a banda que teve 30 anos antes você iria fazer um vídeo e postar no Instagram. Foi isso que David Beckham fez ao registrar o momento em que as cinco Spice Girls voltaram a fazer as clássicas coreografias no aniversário da Posh Spice, Victoria Beckham, que aconteceu neste sábado no clube fechado londrino Oswald’s, quando ela recebeu convidados como Tom Cruise, Salma Hayek e Eva Longoria.
Mas como sabemos nada é assim tão espontâneo nesse mundo de celebridades. Logo em seguida, Melanie Brown, a spice girl Mel B repostou o vídeo em seus stories no Instagram com a hashtag #tourdatescomingsoon, antecipando a possibilidade do grupo inglês voltar a fazer shows em seu aniversário de 30 anos. E por mias que todos conheçamos a força conjunta de Geri Halliwell-Horner, Victoria Beckham, Melanie Brown, Melanie Chisholm e Emma Bunton, nenhuma delas é tão conhecida quanto o jogador de futebol marido da aniversariante (quase 90 milhões de seguidores, afinal de contas…), um ponto de partida perfeito para um rumor que poderá se tornar um anúncio em breve…

A última vez que vi Tatá Aeroplano apresentar-se com sua banda foi no primeiro show que ele fez após a volta da pandemia, em 2022, quando lançou o disco Não Dá Pra Agarrar no Sesc Pinheiros. De lá pra cá, ele lançou mais um disco (o ótimo Boate Invisível, do ano passado), que só consegui ver ao vivo nessa sexta-feira e talvez no melhor lugar para essa experiência dionisíaca, que é o Picles. Impressionante a distância entre os dois shows. No de dois anos atrás, a banda ainda estava tateando aquele mundo pós-covid, inseguros daquele primeiro show mesmo tendo mais de uma década de intimidade. No Picles, a história era completamente diferente, e Tatá – o melhor guia para uma trip psicodélico – conduziu o público e seus músicos (uma trupe tresloucada formada por Dustan Gallas, Bruno Buarque, Malu Maria, Kika e Junior Boca, um combo de loucos) a um processo de derretimento psíquico à base de muita música, afinal aquela banda estava em seu ambiente natural. Completamente entrosada, a banda praticamente não trocava olhares para mudar de uma música à outra – e o quando o fazia, era uma cumplicidade latente que escorria em direção ao público, que berrava a letra de todas as músicas. O foco óbvio da apresentação era o repertório do disco do ano passado, mas à medida em que o show avançava, percorreu faixas do disco de 2022, do Delírios Líricos (quando puxaram uma versão alucinada para “Ressurreições” de Jorge Mautner) e do Step Psicodélico, cuja marchinha de carnaval que batiza o disco encerrou a viagem. Bom demais!
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